00:00Eu quero começar, gente, com imagens do aeroporto principal em Buenos Aires,
00:06como é que estava o aeroporto ontem, na paralisação de 24 horas.
00:11Aí você está vendo a cidade de Buenos Aires, pontos turísticos ali da cidade de Buenos Aires.
00:18As imagens mostram aí uma cidade não tão parada, porque é dia de semana, imagina.
00:25Lá não tem o que tem aqui, carnaval, quarta-feira de cinzas.
00:28A cidade bem mais esvaziada e aí a gente vê muita gente não foi trabalhar,
00:33porque foi uma paralisação de 24 horas dos sindicatos em vários setores, inclusive o aéreo,
00:40em que vários voos foram cancelados, essa paralisação de 24 horas.
00:45Para vocês terem uma ideia, só a Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos em toda a sua malha aérea.
00:55Aqui no Brasil a gente teve muitos problemas, muitos voos cancelados mesmo.
01:00E as companhias aéreas orientam os passageiros a entrarem com pedido de reembolso ou remarcação dessas passagens.
01:09E isso, gente, significa também perdas para a economia, não só na Argentina, como também no mundo todo.
01:17Tudo bem que hoje em dia o online facilita essas negociações, mas tem coisa que não dá para fazer online.
01:23Olha, por exemplo, o recolhimento do lixo, nessa paralisação de 24 horas.
01:28Os trabalhadores que agem, que trabalham recolhendo o lixo, também paralisaram.
01:35E aí também teve essa semana um protesto dos trabalhadores, 920 funcionários,
01:40que foram mandados embora por essa fábrica de pneus.
01:44Pode colocar para mim na tela cheia, por favor.
01:47Eles fizeram uma manifestação que chamou bastante atenção, são 920 funcionários que foram mandados embora,
01:52porque a fábrica fechou, porque diz que não suportou a concorrência dos pneus importados.
01:57Isso mostra para a gente um retrato de como está a economia argentina hoje, tá?
02:01Ontem a Câmara aprovou a reforma trabalhista, ela retorna para o Senado agora para a votação,
02:08porque ela sofreu mudanças do projeto que veio do Senado.
02:11E aí, acontecendo tudo isso aí lá na Argentina, o presidente Javier Milley, olha só,
02:18estava no Conselho de Paz, criado pelo Donald Trump, e que teve uma solenidade nos Estados Unidos.
02:26E Milley fez um discurso, e ele usou a seguinte frase em latim.
02:32Vamos ver, eu não sei falar muito bem em latim, mas vamos ver se eu sei.
02:36Civis passem parabelum.
02:38Civis passem parabelum.
02:39Vamos ver o que significa aí na tradução.
02:42Os actores internacionais jogam com as mesmas regras.
02:46Há quem rechazam esses direitos, os pisoteam e se beneficiam do que os demais respeitem.
02:51Frente a eles, a boa vontade não alcança.
02:54Precisamos instituições com vontade e capacidade de fazer valer as regras.
02:59A paz duradoura não se construiu sobre consensos que ceden no fundamental.
03:04Se construiu sobre a determinação de defenderlo.
03:07Civis passem parabelum.
03:09A Argentina participa deste conselho com a convicção de que a paz exige decisão política e uma arquitetura institucional capaz
03:17de sostener soluções reales no tempo.
03:20Bom, ele falava aí óbvio do conselho de paz, não de tudo que está acontecendo na Argentina, mas com a
03:27crise que está na Argentina, com esse monte de protestos e fábricas fechando, essa fábrica aí de pneus que a
03:35gente mostrou agora há pouco em Buenos Aires, tinha 80 anos de funcionamento.
03:39É uma fábrica tradicional, quase mil pessoas mandadas embora.
03:43O Javier Milley ofereceu segurança, tropas, né?
03:47É isso, ofereceu tropas ao conselho da paz que foi instalado, né?
03:52Já foi instalado, mas houve essa solenidade aí nos Estados Unidos com a presença do Trump.
03:58A gente vai mostrar daqui a pouquinho um pouquinho mais sobre esse conselho da paz.
04:01Aí o Milley foi lá e ofereceu tropas, né?
04:05Com o país em crise, com esse monte de protestos.
04:08Aí eu quero saber do Bruno Corano, que é economista aí e CEO da Corano Capital.
04:15Essa questão na Argentina já chegou aqui, né?
04:19Porque tem fábricas de automóveis que fabricam os automóveis que vêm aqui para o Brasil, que estão paralisadas ou paralisaram
04:2724 horas.
04:30Bom, falar de Argentina e Milley tem várias vertentes, né?
04:35Primeiro, a matéria começou em relação à greve e a reforma trabalhista justamente prevê, proibir que alguns setores entrem em
04:45greve de forma completa, absoluta.
04:49Logicamente que o projeto de lei é extenso, mas ele regra isso.
04:55Ele diz, olha, esses setores não podem ser paralisados e no máximo 25% da mão de obra, por exemplo,
05:03da área de segurança, saúde e transporte pode ser paralisada.
05:07Então, essa é uma vertente.
05:09Agora, o fato e o resumo dessa história é que o que a gente está assistindo na Argentina é a
05:16possibilidade dos problemas serem resolvidos.
05:19Eu não estou dizendo que é bacana e que não é triste assistir uma fábrica de pneus sendo fechada e
05:26praticamente mil pessoas sendo demitidas.
05:29Mas isso é o reflexo de décadas de responsabilidade fiscal e de um país mal gerido.
05:35E quem assume a posição de tentar corrigir os problemas acaba se desgastando e se expondo.
05:43Mas o fato é que o Milley fez a inflação despencar e todos os indicadores do país estão só melhorando.
05:51A pobreza, num primeiro momento, piorou, mas agora já melhorou.
05:56Inflação para baixo, um país que se tornou superavitário.
06:01Então, vem sendo uma lição de administração pública, de flexibilização.
06:06No entanto, eu reconheço que algumas pessoas, cadeias e áreas acabam pagando um preço.
06:16E é muito difícil numa economia e num país inteiro você fazer movimentos que você não acabe desagradando alguns e,
06:24inclusive, impactando outros.
06:26Em particular, a questão dos pneus é reflexo da praticamente total e completa abertura às importações.
06:34Se deveria ter sido implantado algum tipo de restrição setorial ou não, é algo que teria que ser estudado.
06:44Eu não conseguiria dizer isso agora.
06:46Mas, de forma geral, o Milley está fazendo o que precisa ser feito e no final você fez um paralelo
06:54no Brasil.
06:56O Brasil, lógico, não está nas condições que a Argentina estava, mas ele vem incorrendo nos exatos mesmos erros, completamente
07:07diferente de todos os países que prosperam.
07:10E aí a gente poderia pegar do Japão à Suíça ou de tigres asiáticos.
07:16Quase que tem uma fórmula do que dá certo e a fórmula do que dá errado.
07:20E o Brasil vem fazendo a fórmula do que dá errado.
07:24E, embora não tenha sido a sua pergunta, isso fica mascarado, toda essa história, por dados como, por exemplo, do
07:32desemprego,
07:33que tem uma forma de medição que deturpa esse indicador.
07:38Justamente como vocês falaram no início do programa, que é, de uma certa forma, contabilizar informais e outras atividades que,
07:47no fundo, em tese, são desempregados.
07:50Eu entendi o seu raciocínio.
07:52Quer dizer, a gente mostrou como é que está...
07:55Na verdade, é aquela história que eu falei, um recorte da economia, um recorte da economia na Argentina.
08:00Quer dizer, os sindicatos que são contra a reforma trabalhista, que já foi aprovada no Senado, foi aprovada na Câmara
08:06e agora volta para o Senado.
08:08Os sindicatos são contra, chamaram essa paralisação de 24 horas, a maioria aderiu.
08:14E, ao mesmo tempo, a gente tem um outro retrato, pequeno também da economia, algumas empresas tradicionais que não têm
08:23resistido à concorrência dos importados.
08:26E, ao mesmo tempo, o presidente Javier Milley, no Conselho de Paz dos Estados Unidos, provocando até, vamos dizer assim,
08:37é uma atitude de provocação, inclusive, a esse sindicato do tipo,
08:40não estou nem aí para a gritaria de vocês.
08:42Olha só eu aqui, na maior economia do mundo, oferecendo, inclusive, ajuda.
08:49Eu acho que é mais ou menos esse paralelo que a gente quis mostrar aqui.
08:52E aí, o que eu te perguntei?
08:53O que isso pode significar para a nossa economia e o que está acontecendo na Argentina?
08:58Porque a gente importa carros deles e teve paralisação de algumas indústrias lá na Argentina.
09:06E também com os voos, né?
09:08Ainda é cedo para a gente sentir algum impacto?
09:11Ou quanto tempo esses protestos podem paralisar a Argentina para poder chegar aqui para a gente?
09:18A previsão de impacto, ela é pequena, porque, infelizmente ou felizmente, embora a gente tenha uma conexão comercial com a
09:28Argentina,
09:29as que, eventualmente, podem ser impactadas em razão dessas greves e protestos sequenciais,
09:36são cadeias produtivas menos sensíveis.
09:39Como você mesma mencionou, veículos, em geral, veículos não é uma coisa de consumo imediato
09:46e que, se não tiver um veículo da Argentina, vai ter um veículo que é produzido no Brasil.
09:52As pessoas não vão ficar sem carro, né?
09:54Então, ele é um impacto de menor relevância.
10:00Agora, eu acho que a lição que fica é que a Argentina está tendo esse problema,
10:07mas o Brasil não está muito longe disso, porque foram mais, só agora, nesse último ano,
10:13são mais de 200 indústrias que saíram do Brasil e foram para o Paraguai.
10:17Então, é como se a gente tem que tomar cuidado para não olhar para a grama do vizinho
10:23e não perceber que a nossa está nas mesmas condições.
10:25Karaguai
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