00:00Para a América do Sul, a principal central sindical da Argentina comemorou a participação na greve geral
00:06convocada para essa quinta-feira contra a reforma trabalhista no país.
00:11Nosso editor de Internacional, Fabrizio Naysk, aqui nos nossos estúdios.
00:14Qual foi o tamanho da adesão dessa manifestação, das centrais?
00:20A manifestação foi muito grande. Boa noite, bem-vindo.
00:22Foi muito grande, Thiago. Boa noite para você.
00:25Boa noite a todos que acompanham o jornal Jovem Pan,
00:27dos setores que a CGT, a Central Geral do Trabalho, a Confederação Geral do Trabalho convocou lá na Argentina.
00:3590% dos trabalhadores responderam positivamente e cruzaram os braços nesta quarta-feira
00:42na quarta greve geral convocada pela central sindical desde o início do governo de Javier Milley há pouco mais de
00:50dois anos.
00:51Aqui a gente está falando da maior greve do governo de Javier Milley até o momento.
00:56Foi uma greve que foi convocada sem passeatas, sem protestos diferentes de algumas outras,
01:02embora alguns grupos tenham se reunido em regiões centrais de Buenos Aires,
01:07principalmente na frente do Congresso argentino, ao longo dessa quarta-feira.
01:11E isso, claro, terminou em confronto com a polícia.
01:14E pelo menos cinco pessoas detidas até o momento.
01:17Essa é a informação oficial que a gente tem da polícia lá de Buenos Aires.
01:21Essa paralisação afetou principalmente o setor dos transportes.
01:25Tanto o transporte público, urbano, por exemplo, o serviço de trens, de metrôs, de ônibus.
01:31Ali em Buenos Aires, principalmente, quase não funcionou nessa quarta-feira.
01:39Poucas linhas de ônibus funcionaram lá na Argentina.
01:43E principalmente também no setor aéreo.
01:45A Aerolíneas Argentinas, a principal empresa aérea do país,
01:50disse que tinha mais de 250 voos cancelados nesta quinta-feira.
01:55As ligações entre Argentina e Brasil também foram muito afetadas.
02:00Só no aeroporto de Guarulhos, Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos,
02:04foram pelo menos 16 voos cancelados entre a noite de ontem e amanhã desta quinta-feira.
02:12Na Argentina, você tem voos para diversas cidades brasileiras.
02:16O Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, várias cidades do Nordeste,
02:22Curitiba também, Porto Alegre.
02:24Quase todas elas acabaram de uma forma ou de outra sendo afetadas por essas paralisações.
02:30O governo diz, inclusive, à Caça Roçada, que esse dia de paralisação,
02:36somado a uma greve que já havia começado ontem no Porto de Rossário,
02:40que é um dos portos mais importantes para o agro argentino,
02:45devem custar aos cofres públicos 600 milhões de dólares.
02:49Isso tudo em um cenário, claro, de uma Argentina que vive sob muita pressão econômica,
02:54muita pressão financeira.
02:56E o governo quer levar adiante essa reforma trabalhista que,
03:00segundo eles, vai diminuir o desemprego e, principalmente, a informalidade dentro do país.
03:06Vai garantir que mais pessoas possam trabalhar com carteira assinada.
03:11Javier Milley não comentou sobre a greve, pelo menos nesse primeiro momento,
03:15até porque ele estava nos Estados Unidos para participar da reunião do Conselho da Paz de Donald Trump.
03:21Então, os efeitos não foram sentidos de perto pelo presidente argentino.
03:25O que diz essa reforma trabalhista que está sendo discutida nesse momento pela Câmara dos Deputados?
03:30Ela já foi aprovada pelo Senado e vai para a votação da Câmara.
03:34Não é certeza que ela vai passar, embora a expectativa do governo seja positiva.
03:39A gente trouxe aqui os quatro pontos principais.
03:42Eu vou até passar para esse canto aqui, Tiago,
03:44para eu poder também contar com a presença da Denise Campos de Toledo,
03:48que vai ajudar a explicar um pouquinho mais os principais pontos dessa reforma, né, Denise?
03:54A gente está vendo aqui a ampliação da jornada de 8 para 12 horas, com uma condição.
04:01O trabalhador pode trabalhar 12 horas, contanto que ele tenha 12 horas de descanso depois.
04:06Ele só vai poder voltar a trabalhar 12 horas depois.
04:09Salário dinâmico, que pode ser representado, inclusive, através do desempenho dos funcionários,
04:16pago em qualquer moeda.
04:17E também, Denise, você me corrija se eu estiver errado,
04:20mas a lei garante que o salário pode ser pago, inclusive, em outras bonificações,
04:25como, por exemplo, habitação e alimentação para os funcionários.
04:30Redução da base de cálculos de indenizações, não entra aqui nessa conta a férias,
04:35décimo terceiro, muita coisa vai deixar a gente entrar em conta.
04:38E também limite para greve.
04:40Agora, para ter greve lá na Argentina, os setores considerados essenciais
04:44têm que garantir 75% da força de trabalho ativa
04:48e os setores não essenciais, 50%.
04:51Muitas modificações, né?
04:53Inclusive, afastamento por doença, também vai ter uma redução do valor do salário a ser pago.
04:58Inclusive, se o trabalhador se arriscou, se foi um risco voluntário que ele correu,
05:04que levou ele ao afastamento do trabalho, ter uma redução.
05:07Então, várias dessas mudanças aqui vão ser feitas por determinação do próprio empregador
05:13sem participação dos sindicatos.
05:15E aí ele fez um agrado aos sindicatos,
05:17permitindo uma contribuição até o limite de 2%.
05:20Ele achou que podia minimizar a pressão contrária.
05:23Essa que é uma grande bandeira da política econômica de Milley.
05:26Ele teve, talvez, a principal vitória no Senado pela votação que foi,
05:30mas é uma mudança total em relação ao que tinha de proteção.
05:36É um país que tem uma proteção trabalhista tradicional
05:40e que agora ele tenta romper.
05:42É o que eu falava, essas licenças médicas, afastamento por doença
05:45e acidente não relacionado ao trabalho.
05:48Então, é como se o trabalhador fosse castigado.
05:50Se você anda, por exemplo, numa motocicleta,
05:52você cai fora do horário de trabalho,
05:54você vai ser punido por isso, você vai ter uma redução do seu salário.
05:58Férias mais flexíveis, pode ser fracionadas em 7 dias,
06:02apenas as restrições de greves e atividades.
06:05As assembleias no local de trabalho só ocorrem por decisão do empregador também.
06:11E aí tem esse que eu falei, que é esse benefício,
06:13os 2% das contribuições sindicais.
06:16Então, é uma mudança total na legislação trabalhista.
06:20Vai na contramão do que nós temos agora aqui no Brasil.
06:23Discussão para redução da jornada de trabalho dos 6x1,
06:26que pode ter essa mudança.
06:28Lá eles querem aumentar a carga para até 12 horas de jornada diária,
06:33com aquele intervalo de 12 horas também, Fabrício.
06:35É isso.
06:36Agora, aguardar a decisão do Senado para ver se repete
06:38a vitória que Milley teve na Câmara.
06:40E é um país, Tiago, que a Denise destacou,
06:43sempre teve uma proteção trabalhista muito grande,
06:44desde os tempos de Perón,
06:46até por isso que o peronismo é muito forte na Argentina.
06:49Mas me permita te fazer uma pergunta, Denise.
06:52O governo está falando que isso diminui a informalidade.
06:54Diminui mesmo ou é balela?
06:56Não necessariamente.
06:57Depende muito das condições de investimento no país,
07:01do crescimento econômico,
07:03que ainda é um grande desafio lá na Argentina.
07:05E ele pode estar tirando proteção dos trabalhadores
07:08num momento de fragilidade econômica ainda,
07:11de uma demora para ter um crescimento efetivamente maior.
07:1540% dos trabalhadores estão hoje na informalidade na Argentina.
07:19Ele, inclusive, vai ter algumas reduções
07:21de contribuição previdenciária.
07:23O governo também está fazendo a parte dele.
07:25Parece que ele quer alavancar um resultado melhor em emprego,
07:28mas não necessariamente vai ter esse resultado.
07:31Em outras economias, essa estratégia não deu tão certo assim.
07:35É, vou ficar de olho.
07:35Bom, a gente continua, então, de olho nessa votação no Congresso da Argentina.
07:40Então, em uma casa, a medida já foi aprovada
07:43e agora é a possibilidade dessa medida entrar em vigor
07:48com aprovação na Câmara.
07:51Fabrício Naysk, a gente continua com os taques internacionais
07:53em relação ao Irã, em relação ao governo dos Estados Unidos com o Irã.
07:57Hoje, o presidente dos Estados Unidos
08:00falou sobre a possibilidade de atacar o Irã,
08:04falou em prazo de 10 dias.
08:05E aí, Fabrício?
08:06Primeiro ele tinha falado em prazo de 10 dias
08:08e aí depois ele fez uma ratificação.
08:10Disse que, na verdade, é um prazo entre 10 a 15 dias
08:14para chegar a um acordo com o Irã.
08:16Ontem a gente havia falado aqui no jornal Jovem Pan
08:19que os Estados Unidos aguardam uma resposta escrita do Irã,
08:23uma proposta escrita do Irã
08:25em relação às conversas que eles tiveram em Genebra, na Suíça,
08:29no comecinho desta semana.
08:32Esse aguardo dos Estados Unidos continua acontecendo
08:35e é isso que Donald Trump falou hoje
08:37na abertura do Conselho de Paz lá nos Estados Unidos,
08:41a primeira reunião do Conselho de Paz feita por Donald Trump.
08:45Esse conselho que a gente já falou isso aqui
08:47no jornal Jovem Pan, inclusive,
08:50não tem a presença dos principais países do mundo,
08:53apesar dos Estados Unidos serem ali o primeiro país,
08:57o fundador desse conselho,
08:59mas não tem uma grande adesão da comunidade internacional.
09:02A maior parte dos países que optaram por entrar nesse grupo
09:06são países considerados mais periféricos,
09:10do segundo escalão, por assim dizer,
09:12do cenário internacional.
09:14E aí Donald Trump disse,
09:15os Estados Unidos vão dar um prazo de 10 a 15 dias
09:19para o Irã se manifestar,
09:20para o Irã aceitar os nossos termos.
09:23Se isso não acontecer,
09:25coisas ruins acontecerão.
09:27Essa foi a frase de Donald Trump,
09:29que não falou exatamente quais seriam essas coisas ruins,
09:31mas ele já disse que está disposto a atacar o Irã
09:34se isso for necessário.
09:36Como que vai ser esse ataque?
09:37Se vai ser essa operação longa,
09:40possivelmente de semanas,
09:41como o exército norte-americano tem se preparado?
09:44Ou se serão operações mais pontuais?
09:47Como a que aconteceu ano passado dos Estados Unidos contra o Irã?
09:51Ou como a que houve, por exemplo,
09:53no começo do ano,
09:54com a entrada dos Estados Unidos na Venezuela
09:56para a captura de Nicolás Maduro?
09:58Isso a gente ainda vai acabar aguardando
10:01para ver o que vai decidir Donald Trump,
10:04o que vai decidir o Pentágono.
10:05A informação que a gente tem é,
10:07a partir deste sábado,
10:09o exército norte-americano já estaria preparado
10:13para um ataque ao Irã,
10:15se necessário.
10:16E que a partir da metade de março,
10:19toda a mobilização militar
10:21que é aguardada para o Oriente Médio
10:22vinda dos Estados Unidos
10:24já deve estar a postos ali na região.
10:26E isso pode acabar gerando um ataque ao Irã.
10:30Um ataque em larga escala.
10:31De novo, a gente ainda não sabe.
10:32O Irã é um país grande em território,
10:34grande em população,
10:36é um país rico, desenvolvido
10:38e é muito distante dos Estados Unidos.
10:41Então, você ocupar esse território com tropas
10:43é muito complicado.
10:45É uma situação um pouco difícil da gente imaginar,
10:49para não dizer irreal.
10:50Mas, quando a gente fala de Donald Trump,
10:52nada pode ser descartado.
10:53Nada pode ser descartado.
10:55A gente fica de olho
10:56e o clima é cada vez mais tenso.
10:58Agora, com prazo.
10:59Dez a quinze dias, é isso?
11:00Um prazo variável, né?
11:03Fabrício Nays, nosso editor de Internacional.
11:05Bom descanso para você.
11:06Até amanhã.
11:06Até amanhã.
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