00:00Olha pessoal, vamos falar de saúde, porque ele é essencial para o funcionamento do corpo.
00:05Participa da produção de hormônios e até da formação das células.
00:10Mas quando aparece em excesso, pode se transformar em uma ameaça silenciosa para o coração.
00:16O colesterol alto atinge milhões de brasileiros, muitas vezes sem apresentar sintomas.
00:23E pode levar a doenças graves como infarto e AVC.
00:27Hoje nós vamos entender quais são os riscos, quem precisa ficar em alerta e como prevenir esse problema que pode
00:34começar ainda na juventude.
00:37Eu estou aqui com o cardiologista, o doutor Diogo Barreto.
00:41Doutor, muito boa tarde para o senhor mais uma vez, obrigado pela presença.
00:44Eu agradeço o convite.
00:45Doutor, qual que é a função do colesterol?
00:48A gente sabe que ele existe no corpo, mas a partir de que momento ele passa a ser um problema?
00:54Então, a gente tem o colesterol, uma molécula grande de gordura e a gente tem ele, uma particularidade dele do
01:03bom, dividido bom e ruim, né?
01:06E conhecido aí como as siglas, que as pessoas às vezes confundem com o HDL e o LDL.
01:10Eu até gosto de falar e às vezes eu coloco HDL para ficar mais fácil de entendimento.
01:14É hoje Deus livra e o LDL logo Deus leva, que é o problema ruim.
01:19E o colesterol, a molécula principalmente, ela serve para toda a célula, a parede da célula, ela é formada de
01:28uma parte de colesterol.
01:30E também os hormônios também são formados de colesterol.
01:33Só que esse colesterol, ele basicamente, as próprias, outras próprias células produzem e não depende de alimentação.
01:40Falar, não, vou comer uma picanha porque eu tenho que produzir hormônio.
01:43Não, de forma alguma. E o que acontece é que, dependendo do hábito de vida e principalmente, um fator que
01:52contribui muito genético, né?
01:54A pessoa acaba tendo colesterol ruim e acumulando nas artérias.
01:58Agora, existe também o fato das pessoas acharem que eu só tenho colesterol alto se eu tiver com sobrepeso, né?
02:07E isso é um grande erro, né, doutor?
02:09É um grande erro. Existe, das partículas do colesterol, existem diferentes tipos de partículas grandes, pequenas, enfim.
02:17Existem algumas, que é o triglicerídeo, por exemplo, que é mais relacionado à alimentação ruim e ao sobrepeso.
02:22Mas o colesterol em si, 80% a 90% dele é produzido pelo nosso próprio corpo.
02:26Então, só 10% a 20% que é através da alimentação.
02:29Então, existe pessoas magras, saudáveis, né, em fase de atividade física, que tem problema de colesterol, que é, às vezes,
02:38herança genética, né?
02:40Isso aí vem do pai e a única maneira de fazer o diagnóstico é dosando.
02:45A gente vê também, doutor, muitos jovens sendo diagnosticados com colesterol alto.
02:51E a pergunta que eu faço é o seguinte, existe algum sintoma, por exemplo, a gente pode saber se tem
02:58colesterol alto por algo que acontece,
03:01geralmente, dor de cabeça, tontura, o colesterol dá esses sintomas ou não? Ou ele é silencioso?
03:07Não. Por isso que é uma doença difícil diagnóstico. É totalmente silencioso. Não dá dor de cabeça, não dá tontura,
03:13né?
03:14Às vezes, a primeira apresentação, só vou descobrir que eu tenho colesterol alto numa investigação de um paciente que teve
03:20um infarto.
03:20A pessoa ter primeira manifestação, às vezes, é um infarto ou um AVC, um derrame.
03:24Na hora que vai investigar, ó, você tem colesterol alto, você provavelmente, até busca lá, é de origem familiar, né?
03:31A irmã teve, pai, mãe, às vezes, vem de antilogia familiar.
03:36E, muitas vezes, as pessoas nem procuram fazer o diagnóstico porque falam, ah, não, tô magro, faço atividade física e
03:43alimento bem e não vou ter colesterol alto.
03:46E não, e tem. A gente tem que fazer, buscar fazer o diagnóstico, check-up é importante, a dosagem é
03:53importante, né?
03:54Porque é a única maneira de conseguir fazer o diagnóstico.
03:57Existe um protocolo, por exemplo, a ser seguido de pessoas que têm um histórico na família e de pessoas que
04:05não têm um histórico na família?
04:07Por exemplo, qual é o protocolo que eu sigo quando eu tenho um histórico da família de colesterol alto?
04:12E qual é o protocolo que eu sigo de ter uma atenção com o meu corpo quando eu estou me
04:17alimentando mal, por exemplo?
04:19É. Existe, na verdade, a gente orienta o check-up, principalmente aí, a partir dos 18, 20 anos, né?
04:25Algumas diretrizes até colocam a parte da cidade e quando tem o histórico familiar, até um pouco antes disso, para
04:32poder fazer.
04:33O check-up não existe muito protocolo, mas o check-up a gente orienta a fazer.
04:36Se tem fator de risco, se tem histórico familiar, ou de ter tido infarto, ou de ter colesterol alto,
04:41a gente pede que faça um check-up, pelo menos anualmente, para avaliar as taxas.
04:48Check-up é o quê? Exame de sangue simples?
04:50É. A avaliação médica, na verdade, né? A gente faz, durante a avaliação médica, vai avaliar se tem alguma patologia,
04:58alguma alteração no exame físico e o exame de sangue. Pelo menos isso é a básica, né?
05:03Porque a pessoa pode começar a apresentar alguma alteração do exame físico de um ano para o outro.
05:07Agora, doutor, especificamente, por que o colesterol elevado pode causar infarto e AVC?
05:13É mais comum um ou outro? Como é que funciona?
05:17É, principalmente, o LDL, que é o colesterol ruim, que ele vai depositando, né?
05:22A gente até coloca, tento falar uma analogia, é como se fosse lixo ali, né?
05:28Fosse depositando, depositando, depositando, até entupir uma artéria.
05:31O HDL, que é o colesterol bom, ele faz o transporte reverso, que é isso.
05:37Ele vai limpando ali.
05:38Então, quanto mais a gente pensa, quanto mais tiver o bom e menos o LDL, o ruim, melhor.
05:47E as pessoas falam assim, então vou tomar remédio para aumentar o HDL.
05:52Acaba que não existe medicamento para aumentar o HDL, que é o colesterol bom.
05:55Aí, realmente, esse é basicamente o estilo de vida.
05:58Atividade física consegue aumentar, e alimentação saudável consegue aumentar o HDL.
06:05E o LDL, quando tem, o LDL a gente tem metas diferentes para alguns grupos de pessoas.
06:12Pessoas com baixo risco é uma meta, né?
06:14Que aí, a diretriz até ano passado era 130 e hoje, e do ano passado para cá, a gente tenta
06:20alcançar 115 de LDL.
06:23E pessoas, por exemplo, que sofreram infarto, aí eles têm que ser bastante rigorosos com o LDL em uma meta
06:29menor que 40, por exemplo.
06:31Nossa, tem que ser bem rigoroso.
06:32Bem rigoroso.
06:33Agora, vamos falar sobre tratamento, né?
06:36Já que o senhor começou aí.
06:38Qual a relação da alimentação com as taxas elevadas ou baixas e também sobre medicamentos?
06:46A alimentação vai ajudar, principalmente, como falei, no aumento do colesterol no HDL.
06:51E aí, realmente, um controle ali do LDL.
06:55Mas, principalmente, pessoas que já têm alterado ali, vai ser a base do medicamento.
07:00E tem medicamentos que acabam que, questões de desconhecimento, colocam tudo a culpa do medicamento.
07:07Porque, imagina, é uma doença que não dá sintomas.
07:11Você imagina que o diagnóstico fez um exame de sangue e tem alterado.
07:15Não dá sintomas, não dá dor de cabeça, não dá nada.
07:17E você começa a tomar um medicamento.
07:19E, às vezes, alguma pessoa pode atribuir um efeito colateral àquele medicamento.
07:23E aí, você fala, ah, estou tomando, tanto faz.
07:26E, muitas das vezes, para de tomar.
07:28Então, é um desafio tratar o colesterol.
07:30Por quê?
07:31É uma doença que não dá sintomas.
07:33E, às vezes, a pessoa vai tomar o medicamento e atribui qualquer efeito colateral ao medicamento.
07:39Esse medicamento, ele precisa ser tomado para sempre?
07:41Por exemplo, uma pessoa que tem esse colesterol histórico?
07:45E é diferente de uma pessoa que vem, por exemplo, genético do colesterol, que é causado por má alimentação?
07:52O fator genético na questão do acúmulo de colesterol, o fator genético, desculpa, alimentar, é de 10 a 20%.
07:59É muito pouco.
08:00É muito pouco.
08:01A pessoa fala assim, ah, você vai conseguir melhorar a alimentação e parar de tomar medicamento.
08:06Então, quando a pessoa tem, é, na verdade, o que ela tem é uma inabilidade do organismo de tirar o
08:12colesterol ruim do corpo.
08:13Então, essa inabilidade, o medicamento vai ajudar.
08:16Como ela tem essa inabilidade, é para o resto da vida.
08:19Independente se é alimentação ou genética?
08:21Poucas vezes vai ser alimentação, né?
08:23A maioria das vezes é a parte genética, principalmente aquele que já teve evento.
08:28Por exemplo, imagina uma pessoa que já teve um infarto, tem lá um entupimento, tem outras artérias com grau de
08:33entupimento, ou teve um AVC.
08:35E ela, mesmo com a alimentação, a gente não pode garantir que ele não vai ter.
08:38Então, a única maneira de controlar, de não ter um novo evento, é tomar o medicamento.
08:43Para as pessoas que estão vendo a gente agora, a gente falou que não tem um sintoma claro, né, doutor?
08:48Então, acendeu o alerta, o que eu preciso fazer para verificar se eu tenho ou não colesterol ruim?
08:53Na verdade, não derrita.
08:55Vai ter que fazer, é ideal, fazer a dosagem.
08:58A dosagem, aí vai procurar o médico.
09:01O médico vai solicitar, no check-up, no exame de sangue, vai solicitar o colesterol.
09:05É um exame de triagem, que a gente faz do mesmo jeito que, às vezes, doença tiroideana, a gente solicita
09:10de triagem.
09:11Vai ser solicitado.
09:13E aí, dali, a gente avalia se a meta da pessoa, dependendo do fator de risco dela, né, se ela
09:19tem história familiar, de infarto,
09:21ou se ela já tem uma doença crônica, como hipertensão e diabetes.
09:24E aí, a gente avalia, já vem nos laboratórios, né, que é da grande vitória, por exemplo,
09:30na hora que solicita o resultado do exame, já vem lá o valor e a meta que é para ser
09:36atingido.
09:36Já vem todo o laboratório que já vem já.
09:38E aí, o médico vai calcular essa meta, a meta da pessoa e vai falar.
09:42Algumas metas mais curtas, às vezes, só com a mudança de alimentação consegue chegar,
09:47mas a grande maioria das vezes vai precisar do medicamento, se tiver alterado, vai precisar de medicamento para conseguir atingir
09:53a meta.
09:54Viva a ciência, né? Medicamento está aí para isso, né, doutor?
09:57Lembrar que a gente tem uma solução, né? A gente tem uma doença, mas tem uma solução e tem uma
10:02prevenção.
10:03Não precisa ter um infarto ou um AVC para buscar a solução.
10:07Perfeito. Conversei aqui com o doutor Diogo Barreto, cardiologista, mais uma vez, muito obrigado pela presença.
10:13Eu agradeço o convite.
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