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00:08Olá, bem-vindas e bem-vindos a mais um ponto de vista. Hoje nós vamos falar sobre saúde pública
00:15e mais especificamente sobre as doenças infecciosas. Vamos conversar sobre os casos
00:21de bronquiolite, as arboviroses mais frequentes aqui no estado, o surto de ebola na África,
00:28como está o controle dos casos de gripe e covid hoje em Pernambuco. A nossa convidada é a médica
00:36infectologista Milena Pinheiro do Procap, hospital ligado à Universidade de Pernambuco, o Correia
00:43Picanço e também do Hospital Português. Doutora Milena, muito obrigado por ter atendido o nosso
00:50convite e seja muito bem-vinda. Prazer é meu, Fernando. Eu queria começar essa entrevista,
00:55doutora, falando desse surto de casos que a gente tem tido de bronquiolite em bebês aqui em Pernambuco
01:02e que o aumento de casos provocou uma forte pressão sobre as UTIs pediátricas. Por que isso está
01:11acontecendo e o que foi que aconteceu de diferente com relação aos outros anos? Por que no ano passado,
01:17por exemplo, não tivemos um surto de bronquiolite como está tendo esse ano? Veja, essas viroses
01:24respiratórias, elas têm uma sazonalidade na pediatria, né? Então, geralmente elas começam no mês de
01:31fevereiro, março e vão até junho, julho, onde a gente praticamente todos os anos encontra aumento de
01:40casos, né? E aí, eventualmente um vírus vai prevalecer sobre o outro a cada ano. Então, a gente percebe
01:48que a gente vem tendo, no ano passado a gente já tinha a identificação principalmente do vírus
01:55sensicial respiratório, que é o principal causa-dobra da bronquiolite e esse ano houve um aumento na
02:01identificação desses casos, né? O que gerou toda essa pressão, né? Como você falou sobre os leitos de UTI,
02:08porque, de fato, para crianças muito pequenas abaixo de dois anos e principalmente abaixo de seis meses
02:15de idade, né? Ele pode vir a provocar um quadro respiratório mais grave, né? Que pode precisar de UTI.
02:24Tanto é que o Ministério da Saúde, desde o ano passado, vem vacinando as gestantes, né? Geralmente no
02:31segundo ou no terceiro trimestre da gestação para proteger as crianças da bronquiolite.
02:38Então, esse é o objetivo. A gente espera que nos próximos anos haja uma redução do número de casos
02:44com a vacina nas gestantes.
02:47Por que a bronquiolite é tão grave?
02:50Bom, porque como alguns vírus respiratórios, ela tem uma predileção pelas vias aéreas inferiores,
02:59principalmente pelos bronquiolites, né? Como o nome já diz, bronquiolite, que é o local onde há a troca de gases
03:09no pulmão.
03:10Então, geralmente, esses bronquiolos, eles inflamam, enchem de secreção e aí essa troca de gases, ela fica mais complicada,
03:19mais complexa. Então, e aí causa todos esses sintomas e, às vezes, a necessidade de UTI, em casos bem graves,
03:28inclusive,
03:29com a mortalidade até mais alta. Então, é muito da característica do vírus.
03:35Tem vírus que tem predileção pelas vias aéreas inferiores.
03:39Agora, por que, além dos bebês, outro grupo mais exposto e mais vulnerável, digamos assim, é o grupo dos idosos?
03:47Então, como extremos de idade, né? Crianças muito pequenas, abaixo de dois anos e abaixo de seis meses, principalmente,
03:57os idosos, eles também têm a sua imunidade mais baixa.
04:03Então, com o avançar da idade, 60 a mais, 70 a mais, 80 a mais, a imunidade vai ficando cada
04:11vez mais reduzida.
04:14Então, para esse tipo, se essa pessoa com a imunidade mais baixa se contamina com esse vírus, que ele pode
04:21contaminar qualquer faixa etária.
04:23Só que, geralmente, um adulto ígido não vai ter praticamente nenhum sinal, sintoma.
04:28Mas, o idoso, ele também pode ter uma inflamação, né?
04:33E um caso muito parecido com um recém-nascido, com uma criança muito pequena.
04:39Então, na verdade...
04:40E, pelo que eu li, pode evoluir também para pneumonia, né?
04:42Insuficiência respiratória.
04:44Ou seja, o quadro ir se agravando.
04:46Alguns... é, um caso de pneumonia viral, né?
04:49De insuficiência respiratória muito parecido com a criança.
04:53Tanto é que também tem vacina para essa faixa etária, né?
04:57Então, também, há cerca de 4, 5 anos, foi lançada uma vacina para vírus sensicial respiratório,
05:04que é diferente dessa vacina digestante.
05:06É uma vacina para adultos, né?
05:08E, em especial, para essa faixa etária.
05:10É uma vacina ainda muito pouco divulgada, né?
05:13É, infelizmente, ela ainda não é essa para adultos.
05:16Ela ainda não é coberta pelo SUS.
05:18Então, infelizmente, ainda só a nível de clínica particular.
05:22Então, ela é muito divulgada entre geriatra, infectologista,
05:28porque aí a gente vai pesar o risco, né?
05:31Populacional para, assim, para recomendar ou não essa vacina.
05:35Se o idoso estiver com bronquiolite, que cuidados ele ou quem cuida dele deve ter?
05:41Veja, o cuidado para, primeiro, evitar a transmissão, para quebrar essa cadeia de transmissão, né?
05:47Que é usar máscara, né?
05:49Quem for ter, assim, dar o cuidado a essa pessoa, higienizar sempre as mãos
05:56e ficar atento aos sinais de alarme, como qualquer outra virose respiratória,
06:00porque, às vezes, pode ser um vírus muito benigno, na maioria dos casos,
06:04mas, para aquele indivíduo, se ele tiver alguma característica, né?
06:09Que faça com que essa imunidade dele, ou ele não esteja realmente bem naquele período
06:14em que ele adoeça, pode se transformar em algo potencialmente muito grave.
06:18Então, uma febre que não melhora com antitérmico, sintomas de uma fadiga muito extrema,
06:30um cansaço, desconforto respiratório, para fazer atividades que, geralmente, você faz
06:35sem ter esse desconforto, e, idoso, alteração de nível de consciência.
06:40Então, assim, ficar muito agitado, ou ficar muito largado, muito prostrado, isso é importante.
06:46Com relação aos vírus ainda que atingem as vias respiratórias, né?
06:50Os chamados, como é, vírus sensicial, né?
06:53Não, na verdade, o vírus sensicial respiratório é um dos vírus que atinge as vias respiratórias.
07:00E, nesse período que nós estamos, esse vírus é um dos que mais atacam.
07:05É, ele, junto com a influência, coronavírus, que ainda existe, sim, ainda é prevalente, né?
07:12Nos inquéritos epidemiológicos, ele praticamente ocupa quase metade dos casos positivos
07:19para viroses respiratórias.
07:21Então, a gente também tem que se preocupar.
07:23Muito bem, doutor, eu queria falar um pouquinho das arboviroses, né?
07:26As mais frequentes aqui no estado.
07:28Nós temos, já estamos no período chuvoso, né?
07:31A água acumulada é sempre um perigo para a proliferação do Aedes aegypti, né?
07:36O transmissor da dengue, da chikungunya, da zika e até da febre amarela, né?
07:41Que, infelizmente, a gente não tem muito aqui na nossa região.
07:45Isso ocorre com muita frequência.
07:48Nesse período, esses casos tendem a aumentar?
07:52Como é que estamos enfrentando essa questão, sobretudo, de dengue, de zika e chikungunya?
08:00Arbovirose, durante todo o ano, a gente identifica casos de arbovirose na nossa região.
08:06Então, infelizmente, é...
08:08Os principais, dengue?
08:10Principalmente dengue, né?
08:11Dengue e aí, eventualmente, dependendo do período chikungunya, zika, a gente tem visto pouco,
08:19mas eu vi algum informe epidemiológico do governo do estado que, no último ano, a gente teve casos identificados positivos
08:28de zika.
08:29Então, eventualmente, a gente ainda encontra, pode encontrar, na verdade.
08:33Então, para uma gestante, isso fica como um alerta, né?
08:37Para a gente...
08:38Sempre um quadro febril, raste, né?
08:41Manchas vermelhas no corpo.
08:42É importante procurar um atendimento, né?
08:45Para entender se realmente é uma arbovirose e do que se trata.
08:49Mas a gente encontra a arbovirose ao longo de todo o ano.
08:53Agora, é claro, no período mais chuvoso, né?
08:55Que você tem aquela água empoçada, ele vai aumentar.
09:00Chuvoso e quente.
09:01Porque o vírus, o mosquito, ele deposita os ovos, né?
09:06E os ovos, eles gostam do calor para eclodir.
09:09Quanto mais quente, maior a infestação.
09:13E com essas poças de água acumuladas.
09:16Então, essa época é muito propícia, né?
09:18Uma época de calor, uma época que tem pancada de chuva.
09:21Aqui a gente tem aquela questão que quando chove, depois que chove, para e vem aquele mormaço, né?
09:26É, esquenta mais.
09:27Então, a gente precisa ainda muito do controle do vetor, né?
09:32Eu acho que é aquela questão da higiene ambiental, né?
09:35Assim, de lixo, terreno baldio.
09:40A gente está sempre observando na nossa comunidade como é que a gente pode fazer para reduzir o risco.
09:48Os hospitais aqui do estado, eles estão mais preparados para um possível aumento de casos do que eram no passado?
09:57Veja, eu acho que a gente tem muita literatura médica.
10:02A gente tem muita experiência, né?
10:04Com o passar dos anos.
10:07E a gente tem protocolos do Ministério da Saúde que são muito difundidos e divulgados, né?
10:13Todos os anos, atualizados.
10:16Então, que é muito disponível em todas as unidades de saúde.
10:21Então, eu diria que sim, a gente é mais preparado para atender, para identificar precocemente fatores de risco para uma
10:29pessoa evoluir com a forma mais grave.
10:32Ou sintomas de risco também, que é importante o indivíduo e o que ele tem de sintoma.
10:37A gente tem que casar essas duas coisas para a gente identificar um risco e orientar sempre essa pessoa.
10:44Se ela pode ir para casa, a hidratação que ela tem que fazer e retorno para a reavaliação.
10:51Ou até mesmo se precisa de uma observação hospitalar.
10:54Então, eu acho que a gente, de modo geral, eu vejo que os serviços de saúde, eles são bem preparados.
11:02Mas é claro, qualquer aumento de casos acima do que é esperado vai estressar a rede com a questão de
11:09vagas, né?
11:10Isso, realmente, a gente não tem muita gordura para queimar em relação a leitos de hospitais, tanto no público quanto
11:18no privado.
11:19Então, eu acho que investir na prevenção através do ambiente e vacina é importante.
11:27A senhora falou da vacina e era a minha próxima pergunta.
11:29A vacina existe já desde 2016, mas aqui no Brasil, desde 2024, ela está disponibilizada no SUS.
11:37Mas ela não chegou para todo mundo, né?
11:39Ela é indicada para quem?
11:42Quem é que tem que tomar a vacina contra a dengue?
11:44Sim.
11:45Na verdade, a vacina da dengue, ela é disponível da faixa etária de 4 a 59 anos.
11:53Então, a princípio...
11:53É um leque bastante amplo, né?
11:55A princípio, as pessoas que estão nessa faixa etária, elas podem sim tomar.
12:00Mas, infelizmente, ainda não tem vacina para todo mundo.
12:04Então, a introdução inicial da vacina da dengue no SUS foi na faixa etária dos adolescentes, de 10 a 14
12:15anos.
12:16Então, essa é a faixa etária que, procurando a unidade de saúde, você vai receber a vacina gratuitamente.
12:23Para as outras faixas etárias, aí, ou você opta pela vacina particular, né?
12:30Ou, provavelmente, a gente vai ter, ao longo desse ano, do próximo, novas faixas etárias sendo incorporadas.
12:38Eu, geralmente, eu oriento, assim, recomendo para o paciente que teve dengue pelo menos uma vez,
12:44em uma forma um pouco já mais sintomática, que ele se vacine.
12:48Procure, mesmo que seja a nível particular, se vacinar.
12:52Então, assim, a gente sabe que a dengue, a tendência é, quanto mais episódios você tem de dengue,
12:59e você pode ter até quatro vezes, porque a gente tem quatro sorotipos circulantes,
13:04maior a probabilidade de você desenvolver uma forma mais grave.
13:07Então, o primeiro episódio é sempre mais leve do que o segundo, o terceiro, ou, hipoteticamente, até o quarto.
13:15Eu nunca conheci ninguém que teve quatro vezes, não.
13:18Mas, eu, geralmente, eu recomendo que, do primeiro episódio em diante, você se vacine.
13:22E a vacina contra a gripe, doutora?
13:24Recentemente, a gente viu a Secretaria de Saúde do Recife fazer uma campanha já,
13:31até no porta-a-porta com os agentes comunitários de saúde,
13:34porque as pessoas estariam procurando pouco a vacinação nos postos, né?
13:39Nas unidades básicas de saúde.
13:41Isso é uma coisa preocupante, a gente ter a disponibilidade da vacina e não ter a procura?
13:48Olha, do ponto de vista individual, eu acho que a gente teve a questão do movimento antivacina, né?
13:58Na época da pandemia do coronavírus.
14:01Então, assim, muita gente ficou com receio, ficou com medo e não, assim, e leva esse medo para outras vacinas,
14:11tá?
14:11Então, a gente percebe, sim, que caiu essa adesão que a gente tinha antes da pandemia, né?
14:18As vacinas.
14:19Então, a gente tem que estar, nosso papel é sempre educar, reforçar.
14:23A gente sabe que pode acontecer, após uma vacinação de gripe, você desenvolver um quadro de uma gripe leve,
14:31porque faz parte do mecanismo da vacina, é a forma de você se imunizar.
14:37Então, muita gente diz, ah, eu sempre adoeço depois da vacina de gripe, mas você vai ter um quadro de
14:43gripe leve.
14:43Pessoas falam isso mesmo, né?
14:44Você vai ter um quadro de gripe leve, que geralmente não foge de nada mais importante,
14:52para que você, mais à frente, caso você tenha contato com influenza,
14:57você evite uma forma mais grave ou até mesmo o internamento ou uma cirague, né?
15:02Que é aquela síndrome respiratória aguda grave, que pode deixar você no UTI, né?
15:07Pode causar algum risco à vida.
15:09Muito bem, doutora Milena, a gente vai fazer um rápido intervalo.
15:13Você que está acompanhando a gente, não saia daí.
15:15A gente volta já, já.
15:27O Ponto de Vista está de volta.
15:29Hoje eu estou recebendo aqui a médica infectologista Milena Pinheiro.
15:34Doutora Milena, continuando nossa conversa sobre as vacinas,
15:38sobre as doenças infecciosas, a gente estava falando da vacina da gripe, né?
15:43Antes, no final do bloco.
15:44Sim.
15:44Eu queria saber por que a vacina da gripe tem tantas mutações,
15:48que de vez em quando, quando entra uma vacina,
15:51ela tem alguma coisa nova que é preciso vacinar,
15:54porque a vacina que você tomou no ano passado não dava cobertura de tudo, digamos.
16:00Sim, na verdade, assim, o Ministério da Saúde, ano a ano,
16:05ele faz um banco de dados sobre os vírus circulantes naquele ano no país, né?
16:13Porque a gente sabe que a gente tem uma malha aérea muito grande,
16:18a gente tem pessoas chegando e indo para vários lugares, né?
16:22Então, existem vírus que podem chegar, assim, vírus diferentes, né?
16:27De influência, coronavírus.
16:30Então, a gente tem que estar sempre buscando
16:32se há alguma mudança epidemiológica daqueles vírus
16:37numa região do Brasil e no país como um todo,
16:42para que a vacina, que é uma vacina confeccionada meio que artesanalmente.
16:46Então, é como você disse, todo ano ela vai contemplar,
16:50que é o objetivo, né?
16:5370, 80% daqueles vírus que estão ali na região.
16:57Então, na verdade, é muito baseado no banco de vírus
17:02que circulou no ano anterior no país, os mais prevalentes, né?
17:07E aí, muitas vezes, é um vírus novo que foi incorporado,
17:12veio trazido por algum grupo, né?
17:15E, assim, conseguiu aqui uma condição ideal e se disseminou, né?
17:22Contaminou outras pessoas e se disseminou.
17:24Então, na verdade, é porque a gente não é...
17:29Nosso país é muito grande e a gente não tem hoje tantas fronteiras assim, né?
17:34Acho que isso conversa com o mundo todo.
17:38Então, a dinâmica de um vírus, ela é muito rápida, né?
17:42Os vírus estão sempre procurando novas formas de atacar, digamos.
17:47Como a gente aprendeu, né?
17:48Por exemplo, o coronavírus começou em janeiro, na China.
17:52Em março, a gente já tinha casos aqui.
17:54Então, é tudo muito dinâmico.
17:57Então, isso é importante.
18:00Esse inquérito viral, né?
18:03Fazer esse banco de dados viral, ela é importante,
18:06porque, se não, a vacina, se ela ficar a mesma todo ano,
18:10ela vai ser obsoleta, ela cai, assim, no desuso, né?
18:15Porque ela não vai contemplar a dinâmica viral, né?
18:19Os vírus, eles se transmitem muito fácil.
18:22E a gente, as fronteiras são muito abertas, né?
18:25Para esses vírus.
18:26Então, é baseado na dinâmica populacional.
18:29Como é que está o controle sobre a Covid?
18:33Os órgãos de saúde estão atentos?
18:36Os casos continuam acontecendo?
18:37A gente sabe que, lógico, não há frequência muito menor.
18:40Mas continuam acontecendo?
18:42E as pessoas relaxaram um pouco com relação à proteção contra a Covid?
18:47Olha, eu vou começar pelo final.
18:49Relaxar, a gente sabe que relaxaram, né?
18:52Então, a gente percebe muita gente gripado, circulando, sem usar máscara, né?
18:59Ou então...
19:00Pode estar só com a influência, mas pode estar com o coronavírus.
19:04Pode.
19:04Na verdade, a gente percebe que as pessoas não estão mais se testando, muitas vezes, né?
19:09Nem fazendo autoteste de farmácia, que é bem disponível.
19:12E, assim, não é nada proibitivo em relação a preço.
19:16Nem procurando o serviço para fazer o seu teste.
19:19Porque tem teste na rede privada e também tem teste pelo SUS, né?
19:24Tem vários pontos de coleta que você pode fazer o teste gratuito pelo SUS.
19:29Então, a gente percebe que as pessoas estão andando por aí gripadas, não estão se testando.
19:35Muitas vezes, tem pessoas em casa que são idosas, que têm um fator de risco para adoecer
19:40e também não estão tendo um cuidado maior.
19:44E é isso que eu, geralmente, eu reforço.
19:46Então, se você tiver algum fator de risco para um adoecimento de uma forma mais grave,
19:51tiver alguém em casa que também tem esse fator de risco, tem que se testar.
19:55Gripou, tem que testar.
19:57Porque se for COVID, a gente tem medicação específica, né?
20:00Se caso seja necessário.
20:02E aí, assim, a gente sabe que, ambulatorialmente, a gente tem perdido muito essa questão do teste.
20:10Então, as pessoas não vão mais no laboratório para se testar, né?
20:14Não procuram mais o SUS para fazer os seus testes.
20:18Mas, do ponto de vista hospitalar, quando a pessoa entra com o quadro gripal e o hospital testa,
20:25Então, a gente precisa notificar para o SUS, né?
20:28E, além do mais, nas emergências, o SUS continua testando de forma amostral também as pessoas que chegam gripadas.
20:39Então, a gente continua fazendo o levantamento dos vírus que estão circulando.
20:43A gente percebe que, quando a gente recebe os informes epidemiológicos da Secretaria ou do Ministério da Saúde,
20:50a gente ainda tem coronavírus sendo responsável por mais de 50% dos casos de virose respiratória na nossa região.
20:58É um número grande, então, né?
20:59Então, é. A gente ainda tem muito caso.
21:02Principalmente nos que precisam se internar.
21:04Doutora, eu acho que nunca tanto quanto na época da pandemia da COVID,
21:09a gente ouviu falar sobre a importância de lavar as mãos.
21:12E isso, depois que a pandemia meio que arrefeceu um pouco, né?
21:17A gente começou a se vacinar e a ficar mais protegido,
21:21as pessoas meio que deram uma diminuída no hábito de lavar as mãos,
21:24que continua sendo importante porque protege de muitas doenças, né?
21:29É, pois é. A gente chegava nos locais, sempre tinha um alquinho, né?
21:33Assim, as pessoas estavam mais preocupadas.
21:35Hoje em dia, a gente vê, às vezes, chegar num restaurante
21:39ou num local que é muito tocado, né?
21:42Num shopping center.
21:43A gente não está encontrando mais o álcool tão disponível, né?
21:48Quanto a gente encontrava antigamente.
21:49E a gente, às vezes, já não está mais andando também com álcool.
21:53Ou, às vezes, vai para um ambiente, por exemplo, uma academia de ginástica,
21:56e você também não cuida muito da higiene das mãos.
22:00Então, geralmente, o que é que eu recomendo?
22:02Se você não tiver o álcool disponível ali para higienizar as suas mãos,
22:06e você estiver num ambiente público, né?
22:10Que muita gente está ali tocando nas superfícies,
22:13ou você perceber que naquele ambiente tem muita gente gripado,
22:17é manter uma certa distância, pelo menos um metro, dois metros,
22:20de quem está resfriado, gripado, tossindo, espirrando,
22:25e não tocar a mão no rosto.
22:27Porque a mão, ela é um veículo.
22:30Mas, na verdade, a porta de entrada é nariz, principalmente o nariz,
22:36e a mucosa, né? Boca, olho.
22:38Então, assim, não tocar com a mão no rosto.
22:40Por que lavar as mãos ainda é tão importante na prevenção dessas doenças?
22:46Porque, principalmente para coronavírus,
22:49ela é uma doença que o vírus fica muitas horas no ambiente.
22:56E, assim, as superfícies, apesar de não ser a principal forma de contágio,
23:03ela também participa da transmissão.
23:05Então, por exemplo, a gente está vendo ebola na África, né?
23:09As superfícies, elas são muito contaminadas pelo ebola.
23:14Então, existem vários vírus em que a superfície, ela também pode contaminar alguém.
23:22Já para a influenza não é tão comum,
23:25a superfície, ela não é tão importante na cadeia de transmissão do influenza.
23:30Mas para coronavírus, para outros vírus que ficam mais tempo no meio ambiente,
23:34isso é importante.
23:36A senhora falou aí do ebola e, recentemente, a OMS, né?
23:39Fez um alerta sobre o risco do surto de ebola, aliás,
23:43o surto de ebola na África,
23:45que, por enquanto, está muito localizado ali,
23:47na República Democrática do Congo e em Uganda, né?
23:51O que é exatamente o ebola e por que ele é tão contagioso?
23:55O ebola é outra virose que causa, geralmente, uma febre hemorrágica,
24:03parecido, mais ou menos, com o vírus da febre amarela,
24:07o antavírus, que não são vírus muito prevalentes aqui no Brasil,
24:11por isso que a gente não tem ainda essa similaridade, né?
24:15A gente não tem muito essa percepção.
24:19Mas são vírus que causam febre hemorrágica,
24:22então, são vírus que causam doenças potencialmente muito graves, né?
24:29E o ebola, ele tem essa característica,
24:31ele tem uma alta mortalidade e uma alta transmissibilidade.
24:35Então, é por isso que é sempre muito importante, né?
24:39Principalmente, ele acomete um local em que a saúde pública não é tão preparada, né?
24:46A parte de esgotamento, os cuidados sanitários da região também, né?
24:52Não são tão adequados assim.
24:54Então, é sempre esse alerta, ele é importante para que os organismos, né?
25:00De vigilância sanitária internacionais, eles se reúnam
25:04para tentar ali apoiar aquela região a criar barreira
25:10e aquela transmissão acabar ali naquela região, naquela área, né?
25:16Para isso não se espalhar.
25:19Doutora, para concluir, eu queria falar um pouquinho, rapidinho,
25:22sobre o herpes zoster.
25:25Sim.
25:25Que é um vírus, né?
25:26Uma situação de saúde muito complicada,
25:31sobretudo para quem já teve a catapora na infância,
25:34a chamada varicela, né?
25:37O nome científico.
25:38Como é que está a situação do herpes zoster
25:41e por que é importante as pessoas se vacinarem contra herpes zoster?
25:44Porque é uma doença que, ela comete muitos idosos, né?
25:49Assim, pessoas a partir de 50 anos já tem que estar se programando
25:54para se vacinar contra o herpes zoster.
25:57E é uma doença que causa, assim, uma sintomatologia que é realmente
26:00muito incômoda, é muita dor, né?
26:03Assim, as lesões, elas podem infectar, assim, é muito tempo.
26:07A doença, ela vai embora e a dor, ela persiste, persiste por dias, meses, anos.
26:14Agora, a vacina ainda é muito cara, né?
26:16É, infelizmente, são duas doses, né?
26:19E a gente ainda não tem disponível no SUS.
26:22Já se fala, assim, da incorporação, né, dessa vacina também
26:28no calendário vacinal do SUS, mas, provavelmente,
26:32da mesma forma como a vacina para dengue,
26:34quando ela chegar, ela não vai estar disponível para todo mundo.
26:37Então, ele, o Ministério da Saúde vai definir grupos ou faixas etárias
26:42para começar a vacinar.
26:44Então, assim, nem todo mundo vai poder ter essa vacina disponível
26:48tão rápido assim pelo SUS.
26:50Então, o que eu recomendo é, qualquer pessoa acima de 50 anos,
26:54se puder, já se organiza para fazer a sua vacinação.
26:59Muito bem, doutora Milena, muito obrigada pela entrevista,
27:04foi bastante esclarecedora.
27:05Obrigada também, Fernando.
27:06Fica à vontade para voltar sempre que precisar.
27:09Muito obrigado.
27:11E para você que acompanhou até aqui, obrigado também pela sua companhia e audiência.
27:15A gente volta na semana que vem.
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27:24Legenda Adriana Zanotto

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