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Entenda a diferença entre as fases, os benefícios da reposição hormonal segura e como a alimentação ajuda a aliviar sintomas como fogachos e insônia.
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NotíciasTranscrição
00:00Climatéria e menopausa ainda são cercados de silêncio, medo e muita desinformação.
00:05Mas em vez de enxergar essa fase como fim de algo, a gente começasse a olhar como um novo começo.
00:11Hoje vamos desmistificar os principais tabus, falar sobre o que realmente acontece no corpo da mulher
00:17e principalmente devolver protagonismo para essa fase da vida que merece ser vivida com saúde, consciência e qualidade.
00:25Porque menopausa não é doença, é transição e informação muda tudo.
00:30Fica comigo no podcast NutriDicas de hoje. Roda a vinheta!
00:45Olá, eu sou Gabriela Rebelo, nutricionista e esse é mais um episódio do podcast NutriDicas
00:50e hoje vamos conversar sobre climatério e menopausa.
00:54Para poder participar com a gente desse bate-papo, eu trouxe a Camila, repórter especialista em saúde
01:00aqui do jornal A Tribuna, que vai ajudar a gente nessa condução.
01:03E também a médica endocrinologista, doutora Priscila Peçanha, que vai trazer para a gente toda essa parte teórica e prática
01:10da vivência dela de consultório, atendendo mulheres nessa fase.
01:14E sempre, Priscila, na grande maioria das vezes, sem conseguir entender o que é o climatério,
01:19o que é a menopausa, quando isso começa, quais são os reais sintomas dessa fase
01:24e o que a gente pode fazer para contornar todos esses sintomas e ter uma melhor qualidade de vida.
01:29Obrigada por ter aceito o convite.
01:30Obrigada, obrigada a vocês.
01:32Eu acho que a gente já pode fazer um gancho aí, né, com o que a Gabi falou e a
01:35senhora puder explicar
01:36a diferença climatério e menopausa, né, quando iniciam essas fases.
01:42Ótimo, esses conceitos são importantes porque o climatério é aquela fase que antecede a menopausa, né.
01:50Menopausa é última menstruação.
01:52E a gente só considera a paciente menopausada quando ela fica um ano sem menstruar.
01:58Só que bem antes disso, até anos antes, a mulher já começa a ter sintomas de queda mesmo desses hormônios
02:05ovarianos.
02:07Então, a gente chama essa fase de perimenopausa ou climatério.
02:11É aquela fase que a mulher tem os sintomas ligados a uma deficiência inicial de progesterona,
02:18onde ela vai ter uma mudança de ciclo menstrual e, com o passar do tempo, uma queda de estrogênio,
02:25que ela vai começar a apresentar os outros sintomas, que aí podem ser diversos, depende da mulher,
02:30mas pode ser que tenha fogacho, irritabilidade, insônia, névoa, que é a memória ruim, a dificuldade de concentração, a perda
02:41da libido.
02:42Então, a gente vê que esses sintomas, eles variam muito de mulher para mulher.
02:46Mas isso tudo é chamado de climatério, todo esse período.
02:50Tem uma dúvida.
02:52Tem uma data exata que a gente conseguiria considerar como climatério ou a partir de qual fase a gente,
02:58nós mulheres, já começamos a desenvolver essas alterações hormonais?
03:02Então, Gabi, o diagnóstico do climatério, ele é principalmente clínico, né?
03:08Então, assim, todas as vezes que a gente fala muito isso em congresso e tudo, a mulher, ela tem sintomas.
03:13Esses sintomas, eles são progressivos, mas eles costumam evoluir, assim, de uma forma muito, efeito dominó, né?
03:20Então, inicialmente, a mudança mesmo do ciclo menstrual, que aí a mulher já começa a ver que o ciclo menstrual
03:28fica diferente,
03:28hora mais espaçada, hora menos espaçada, hora mais fluxo, hora menos fluxo.
03:32E logo depois ela começa a ter sintomas, assim, ela acorda no meio da noite com, opa, acordei, né?
03:38Não tô conseguindo mais dormir, que é insônia.
03:40E parece que é sempre naquele horário ali, né? De três horas, não é isso?
03:43Exato, exato.
03:44Sempre no meio da noite, assim, vê que começa a querer falar uma palavra e aí a palavra não vem
03:50na cabeça,
03:50mas isso acaba se tornando mais um rotineiro.
03:52Ou então tá, de repente, fazendo uma atividade e vem aquele calor, né?
03:58Que a gente costuma falar fogacho.
03:59Então, os sintomas, eles vão aparecendo.
04:02Não existe uma idade ao certo, né?
04:06Antes dos 40 anos, a gente tem até aquela fase mais precoce.
04:10É muito comum hoje, com essa questão de estresse, alimentação errada e tudo,
04:14a gente tem visto muitos diagnósticos de menopausa precoce, né?
04:17A gente chama assim.
04:18Mas depende da menarca, ou seja, da menstruação, da primeira menstruação.
04:23Se menstruou muito cedo, existe uma tendência que esses ciclos, eles terminem mais cedo também.
04:28A menarca da mãe geralmente importa, né?
04:30Então, entra a história familiar e muito ligado também a hábito de vida.
04:34Mas a gente não tem um marco, né?
04:37Da mesma forma que a gente vê mulheres jovens entrando no climatério,
04:40a gente também vê mulheres com 52, 53 entrando no climatério.
04:45E, doutora, tem mulheres que vão passar pelo climatério sem perceber que estão passando por ele,
04:50já vão chegar na fase da menopausa, assim, porque às vezes a pessoa não se conhece,
04:55ou então não repara no próprio corpo e esses sintomas podem ser bem sutis, né?
04:59E ela não perceber que ela está no climatério, isso pode acontecer?
05:02Isso pode acontecer.
05:04Que a mulher não é tão frequente, mas isso pode acontecer.
05:07Mas existem situações, por exemplo, onde a mulher já está com o DIU, né?
05:11Que usa, por exemplo, o DIU, vamos falar do DIU com hormônio, né?
05:19Para poder fazer uma contracepção.
05:21Ah, eu não quero mais ser filho, eu vou usar.
05:23E aí, ela está com o hormônio ali no DIU, o hormônio está sendo liberado,
05:27então ela não está nem vendo o fluxo, ou seja, não está nem vendo essa diferença de fluxo menstrual
05:33pela deficiência da progesterona e nem está com deficiência de progesterona
05:37porque o DIU está dando conta disso aí.
05:39E aí, ela só vai sentir mais tarde a deficiência do estrogênio.
05:42E aí, pode ser que ela sinta, pode ser que ela não sinta,
05:45e aí, quando chegar a época de tirar o DIU, ela vai ver que a menstruação não mais desce.
05:49Então, ela passou por esse período tranquilamente.
05:52E as mulheres também que usam pílulas anticoncepcionais,
05:56por conta de contracepção, que já tem ali estrogênio e progesterona,
06:00podem passar por esse período também sem sentir muita coisa,
06:03porque de uma certa forma está repondo, né?
06:05Agora, quem não está, é mais difícil passar despercebido.
06:09Antes de a gente falar da reposição hormonal, eu queria ver com a Gabi
06:13se nesse período de climatério, há algo que a gente possa fazer na alimentação
06:17que possa ajudar nesses sintomas que a doutora falou, muitas vezes.
06:21Existem uma alimentação mais natural, pode ajudar?
06:26Existem alguns produtos que podem ajudar?
06:28Com certeza.
06:29E trabalhar sempre uma alimentação mais anti-inflamatória, que a gente fala.
06:33Então, aquele ditado simples e famoso, né?
06:37A gente desembalar menos e descascar mais.
06:40Comer comida de verdade, de fato, né?
06:42Hoje a gente fica muito preso à proteína, principalmente.
06:45Então, a gente quer encher a nossa alimentação de suplementos, de cápsulas.
06:49E a gente esquece do básico, do arroz, do feijão, do ovo, das verduras, das frutas.
06:54Pacientes que chegam no consultório com medo de comer fruta porque engorda, porque dá gordura no fígado, né?
07:00Então, trazer, resgatar mesmo essa alimentação mais natural.
07:04E tem o ciclo de sementes que a gente consegue trabalhar.
07:07Semente de abóbora, de semente de girassol, gergelim, linhaça, que consegue também auxiliar muito nessa redução de sintomas.
07:16Os chás de amora, erva de São João, a gente também consegue colocar.
07:21Avaliar os exames e, se for o caso, pensar também numa suplementação, se necessário.
07:26O magnésio, o minositol, né?
07:28Pra gente melhorar aí a sensibilização de insulina.
07:31Trabalhar também as estratégias de higiene do sono.
07:34Então, cidreira, camomila, erva doce.
07:37Pra gente pensar também num sono de melhor qualidade.
07:40A gente pensar também na redução da inflamação com gengibre, a cúrcuma.
07:46Mas não necessariamente em cápsula, né?
07:48Até essa mídia que trouxe agora, né?
07:50A questão da cúrcuma, mas do próprio tempero.
07:53A gente temperar um frango, temperar uns legumes, um arroz.
07:56A gente trazer mais as especiarias pra dentro da nossa rotina.
08:00A gente pensa hoje em tudo muito prático.
08:02O tempero é aquele tempero industrializado, que tem mais sódio, né?
08:06E cadê as especiarias?
08:08Canela, gengibre, cravo, louro, manjericão, orégano, alecrim.
08:13Eles têm esse efeito antifúngico, antibactericida.
08:16Auxiliam na nossa modulação hormonal.
08:19Então, a gente fazer, às vezes, um azeite aromatizado com essas especiarias.
08:23Um vinagre também aromatizado.
08:25Colocar essas especiarias na nossa garrafinha com água.
08:28Ou utilizar o chá mesmo pra poder reforçar a hidratação ao longo do dia.
08:33O própolis, né?
08:34Que auxilia no ganho de massa magra.
08:36Auxilia também trabalhando a modulação e qualidade do sono reparador.
08:40E não só a imunidade.
08:41Então, própolis verde, própolis vermelho.
08:44Então, são estratégias que a gente tem fácil acesso, né?
08:47Numa farmácia, numa loja de produtos naturais, no supermercado, na feira.
08:51A gente consegue encontrar esses alimentos e inserir na nossa rotina.
08:55E quando a gente fala na reposição feita, né?
08:58Com o hormônio, doutora.
09:00Eu queria que a senhora explicasse.
09:01Qual que seria esse hormônio?
09:03Porque muita gente acaba confundindo o que a mulher vai ter que fazer, né?
09:06O que ela vai precisar repor.
09:08E se todas têm indicação.
09:10Porque a gente sabe que durante um bom tempo, a questão da reposição hormonal, ela ficou vista, né?
09:15Sendo de uma forma meio negativa.
09:17Eu queria que a senhora pudesse trazer essa explicação aqui pra gente hoje.
09:20Lá atrás, nós tivemos um estudo chamado WHO.
09:24Esse estudo, ele mostrou, assim, os piores resultados, os piores efeitos colaterais de uma reposição hormonal.
09:31Só que o que a gente tem que avaliar é que naquela época que foi feito o WHO,
09:37a reposição hormonal era muito primitiva, assim.
09:40Eram estrogênios equínos, eram progesteronas que davam muitos efeitos colaterais.
09:45O que a gente tem hoje no mercado, assim, são hormônios muito parecidos com hormônios que o nosso ovário produz.
09:52Né?
09:52Então, nós temos, na produção ovariona, muito estrogênio, muita progesterona e pouquíssimo testosterona, né?
10:00Também é uma coisa que a gente também podia falar aqui.
10:02É.
10:03Mas, né?
10:04E aí, quando a gente tem essa questão dos hormônios que são bioidênticos,
10:09não são hormônios manipulados, né?
10:12Muita gente acha que bioidêntico é manipulado.
10:14Mas, não, bioidêntico é aquilo, assim, que é muito parecido com o que o nosso ovário produz.
10:18Então, a gente tem muitas formulações transdérmicas, né?
10:22Muitos estrogênios transdérmicos, muitas progesteronas, assim, mais naturais, né?
10:28Muito parecidas com o que o nosso ovário produz, de forma que a gente não tem efeitos colaterais.
10:32Então, gente, olha, a mulher hoje é uma mulher muito diferente daquela mulher de antes, né?
10:39Assim, então, hoje a gente olha a mulher dos 40, que entra no climatério, que tá numa idade proativa,
10:45que precisa ter memória boa, que precisa, né?
10:48Ter qualidade de vida, que precisa trabalhar e tudo.
10:52Então, assim, não tem como não repor nessas mulheres.
10:55É claro, a gente tira as contraindicações, as contraindicações absolutas são
11:00história anterior de câncer de mama, né, na paciente,
11:04história anterior de câncer de útero na paciente
11:07e história familiar em parentes de primeiro grau,
11:11dois parentes de primeiro grau que tiveram antes câncer de mama ou câncer de útero.
11:15Nem tromboembolismo, nem trombose venosa, que era uma contraindicação absoluta anteriormente,
11:20hoje é mais.
11:21Por quê? Porque o benefício, ele supera o risco e as formas que a gente tem de fazer esses hormônios
11:29são formas muito seguras, que não tem passagem pelo fígado.
11:33Então, a gente avalia a história e avalia o perfil de segurança que é melhor pra aquela paciente.
11:38E eu queria puxar com a Gabi, que já teve situações de pessoas falando assim,
11:44mas eu não quero repor, porque tem muito medo ainda da questão, né, de repor,
11:48de fazer a reposição com o hormônio. Existe alguma coisa natural que possa ajudar?
11:54Eu sei que não é a mesma coisa que repor.
11:56Eu não quero que você passe aqui nenhuma receita, mas que você possa trazer pra essa paciente
12:00que às vezes tem essa dúvida, que ainda se sente insegura,
12:03que não sabe se deve ir por esse caminho ainda.
12:05O que que poderia ser feito, Gabi?
12:06A gente tem alguns fitoterápicos que a gente pode utilizar, inclusive na manipulação mesmo, né?
12:11Então, a gente trabalhar uma tintura com amora, por exemplo.
12:14A gente consegue trabalhar o hormona também, que apesar do nome, né, mas é um fitoestrógeno.
12:19Mas a gente precisa entender os mesmos critérios que tem pra reposição hormonal
12:24com prescrição médica.
12:26O nutricionista vai ter o mesmo critério também na hora de fazer a prescrição dessa fitoterapia.
12:30Mas uma fitoterapia básica, assim, que eu costumo colocar pras mulheres e que dá muito certo
12:35é o ciclo de sementes.
12:37Então, do primeiro ao décimo quinto dia, a gente vai trabalhar com a semente de abóbora
12:41e semente de linhaça.
12:43E do décimo quinto até o vigésimo oitavo dia, a gente trabalhar com a semente de girassol e gergelim.
12:49A gente tritura essas sementes levemente, guarda no potinho de geladeira pra não oxidar.
12:54E uma vez ao dia, ela vai fazer o consumo de uma colher de sopa dessa farinha.
12:58E aí a gente consegue perceber, naturalmente, melhoras significativas.
13:02Tem alguns outros fitoterápicos, como o feno grego, o maca peruana, o próprio tribulus terrestres,
13:07que a gente consegue também via manipulação, mas que às vezes ela pode fazer um chá,
13:12um mix de farinhas, e ela vai adicionar num shotzinho ou no chá mesmo,
13:17ou às vezes aromatizar o café.
13:19É o que eu tenho sugerido muito também, elas têm gostado bastante.
13:22Na hora de botar o pozinho do café no coador, já coloca ali a especiaria, um gengibre,
13:26uma canela, feno grego, maca peruana, na hora de passar água quente,
13:30aquele café ali já vai sair mais turbinado.
13:34Então, às vezes a gente tem hoje no mercado tantos produtos industrializados,
13:38que vêm ali com sódio, corante, aditivos químicos e conservantes,
13:42e a gente consegue isso facilmente.
13:44Vai numa lojinha de produto natural, compra uma farinha, obviamente,
13:48eu sempre oriento, com rótulo pra gente ter certeza da procedência,
13:51aquele produto também não tá aberto, exposto ali durante muito tempo,
13:55e ela vai inserindo isso aos poucos na rotina de alimentação dela.
13:59E isso pode ajudar também quem faz a reposição com a medicação, no caso, né?
14:04Também, a gente consegue auxiliar.
14:06Um não inviabiliza o outro, né?
14:08Exato, você associa e com certeza os sintomas ficam muito mais ou menos, né?
14:11Muito melhores.
14:12E agora, puxando o gancho daquilo que a doutora falou,
14:14eu queria falar de um assunto, né, um pouco delicado.
14:18Polêmico.
14:18É, do polêmico da questão da testosterona,
14:21porque hoje, né, a gente tá na moda,
14:23até a gente entra na rede social falando do tal do suco, né, das mulheres aí.
14:28Existe a necessidade de, durante esse período aí de climatério, menopausa,
14:32a mulher também precisar repor testosterona?
14:36Não.
14:37Não.
14:39Na verdade, olha só, deixa eu explicar direito, assim.
14:42É, o ovário, ele produz em maior quantidade estrogênio e progesterona.
14:48Muita quantidade, uma pequena quantidade de testosterona, mas é muito pequena mesmo.
14:53A maior parte da testosterona nas mulheres, ela é produzida pelas supra-renais, né?
14:58São duas glândulazinhas que ficam em cima do rim,
15:01que produzem alguns outros hormônios e produzem a testosterona.
15:04Quando a mulher vai evoluindo para o climatério,
15:07esses ovários vão ficando mais atróficos, vão diminuindo a capacidade de produção,
15:11mas vocês concordam que a testosterona, ela vai continuar sendo produzida pelas supra-renais.
15:17Em quantidades iguais, porque as supra-renais estão ali,
15:20então elas não têm nenhum tipo de alteração quando entra no climatério.
15:24E a mulher no climatério, ela já tem uma mudança de composição.
15:30Você vê que as mulheres climatéricas, elas têm um abdômen mais protuso,
15:34elas já têm, por conta dessa testosterona que fica mais alta que estrogênio e progesterona,
15:39elas já vão ter uma desproporção.
15:41Ou seja, se você diminui estrogênio e progesterona do ovário,
15:44e tem testosterona sendo produzida igual pelas supra-renais,
15:47a mulher já vai ter um abdômen, já vai ficar mais quadrada,
15:51ela já vai ter um abdômen mais protuso, vai ter uma forma masculinizada.
15:56Se você coloca testosterona nessa mulher, você vai piorar esse efeito androgênico na mulher.
16:04Então, assim, o que a gente tem que repor?
16:06A gente tem que repor estrogênio, a gente tem que repor progesterona,
16:10que são os hormônios em falta, e a testosterona, Camilinha, que é em gel,
16:15não é intramuscular, não é comprimido, em gel transdérmico,
16:20ela fica ali pra ser usada somente se a mulher tiver manutenção do desejo sexual e proactivo.
16:28Ou seja, apesar de estar repondo estrogênio e progesterona,
16:31ela continua com baixa libido.
16:33Essa é a indicação formal de se usar testosterona na mulher no climatério e na menopausa.
16:40Entendeu?
16:41O desejo sexual e proactivo, ainda que já esteja fazendo as reposições.
16:45E eu queria puxar o gancho da reposição hormonal e tirar uma dúvida que as pacientes
16:49sempre me perguntam no consultório.
16:51Reposição hormonal e chip da beleza, são a mesma coisa?
16:56Não.
16:56Na verdade, o chip da beleza é também um assunto bolido, daria um podcast só pra isso.
17:02O chip da beleza, ele não é aprovado pela Anvisa, né?
17:07Só pra falar, não tem aprovação da Anvisa.
17:09Mas como a gente vive num país permissivo, né?
17:12As pessoas colocam e enfim.
17:13O chip, ele tem, até o nome, né?
17:17Fala-se chip da beleza, trazendo essa coisa, esse cun estético, né?
17:21Ele não é visto pra reposição hormonal.
17:25Infelizmente, as pessoas colocam o chip da beleza para estética mesmo,
17:29pra melhora de performance na atividade física, no treino, pra melhora de libido.
17:35E muitas vezes, nesses chips, o que se tem de verdade são misturas,
17:39misturas de substâncias que vão aumentar a massa muscular da mulher, né?
17:44Tanto que a gente vê com frequência que quem usa o chip tem efeitos androgênicos,
17:49as pessoas geralmente secam mais rápido, definem massa muscular,
17:53mas também perdem cabelo, tem acne, ou seja, não tem o bônus sem o ônus, né?
17:59Então, elas têm que saber o que elas querem.
18:01Mas, geralmente, o chip da beleza é isso.
18:04São misturas de substâncias que a gente não sabe ao certo a procedência nem a dose,
18:09que são vendidas, infelizmente, em consultórios médicos,
18:13e que vendem essa melhora e vendem como reposição hormonal.
18:18Mas, ele não é uma reposição hormonal.
18:21Gabi, e existe, como a doutora falou, o uso da testosterona em gel seria indicado apenas
18:27pras mulheres, né, que ainda assim continuam com baixa libido,
18:30mesmo fazendo a reposição ali com os hormônios indicados?
18:33Existe algo também natural que possa ajudar nessa libido durante esse período, né?
18:38Já que a mulher costuma sofrer muito com esses sintomas, existe algo que possa auxiliar?
18:44Sabe o que eu gosto muito da fitoterapia?
18:46É marapuama, guaraná-cipó, o próprio tribulus com a maca.
18:51E aí, eu gosto de trabalhar com um blend de macas, vermelha, marrom,
18:55e coloco num shot com vinagre de maçã orgânica, um pouquinho de água,
19:00e aí ela começa a fazer a utilização.
19:03E, às vezes, eu tento trabalhar muito no viés mais alimento mesmo,
19:06do que mandar manipular esses itens.
19:09E a gente consegue ter uma melhora bacana nesses efeitos.
19:12E pensar que libido também não é só hormônio.
19:15Libido também tem muita relação com o emocional.
19:18Perfeito.
19:18Tem outras questões também que são levantadas durante a consulta, né?
19:22Precisam ser levantadas.
19:24E não achar que a libido vai ser resolvida só com um remédio ou só com um manipulado.
19:29A gente fala, desculpa, Cabelinha, mas eu tenho que falar.
19:32Pode falar.
19:32Eu tenho que pegar esse gancho.
19:33A gente fala assim, né, que o homem é igual micro-ondas, né?
19:38Ligou, tá quente.
19:39E mulher é igual forno a lenha.
19:41Então, assim, a libido da mulher é exatamente assim.
19:45Ela começa no bom dia.
19:46Ela começa na manhã, né?
19:48Não tem jeito, isso é hormonal.
19:50Então, assim, dependendo de como foi o bom dia, de como foi o dia,
19:54se houve troca de mensagem, se houve um carinho, se houve um interesse,
19:59à noite ela vai ter uma libido, né?
20:02Agora não adianta.
20:03A mulher que teve um dia péssimo, né, sobrecarregada,
20:06que teve uma discussão com o esposo, à noite ela não vai ter libido, né?
20:11Então, como você falou da questão emocional,
20:14a libido é realmente ligada, da mulher é muito,
20:18porque o homem é visual, mas a mulher não é.
20:21Então, assim, a gente precisa mesmo entender que a libido é uma coisa muito além
20:25de só hormonal, né?
20:27Dá até um outro podcast.
20:28Dá outro podcast.
20:29Dá outro podcast.
20:30E aproveitando, então, que a doutora Priscila, né, trouxe esse gancho e a Gabi,
20:35eu vou mostrar aqui pra vocês essa cartilha que a Sbem lançou o ano passado,
20:39eu tive o prazer de poder acompanhar o lançamento,
20:42que traz dicas, né, falando desse momento, do climatério, menopausa,
20:46e a cartilha, o legal é que ela não é indicada só pra mulher que tá nessa fase,
20:50é pro homem também que tá ali, o companheiro, enfim, a família,
20:55pra entender esse momento.
20:56Então, tem um link gratuito, que as pessoas conseguem baixá-la,
21:00e ela é pequenininha.
21:02Então, eu acho que vale a dica, porque a gente tá falando desse tema,
21:06quantas mulheres no Brasil, né, estão envelhecendo, aumentando a expectativa de vida,
21:10então, são mais mulheres passando por esse momento de climatério e menopausa.
21:13E é um momento que precisam ser acolhidas, né?
21:15É verdade, precisam do acolhimento, principalmente dentro de casa, né?
21:19Então, assim, quantas vezes a gente recebe no consultório as mulheres com um sofrimento,
21:24e aí elas falam assim, doutora, da próxima vez eu vou trazer o meu marido,
21:27porque ele não acredita nas coisas que eu tô falando.
21:29E às vezes são descriminalizadas também, né?
21:32Porque falou em menopausa, falou, você perdeu fertilidade, você perdeu o seu vigor,
21:37você ganha você agora.
21:38É como se estivesse falando que é o fim da vida, né?
21:39É o fim da vida.
21:40O fim da vida, e não é?
21:41E essa cartilha é muito legal, porque ela fala de uma forma, assim, muito fácil, né?
21:46Assim, expõe os sintomas, expõe as fases e tudo,
21:49e é exatamente isso que a mulher tem que ter, né?
21:52Porque a gente fala assim, às vezes a gente fica ali reclamando dos sintomas, né?
21:58Reclamando do climatério, ai, gente, mas assim,
22:02a gente só vai ter isso porque a gente tá vivo, né?
22:05Então, eu falo assim, a gente só vai passar por essa fase porque a gente tá vivo.
22:08Então, também o fato da gente exercer a gratidão, né?
22:12Poxa, eu sou grata por essa fase porque eu estou viva, né?
22:17Então, a gente tenta fazer disso, né?
22:19Você faz do limão a limonada.
22:21Então, você entende que essa fase é uma fase um pouco mais difícil,
22:24é uma fase mais desafiadora, mas que vai passar, né?
22:28Claro, com muito amor, com muita empatia, com uma mudança.
22:31Você entender qual é a tua limitação naquela hora também,
22:33porque muitas vezes a gente quer, nessa transição,
22:35fazer as mesmas coisas que a gente fazia antes, né?
22:39Entender que naquela fase ali, pelo menos de ajuste,
22:42a gente vai ficar um pouco mais limitada mesmo e tá tudo certo, né?
22:46E aí, pra finalizar, eu queria que a Gabi falasse uma questão
22:49que aflige muitas mulheres que estão nesse período, né?
22:52O ganho de peso.
22:53É possível ainda perder peso na menopausa, Gabi?
22:56Com certeza, tenho vários pacientes emagrecendo.
22:58E é possível ganhar massa também na menopausa?
23:01O que a gente precisaria ir pra nossa alimentação no dia a dia
23:05pra gente conseguir, né, passar por essa fase
23:07e ainda por cima ter saúde, ter ganho de massa,
23:10ter perda de peso, tudo com saúde?
23:12Super possível.
23:14No consultório eu tenho várias pacientes que conseguem emagrecer,
23:16conseguem ganhar massa muscular, recuperar vitalidade, libido,
23:20mas ajustando todos os pilares.
23:23Melhorando a qualidade da alimentação,
23:25retirando industrializados, do tipo ultraprocessados,
23:27reduzindo a frequência e a quantidade do consumo de bebidas alcoólicas,
23:32evitando açúcares,
23:33trazendo uma alimentação mais natural,
23:35mais uma comida de verdade, mais variada,
23:38e que não dá tanto trabalho assim pra gente poder preparar,
23:41que pode ser congelada pra poder otimizar a nossa rotina ali durante a semana,
23:46devido a tantas demandas que a gente tem.
23:48Trazer os chás, trazer as especiarias pra essa rotina também,
23:52a fitoterapia, a suplementação, caso seja necessário.
23:55Trazer também a parte emocional,
23:58então trazer às vezes um psicólogo também pra poder auxiliar nesse momento.
24:02trabalhar a qualidade de sono, de fato.
24:04Tem paciente que ela dá janta pra família, pro esposo,
24:09aí eu perguntei pra ela, e você janta em qual horário?
24:11Nove e meia, dez horas, que é quando eu terminei tudo.
24:14E como é que tá a qualidade desse sono?
24:16Eu não consigo dormir direito,
24:17porque fica comida pesada ali naquele estômago, né?
24:19Aquela digestão.
24:21Então, às vezes tem tanto cuidado com o outro,
24:24e a gente vai sempre se colocando em segundo lugar.
24:27Então, trabalhar o autoconhecimento.
24:28Essa mulher, ela precisa se autoconhecer.
24:31Então, a terapia, o médico, o nutricionista,
24:33vão ajudando nesse processo também.
24:35E entender como é essa a nossa fisiologia.
24:37Nossa fisiologia não é igual à do homem.
24:39A gente precisa entender isso também.
24:41Às vezes eu recebo no consultório um paciente que ele falou bem assim,
24:44ah, mas eu quero que ela vá pegar peso.
24:47Eu quero que ela pegue mais peso na academia.
24:49Aí eu falo assim, mas calma, a mulher é diferente.
24:52Ela se dá muito melhor com uma yoga, com uma meditação.
24:55E tá tudo bem, não deixa de ser uma prática do mesmo jeito.
24:58Então, a gente entender que somos seres diferentes,
25:01anatomicamente, fisiologicamente diferentes,
25:03e que a gente precisa lidar com cada um de acordo com a sua especificidade.
25:08Então, eu acho que a gente poder levar essa informação para as mulheres,
25:12e para os homens também,
25:14é muito importante a gente quebrar esse tabu
25:16que tem em relação à climatério, menopausa.
25:20É uma fase, vai passar.
25:21A gente tem estratégias muito boas hoje
25:24para a gente amenizar esses sintomas,
25:26e vai passar, tá tudo bem.
25:28É isso aí.
25:29E, doutora, para a gente,
25:30eu queria que você deixasse essa mensagem final, né,
25:32a gente focando um pouco nessa questão da reposição ainda,
25:35da importância, justamente porque a gente sabe
25:38que é nesse período que se aumenta o risco cardiovascular da mulher, né.
25:41Então, por que que hoje se fala tanto também
25:44dessa questão da reposição nessa fase?
25:46Que é, não tá pensando só nessa questão dos sintomas,
25:49do fogacho, da libido.
25:51Pensa na saúde da mulher que vai além, né,
25:54da questão osteoporótica,
25:55a questão cardiovascular.
25:57Eu queria que você pudesse falar um pouquinho disso
25:59para a gente finalizar.
25:59Tá vendo o que você que é repórter da saúde?
26:03É isso aí.
26:04Então, quando a gente fala da reposição hormonal,
26:06a gente pensa também nos riscos da doença cardiovascular, né.
26:10A que essa mulher é exposta.
26:11Porque quando chega no climatério,
26:13esse risco aumenta muito.
26:17Principalmente se a mulher tem fogacho.
26:19Quanto mais fogacho ela tem,
26:21é como se fosse um sinalizador de doença cardiovascular.
26:25O fogacho é o principal.
26:26Então, isso é até uma dica aqui para você
26:28que está sentindo muito fogacho,
26:30ficar em alerta e entrar em contato com a médica.
26:32Exatamente.
26:33O fogacho é o preditor, né.
26:35Então, assim, a gente não está, né,
26:36tirando a questão da qualidade de vida, né,
26:38tirando a questão da melhor...
26:39A gente está falando de saúde.
26:41Então, quando a gente tem realmente fogacho,
26:44a gente pensa na saúde cardiovascular
26:46e a gente repõe pensando nisso.
26:48E também na questão óssea, né,
26:50porque a gente estava falando aqui de
26:51você envelhecer com independência,
26:55envelhecer deambulando, né, com autonomia.
26:58Como que você vai conseguir
26:59se você tiver uma massa óssea fraca, né,
27:02uma massa muscular ruim?
27:04Então, a gente precisa muito de pensar
27:06nessa saúde óssea
27:08que vai piorando com a deficiência estrogênica.
27:11Então, a gente precisa repor, né.
27:13A gente não precisa esperar
27:14a osteoporose chegar.
27:16A gente pode começar na prevenção.
27:18Perfeito, Gabi.
27:18Eu acho que a medicina moderna hoje,
27:20a gente precisa reforçar mais
27:21essa questão da prevenção.
27:23Às vezes, a gente procura o auxílio
27:25de um profissional da saúde,
27:26olhou o exame, não tem, tá tudo bem.
27:29Mas o que eu posso fazer
27:30com que isso não aconteça?
27:32Perfeito.
27:32Eu acho que esse é o nosso papel essencial, né.
27:35Ainda mais se tem história familiar, né,
27:37porque também existe aquele risco.
27:39Existem os riscos maiores, né.
27:41A gente sabe que o climatério é um risco,
27:43mas, por exemplo, vai superajuntando.
27:46Então, por exemplo, história familiar.
27:47A história familiar é uma questão, né.
27:50Então, assim, se você já tem história familiar
27:52de doença cardiovascular,
27:53já tem história familiar de osteopenia,
27:56osteoporose,
27:56você aumenta a condição de risco também.
27:58Se é sedentário,
27:59então só vai aumentando o risco.
28:00Às vezes, aquela mulher
28:01que não consome uma folha verde
28:03como fonte de cálcio,
28:05sementes, peixes.
28:07É aquela mulher que quer trabalhar
28:08a saúde do coração,
28:09mas não consome um peixe,
28:11uma linhaça, um azeite, um abacate,
28:12que tem um ômega 3,
28:14que atua como protetor.
28:16Então, a gente não faz nada
28:17na nossa rotina
28:18para que a gente tenha essa prevenção.
28:20Então, saber, né,
28:22o que é que muda,
28:22o que é que altera,
28:23e a gente trabalhar o nosso comportamento,
28:25o nosso estilo de vida
28:26para que a gente previna
28:28todos esses riscos, né.
28:29Perfeito.
28:30É isso mesmo.
28:30Muito obrigada.
28:32Adorei o bate-papo mais uma vez
28:34com a doutora Priscila,
28:35com a Camila, maravilhosa.
28:37Obrigada.
28:37É um prazer estar aqui.
28:38Podem me chamar sempre.
28:39Com certeza.
28:40Muitos outros temas.
28:41Vocês viram que só daqui
28:42já foi gancho, né,
28:43para mais um,
28:43no mínimo mais uns quatro.
28:45E se você de casa gostou
28:47do conteúdo de hoje,
28:48não deixe de continuar acompanhando
28:50a coluna Nutridicas
28:51que sai toda sexta-feira
28:52no Jornal A Tribuna
28:53e o episódio do podcast
28:55Nutridicas toda quarta-feira
28:56no portal Tribuna Online,
28:58YouTube e nos tocadores de podcast.
29:00E até a próxima semana
29:02com mais informações
29:03sobre alimentação, nutrição
29:04e o estilo de vida saudável.
29:06E até a próxima semana.
29:08E até a próxima semana.
29:24E até a próxima semana.
29:26E até a próxima semana.
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