00:00Eu acredito que assim, a gente já discutiu isso em outros programas, é uma tristeza voltar a esse tema.
00:06Me parece que estaremos em mais uma eleição em que os grandes projetos nacionais ficam ao largo
00:13e questões menores vão acabar recebendo uma atenção como se fossem problemas grandes e problemas nacionais.
00:23Mas, diversos políticos têm identificado uma questão de uma má percepção do Supremo,
00:33assim como a má percepção de diferentes instituições brasileiras.
00:39Isso já está bem, para a gente sair do senso comum, isso está bem documentário, por exemplo,
00:43não só nas pesquisas de opinião feitas no Brasil, mas quando você olha os dados do Latino Barômetro,
00:47que é uma pesquisa clássica, com metodologia científica bem elaborada.
00:51As instituições brasileiras e o STF, em destaque, apresentam uma percepção ruim.
01:01Mas, no imaginário, some-se a isso, um imaginário popular de que o STF tem passado dos limites,
01:11o imaginário popular que o STF não só tem passado do limite, como tem algumas preferências políticas,
01:18e aí alguns atores políticos optaram pelo caminho mais fácil, que é, ao invés de eu discutir os grandes problemas
01:24brasileiros,
01:25eu vou pegar esse alvo que está pré-estabelecido por uma parte dos eleitores.
01:29E aí eu vou tentar, com isso, captar votos.
01:32Você destacou na abertura a figura do Romeu Zema, mas cabe destacar também que, na semana anterior,
01:40no Senado, o senador Alessandro Vieira, num, digamos assim, num desvio de função,
01:46se a gente fosse usar uma terminologia da CLT,
01:49ao invés de indicar no relatório da CPI do crime organizado,
01:56pessoas do crime organizado, ele achou bastante razoável centrar fogo no STF.
02:02Então, acho que a gente tem que entender isso como,
02:05sim, o STF está pagando um custo de ter atuado em frentes políticas e ter uma percepção negativa,
02:13e, sim, tem atores políticos que estão querendo pegar um atalho.
02:17Ao invés de discutir os grandes problemas brasileiros,
02:19eu pego um alvo que parece que já está bem, que tem uma avaliação negativa
02:24e escolho ele para falar que estou tentando representar parte do eleitorado brasileiro.
02:29Acho que, adiante da pergunta inicial, queria ouvir até os colegas, mas esse seria o meu ponto.
02:34O Fábio fala em atalho.
02:37Paulo, hoje, inclusive, teve uma manifestação do ministro Moraes falando em escada eleitoral,
02:49de que alguns políticos estariam usando o Judiciário e a Suprema Corte
02:54para se catapultar no processo eleitoral.
02:58E eu queria que você discorresse se, para além do suposto atalho ou da escada eleitoral,
03:08se o grande público, se o eleitor se seduz com a estratégia de comunicação,
03:15a narrativa ou a defesa que é feita pelos pré-candidatos,
03:18de que algo está fora da ordem, que é preciso corrigir,
03:23e que a correção do Supremo será uma das agendas, por exemplo, desses candidatos.
03:31Isso seduz o eleitorado?
03:33Bom, primeiro, boa noite.
03:34Queria agradecer o convite, né?
03:36Estar com os colegas, sempre muito bom.
03:39E, primeiro, que não é a primeira vez que isso acontece.
03:42Em 2018, aconteceu com o processo, aliás, em 2022, com o processo eleitoral, né?
03:47O questionamento das urnas, o resultado eleitoral, e já está mais do que demonstrado que isso traz visibilidade, né?
03:55Essas teorias conspiratórias.
03:56Mas também, é preciso dizer que não todo o STF, mas alguns juízes também contribuíram para esse cenário, né?
04:02O próprio Alexandre de Moraes, o Toffoli também, com toda essa questão envolvendo o caso Vorcaro, né?
04:10Mas isso também não pode ser generalizado aos demais ministros, né?
04:14Que, inclusive, acabam pagando preço por algumas desmedidas comportamentais de alguns juízes, né?
04:22Também não podemos ser ingênuos, por exemplo, com o caso Vorcaro e relativizar o fato de que a esposa do
04:28Alexandre de Moraes
04:29foi quem recebeu os recursos com o contrato com o Banco Master.
04:33Aí já é ser muito ingênuo, né?
04:35Mas, querendo ou não, a bola da vez, digamos assim, é o STF, né?
04:40Assim como na última eleição foi o TSE, né?
04:44Então, trata-se, né, de uma estratégia também da nova e da extrema direita, né?
04:50De tentar deturpar as instituições democráticas, né?
04:53Isso dá muito certo.
04:55O Trump, por exemplo, nos Estados Unidos, seguiu o mesmo caminho.
04:58O Milley, na Argentina, também acusando as instituições de brecarem suas reformas.
05:03É uma forma de se colocar numa situação de vitimismo, né?
05:06Diante de uma série de teorias conspiratórias, né?
05:09Que visam prejudicar o caminho de determinados políticos, quando, na verdade, o que se busca com isso é mais visibilidade.
05:16Em ano de eleição, ainda mais, cujo objetivo de alguns grupos mais conservadores é controlar o Congresso, né?
05:25Exatamente para pressionar o futuro presidente, caso não seja o Flávio Bolsonaro.
05:30Então, são estratégias que, apesar, né, de fazerem parte do jogo político, mas eu acho que, de alguma forma, se
05:36exagera muito na generalização, né, dos fatos.
05:39E é claro que decisões judiciais sempre vão produzir insatisfeitos.
05:44Mas isso não é motivo para que se busque corromper o STF, né, com intervenções por parte do Congresso.
05:53Dentro de uma democracia, a palavra final é sempre do STF, gostemos ou não, mas é o que dá sustentáculo
05:59a, exatamente, a margem, né, de ação dos demais poderes.
06:04Pois é, escutamos o Fábio, escutamos o Paulo Rubens, claro.
06:08Vai trazer também suas considerações, suas reflexões, porque há quem entenda que, ao adotar esse discurso mais firme contra o
06:18Supremo,
06:20Romeu Zema ajudaria Flávio Bolsonaro, que, em razão de uma questão familiar, evita emitir críticas diretas ao Supremo,
06:31mas, de qualquer maneira, o grupo da direita acaba objetivando atacar, muitas vezes, ou criticar a atuação do Supremo.
Comentários