00:00Porque na véspera da sabatina de Jorge Messias no Senado, o governo acelera o repasse de 12 bilhões em emendas
00:09parlamentares.
00:10Direto então para a Capital Federal, o repórter André Anelli com as últimas informações.
00:13O Planalto busca, não é André?
00:15Claro, garantir a todo custo a aprovação do advogado-geral da União com essa vaga aberta desde o ano passado.
00:22Bem-vindo, boa noite.
00:26É isso mesmo, Tiago. Muito obrigado. Boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:32Até o início desse mês de abril, o governo federal havia empenhado cerca de 390 bilhões de reais em emendas,
00:41menos de 2% dos 17 bilhões e 300 milhões de reais obrigatórios para o primeiro semestre.
00:48Agora, menos de um mês depois, foram empenhados cerca de 12 bilhões, o equivalente a 58% do total,
00:58um salto de 56 pontos percentuais em menos de 30 dias.
01:03O aumento no empenho das emendas do primeiro semestre acontece justamente em um momento em que o governo conta votos
01:11para aprovar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
01:16Além da liberação de emendas, foi ventilada a possibilidade de que o governo negociasse algum tipo de apoio
01:24na derrubada do veto presidencial da dosimetria aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023,
01:31em troca da aprovação da indicação ao STF.
01:35O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, negou qualquer tipo de relação ou negociação entre esses dois temas.
01:44Sério, sério. Não tem nenhum tipo de acordo pelo governo, não tem nenhum tipo de orientação.
01:50São duas votações diferentes e independentes.
01:54Nós não vamos fazer negociação de voto para o doutor Messias com base na dosimetria.
02:01São duas votações diferentes e refuto qualquer um que cogite isso.
02:07Não há nenhuma orientação da parte do governo, não há nenhuma orientação da parte da liderança do governo
02:11e ninguém está autorizado a fazer qualquer tipo de negociação em relação a isso.
02:19Jorge Messias, a gente relembra que ele vai ser sabatinado amanhã na Comissão de Constituição e Justiça,
02:26a CCJ do Senado, e caso ele tenha o mínimo de 14 votos no colegiado,
02:31a indicação vai seguir para o plenário da casa,
02:34onde o advogado-geral da União precisa de 41 votos para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal.
02:41Aqui no Palácio do Planalto, o clima é de confiança em relação a esse assunto.
02:47Tiago.
02:48Essa novela, o que tudo indica, acaba amanhã.
02:50Estaremos de olho e já já o André volta para falar sobre uma decisão do governo
02:53em relação a pedágios pelo país.
02:55Até já.
02:56Vou chamar os nossos comentaristas.
02:57O Cristiano Vilela aqui com a gente no Ostelão.
02:59Denise Campos e Toledo.
03:01Vilela, começo por você.
03:02Boa noite, bem-vindo.
03:04Claro que o senador Randolph Rodrigues nega qualquer relação de uma coisa com outra.
03:09Mas o governo, claro, tem preocupação com essa sabatina amanhã.
03:14Boa noite.
03:16Zé Tiago, uma ótima noite a você, Denise e a todos que acompanham o Jornal Jovem Pan.
03:21Olha, o governo tenta negar, o líder do governo cumpre o seu papel de tentar negar,
03:26tentar vincular uma coisa na outra.
03:28Mas é evidente que em um momento como esse,
03:31e de acordo com a prática que a gente já viu,
03:34ao longo desses mais de três anos de terceiro mandato do presidente Lula,
03:38sempre, nas vésperas de votações importantes, acontece esse movimento.
03:43É uma coincidência, né?
03:44Pra se a gente for levar ao pé da letra os dizeres do senador Randolph,
03:48seguramente é uma coincidência.
03:50Mas o fato é que o governo tem grande preocupação.
03:54Eventualmente, uma derrota nessa votação envolvendo Messias
03:58seria realmente trágico pro governo num momento impactante,
04:03num momento onde o presidente Lula tem baixa popularidade,
04:07tem se visto suplantado por outros players na disputa eleitoral.
04:12Então, realmente, é fundamental que haja essa negociação.
04:15E aí o governo usa todas as suas armas pra garantir essa vitória na votação.
04:20Agora, Denise, com a abertura do cofre,
04:23se é que a gente pode dizer assim,
04:25qual que é o impacto disso?
04:26Daqui a pouco você vai falar de arrecadação também,
04:28falar um pouco sobre as contas públicas.
04:30Mas o que representa, nesse momento, nessa véspera de Sabatina?
04:35Boa noite, bem-vinda.
04:36Boa noite, Tiago.
04:36Boa noite, Vilela.
04:37Boa noite a todos que nos acompanham.
04:38Pois é, Tiago, isso já está previsto, né?
04:40Eu acho que o grande impacto é na formatação,
04:43a definição do orçamento anual,
04:45que a gente percebe que os parlamentares tentam esticar cada vez mais a corta
04:48pra ter essa cota de emendas parlamentares.
04:51E aí o que resta pro governo, nessa negociação,
04:54é definir a liberação desses recursos
04:57conforme haja necessidade de negociação de alguma pauta no Congresso.
05:01Mais do que coincidência, como falou o Vilela,
05:04eu acho que tá virando tradição.
05:05É uma coisa quase explícita, que ninguém assume efetivamente,
05:09mas tem esse toma lá da cá, foi o que sobrou pro governo,
05:11que a gente sempre teve essa estratégia aqui na democracia brasileira,
05:15dessas negociações que tinham um custo financeiro
05:17nas relações entre o Executivo e o Legislativo.
05:20Agora o governo tenta garantir o maior quórum possível,
05:23na CCJ ele está mais garantido,
05:26houve inclusive mudanças na composição,
05:28agora o problema é quando for pra plenário,
05:30se passar na CCJ, porque aí o voto é secreto,
05:34e aí pode ter muita traição,
05:36mesmo daqueles que receberam as emendas parlamentares.
05:38Há necessidade de 41 votos favoráveis, de 81 senadores,
05:43então é uma situação apertada,
05:44o governo quer contar com pelo menos 50 votos
05:47para sair vitorioso.
05:49Mas, segundo o CCJ, ele já teria até uma estratégia
05:52em caso de derrota,
05:53dizendo que o Senado rejeitou um indicado por ele
05:58que era evangélico.
05:59Então eu entraria na pauta da oposição.
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