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A Polícia Federal abordou um morador em Presidente Prudente após a exibição de uma faixa com a palavra “ladrão” próxima a um evento com o presidente Lula (PT). Segundo a corporação, a ação teve como objetivo apurar possível crime contra a honra, o que gerou repercussão nas redes sociais e reações de autoridades.

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Transcrição
00:00A Polícia Federal confirmou que agentes abordaram o morador de Presidente Prudente
00:05que estendeu uma faixa com a palavra ladrão na janela do próprio apartamento
00:10localizado próximo a um evento que contaria com a participação do presidente Lula.
00:15Quem vai trazer os detalhes desse fato é o Misa Elmanete, chega ao vivo aqui em Os Pingos nos Is.
00:22Esse caso repercutiu muito nas redes sociais.
00:25Não foi, Misa? Ótima noite a você. Conta para a nossa audiência qual foi a alegação da corporação.
00:36Repercutiu e está repercutindo, viu, Caniato? Muito boa noite a você.
00:39É um prazer falar com você e com todo mundo que acompanha a programação da Jovem Pan.
00:44Esse caso aconteceu no interior de São Paulo, Presidente Prudente,
00:47e em reportagens, entrevistas que esse morador, ele deu à imprensa,
00:52ele disse que não colocou o nome de ninguém, apenas uma faixa, uma faixa grande, com a palavra ladrão.
01:00Isso ocorreu bem na semana de um evento onde o presidente Lula participaria,
01:05participou no final de semana na cidade de Presidente Prudente.
01:10E aí ele foi surpreendido com a visita da Polícia Federal, pedindo a retirada da faixa,
01:16e aí ele fez essas alegações de que não mencionou o nome de ninguém na faixa,
01:22apenas colocou esse adjetivo, enfim, colocou essa palavra, e por isso ele recebeu essa visita.
01:29A Polícia Federal soltou uma nota, informou que a ação teve como objetivo apurar possível crime contra a honra,
01:36já que a faixa poderia ser interpretada como ofensa ao presidente da República.
01:41E de acordo com o que a gente conseguiu apurar, inclusive, os agentes, um dos agentes, teria afirmado o seguinte,
01:50do jeito que está, não vão deixar, ao se referir, a permanência da faixa no local,
01:56indicando que havia um teor de preocupação em relação a algum tipo de manifestação.
02:02A gente tem um vídeo que está circulando nas redes sociais,
02:06que mostra o momento do encontro desse morador com agentes da PF.
02:10Acompanhe.
02:12Porque a gente veio antes.
02:13Não, se der algum problema aí, se der algum problema no evento, eu venho e tiro, beleza.
02:19Não, não, a gente está falando, vai dar, a gente já está informando com o senhor, que já vai dar.
02:24Mas então...
02:25A gente veio antes para isso.
02:26Quando vier o nosso superior, o estudo, que vai ser um dia do evento,
02:30eles vão vir em tudo, eles vão vir com mais rigor.
02:34Não, cara, é opinião, cara.
02:37Eles vão considerar isso como opinião, velho.
02:39Não, mas se for alertar...
02:40Então, se você não concorda comigo, você não vai dar a ditadura.
02:47Esse é só um trecho de um vídeo grande, tá?
02:52Que está circulando nas redes sociais, que mostra o momento em que esse homem é abordado pelos agentes da Polícia
03:00Federal.
03:01O caso, como mencionei, gerou repercussão nas redes sociais e, é claro, entre autoridades também.
03:07Eduardo Bolsonaro fez uma publicação agora há pouco.
03:10A gente tem o destaque, ele disse o seguinte, abre aspas,
03:14Governo da Censura, letra maiúscula.
03:17Governo da Censura está com os dias contados.
03:20Se Lula achou que a faixa escrito ladrão era para ele, quem sou eu para discordar?
03:26Fecha aspas.
03:27Está aí a declaração de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos,
03:31acompanhou o caso de lá e fez esse comentário via redes sociais.
03:36Caniato, volto com você aí no estúdio sobre esse caso.
03:40Que ainda está circulando nas redes sociais.
03:44Com certeza, muitas repercussões, várias manifestações a partir desse pedido, né?
03:50Feito pela Polícia Federal para que o homem retirasse a faixa.
03:54Valeu, Misa.
03:55Bom trabalho para você.
03:56A gente segue aqui com os nossos comentaristas.
03:58Eu vou começar essa rodada com o Bruno Musa.
04:00Bruno, tem, acho que algumas camadas, alguns aspectos, né?
04:04O posicionamento da Polícia Federal, o direito à liberdade de expressão,
04:09um evento com autoridades, mas se tem autoridades, a pessoa não pode se manifestar.
04:16Bom, não havia menção a alguma autoridade, né?
04:20Acho que é preciso também considerar.
04:22Se tivesse, não teria problema, porque a pessoa pode se manifestar, pode criticar.
04:27Mas também não tinha.
04:28Então, que excesso de zelo é esse da Polícia Federal?
04:33Dá para dizer que esse é um caso típico e clássico de censura, Bruno Musa?
04:39Além da censura, Caniato, o que nós vemos aí é uma clara falta de respeito e intromissão à propriedade privada.
04:49Olha, eu vou deixar um desafio aqui.
04:53Qual é o país?
04:55Qual é a empresa?
04:57Qual é a família?
04:58Qual é o indivíduo que conseguiu prosperar, entregar melhor qualidade de vida,
05:04ter uma vida mais digna, sem o respeito à propriedade privada?
05:10E a propriedade privada nada mais é aquilo que é fruto daquilo que você produziu,
05:15que você gerou e deve ser inalienável.
05:18Nós estamos falando que é a sua casa.
05:21Você estendeu uma faixa sem citar o nome de ninguém.
05:24E mesmo se citasse, qual é o problema?
05:27Se aquilo for uma mentira, ele vai responder ao devido processo legal,
05:34se aquele que se sentiu ofendido entre com uma ação e ele acabe, porventura, perdendo essa ação.
05:41Ele responda de acordo com a lei.
05:43Mas como é que a gente pode aceitar que, numa faixa, uma determinada instituição que tem o monopólio da violência
05:52acabe com a propriedade privada na casa daquele cidadão e não o permita estender uma frase,
05:58ou melhor, aqui uma palavra, ladrão.
06:01Mesmo se tivesse o nome à pessoa que ele estivesse atribuindo, supostamente, o título de ladrão.
06:08Ele está na casa dele.
06:10É a propriedade privada dele.
06:12Aquele é o bem que deve ser resguardado a todo e qualquer segundo.
06:16Mas a Constituição brasileira, aquela que tanto falamos aqui da Constituição de 1988,
06:21entre várias coisas que coloca como relativa, inclusive é a propriedade privada.
06:26E esse é um dos grandes pontos, dentre muitos, por que o Brasil continua sendo um país fadado ao fracasso.
06:33E nós permitimos esse tipo de coisa.
06:36Nós aceitamos essa intromissão de quem detém o monopólio da violência, legítimo, infelizmente,
06:42que é o Estado, que acaba espoliando tudo o que nós produzimos, como nós falamos na matéria anterior,
06:48para ir dentro da sua casa e não permitir que você exponha uma frase escrito ladrão.
06:54Então, a quem você atribuiu aquilo? Qual é o problema?
06:58O que manda a Constituição brasileira?
07:00Se eu apontar o dedo para alguém e não tiver provas, tem ali, na Constituição, que você paga por isso,
07:06ou não sei o nome técnico, dentro do direito para isso.
07:09Difamação ou acusação indevida, como quer que seja.
07:12Agora, você ter policiais vindo da tua casa, ameaçando,
07:17dizendo que se voltar à situação é pior depois, por uma faixa de ladrão?
07:21Ora, me desculpas, nós chegamos muito próximos a países que desrespeitam por completo
07:27não apenas as liberdades individuais e de expressão, mas a propriedade privada.
07:32E para finalizar, quando eu estive na Venezuela produzindo aquele documentário,
07:35eu estava no topo de Petare, que é a maior favela da América Latina.
07:40Um morador veio até mim e isso está lá no documentário.
07:43E ele termina falando assim, o socialismo é justamente isso.
07:47Ele acaba com a família, ele acaba com a educação e ele destrói a propriedade privada.
07:53Por esse caminho, será que a gente quer continuar indo?
07:56Pois é, a gente vai trazer a análise dos demais comentaristas depois do break comercial,
08:02só que antes eu quero chamar a atenção.
08:03Você que acompanha a programação da Jovem Pan,
08:06agora temos os destaques da economia, do mercado financeiro,
08:09tem o fechamento touro de ouro com ele, o Pablo Speyer.
08:14Acompanhe.
08:17Fechamento touro de ouro com Pablo Speyer.
08:21Oferecimento, QI Tech, infraestrutura financeira para o seu negócio.
08:25Boa noite, caniato, bancada e toda audiência do Pinho nos diz.
08:30O Ibovespa fechou em queda pelo quinto dia seguido,
08:33pressionado principalmente pela saída de fluxo estrangeiro e pelo mau humor vindo de fora.
08:38Nos últimos três dias, a B3 registrou quase 3 bilhões de retirada de capital estrangeiro daqui.
08:453 bilhões de reais.
08:46Movimento que pesou sobretudo sobre as ações de bancos que lideraram as perdas.
08:51Além disso, a queda das bolsas americanas também contaminou o mercado local.
08:55Em meio a novas preocupações dos investidores sobre o retorno dos pesados investimentos em inteligência artificial nos Estados Unidos.
09:03Que só em 2025 e 2026 vão somar mais de 1 trilhão de dólares.
09:09E essas dúvidas provocaram uma realização de lucros por lá e reduziu o apetite global por risco.
09:16É algo até saudável essa realização, já que as empresas de tecnologia tinham subido quase o mês inteiro.
09:22Por outro lado, as perdas do Ibovespa foram parcialmente limitadas pela alta do petróleo,
09:27que sustentou as ações da Petrobras em um cenário ainda marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio
09:34e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
09:37O petróleo, que tinha subido 17% na semana passada, subiu mais 3% ontem e mais 2,40%, mais
09:432,5% hoje.
09:44No fim, o Ibovespa B3 caiu 0,5% e fechou aos 188.618 pontos.
09:54Já o dólar começou o dia pressionado, mas acabou cedendo levemente depois de ter tocado R$ 5,01 ao
10:02meio-dia.
10:02O dólar terminou o dia cravado no 0x0, valendo R$ 4,98, acompanhando a melhora marginal do humor lá
10:11fora na parte da tarde.
10:12É isso, eu sou o Pabllo, boa noite.
10:16Vai, tourinho! Vai, tourinho!
10:23Fechamento Touro de Ouro, com Pabllo Spayer.
10:28Os Pingos nos Is, Jovem Pan.
10:53Uma lenda é sempre reconhecida.
10:56A aventura evoluiu.
10:58Chegou o novo jipe Renegade.
11:03Você trabalha muitas horas por dia, paga as contas e não consegue aumentar seu patrimônio?
11:09E ainda se sente perdido, sem saber o que fazer para mudar essa realidade?
11:14Agora existe uma solução acessível para você blindar seu patrimônio das crises econômicas e das incertezas do futuro.
11:24E o melhor, fazendo seu dinheiro trabalhar para você.
11:27Estou falando de um passo a passo para você começar a investir do zero nas melhores ações da Bolsa.
11:35Você vai entender como proteger seu patrimônio e, principalmente, como começar a investir do zero na Bolsa
11:42e nunca mais ser refém da inflação ou das crises econômicas.
11:47Garanta sua vaga agora em niucursos.com.br
11:51Niucursos.com.br
11:54E dê o primeiro passo para a sua liberdade financeira.
12:03Galera, a Jovem Pan Sports agora também está nos canais do WhatsApp.
12:08Receba notícias e conteúdos exclusivos de tudo o que acontece no mundo da bola direto no seu celular.
12:15Para seguir o nosso canal, abra seu WhatsApp, vá em atualizações e digite na pesquisa Jovem Pan Sports.
12:24Clique em seguir e pronto.
12:27Jovem Pan News, com você onde estiver.
12:33Os Pingos nos Is, Jovem Pan.
12:38Estamos de volta com o programa Os Pingos nos Is, reunindo os assuntos importantes do dia,
12:43sempre contando com a análise dos nossos comentaristas.
12:46Lembro você que nos acompanha que a enquete está publicada tanto no portal da Jovem Pan quanto no nosso YouTube.
12:53No YouTube tem um chat ao lado, que fica do lado direito da tela, e aí a pergunta fica publicada.
12:59É super simples, só você ticar qual é a resposta que você concorda e aí registra o seu voto.
13:04Daqui a pouco a gente traz, inclusive, qual é a alternativa mais votada.
13:10Bem, deixa eu chamar os nossos comentaristas, a rede está chegando.
13:13Então eu vou só pedir, por gentileza, que vocês fiquem com a gente.
13:18E aí todos acompanharão na íntegra a avaliação e a reflexão do Luiz Felipe Dávila a respeito desse episódio inusitado.
13:29Posso usar essa palavra?
13:31Pitoresco?
13:32Diferente?
13:34Você, Dávila, vou pedir a sua reflexão, a sua análise.
13:37Trata, é preciso tratar de quais aspectos quando a gente analisa essa notícia.
13:42A rede agora está conectada com a gente, por isso a federal pedindo a retirada de uma faixa, com a
13:49palavra ladrão,
13:50antes de um evento que contaria com a participação do presidente da república.
13:55Você, Dávila, quais elementos você quer contemplar no seu comentário?
14:02Preciso falar o quê?
14:02De censura?
14:04Desrespeito à liberdade de expressão?
14:06Então, talvez a figura tenha cometido crime de injúria, difamação, calúnia,
14:14mas caberia a outra parte processar, mover uma ação contra essa pessoa.
14:19Mas é preciso tratar também da instrumentalização da Polícia Federal?
14:26Renato, o que define uma democracia de um governo arbitrário é justamente o respeito às liberdades individuais,
14:34o respeito à propriedade privada e o Estado de Direito, ou seja, o regime da lei sobre a preponderância ou
14:43voluntarismo de uma pessoa.
14:45São esses três aspectos que definem o regime democrático.
14:49Agora, vamos ver se eles valem no Brasil.
14:52Respeito à Constituição, às liberdades individuais, está aí uma manifestação clara do Estado,
15:01afinal de contas a polícia é uma instituição de Estado,
15:05invadindo uma propriedade privada e reprimindo um cidadão por expressar a sua liberdade.
15:13Até pouco tempo atrás, Caniato,
15:16você se lembra muito bem que nós escutávamos os panelaços à noite em uma forma de manifestação.
15:23Se hoje nós tivéssemos um panelaço, provavelmente todo mundo ia ser preso, né?
15:27Ou todo mundo ia receber uma visitinha da Polícia Federal em casa,
15:30porque isso ia mostrar contrariedade ao governo.
15:34Então esse é o primeiro sinal de arbitrariedade.
15:36Só que não se restringe apenas a cidadão.
15:40Nós temos ultimamente parlamentares que são aqueles que gozam do direito da imunidade parlamentar,
15:49dizer o que bem entendem na tribuna da Câmara.
15:53E esses estão agora sendo indiciados por suas opiniões manifestadas no parlamento,
16:00ferindo completamente a Constituição.
16:04Depois nós temos o inquérito da fake news,
16:08a verdadeira barriga de aluguel da arbitrariedade
16:12utilizada para intimidar jornalistas, censurar conteúdo,
16:17perseguir adversários políticos e intimidar políticos.
16:22Recentemente nós vimos isso com o próprio governador Romeu Zema.
16:26E para agravar ainda mais essa situação de autoritarismo que nós vivemos hoje,
16:33amanhã teremos a sabatina de um candidato à Suprema Corte
16:38que tem o seu mini Ministério da Verdade dentro da AGU, ou não é?
16:44Ou a tal da Procuradoria Nacional da União da Defesa da Democracia.
16:50O que é isso? É o Ministério da Verdade.
16:53Acabou de censurar pessoas que fizeram críticas ao PL da misoginia.
17:01Como você não pode mais criticar uma lei?
17:03E tem que criticar, sim, principalmente por seus pressupostos genéricos e abrangentes
17:11que pode incluir absolutamente tudo ali num eventual crime.
17:16Por isso, Caniato, o Brasil não vive mais uma democracia.
17:20A Constituição foi rasgada.
17:22As suas cláusulas pétreas foram trituradas.
17:26A imunidade parlamentar ninguém respeita mais.
17:29Por isso, não é o mero cidadão que vai passar desapercebido
17:35do aparatos do Estado brasileiro.
17:38Deixa eu passar para o Mota.
17:39O Mota vai trazer também as análises e reflexões.
17:43Só uma correção.
17:44Quando o nosso repórter trouxe a informação, as repercussões,
17:48ele destacou um post de Eduardo Bolsonaro.
17:51Daí tinha foto daquela faixa.
17:53Mas não foi o post de Eduardo Bolsonaro.
17:55Foi de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato do PL à presidência da República.
18:00Só um registro jornalístico.
18:02Você, Mota, quais aspectos dessa ação da Polícia Federal
18:08pedindo a retirada dessa faixa antes do evento com o presidente da República?
18:13O que lhe preocupa?
18:14O que lhe chamou a atenção?
18:16Caniato, esse é um assunto gravíssimo, mas também é pitoresco.
18:21Então eu queria dividir o meu comentário em duas partes.
18:24Uma parte séria e uma parte pitoresca.
18:28Vamos começar pela parte séria.
18:31O Brasil já teve polícias políticas.
18:35Parece que tem de novo.
18:37É isso.
18:38Isso me dói muito, porque uma parte essencial do meu trabalho
18:44é explicar e defender o trabalho da polícia.
18:49O trabalho da polícia não é servir a tiranos.
18:53Pelo contrário, a missão essencial da polícia é a garantia da liberdade.
19:00A filósofa Hannah Arendt falava da banalidade do mal.
19:06O que é isso?
19:08Hannah Arendt dizia o seguinte, o totalitarismo, as ditaduras,
19:12elas não existem por causa de grandes monstros.
19:16Elas existem por causa do pequeno funcionário,
19:21o servidor público,
19:23que só está cumprindo ordens pensando na sua aposentadoria.
19:28É graças a esses funcionários,
19:32meros cumpridores de ordens,
19:35que o mal triunfa.
19:37E agora eu queria lembrar a parte pitoresca dessa notícia,
19:43porque dizem que na União Soviética
19:45havia uma piada muito conhecida.
19:48E a piada era assim,
19:50um sujeito estava andando pela rua gritando,
19:53o presidente é um idiota,
19:55o presidente é um idiota.
19:57Aí veio a polícia política,
20:00abordou o cidadão e deu voz de prisão ali na hora.
20:04E aí o cidadão se explicou,
20:07mas senhor policial,
20:09eu estava falando do presidente da Ucrânia.
20:14Aí o policial olhou para o homem e disse,
20:18você não engana a gente,
20:20todo mundo sabe muito bem
20:22quem é o idiota.
20:25Deixa eu passar para o Cristiano Beraldo,
20:27só para fechar essa discussão
20:30e as reflexões que eles estão fazendo dessa notícia.
20:34Você, Beraldo,
20:35te preocupa que isso se transforme talvez em um padrão,
20:39em um ano eleitoral,
20:40em que espera-se que figuras que postulam cargos importantes
20:46critiquem uns aos outros,
20:49mas que em algum momento alguns não possam mais
20:51ou se sintam ameaçados?
20:56Caniato, isso que nós estamos vendo
20:58é de um absurdo indescritível.
21:02Alguém coloca uma faixa,
21:04se manifesta,
21:05não cito o nome de ninguém,
21:07coloca lá uma faixa.
21:09A carapuça serve
21:11e aí ele recebe a visita da polícia.
21:14Eu me lembro, Caniato,
21:15na época do impeachment da Dilma,
21:18à esquerda no Rio de Janeiro,
21:21os militantes escreveram
21:23morte a Eduardo Cunha,
21:27fora Cunha
21:28e tantas outras ofensas a Eduardo Cunha
21:32pela cidade inteira.
21:34Aquilo me chamava atenção
21:35porque era alguém pedindo a morte
21:38de alguém de forma pública.
21:41Isso não gerou absolutamente nenhuma consequência.
21:44Não é sabido que a polícia
21:46tenha feito diligências
21:48em cima das pessoas responsáveis
21:51por essas manifestações.
21:53Quando nós observamos hoje
21:55uma faixa
21:58incomodando
21:59o presidente da República
22:01e a polícia,
22:03que deveria ser um órgão do Estado brasileiro,
22:07se sentindo impelida
22:09a fazer algum tipo de abordagem
22:12a um cidadão brasileiro,
22:15consolidando que hoje
22:17não é mais possível
22:18contarmos com a plenitude
22:20da nossa liberdade de expressão,
22:23isso demonstra um país
22:24completamente doente.
22:26De novo,
22:29essa nossa lida
22:30de estar aqui
22:31emitindo opinião,
22:34sendo duro,
22:34e eu sou aqui, talvez,
22:36o que mais vezes sou duro
22:39com as instituições,
22:41com algumas pessoas,
22:43isso se tornou uma atividade
22:44de grande risco.
22:46E não há nada
22:47garantindo que não haverá repercussão,
22:50porque tudo pode acontecer
22:53no Brasil,
22:54tudo é possível.
22:56As coisas mais absurdas
22:58se tornaram cotidianas.
23:01portanto,
23:02Caniato,
23:03eu desconheço
23:04esse Brasil,
23:06eu não sei
23:06que país é esse,
23:08que o nosso Brasil
23:09se transformou,
23:10mas é urgente
23:11que a gente
23:12retome
23:14esse Brasil
23:14para nós,
23:15que este Brasil
23:17volte a ser
23:17uma verdadeira
23:18democracia,
23:20que a população
23:22volte a ser
23:24representada
23:25por aqueles
23:25que defendem,
23:26de fato,
23:27os seus interesses
23:28e não apenas
23:30defendam
23:30interesses mesquinhos
23:32e individuais
23:33no exercício
23:34da função pública.
23:35Bruno,
23:36você não acha
23:37que esse
23:38acaba sendo
23:39um episódio
23:40que preocupa
23:41quando nós estamos
23:42em um ano eleitoral?
23:45Daqui a pouco
23:45as campanhas
23:46começarão, né?
23:47E é normal
23:48que uns
23:50critiquem os outros,
23:51critiquem as instituições,
23:54falem que
23:54fulano
23:55não trabalha direito,
23:56não fez o que
23:57deveria ser feito,
23:58talvez alguns
23:59se utilizem
23:59de uma palavra
24:00um pouco mais forte,
24:01mais firme,
24:02enfim,
24:03queria que você
24:05externasse
24:05a sua avaliação
24:07ou até
24:08a sua preocupação
24:09para esse tipo
24:10de movimentação
24:11que aconteceu
24:12no interior
24:12em um ano eleitoral.
24:16Exatamente
24:17o que eu acabei
24:18de mencionar,
24:18porque não tem a ver
24:19apenas
24:20com uma faixa,
24:22tem a ver
24:23com a destruição
24:25de um dos pilares
24:26fundamentais
24:27de toda e qualquer
24:28sociedade
24:28que quer prosperar,
24:29que quer prosperar
24:31numa relação
24:31entre pessoas,
24:32que quer
24:33numa relação
24:34profissional,
24:35pessoal,
24:35familiar,
24:36onde quer que seja,
24:37e principalmente
24:37da relação
24:39da sociedade
24:39com o governo.
24:41Eu costumo
24:42falar essa frase,
24:43vou tentar explicar
24:43um pouco mais.
24:44É óbvio
24:45que
24:46o governo
24:47detém o monopólio
24:49da violência.
24:50O que significa isso?
24:51que a gente
24:52não tem
24:53como recorrer
24:54a eles.
24:55Contra quem
24:56você vai recorrer
24:57se a Polícia Federal
24:59faz esse tipo
24:59de coisa
25:00dentro da sua casa?
25:01Onde nós estamos
25:02a salvo?
25:03Onde nós podemos
25:04nos posicionar?
25:06Num ambiente
25:07apenas de jantar
25:08com celulares
25:08desligados,
25:09porque de repente
25:10um site,
25:11um buscador
25:11hoje em dia
25:12te escuta falando
25:13e aquilo já pode
25:15vazar de alguma maneira?
25:16Que nível de exposição
25:18nós chegamos?
25:18A gente
25:19veio falando agora
25:21que o governo
25:22também quer saber
25:22aonde você vai se hospedar,
25:24como você vai se hospedar,
25:25como você vai fazer
25:25esse registro.
25:27Será que não percebemos
25:28que cada vez mais
25:29um governo
25:31populista
25:32que criticava
25:33isso há pouco tempo
25:34mantém todos
25:35os seus dados,
25:36suas viagens,
25:37seus gastos,
25:38seu cartão de crédito,
25:40pra onde vai,
25:40pra onde não vai,
25:41em sigilo.
25:42Mas a gente
25:43na nossa casa
25:44sequer podemos
25:45expor uma frase
25:47de ladrão.
25:48que ele não falava
25:50a quem estava
25:51sendo atribuído.
25:53E repito,
25:54nós temos uma
25:55constituição
25:56pra que se você
25:57aponta o dedo
25:58pra alguém
25:58sem provas,
25:59você vai responder
26:00por aquilo.
26:01Mas calar a pessoa?
26:03Então eu não vou
26:04falar apenas
26:04da faixa.
26:05Eu tô falando
26:06que nós passamos
26:07uma linha
26:07que ela não é tênue.
26:10Ela é muito clara.
26:11E a linha
26:12do falta de respeito
26:13à propriedade privada.
26:14E a coisa vai acontecer
26:15aos poucos.
26:16E aquela famosa
26:17frase ou ditado
26:18do sapo
26:19na panela.
26:20Se você coloca ele
26:21numa panela
26:21com água fervendo,
26:23ele simplesmente
26:23vai estourar.
26:24Se você vai
26:25esquentando água
26:26aos poucos,
26:27as pessoas vão
26:27acostumando.
26:28E nós vamos
26:29acostumando que
26:30um governo
26:31que toma
26:32quase metade
26:33ou metade
26:34daquilo que nós
26:34produzimos,
26:35agora sequer
26:36nos permite
26:37que nós tenhamos
26:38uma opinião.
26:39Porque eles
26:40têm que ter
26:41um monopólio
26:42inclusive da opinião.
26:43Mas são eles
26:44que julgam dizer
26:45que defendem
26:46a própria liberdade.
26:47Desde que sempre
26:48você opine
26:49igual eles.
26:50Se não,
26:50é melhor nos calarmos.
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