Em uma votação apertada de 6 a 4, a CPI do Crime Organizado rejeitou o polêmico relatório do senador Alessandro Vieira. O texto pedia o indiciamento de peso contra os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do PGR Paulo Gonet.
Analisamos os bastidores dessa rejeição, a estratégia de blindagem do governo no Senado e o que acontece agora com as investigações que miravam a cúpula do Judiciário.
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#CPIdoCrime #STF #SenadoFederal #Blindagem #AlexandredeMoraes #GilmarMendes #Política
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NotíciasTranscrição
00:00A CPI do Crime Organizado do Senado rejeitou, na terça-feira, por seis votos a quatro,
00:06o relatório do senador Alessandro Vieira, que pedia o indiciamento dos ministros
00:12Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do STF,
00:18além do procurador-geral da República, Paulo Gonê, por crimes de responsabilidade.
00:23Caso fosse aprovado pela maioria da CPI, o pedido poderia levar a uma solicitação de impeachment
00:29das quatro autoridades.
00:30Com a rejeição do documento, a comissão parlamentar de inquérito terminou sem relatório final.
00:37O governo Lula e a sua base no Senado articularam uma alteração na composição do colegiado
00:44para a votação do relatório final.
00:47Parlamentares que tendiam a votar a favor do documento foram substituídos por outros que votariam contra.
00:54O objetivo era enterrar o relatório de Alessandro Vieira.
00:59A base governista não gostou dos pedidos de indiciamento dos ministros do Supremo
01:04e do procurador-geral da República.
01:07Os pedidos desagradaram também integrantes do próprio STF.
01:11Gilmar Mendes chegou a comparar o trabalho da CPI com o lavajatismo na terça-feira.
01:18Vamos ouvir.
01:20Diante de iniciativas que parece se repetir agora, não podemos ouvidar o que ocorreu naquela
01:29quadra com o messianismo e as práticas totalitárias da Lava Jato, sustentadas por um punitivismo
01:36inebriado com a expectativa de popularidade.
01:42E é com base nessa experiência que devemos agora nos acautelar, não nos permitindo envolver
01:49em uma maré de denuncismo e adentrar incauta e irresponsavelmente em uma espiral de desconfiança
01:57nas instituições, sobretudo quando a instituição sob ataque é uma das grandes responsáveis
02:03pela estabilidade que o país ora goza.
02:09Devemos ter cautela para não repetir erros e equívocos recentes, pois insisto, há um
02:16quê de lavajatismo e todos sabem, lavajatismo aqui não rima com coisa boa nessas iniciativas
02:26de se tentar emparedar o poder judiciário.
02:29Uma tentativa de manietar juízes independentes.
02:36O lavajatismo lembra Moro, lembra Dallagnol, lembra Janot de triste memória.
02:47Ou alguém não sabe que às três horas da tarde Janot já estava bêbado.
02:54Ou alguém não sabe que nós recebemos denúncias, muito provavelmente denúncias aqui,
03:00feitas por alguém inimputável.
03:03É esse o quadro.
03:05Eu não gostaria de ficar relembrando coisas tristes.
03:09Mas me chamaram para dançar.
03:12É preciso que a gente chame as coisas pelo nome.
03:20O heróide, então, o Janot,
03:23era essa triste figura.
03:29Que a partir das três horas da tarde já convidava os seus interlocutores
03:33para tomar uma grapa.
03:36E que no final do dia já estava bêbado.
03:40Gilmar Mendes ainda afirmou que adora ser desafiado.
03:45Eu, como sabem, adoro ser desafiado.
03:52Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem
03:56não me convide para dançar, porque eu posso aceitar.
04:02Adoro ser desafiado.
04:05Me divirto com isso.
04:08Mas outros se acoelham.
04:10Tem medo.
04:13E essa assombração, também dizemos no interior,
04:17aparece.
04:18Para quem acredita nisso.
04:20Então é preciso que a gente esteja atento.
04:23Inclusive para dizer
04:24para aqueles que têm medo de assombração
04:26que eles não existem.
04:30Que são fantasmas.
04:32Que não amedrontam.
04:37O ministro ainda disse que Alessandro Vieira se esqueceu
04:42de seus colegas milicianos ao elaborar o relatório.
04:45Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados
04:53por parte do senador, relator, deste caso,
04:58eu disse
04:58é curioso.
05:02Ele se esqueceu dos seus colegas milicianos
05:07e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal
05:12por ter
05:15concedido um habeas corpus.
05:19Mas só esse fato narrado
05:22mostra exatamente que nós descemos muito
05:26na escala das
05:29degradações.
05:31Eu queria fazer
05:32esse registro
05:33porque reputo que
05:34a situação
05:35é grave
05:37e exige
05:38um posicionamento.
05:42Dias Toffoli também reagiu.
05:44Ele classificou o relatório de Vieira
05:46como abuso de poder
05:48e alertou para a possível declaração
05:50de inelegibilidade
05:52do senador.
05:55Bem, senhor presidente,
05:58não posso deixar de
05:59também dizer
06:00das oportunas palavras
06:02que vossa excelência hoje dirige
06:04em relação
06:05a essa
06:07situação
06:08de excrescência
06:10de um relatório
06:11completamente infundado,
06:13sem base jurídica,
06:14sem base
06:15em verdade factual
06:16e com um único
06:18e nítido
06:19sentido
06:20de obter votos.
06:21Isso, senhor presidente,
06:23é abuso de poder.
06:24Isso pode levar, inclusive,
06:26à inelegibilidade.
06:28Isso pode levar
06:29não só em sanções
06:31em outras áreas,
06:33como vossa excelência
06:34já mencionou
06:36na fala de vossa excelência,
06:39quando
06:39disse a respeito
06:41à necessidade
06:42de uma atuação
06:43do Ministério Público,
06:45voto, mas também
06:46da justiça eleitoral.
06:47E a justiça eleitoral
06:49não faltará
06:50impunir aqueles
06:51que abusam
06:52do seu poder
06:52para obter voto
06:54num proseletismo
06:55eleitoral.
06:58Porque
06:58tem que se pôr
07:00fim
07:01imediato
07:02a essa
07:02sanha
07:03de que
07:04atacar
07:05determinadas
07:06instituições
07:07dá voto.
07:08Atacar instituições
07:09é atacar
07:10o Estado Democrático
07:11de Direito,
07:12é atacar
07:13a democracia.
07:14E isso é abuso
07:15de poder,
07:16ministro Nunes Marques,
07:17vossa excelência,
07:18que estará presidido
07:18no Supremo Tribunal Federal,
07:20ministro
07:21André Mendonça,
07:23que será o
07:24vice-presidente,
07:25pelo que eu soube,
07:27na data de hoje
07:27deve ser realizada
07:29as eleições
07:30na Corte
07:32Superior Eleitoral.
07:34nós não
07:35podemos
07:36deixar
07:36de nos
07:36furtar
07:37a caçar
07:41eleitoralmente
07:42aqueles
07:43que abusaram
07:46atacando
07:47as instituições
07:48para obter
07:50voto
07:50e conspucar
07:51o voto
07:51do eleitor.
07:53E para falar
07:55sobre o fim
07:55da CPI
07:56do crime organizado
07:57e dessas declarações
07:58dos ministros,
07:59estamos ao vivo
08:00com o senador
08:01Alessandro Vieira.
08:02Senador,
08:03boa tarde,
08:04muito obrigado
08:05por participar aqui
08:05do Meio Dia em Brasília.
08:07Dos meus tempos
08:08de estudante de direito,
08:09eu aprendi que os juízes
08:10falavam pelos altos.
08:12Hoje em dia,
08:13os juízes gostam
08:14de falar alto,
08:15falar sobre política,
08:17emitir opiniões,
08:19pré-conceitos
08:20sobre o que eles acham
08:21que deveria acontecer.
08:22Dentro desse diapasão,
08:24como é que o senhor
08:24analisa a reação
08:26dos ministros
08:27Gilmar Mendes
08:27e Toffoli
08:28diante do seu relatório?
08:32Você percebe aí,
08:34boa tarde,
08:35uma espécie de mistura
08:37de arroz e medo.
08:39Não há nenhum tipo
08:40de negativa
08:41ou rejeição
08:42dos fatos
08:43que são relatados,
08:44há apenas ataques
08:45à figura
08:47do Congresso Nacional,
08:50com ameaças diretas,
08:52ameaças de processo.
08:54E veja,
08:56é muito peculiar
08:56essa conduta
08:57porque ela repete
08:59um certo padrão.
09:00A toda vez
09:01que você tenta
09:03a conduta
09:04individual
09:04de ministros,
09:06a reação é essa,
09:07é uma politização,
09:09uma tentativa
09:10de confundir
09:10a figura do ministro
09:11com a figura
09:12da justiça
09:13ou mesmo
09:14da democracia.
09:16Nada disso
09:16existe à luz do sol.
09:19É só
09:20narrativa
09:21para tentar
09:22distrair a atenção
09:23dos fatos
09:23que foram apontados
09:24e que são fatos graves.
09:26Nenhum deles
09:26teve resposta
09:27até o momento.
09:31Rodolfo Borges,
09:32muito boa tarde.
09:33Peço que participe
09:34aqui também.
09:35Senador,
09:35boa tarde.
09:36Acho que mesmo
09:37com a não aprovação
09:39do seu relatório,
09:40fica claro
09:41que o efeito dele
09:42está posto aí.
09:43O senhor conseguiu
09:44incomodar os ministros
09:45do STF
09:45e já tem algo
09:47a se celebrar por aí.
09:48Eles estão incomodados,
09:49de fato,
09:50eles estão desconfortáveis.
09:51Mas eu queria aproveitar
09:52para o senhor explicar
09:52um pouco
09:53qual é o seu objetivo
09:55ao fazer esse relatório.
09:56Por quê?
09:57Porque hoje
09:58tem muita gente
09:58questionando
09:59e dizendo
10:00que esse relatório
10:01teria sido
10:01feito de forma irresponsável.
10:04Era um desvio
10:05do que era
10:06o escopo original
10:07da CPI.
10:09Agora,
10:09o histórico recente
10:10dos ministros do STF
10:11é de que eles
10:12não vão permitir
10:13nenhuma investigação
10:14sobre eles,
10:15inclusive a forma
10:16como eles se comportaram
10:17ontem
10:17deixou isso bem claro.
10:19Então,
10:19o senhor até falou
10:20sobre isso antes mesmo
10:21da sessão ontem
10:22da CPI,
10:23de que não seria
10:25o judiciário
10:26exatamente
10:27o responsável
10:28por conduzir
10:29esse processo
10:30de investigação,
10:31porque era um crime
10:31de responsabilidade.
10:32Então,
10:33não necessariamente
10:33esse relatório,
10:35como é de costume,
10:35iria parar na mão
10:36do Procurador-Geral da República.
10:38Mas ele iria parar
10:39na mão de quem,
10:40caso fosse aprovado?
10:41No presidente do Senado?
10:42E eu pergunto isso por quê?
10:44Todas as tentativas hoje,
10:46inclusive dentro do Senado,
10:47de investigar,
10:48e o que está falando aqui
10:49sobre condenar,
10:50é de investigar,
10:51começar uma investigação
10:52sobre o ministro do STF,
10:54ela não tem autorização
10:56para acontecer
10:56nem da parte do STF
10:58e nem, por enquanto,
10:59da parte do Senado.
11:00E eu,
11:01essa pergunta,
11:02eu mando junto com outra.
11:03A partir de agora,
11:04o que pode ser feito
11:06para se investigar
11:07um ministro do STF?
11:10Veja,
11:10os caminhos
11:11para a apuração
11:12da conduta
11:13de um ministro,
11:14eles estão postos
11:15na legislação
11:15e na Constituição.
11:17Se é um crime comum,
11:19a ação é privativa
11:20do Procurador-Geral da República
11:22e o julgamento
11:22vai se dar
11:23no próprio Supremo.
11:24Nunca aconteceu na história.
11:26Se o julgamento
11:27é por crime de responsabilidade,
11:28cuja consequência
11:29é o impeachment,
11:31aí o legitimado
11:32constitucional
11:33para o processo
11:34e para o julgamento
11:35é o Senado.
11:36Também nunca aconteceu
11:37na nossa história.
11:38O que eu tenho defendido
11:40é a extrema necessidade
11:41de apuração
11:42de condutas.
11:43Porque ministros,
11:45por mais que usem
11:45uma patoga
11:46e tenham uma percepção
11:48de si equivocada,
11:49são seres humanos.
11:50Eles erram,
11:51eles podem cometer crimes.
11:53A conduta deles
11:54precisa ser apurada,
11:56sindicada,
11:57quando surgem indícios.
11:58E foi o que aconteceu
11:59ao longo da CPI.
12:01Surgiram indícios,
12:02na minha visão,
12:04de fato,
12:04não figuram
12:05que se amoldam
12:05a definição
12:06do crime de responsabilidade.
12:08isso está detalhadamente
12:09colocado
12:10nos autos
12:12do relatório.
12:13Não tem invenção,
12:15não tem narrativa,
12:17não tem logia,
12:17não tem nada disso.
12:19Tem fatos concretos
12:20que nunca foram
12:21negados
12:22ou refutados
12:23pelos envolvidos
12:24e que, na minha visão,
12:25seguram
12:26o cometimento de crime.
12:27Pode ter gente
12:28que ache
12:28que carona e jatinho
12:30é conduta
12:31típica
12:32e compatível
12:33com a moralidade
12:33do magistrado.
12:34eu acho
12:34que não.
12:36Entendo que não.
12:37Seguramente,
12:38muita gente como eu
12:39entende que não.
12:40Contratos milionários
12:42e o ministro
12:42persistir atuando
12:44em processo,
12:46me parece que está.
12:48mas é sempre
12:49muito difícil
12:50você quebrar
12:50resistências
12:51de quem está
12:52acostumado
12:53com a impunidade,
12:54quem está encastelado
12:55no poder.
12:56Dá trabalho,
12:57mas cada etapa
12:58desse aí,
12:58respondendo o relatório,
13:00no caso dos crimes
13:01de responsabilidade,
13:02seria remetido
13:02à mesa diretora
13:03do Senado.
13:05Pela legislação,
13:05caberia a mesa diretora
13:07receber,
13:08despachar para uma
13:08comissão especial
13:09e depois levar
13:10à votação
13:11do plenário.
13:12Mas esse rito,
13:14esse tramitar
13:15depende do despacho
13:16de uma única pessoa
13:17que é o presidente
13:17da casa,
13:18o senador Davi Alcolume.
13:20E agora vamos
13:21para uma última
13:21pergunta do nosso
13:22repórter Guilherme Heske.
13:24Boa tarde, senador.
13:25Obrigado pela participação
13:27aqui no programa.
13:28Pergunto para o senhor,
13:28o senhor pretende,
13:29apesar da rejeição
13:30do relatório do senhor
13:31pela CPI do crime organizado,
13:32o senhor pretende levar
13:33esse relatório
13:34para a Polícia Federal?
13:37Não, acho que a Polícia Federal
13:38já tem acesso
13:39a essas informações todas.
13:41O que a Polícia Federal
13:43não tem
13:43e certamente vai enfrentar
13:45uma imensa dificuldade
13:46é a autorização,
13:49a legitimidade
13:50para investigar a conduta
13:51quando ela chega
13:52aos ministros.
13:53Dos ministros para baixo
13:54aí tudo acontece,
13:55tudo é permitido.
13:56Dos ministros, não.
13:58O que a gente vai fazer
13:59é dar encaminhamento
14:00aos vários projetos
14:01porque, veja,
14:02ao votar contra o relatório,
14:04esses seis senadores
14:06votaram contra o aumento
14:07do orçamento
14:08da Polícia Federal,
14:09votaram contra
14:10a criação de mecanismos
14:12de aumento
14:13da transparência,
14:14da evolução patrimonial
14:15de políticos,
14:16de pessoas politicamente expostas.
14:18Eles votaram contra
14:19uma série de coisas
14:20que eles não levaram
14:20muito em consideração
14:21na hora,
14:22até porque pelo menos
14:22dois deles
14:23nunca passaram na CPI,
14:24só foram incluídos
14:25para votar contra.
14:27Então, tem coisas
14:28que vão ainda acontecer
14:29em consequência
14:30do relatório,
14:32mas esse ponto
14:33que chama mais atenção hoje,
14:35que é conduta
14:36de ministros,
14:37isso aí vai exigir
14:38novos procedimentos
14:40que podem ser
14:41uma CPI,
14:42que pode ser diretamente
14:42um pedido de impeachment
14:43e que passam
14:44pelo despacho
14:45do presidente
14:45da Via Columbre.
14:46É para quem diz,
14:47ah, mas não consegue
14:48superar a barreira
14:49da presença
14:50da Via Columbre.
14:51Presidentes ditos,
14:52em fevereiro
14:53do próximo ano,
14:54vai ter uma nova eleição
14:55para o presidente
14:55solucionado.
14:56Então,
14:57o conhecimento
14:58e a capacidade
14:59de resiliência
15:01apontam que sim,
15:02a gente vai chegar
15:03em algum momento
15:04de avançar
15:05nessas apurações
15:05tão necessárias.
15:06de avançar
15:10Tchau, tchau.
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