00:00O que a sociedade, o que o cidadão espera de um magistrado?
00:08E por que não dizer, compartilho com vocês, espera de um homem público,
00:14também nas outras esferas dos outros poderes?
00:19Em primeiro lugar, imparcialidade.
00:24Imparcialidade é você olhar para as pessoas de modo igualitário.
00:30É você considerar os interesses envolvidos de forma equânime.
00:37É você não privilegiar amigos.
00:40É você não perseguir inimigos.
00:45Esse é um compromisso que eu faço na Casa do Povo de São Paulo.
00:50Em buscar ser imparcial.
01:00Eu vejo a imprensa falar, ah, porque ali tem uma proximidade religiosa,
01:05porque ali tem uma proximidade histórica,
01:08porque ali não agiu corretamente com ele em determinado momento,
01:13ele vai beneficiar a e vai prejudicar a B.
01:16Eu não tenho esse direito.
01:19A missão que me foi investida não me dá esse direito.
01:25Seja a missão pública, seja a minha fé.
01:31Aliás, eu fui ensinado a orar pelos que me perseguem.
01:38Para abençoar, inclusive, a esses.
01:43Então, é um compromisso que faço.
01:46Mesmo sendo imperfeito, eu vou buscar ser imparcial.
01:51Segundo compromisso, integridade.
01:56O bom magistrado, o bom homem público, precisa ser íntegro.
02:00Não é que nós somos imunes a erros, a equívocos,
02:06a estar numa situação que, em alguma medida,
02:11possa gerar uma falta de compreensão.
02:14Os senhores sabem, os senhores são homens públicos,
02:17às vezes nós estamos próximos às pessoas,
02:19e não temos relação com as pessoas,
02:22mas, simplesmente, por uma presença,
02:25num determinado momento em comum com uma determinada pessoa,
02:30isso pode gerar uma incompreensão na sociedade.
02:34Nós não estamos imunes a incompreensões,
02:37mas nós precisamos estar imunes a ações que comprometam,
02:43de forma substancial, de forma voluntária,
02:47de forma consciente,
02:49a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado.
02:54Isso acaba exigindo de nós um grau de recatamento,
02:58no bom sentido da expressão,
03:02uma capacidade de, por vezes,
03:05não fazer todas as coisas que nos são lícitas,
03:08porque nem todas nos convêm.
03:12Eu imagino os senhores deputados e deputadas que convivem
03:16e precisam, a cada quatro anos, pelo menos, pedir voto a todas as pessoas.
03:22Não há, necessariamente, uma afinidade com todos os que votam
03:27e convivem com os senhores em termos de comportamento.
03:30E isso o submete a situações que pode gerar uma falta de compreensão sobre a sua conduta.
03:40Isso acontece também com o magistrado, mas o magistrado precisa ter um grau de contenção a mais.
03:47um grau de prudência maior.
03:51O bom magistrado precisa ser prudente
03:54e precisa ser íntegro.
03:57O deputado André do Prado falou
03:59fazer o certo
04:00do modo,
04:02pelos motivos certos.
04:05Há, aqui,
04:07por trás dessa frase,
04:09há um terceiro elemento que antecede, na verdade, a esses outros dois.
04:15Mas, por trás dessa frase,
04:17filosofia cristã
04:18e um grau de filosofia kantiana,
04:27integridade
04:29demanda saber o que é certo.
04:31Porque tem gente que sequer sabe o que é o certo.
04:34Mas também tem gente que sabe o que é o certo
04:37e é inerte.
04:40Na igreja, pastores, nós sabemos disso.
04:43Tem gente que sabe o que é certo,
04:46mas não faz o que é certo.
04:49É preciso saber o que é certo.
04:51Em segundo lugar,
04:53fazer o que é certo.
04:55Mas também não basta saber e fazer.
04:58É preciso saber e fazer pelos motivos certos.
05:02Porque, às vezes, nós fazemos por vaidade.
05:06Às vezes, fazemos porque buscamos um reconhecimento.
05:11Às vezes, fazemos para obter algo que nós desejamos.
05:18Fazer o certo pelos motivos certos.
05:21É fazer independentemente de reconhecimento.
05:25Por vezes, é fazer e não ter reconhecimento.
05:31E ser criticado por fazer o certo.
05:36Obrigada.
05:36Obrigada.
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