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A CPI do Crime Organizado no Senado entra na reta final com prazo até 14 de abril de 2026. O foco é investigar conexões financeiras entre facções criminosas e estruturas de poder. O relator Alessandro Vieira busca assinaturas para prorrogar os trabalhos por mais 60 dias. Lucas Mehero e Roberto Motta comentaram.

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Transcrição
00:00A gente vai lá pra Brasília agora, a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação do crime organizado no
00:06Brasil entra na reta final.
00:08A CPI tem previsão de encerrar os trabalhos em 14 de abril.
00:13O Igor Damasceno conta mais informações pra gente.
00:16Se a CPI tem, enfim, algum fundamento pra prosseguir, pra avançar depois do dia 14 de abril, Igor, ou deve
00:23parar no dia 14 mesmo. Bom dia.
00:28Tudo bem, Paula? Bom dia mais uma vez a você, ao Evandro e a todos que nos acompanham.
00:33Pois é, se depender do relator dessa CPI, que é o senador Alessandro Vieira, a comissão deve prorrogar os trabalhos
00:41por pelo menos mais 60 dias.
00:43É que ele quer focar agora na atuação do crime organizado ali na Faria Lima, que é o palco do
00:50mercado financeiro no país.
00:52A avaliação do relator é que o crime organizado não está mais somente ali no tráfico de drogas, no tráfico
01:00de armas.
01:01Ele se envolveu com as fintechs, se envolveu com o mercado imobiliário e todo o mercado financeiro.
01:08Então, nesta segunda parte da comissão, Alessandro Vieira quer focar na atuação do crime organizado no mercado financeiro.
01:16Por isso, ele deve procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pedir mais 60 dias dos trabalhos.
01:24A comissão que, como você bem adiantou, Paula, deve encerrar os trabalhos inicialmente em 14 de abril.
01:32A CPI do crime organizado sabe que as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal colocaram fim, enterraram a CPMI do
01:41INSS.
01:42Ou seja, existem algumas barreiras.
01:44Isso porque o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, procurou Davi Alcolumbre para também prorrogar os trabalhos daquela
01:54comissão em 60 dias.
01:55Alcolumbre nunca se manifestou sobre isso. Está em silêncio desde o início do ano em torno deste assunto.
02:02Então, Carlos Viana acabou judicializando esse pedido, pediu ao Supremo para que os trabalhos fossem prorrogados.
02:10Inicialmente, uma decisão monocrática do ministro André Mendonça acabou acatando esse pedido,
02:16mas, por maioria de votos, o STF enterrou a CPMI do INSS.
02:21Sabendo desse histórico, o senador Alessandro Vieira, ele sabe muito bem que existem alguns obstáculos a serem enfrentados na prorrogação
02:32desse trabalho.
02:33Então, a estratégia política dele é justamente despolitizar a CPI do crime organizado.
02:40A grande acusação à CPMI do INSS é que ela estava sendo utilizada como trampolim político para alguns parlamentares que
02:49vão se candidatar
02:50e as falas serviam apenas para recortes a serem publicados nas redes sociais.
02:56Então, Alessandro Vieira quer evitar essa fama também na CPI do crime organizado.
03:02Tanto é que os próximos depoentes são pessoas ligadas à Lula e à Bolsonaro, à esquerda e à direita.
03:10Ele conseguiu aprovar, mais uma vez, um requerimento do Roberto Campos Neto,
03:15que é o ex-presidente do Banco Central na gestão de Jair Bolsonaro.
03:21Campos Neto havia conseguido um habeas corpus para não comparecer à CPI,
03:25mas agora um novo requerimento foi aprovado e os parlamentares também esperam o atual presidente da Corte de Finanças,
03:34o Banco Central, que é o Gabriel Galípolo.
03:37Então, a CPI do crime organizado, para não ficar com fama de politizada,
03:42ela aprova requerimentos da esquerda e da direita.
03:45E isso também é uma estratégia para evitar um silêncio de Davi Alcolumbre quando ele for procurado
03:52e, se necessário, quando for judicializado esse tema no STF,
03:56não conseguir que tenha o mesmo fim que a CPMI do INSS.
04:02Então, os trabalhos, eles se encerram inicialmente em 14 de abril,
04:06mas o relator quer mais 60 dias e está disposto a pagar o preço por isso.
04:12Paula, Evandro.
04:14A ver o que vai acontecer nos próximos capítulos.
04:17Obrigada, Igor, pelas suas informações.
04:18Quero chamar os nossos comentaristas.
04:20Vou começar com o Mota.
04:21Mota, antes crime organizado, a gente conhecia como PCC, Comando Vermelho,
04:26e aí agora a gente tem, incluindo nas investigações, as fintechs, a Faria Lima,
04:31enfim, o mercado financeiro.
04:32Como que você vê a CPI do crime organizado ganhando novas frentes,
04:38como é o caso das investigações agora, de envolvimentos aí, como o do Daniel Vorcaro?
04:45Busca de holofotes.
04:47É assim que eu vejo, Paula.
04:48Vamos aguardar o relatório para fazer um julgamento com base nos fatos.
04:54Agora, o crime organizado no país é representado pelas facções, todo mundo sabe disso.
04:59É lógico que há braços do crime no mercado financeiro, é lógico.
05:04Mas esse deveria ser o foco?
05:07O que parece mesmo é que a CPI decidiu buscar os holofotes da mídia,
05:12inclusive convocando pessoas sem qualquer ligação com o crime organizado,
05:17como Roberto Campos Neto e outros ministros, figuras ligadas a Jair Bolsonaro.
05:23O simples fato de você ser convocado para uma CPI do crime organizado é uma ofensa,
05:31é evidente que é.
05:32E aí dizem que estão chamando gente da esquerda e da direita como se isso fosse um grande mérito,
05:40uma demonstração de sabedoria.
05:42Isso é a prova de que a CPI virou um trampolim político.
05:46É sempre importante lembrar que esse senador, o relator,
05:50ele foi o autor do projeto das fake news,
05:53que tinha como objetivo censurar as redes sociais.
05:57Então, desconfiança é recomendável.
06:01E para você, Lucas Merreiro,
06:03há também a necessidade de uma desconfiança,
06:05digamos, além do limite em relação a essa CPI?
06:11Levador, desconfiança sempre é bom,
06:13a partir de iniciativas que vêm do poder público.
06:15Além do limite, eu já não concordo.
06:18Eu tenho uma visão um pouco diferente do Mota em relação a isso.
06:21Eu acho que a CPI, melhor dizendo,
06:24ela se mostrou necessária.
06:27Ela parte, vamos lembrar aqui,
06:29a partir daquela operação Carbono Oculto,
06:32que foi feita lá em agosto de 2025,
06:35onde uma operação da Polícia Federal
06:37entrou nos escritórios da Faria Lima
06:39e descobriu que lá haviam gestoras,
06:42sobretudo a REAG, fundada pelo senhor João Carlos Mansur,
06:46vamos lembrar aqui,
06:47que estavam gerindo fundos ligados ao PCC,
06:50ligados ao crime organizado.
06:52E a partir daí vem essa CPI do crime organizado,
06:55que ela existe não apenas para investigar o PCC,
06:59o Comando Vermelho, o TCP,
07:00enfim, as organizações, as facções criminosas,
07:03como nós conhecemos,
07:04mas entender também qual é a ligação
07:07dessas facções criminosas com o poder público
07:10e com o poder econômico também.
07:12É para isso que existe essa CPI
07:14e por isso que é fundamental
07:17investigar, ou melhor dizendo,
07:18ouvir pessoas ligadas ao escândalo do Banco Master.
07:22Porque a REAG, que foi essa gestora que eu falei,
07:25que estava profundamente ligada ali,
07:27supostamente, segundo a Polícia Federal,
07:29com o PCC,
07:30ela tem um profundo envolvimento com o Banco Master.
07:33E por isso que é importante a gente entender
07:35que esses escândalos,
07:36eles não são fatos completamente isolados,
07:39não, pelo contrário,
07:40eles estão profundamente interligados.
07:42O escândalo do Banco Master
07:44está interligado com o escândalo do INSS,
07:46está interligado também com o escândalo
07:48investigado pela Operação Carbono Oculto,
07:50está interligado com várias coisas.
07:52Então a gente não pode entender esses fatos
07:55meramente como questões isoladas,
07:57e sim como uma teia de relações
07:59que eram administradas ali muito
08:02por agentes ligados ao Banco Master.
08:04Por isso que é importante que essa CPI continue,
08:07ela tenha seu prazo prorrogado,
08:08porque ainda tem muitas respostas
08:10que precisamos alcançar.
08:11Obrigado.
08:12Obrigado.
08:12Obrigado.
08:12Obrigado.
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