00:00Informações também com o nosso repórter lá de Brasília, Igor Damasceno, que já tá na tela aqui com a gente,
00:04Igor.
00:04Qual o seu destaque do dia?
00:09CPI do Crime Organizado remarca a oitiva do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, para 14 de abril.
00:17A atuação crescente das facções criminosas no Estado será o mote desta oitiva.
00:23Olha, pessoal, na próxima terça-feira estava marcado ali na CPI do Crime Organizado, que tramita no Senado Federal, a
00:31oitiva, o depoimento de Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro.
00:36É considerado um depoimento extremamente estratégico, porque ele governava um Estado onde há atuação forte, presente, de facções criminosas.
00:48Inclusive, essas facções estão se ramificando para outros Estados do país e até mesmo para outros países da América Latina.
00:57Então, o objetivo de questionar a Cláudio Castro é como a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, na
01:04gestão dele, combateu esse aumento da presença de facções criminosas pelo Estado.
01:10De que forma esses membros faccionados eram combatidos ali no Estado do Rio de Janeiro.
01:17No entanto, Cláudio Castro pediu e a CPI acatou para que o depoimento não seja mais feito nesta terça-feira,
01:25e sim na terça-feira da outra semana, no dia 14 de abril.
01:30Agora, o governador do Distrito Federal, Ibanez Rocha, ele vai ter o depoimento dele mantido para esta terça-feira, dia
01:387 de abril.
01:39Em relação a Ibanez Rocha, a CPI do crime organizado já desviu o assunto para o caso Master.
01:46Quer saber como que o escritório de advocacia de Ibanez Rocha atuava em relação ao caso Master.
01:53Esse escritório, inclusive, mantinha ali alguns contratos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro,
02:01banqueiro que hoje está preso aqui em Brasília, na superintendência da Polícia Federal.
02:06Então, são duas ações completamente diferentes.
02:10Um é sobre o crime contra o sistema financeiro nacional, e há indícios de que seria uma organização criminosa liderada
02:17por Daniel Vorcaro.
02:19Ibanez Rocha deve ser questionado em relação a esse assunto.
02:22E o outro é sobre as facções criminosas em si que estão crescentes.
02:27Como são duas situações completamente diferentes, então os depoimentos foram separados.
02:32Um no dia 7 e outro no dia 14.
02:35Claro que é comum que os depoentes entrem com ações no Supremo Tribunal Federal
02:41para não comparecerem à CPI ou se comparecerem, permanecerem em silêncio.
02:47Mas até o momento, os depoimentos estão confirmados.
02:50Voltamos ao estúdio.
02:51Obrigada, Igor Damasceno, pelas suas informações.
02:54Eu quero chamar mais uma vez os nossos analistas aqui, nossos comentaristas que estão com a gente nesta sexta-feira.
02:59Vou começar com o Roberto Mota.
03:01Mota, tantas CPIs que poderiam estar acontecendo, inclusive a CPMI do INSS, que foi enterrada.
03:08Essa CPI do crime organizado é válida?
03:12É justa para conseguir investigações em relação a Cláudio Castro na sua avaliação?
03:18Mas tem um outro ponto também.
03:20Ela se coloca um pouco mais válida ainda se ela fizer uma investigação em relação ao caso do Banco Master.
03:26Ou seja, se ela abrir o leque dela, ela consegue ser uma CPI mais produtiva.
03:31O que você acha?
03:33Eu não tenho certeza, Paula.
03:35Meu primeiro impulso, quando eu escuto o título da CPMI, da CPI, CPI do crime organizado, o que ela deveria
03:45estar fazendo?
03:46Investigando as facções criminosas.
03:49É isso que uma CPI do crime organizado faria.
03:52O que é que ela está fazendo investigando o caso do Banco Master, especialmente chamando o governador Ibanez Rocha?
04:01Ora, a gente fica com a impressão de que ela está tentando mudar o foco do escândalo do Banco Master
04:08para exclusivamente aquele aspecto da quase a compra do Master pelo BRB.
04:17E aí, colocar o foco do escândalo no governador Ibanez Rocha, ao invés de colocar em outras autoridades que estão
04:26envolvidas até o pescoço.
04:28Quanto à história do governador Cláudio Castro, não faz sentido nenhum.
04:33O governador Cláudio Castro ficou conhecido pelos esforços que ele autorizou que a polícia carioca fizesse no combate ao crime.
04:43Esforços, inclusive, que estão sofrendo represálias do Estado brasileiro.
04:48Estão sendo conduzidas investigações contra a polícia do Rio de Janeiro, por causa daquela operação de guerra que a polícia
04:58realizou aqui.
05:00Um enfrentamento contra centenas de um verdadeiro exército de uma das facções.
05:08Ao invés da polícia carioca fluminense receber medalhas e prêmios, ela está sendo investigada.
05:16Então, a CPI não deveria chamar o governador Cláudio Castro.
05:22Ela deveria chamar as autoridades de segurança pública do governo federal e os próprios legisladores,
05:30que têm feito muita coisa contra o combate ao crime no Brasil.
05:34Então, essas ações me parecem midiáticas, populistas e com o objetivo de mudar o foco das investigações para um lugar
05:45que seja mais conveniente.
05:46Esse é um ponto importante que o Mota destaca, viu Lucas, até em outros programas nós chegamos a discutir e
05:53analisar essa situação.
05:54Mas alguns parlamentares justificam, disseram o seguinte, bom, já que não deu para avançar com a CPI ou CPMI do
06:03Banco Master,
06:04não houve condição de instalar esse tipo de investigação, outras investigações em curso acabam se ajustando, se moldando como placas
06:14tectônicas
06:15para tentar abarcar outras investigações.
06:19E aí a pergunta que muitos fazem, bom, por conta dos holofotes que essa investigação poderá render,
06:25ou você acha que tem uma questão que envolve a necessidade de avançar na investigação do caso do Banco Master?
06:32E aí a gente acaba dando um jeitinho, aquele jeitinho brasileiro de privilegiar também essa outra investigação.
06:41O problema, Caniato, é que esse jeitinho brasileiro muitas vezes pode levar com que a investigação
06:48ou atos decorrentes dessa investigação sejam anulados posteriormente.
06:53Foi praticamente o que aconteceu na CPMI do INSS, né?
06:56O STF utilizou de um pretexto ali, né, para dizer que, olha, ela estava extrapolando as suas funções e tudo
07:04mais
07:04para barrar a continuidade das investigações.
07:07E eu temo que isso possa acontecer aqui também com essa CPI do crime organizado.
07:13Veja só, até há algum sentido em investigar o Banco Master, o BRB, enfim, toda aquela história,
07:22todo aquele escândalo que a gente já conhece muito bem nessa CPI.
07:25É uma CPI que se chama CPI do crime organizado.
07:28Bom, crime organizado, a gente está falando aqui de grupos de pessoas que se juntam ali,
07:34se organizam, né, para cometer crimes.
07:37O problema é que justamente por ter esse objeto que é tão ambíguo,
07:44você acaba conseguindo justificativa para encaixar qualquer coisa ali, né?
07:49Então eu concordo com o Mota que se você não tem um objeto claro e definido e específico,
07:55a CPI acaba tomando espaço demais, acaba querendo investigar muita coisa,
08:00e posteriormente isso pode sim ser utilizado como uma justificativa para que as investigações
08:06sejam interrompidas, sejam encerradas ou sejam até mesmo anuladas em certa medida.
08:11Acaba sendo um problemão isso.
08:14Tem muito a ser investigado em relação às facções criminosas,
08:19ou o que a gente chama de organizações terroristas muitas vezes, né,
08:23que o governo federal se recusa a denominar, né, como essas organizações de fato são.
08:27Estou falando aqui do PCC, do Comando Vermelho, do TCP e de tantas outras, né,
08:31para dar um nome específico para vocês entenderem do que eu estou falando.
08:34Existem muitos problemas em relação a essas organizações.
08:37De fato, elas tomaram nacos do território brasileiro.
08:41Elas exercem poder político, até mesmo influência cultural perante os jovens.
08:46Então, há muitas medidas a serem adotadas em relação ao combate a essas facções.
08:51Se a gente tiver uma CPI que seja mais específica para tratar desse tema,
08:56a gente consegue oferecer soluções mais reais e concretas para, de novo, resolver este problema específico.
09:02Para investigar o Banco Master, o ideal seria uma CPI do Banco Master.
09:07O problema, a gente sabe, existem forças políticas muito poderosas, né,
09:12sem citar nomes aqui, mas existem, a gente sabe que elas existem.
09:15Que não têm interesse em emplacar uma investigação contra o Banco Master,
09:21porque essas próprias forças políticas, esses próprios agentes políticos, melhor dizendo,
09:25estão envolvidos no escândalo do Banco Master.
09:28E aí fica muito difícil ter uma CPI que foque exatamente nesse objeto, né.
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