00:00O Irã reagiu e chamou o ultimato de Trump de ameaça desequilibrada e estúpida.
00:07O Carlos Martins agora traz os detalhes.
00:10O comando militar do Irã rejeitou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
00:15de destruir a infraestrutura vital do país, se não aceitar um acordo para reabrir o estratégico estreito de Hormuz em
00:2248 horas.
00:24Em um comunicado, o general Ali Abdullahí Alibadi qualificou o ultimato de Trump como uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e
00:35estúpida.
00:36Em alusão à mensagem a qual Trump advertiu o Irã que desatará o inferno se não reabrir o estreito em
00:42dois dias,
00:42o general alertou que o significado simples desta mensagem é que as portas do inferno vão se abrir para os
00:49Estados Unidos.
00:50Para o professor de relações internacionais Sidney Leite, a ameaça do presidente americano pode não passar de um blefe.
00:58O Trump é formado, ele não segue uma trajetória clássica no campo da política americana.
01:05Ele foi forjado como negociador na indústria da construção civil e, portanto, são as first negotiations, as negociações duras.
01:16E o blefe faz parte, sem dúvida, desta estratégia, desse paradigma de negociação.
01:25Mas o que fica difícil da gente visualizar é o que pode ser feito de diferente daquilo que tem sido
01:33feito até o momento para modificar essa situação de coisas.
01:38O Irã já negou que vá cumprir o ultimato.
01:42E o Trump não conseguiu mobilizar países para que embarcassem num projeto mais amplo de controle do estreito de Hormuz.
01:53O professor Sidney Leite avalia que o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel não parece ter objetivos claros.
02:01Eu costumo usar a metáfora da bússola e do GPS.
02:05O tipo de conflito que foi dado uma direção, mas está muito longe, portanto, uma bússola,
02:11mas está muito longe da gente ter um GPS identificando o que vai acontecer,
02:16ou provavelmente ocorrerá a cada passo.
02:21O que pode ser feito? Uma invasão por terra?
02:25Acho que é muito pouco provável, né?
02:27Se o Trump considera, e aí talvez a palavra inferno seja muito bem empregada, né?
02:33Porque o Irã, ele tem uma geografia muito árida, né?
02:40Muito dura para qualquer invasor.
02:43Aumentar a carga de ataques aéreos, enfim, não está muito claro como o Trump vai conseguir traduzir esta fala, né?
02:57Esta ameaça de uma forma efetiva.
03:02É muito mais provável que seja uma ameaça que provavelmente não vai se materializar da forma como está sendo anunciada
03:12pelo atual mandatário da Casa Branca.
03:15A guerra eclodiu há mais de um mês com ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã,
03:20desencadeando uma retaliação que espalhou o conflito por todo o Oriente Médio e abalou a economia global.
03:26No Brasil, o receio maior é de uma alta no preço dos combustíveis, que levou o governo a agir para
03:33segurar o preço nas bombas.
03:35Outra preocupação é com a oferta de diesel, como explica Rodrigo Zingales,
03:39diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes, a Abre Livre.
03:46Se a Petrobras começar ela ou incrementar a importação de diesel, certamente a gente não vai ter problema de abastecimento.
03:54Agora, se a Petrobras deixar para os agentes privados essa importação e ela, a Petrobras, mantiver os preços nos patamares
04:03de hoje,
04:04a gente sim corre o risco de problema de abastecimento, exatamente porque 30% do mercado precisa ser abastecido com
04:15combustível de fora.
04:16E nenhum privado vai pagar mais caro pelo combustível e ter prejuízo ao vendê-lo no mercado interno, porque a
04:24Petrobras está com preço mais baixo.
04:25Eu acho que a única medida hoje é o governo usar o poder de controle que ele tem sobre a
04:30Petrobras,
04:31para que a Petrobras passe a importar mais diesel diretamente e, consequentemente, fazer um balanceamento entre o custo de EFino,
04:42o que hoje ela tem, que é relativamente barato, com preço internacional para poder manter o abastecimento intacto e a
04:51um preço razoável no mercado.
04:54Diante do cenário, a direção da Petrobras já varia a possibilidade de atender 100% da demanda de diesel no
05:01Brasil.
05:01A ideia será debatida em maio, junto com o plano de negócios da empresa para os próximos anos.
05:09Evidentemente, né, Gesualdo Almeida, num ano eleitoral, tudo que o governo não queria era um choque aí do petróleo,
05:16que pode trazer, evidentemente, uma inflação na mesa do brasileiro.
05:20A gente já observou isso em anos eleitorais, o estrago que isso acontece, de fato, aí, né, a inflação.
05:26A gente é dependente, já falou muitas vezes nesse jornal ainda, do transporte por caminhões.
05:31Então, não tem como evitar toda essa situação e não tem como ter controle,
05:35porque a gente está falando aqui, ao longo dessa edição, não sabe o que o Trump vai fazer e o
05:39que o Irã vai fazer.
05:40Então, fica todo esse cenário em aberto aí no ano eleitoral aqui no país.
05:46Como especialistas que nós já ouvimos hoje, inclusive aqui na Jovem Pan,
05:50o governo não é apenas refém, ele é um passageiro de toda essa situação.
05:53Em relação aos combustíveis, o que ele poderia fazer, eventualmente, ele já fez.
05:58Zerou os impostos federais, cerca de 19% do preço médio do combustível são impostos estaduais.
06:05O governo federal tem tentado um ajuste republicano com esses estados,
06:10a fim de que eles reduzam o valor desses impostos e sejam compensados de alguma outra forma.
06:15Mas o valor da Comunic é ditado pelo cenário internacional.
06:18O cenário internacional hoje é muito volátil, porque exatamente a posição do governo americano,
06:24do Donald Trump em especial, personalizando agora o governo americano, também é muito volátil.
06:29Não sabemos sequer qual é o propósito da guerra, qual é o seu objetivo.
06:34Isso é muito claro, não se declara um objetivo, porque em qualquer cenário ele se declararia,
06:38ele, Donald Trump, se declararia o vencedor.
06:41Se ele declarar um cenário e não conseguiu, ele passa a ser um perdedor.
06:44Portanto, ele deixa em aberto todas as expectativas.
06:46O que a gente sabe é que ao final desse conflito, seja da forma como for, ele se declarará um
06:52vencedor.
06:53É possível uma invasão terrestre?
06:55É, mas a declaração de guerra precisa de autorização do Congresso.
06:59Entretanto, nas três últimas guerras que nós tivemos,
07:02de os Estados Unidos como protagonista, no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão,
07:07e todas elas iniciadas por presidentes republicanos,
07:10não houve, no primeiro momento, autorização do Congresso.
07:12Houve uma comunicação de invasão e essa comunicação permite que,
07:16pelo menos 60 dias, tenham-se operações de guerra.
07:19Mas isso também implica, em autorização do Congresso, para receitas orçamentárias.
07:25E acho que aqui vai ser o grande desafio do Trump.
07:27Em épocas de eleição também lá, que se avizinham,
07:31em épocas em que o Partido Republicano começa a perder espaço
07:34pelas bobagens feitas por Donald Trump,
07:37é muito improvável que o Congresso autorize gastos militares
07:40na atual conjuntura de aumento de inflação em próprio território norte-americano.
07:45Entretanto, é de se ver.
07:47E é de se ver exatamente porque não dá para fazer um prognóstico
07:49em razão dessa volatilidade,
07:52dessa inconsequência de atos tomadas por Donald Trump.
07:56Bom, e vocês se lembram, a gente abriu essa edição do Jornal Jovem Pan
07:59dizendo que o piloto do caça abatido tinha sido resgatado.
08:03Bom, agora há pouco, Donald Trump disse na rede social dele,
08:07a Truth Social,
08:08que esse piloto está gravemente ferido.
08:12O republicano disse que o militar é muito corajoso
08:15por ter sobrevivido às buscas iranianas
08:17até que as forças norte-americanas chegassem até ele.
08:21Nessa publicação, Trump deu mais detalhes
08:24sobre o estado de saúde do piloto
08:25e também sobre a operação de resgate.
08:28O piloto foi levado para o Kuwait
08:30para receber tratamento médico,
08:32então, de acordo com a última atualização,
08:34agora há pouco, de Donald Trump nas redes sociais.
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