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Com o término da janela partidária batendo à porta — o prazo se encerra na próxima sexta-feira, 3 de abril — a Câmara dos Deputados vive uma semana de esvaziamento total. Os parlamentares deixaram os plenários para se concentrarem em suas bases eleitorais, intensificando as negociações para as eleições de outubro.

Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.

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Notícias
Transcrição
00:00Com o término da janela partidária na próxima sexta-feira, a Câmara terá uma semana esvaziada,
00:06pois se intensificam as articulações nas bases eleitorais.
00:11A janela partidária é o período de 30 dias em anos eleitorais,
00:15no qual deputados federais, estaduais e distritais podem migrar de um partido político para outro,
00:22mantendo os mandatos atuais.
00:24Neste ano, ela vai de 5 de março a 3 de abril.
00:28Dessa forma, atendendo inclusive ao apelo dos líderes,
00:33o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota,
00:36decidiu que não serão realizadas sessões no plenário durante esta semana.
00:41Dessa forma, os deputados devem ficar livres nos próximos dias
00:45para focar na construção de alianças e filiações partidárias.
00:50A interrupção dos trabalhos na Câmara ocorre no ano considerado curto no Congresso,
00:56pois o calendário eleitoral deve esvaziar o Legislativo.
01:00Nós vamos à Brasília agora para falar com o repórter Guilherme Resch,
01:05que tem mais informações sobre as mudanças nas bancadas e a tramitação de projetos na Câmara.
01:12Guilherme, muito boa tarde.
01:14Como fica a programação, a configuração das bancadas como um todo,
01:20depois dessa janela partidária?
01:23O que é que já se sabe das trocas de deputados e de siglas?
01:30Boa tarde, Inácio.
01:32Boa tarde a todos que nos acompanham.
01:33O partido que deve se sair melhor dessa janela partidária é o Partido Liberal,
01:37o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro,
01:39que está falando aí que já vai ultrapassar a marca de 100 deputados federais.
01:43Atualmente a sigla tem 94, já é a maior bancada da Câmara dos Deputados,
01:47mas a expectativa, Inácio, é que pode, inclusive, bater o recorde histórico,
01:51que foi do MDB, em 1998, quando elegeu 107 deputados federais.
01:56O PL diz que pode, inclusive, passar esse número,
01:59chegando ali até em 112, alguns falam até em 120 deputados.
02:02Então, se considerando de vez como a maior bancada da Câmara dos Deputados.
02:06Já o União Brasil, por outro lado, deve ser um dos principais derrotados nessa janela,
02:10na verdade, muitos parlamentares anunciando que estão saindo do União Brasil.
02:14Recentemente nós tivemos o Danilo Forte, por exemplo,
02:16que é um dos candidatos à vaga do TCU, de ministro do Tribunal de Contas da União.
02:21Ele ficou descontente ali que dentro do União Brasil havia a discussão
02:26para se colocar como candidato do partido, na realidade, ao TCU, o Elmar Nascimento.
02:30Então, o Danilo Forte anunciou recentemente a sua saída do União Brasil.
02:34Outro também é o Rodrigo Valadares, do União Brasil de Sergipe,
02:37já anunciou que vai para o Partido Liberal.
02:39É um dos que se soma, então, à bancada do ex-presidente Jair Bolsonaro na Câmara.
02:44Enfim, então, o União Brasil deve ser um dos principais derrotados.
02:47O PSD, por outro lado, eu conversei na semana passada com um dos membros da bancada,
02:52ele me disse que deve ter um crescimento de 15%,
02:55que tem muita gente, inclusive, querendo entrar no partido,
02:57mas eles vêm rejeitando alguns nomes, até para preservar quadros,
03:01para não dar conflito com quadros mais antigos da sigla na Câmara,
03:04mas que, de qualquer forma, eu até falei, então vai manter o número da bancada?
03:08Ele me disse, não, a gente ainda vai ter um crescimento aí de 15%.
03:11Então, ficam esses destaques.
03:12Mas com o PL, como eu falei, sendo o principal crescimento,
03:15União Brasil sendo um dos principais derrotados da janela partidária.
03:18E agora, falando um pouco em relação à tramitação das propostas na Câmara, Inácio,
03:22que com essa semana, como a gente falou, fica esvaziada ali a Câmara,
03:26não vai ter votações no plenário, não vai ter...
03:28Mesmo comissões, eu estava dando uma olhada na agenda,
03:30também não tem nada de grande destaque marcado,
03:33de reuniões das comissões, apenas algumas audiências públicas.
03:36A gente tem que lembrar que até temas de interesse da população,
03:39como, por exemplo, a proposta de emenda à Constituição,
03:42que reduz a maioridade penal, acabam sendo adiados.
03:44Quando tem uma semana que não tem discussão ali,
03:47esses temas que a população está acompanhando de perto,
03:49que tem interesse que se avance, eventualmente,
03:51acabam ficando para frente e pode ser que nem sejam votados neste ano,
03:54apesar de o presidente da Câmara ou os líderes partidários,
03:57às vezes, colocarem como prioridade.
03:59A proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal,
04:02ela é uma das prioridades até para este ano.
04:05Colocado ali, na verdade, foi uma discussão que começou
04:08com aquela PEC da Segurança Pública, que atualmente está no Senado.
04:11Essa PEC da Segurança Pública, ela previa um referendo,
04:15um plebiscito, para que a população decidisse se queria reduzir a maioridade penal.
04:19Acabou que nas discussões ali, para que a PEC da Segurança fosse votada,
04:22retiraram esse trecho, mas o Mota se comprometeu a andar com a PEC separada,
04:26tratando desse tema.
04:27E essa PEC, então, tem uma expectativa de que agora, em abril,
04:31o relator, na Comissão de Constituição e Justiça,
04:33apresente o seu parecer e depois já seja criada uma comissão especial para analisar ela.
04:37Mas, enfim, é um dos temas que acaba sendo jogado para frente agora,
04:41com mais uma semana de 100 trabalhos na Câmara dos Deputados.
04:44Também a proposta de emenda da Constituição que acaba com a escala 6x1,
04:47por exemplo, é outro tema que tanto o governo como o próprio Mota colocam como prioridade,
04:50mas sabemos que tem toda uma pressão contrária por parte do setor produtivo,
04:55que fala dos riscos que pode trazer para as empresas,
04:59em relação a reduzir tão drasticamente a jornada de trabalho.
05:03Mas é outra discussão, então, que também acaba sendo adiada.
05:05Até perguntei para o relator, na semana passada, qual que é o calendário,
05:08que o Mota vem falando, o presidente da Câmara, o Hugo Mota,
05:11de votar no plenário em maio, de que deve ser levado para o plenário em maio.
05:15Mas ainda está na Comissão de Constituição e Justiça,
05:18e depois vai para uma comissão especial.
05:20E aí o relator me disse que vai ter uma audiência pública,
05:22ainda para ouvir os integrantes do setor produtivo,
05:26representantes de confederações, de empresas,
05:28e depois ainda farão uma conversa ali com o ministro da Fazenda,
05:33na própria Comissão de Constituição e Justiça.
05:35Então, assim, tem ainda um cronograma a ser seguido,
05:37que acaba também sendo atrasado aí com mais uma semana esvaziada na Câmara.
05:41Muito obrigado, Guilherme.
05:44E já dou boa tarde a Ricardo Kertzmann, Rodolfo Borges.
05:50Muito boa tarde a vocês, cavaleiros.
05:53Tivemos aí a informação do Guilherme, portanto, uma semana esvaziada em Brasília,
05:57muitas trocas de partidos, possibilidades do PL crescer bastante,
06:01a custa, obviamente, de outros.
06:03Ricardo, você acha que dessas confluências de novos partidos,
06:09saindo nomes de um entrando em outro,
06:13tudo isso realmente é pelo bem das ideias que esses partidos representam,
06:19ou é aquela história de um partido que está forte e acaba atraindo outros,
06:23mesmo que, talvez, no ponto de vista identitário,
06:28do ponto de vista de ideários, não sejam exatamente semelhantes?
06:34Boa tarde, Inácio.
06:35Boa tarde, Rodolfo.
06:37Boa tarde também, queridos amigos antagonistas.
06:39Boas férias para o nosso amigo Wilson, que deve estar nos assistindo,
06:43porque ele viaja, mas fica ligadinho aqui com a gente.
06:46Olha, em primeiro lugar, com relação ao recesso,
06:49a essa semana esvaziada,
06:52o Inácio, eu acho justo, porque você imagina,
06:55a gente terminou agora o mês de março, o terceiro mês do ano.
06:58As vossas senhorias, os congressistas,
07:00voltaram a trabalhar só no comecinho de fevereiro,
07:04eles estavam em férias em janeiro.
07:06Aí, você imagina, fevereiro e março, dois meses,
07:10teve só o carnaval no meio do caminho para eles descansarem,
07:13tiveram também os fins de semana, seis de fim de semana.
07:17Se a gente colocar em dias úteis,
07:19obviamente não deve estar chegando nem perto,
07:22ou talvez tenha ultrapassado, no máximo, 30 dias trabalhados.
07:25Então, poxa, é muito esforço.
07:28Eu acho que não há nada mais justo do que uma semaninha de recesso
07:32para eles cuidarem dos assuntos pessoais,
07:35cuidarem de suas próprias eleições ou reeleições,
07:38cuidar de seus assuntos relacionados às suas bases.
07:42Afinal de contas, Inácio, a gente não quer esperar
07:46dessa turma toda, com esse dinheirão todo que a gente gasta,
07:50a gente não quer esperar que eles devolvam para a sociedade brasileira
07:53através de projetos, através de fiscalização,
07:56tudo aquilo que a gente investe.
07:57Então, vamos dar essa semaninha para eles se articularem mesmo.
08:00Agora, caminhando para a prática disso aí,
08:04além disso que o Resc já falou para a gente,
08:06desse fortalecimento do PL,
08:08que deve formar uma bancada histórica,
08:10como o Resc mesmo lembrou,
08:12a última grande bancada, a passar de 100 deputados,
08:15foi do PMDB, lá no final dos anos 90,
08:18a gente tem um outro movimento que eu acho também significativo,
08:21e o Resc também resvalou nisso,
08:23do PSD, do Gilberto Kassab,
08:26que pretende formar uma bancada bastante robusta,
08:29até para poder fazer frente,
08:31até para poder ser coerente com a bancada de prefeitos que ele já tem.
08:35Hoje, o PSD é o partido que administra
08:37o maior número de municípios no Brasil,
08:39e ele precisa fortificar também,
08:41além dessa presença nos executivos municipais,
08:44ele precisa fortalecer também a sua presença no legislativo,
08:48no Congresso Nacional.
08:50O triste disso tudo, e aí respondendo a sua pergunta, Inácio,
08:53é que se você observar esses movimentos,
08:55aqui em Belo Horizonte mesmo,
08:57aqui em Minas mesmo,
08:58foi notícia, um deputado, um candidato, na verdade,
09:01para entrar no PL,
09:04era uma pessoa que historicamente participou de administrações do PT,
09:08ou seja, não há a menor identificação ideológica,
09:11não há a menor identificação partidária.
09:13Todos esses movimentos de cooptação
09:16significam única e exclusivamente caixa, dinheiro.
09:19O que os partidos querem?
09:22Atrair congressistas,
09:23atrair deputados, nesse caso,
09:25para suas legendas,
09:26porque o fundo eleitoral,
09:27o fundo partidário, na verdade,
09:29tem a ver com o número dessa bancada.
09:31Quanto mais parlamentar, mais dinheiro entra.
09:34E aí pouco importa se o cara é de esquerda,
09:37de direita,
09:37se ele defendia isso ou aquilo.
09:39Bom, a gente tem um exemplo aí da Soraya Tronic,
09:41você vê isso a todo momento,
09:43pessoas que imaginavam se pertencer
09:46a um determinado espectro político,
09:47que nessas janelas muda para um partido de maior conveniência,
09:51ou porque vai ter alguma vantagem,
09:53ou porque acha que nesse partido
09:54uma eleição ou reeleição vai ser mais segura,
09:57e o partido recebe de braços abertos,
09:59porque se der certo,
10:00como eu disse agora há pouco,
10:01ganha mais dinheiro.
10:03Rodolfo?
10:04Boa tarde a todos.
10:05Essa história,
10:06tem uns casos que são realmente muito bizarros.
10:09Esse da Soraya Tronic,
10:10que se elegeu como a senadora do Bolsonaro em 2018,
10:13agora, já em 22,
10:15já tinha feito um meio de caminho,
10:17e agora foi para o outro lado completamente.
10:20Realmente, eu não vou dizer que é surpreendente,
10:23porque a gente está um pouco acostumado com isso,
10:24mas hoje, quando fica tudo registrado,
10:28os vídeos ficam gravados,
10:29eles continuam circulando nas redes sociais,
10:32os vídeos antigos,
10:33diante do que está acontecendo.
10:34E aí fica um choque muito grande
10:36da perspectiva do que era e do que passou a ser.
10:39O que eu queria acrescentar aí só,
10:40além de tudo que já foi dito pelo Ricardo e pelo Guilherme,
10:45eu sinto falta do PT,
10:47nessa dinâmica partidária nesse momento.
10:49É o partido do governo,
10:52mas é um sintoma.
10:54O PT está num clima de fim de festa,
10:57fim de feira.
10:58Tem aí, está pendurado no Lula ainda,
11:00numa popularidade do Lula,
11:01que ele também,
11:02que já está bem desgastada,
11:04mas o partido,
11:06e a gente viu isso nas últimas eleições municipais,
11:09principalmente,
11:09porque acho que isso foi um pouco mascarado
11:11pela vitória do Lula em 22,
11:13mas o PT vem perdendo o prefeito,
11:15já faz várias eleições,
11:17e a bancada parlamentar do PT também vem caindo.
11:21E a perspectiva é de que caia mais agora,
11:23porque o PT não aparece entre os partidos
11:26que estão aí sendo disputados.
11:27O PL se destaca,
11:28e aí realmente,
11:30por mais que possa se criticar aí
11:32as estratégias do PL,
11:33e tem muita coisa no PL ainda
11:35que não tem essa unidade projetada
11:37ou idealizada aí
11:39por essa perspectiva bolsonarista,
11:42mas o PL realmente conseguiu
11:44capitalizar o bolsonarismo
11:46e está se ampliando de forma considerável.
11:49O PSD é o outro grande player
11:52nessa história aí,
11:54passando historicamente o MDB,
11:56que era esse partido exatamente
11:57que ficava no meio de caminho
11:58e liderava em número
12:01no Congresso Nacional e nas prefeituras.
12:04Então, são esses dois grandes partidos
12:06que se destacam hoje.
12:07O União Brasil,
12:08que fez a federação com o PP,
12:10e deve perder gente,
12:13está buscando também um rumo.
12:14Talvez essa federação não solucione o problema
12:18e, portanto,
12:19fica essa perspectiva aí
12:20de que eles possam ir junto com
12:23o Flávio Bolsonaro
12:25numa candidatura presidencial.
12:26Tereza Cristina PP
12:27é o que está se anunciando aí
12:30até por conta dessa resistência pública,
12:32inclusive do governador de Minas Gerais,
12:34Romeu Zema.
12:36A dança partidária tem a sua relevância.
12:39Ela, além, obviamente,
12:41de lidar com dinheiro
12:42no fundo partidário,
12:44ela também indica
12:45os rumos do país
12:47que pode até estar muito distante
12:51lá da ponta da população,
12:53mas esses movimentos,
12:54eles são relevantes
12:57porque eles indicam
12:57para onde a política está indo.
12:58E a política geralmente está indo
13:01não só onde está o dinheiro,
13:02mas onde está o voto também.
13:04Essas movimentações,
13:05e ao final de semana
13:06a gente vai ter certinho
13:07para onde cada um foi
13:08e o tamanho de cada bancada,
13:10elas indicam
13:10o que vai ser a próxima eleição
13:12e o futuro político do país também.
13:13E aí
13:14E aí
13:16Tchau.
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