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Com apresentação de #MadeleineLacsko, o programa desmonta discursos, expõe fake news e discute os impactos das narrativas na sociedade. Abordando temas como geopolítica, comunicação e mídia, traz uma visão aprofundada e esclarecedora sobre o mundo atual.
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#CasoHenryBorel #MoniqueMedeiros #Justica #Noticias #DireitoPenal #Debate #Patriarcado #CrimeBrasil #Analise #RioDeJaneiro
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, seja muito bem-vindo ao Narrativas Antagonista.
00:03Eu sou Madeleine Lasco, sou companhia de segunda a sexta-feira aqui nesse canal.
00:09O Narrativas Antagonista tem um formato diferente,
00:13geralmente apreciado por quem gosta de se aprofundar nos assuntos
00:16e treinar o espírito crítico.
00:19Primeiro eu te trago os fatos, depois da minha opinião,
00:23mas antes de opinar eu te digo uma coisa que você só vê.
00:26Qual é a narrativa da esquerda e qual é a narrativa da direita.
00:32Cada dia com um fato diferente, o fato do dia de hoje é
00:37caso Henri Borel, perdão a Monique por ser vítima do patriarcado.
00:46Se você já ouviu essa história, já se revoltou com essa história,
00:50mas não sabe qual foi o mecanismo utilizado para conseguir perdoar alguém
00:56num crime tão odioso, já vem pra cá que eu vou te mostrar direitinho
01:03como tudo isso aconteceu.
01:06Qual é o passo a passo?
01:08Um crime tão odioso que gerou uma lei,
01:13uma lei em 2022 chama Lei Henri Borel,
01:17em que crimes contra a criança passam a ser hediondos.
01:21O crime gera uma lei e uma das responsáveis tem perdão judicial.
01:26Como se chega nisso?
01:28E não é só a ideologia.
01:30Eu vou te conduzir passo a passo nessa história.
01:33Já deixa aqui o seu like,
01:35vê se está inscrito no canal do Antagonista.
01:39Inscreva-se que eu tenho certeza de que você vai gostar.
02:00Fato do dia, caso Henri Borel.
02:03Perdão a Monique por ser vítima do patriarcado.
02:09Eu quero começar ouvindo o pai,
02:12o pai do Henri Borel,
02:14desse anjinho que passou, sabe Deus pelo quê,
02:19na mão desse Jairinho aí,
02:21que foi condenado a 43 anos de prisão,
02:25e a mãe teve perdão judicial.
02:29Primeiramente, o que é o perdão judicial?
02:32Quero começar com isso.
02:34É algo criado
02:35para quando o que aconteceu no crime
02:39já é uma pena em si.
02:42E só serve para crime culposo,
02:46sem intenção de fazer.
02:48Não serve para o crime doloso.
02:51Está muito abstrato?
02:52Eu vou te dar um exemplo
02:54que é o que mais se dá em aula de direito penal.
02:58Perdão judicial, por exemplo.
03:00O pai estava tirando o carro da garagem,
03:02a criança pequenininha que estava dentro de casa
03:05por algum motivo sai na garagem,
03:06o pai atropela sem querer a criança morre.
03:08A perda desse filho
03:10já é pena mais do que suficiente
03:13para o que aconteceu.
03:14É para casos assim que isso foi criado.
03:18E não para casos como o da Monique.
03:20Vamos ouvir aqui o pai, o Leniel Borel.
03:22Amigos, hoje foi um dia muito difícil para mim,
03:26mas eu não poderia terminar o dia
03:28e não vir aqui falar como o pai.
03:31Há mais de cinco anos eu acompanho cada etapa,
03:35cada minuto, cada etapa desse processo.
03:38Eu vi muitos laudos,
03:41ouvi muitas testemunhas,
03:43acompanhei perícias,
03:45assisti a um dos julgamentos mais longos da história
03:49recente do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.
03:52E olha que eu não conhecia nada sobre júri.
03:55Era um pai apenas lutando por justiça.
03:57Um engenheiro.
03:58Agora vereador.
04:00Mas sempre um pai lutando.
04:02Eu acho que é justo um pai lutar por justiça
04:04pelo filho dele.
04:05E confesso que eu recebi essa decisão
04:08com profunda revolta.
04:10Por isso, é o que mais choca,
04:13não é apenas o resultado dessa sentença.
04:16O que mais me choca
04:17é a fundamentação dessa decisão.
04:20Que por essa razão,
04:21a acusação entende
04:23que ela deveria ter sido condenada
04:26também pela morte dolosa.
04:28Isso demonstra que o próprio
04:30Ministério Público do Rio de Janeiro
04:32discorda da solução adotada.
04:35Eu respeito as instituições.
04:37Eu respeito o poder judiciário.
04:40Mas tenho o direito de discordar.
04:43Como pai, como ser humano,
04:46tenho o direito de questionar.
04:48Tenho o direito de dizer
04:49que não consigo compreender
04:51como uma decisão sobre a morte
04:53de uma criança pode deixar,
04:56pode dedicar tanto espaço
04:58ao sofrimento da acusada
04:59a tão pouco a memória da vítima.
05:02Não estou falando nem mais de mim
05:04e da minha família.
05:05Eu estou falando pela memória do Henrique.
05:08Porque, para mim,
05:09existe uma verdade muito simples nesse caso.
05:12A vida de uma criança
05:14deve estar acima de qualquer narrativa.
05:17Acima de qualquer teoria.
05:19Acima de qualquer disputa ideológica.
05:22Henrique não era uma discussão cultural.
05:25Henrique não era um símbolo.
05:27Henrique era uma criança.
05:29Um anjo.
05:30Henrique era meu filho.
05:32E continuará sendo a razão da minha luta
05:34até o último dia da minha vida.
05:36Uma criança de quatro anos
05:38morreu, perdeu a sua vida.
05:41E essa deveria ser a única verdade
05:44impossível de se esquecer nesse processo.
05:47A resposta que foi dada
05:49é uma resposta que é muito perigosa.
05:52E precisamos pensar
05:53porque essa jurisprudência
05:56pode estar causando,
05:59levando mais e mais crianças
06:00a perderem as suas vidas.
06:02Agora vamos ao resultado
06:05do julgamento.
06:08A juíza colocou
06:10na história do perdão judicial
06:12algo que já existe no Brasil,
06:15que é o julgamento
06:16com perspectiva de gênero.
06:19Vamos dar uma olhada no que ela falou.
06:21Não posso me furtar a expressar
06:23meu pássimo
06:24diante da reação desproporcional
06:26e desmesurada da sociedade
06:28em geral
06:30em face da conduta imputada
06:32à acusada Monique
06:33na modalidade homicida,
06:36claramente discriminatória
06:38de gênero,
06:39influenciada pela cultura patriarcal
06:42que lamentavelmente
06:43ainda norteia e permeia
06:45a mentalidade
06:46e as práticas faciais.
06:48Não à toa
06:49encontra-se tanta dificuldade
06:51de se extirpar
06:53de nosso universo cultural
06:55o status quo
06:56de inferioridade feminina
06:58em que pesem os
07:00moitosos movimentos
07:01que o combatem.
07:02A oposição a este setor
07:04das lutas identitárias
07:06no mais das vezes
07:07opera de forma sutil.
07:10Daí a dificuldade
07:11de se eliminá-la
07:12pela via da conscientização.
07:14Mas atualmente
07:15chegou ao extremo
07:17da misoginia declarada.
07:19É o que parece ter se dado
07:21com relação à imputação
07:22dirigida à regra.
07:23Antes de mais nada,
07:25Esther consignar
07:26que fosse o pai
07:27e não a mãe
07:28na mesma situação
07:30nem sequer
07:31teria sido ele processado
07:32como é regra
07:33nos processos
07:34de igual natureza.
07:36É que o papel
07:37culturalmente
07:38reservado à mulher
07:39nos moldes patriarcais
07:40não só dela
07:42exige ser mãe
07:43mas muito além
07:44a mãe perfeita.
07:46Mãe suficiente
07:47não basta.
07:49Desde a investigação
07:51Monique não mereceu
07:52o benefício da dúvida
07:53e ao longo do processo
07:55embora fosse apontada
07:56como mãe zelosa
07:58e não ter sido acusada
08:00de infligir diretamente
08:02agressões físicas
08:03a seu filho
08:03a revolta evoluiu
08:05rapidamente
08:06para franco massacre
08:08nas redes sociais
08:09com ataques
08:11muito mais virulentos
08:12do que aqueles
08:13dirigidos
08:14ao autor direto.
08:15E os ataques
08:16não se limitaram
08:17ao público
08:18em geral.
08:19Estenderam-se
08:20alguns profissionais
08:21envolvidos com a causa
08:22incluindo os responsáveis
08:24por sua custódia
08:25passando pelas demais
08:27detentas
08:28que se recusavam
08:29a dividir
08:30o mesmo espaço
08:30com a ré
08:31chegando ao ponto
08:32de agredi-la no cárcere
08:34pelo que o isolamento
08:35foi o que lhe restou.
08:38Incomensurável
08:39o sofrimento
08:40de quem
08:40além de perder
08:41seu único filho
08:42para o que de resto
08:43não contribuiu
08:45intencionalmente
08:46viu-se algo
08:47durante cinco
08:48longos anos
08:49de uma perceição
08:50implacável
08:51contra sua honra
08:53e sua autoestima
08:54como mãe
08:55para não falar
08:56do completo desprezo
08:58pela dor do seu luto.
08:59Por todas
09:00essas razões
09:01tenho como medida
09:02de justiça
09:03mais acertada
09:04relativamente
09:05ao crime de homicídio
09:06culposo
09:07para o qual
09:08foi desclassificada
09:09a imputação original
09:11à extinção
09:12de sua punibilidade
09:13pelo perdão judicial.
09:36venho para vocês
09:37falar
09:37que me mataram
09:38meu filho
09:38pela terceira vez
09:39eu Leniel
09:40posso ter sido
09:41a pior pessoa
09:42do mundo
09:42mas eu não estava
09:44dentro daquele apartamento
09:45quem estava
09:46dentro daquele apartamento
09:47se chama
09:48Jairo
09:49e Monique
09:50a mãe
09:51quem deveria
09:53proteger
09:54garantir
09:55a proteção
09:57do filho dela
09:57estamos satisfeitos
09:59com a condenação
09:59do Jairo
10:00entretanto
10:02vivemos
10:03uma das maiores
10:05aberrações
10:06jurídicas
10:07do nosso país
10:08com essa
10:10desclassificação
10:11de Monique
10:11o conselho
10:13de sentença
10:13reconheceu
10:15a materialidade
10:16a autoria
10:18e reconheceu
10:19que Monique
10:20agiu
10:20por força
10:22de dolo
10:23eventual
10:23entretanto
10:26a juíza
10:26ao perceber
10:27que Monique
10:28tinha sido
10:28condenada
10:30criou
10:31uma situação
10:34e colocou
10:35novamente
10:36a questão
10:37para ser
10:38votada
10:39enquanto Monique
10:41não teve
10:42uma posição
10:43favorável
10:44a juíza
10:46não se deu
10:46por satisfeita
10:47a juíza
10:48deu perdão
10:49judicial
10:49com o discurso
10:51de gênero
10:52eu não tenho
10:53a menor dúvida
10:54de que vamos
10:55anular
10:56essa decisão
10:57no TJ
10:58e Monique
11:00será submetida
11:01ao novo
11:02conselho
11:02de sentença
11:03ocorreram
11:04uma série
11:04de nulidades
11:05no decorrer
11:06do julgamento
11:07e certamente
11:08esse júri
11:09será anulado
11:10e ele será
11:10submetido
11:11ao novo
11:12julgamento
11:14e a gente espera
11:14que dessa vez
11:15seja respeitado
11:16todas as garantias
11:17no sentido
11:18até que a gente
11:19tenha acesso
11:20a todos os
11:21elementos
11:22probatórios
11:23e que se tome
11:24uma decisão
11:24baseado naquilo
11:25que teve prova
11:26porque o que ficou
11:26claro no processo
11:27é isso
11:28que no decorrer
11:29do julgamento
11:30é que ele deveria
11:31ter sido absolvido
11:32assim como a Monique
11:33nunca vi um julgamento
11:35tão bizarro
11:36na minha vida
11:38julgamento bizarro
11:39a todo dia
11:40a cada instante
11:41era uma nulidade
11:44claramente
11:44o próprio juízo
11:47ele impedia
11:48a defesa
11:49de Jairo
11:49de fazer
11:51o seu trabalho
11:52dando tratamento
11:53totalmente diferente
11:54para a defesa
11:56da Monique
11:56então a resposta
11:57dos jurados
11:58é o que a sociedade
11:59precisava
12:00porque eles
12:01entraram lá
12:01pressionados
12:02com a expectativa
12:03de corresponder
12:04a sentença
12:06já dada
12:06pela sociedade
12:07e hoje
12:08eles mostram
12:09e eu disse isso
12:09a eles
12:10que poderiam
12:10eles tinham
12:11a oportunidade
12:12de mostrar
12:12com clareza
12:13a sociedade
12:14que de fato
12:15não houve omissão
12:16por parte da Monique
12:17não se tinha
12:18no caderno processual
12:20desde o início
12:21das investigações
12:22nenhuma certeza
12:24nenhum elemento
12:26de convicção
12:26que traduzisse
12:27que Monique
12:29era uma mãe ruim
12:30pelo contrário
12:31o caderno
12:34procedimental
12:35as provas
12:36que foram
12:37arrecadadas
12:39no inquérito policial
12:41e na ação penal
12:42traduziram
12:43que Monique
12:44foi uma mãe
12:45extremamente
12:46zelosa
12:47que Monique
12:49foi a melhor mãe
12:50e eu sempre
12:50disse isso
12:52que Monique
12:52foi a melhor mãe
12:54que o Henrique
12:54poderia ter
12:56e aqui
12:57a reação
12:58da Monique
12:59essa mulher
13:00que durante
13:01meses
13:02soube de tudo
13:03o que acontecia
13:04com o filho
13:05não interferiu
13:06mentiu
13:07sobre o estado
13:08de saúde
13:08do menino
13:09ao chegar
13:10no hospital
13:11combinou
13:12versão
13:13com o homem
13:14que ela sabia
13:14ser assassino
13:15do filho dela
13:16e ainda foi
13:18ao cabeleireiro
13:20antes de
13:21ir à delegacia
13:22vamos ver a reação
13:24dela
13:24do Best learned
13:26agora
13:26já
13:27então
13:54Obrigado.
14:15E agora, vamos ouvir da parte da acusação, o que é que aconteceu lá.
14:21Você refazer quesito acontece quando, por exemplo, respostas de quesitos são contraditórias, mas num quesito tão claro como esse, já
14:35explicado para os jurados, já lidos, já lido, né, que foi esse quesito, só que mudou, pelas partes, eu faço
14:42júri há 26 anos, enfim, todo ano eu entro num julgamento, em julgamentos como esse, mais de uma centena de
14:48vezes, nunca vi.
14:49Então, eu entendo que a magistrada acaba influenciando, permanecendo essa decisão conforme ela está, no dia de hoje, a sociedade
14:59apontou o dedo para Munique e falou, você foi responsável pela morte do seu filho, porque você como mãe negligenciou
15:05os cuidados desse menino.
15:06Você como mãe, de maneira proposital, deixou o seu filho ser torturado. E aí, quando você diz que o filho
15:13foi torturado, como é que você concede um perdão judicial se dias depois ele é morto, pela sua negligência, nas
15:20mesmas circunstâncias?
15:21Então, vejam só, até o perdão judicial, ele é errado, porque os jurados já tinham votado que a Munique deveria
15:30ser condenada, porque não concederam o perdão judicial, não concederam a clemência para ela.
15:35Logo, uma condenação que já existia de homicídio doloso, que existiam duas perguntas sobre qualificadoras, teria uma que não daria
15:44para escapar, enfim, e uma causa de aumento de pena, que perguntaria se o crime foi praticado contra menores de
15:4914 anos, que também não daria para escapar.
15:51Então, uma pena que ficaria ali por volta de 30 anos, é transformada em nada.
15:58O júri, é um tribunal do júri, o júri, ele não é que nem os júris que a gente vê
16:06em seriado, que ele fala algumas coisas, não.
16:09Como que é o júri no Brasil? Ele responde a questões com sim ou não.
16:15Fulano tinha consciência disso? Sim ou não.
16:19Isto daqui foi doloso? Sim ou não.
16:23Houve uma primeira votação, e eles disseram que a omissão da Munique foi, sim, dolosa.
16:33Neste caso, não poderia dar perdão judicial, porque crime doloso não tem perdão judicial, só o crime culposo.
16:44Olha o que o pessoal conta que aconteceu.
16:49Eu, pessoalmente, acho que diante da reação da sociedade à ré, à Munique, até ela corre risco, né?
16:58Porque a gente vive numa sociedade patriarcal em que a primeira culpada sempre vai ser apontada à mulher.
17:03Quando eu me manifestei ali com relação à Munique, é o que tem chegado a mim e as pessoas me
17:07contarem, tá?
17:09Que é um ódio profundo a ela, que, na minha opinião, é inexplicável.
17:14Porque que ela é alvo de maior ódio do que Jairinho, por exemplo. Não consigo entender isso, né?
17:20A opinião pública afeta de alguma maneira? Não.
17:30Bom, é óbvio que eles já recorreram, o Ministério Público já recorreu.
17:35Agora vamos ver essa mesma juíza em 2021, ano em que o Henry foi assassinado.
17:44A sociedade foi dura. Dura.
17:48Exigir o mínimo. Proteção não é perfeccionismo.
17:51Em uma sociedade incapaz de distinguir essas duas coisas, a gente sabe que o problema não é meramente político.
17:56Ele é também moral.
17:57Apenas uma sociedade em profunda deterioração moral seria capaz de enxergar uma mulher
18:02que protegeu o assassino do seu filho como mais vulnerável do que a criança que foi assassinada.
18:08Vocês já perceberam que nós abandonamos esse projeto de proteger as crianças,
18:12desse entendimento de que as crianças são o demográfico mais vulnerável da sociedade,
18:17que, portanto, devem ser protegidas.
18:19Nós perdemos esse horizonte de vista.
18:21Por exemplo, apenas em uma sociedade doente moralmente,
18:25esse debate se crianças devem ou não receber bloqueadores de puberdade, hormônios sexuais cruzados,
18:30esse debate teria espaço.
18:31Porque, a priori, antes de qualquer coisa, o não já deveria ser a resposta automática.
18:36O fato de que isso seja uma questão aberta, de que há várias perspectivas legítimas e modos de enxergar isso
18:42é resultado dessa degradação moral que nós estamos experimentando hoje.
18:47Apenas em uma sociedade de colapso ético, nós trataríamos fetos no ventre como um objeto a ser descartado.
18:55Apenas porque são pequenos, inconvenientes ou surgiram na hora errada.
18:59Mesmo embora eles não tenham tido agência alguma para estar ali.
19:03E ainda chamam isso de direito humano.
19:04Teorias sociais de esquerda são burras e lógicas, baseadas em anedota, ressentimento e vingança.
19:11Mas, mesmo assim, elas têm o direito de existir.
19:14O problema é que elas estão onde não deveriam estar.
19:17O Estado não deveria ter uma teoria social predileta.
19:20Juízes não podem citar teoria queer, feminismo, decolonialismo, teoria crítica racial,
19:27para embasar as suas sentenças.
19:29Infelizmente, a universidade virou esse foco, esse ponto de formação dessa nova moral, desse novo homem.
19:36Eu discuto muito isso no meu novo livro.
19:38Teorias sociais de esquerda invariavelmente terminam na morte do indivíduo,
19:42porque para elas o indivíduo pertence a um sistema de opressão do qual ele não pode escapar mesmo que quisesse.
19:49Isso culmina na desresponsabilização dos indivíduos e, pior, acaba gerando novas formas de injustiça.
19:56Por exemplo, no Canadá, os princípios gladi.
19:58Se um nativo colonizado for pego cometendo um crime, ele pode ter a sua pena reduzida ou alternativa,
20:04justamente porque eles analisam as condições sistêmicas de opressão que podem ter levado essa pessoa a cometer o crime.
20:11Aqui, por exemplo, falsos requerentes de asilo que vêm do Afeganistão e da Síria.
20:15Chegam aqui e estupram meninas. Diante do tribunal falam, nós não sabíamos que nós não podíamos estuprar,
20:22porque lá de onde a gente veio, isso não é um problema.
20:24Coitada, ele não sabia, porque essa é uma identidade política que deve ser protegida,
20:29eles acabam desprotegendo a verdadeira vítima, a criança estuprada.
20:33Precisamos abandonar toda e qualquer noção de sistemas de opressão e voltar a focar no indivíduo,
20:39no indivíduo e nas liberdades individuais.
20:42Ué, mas quando o juiz se expressa publicamente sobre o caso, ele não pode julgar, correto?
20:50Pois não, Brasil, né? Vamos adiante.
20:53E agora vamos aqui a uma observação que eu acredito ser muito pertinente,
20:58da Nini Borges, sobre essa confusão completa entre proteger a mulher
21:06e considerar toda mulher inimputável até em crimes bárbaros contra a criança.
21:13Dêem uma olhada como essa tal história do julgamento com perspectiva de gênero,
21:19que não é uma lei, tá?
21:21É um negócio criado internamente pelo Conselho Nacional de Justiça,
21:26é um protocolo.
21:27Como isso está se espalhando?
21:29Olha aqui a postagem do Caio Paes.
21:32O Ministério Público de Minas sustentou no STJ que a Convenção de Belém do Pará
21:40e o protocolo do CNJ sobre julgamento com perspectiva de gênero
21:46prevalecem em relação ao Código de Processo Penal.
21:50Ou seja, eles queriam que a tal da portaria do julgamento com perspectiva de gênero
21:57se sobrepusesse ao próprio Código de Processo Penal
22:01e o STJ foi contra, disse que havia uma incoerência, enfim.
22:09Vamos adiante.
22:10Vou trazer aqui para vocês o Exame Nacional de Docentes,
22:16questões 64 e 65.
22:19Dêem uma olhada nisso aqui.
22:21A construção da ciência ocidental é analisada criticamente
22:25como não sendo uma exceção no cenário de desigualdades de gênero,
22:31mas sim uma manifestação de uma sociedade predominantemente masculina.
22:37Essa marca patriarcal consolida concepções de inferioridade feminina
22:43e exclusão das mulheres dos espaços de produção intelectual.
22:49Mesmo atualmente, persistem desafios como a maternidade,
22:54uma vez que as mulheres são as principais responsáveis por criar seus filhos,
22:59o que as tira por muito tempo de pesquisas, etc, etc.
23:03Vamos lá.
23:05As questões falam, olha lá, o que seria uma investigação disso,
23:09qualitativa, com entrevistas que explorem as vivências das pesquisadoras que são mães,
23:17e aí fala do procedimento de produção de dados,
23:20o que seria condução de grupo focal para discutir percepções
23:24sobre identidade de gênero e sua relação com a ciência.
23:29Isso aqui é o teste nacional para alguém ser professor
23:33ou para alguém ser do grupo da lacração do PSOL.
23:38Para terminar a história do Henrique Borel,
23:40essa história da juíza foi tão absurda que sabe quem não tancou?
23:45A Maria do Rosário.
23:47A Maria do Rosário não tancou o perdão da Monique.
23:54Não.
23:55Ficou contra, vamos ver aqui.
23:57Estou muito impactada com o perdão judicial total à mãe do menino Henrique Borel.
24:02Será que os argumentos levam a essa absolução?
24:06Não creio que a situação seja como foi dito que ela foi perseguida.
24:09Uma criança está morta, seu filho.
24:12Era sua responsabilidade.
24:14A negligência, entre aspas, neste caso, está ligada ao assassinato.
24:19Ela é a adulta que deveria proteger a vida da criança.
24:23Estou errada?
24:24Há que se pensar.
24:26Maria do Rosário.
24:28E aí, o que é que você acha disso tudo?
24:31Muita calma.
24:32Que antes de você achar, e antes de eu achar,
24:35bora para as narrativas.
24:37Música
24:44A extrema direita está dando xilico,
24:47porque na cabeça dessa gente,
24:49tudo é sempre culpa da mulher.
24:51O que eles querem é uma desculpa qualquer
24:55para destilar misoginia.
24:59Agora que está em alta a Red Pio, está em alta a Juliano Cazarré,
25:05eles querem ser misóginos.
25:07Daqui a pouco eles estão falando que não pode mais ter juízo a mulher.
25:11Que mulher não devia votar.
25:13É óbvio que eles são contra julgamento com perspectiva de gênero.
25:17Por quê?
25:18Porque é homem que bate em mulher e que quer justificar isso,
25:22e que quer sair por cima, por isso esse escândalo todo.
25:25O que essa gente não entende é de técnica jurídica.
25:30Eles não querem justiça.
25:32Eles querem vingança.
25:35Monique já pagou durante esses cinco anos,
25:39e é graças à técnica,
25:41que muito bem foi empregada do julgamento com perspectiva de gênero,
25:45que houve esse perdão.
25:47Quem é contra?
25:48É porque é extrema direita, né gente?
25:51Música
25:58Essa história de misoginia é o maior mimimi que já existiu no Brasil.
26:06Não há misoginia.
26:07Qual é o direito que a mulher tenha menos do que o homem?
26:11Aliás, muito pelo contrário, como a gente viu aqui.
26:14Pelo mesmo crime, um homem vai para a cadeia há 43 anos,
26:19e a mulher tem o perdão judicial.
26:22Isso nem na lei está.
26:25É por quê?
26:26É porque agora o judiciário não julga mais nada.
26:30O judiciário virou um sindicato da lacração nacional.
26:35E as mulheres estão mandando em tudo.
26:39Os homens não têm mais direitos nesse país.
26:43Se uma mulher fala qualquer coisa sem provar contra um homem que não fez nada,
26:48é a mulher que leva a melhor.
26:52E isso precisa parar.
26:54A nossa sociedade está indo longe demais com essa história de misoginia.
27:00Música
27:07Qual é a minha opinião?
27:09A minha opinião é que esse episódio é o ápice do estrago que a lacração ou que essa seita woke
27:18tem feito no poder judiciário do Brasil.
27:23É escandaloso que essa juíza não tenha sido afastada.
27:27Vou falar, para mim, o que seria o justo nesse caso?
27:30Seria prisão perpétua para a Monique e para a juíza.
27:34Porque nenhuma das duas tem a menor condição de conviver em sociedade.
27:39Sobre o tal do Jairinho, o que me impede de dizer qual a pena que eu quero para ele?
27:45O código penal.
27:46Enfim, vamos prosseguir aqui nesse caso do perdão judicial.
27:51A coisa foi distorcida de tal forma a deixar sem nenhuma proteção a criança.
28:00Nós temos N problemas nesse julgamento.
28:03Primeiro a juíza, em 2021, já vinha passando pano para a Monique, militando errado.
28:11Vindo com essa história de, ai, que ela está sofrendo ataques machistas, que se fosse um homem não sofreria.
28:17Então, o Alexandre Nardone, todo mundo acha lindo.
28:20O pai do menino Bernardo, vocês lembram dessa história escabrosa também?
28:24Todo mundo achou bonito, o pai do menino Bernardo.
28:28Essa diferenciação que ela faz, como se a mulher fosse oprimida, mostra algo que está presente na alma
28:36desse pessoal que milita errado no judiciário.
28:40Ela quis sinalizar uma virtude que não tem.
28:44Ela quis fingir que é alguém que defende os direitos da mulher, quando ela é machista.
28:53Como assim ela é machista se ela está defendendo a mulher?
28:55Pega aqui comigo.
28:57Quando você respeita alguém, o que você espera desse alguém?
29:02As melhores coisas.
29:04Você é capaz de perdoar quando a pessoa erra.
29:07Mas você não confunde o erro com algo feito de propósito, porque você respeita aquela pessoa
29:16e sabe que ela é capaz de fazer as próprias escolhas.
29:21A juíza não respeita mulheres.
29:24Ela não considera que mulheres sejam capazes de fazer as próprias escolhas.
29:29Ela considera uma mulher praticamente inimputável.
29:36E é desse local tão misógino que ela parte para fazer algo que só vai gerar ódio contra as mulheres
29:46na sociedade.
29:47Porque você já deve ter visto um monte de gente falando.
29:50Mal de juíza mulher e mal disso, mal daquilo. Por quê?
29:52Porque essa juíza não está preocupada em defender a mulher.
29:56Não está preocupada em julgar os processos.
30:00Está preocupada em sinalizar uma virtude que não tem.
30:04Esse grupo que sinaliza a virtude que não tem, eu costumo chamar de flamelinha de minoria.
30:10O que é o flamelinha de minoria?
30:12É alguém que se propõe a cuidar de uma minoria, assim como o flamelinha se propõe a cuidar do seu
30:20carro.
30:20E o mesmo horror que você tem do flamelinha, a minoria tem do flamelinha de minoria.
30:27Porque ele é alguém que só atrapalha.
30:30E posa como se fosse a grande solução de alguma coisa.
30:35E aqui nós estamos diante de uma distorção muito grave.
30:40Esse protocolo com perspectiva de gênero, que é uma resolução do CNJ,
30:46ele conseguiu subverter a própria legislação.
30:51O caso Henri Borel foi tão grave que gerou uma lei, a lei Henri Borel,
30:57que torna hediondos crimes contra crianças.
31:00É de 2022.
31:01E a culpada do caso recebeu perdão judicial?
31:05Como você explica isso?
31:07Eu entendo o seguinte, se o judiciário tiver um mínimo de senso de sobrevivência,
31:15retira todos esses protocolos imediatamente.
31:19A revolta que a população está contra o poder judiciário
31:25é algo que tem sido subestimado.
31:28E que não é nada bom para as nossas instituições e para a nossa democracia.
31:33Bom, pessoal, Narrativas Antagonistas vai ficando por aqui.
31:36Muitíssimo obrigada pela sua companhia.
31:39Não esquece de deixar o meu like, de se inscrever aqui no canal
31:43e tocar o sininho para receber as notificações.
31:47Beijo e até mais.
32:03Tchau.
32:04Tchau.
32:04Tchau.
32:05Tchau.
32:07Tchau.
32:07Tchau.
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