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Guilherme Boulos está de mudança para o PT e deve abandonar a sigla do PSol em breve. A mudança no jogo político vem mirando nas eleições presidenciais para 2030.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Transcrição
00:00O ministro da Secretaria-Geral da Presidência e deputado federal Guilherme Boulos comunicou à executiva do PSOL que deixará a
00:09sigla para se filiar ao Partido dos Trabalhadores, ligado ao presidente Lula.
00:15A decisão já vinha sendo negociada desde o fim do ano passado. Boulos condicionou sua ida ao PT à liberação
00:24de recursos partidários para apoiar a candidatura de sua esposa, Natália, à Câmara dos Deputados por São Paulo.
00:32Nos bastidores, a mudança também é vista como um indicativo de que Lula pode projetá-lo como possível candidato à
00:41presidência em 2030.
00:44A gente pediu aqui para o Wilson Lima, nosso diretor da sucursal de Brasília, gravar um vídeo comentando a reportagem
00:52que ele publicou no site do Antagonista. Vamos assistir.
00:56Olá, amigos. Olá, amigas do Papo Antagonista. Tudo bem?
01:00Então, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Guilherme Boulos, avisou que está de saída do PSOL.
01:10Ele vai se filiar ao PT do presidente Lula.
01:14Esse acerto ocorreu no final do ano passado e, nas conversas do Boulos com a executiva nacional, o Boulos fez
01:22uma única exigência.
01:24Que o partido garantisse para ele estrutura partidária para a candidatura de Natália Boulos, esposa do ministro.
01:33Integrantes do Palácio do Planalto enxergam nesse movimento já uma prévia do que pode acontecer em 2030.
01:40Porque o Boulos, e isso não é novidade para ninguém, ele é o queridinho do presidente Lula.
01:45E agora é lindo para o PT se consolida a possibilidade, se consolida esse projeto de que o Boulos poderia
01:55ser o substituto do Lula em uma eventual disputa presidencial daqui a quatro anos.
02:03E aí, gente, entra outro detalhe, né?
02:06Com essa sinalização do Boulos, isso fica muito claro que o Fernando Haddad perdeu o seu time, perdeu o seu
02:12espaço.
02:13O Haddad que lançou nessa quinta-feira a presidência, não, lançou a sua pré-candidatura na disputa pelo governo de
02:23São Paulo.
02:24Então, meus caros amigos, minhas caras amigas do Papo Antagonista, essa é a informação.
02:30Boulos está saindo do PSOL, indo para o PT de olho em 2030.
02:36Bom, esse foi o Wilson Lima, ele que está acompanhando muito de perto a política lá em Brasília, aqui em
02:41São Paulo também.
02:43E convido agora o Rodrigo Prando.
02:46Prando, como é que você vê essa movimentação do Lula?
02:50O Lula, mostra muito também como é que acontecem aí as escolhas dentro do PT, né?
02:56Meio que o Lula decidindo tudo, né? Como é que você vê isso?
03:00Bom, então também eu quero falar que é um prazer estar com o Graebi também, né?
03:05Enfim, com os dois aqui.
03:06Olha, Duda, é o seguinte, eu uma vez escrevi um texto dizendo assim, Lula é o dono da bola.
03:14O Lula, eu acho até que eu já comentei isso com você, essa metáfora.
03:18Ele gosta muito das metáforas futebolísticas, não é?
03:23E por conta disso, o presidente Lula, ele desce para jogar a bola, com a bola debaixo do braço.
03:29Ele leva o jogo de camisas e ele escolhe quem joga no time dele e como que tem que ser
03:33o jogo.
03:34E se não dá muito certo, ele volta para casa com a bola e com as camisas, não é?
03:38Ele diz até em que posição cada um tem que jogar.
03:41Dá para entender o porquê? Histórico e sociologicamente, sim, né?
03:47Vamos pensar que de 1989 até agora, 2026, o Lula, ele perdeu para o Collor em 89,
03:57perdeu em 94, 98 para o Fernando Henrique, foi eleito duas vezes, fez a Dilma sucessora duas vezes,
04:05preso, o Haddad foi para o segundo turno, perdeu para o Bolsonaro e o Lula no segundo turno ganhou do
04:12Bolsonaro.
04:12Ou seja, o Lula direto e indiretamente está presente em todas as eleições praticamente da nova república de 89 até
04:19agora.
04:20E aí, por que Boulos? O que significa isso?
04:24Significa que de uma forma assim mais objetiva, o presidente Lula nunca permitiu que dentro do PT
04:30nenhuma liderança crescesse e lhe pusesse em algum risco, né?
04:36Certa feita, foram, ah, vamos discutir prévias no partido.
04:40Não, nunca teve discussão de prévias, né?
04:42Ele sempre foi o nome do partido, o nome não só do partido do campo progressista.
04:48Eu costumo dizer, se a gente pegar o cardápio, né, de nomes da direita, da centro-direita
04:55ou da extrema-direita no Brasil, você colocaria aqui na mesa seis, sete nomes presidenciáveis hoje.
05:02No campo da esquerda ou no campo progressista, como preferir, quem nos acompanha aqui,
05:08qual é o nome que não seja o de Lula?
05:10Quem é aquele que teria condições de disputar?
05:14Não tem.
05:15Então, o projeto Guilherme Boulos é um projeto que, no entendimento do Lula, tem similaridades
05:22com a própria trajetória dele, né?
05:24O Lula inicia junto com o PT.
05:27E o PT é um partido que começa lá com o sindicalismo, as comunidades eclesiais de base
05:32e movimentos sociais, né?
05:34Num outro Brasil, o Brasil hoje é outro, mas o Lula começou ali.
05:37Se fez como político a partir dessa base histórica, dessa base no campo da política brasileira.
05:47O Boulos começa de forma combativa num movimento que vai discutir moradia.
05:53E aí fica marcado, por um lado, como alguém combativo, mas por um lado a ideia da invasão
05:59de propriedades.
06:00independente da discussão disso, a narrativa fica muito forte, colocando ele como um radical.
06:06O Lula levou um tempo pra moldar a forma dele aparecer, Duda, e você vai lembrar disso,
06:14Greb, também, do Lulinha Paz e Amor.
06:17O Lula deixou de ser o cara que gritava com um cigarro enfiado aqui, uma barba não bem aparada,
06:25mangas de camisa, errando no português, mas ele até que, depois de perder pro Collor,
06:32pro Fernando Henrique, Fernando Henrique falou, ó, nós precisamos mexer na imagem do Lula,
06:36agora ele já tá com uma barba branca, é um senhor, é um avô, vamos colocar uns ternos bem cortados,
06:41camisa sob medida, eu não sei o que é isso, né?
06:44Mas eu sei que é muito bom, né?
06:46Porque pelo preço eu sei que é muito bom, né?
06:48Mas, e aí foi feita uma operação, lembrando que nisso tem um aspecto importante, o vice,
06:54o Zé de Alencar, um empresário pra mainar os ânimos e a famosa Carta dos Brasileiros.
06:59Com bolos já tem sido feito isso.
07:02Agora tem uma questão, tá?
07:04E aí depois eu não vou me alongar, vou parar nisso pra passar a bola.
07:07Mas, o bolos foi candidato a prefeito de São Paulo duas vezes.
07:12Foi derrotado nas duas.
07:13E o que me impressionou, em termos políticos, é que praticamente a mesma votação na primeira derrota foi a mesma
07:21na segunda.
07:22E uma questão também importante, né?
07:26Ainda que ele seja jovem e, portanto, mais conectado com as redes sociais,
07:32ele conseguiu ter uma votação mais expressiva nos bairros mais ricos de São Paulo e não nas periferias.
07:38Então, isso é uma coisa que, de fato, o pessoal já pensa e o próprio PT tem que pensar o
07:44seguinte.
07:45A base histórica do PT, digamos assim, aquele trabalhador da fábrica,
07:50aquele trabalhador da indústria automobilística, já não é o mesmo de hoje.
07:54E muita gente vê de forma diferente.
07:57Mas eu não quero me alongar.
07:58Agora, me parece que é um nome, de fato, escolhido pro Lula.
08:02A camisa 10 vai ser dada a ele, se assim permanecer.
08:05E a bola vai ser jogada.
08:07Agora, lembrando, 30 se o Lula for reeleito.
08:12Então, estamos contando.
08:13Então, ainda a gente tem que esperar isso.
08:14Mas é uma escolha pessoal, praticamente.
08:17Grae, você acha que vem aí um bolinhos paz e amor em 2030?
08:21Vai dar certo?
08:22Olha, não tem dúvida que tem um ensaio sendo feito com o Boulos já há algum tempo.
08:28Se você lembrar da última eleição da prefeitura do Boulos,
08:33teve um momento nas propagandas eleitorais,
08:35e é óbvio que o que acontece em propaganda eleitoral e debate não é por acaso,
08:40que ele imitava o jeito de falar do Lula.
08:43Ele engrossava a voz, ele falava daquele jeito.
08:46Isso aconteceu.
08:48Eles estão fazendo testes de laboratório com o Boulos.
08:53Agora, ele foi levado à condição de ministro, aparece de terno,
08:57vai fazer na semana que vem encontros com os caminhoneiros.
09:01Ele está aprendendo o gestual do poder, vamos dizer assim.
09:09Então, claro, tem um esforço de construção em torno do Boulos.
09:14Ele tem algumas virtudes, que você apontou, né?
09:20Mas também não dá aquela mostra de ser o cara que vai disparar como um foguete.
09:28Daí eu me lembro daquela conversa que a gente teve ontem,
09:33no programa de ontem, com o Bruno Soller, o nosso parceiro do Lulômetro.
09:36Ele falou que o PT ainda não entendeu que o maior eleitorado brasileiro é a classe C
09:43e que a classe C de hoje tem outras pretensões, outras expectativas.
09:49É um outro bichinho, diferente daquele que ascendeu nos dois primeiros mandatos do Lula.
09:57O PT não aprendeu a falar com essa classe.
10:00E eu não sei se o Boulos é o cara certo para fazer isso.
10:03porque, como você estava observando, por enquanto ele está falando mais com a classe A e B,
10:08com a esquerda chique, a esquerda caviar brasileira.
10:12Então, eu não sei.
10:15O que eu quero dizer com isso?
10:17O Lula disputou três eleições antes de se eleger.
10:22Não sei se em 2030 o Boulos vai estar pronto para ganhar a eleição.
10:27Ele vai estar em alguma fase no processo de construção.
10:33Não sei não. Acho que não.
10:35Está muito bom o Papo Antagonista, que foi gravado ontem.
10:39Então, recomendo que vocês assistam também no YouTube.
10:42O Bruno Soller fala também que essa ideia do Lula de tirar,
10:46de dar a isenção do imposto de renda para até quem ganha R$ 5 mil,
10:50era um objetivo de conquistar essa classe C.
10:53Só que o problema é que essa classe C, muitas vezes, está no mercado informal.
10:57Então, assim, não está conseguindo, o PT não tem conseguido atrair esse eleitor.
11:04E o Boulos também tem começado a falar, a tentar falar com esses pequenos empreendedores,
11:10que são os entregadores de aplicativo e motoristas.
11:15Mas já deu tudo errado, porque ele estava falando de estabelecer uma tarifa mínima.
11:23E aí, óbvio, esses motoristas e entregadores de aplicativo entenderam que o preço vai subir.
11:29Porque se você põe uma tarifa mínima, a plataforma vai aumentar o preço para o cliente.
11:36Vai diminuir o serviço.
11:38E aí o Boulos depois estava tendo que explicar que não era nada disso.
11:41Então, assim, eles acabam se enrolando.
11:44É, eu acho que esse é um bom exemplo de discurso velho, discurso seletista, vamos dizer assim,
11:51para um tipo de jovem que não quer mais as mesmas coisas que se queria 20 anos atrás.
12:00Essa ideia de trabalhar por conta própria, de ter uma certa autonomia,
12:05tem o seu lado negativo, mas as pessoas também querem isso.
12:12Não é que elas estão sendo forçadas a buscar essa autonomia.
12:15Não sei se você concorda.
12:18Eu concordo, sim, em parte com o que você está falando,
12:21mas não é nem discordar com a outra parte, é só acrescentar uma coisa.
12:25É muito difícil, como eu falei aqui,
12:28que o Lula se fez em três grandes pilares, não é?
12:32Num tripé.
12:33As comunidades eclesiais de base, do catolicismo,
12:38o movimento sindical, do ABC principalmente, não é?
12:42E os movimentos sociais.
12:45Aquele mundo dos anos 70 e 80, ele já não existe mais.
12:49Não é que ele não existe no Brasil.
12:51O mundo mudou de fato.
12:53Então, é esta questão, por exemplo, da uberização,
12:58de uma discussão de que ao mesmo tempo jovens querem ser empreendedores.
13:03Bom, eu estava na sala de aula esses dias e o aluno falou assim,
13:06professor, desculpa, há quanto tempo você está dando aula aqui no Mackenzie?
13:09Eu falei assim, 21 anos.
13:1121!
13:12Ele quase deu um grito.
13:14Deus me livre.
13:15Aí que está.
13:16Só não saiu um Deus me livre,
13:18porque na cabeça deles não tem nenhum problema mudar de emprego.
13:23Então, hoje, a gente tem uma dinâmica, isso no campo sociológico,
13:28em que você tem, de fato, um perfil de um jovem ou de grupos sociais
13:33que preferem não trabalhar com CLT, não é?
13:37Prefere trabalhar por conta, mas por um outro lado,
13:41é porque são jovens mais velhos vão se ressentir, por exemplo,
13:46da ausência de uma aposentadoria, de um FGTS, de uma proteção social,
13:50a dificuldade de simplesmente usar o SUS e não ter um plano de saúde.
13:55Eu não sei, eu ando muito a pé aqui pelo centro de São Paulo para ir para o trabalho,
14:00para a minha casa, só não vim a pé para cá por causa do tempo, né?
14:03Mas eu ando muito a pé.
14:04Vejam só, antes dirigindo ou andando a pé,
14:08a gente olhava sempre para o lado da rua que via o carro,
14:11agora você olha para aquele lado e você tem que olhar para o outro,
14:13porque vinha o motoboy na contramão, tá bom?
14:16Agora você tem que olhar na calçada, porque o ciclista, entregador, está na calçada.
14:21É verdade.
14:22Ou derrubando a gente, ou crianças com carrinho ou idosos.
14:25E agora tem os patinetes.
14:27Então agora há pouco eu quase fui atropelado por um cara de patinete,
14:30com um cachorro no patinete, na calçada.
14:33E aí o que acontece?
14:35E por quê?
14:35Porque a lógica é uma lógica predatória,
14:38de quanto mais entregue, mais rápido, você ganha mais.
14:42Então você pede pelo aplicativo, na sua casa, a pizza.
14:46Se começa a demorar, você fica angustiado.
14:48Mas quando você está na rua, você fica bravo que ele está na contramão.
14:51Mas se a pizza chegar logo, você fica feliz.
14:54Diga, pode por favor.
14:55Não, você sabe que eles precisam de aposentadoria, né?
14:59Tanto que os sindicatos, sei lá, os grupos organizados de entregadores,
15:06falam, a gente quer discutir previdência, a gente quer discutir aposentadoria,
15:12mas a gente não quer discutir essa história de preço mínimo.
15:14Deixa isso para a gente resolver.
15:16Deixa o mercado resolver.
15:17Exato.
15:19E essa história de que, eu concordo contigo,
15:21essa história de que entregador é empreendedor, isso eu já acho enganação.
15:25É, tem.
15:26Eu acho que as pessoas têm uma ambição de empreender
15:30e eu acho que elas podem, talvez, começar se descobrindo, trabalhando sozinhas.
15:37Agora, que um motorista de Uber, um entregador é um empreendedor,
15:41eu já acho uma forçação de barra.
15:42Eu ia fazer o último comentário, mas não sei se dá tempo.
15:45Se não, a gente roda.
15:45Dá tempo?
15:46Então tá bom.
15:47Estamos em casa.
15:47Tem uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo.
15:50Para quem não sabe, os partidos políticos têm fundações.
15:53A fundação do PT é a Fundação Perseu Abramo.
15:56Eu acho que esta pesquisa não é tão recente.
16:00Ela é uma pesquisa, você encontra no site lá, você pode colocar no Google,
16:04é uma pesquisa que fez retratos da juventude na periferia, tá?
16:08E isso era governo Dilma.
16:10Sabe qual foi a grande descoberta da pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo?
16:15Que você perguntava para o menino que trabalha na padaria, no mercadinho, na farmácia,
16:20você perguntava assim, vem cá, existe aí uma relação tensa entre capital e trabalho,
16:26um conflito de classes entre vocês?
16:28Ou seja, a pergunta era assim, tem um conflito burguesia-proletariado?
16:32Sabe qual era a resposta?
16:33Não.
16:33Eu e o meu patrão estamos no mesmo barco.
16:36O problema é o governo que cobra muito e não entrega.
16:38E o grande desejo, eu quero empreender ou trabalhar por conta.
16:43Agora, é de fato muito difícil numa sociedade como a nossa, que tem infelizmente ainda hoje,
16:51uma estrutura que remonta na mentalidade até os tempos da escravidão,
16:57com os princípios do liberalismo que aqui nunca se firmaram completamente.
17:02Então veja, você estava comentando comigo aqui em off, né?
17:04Do Gilberto Freire, do Casa Grande Sem Zala.
17:07Então, este modelo, o Gilberto Freire, quando escreveu Casa Grande Sem Zala,
17:13ele escreve da perspectiva da Casa Grande.
17:16Porque ele era de uma família abastada no Nordeste.
17:19Ele foi para os Estados Unidos, ele conheceu outras culturas, falava melhor inglês,
17:24alfabetizado, achava que ele não conseguia nem falar português,
17:27que ele era meio abobado.
17:28E depois descobriram que, na verdade, ele é porque ele sabia falar inglês muito bem.
17:32Só que é uma outra perspectiva.
17:34Então, às vezes eu fico imaginando o nosso empresariado, que quer o liberalismo,
17:38mas quando tem uma crise econômica, corre no Estado com subsídio.
17:42E do outro lado, quer tratar funcionário como se fosse um escravo.
17:47Mas eu não vou me alongar muito, mas o Boulos, eu imaginei que o Boulos
17:51fosse pegar este documento da Fundação Perseu Abramo e fosse discutir.
17:56E aí eu percebi que quem conseguiu melhor verbalizar com esta categoria,
18:01quem foi na eleição?
18:03Pablo Marçal.
18:04E o Boulos, no finalzinho da eleição de 2024 para a Prefeitura,
18:09que ele falou alguma coisa de empreendedorismo.
18:12A gente até chamou a atenção, olha só o Boulos falando de empreendedorismo.
18:15Mas assim, ninguém levou a sério.
18:16Para a esquerda, a coisa do empreendedorismo é quase que uma questão de ofensa.
18:22Coisa feia.
18:22Ou de se entregar à ideologia da classe dominante.
18:25Agora, uma observação aqui.
18:27Gostei de vocês falando em off de Gilberto Freire.
18:31Quem imaginava que ia ser uma conversa em off, assim, tipo, for caro?
18:36Não, não, não, não.
18:38Eu só estou tomando água mesmo, né?
18:41Não é Macallan?
18:43Não, esse eu acho que eu não tomei ainda, não.
18:46Não, não, não.
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