00:00O ministro das Relações Exteriores, Mauro Veira, que está em Paris para a reunião do G7,
00:04se reuniu com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
00:08Anneli, traz mais detalhes para a gente, porque esse diálogo tratou da cooperação entre Brasil e Estados Unidos
00:13contra o crime organizado, uma pauta extremamente sensível para o governo brasileiro.
00:18Uma boa tarde, meu amigo.
00:22Mais uma vez, boa tarde a você, Cássio, e a todos aqui no 3 em 1 da Jovem Pan.
00:26Exatamente isso. Foram duas reuniões ao longo dessa sexta-feira entre o ministro das Relações Exteriores,
00:32o chanceler Mauro Vieira, e o chefe do Departamento de Estado americano, Marco Rubio.
00:36Essas reuniões aconteceram de forma paralela ao encontro do G7,
00:41que acabou, então, trazendo os líderes dos departamentos internacionais,
00:47os chefes, os chanceleres dos países, para esse encontro.
00:51E, paralelamente, então, os dois tiveram duas reuniões nessa sexta-feira.
00:56Basicamente, essas reuniões trataram de comércio entre os dois países
01:00e também a cooperação no combate ao crime organizado.
01:04E, como você destacou agora há pouco, né, Cássio?
01:06Justamente, o que vem ganhando, então, mais espaço nessa agenda entre Brasil e Estados Unidos
01:11é justamente aquela possibilidade de o governo americano, conduzido por Donald Trump,
01:16e classificar as facções aqui do Brasil, principalmente o PCC, o primeiro comando da capital,
01:21e o CV, o comando vermelho, como organizações terroristas.
01:25Isso poderia abrir espaço para que o governo americano pudesse intervir de alguma forma aqui no país.
01:32O governo brasileiro, então, tem tentado manter todo o diálogo nesse sentido
01:36para fazer com que haja não só uma colaboração entre os dois países no combate ao crime organizado,
01:42mas também para que não haja nenhum tipo de classificação nesse sentido.
01:45E aí, esses diálogos, então, são muito valorizados pelo Itamaraty,
01:50no sentido de manter o canal aberto com o governo americano.
01:53E o governo brasileiro também tem interesse em manter esse tipo de diálogo,
01:58como aconteceu nessa sexta-feira, porque, até o momento, não existe data marcada
02:02para aquele encontro que, inicialmente, estava previsto para março
02:06entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
02:10Havia a previsão de que esse encontro pudesse acontecer no final desse mês.
02:14Ele foi adiado para abril e, até o momento, não tem nenhum tipo de reunião marcada,
02:20nem confirmada pela Casa Branca e nem mesmo pelo Palácio do Planalto.
02:24Cássios.
02:25Valeu, Nelly. Obrigado pelas informações.
02:27Bom, gente, vamos debater porque esse encontro é extremamente importante,
02:30não só para discutir as ações de cooperação entre os dois países
02:33em relação ao combate ao crime organizado,
02:35mas também para fazer um alinhamento, afinar todos os detalhes
02:38de um possível encontro entre o presidente Lula e também o presidente norte-americano, Donald Trump.
02:43Zé Maria Trindade, é um encontro que pode acontecer nas próximas semanas,
02:47mas ganha, pelo menos, outros contornos,
02:50devido a essa possibilidade do governo dos Estados Unidos
02:54querer classificar as facções criminosas do Brasil como grupo terrorista?
02:59Pois é. O presidente norte-americano, Donald Trump, é o dom da fúria, né?
03:04Ele demonstrou que está mesmo acima de acordos internacionais,
03:09desses instrumentos internacionais criados para garantir a paz contra a guerra
03:16e ele está defendendo os interesses dos Estados Unidos.
03:20Esta é a lógica dele.
03:21E, diante disso, não é só o tratamento com o Brasil,
03:26mas ele lida, por exemplo, com aliados históricos,
03:29como a Inglaterra, por exemplo, como adversário,
03:34porque na guerra da economia é assim.
03:39Então, é esta a relação dele.
03:41Ele defende os Estados Unidos.
03:42Ele é o presidente dos Estados Unidos.
03:45E também constante, porque ele, quando tem informações
03:48sobre um determinado momento de um país,
03:51interfere no país em que ele preside e ele reage.
03:55Então, qual é a grande preocupação dele?
03:57É o consumo de drogas nos Estados Unidos.
04:00Os Estados Unidos é o grande centro consumidor de drogas do mundo.
04:04Antes, o discurso era, olha,
04:06você que tem que controlar o seu consumo,
04:09eu não posso ficar controlando a produção e a exportação.
04:14O Brasil não é produtor de drogas, mas é um grande exportador.
04:18Ou seja, a droga está entrando aqui para ser reposicionada para os Estados Unidos.
04:24E lá, a situação é mais grave do que no Brasil.
04:28Nós vivemos aqui no Brasil uma epidemia,
04:33uma epidemia do uso de drogas legais e ilegais,
04:37e todo mundo faz de conta que não existe.
04:39Todo mundo faz de conta que não está acontecendo nada.
04:42Um deputado que lida com isso, o deputado Osmar Terra,
04:47que foi o autor desta lei anti-drogas que está em vigor,
04:51que foi até mudada no Congresso,
04:53ele me diz o seguinte,
04:54que hoje não há uma família que possa dizer que está livre 100% de um dependente.
05:01E aí ele diz que antigamente eram pessoas mais simples e tal,
05:06que procuravam ele.
05:08Hoje, colegas, deputados, senadores,
05:11sabem que ele lida muito bem com centros terapêuticos e tal,
05:15e lida com isso.
05:16Vai atrás dele, colegas, dizendo,
05:18olha, tem uma pessoa, um parente, um filho meu.
05:21Então, há um problemão para ser resolvido.
05:23E o Brasil faz de conta que não existe,
05:26que está tudo certo.
05:27Não está tudo certo, não.
05:28Então, é esta a lógica do presidente Donald Trump.
05:31Ele está agora assumindo que é um país grande consumidor,
05:36mas é preciso interromper, interromper o fluxo.
05:40Diz, me ensinou Osmar Terra.
05:42Ele é médico.
05:43Numa epidemia, o que se faz?
05:46Isola o agente transmissor.
05:49Quem é o agente transmissor nesta epidemia de drogas?
05:53É o traficante.
05:54Ele tem que ser isolado.
05:56É o caso que o Donald Trump está falando.
05:58Então, este é um assunto importantíssimo.
06:00Fora isso, há as pendências comerciais, né?
06:03Uma garantia de que não haverá um novo tarifácio.
06:06E as tarifas, ainda existem algumas,
06:09evidentemente, num número menor,
06:11elas têm que ser controladas.
06:13Só que esse encontro do presidente Lula
06:15com o presidente Donald Trump
06:16acontece num momento muito sensível.
06:19Muito sensível.
06:19Porque o presidente Donald Trump está em mais uma guerra, né?
06:23Porque existem várias frentes de guerra.
06:26E mais, o Brasil está se posicionando aí cada vez mais
06:30contra os Estados Unidos.
06:32E ainda, diante desta postura do presidente Lula,
06:36o Brasil pode ser considerado como um adversário dos Estados Unidos.
06:41E isso é muito grave.
06:43O presidente Lula vai levar propostas,
06:45inclusive de acordo,
06:46para combater o crime organizado,
06:49para combater as facções, né?
06:51Seria melhor mesmo fechar um acordo de inteligência
06:54e até de armamento para enfrentar aqui outro problemão,
06:57que é o crime organizado.
06:59Com certeza, Zé.
07:00Inclusive, o próprio presidente Lula vai levar na mala, né?
07:02Toda a legislação brasileira,
07:03tentar explicar para Donald Trump, né?
07:06Como é que funciona essa questão, né?
07:07Do combate ao crime organizado,
07:09as principais operações,
07:10de que forma o governo tenta combater isso,
07:13na tentativa de demover os Estados Unidos
07:15dessa ideia de equiparar facções criminosas,
07:18aqui no Brasil, o PCC e o Comando Vermelho,
07:21com organizações terroristas,
07:23devido a essa questão jurídica,
07:25sobre a finalidade de que é uma facção criminosa
07:28do que uma organização terrorista.
07:31Ô, Fábio Piper,
07:31como é que você analisa também essa reunião
07:33que vai ganhando também um ar cada vez mais sensível
07:36e também com muitos desafios para o presidente Lula?
07:39Olha, o crime transnacional,
07:41ele é uma realidade.
07:43Só que o crime transnacional,
07:45ele também tem que ser combatido
07:47com colaboração entre os Estados
07:49e não com intervenção.
07:51O presidente americano,
07:53que está no poder hoje,
07:54é um dos líderes mais torpes e combatidos
07:57e com rejeição no mundo.
07:59Ninguém mais quer saber dele.
08:00Aliás, essa semana houve uma votação na ONU
08:03sobre a questão lá do reconhecimento
08:08da escravidão,
08:10de condenar a escravidão
08:12a partir da captura de africanos e tal.
08:16E o mundo inteiro votou contra isso,
08:20à exceção dos Estados Unidos,
08:21Israel e Argentina,
08:22que estão, na verdade,
08:25formando um trio,
08:26algo como os três porquinhos
08:28da política externa mundial.
08:30Muito bem.
08:31O fato é que o Brasil,
08:34então, ele tem que aceitar colaboração,
08:38mas não de forma alguma
08:39qualquer tipo de intervenção.
08:42Isso não.
08:43O Brasil acabou de mudar a lei.
08:45Nós ficamos discutindo aqui
08:46um tempão o PL antifacção.
08:49Então, o PL antifacção, por exemplo,
08:52ele já endurece as penas.
08:54A questão de transformar agora,
08:57classificar esses grupos
08:58como terroristas,
09:00não muda nada internamente
09:03o que já foi decidido
09:04pelo Congresso,
09:05pelo soberano Congresso brasileiro,
09:08mas, em compensação,
09:09abre a possibilidade
09:10de um precedente aventureiro
09:13de um líder como Donald Trump,
09:16que é o senhor da guerra,
09:18que está semeando guerra
09:18e ameaçando, inclusive,
09:20agora com uma recessão mundial.
09:22Está todo mundo pagando essa conta.
09:24Então, o Brasil vai para esse encontro.
09:26O Brasil tem que discutir
09:27sim temas sensíveis.
09:29E eu acho que o Brasil vai discutir
09:32com o presidente,
09:33com o presidente de um país amigo,
09:36apesar de tudo, né?
09:38Mas, veja, o Brasil tem que continuar
09:40se relacionando com o resto do mundo,
09:41como, por exemplo, agora,
09:43já estão adiantadas as negociações
09:45para um tratado Mercosul-Canadá,
09:47um tratado de livre comércio.
09:49E, esses dias aqui,
09:50está acontecendo um fórum
09:52realizado pelo jornal Valor Econômico
09:54lá em Xangai
09:55e muitos brasileiros,
09:57autoridades brasileiras,
09:58conversando cada vez mais com chineses.
10:01Então, eu acho que é muito mais interessante
10:04o Brasil continuar tendo aliados e amigos
10:06não intervencionistas.
10:09Alangânio, eu quero te ouvir também
10:10em relação a essa pauta,
10:11porque Vieiro e Marco Rubio,
10:13discutindo a relação ao combate
10:16ao crime organizado,
10:17é uma pauta extremamente sensível,
10:19ainda mais para o governo
10:20do presidente Lula.
10:21Como é que você enxerga
10:23essa possível aproximação
10:24entre os dois presidentes,
10:25entre as duas lideranças,
10:26mas também discutindo assuntos
10:28importantes e com finalidades
10:30de ambos os países?
10:31O Zé tocou, né?
10:32Tem a relação do tarifácio,
10:34tem questões diplomáticas envolvidas,
10:35mas a pauta do combate
10:37ao crime organizado
10:39é uma pauta que o presidente Lula
10:40vai ter que, de certa forma,
10:42tentar persuadir
10:43ou, pelo menos, conseguir
10:45que Donald Trump coloque um pé
10:46no freio em relação
10:47ao território nacional.
10:48Olha só,
10:49o fato de você classificar
10:51o PCC,
10:52o Comando Vermelho,
10:54como terrorista
10:55ou organizações criminosas
10:57de tráfico de drogas internacionais,
10:59eu acho que muda pouco
11:01a realidade interna.
11:03Na verdade,
11:04essas organizações
11:05têm o poder
11:06que elas têm,
11:06devido à alta impunidade
11:08do Estado brasileiro,
11:10então a gente precisa
11:11melhorar as leis
11:12e, principalmente,
11:14manter os criminosos presos, né?
11:17Não adianta chegar lá
11:18na audiência de custódia
11:19e o juiz liberar,
11:21além do que o maior controle
11:23de fronteiras.
11:24Agora,
11:24o presidente
11:26poderia buscar
11:27um caminho
11:27de não...
11:29não é de negar, né?
11:31De prontidão,
11:32falar,
11:32não,
11:32não quero saber
11:33desse assunto,
11:34isso aqui é assunto nosso,
11:36não,
11:36mas buscar uma colaboração
11:38com os Estados Unidos
11:39numa ação conjunta
11:41do combate
11:43ao tráfico internacional
11:44de drogas.
11:45Mais ou menos
11:47como foi feito
11:48na Colômbia,
11:48que foi uma experiência
11:49muito bem sucedida.
11:51Mas ali,
11:52evidentemente,
11:53que houve
11:53uma cooperação
11:54de ambos os países,
11:57Medellín, por exemplo,
11:58que era uma cidade
11:59completamente dominada
12:00pelo tráfico de drogas,
12:02hoje se tornou,
12:03talvez,
12:03uma cidade mais segura
12:05do que São Paulo
12:06e Rio de Janeiro.
12:08Então,
12:08eu vejo que o caminho
12:09passa por uma colaboração,
12:11mas controle de fronteiras
12:13e o fim da impunidade
12:15aqui é crucial.
12:17Caso contrário,
12:17vamos seguir
12:18enxugando o gelo,
12:19Cássio.
12:20Ô, meus amigos,
12:21antes de tudo,
12:22deixa eu, claro,
12:23falar com o pessoal de casa,
12:24só pra avisar todo mundo
12:25que o nosso 3-1
12:25vai seguir até as 6 da tarde,
12:27só que sem a Langane.
12:29Ele já tá aqui,
12:30inclusive,
12:30olha só, gente,
12:31já tá com o olhar
12:32meio cabisbaixo,
12:33claro,
12:33ele tá triste,
12:34mas estranho, né?
12:35Triste.
12:35Plena sexta-feira,
12:37com a folga já programada
12:39pro sábado e domingo,
12:40a Langane sendo antes do horário,
12:41que história é essa, hein?
12:42Porque, veja só,
12:43Cássio,
12:43em minha defesa,
12:44uma vez por mês,
12:45eu dou aula de sexta à noite,
12:48sábado de manhã.
12:48É sábado bem cedo.
12:50Você caiu nessa?
12:51Aliás, duas vezes,
12:52não, mais até,
12:53porque na sexta-feira
12:55é uma vez por mês.
12:56E aí, né,
12:58vocês aí, claro,
12:59criam,
13:00vocês tinham que estar tudo
13:01no inquérito das fake news.
13:02Ah, não,
13:03esse inquérito interminável,
13:04o que é isso?
13:05Ô, Piperno,
13:06você acha,
13:06você viu algum fundo de verdade
13:08nessas palavras de Allan Gani
13:09ou é migué?
13:10Não,
13:10toda semana tem uma...
13:12É toda semana?
13:14É uma vez por mês.
13:16Ele é criativo nas ideias,
13:17dá aula,
13:18ele viaja,
13:19é,
13:20é,
13:21é,
13:23Zé,
13:24Zé,
13:24a boate
13:24que o Allan Gani
13:25vai para a Medina,
13:25hein?
13:28Olha só,
13:29isso aí é uma lenda,
13:30o Allan considera-se
13:31que é uma diversão,
13:32não exatamente
13:33uma tortura
13:34ou um trabalho,
13:35né?
13:36Ele,
13:37a gente vê
13:37que ele faz com alegria
13:40esse trabalho aqui,
13:41então é diversão.
13:42Mas é pior que a mesma,
13:43a gente fala de assunto sério,
13:44assunto sensível,
13:45complexo,
13:46e no final
13:46a gente sempre se diverte,
13:47esse é o clima
13:48e o que a gente propõe
13:49para todo mundo de casa
13:50do nosso 3 em 1.
13:51Gani,
13:52então,
13:52sem mais delongas,
13:53pode descansar,
13:54cestou para você.
13:55Muito obrigado,
13:56gente,
13:56e é verdade o que o Zé falou,
13:58viu?
13:58Aqui a gente faz com alegria,
13:59joga solto,
14:00o time todo aqui joga solto.
14:01Zé,
14:02rola um decreto
14:02um pouco antes
14:03para o Gani?
14:05Ah,
14:06sim,
14:06é,
14:07é,
14:07é o seguinte,
14:08já houve aqui a confirmação,
14:10apesar dessa confusão aí
14:11de CPI,
14:12de Congresso Nacional,
14:13já está,
14:14eu já posso antecipar,
14:15já está confirmado,
14:17hoje é sexta-feira,
14:18sexta-feira mesmo,
14:19está confirmado.
14:20Pelo menos para a Langane,
14:21tudo certo.
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