00:00Em depoimento à CPI do Crime Organizado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
00:04negou que teve conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal sobre a liquidação do Banco Master.
00:11Beatriz Souza chega ao vivo aqui no nosso 3 em 1 com todas as informações e, é claro, as repercussões
00:16da fala
00:17do presidente da Autoridade Monetária, Beatriz. Boa tarde, minha amiga.
00:24Oi, Cássio. Boa tarde pra você, pra todos que estão acompanhando a gente aqui na Jovem Pan.
00:28Pois é, Cássio, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, falou hoje na CPI do Crime Organizado,
00:35essa oitiva que já era esperada há algum tempo. Ele respondeu o questionamento, Cássio, de quatro senadores,
00:42uma sessão já aí meio esvaziada nessa reta final da CPI do Crime Organizado.
00:49Ele disse, então, que o Banco Central adotou uma série de medidas desde o ano de 2023
00:54em relação às suspeitas de fraude do Banco Master, mas foi em 2025 que essas ações foram aprofundadas
01:03e resultou, então, na liquidação do Banco Master.
01:07Ele falou também sobre uma reunião no Palácio do Planalto que aconteceu em 2024.
01:13Esse foi um dos pontos que o senador Eduardo Girão usou pra poder fazer esse convite para Gabriel Galípolo.
01:22E ele disse, então, que esteve, sim, nessa reunião com o presidente Lula, Daniel Vurcaro,
01:27alguns ministros e que o tom, a narrativa de toda essa reunião, a pauta seria, então,
01:34de que o Banco Master estaria ali sendo perseguido e que ele recebeu, então, orientações
01:40para agir de forma o mais técnico possível.
01:44Essa recomendação feita, então, pelo presidente Lula, segundo Gabriel Galípolo.
01:50Sobre essa reunião dos ministros que você acabou de mencionar, ele também foi questionado na CPI
01:56se ele teve encontros com ministros do Supremo Tribunal Federal pra falar sobre o Banco Master.
02:02Ele negou, disse que não teve encontros pra falar sobre o Banco Master,
02:07mas se reuniu, sim, com ministros do Supremo Tribunal Federal.
02:11Inclusive, ele foi até a corte pra conversar com esses ministros.
02:16A gente separou um trecho da fala dele detalhando sobre qual seria o tom, a pauta, então, dessas conversas.
02:24Vamos assistir, Cássio.
02:25Aí eu passo a ter uma reunião com uma série de ministros do Supremo
02:32Magnitsky.
02:34Essas reuniões, elas tinham dois tipos de cuidados que precisavam ser tomados.
02:39De um lado, a publicidade sobre a reunião ensejava qualquer tipo de ilação que podia se reverter em risco
02:49para o sistema financeiro.
02:50Especificamente sobre o tema Banco Master, o senhor não tratou com nenhum ministro da Suprema Corte.
02:56Todos os temas que a gente tratou, como diz, da Suprema Corte, estavam sempre relacionados
03:00a isso que eu comentei agora.
03:02De você ter ali dentro um sigilo que possa ser de qualquer pessoa.
03:06Especificamente no que se diz respeito.
03:08Não, sempre relacionado com isso.
03:09Sempre relacionado com isso.
03:10Nada a ver com o Banco Master.
03:12Nenhum processo relacionado com quem está colocando aqui.
03:15Todo o processo que tenha envolvido o sigilo,
03:18que aí envolve sigilo de familiares,
03:20envolve sigilo do próprio ministro, dado que a Magnitsky...
03:28Pois é, e sobre Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central,
03:33que foi convocado para depor também na CPI do crime organizado,
03:37mas não compareceu pela terceira vez,
03:40Gabriel Galípolo disse que sindicâncias internas do Banco Central
03:45não foram encontradas evidências de que Roberto Campos Neto teria atuado, então,
03:51para favorecer Banco Master ou, então, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
03:57E aí agora, Cássio, nessa reta final da CPI do crime organizado,
04:01que já tem data de encerramento para o dia 14, ou seja, na terça-feira da semana que vem,
04:06está previsto, então, na terça-feira o depoimento de Cláudio Castro,
04:10segundo o presidente da CPI, está confirmado esse depoimento,
04:13ex-governador do Rio de Janeiro,
04:15e também a leitura do relatório final para poder, então, ser votado.
04:20Esse é o resumo da CPI do crime organizado, viu, Cássio?
04:24Qualquer atualização, eu volto com você.
04:26Perfeito, Bia. Obrigado pelas informações.
04:28E, olha, gente, depoimento extremamente importante,
04:30porque tudo que envolve o caso do Banco Master,
04:32há uma certa nuvem, né?
04:34Há toda informações meio nebulosas,
04:36uma certa incerteza, falando aí por meio de terceiros,
04:39e a presença de Gabriel Galípolo,
04:42que, por muitas vezes, teve conversas com o ministro do STF,
04:45que teve reunido com o presidente Lula,
04:47com o Daniel Vorcaro, com outras autoridades,
04:50trouxe um pouco de informação e de clareza
04:52para muitos assuntos que a gente estava tratando
04:55no espaço da especulação.
04:57Zé Maria Trindade, eu quero te ouvir em relação
04:59a essa fala de Galípolo sobre ele negando
05:02as conversas que teve com o ministro do STF
05:04e que, quando conversou, principalmente com o Alexandre de Moraes,
05:07tratou apenas, barra somente, sobre a lei Magnitsky.
05:13Pois é, essa foi uma aversão, né?
05:16Houve a confirmação do encontro,
05:19o ministro Alexandre de Moraes estava mesmo
05:22sob efeito da lei Magnitsky,
05:25e muita gente dizia que não estava entendendo direito
05:29se o Banco do Brasil poderia, por exemplo,
05:32operar as contas bancárias dele,
05:35se ele poderia usar um cartão de crédito nacional
05:39e assim por diante.
05:41Então, é coerente que uma autoridade do tamanho
05:44de um ministro do Supremo Tribunal Federal, né?
05:47Faça indagações ao presidente do Banco Central.
05:52Acho que poderia ser um gerente da agência bancária
05:56que iria conversar com o diretor e assim por diante, né?
05:59Fosse um correntista normal.
06:02Mas esta reunião foi confirmada
06:04e no momento ali em que já estava em crise
06:09e a possibilidade de intervenção, né?
06:12Ou liquidação do Banco Massa,
06:14que na verdade é uma pirâmide financeira.
06:17Então, assim, além de se defender,
06:18o Galípolo defendeu o presidente anterior,
06:22o Campos Neto, né?
06:23Dizendo que não há nenhum inquérito,
06:25não há nenhum inquérito sobre esse assunto
06:27contra o Campos Neto.
06:29E todas as indicações, inclusive do Tribunal de Contas da União,
06:32mostram que lá atrás,
06:35tudo que foi, todas as decisões tomadas,
06:38foram colocadas exatamente no momento exato,
06:42no momento em que se apresentavam as contas do banco.
06:44Agora, o presidente Lula já quer jogar lá para trás,
06:50dizer na autorização para o funcionamento do banco.
06:54O Vorcaro, com sua influência política
06:57e com a sua, evidentemente, esperteza para o mal,
07:02ele dizia que estava tentando se defender,
07:05sendo atacado pelos grandes bancos.
07:07Os grandes bancos têm uma operação concentrada,
07:13que, ou seja, pouquíssimos bancos,
07:15eu acho que quatro bancos comerciais operam no Brasil.
07:18Isso é muito pouco, no varejo, né?
07:20E ele diz que estava sendo atacado
07:24pela forma agressiva de atuar do Banco Master.
07:28Não era forma agressiva,
07:30era forma predatória.
07:32Tanto é que se predou.
07:35Se todos os bancos acompanhassem
07:37o que pagava o Banco Master,
07:39os outros bancos também teriam prejuízos,
07:42ou talvez quebra.
07:43Então, este é o caldo cultural ali do banco.
07:49E assustou a todos, porque é o seguinte,
07:52nós pensávamos que o Banco Central
07:55tinha total controle das instituições financeiras.
07:58O Banco Master operava no varejo também,
08:01e operava com órgãos públicos,
08:04que tinham que ter a segurança,
08:07a chancela do Banco Central.
08:09E aí a gente vê que não é bem assim,
08:12e que apesar de ser um banco elogiado
08:16no mundo inteiro,
08:17que opera, por exemplo,
08:19a chancela ou o Pix,
08:21que é uma grande inversão
08:22que vai para o mundo inteiro,
08:24a gente vê que não fiscalizava
08:26um banco como o Banco Master,
08:28que poderia quebrar muitas famílias.
08:30Eu repito que quando a empresa quebra,
08:33qualquer que seja ela,
08:35é triste para a sociedade.
08:37Porque ali vão embora empregos,
08:39vão embora situações econômicas
08:41que agitam a economia,
08:43melhoram a vida de pessoas.
08:44Mas quando um banco quebra,
08:46ele leva junto correntistas,
08:48que não são sócios,
08:49apenas colocaram dinheiro lá,
08:51e isto é, sim, muito mais grave.
08:53Perfeito, Zé.
08:54Olha só, Gabriel Galípolo
08:55também falou sobre o encontro
08:57fora da agenda
08:58que teve com o presidente Lula
08:59e também com o Daniel Vorcaro
09:01e Augusto Lima,
09:02ex-sócio do dono Banco Master
09:04lá no Palácio do Planalto.
09:05Os dois disseram a Lula
09:06que tinham métodos inovadores
09:08e que vinham sendo perseguidos
09:10por incomodar a concorrência.
09:12Para o presidente do Banco Central,
09:14que esteve nessa reunião,
09:16o argumento fazia pouco sentido,
09:18já que o Master
09:18era considerado um banco pequeno.
09:21Galípolo também afirou
09:22que as únicas recomendações
09:24que recebeu após a reunião
09:26foram a de que ele acompanhasse
09:28o Master de maneira técnica
09:29e sem pirotecnia.
09:31Vamos ouvir.
09:32Recebi.
09:33Sempre assim, olha,
09:35seja técnico,
09:36mais técnico,
09:37se você tem toda a autonomia
09:38nesse processo,
09:39para você perseguir,
09:41seja quem for,
09:43investigar, seja quem for.
09:44Mas também não faça
09:46nenhum tipo de pirotecnia.
09:47A orientação sempre foi essa.
09:48Não proteja ninguém,
09:50não persiga ninguém.
09:51Faça o trabalho técnico
09:52e você tem toda a autonomia.
09:54Não importa quem seja,
09:55doa quem doer,
09:56vá até o final desse processo.
09:58Essa sempre foi a orientação
09:59e jamais me foi perguntado
10:01sobre nenhum outro tipo
10:03de representante,
10:04quem estava no meio,
10:05quem não está no meio.
10:06Sempre gozei de toda a autonomia
10:08para poder fazer meu trabalho.
10:09E olha, gente,
10:10esse encontro entre o presidente Lula,
10:12Gabriel Galípolo
10:13e também tinha outros ministros palacianos
10:15ao lado de Vorcaro
10:17e também de Augusto Lima,
10:18tudo isso estava fora da agenda
10:20e isso gerou uma discussão muito grande.
10:22Cinco horas em ponto,
10:23sejam todos muito bem-vindos.
10:24Você que está acompanhando a gente na rádio,
10:26o nosso 3 em 1,
10:26segue ao vivo nessa próxima hora
10:29com as principais informações
10:30do Brasil e do mundo.
10:31A gente estava debatendo aqui
10:32o depoimento de Gabriel Galípolo,
10:34presidente do Banco Central,
10:35hoje lá na CPI do Crime Organizado.
10:38Ele falou sobre aquela bendita reunião
10:41que Lula teve fora da agenda
10:42em novembro de 2024
10:44ao lado de Vorcaro
10:45e o Augusto Lima,
10:46que é o ex-sócio
10:47de Daniel Vorcaro
10:49e contou com uma mesa cheia de ministros,
10:51entre eles,
10:52o diretor de política monetária
10:54no governo Lula,
10:55que era Gabriel Galípolo.
10:56No mês seguinte,
10:56Galípolo se transformou,
10:57então,
10:58se tornando o presidente
10:59do Banco Central.
11:01E qual foi a importância disso?
11:03Galípolo acabou estranhando
11:05os argumentos utilizados
11:06por Vorcaro
11:07e a única recomendação
11:08que ele acabou recebendo
11:10por parte do presidente Lula
11:12foi que ficasse ele acompanhando
11:14esse caso do Master
11:15que fizesse escolhas técnicas
11:18e seria um tipo de pirotecnia.
11:21Piperno,
11:21quero te ouvir a sua análise
11:23em relação a este encontro
11:24porque boa parte da oposição
11:26estava utilizando este encontro
11:28fora da agenda
11:29para simplesmente relacionar
11:31ou colar o presidente Lula
11:33ao escândalo do Banco Master.
11:35Você acredita que isso,
11:37de certa forma,
11:38acaba mudando
11:38com essas explicações de Galípolo
11:40e ainda mais o presidente Lula
11:41trazendo muitas pessoas
11:43para dentro da sala
11:44enchendo de testemunhas
11:45para simplesmente
11:46se descolar de qualquer polêmica?
11:48Isso foi uma tentativa
11:49pífia, ridícula,
11:51de tentar colar o escândalo
11:52do presidente da República.
11:54Ele pode ter outras culpas,
11:56mas evidentemente essa não.
11:58Não deveria, de fato,
12:00ter feito um encontro
12:00fora da agenda.
12:02Isso não é algo tão...
12:04Não deveria ser algo habitual,
12:05mas, infelizmente,
12:06as autoridades do Brasil
12:08negligenciam
12:11essa formalidade
12:12que eu acho muito importante,
12:15mas também trata-se
12:16de um político experiente,
12:18velho de guerra,
12:19e que, talvez,
12:21por ter percebido aí
12:22algo suspeito e tal,
12:24convidou mais um monte de gente
12:26lá para a reunião
12:26para ter bastante testemunha.
12:28Então, não me parece
12:30que aquele fosse
12:31um ambiente propício
12:33a que alguma orquestração,
12:36alguma coisa menos republicana
12:39fosse tramada.
12:40Eu acho que lá o presidente Galipo
12:43não trouxe novidade nenhuma
12:45em relação a isso,
12:46até porque,
12:47três meses depois,
12:48pouco tempo depois,
12:50ele impediu,
12:52o Banco Central impediu
12:53a venda do Banco Master
12:56para o BRB,
12:58e aí o BRB tem que explicar
13:00por que esse fetiche,
13:01tão grande pelo Banco Master,
13:04e ele foi, inclusive,
13:07muito elegante
13:08com o seu antecessor,
13:09e, aliás,
13:09eles têm ótima relação pessoal,
13:11é verdade,
13:12e eu acho também
13:13que ninguém pode ser leviano
13:15ao ponto de acusar
13:17Roberto Campos Neto,
13:19por exemplo,
13:19de também algum ato ilícito.
13:22A grande acusação
13:23que se faz
13:24é exatamente
13:27sobre a lentidão
13:32em relação
13:33aos alertas
13:34que foram dados
13:35sobre práticas,
13:37no mínimo,
13:38discutíveis
13:38adotadas pelo Banco Master.
13:40Esse é um questionamento
13:42que vai acompanhar
13:43Roberto Campos Neto,
13:44talvez,
13:45para sempre.
13:45Agora,
13:46dizer que,
13:46nossa,
13:47ele aceitou favores,
13:48corrupção e tal,
13:49ninguém tem
13:50nenhuma evidência
13:51sobre isso.
13:52Obrigado.
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