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  • há 22 horas
Ismaelino Pinto entrevista Raquel Hallak, da Universo Produções, produtora da Mostra de Cinema de Tiradentes

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Transcrição
00:04Olá, está no ar, manguerosamente.
00:08Hoje a gente dá um salto e vai até a BH, Minas Gerais.
00:12Esse estado que é um berço de cultura,
00:15esse estado historicamente é um fazedor de cultura,
00:18é um caldeirão cultural.
00:20E a gente conversa com Raquel Alack,
00:22que é da Universo Produções,
00:24que faz três eventos de cinema dos mais importantes no Brasil.
00:28Começa com o primeiro, que aliás abre o calendário de eventos do Brasil,
00:32que é a Mostra de Cinema de Tiradentes.
00:35Depois tem o Cine Op, que é o Cine Ouro Preto,
00:37passando por Cine BH.
00:39Tudo bem, Raquel?
00:41Ei, Ismael, prazer estar falando aí com vocês,
00:44com todos que estão aí participando dessa entrevista.
00:49Raquel, uma coisa que eu estava pensando agora,
00:51falando agora com você,
00:53é engraçado como as mulheres estão na frente
00:55de alguns eventos de cinema tão importantes.
00:57Você está lá para o Minas Gerais fazendo esses três,
01:01a gente tem Margarita Hernandes lá no Cine Ceará,
01:04a gente tem Lúcia Caos em Vitória,
01:06a gente tem Sandra Bertini em Pernambuco,
01:10ou seja, as mulheres aí estão na frente desses eventos de cinema.
01:14Como é que você começou essa história?
01:15Você começou, na verdade, com cinema a partir do Universo,
01:18ou o Universo já era uma produtora que fazia outros eventos?
01:24Então, as mulheres estão dominando o mundo,
01:26então eu acho que o mundo é feminino,
01:29então tem mais volta, não é, Ismael?
01:32A Universo é uma empresa que fica com sede em Belo Horizonte,
01:36capital de Minas,
01:38e a gente começou a Universo há 32 anos atrás,
01:42porém não com foco necessariamente no cinema,
01:46mas na produção de eventos.
01:48E o cinema chega aqui na nossa empresa, na minha vida,
01:52meio que por um acaso, até uma história interessante.
01:55Muita gente me pergunta como é que começa a Mostra de Cinema Tiradentes,
02:00que é o evento mais antigo que a gente tem,
02:02fizemos agora a edição em janeiro, 29 anos,
02:06e a semana que vem estamos aí em São Paulo,
02:10na 14ª edição desse recorte da edição mineira.
02:14Mas o cinema entra,
02:16quando a gente começa a pensar lá em Tiradentes,
02:20quem não conhece,
02:21é uma cidade de 5 mil habitantes,
02:23fica aí a 180 quilômetros de Belo Horizonte,
02:26é uma cidade que foi idealizada um centro cultural
02:31pelo Ives Alves,
02:32na época ele era diretor regional da Globo,
02:35ele queria deixar esse legado na cidade
02:38para que grupos artísticos, artistas da cidade,
02:41pudessem ter um espaço para expor suas obras.
02:44Lá sempre foi primeiramente descoberto
02:47pelos artistas plásticos da cidade.
02:49E ele tinha essa sensibilidade muito forte,
02:53e ele veio a falecer antes de ver esse centro cultural ficar pronto.
02:58Como eu era muito ligado a ele,
03:00e começo a minha profissão no SESI,
03:02fazendo programação global,
03:06a cultura de Tiradentes,
03:09as demandas,
03:10eu sou de São João del Rey,
03:11moro em Belo Horizonte,
03:12mas sou de São João del Rey,
03:14eu acompanhei sempre de perto.
03:16Então, a gente pensa num evento
03:18que pudesse inaugurar esse espaço
03:20e, ao mesmo tempo,
03:22ter uma programação contínua.
03:24Então, o cinema foi pensado
03:27um pouco nesse sentido,
03:29numa época que os cinemas
03:31do interior de Minas,
03:32do Brasil,
03:33estavam se extinguindo,
03:38ficando somente as salas
03:39dos shopping centers.
03:41Aqui em Belo Horizonte,
03:42só fazendo um parêntese,
03:44que é uma capital planejada,
03:46cada bairro tinha uma sala de cinema,
03:48eram 120 salas de cinema,
03:50hoje tem pouco mais de seis salas.
03:53Acho que tem seis salas,
03:54tirando o shopping center.
03:56Então, a gente faz numa época
03:58que a gente pensou,
04:00olha, se a gente fizer um cinema,
04:01a gente tem uma programação contínua
04:04aqui nesse centro cultural,
04:05porque a gente também não queria
04:06inaugurar o centro
04:07e depois fechar.
04:10A gente não estava ali pensando
04:11no Huawei,
04:12a gente estava pensando
04:13em ter um programa estruturante
04:15durante o ano inteiro.
04:17E aí a gente resgata um cinema,
04:19um projetor do interior de Minas
04:21e monta esse cinema
04:23lá na cidade de Tiradentes.
04:26Então, o cinema entra na minha vida,
04:28a partir dessa iniciativa.
04:30E quando a gente começa
04:32a produzir esse evento,
04:33todo mundo falava,
04:34até que enfim,
04:35um festival de cinema
04:37em Tiradentes,
04:38em Minas Gerais,
04:39aliás, nem era em Tiradentes,
04:40porque ninguém conhecia Tiradentes.
04:42Até que enfim, em Minas Gerais,
04:44porque era um estado
04:45que tinha um conhecimento
04:48e uma atuação muito grande
04:50na crítica cinematográfica,
04:52mas não tinha uma tradição
04:54na produção de cinema,
04:55mas tinha na videoarte.
04:57que a gente tem que lembrar
04:58que 30 anos atrás
05:00ainda existia a película,
05:02ainda existia o vídeo
05:03e era tudo separado.
05:06Cinema era película,
05:09documentário era documentário,
05:10não era tido,
05:11ainda não tinha essa nomenclatura
05:13audiovisual,
05:14tudo junto,
05:16digital, enfim.
05:17Então, começa a mostra
05:19de cinema de Tiradentes,
05:21nessa oportunidade
05:23que a gente percebeu
05:24que além de inaugurar
05:25um centro cultural,
05:26a gente podia realmente
05:27fazer um evento anual
05:29numa época que o cinema brasileiro
05:32estava na sua retomada.
05:34E como você citou
05:36aí no início da entrevista,
05:37começa o Cine Ceará,
05:39começa o Festival de Vitória,
05:41na época tinha o Festival de Curitiba,
05:46o Gramado e Brasil,
05:47os festivais mais antigos,
05:49mas esses festivais,
05:51que hoje são mais de 500,
05:53mas esses que eu citei,
05:55a gente começa na mesma época,
05:57que é uma época que o Brasil
05:59começa a retomar a sua produção
06:01no cinema,
06:02após a extinção da Embrafilm
06:04pelo Collor.
06:06Então, era uma época
06:06muito promissora,
06:08mas também era,
06:09ao mesmo tempo,
06:11obscura,
06:11porque a gente não sabia
06:12se ia ter produção audiovisual
06:15para sustentar todo ano.
06:17E eu falei, olha,
06:18vai nascer um festival
06:19aliado do cinema brasileiro,
06:22contemporâneo,
06:23e se não tiver produção,
06:25a gente faça a retrospectiva,
06:26a gente mostra que não tem,
06:28a gente discute para ter,
06:30a gente vai,
06:32de uma certa forma,
06:33ser um espaço
06:34para a gente discutir
06:36essas políticas públicas,
06:38as demandas, enfim.
06:40Então, começa em 1998
06:42a mostra de cinema de Tiradentes.
06:44Agora, Tiradentes,
06:47que é o primeiro festival
06:48do nosso calendário,
06:49de festivais do Brasil.
06:50Agora, Tiradentes
06:51é muito particular,
06:53porque eu acho que Tiradentes
06:54é onde começa
06:55o cinema brasileiro,
06:56não só pela data,
06:57começamos o ano em Tiradentes,
06:59mas também
06:59por toda essa questão
07:01que engloba
07:02a própria característica,
07:04a temática do festival.
07:06É ali que começa tudo,
07:08é ali que começam,
07:09é ali que está a experimentação,
07:11é ali que está o novo filme,
07:13é ali que estão as novas pessoas
07:14que vão aparecer.
07:15eu queria que você falasse
07:16desse recorte de Tiradentes,
07:19que é muito particular,
07:20muito diferente
07:20dos outros festivais.
07:23Então, é exatamente isso.
07:24A mostra,
07:25como o foco
07:26é o cinema brasileiro
07:27contemporâneo,
07:29a gente está sempre atento
07:30a essa nova cena
07:31que está surgindo no Brasil.
07:33Então,
07:34hoje é um evento consolidado
07:36como o maior evento
07:37do cinema brasileiro,
07:38são mais de 130 produções
07:41que a gente aposta todo ano,
07:44no universo de mais de quase 2 mil filmes escritos.
07:49Então, não é nem 10% dessa produção.
07:52Então, ali é um olhar bem atento,
07:54curatorial,
07:54de quem está surgindo na cena,
07:56de onde estão vindo esses filmes.
07:58Filmes diversos mesmo,
08:00porque se a gente está no festival,
08:03a gente também tem que apostar no novo
08:05enquanto linguagem,
08:07enquanto narrativa,
08:09enquanto romper barreiras,
08:11porque as tendências
08:12que são ali apresentadas
08:14através dos filmes
08:15pode, muitas vezes,
08:17ser uma tendência
08:19que vem para ficar.
08:21Pode ser um novo paradigma
08:24que está se construindo
08:26na visão do cinema brasileiro.
08:28Então, lá é o evento de descobertas,
08:31é o evento da inovação,
08:33da ousadia,
08:34é um evento da inquietação.
08:36Então, toda a programação
08:37é norteada.
08:38É um evento de público enérgico.
08:41Eu sinto Tiradentes
08:43ter um ar de uma novidade,
08:46ter uma efervescência ali
08:48de jovens criadores,
08:50de pessoas que estão
08:51no seu primeiro filme,
08:52de pessoas que estão muito felizes
08:53por estarem ali
08:54mostrando o seu trabalho.
08:56Isso é uma característica
08:57que paira no ar
08:59da mostra de Tiradentes.
09:01Exatamente,
09:02porque a moça Tiradentes
09:04acompanhou também
09:05todas as mudanças
09:06na área da tecnologia.
09:08Quando Brasília ainda
09:10estava apresentando filmes
09:12somente em película,
09:14a moça de cinema de Tiradentes
09:15estava já apresentando
09:16filmes digital.
09:18E aí eu falo de filmes digital
09:20numa cidade
09:21que a gente tem que construir tudo,
09:23toda a infraestrutura.
09:24e na época a gente...
09:27Oi?
09:29Fala dessa construção.
09:30Vocês montam um cinema,
09:31na verdade,
09:32era uma grande terra.
09:34Exatamente.
09:35Porque Tiradentes
09:36é uma cidade histórica,
09:37tombada pelo patrimônio.
09:40E a gente tem que,
09:42como eu disse,
09:43hoje com 7 mil habitantes,
09:44quando a gente começa
09:45tinha 5 mil.
09:46E a gente tem que dotar
09:48a cidade toda em infraestrutura,
09:50equipamentos,
09:51para ela abrigar
09:52essa programação imensa
09:54que a gente leva.
09:55São nove dias de evento,
09:56tudo gratuito.
09:58E, para isso,
09:59a gente monta uma estrutura
10:00que a gente chama
10:02complexo de tendas
10:03de 1.400 metros quadrados.
10:05Nesse complexo
10:06tem um cinema
10:07de 700 lugares,
10:08todo climatizado.
10:10Tem um cine lounge
10:11que abriga também
10:12500 pessoas,
10:13onde acontecem
10:14rodas de conversas,
10:15shows.
10:16Tem a área de convivência
10:18com o café,
10:19com o bar,
10:20uma varanda.
10:21Além disso,
10:22na praça principal
10:23da cidade
10:24tem um cinema instalado
10:26também,
10:27autêntico,
10:28a tela de cinema,
10:29cabine,
10:31com plateia
10:32também de 600 lugares,
10:34podendo atender
10:35até mil pessoas.
10:37E esse centro cultural
10:38que deu origem
10:39a um programa,
10:40o Centro Cultural
10:41Ives Alves,
10:42que tem um auditório
10:43como cinema
10:44de 120 lugares.
10:46Então,
10:47além de montar
10:48toda essa infraestrutura,
10:50fica também
10:51de responsabilidade
10:52nossa
10:54praticamente
10:55organizar a cidade
10:57para receber
10:57os turistas,
10:58porque a gente
10:59contrata
11:0050 agentes
11:01de trânsito
11:02para não dar
11:04congestionamento,
11:05para não parar
11:06em local proibido,
11:08em fila dupla,
11:09ou seja,
11:10para tudo fluir,
11:11o turista chega,
11:12tem uma boa impressão,
11:13com o seu carro,
11:15poder estacionar
11:16corretamente,
11:17sem atrapalhar
11:18o fluxo
11:19da cidade,
11:20porque a cidade
11:21é muito impactada
11:22pelo evento,
11:23a gente recebe
11:24cinco vezes
11:25a população
11:26da cidade,
11:26então você imagina
11:28como que esse impacto
11:30é forte na cidade.
11:32A gente fica
11:33responsável
11:33por toda a limpeza,
11:34não só do evento,
11:35mas pública também,
11:37ao redor do evento,
11:38então a gente tem
11:39que contratar
11:39empresas de limpeza
11:41para deixar
11:42a praça limpa,
11:45evitar ambulantes,
11:46manter o que Tiradentes,
11:49a beleza de Tiradentes,
11:50que é uma cidade
11:52cinematográfica,
11:53a gente,
11:53eu costumo dizer
11:54que é como se fosse
11:55um pré-exépio,
11:56a gente chega
11:57e monta a nossa casa
11:58nesse pré-exépio,
12:00porque a cidade
12:02já foi feita,
12:04já tem essa vocação
12:05para receber eventos
12:07como o da Mostra
12:09de Cinema de Tiradentes.
12:10A capacidade de montagem
12:12que vocês têm,
12:13essa logística toda
12:14que vocês têm
12:14é uma coisa impressionante,
12:16eu me impressiono muito
12:17toda vez que vou,
12:18porque tudo funciona,
12:20eu sinto também
12:21que tem uma coisa
12:21que a população,
12:22não só de Tiradentes,
12:24como ali do entorno,
12:25São João de Rei,
12:26está todo mundo focado,
12:28eu acho que isso,
12:28na verdade,
12:28acabou também funcionando,
12:30colocando um pouco
12:31o Tiradentes no mapa.
12:33Sim,
12:34eu acho que também
12:35o fato da gente
12:36trabalhar com imagens,
12:38está lá você
12:39fazendo cobertura,
12:41mostrando aí
12:41nas redes,
12:43para os veículos,
12:44a gente teve esse ano,
12:45para você ter uma ideia,
12:47800 convidados
12:48participando da programação
12:50e 600 veículos
12:52de imprensa
12:53cobrindo o evento.
12:55Então,
12:55é imagem para todo lugar,
12:57para o Brasil inteiro.
12:58O evento leva
12:59o nome de Tiradentes
13:01e a cidade sendo projetada.
13:04Então,
13:04é um evento também
13:06case nessa área turística,
13:07não é,
13:07Ismael?
13:08da cultura e do turismo,
13:10da empregabilidade,
13:13da lei de incentivo,
13:14através do patrocínio incentivado.
13:17Então,
13:17todo mundo começou
13:18a conhecer Tiradentes
13:20a partir da mostra de cinema.
13:21Foi o evento precursor
13:23da descoberta
13:24da vocação turística.
13:25Isso é muito importante,
13:27porque,
13:27muitas vezes,
13:29ninguém tem,
13:30às vezes,
13:30noção da força
13:31que um festival de cinema
13:33pode ter
13:33para além
13:34da sua programação.
13:35Então,
13:36além de gerar empregos,
13:38renda,
13:39de movimentar a economia local,
13:41esse ano a previsão
13:42foi de mais de 10 milhões
13:44e nove dias de evento,
13:46a gente também tem
13:48esse movimento
13:49para fora.
13:50É Tiradentes
13:52para o mundo,
13:53é o alcance
13:53das redes sociais.
13:55Então,
13:55isso tudo favorece
13:57o desenvolvimento social,
13:59humano e econômico.
14:01Isso é muito importante,
14:02Raquel.
14:03Vocês têm,
14:03o universo tem três,
14:05esses três eventos
14:06que eu citei no início,
14:07a Mostra de Tiradentes,
14:08o Cine Op,
14:09que é o Cine Ouro Preto
14:11e também o Cine BH.
14:13Eu queria que você explicasse,
14:14são tudo muito bem delineados,
14:17as temáticas
14:18são muito bem elaboradas
14:19dentro
14:23de cada evento.
14:24Eu queria que você,
14:25mais ou menos,
14:25resumisse
14:26esses três para a gente.
14:28Então,
14:29foi a partir
14:29da experiência
14:30da Mostra de Tiradentes
14:31que surge
14:32a Mostra de Ouro Preto.
14:33nós vamos fazer
14:34a vigésima primeira edição
14:36agora em junho,
14:37já fica aí o convite.
14:39Porque,
14:40quando a gente
14:40ia exibir filmes
14:43brasileiros,
14:44principalmente,
14:45escolhiam um homenageado,
14:46ia fazer uma retrospectiva
14:48desse homenageado,
14:49a gente tinha dificuldade
14:51de encontrar cópias
14:52dos filmes.
14:53E a gente não sabia
14:55onde que estavam
14:56essas cópias,
14:56quem era dono
14:57dessas cópias,
14:58qual que era a condição
14:59de exibição.
15:00lembrando sempre
15:01que a gente está falando
15:01de uma época
15:02de película.
15:03Nós não estamos
15:04falando desse mundo
15:05digital agora,
15:07não.
15:08O audiovisual
15:09transformou muito
15:10de uns anos
15:11para cá.
15:12E aí,
15:13eu falava,
15:13gente,
15:14mas não é possível,
15:15como é que eu vou conseguir
15:16essa cópia
15:17desse filme
15:18para exibir?
15:19E aí,
15:20eu fui fazer
15:22uma pesquisa
15:23com os críticos
15:24no Brasil inteiro,
15:25naquela época
15:25ainda tinha,
15:26cada veículo,
15:27jornal impresso,
15:28tinha seu crítico
15:29de cinema,
15:30tinha um crítico
15:30de teatro,
15:32de música.
15:33E eu falei,
15:34bom,
15:34para o evento
15:35tornar conhecido,
15:36eu vou ligar
15:38para esses críticos,
15:38a gente mapeou
15:3937 críticos
15:40na época,
15:41para eles escolherem
15:42o filme,
15:44era mudança
15:45para o século,
15:46para os anos 2000,
15:48e eles iam escolher
15:49cinco filmes
15:50de sua preferência
15:51e os três
15:52mais votados
15:53a gente exibir
15:54no Cine Praça
15:55que a gente ia inaugurar
15:56na terceira edição
15:57da Mostra Tiradentes.
15:58Veja bem,
16:00e é a loucura
16:02que foi,
16:02porque
16:03a gente ia inaugurar
16:05um cinema na praça
16:06que não era comum,
16:07com três filmes
16:09que a gente nem sabia
16:10quem que ia ganhar.
16:11E eu estava fazendo isso
16:12para o evento
16:13ficar conhecido,
16:14eu falei,
16:14meu Deus,
16:15agora o evento,
16:15quando eu ganha
16:17Deus e o Diabo
16:18na Terra do Sol,
16:20Terra em Trânsito,
16:21quer dizer,
16:21dois do Glauber Rocha
16:22e Limite do Mário Peixoto,
16:24de 1930.
16:28e não existia
16:29cópia do Limite
16:30no Brasil
16:31e os dois,
16:32o Glauber Rocha,
16:33a família era tão numerosa,
16:36eu tinha que conseguir
16:37a assinatura de todo mundo,
16:38não ia dar tempo,
16:40era a questão
16:41dos direitos autorais,
16:42enfim,
16:43dos herdeiros,
16:44e foi tão aflitante,
16:46assim,
16:48como que eu ia
16:49dar resposta
16:50para esses críticos
16:51de que essa pesquisa
16:52ia furar,
16:53entendeu?
16:54E aí,
16:55eu consegui um contato
16:57na França,
16:58na Cinemateca Francesa,
17:00para trazer a cópia
17:01do Limite,
17:02conseguir autorização
17:03na época
17:04do Salve,
17:05que ainda estava vivo,
17:07e a dona Lúcia Rocha,
17:09mãe do Glauber Rocha,
17:10falou,
17:11Raquel,
17:11vou resolver isso
17:12para você,
17:13aquela tranquilidade,
17:14mas você me leva
17:15a um evento,
17:16e eu quero ir todo ano,
17:19se você me levar,
17:20você pode contar com ela,
17:21eu falei,
17:21não, dona Lúcia,
17:22você vai ser
17:23a nossa convidada especial.
17:25A dona Lúcia é maravilhosa.
17:26E a partir dessa experiência,
17:28que eu falei,
17:29gente,
17:29nós temos que falar
17:30sobre patrimônio,
17:31nós temos que falar
17:32sobre preservação,
17:34a gente não pode pensar
17:35no filme
17:36só no ano
17:37que ele é produzido,
17:39cinema precisa também
17:40ser coisa de cineasta,
17:42e essa experiência
17:43levou à criação
17:44da Cineop,
17:45e até hoje
17:47é o único evento
17:48no circuito
17:49de festivais
17:50dedicado
17:50à preservação.
17:52E ali,
17:53quando ela começa
17:54em 2006,
17:56na cidade patrimônio
17:58da humanidade,
17:59que é Ouro Preto,
18:00para falar de cinema
18:02que merece tombamento,
18:03que merece ser cuidado,
18:05a preservação
18:07era o patinho feio
18:08do audiovisual.
18:09Ninguém queria falar
18:10de preservação,
18:11preservação era caro,
18:13fazer filme,
18:14restaurar filme,
18:15no Brasil
18:16era impossível,
18:17tinha que ir
18:18para fora do Brasil,
18:19existia uma briga histórica
18:21entre a Cinemateca
18:22Brasileira de São Paulo
18:24e a Cinemateca do MAM,
18:25no Rio de Janeiro,
18:26uma briga histórica,
18:28política,
18:28entre gestores,
18:31e aí era um negócio
18:33que ninguém queria tocar.
18:35Eu comecei
18:36numa experiência
18:38e depois eu fiz
18:39numa intuição,
18:40porque eu não conhecia
18:41nada dessa área
18:42e aí eu fui chamando,
18:45eu falei,
18:45gente,
18:46como eu não conheço,
18:47eu já criei uma estratégia
18:49de relacionar
18:50todas as instituições
18:51de guarda,
18:52museus
18:53de imagem
18:53de som
18:54no país inteiro,
18:56cinematecas,
18:57e aí eu ligava
18:59e perguntava
19:00quem que era o técnico
19:01responsável
19:02pela preservação,
19:04que foi a minha sorte,
19:05porque se eu tivesse
19:06chamado,
19:07na época,
19:09o presidente
19:09ou o diretor
19:11geral da instituição,
19:12eu não conseguiria
19:14ter uma adesão
19:15desde a primeira edição
19:16que a gente teve
19:17de participação
19:18e continuidade
19:20do trabalho,
19:20por quê?
19:21Porque são carros
19:22geralmente políticos,
19:24então às vezes
19:25ele podia estar ali
19:25na primeira edição
19:26do evento,
19:27mas não ia estar
19:27na segunda,
19:28não ia estar
19:28na terceira,
19:29e com o fato
19:30de eu ter feito
19:31o primeiro encontro
19:33nacional de arquivos
19:34e aceitos
19:35audiovisuais brasileiros
19:36na primeira edição
19:37do evento,
19:38que eu falei,
19:39bom,
19:39como eu não vou
19:40percorrer o Brasil
19:41inteiro para conhecer,
19:42eu vou trazer
19:43o Brasil inteiro
19:44para conhecer
19:45o evento
19:46que a gente está criando,
19:48e aí,
19:48a partir daí,
19:50já na terceira edição,
19:51cria-se
19:52uma entidade
19:53de classe
19:54da preservação,
19:56a BPA,
19:57e a gente começou,
19:58então,
19:59a sediar
20:00todos os anos,
20:02a partir desses profissionais
20:04e quem tivesse interesse,
20:07a todas as causas
20:08da preservação audiovisual,
20:10que hoje
20:11é a ponta de lance
20:12da indústria,
20:13porque com a digitalização,
20:15olha quantos filmes
20:17você tem no Brasil
20:18para digitalizar,
20:19na época,
20:20estava tendo
20:21a digitalização
20:22dos filmes
20:23do Glauber Rocha,
20:24do Rogério Sganzella,
20:26tudo fora do Brasil,
20:27porque era caríssimo
20:28o restauro,
20:29mas foi o início
20:30também
20:31de uma atenção
20:32dos herdeiros
20:33para com a obra,
20:35principalmente,
20:35dos seus pais,
20:36que geralmente
20:37era o homem
20:38que estava
20:38na linha de frente
20:40do cinema novo,
20:42do cinema marginal.
20:42digitalização
20:43e preservação
20:44no Brasil,
20:45ele já é possível,
20:46claro?
20:47Como é que é?
20:48a Cinemateca
20:50Brasileira
20:50tem o maior
20:52laboratório
20:52da América do Sul,
20:54não são todas
20:56as instituições
20:57de guarda
20:57que têm
20:58um laboratório,
20:59mas a digitalização
21:01hoje barateou
21:02muito com o digital,
21:04a gente tem
21:05empresas
21:06no Brasil
21:07que fazem
21:07digitalização
21:08e tem
21:09a Cinemateca
21:11Brasileira
21:11que faz,
21:12muitas vezes,
21:13atende
21:13todas as outras
21:14cinematecas.
21:15E durante
21:16esses 20 anos
21:17da Cineop,
21:18a gente
21:18viu um avanço
21:20imenso
21:21na área
21:21da preservação,
21:22nós convidamos
21:23a educação
21:24para fazer parte
21:25do evento,
21:26então hoje
21:27é como se fossem
21:28dois congressos
21:29dentro de um
21:29festival de cinema,
21:31o Encontro
21:32Nacional de Arquivos
21:33e Aceros
21:34Audiovisuais
21:34Brasileiros
21:35e o Encontro
21:36Latino-Americano
21:37de Educação
21:38e Cinema.
21:40É muito simbólico
21:40dentro de Ouro Preto,
21:42isso tudo é muito
21:43simbólico,
21:43né?
21:44Sim,
21:45com certeza,
21:45porque é uma cidade
21:47que é pura história,
21:49que conserva
21:50seu patrimônio
21:51e o audiovisual
21:52é um retrato
21:53de um país,
21:54as produções,
21:55por exemplo,
21:56que são feitas
21:57no Pará,
21:58elas com certeza
21:59vão resguardar
22:00coisas da cultura
22:01do Pará,
22:02seja através
22:04do cenário,
22:05seja através
22:05da gastronomia,
22:06dos seus povos,
22:08da forma
22:09e dos costumes,
22:10e se a gente
22:11pensar isso
22:12em termos de Brasil,
22:13um país
22:14de dimensões
22:15continentais,
22:16a regionalidade
22:17dessa produção
22:18é muito rica,
22:20entendeu?
22:21E é o que tem
22:22despertado atenção.
22:23E aí,
22:24voltando na Mostra Tiradentes,
22:25o que a gente faz?
22:27Um recorte
22:28dessa produção
22:28do Brasil inteiro,
22:30dentro da nossa
22:31programação.
22:33Então, ali,
22:34como você disse,
22:35a gente abre
22:36não só o calendário,
22:37mas a gente dá
22:38esse tom
22:38no que vai ser
22:39o cinema
22:40brasileiro
22:41de 2026,
22:43principalmente
22:43em quem
22:44está
22:46começando
22:47a consolidar
22:47na cena,
22:48que já está
22:48indo
22:49no seu terceiro
22:49longa,
22:50e quem está
22:50fazendo a sua
22:51estreia,
22:52seja em longa
22:52e seja em curta.
22:54Quando chega
22:54em Ouro Preto,
22:56o que a gente faz?
22:57A gente
22:59privilegia
22:59filmes que são
23:00feitos com
23:01imagens de arquivo,
23:03mostrando a importância
23:05de a gente
23:06salvaguardar
23:07aquilo que é
23:08produzido hoje
23:09para poder dar
23:10acesso às
23:10novas gerações.
23:11Então,
23:12aquilo que a gente
23:13vê de documentário
23:16que conta a história
23:17do passado
23:18ou de algum
23:19personagem
23:20que fala
23:22sobre
23:23coisas que já
23:24aconteceram,
23:26todos eles
23:27têm imagens
23:27de arquivo.
23:28E aí a gente
23:29discute na Cineópolis
23:30como é que é ter
23:31acesso a esses arquivos?
23:33Quanto que custam
23:34essas imagens?
23:35Como que,
23:36aonde que,
23:37o que está guardado,
23:38por exemplo,
23:39na Cinemateca
23:42Brasileira?
23:43O que está guardado
23:44aqui,
23:45no caso,
23:45em Minas Gerais,
23:46no Museu de Imagem e Som?
23:48No Arquivo Público
23:49de Minas?
23:50No Arquivo Público
23:51da Cidade do Rio de Janeiro?
23:52E a partir,
23:53então,
23:54desse conhecimento,
23:56desse banco
23:56de dados,
23:57a gente consegue
23:58também contribuir
24:00para que novas
24:01obras
24:02sejam produzidas.
24:03E aí,
24:04em 2007,
24:06surge a amostra
24:07CineBH,
24:08que já é o evento
24:09internacional
24:10da Universo Produção
24:11e é o evento
24:13que a gente vai falar
24:14de mercado.
24:15Por quê?
24:16A gente via
24:17que,
24:18muitas vezes,
24:18os filmes
24:19que a gente exibia
24:20em Tiradentes
24:21não chegavam
24:22no circuito comercial,
24:23como ainda não chega.
24:25Mas a gente queria entender,
24:27na época,
24:28isso vai fazer
24:2820 anos,
24:29está fazendo esse ano,
24:31o que deveria ir
24:33para o circuito comercial,
24:34como é que esse mercado
24:35estava organizado.
24:36Também estou falando
24:37de uma época
24:38que tinha documentário,
24:40vídeo,
24:41longa,
24:42curta,
24:43e também trazer
24:45um conceito
24:45que era muito pouco
24:46explorado,
24:47ainda é,
24:48ao meu ver,
24:49a coprodução
24:50internacional.
24:51internacional.
24:52Então,
24:52a Mostra Cine BH,
24:54ela passa também
24:56a abrigar
24:56o evento de mercado,
24:58que é o Brasil Cine Mood.
25:00Esse evento de mercado
25:01tem proporcionado
25:03que projetos
25:04que ainda estão
25:05em desenvolvimento,
25:06que ainda estão
25:08no papel,
25:10consigam encontrar
25:11parceiros internacionais,
25:14consigam ter a possibilidade
25:17de fazer com que
25:18seus filmes
25:19circulem internacionalmente.
25:21Então,
25:22a partir desse encontro
25:24que a gente faz,
25:25que é esse evento
25:26de mercado,
25:27a gente tem também
25:28discutido
25:29as implicações
25:31da coprodução,
25:32as plataformas
25:33de streaming,
25:34o mercado
25:35latino,
25:36americano,
25:37europeu,
25:37principalmente,
25:39fundos de investimento,
25:40e aí a gente recebe
25:42players internacionais
25:44que vêm conhecer
25:44o cinema brasileiro.
25:46E a programação
25:47da Mostra Cine BH,
25:48de quatro anos para cá,
25:49com foco
25:50na América Latina,
25:52um pouco
25:54fazendo o que
25:55a Mostra Tiradentes faz,
25:57apostando
25:58em quem está
25:59em início de carreira
26:00na América Latina
26:02e quem já está
26:03consolidado.
26:04Então,
26:04a gente tem duas
26:05importantes mostras
26:07competitivas,
26:08uma no primeiro filme
26:10e a outra
26:11a partir do segundo filme,
26:13criando aqui
26:13um espaço
26:15para o cinema
26:16latino-americano.
26:18Raquel,
26:19a Mostra de Tiradentes
26:21tem uma itinerância,
26:22na verdade.
26:23Ela acontece também
26:24em São Paulo,
26:25isso vai acontecer
26:26daqui a pouco,
26:26né?
26:27Eu queria falar
26:27como é que é
26:28esse recorte.
26:29Que filmes vão para lá,
26:31quantos filmes serão
26:31exibidos,
26:32e também,
26:33claro,
26:33puxando aqui para a gente,
26:34existe a possibilidade
26:36dessa Mostra
26:37fazer uma itinerância
26:38no Brasil,
26:39circular em outros lugares,
26:40ou isso é uma coisa
26:42mais complicada?
26:44Então,
26:45a Mostra de Tiradentes
26:46SP,
26:47ela surge há quatro anos
26:48atrás,
26:49porque todo mundo
26:50falava assim,
26:51exatamente essa pergunta
26:53que você está me fazendo.
26:54Como que eu faço
26:55para trazer os filmes
26:57de Tiradentes
26:58para o meu estado,
26:59para a minha cidade?
27:00E, principalmente,
27:01Rio e São Paulo,
27:03que a gente,
27:05às vezes,
27:06na época,
27:08tinha jornalistas
27:09que não conseguia
27:09ficar o tempo todo,
27:11tinha acadêmicos,
27:13pesquisadores
27:13das universidades,
27:15dos cursos de cinema
27:16que não conseguia
27:16estar lá em Tiradentes,
27:18todo mundo perguntava.
27:20Eu falei,
27:20ah, gente,
27:21então eu vou tentar
27:23ir a São Paulo primeiro,
27:24porque o Sesc São Paulo,
27:27além de ter uma sala
27:28maravilhosa,
27:30ele,
27:30na época,
27:31o professor Danilo,
27:32que era o diretor regional,
27:35ele,
27:35além de uma visão
27:37de vanguarda
27:38que ele sempre teve,
27:40ele era muito generoso,
27:41e ele,
27:42não só na área do cinema,
27:44do cinema,
27:44teatro,
27:45música,
27:45sempre abriu as portas
27:47do Sesc São Paulo
27:48para receber a produção
27:50do Brasil.
27:51E São Paulo
27:52não tinha tradição
27:53nenhuma
27:53de exibir cinema brasileiro,
27:55porque a Mostra de São Paulo,
27:57ela sempre foi focada
27:59no cinema internacional.
28:00O Leão Cacó,
28:02fundador da Mostra,
28:04ele falava claramente,
28:06nós estamos em uma capital
28:08cosmopolita,
28:08cinema brasileiro,
28:10não,
28:10não sei o quê,
28:11enfim.
28:12Então,
28:13o cinema brasileiro,
28:14na Mostra de São Paulo,
28:15é relativamente recente,
28:17e ele começa a ter muito
28:19essa presença lá,
28:20a partir até da SP5.
28:22E há 14 anos,
28:24a gente falou,
28:24não,
28:24então vamos fazer
28:25esse movimento,
28:26vamos criar mais uma janela,
28:29mais uma possibilidade,
28:30para esse cinema
28:31que não chega
28:32no circuito comercial.
28:33então foi graças
28:34a essa parceria
28:35do Sesc-São Paulo
28:37que a gente consegue
28:38fazer anualmente
28:39um recorte
28:40da Mostra Tiradentes,
28:42que aconteceu em janeiro,
28:43e a gente leva,
28:44então,
28:44para o público paulista.
28:46Nessa edição
28:47vão ser 28 filmes
28:49inéditos
28:49na capital paulista.
28:51Então,
28:51a primeira exibição
28:52foi em Tiradentes,
28:53a segunda
28:54vai ser agora
28:55em São Paulo,
28:57das duas,
28:58das três
28:58mostras competitivas,
29:00né,
29:00a Mostra Aurora,
29:01que reúne os filmes
29:03de realizadores
29:04que estão estreando
29:06em longa-metragem,
29:07a Mostra Olhos Livres,
29:09que reúne filmes
29:11a partir do segundo longa,
29:13do diretor,
29:14do diretor,
29:15e a Mostra Foco,
29:17que é a Mostra Competitiva
29:18de curtas,
29:19que tem um retrato aí
29:22desse formato
29:23de curta-metragem.
29:25E os filmes vencedores.
29:27Tudo esse vídeo naquela sala
29:27sensacional
29:27que é o Cinset, né?
29:29Não é, gente?
29:30Aquela sala é um espetáculo.
29:31Maravilhosa.
29:32Quem não conhece,
29:33é na Rua Augusta, né?
29:35Talvez seja a sala de cinema
29:36mais interessante.
29:38ela acabou de ganhar
29:39uma pesquisa lá em São Paulo
29:41como a melhor sala de cinema.
29:43Mas eu acho que
29:44a melhor sala de cinema
29:45do Brasil,
29:45porque a gente está falando
29:47de cinema de rua, né?
29:48Não é cinema de shopping.
29:50Ela tem aí
29:50quase 300 lugares.
29:53Ela fica na Rua Augusta,
29:54então,
29:55muito central ali,
29:56perto dos jardins.
29:57Há dois parteirões
29:59da Avenida Paulista.
30:01E ela tem uma coisa interessante,
30:04porque ela tem um bar
30:05dentro da sala de cinema, né?
30:06Sim.
30:07Então, você pode assistir
30:08o filme desse bar,
30:11que é perfeito, né?
30:12Imagem, som.
30:14Tomando um vinco,
30:16comendo uma pipoca, enfim.
30:17Então, tem esse lado
30:19que ela ficou bem conhecida,
30:20que é um diferencial dela.
30:22e a gente vai estar lá
30:24do dia 12 ao dia 18 de março,
30:27sete dias de programação,
30:29e além da exibição dos filmes.
30:31Nós vamos ter também
30:33os bate-papos com os realizadores
30:35após a sessão,
30:37aí um pouco diferente
30:38de Tiradentes,
30:39que é no dia seguinte,
30:41lá após a sessão.
30:43Vamos ter o debate temático,
30:45aí a gente fez uma parceria
30:47também com a FAAP,
30:48porque a gente tem um público
30:49num evento de estudantes
30:51muito forte,
30:52e a gente quer aproximar
30:54como um incentivo
30:55a esses estudantes de cinema.
30:57Então, vamos ter esse debate
30:59temático na FAAP,
31:01e vamos ter também
31:02o lançamento da publicação
31:04do Fórum de Tiradentes,
31:06a quarta edição do fórum.
31:08Então, depois que a gente
31:10revisou Tiradentes,
31:11que teve debates
31:13sobre as políticas públicas,
31:16os GTs, os grupos de trabalho
31:19do ecossistema do audiovisual,
31:21produção, formação,
31:22exibição, distribuição,
31:24preservação, pesquisa,
31:26cada grupo reuniu profissionais
31:28antes de Tiradentes,
31:30durante Tiradentes
31:31e após Tiradentes,
31:33que tem um diagnóstico completo
31:35das recomendações do setor
31:38a partir de cada segmento
31:42nessa cadeia do audiovisual.
31:43e a gente tem,
31:45a partir desse conteúdo,
31:47uma publicação
31:48que eu não poderia deixar de fazer,
31:51porque a gente precisa compartilhar
31:53esse conteúdo
31:55não só com o governo federal,
31:57mas com os governos de estado,
31:59as prefeituras municipais,
32:01porque é um conteúdo muito rico
32:04para a construção de políticas públicas
32:07para o audiovisual.
32:07Então, essa publicação
32:10vai ser lançada
32:11no dia 17 de março,
32:12no SESC 14bis,
32:14com um bate-papo
32:16junto com o setor
32:18do audiovisual,
32:19dos participantes do fórum
32:21e quem quiser comparecer.
32:23Raquel, como é que você vê
32:24esse momento do cinema brasileiro?
32:26Aliás, muita gente
32:28que está aí pelos festivais,
32:29está ganhando prêmio,
32:30já passou aí por Tiradentes,
32:32já passou aí por Minas, né?
32:34Como é que você vê
32:35esse momento do cinema brasileiro?
32:36Olha, eu acho que a gente
32:38está vivendo,
32:39não só esse ano,
32:40mas vamos colocar aí
32:43cinco anos para cá,
32:44colhendo frutos muito importantes
32:46no cinema brasileiro,
32:48um reconhecimento internacional,
32:50já estamos aí no terceiro ano,
32:53começamos com Marte 1,
32:55um filme de baixíssimo orçamento,
32:58aqui de uma produtora
32:59de contagem, mineiro,
33:02para filmes de plástico,
33:03que consegue essa vaga
33:05para o Oscar,
33:05no momento de um governo
33:08que não estava apoiando
33:10o cinema brasileiro,
33:11então foi um trabalho
33:15muito forte que eles fizeram
33:17para conseguir promover
33:19esse cinema lá fora,
33:20depois venho ainda,
33:21estou aqui,
33:23e agora o agente secreto,
33:26estou falando desses três
33:27muito em função do Oscar,
33:29mas o cinema brasileiro
33:30tem ganhado várias premiações
33:32em vários festivais,
33:34o Brasil Cinemundi,
33:35que é esse evento de mercado,
33:37é um evento que a gente vê nascer
33:40ali os projetos,
33:41então, por exemplo,
33:42um projeto como o Bacurau,
33:43do próprio Cléber Mendoza,
33:45aqui,
33:45foi apresentado no Brasil Cinemundi,
33:49então ele começa a concepção
33:50do filme ali no Brasil Cinemundi,
33:52que é uma espécie de laboratório,
33:54e também de eventos de mercado,
33:57que posiciona,
33:58que ajuda a construir esse projeto
34:00para ele exatamente virar filme,
34:03e, principalmente,
34:05depois poder circular internacionalmente.
34:07Então, eu acho que a gente está vivendo
34:10um momento de realizações brilhantes
34:14e também de produções
34:16que muitas vezes é desconhecido
34:18do grande público,
34:19mas que está ganhando mercado
34:22nas salas de cinema,
34:24está ganhando premiação
34:25em outros festivais
34:27fora do Brasil, inclusive.
34:30Então, eu acho que
34:31essa valorização da diversidade
34:34dessa produção,
34:35que, inclusive,
34:36nos inspirou na própria temática
34:38dessa edição,
34:39soberania imaginativa,
34:41é a gente mostrando
34:42que cinema que é esse,
34:43que a gente quer ter
34:45a liberdade de construção
34:47das nossas próprias narrativas
34:49no momento de globalização
34:51de plataformas de streaming,
34:53para a gente poder olhar
34:55para a diversidade
34:56dessas produções
34:57e poder nos enxergar,
34:59e poder construir
35:00as nossas próprias imagens.
35:02Então, eu espero
35:04que a gente tenha
35:05políticas estruturantes,
35:08a gente conversou muito isso
35:10no Fórum de Festivais,
35:12diferentemente
35:13das outros segmentos
35:15da cultura,
35:16o audiovisual,
35:18como indústria,
35:19ele precisa de uma política
35:21estruturante,
35:22de calendário,
35:23porque para fazer um filme
35:25a gente gasta dois anos,
35:27é uma construção,
35:28então você precisa,
35:29para conceber um novo projeto,
35:32para realimentar esse mercado,
35:34essas produções,
35:35você se organizar
35:36diante dos editais,
35:39diante do fundo setorial
35:40do audiovisual,
35:42diante das políticas
35:43que vêm de cada estado,
35:44seja com Aldir Blanc,
35:46seja com os arranjos regionais
35:49que está sendo feito
35:51entre as prefeituras e estados,
35:54para a gente ter
35:55essa continuidade
35:56dessa produção
35:57e assegurar também
35:59a regulamentação
36:01das plataformas de streaming,
36:02que é a grande bandeira
36:06e urgência
36:08do setor audiovisual.
36:09Nós precisamos regular
36:10essa plataforma
36:11para a gente garantir,
36:13inclusive,
36:14a exposição
36:15do cinema brasileiro
36:17nessas plataformas,
36:18considerando,
36:19inclusive,
36:20que o Brasil
36:20é o segundo país
36:21consumidor
36:23de filmes
36:24em plataformas.
36:25Então,
36:26a gente quer ter
36:26um catálogo brasileiro
36:28nessa plataforma,
36:29a gente quer ter
36:29transparência de dados,
36:31a gente quer que
36:31essas plataformas
36:32paguem impostos
36:34e que esses impostos
36:36podem ser
36:38utilizados
36:38no fomento
36:40à nossa produção,
36:41como já acontece
36:42em vários países,
36:43em vários países
36:44com as plataformas
36:47de streaming
36:47regulamentadas,
36:48a França,
36:50que é a nossa
36:51grande inspiração,
36:52por exemplo,
36:53ela tem um fluxo contínuo
36:55de investimento
36:56no audiovisual.
36:57Então,
36:58isso,
36:58inclusive,
36:59mantém como um país
37:00de vanguarda
37:01do cinema,
37:02do seu cinema.
37:03E lembrando,
37:04gente,
37:05que cinema
37:05é um retrato
37:06de quem nós somos,
37:08é a nossa identidade,
37:09é o registro
37:10do tempo presente,
37:11ele que vai ficar
37:12e mostrar daqui
37:13uns anos
37:14como que era.
37:15Está muito em moda,
37:17eu não sei se é aí
37:18em Belém,
37:20os filmes domésticos,
37:22tanta gente descobrindo
37:24nas casas
37:25que tem,
37:26às vezes,
37:26um Super 8,
37:27uma latinha de Super 8,
37:29e aí eu lembro
37:30sempre da Cineóbico,
37:31porque eu sempre
37:32falei muito isso,
37:33a preservação
37:34começa na nossa casa
37:36com algo de retrato,
37:38ou melhor,
37:38com uma certidão
37:39de nascimento.
37:40E se a gente não tem
37:43o nosso documento...
37:46Hoje em dia,
37:46a gente já viu lá
37:47em Tiradentes,
37:48nessa última mostra agora,
37:49um filme de recuperação
37:51de imagem,
37:52a pessoa tinha em casa
37:53fitas cassete,
37:55filmada aleatoriamente
37:56pelo pai,
37:58por alguém da família,
37:59e aquilo se transformou
38:00no filme,
38:01isso é...
38:02Exatamente.
38:03É isso que você está falando.
38:04Esse é um mote
38:05de ouro preto.
38:06É lá que a gente exibe,
38:08que esses filmes
38:10são nossos protagonistas,
38:11e é lá que a gente discute
38:13exatamente as questões
38:15que envolvem
38:16a preservação.
38:18Seja a conservação
38:19de um acervo,
38:21seja o acesso
38:22a esse acervo,
38:23direitos autorais,
38:25recentemente foi criada
38:26uma rede nacional
38:27de arquivos
38:28e acervos audiovisuais
38:30brasileiros,
38:31que era o grande sonho nosso,
38:32que tudo começou
38:33porque não existia
38:34esse banco.
38:36Agora a gente fala
38:37de rede.
38:38Então, essa rede
38:39foi criada
38:39pelo Ministério da Cultura.
38:41Então, a gente tem
38:43uma gama,
38:44durante um ano inteiro,
38:46no programa
38:47Cinema Sem Fronteiras,
38:48a possibilidade
38:49de a gente estar
38:50se encontrando
38:51pelo cinema
38:52e estar discutindo
38:53todas as interfaces
38:55e conexões
38:56que esse cinema faz,
38:57inclusive,
38:58na nossa vida,
38:59no nosso entretenimento,
39:00no desenvolvimento
39:01da indústria,
39:03na geração
39:04de empregos,
39:05enfim.
39:06Então, é esse
39:07um pouco
39:07o resumo aí
39:09nessa conversa
39:10dessa nossa atuação
39:13que vou ficar
39:15muito feliz
39:16se cada vez mais
39:17eu receber
39:19vocês aí
39:20do Belém,
39:21do Pará,
39:22que puderem,
39:23quem está fazendo filme,
39:24escrever seus filmes,
39:25quem quiser
39:26vir conhecer Minas,
39:28aqui a Síntese
39:29do Brasil.
39:30Então, a gente vai se dar
39:31muito bem,
39:32não é, Ismaelino?
39:33Isso.
39:33E a gente está sempre
39:35também com apresentações
39:36de Belém,
39:37na área da música,
39:39porque, além de filmes,
39:40a gente ainda tem
39:41teatro de rua,
39:43exposição,
39:44show musical.
39:46Então, sempre tem
39:46um grupo de Belém
39:48que está trazendo
39:49que as manças...
39:50O Pará sempre está
39:50em Tiradentes,
39:51é uma coisa incrível.
39:53Deve estar.
39:53Isso é uma coisa
39:54muito boa.
39:55Eu quero te agradecer
39:56pela entrevista, Raquel,
39:57e, mais uma vez,
39:58quero reforçar
39:59essa coisa
39:59desse protagonismo
40:00feminino
40:01que está aí
40:04muito presente,
40:05junto com você,
40:06em Minas,
40:07e essas outras mulheres
40:09que estão à frente
40:09dos festivais.
40:11E quero também
40:12ver que chegue
40:14esse recorte aí,
40:15que a gente possa também,
40:16que quem sabe
40:17essa itinerância
40:18chegue para o resto
40:19do Brasil.
40:20E uma outra coisa,
40:21o Brasil está em Minas,
40:23é incrível isso.
40:24A gente vê
40:24o filme
40:25em todos os lugares.
40:26Esse ano
40:27tinha filmes,
40:28a gente falando aqui
40:29do Norte,
40:29tinha filme do Amazonas,
40:31tinha filme do Acre,
40:32tinha filme de tudo
40:32quanto é lugar.
40:33Ou seja,
40:33o Brasil está
40:35na mostra de Tiradentes.
40:37É verdade.
40:39E é o cinema
40:40que a gente apresenta
40:42que revela também
40:43o Brasil.
40:45Obrigado, Raquel.
40:46Prazer em ir.
40:47valeu demais,
40:48adorei o nosso bate-papo.
40:49Vamos torcer
40:50para a gente levar
40:51uma mostra
40:53para Belém.
40:54Isso,
40:55só aproveitar a oportunidade,
40:56eu quero declarar
40:57o meu amor
40:58a Minas Gerais.
40:59Declarar o meu amor
41:00aos eventos
41:01da Universo
41:02que são absolutamente
41:04sensacionais.
41:05Nós somos mineiros
41:06a partir
41:07da Universo.
41:09Obrigado, viu?
41:09Muito obrigada,
41:10valeu.
41:11Um beijo.
41:17Transcrição e Legendas Pedro Negri
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