- há 2 dias
Jornalista, publicitário, radialista e escritor, entre outras atividades, Zé Paulo Vieira da Costa é o entrevistado de Ismaelino Pinto na abertura da 5ª temporada do videocast
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, está no ar o Mangueirosamente.
00:08Hoje começamos a quinta temporada deste programa que fala de Belém,
00:13desse amor por Belém, essa cidade que nos tem, que nos acolhe,
00:17essa cidade que a gente escolheu para viver.
00:20Uma entrevista muito especial de um cara que está na história da cidade.
00:24Falamos de televisão, falamos de publicidade, falamos de propaganda,
00:27enfim, falamos de arte, falamos de tudo.
00:30Estamos aqui hoje com José Paulo.
00:33Tudo bem contigo?
00:34Tudo bem, Esmaelina, é um prazer imenso estar aqui contigo.
00:37Não é uma força de expressão, não.
00:39Realmente é um grande prazer.
00:41Prazer é nosso, a gente sabe da tua história toda,
00:43dentro desse mundo midiático, que é assim que a gente pode falar,
00:48de Belém do Pará.
00:49Contar a história.
00:50Como é que você começou?
00:51Você é jornalista, formado em quem?
00:53Como é que começou nesse...
00:55Você já fez tudo, né?
00:56Televisão, TV ao vivo, né?
00:58Rádio.
00:59Já apresentou programa de televisão, é ator de cinema.
01:03Olha, Esmaelino, profissionalmente eu tinha 16 anos.
01:08Em fevereiro de 1975 eu entrei na TV Guajará
01:11para apresentar um programa de rádio chamado Balanço Musical
01:15e na mesma semana eu comecei na televisão, fazendo locução de cabine.
01:19Para quem não sabe, a locução de cabine eram locuções ao vivo,
01:24que se lia com...
01:26Tinha uma caixeta com os comerciais e a gente lia.
01:30E a única coisa que me deram de dica foi o seguinte,
01:32o locutor que...
01:34A quem eu rendi disse a esse prêmio,
01:36olha, slide locução é aqui, positivo sonoro é lá, tchau, só.
01:41Então eu comecei.
01:43Mais ou menos, menos de um ano,
01:45eu acabei sendo puxado para o departamento de programação
01:48e fui diretor de programação, eu ia fazer 18 anos.
01:53Mas nenhuma genialidade, não.
01:55Talvez até irresponsabilidade dos donos, eu acabei sendo.
01:58Isso teve ao vivo, José Paulo.
02:00Teve ao vivo, é ao vivo, sim, ao vivo.
02:03A programação era Globo e tinha...
02:06Os filmes rodavam também ao vivo.
02:08TV Guajará, não é isso?
02:09TV Guajará, no Manel Pinto da Silva, 25º andar.
02:11Os filmes rodavam ao vivo num complexo,
02:15numa ilha chamada Telecine,
02:16que tinha dois projetores de filme e dois projetores de slide.
02:21Tinha uns videotapes, que nós falamos aqui agora,
02:24antes de começar a entrevista,
02:27eram os quadruplexes,
02:28que eram equivalentes a hoje duas geladeiras, mais ou menos,
02:31fitas desse tamanho.
02:33Depois vieram os omatics e tal.
02:35E eu fui fazendo, eu fui desbravando.
02:39E eu já estava na televisão,
02:41quando eu fiz vestibular para psicologia,
02:44passei na federal, cursei.
02:48Só que os atributos de um diretor
02:51para fazer uma faculdade federal
02:55era um negócio muito sério,
02:57porque, imagina, eu era diretor.
03:00E os pré-requisitos eram segunda, quarta e sexta,
03:02de nove ao meio-dia.
03:04Como um diretor, doido para fazer carreira,
03:08não ser carreirista,
03:09mas doido para fazer uma bela carreira,
03:11poderia cumprir aquilo lá.
03:13E eu acabei, faltando um ano para eu me formar,
03:16e eu acabei não terminando o curso.
03:18Sou jornalista por causa do tempo que exerço,
03:21porque fui redator.
03:23Aprendi a ser redator por força das circunstâncias também,
03:27de uma maneira muito engraçada.
03:28Depois, daqui a pouco, eu conto para ti.
03:29E fui dirigindo filmes, publicitários,
03:34fui dirigindo programas, criando roteiros.
03:36Fui aprendendo, fazendo.
03:38Porque não tinha, a nossa geração, Ismaelino,
03:41não tinha quem nos ensinasse.
03:44Ou a gente procurava fazer
03:46na lei do acerto e do erro também,
03:50do acerto e do erro,
03:51ou então não fazia.
03:52Nessa época, você cruzou com muita gente
03:54ali pela TV Guajara, no programa ao vivo.
03:56O que é Alecrim, não?
03:57Veja bem, o Alecrim era da Maranjoara.
03:59E veja bem, as minhas experiências, garoto,
04:03eu tinha seis anos,
04:04a primeira vez que entrei em um estúdio de televisão
04:06para cantar, imagina.
04:09Programa de calouro.
04:11Não era calouro, não.
04:12Era um programa infantil,
04:13onde as crianças cantavam, recitavam e tal.
04:16E foi o seguinte,
04:18rapidamente procurar contar para você.
04:20O meu pai finalmente comprou um televisor para casa.
04:24Chegou com aquele televisor e tal,
04:25ligou, esperamos que ele tinha que cantar.
04:26Vou lembrar que era a televisão preto e branco, não é?
04:28Parede branco, exatamente e tal.
04:30Esquentou, esquentou, esquentou,
04:31depois só chuvisco.
04:32Ele disse, o homem me enganou,
04:33isso não presta, vou levar.
04:34Chegou lá, o homem me disse,
04:35o homem me disse uma coisa,
04:36o senhor botou antena?
04:37Como antena?
04:38Sim, meu amigo, se pode funcionar,
04:39tem que ter antena.
04:40Ah, desculpe e tal, levou.
04:42Começamos a assistir televisão.
04:43Num domingo, existia um programa chamado Domingueiras,
04:47apresentado pelo depois,
04:49grande médico cirurgião oftalmico,
04:54o Emílio Sebastião.
04:55Ele apresentava o Domingueiras,
04:57e logo depois dele,
04:59oftalmológico, oftalmico, errei?
05:01Não?
05:01Não sei, por aí.
05:02Pode ser os dois que entenderam.
05:04Médico de olhos.
05:05Pronto, e era um craque.
05:07E depois desse programa chamado Domingueiras,
05:09tinha a Estelinha Assis,
05:11que era uma boneca,
05:12olhinho azul, linda.
05:13Ela apresentava um programa
05:15chamado Casa de Bonecos.
05:17Nesse programa,
05:18entrou um garoto cantando.
05:19Tudo programação local,
05:20programas feitas aqui,
05:21tudo ao vivo.
05:22TV Marajora, Canal 2.
05:23Aí, a gente assistindo,
05:24o papai virou e disse assim para minha mãe,
05:26o nome dela era Cecília,
05:27ele chamava de Cília.
05:28Cília, que garoto inteligente.
05:31E eu caí na besteira e ele dizia,
05:33mas eu faço isso.
05:34Ele olhou e disse,
05:35faz?
05:36Eu senti que eu tinha entrado
05:38em alguma encrenca.
05:39Na terça-feira, ele chegou e disse,
05:41você lembra daquela nossa conversa?
05:43Eu disse, o quê?
05:43Do garoto que estava cantando e tal?
05:45Você vai fazer aquilo,
05:46você vai cantar na televisão.
05:47Olha.
05:50Amanhã, eu vou lhe levar
05:51para ensaiar com o maestro Guiânge de Barros.
05:53Olha só.
05:54E eu fui.
05:54Grande Guiânge de Barros.
05:55Grande Guiânge de Barros.
05:56Cheguei lá, entrei,
05:58mas ele não, nunca esqueço.
06:00Não entrei,
06:00entramos por trás,
06:01o papai entrou com o carro e tal,
06:02ali na Zé Malcher.
06:04Não entrei no estúdio da,
06:05um dos estúdios da TV Marajoara,
06:07eram três estúdios nessa época.
06:09Aquilo eu achei lindo.
06:10Só não tinha cenário branco.
06:12Interessante.
06:12Depois eu fui saber por quê?
06:13Anos depois,
06:14já profissional de televisão.
06:16Tinha cenário cinza,
06:18cinza um pouco mais escuro,
06:19preto,
06:20vários tons de cinza.
06:22Aquilo me encantou.
06:23Eu disse,
06:24eu não quero outra vida.
06:25Aquela câmera enorme,
06:26não é?
06:26Valvulada,
06:28valvulada e aberta,
06:29porque o estúdio não tinha
06:30refrigeração.
06:32Não.
06:33Aí fui ensaiar com o Guiânge.
06:34Ele tinha um bigode assim,
06:36o Guiânge era uma figura
06:36muito interessante.
06:37Ele parecia uma,
06:38talvez um Leão Marinho,
06:39aquele bigodão assim,
06:41tal,
06:41sentado piano com o outro.
06:43E disse assim,
06:44você vai cantar o quê?
06:45Eu disse,
06:45eu vou cantar,
06:46chega de saudade.
06:47Ele disse,
06:48o quê?
06:49Não,
06:49a criança não canta Bossa Nova.
06:50Eu disse,
06:50canta o quê?
06:51Eu nunca tinha ouvido falar em Bossa Nova.
06:53Aliás,
06:53quem não sabe,
06:55Bossa Nova não fez o sucesso
06:56que hoje se acha que fez, não.
06:58Só uma elite,
06:59uma pequena parcela da população
07:00sabia o que era Bossa Nova.
07:02Aí,
07:02não,
07:03não pode.
07:03O que é essa?
07:04Você tem que cantar,
07:04jovem guarda,
07:05iê, iê, iê.
07:06Digo,
07:06bem,
07:06então,
07:07professor apaixonado.
07:08Ah,
07:08isso pode.
07:09Bora sair.
07:10Vamos lá.
07:10A minha profissão,
07:12vou ter que...
07:12Cantei.
07:13Iê, iê, iê.
07:14Iê, iê, iê.
07:15Jovem guarda e tal.
07:16Achei que eu me saí pessimamente,
07:19mas ele gostou.
07:20Terminou o programa,
07:21ele chamou o papai e disse assim,
07:23esse garoto sabe ler?
07:24O papai disse,
07:24sabe.
07:24Mentira,
07:25eu não sabia ainda ler.
07:27Você permite que ele faça parte
07:29do couro infantil marajoar?
07:30O papai disse,
07:30claro,
07:31com certeza.
07:31O que não acabou não dando certo.
07:33Mas o que é que eu fazia?
07:34Na hora do ensaio,
07:35eu pegava o papel
07:35e eu via o do lado cantando,
07:37né?
07:37E eu procurava ver como é que era,
07:39imitava com a boca e tal,
07:40e assim foi.
07:42É,
07:42foi a minha experiência
07:43com televisão garoto.
07:45Já com 11 anos,
07:46eu fui fazer radionovela.
07:47a última leva de radionovela
07:49da Rádio Clube,
07:50sob direção do Mário Moedo.
07:52E aí,
07:52com 16 anos,
07:53já lhe contei.
07:54Que história,
07:54porque Guilherme Barros,
07:56você sabe que ele tem uma carreira também,
07:58ele acompanhava,
07:58né?
07:59No piano.
08:00Os filmes mudam no Cine Olímpico.
08:01O Guilherme Barros
08:02tem uma importância muito grande.
08:05Aliás,
08:05é um personagem
08:05que a gente precisa resgatar
08:07a história dele, né?
08:08Veja bem o seguinte,
08:09ele tinha conjunto musical.
08:09Fala muito de Valdemar Henrique e tal,
08:11mas a gente...
08:12É,
08:12ele tinha conjunto musical.
08:14Ele fazia noite,
08:15ele tinha,
08:16ele se apresentava muito
08:17no Automóvel Clube.
08:19Eu sei disso exatamente
08:20porque um dia
08:21ele pediu uma carona
08:21para o papai.
08:22E o papai encheu o carro
08:24de instrumentos,
08:25era um aero-híris.
08:26E o Rabecão,
08:27o contrabaixo acústico,
08:29veio aqui assim,
08:30é o garotinho, né?
08:31Aquele negócio,
08:32achei bonito e tal,
08:33dentro do carro,
08:34para levar para o Automóvel Clube,
08:35que era no Palácio do Rádio.
08:37Entendeu?
08:37Então, o Guiancho tem uma...
08:38Ele tinha vindo,
08:40ele foi para o Marajoara,
08:41mas ele tinha vindo
08:42da Rádio Clube.
08:43Ele teve uma importância
08:44muito grande no Rádio Pará.
08:45Pois é,
08:45essa tua história
08:46está ligada
08:47à história da comunicação
08:48no Pará, né?
08:49Desde aí,
08:49desde o seu morte, né?
08:50Você está ligado a isso.
08:52E para chegar a ser
08:53esse Zé Paulo
08:54que a gente conhece já,
08:56com toda essa história,
08:57você, por exemplo,
08:58passou para a área
08:59de publicidade.
09:00Você apresentou
09:00o programa na televisão,
09:01não foi?
09:02Apresentei o programa
09:02na televisão,
09:03primeiro por circunstâncias
09:05que acabaram acontecendo.
09:07eu apresentava,
09:09eu criei um programa,
09:11criei um programa
09:12que explodiu nos anos 80,
09:14veja bem.
09:15Que chamava?
09:15TV Cidade.
09:16TV Cidade.
09:17O TV Cidade
09:18foi um programa criado
09:19para ser popularesco
09:21e para ser original.
09:23Ele não era um pastiche,
09:24ele não era uma cópia
09:25do Flávio Cavalcante,
09:26do Chacrinha,
09:27do Silvio Santos,
09:29Ainda falamos de TV ao vivo,
09:30né?
09:30TV ao vivo,
09:31três horas por dia.
09:34E eu criei esse programa
09:35juntamente com o Lenomar Bahia,
09:37que foi quem deu o nome.
09:39Eu criei todas as sequências.
09:40Nós já tínhamos a Gilda Medeiros
09:42para apresentar o Mundo VIP,
09:43o Rádio Society.
09:44Tínhamos o Edson Matoso
09:45para apresentar a Esporte.
09:46Tínhamos a Maurício Veira
09:50para apresentar a Polícia
09:52pela primeira vez na televisão
09:53com um detalhe,
09:54uma recomendação que eu fiz para ele.
09:56Nunca desrespeite um preso.
09:58Entreviste.
09:59Não tire proveito
10:00pelo fato de ele estar preso.
10:02E assim foi.
10:03Muito bem.
10:04Tínhamos todo mundo do programa,
10:05só não tínhamos o âncora.
10:07Testamos o Ivo Silva,
10:09que era um radialista brilhante.
10:11Fizemos,
10:12deu certo o teste
10:13que fizemos com ele.
10:13Dizemos,
10:14só vai ter que trocar o óculos
10:15porque ele é fotocromático.
10:17O Ivo Silva se meteu
10:18num problema particular
10:19e teve que se mandar de Belém.
10:21E ficamos eu e o Bahia
10:22até que um dia
10:23disseram que não saiam daqui
10:24sem saber quem vai ser
10:25o âncora desse programa.
10:27Gizan Lourenço, pronto.
10:28Convidamos o Gizan,
10:29ele topou.
10:30E o TV Cidade explodiu.
10:32Cara, quantos anos não é?
10:35Bem, depende.
10:36Quando eu saí de lá,
10:38que fui para outra estação,
10:40o TV Cidade teve uma outra fase,
10:41outra fase,
10:42que aí realmente acabou com o programa.
10:44porque ele passou a ser um pastiz,
10:46com menininhas dançando,
10:47cidadete, não sei o quê.
10:48E não era isso.
10:49Não era nada disso.
10:50Ele era uma grande redação estilizada
10:52que, por acaso,
10:54às sextas-feiras tinha música.
10:56E aí,
10:57quem foi lançado lá?
10:59Vamos lá.
11:01Beto Barbosa,
11:03começou no TV Cidade.
11:04Tudo isso você recebeu no programa?
11:06Lá, ao vivo.
11:07Ted Max,
11:08Mauro Cota,
11:10Francis Dalva,
11:10já tinha nome,
11:11já se apresentava comigo lá no Anel Pinto,
11:13mas ela também,
11:15Miriam Cunha,
11:16e outros e outros.
11:17Quer dizer,
11:17nós fizemos a carreira de muita gente,
11:19porque tinha um detalhe,
11:21muitos já tinham até disco gravado,
11:23mas Belém não tinha janela
11:25para mostrar a cara dos nossos artistas.
11:28E o TV Cidade permitiu
11:30que os nossos artistas passassem a ser conhecidos.
11:32Já poderia se dizer,
11:34já tinha,
11:34já tinha,
11:35já se chamava de brega isso?
11:37Veja bem.
11:38Na época já tinha isso?
11:39Sim, sim.
11:40Veja bem,
11:40existia um cantor,
11:44o Pinduca,
11:44sempre me culpa,
11:45eu e o,
11:46quer dizer,
11:46no bom sentido,
11:47eu e o Kizan,
11:48ele diz que nós somos os responsáveis
11:51por haver a música brega.
11:53Não é bem assim,
11:53essa é a gentileza do Pinduca.
11:55Mas existia o Bizerra,
11:57Bizerra alguma coisa que eu vou já lembrar.
12:00Ele já gravava
12:01umas músicas
12:02que eram consideradas brega.
12:04Ele vivia ali pela...
12:05Mas o termo brega já existia?
12:06Já existia,
12:07já se falava.
12:08Mas existia de uma forma pejorativa,
12:10porque, na verdade,
12:11claro,
12:12de um passado recente,
12:14a denominação brega foi,
12:16a gente resgatou,
12:17reconceituou,
12:19reposicionou,
12:20na verdade.
12:21Veja bem,
12:21na verdade,
12:22o chamado brega,
12:23se você for analisar,
12:25ele bebe na fonte da Jovem Guarda,
12:28ele bebe na fonte daquela música,
12:31tem uma palavra que eu sempre uso,
12:33é música de cabaré,
12:35não é bem isso que eu digo,
12:36mas enfim.
12:38Bebe também nessa fonte,
12:40bebe em várias fontes
12:42e se transformou numa música
12:45muito popular entre nós.
12:50E veja bem o seguinte,
12:51essa música
12:51não era exatamente só em Belém,
12:54só que aqui ela ganhou uma afeição,
12:56vamos dizer assim, própria.
12:58Um toque local, né?
12:59Um toque local,
12:59porque muitos do Nordeste,
13:01como por exemplo o Magno e outros,
13:04vinham para Belém e, por exemplo,
13:05tem músicas que a gente acha
13:07que é da raiz do brega.
13:08Daí essa disputa, né?
13:10De quem é o dono do brega,
13:11Belém é a capital do brega,
13:12Recife é a capital do brega,
13:13tem uma disputa aí,
13:14quando na verdade existe vários tipos de brega,
13:17na verdade.
13:18E quer dizer um negócio,
13:19por exemplo,
13:19tem uma música...
13:19Assim como tem o Samba Paulista
13:20e o Samba Carioca.
13:21É isso aí.
13:22E você acha que quer dizer um negócio,
13:23por exemplo,
13:23tem músicas que todo mundo jura
13:26que é paraense,
13:27que é raiz do brega,
13:29é do brega de raiz do paraense,
13:30na fonte dos seus olhos,
13:32quero me banhar.
13:33Essa música é do Zezé de Camargo.
13:35Ele andava por aqui
13:36fazendo música
13:37para os nossos bregueiros,
13:39entendeu?
13:40E essa música é dele.
13:41Muita gente acha
13:41que é de algum cantor paraense.
13:44Ao Pôr do Sol, por exemplo,
13:45o grande clássico do brega,
13:47nasceu como Bossa Nova.
13:49Eu acredito que tu saibas disso.
13:50Quando o Firmo Cardoso
13:52fez essa música,
13:54o Ted Max,
13:56que eu já conheci,
13:56era meu amigo querido,
13:57meu irmão,
13:58ele chegou comigo e disse
13:59não saibas da última.
14:01Vou lançar o meu primeiro disco
14:02e vai ter uma Bossa Nova.
14:03Eu disse que bacana.
14:04Mas num outro ritmo.
14:06É mesmo?
14:07Quem vai fazer o arranjo?
14:08Pinduca.
14:08Eu digo,
14:09rapaz,
14:09então vai ser um negócio interessante.
14:11Aquela abertura,
14:12que na verdade aquilo lá é sintético,
14:14mas o arranjo é do Pinduca,
14:16aquela abertura é fantástica.
14:19Todo mundo que regravou
14:20o Pôr do Sol,
14:22na minha opinião,
14:23sei lá,
14:23que negócio,
14:24opinião,
14:24cada um tem as suas.
14:25Ele é um hino,
14:25que nos identifica,
14:27é incrível, não é?
14:28É, é.
14:28Se não tiver aquela abertura,
14:30não é o Pôr do Sol.
14:31Não é verdade?
14:32Quando toca aquela...
14:32Interessante o seguinte,
14:34que aí começamos no programa
14:35e eu era,
14:37entre outras coisas,
14:38imagina eu,
14:38ideologicamente,
14:39baixo para cá,
14:40eu era Relações Públicas
14:42da Associação Rural,
14:44porque tinha vários amigos lá e tal.
14:46E aí eu resolvi
14:46começar a levar o pessoal
14:48para se apresentar no Marajó.
14:50Entendeu?
14:51Tipo caravana de artistas.
14:53Nas feiras, exatamente.
14:54Todo dia ia um e tal.
14:55E aí eu levei o Tarrica,
14:57que estava no auge,
14:58no Friday Night da Assembleia Paraense e tal,
15:00para fazer o seu DJ de um leilão
15:04e de uma festa
15:05que nós iríamos fazer lá em Soury.
15:08Aí começou a festa,
15:10o Tarrica começou a botar
15:12umas músicas countrys americanas e tal,
15:14e todo mundo sentado.
15:15Cheio da salina, cheio da salina.
15:16Uma olhada para o outro,
15:17não, é festa mesmo, festa.
15:19Aí um olhava para a cara do outro,
15:21o pessoal, os fazendeiros e tal,
15:22os pecuaristas e tal.
15:24Aí eu senti o clima,
15:25eu fui lá e disse assim,
15:26Tarrica, começa a tocar brega.
15:28Não, não faz isso.
15:29Olha só, imagina só,
15:30aqui está, na verdade,
15:31o rádio só sai de parede.
15:32Toca brega, Tarrica.
15:33Ele começou a tocar.
15:34Não ficou um sentado.
15:36Aí depois veio para a Assembleia Paraense.
15:38Aí começou a tocar lá o Pôr do Sol,
15:41começou a tocar as músicas do Mauro Cota.
15:43Essa ressignificação que a gente pode falar
15:45assim do brega,
15:45é incrível isso, por exemplo.
15:47Hoje em dia você vai numa festa
15:48num lugar de todos os tipos,
15:50de todas as camadas,
15:52a todos os níveis,
15:53se é assim que a gente pode falar,
15:54esse tipo de diferenciação social
15:56que a gente coloca,
15:57mas talvez nem exista isso,
16:00na verdade.
16:01Existe só na cabeça das pessoas.
16:02Porque, na verdade,
16:03o que interessa ali é a festa,
16:04no sentido festivo.
16:06Mas é incrível,
16:06hoje em dia você chega
16:07em determinado lugar,
16:08quando começa a parte do brega,
16:10é um sucesso.
16:11Com certeza.
16:12Está todo mundo dançando marcante,
16:13está todo mundo fazendo os passinhos,
16:15está tudo...
16:16É fantástico isso.
16:17Sabe o que é engraçado?
16:18A entrada, por exemplo,
16:19eu lembro disso,
16:20a entrada da aparelhagem
16:21no salão da Assembleia Paraense,
16:23acho que foi o Tupinambá,
16:24com o Dinho.
16:25O Dinho é fantástico.
16:27Pulamos esse muro,
16:28está vendo?
16:28Olha só,
16:28já tem o Tupinambá,
16:30o Tremeter,
16:31lá dentro da Assembleia Paraense.
16:33Sabe o que é interessante,
16:34Ismaelino?
16:35Para começar,
16:35é o seguinte,
16:37nós brasileiros,
16:38nós paraenses,
16:40vamos falar a verdade,
16:42nós somos brega,
16:44nós somos brega.
16:45A turma disfarça.
16:46É interessante que quem diz
16:47que odeia brega
16:48adora New York,
16:50New York com Frank Sinatra,
16:51que é um tremendo brega americano,
16:53ou não é?
16:53Sabe,
16:55as músicas do Tony Bennett,
16:57por exemplo,
16:57são bregas.
16:58Mas eu gosto dessa coisa
16:59do Paraense,
17:00de transformar as coisas.
17:01Sim,
17:02aqui nós demos uma afeição.
17:04Um grande sucesso,
17:05hoje em dia,
17:05da Gabi Amaran,
17:09de Foguinho,
17:10é uma música do Bruno Marques,
17:11que ela refez,
17:13ela refez.
17:13É o grande sucesso dela,
17:15de ganho o prêmio.
17:15Hoje é.
17:16Isso é fantástico,
17:17essa transformação.
17:19Mas voltando para a carreira,
17:20e aí você foi esse apresentador
17:22do TV Cidade.
17:23Aí, veja bem o seguinte,
17:24depois houve um problema,
17:27o Kizan acabou saindo da TV Guajará,
17:30junto com outros companheiros,
17:32e a dona Conceição me chamou,
17:34eu tinha sentado para almoçar,
17:36o telefone tocou,
17:37não existia ainda celular,
17:39e era a secretária dela,
17:40para você voltar agora,
17:41tinha terminado a TV Cidade,
17:43para você voltar agora
17:44e dar uma questão
17:44para falar com você.
17:45Perfeito.
17:46Voltei e tal,
17:47depois eu almoço.
17:48Cheguei lá,
17:49ela disse para mim,
17:50você se lembra daquela história
17:51do Jânio Quadros?
17:52Eu disse,
17:53não,
17:53não tenho idade para isso,
17:54não,
17:54se ele foi presidente,
17:55eu era...
17:56Ela disse,
17:56é o seguinte,
17:56ele tinha a vassoura,
17:57pois é,
17:58eu também fiz parecido,
18:00eu acho que a gente precisou
18:02fazer umas modificações aqui,
18:04porque o pessoal já estava...
18:05Eu acho que,
18:05na verdade,
18:07não sei,
18:08o problema foi que o Kizan
18:09foi eleito com a maior votação
18:11para deputado estadual.
18:12Isso deve também ter dado
18:13uma certa ciumeira,
18:15aquela coisa,
18:15enfim.
18:16Aí ela me fez a seguinte pergunta,
18:18amanhã tem TV Cidade?
18:20Eu olhei para ela,
18:22pensei em todos os pais de família
18:24que dependiam do programa,
18:25e se tem.
18:27Aí assumiste o programa,
18:29a apresentação.
18:29Assumiu o programa,
18:30assumiu o programa.
18:30Sucesso na cidade,
18:31eu lembro disso,
18:32sucesso na cidade,
18:33você é astro, estrela, né?
18:35E sabe o que é interessante?
18:35Quando saia na rua,
18:36devia ser perseguido
18:38pela tietagem.
18:39Aconteceu coisas engraçadíssimas,
18:40muito interessantes,
18:42e eu descobri que casei
18:42com a mulher certa,
18:44uma vez eu fui convidado
18:45para ir ao Miss Pará,
18:47e para evitar problemas,
18:48entrei com o carro,
18:49pedi para entrar lá atrás
18:51do ginásio de educação física,
18:53entrei e tal, deixei.
18:53Quando eu entrei no salão,
18:54o pessoal...
18:55Aí veio umas meninas,
18:58me dão um beijo,
18:59disse, claro,
18:59mas eu quero uma boca,
19:00e me beijou na boca,
19:01minha mulher aqui, né?
19:02Aí terminou,
19:03eu disse, que droga, né?
19:04Ela disse, pois é, né?
19:05Descobri que eu tinha casado
19:06com a mulher certa,
19:07ela morreu de rir.
19:08Entendeu?
19:09Mas o melhor sucesso
19:10é aquele que a gente faz
19:11na terra da gente, né?
19:12É, pois é.
19:13A melhor coisa é ser mulher
19:14e ir na terra da gente,
19:16isso é a melhor parte da história.
19:17Mas tu sabes quando é
19:18que eu resolvi,
19:18vamos dizer assim,
19:19sair de frente de câmera,
19:20Esmaelino?
19:22Quando começou a me incomodar.
19:24Mas esse é a sede,
19:25esse é o sucesso?
19:26Sim.
19:26Eu fui numa churrascaria
19:28de uma pessoa que,
19:30anos depois,
19:31eu fui ter uma amizade
19:32grande com ela,
19:33era uma pessoa que eu era
19:33apaixonado por ela,
19:34a dona Josete,
19:35da churrascaria Rodeio.
19:39E eu não me dava com ela.
19:41Aí fomos eu,
19:42eu não sou chegado
19:43à churrascaria,
19:43nunca fui.
19:44E o meu sogro também,
19:45não era chegado.
19:47Então a minha mulher
19:47não viveu a vida dela
19:49em churrascaria.
19:50Mas eu fui,
19:51peguei os meninos,
19:52eu já tinha três filhos,
19:53a menina que morava
19:54em casa conosco,
19:55fomos.
19:56Comemos suficientemente bem,
19:57tal,
19:58eu viria para o garçom,
19:59eu fiz assim,
19:59ele veio e disse,
20:00está pago.
20:01Eu disse,
20:01como está pago?
20:03Não,
20:03a dona Josete mandou
20:04dizendo,
20:04não,
20:04aí fui lá,
20:05ela disse,
20:05de jeito nenhum,
20:06não aceito e tal.
20:08Bem,
20:08aceitei,
20:10mas não voltei mais
20:11para isso
20:11e resolvi sair
20:12da frente das câmeras.
20:13Começou a me ajudar.
20:14Mas olha só,
20:15e você fala de um tempo
20:16que não existia
20:17rede social.
20:17Ah, sim.
20:19Essa invasão,
20:21não sei se essa palavra
20:22acerta,
20:22mas essa visibilidade
20:24invasiva
20:26que as redes sociais
20:27dão para a vida
20:28das pessoas famosas
20:29hoje é muito complicado.
20:31Eu diria que você
20:31não viveu isso,
20:32mas você viveu
20:33de uma outra maneira,
20:34algo parecido.
20:35Algo parecido,
20:36exatamente,
20:37de uma outra maneira.
20:37Interessante isso,
20:39porque as redes sociais
20:42eram boca a boca,
20:43me incomodou,
20:43me incomodou.
20:44Talvez,
20:45se fosse,
20:46digamos,
20:46para eu,
20:47como fiz agora,
20:49para eu viver um personagem,
20:50eu tivesse seguido.
20:51mas para ser eu
20:54na frente de uma câmera
20:55todo dia e tal,
20:56não,
20:56aí eu digo,
20:57não,
20:57está bom,
20:58já dei a minha contribuição.
21:00E aí,
21:00a partir daí,
21:01virou?
21:01RBA.
21:03E fora isso,
21:04eu fui criativo
21:05de agência,
21:07eu aprendi a ser redator
21:08na TV Guajará,
21:09fui redator
21:09de agência também.
21:12Aí,
21:13Ismaelino,
21:14eu procurei aprender,
21:16quando eu entrei
21:16na televisão,
21:18todos os setores.
21:20Telecine,
21:21que hoje em dia
21:21as televisões não tem mais,
21:23videotape,
21:24áudio,
21:25edição.
21:26Eu fui um péssimo
21:27operador de áudio,
21:28mas eu fui um excelente editor.
21:31Quando eu me vi
21:33sabendo tudo isso,
21:35teve uma outra coisa
21:36que me acompanhou
21:37desde os 12 anos.
21:38Sempre me fascinou
21:39a arte de representar,
21:42a arte de atuação,
21:44a composição do ator.
21:46E eu comecei a pesquisar isso.
21:47A sorte que eu fui
21:48a livros ideais.
21:52Entendeste?
21:52Quando eu me vi,
21:54vamos dizer assim,
21:54dono de algum conhecimento
21:56que a gente nunca sabe nada,
21:58eu sempre digo
21:58que estou aprendendo,
21:59aí eu comecei a me arvorar
22:00e disse,
22:01agora eu vou dirigir.
22:02Comecei a dirigir.
22:03Você dirigiu,
22:04o que foi que você dirigiu?
22:06Porque também,
22:06além de dirigir,
22:07você foi para cima do palco,
22:08né?
22:08Programa.
22:09As primeiras coisas
22:10que eu dirigi
22:11foi para cima do palco.
22:11Eu falo de teatro,
22:12por exemplo.
22:13Chegou o teatro.
22:13Não, não, não.
22:14Pois é.
22:15Veja bem,
22:15tive várias experiências,
22:16por exemplo,
22:17com a Nilza na frente das câmeras.
22:19A gente viveu algumas cenas
22:21de textos que ela tinha guardado
22:24da antiga TV Marajoara.
22:26Nós fizemos,
22:27por exemplo,
22:28gravamos
22:28quase 600 histórias infantis
22:32por telecriança
22:33com o elenco
22:34que tinha vindo
22:35da Rádio Marajoara
22:36e da Rádio Clube,
22:38entendeu?
22:38Mas uma experiência,
22:39eu apresentei muita coisa
22:40em palco de teatro.
22:42Todos os teatros de Belém,
22:44talvez não,
22:46alguns mais novos,
22:48mas Teatro da Paz,
22:50Esquiva Zapa,
22:51Waldemar Henrique,
22:52enfim,
22:53apresentei coisas,
22:54participei de coisas
22:55e produzi muito show,
22:57mas eu nunca
22:58dirigi uma peça de teatro.
23:01De repente,
23:01é uma coisa
23:02que eu gostaria de fazer,
23:03mas nunca fiz.
23:03Tem tempo ainda.
23:04Agora,
23:04já que você fala
23:05dessa coisa de ator,
23:06mas você,
23:07recentemente,
23:08você participou
23:08de um filme,
23:09você é ator de um filme.
23:11Pois é.
23:11Conta para a gente
23:12que filme é esse.
23:13Eu sei que é um filme,
23:14é um longa-metragem,
23:15um longa-metragem,
23:16é.
23:16Você errou agora,
23:17recentemente,
23:18conta para a gente
23:19que filme é esse
23:20e o que você faz
23:21nesse filme?
23:22Porque esse é
23:22o teu primeiro trabalho
23:23como ator
23:24num longa-metragem?
23:25Num longa-metragem,
23:26sim.
23:27Isso foi,
23:28eu fui convidado
23:29pelo Cláudio Barros,
23:31é um amigo
23:31de muitos e muitos anos,
23:33que, aliás,
23:33quem botou pela primeira vez
23:35o Cláudio Barros
23:35na frente de uma câmera
23:36fui eu.
23:37Como foi eu
23:38que botei pela primeira vez
23:39o Paulão,
23:40o Zecão,
23:42a Natal não fui eu,
23:43mas eu cortei
23:44o primeiro comercial dela
23:45em televisão,
23:46enfim.
23:46E o Claudinho me,
23:48até hoje eu chamo
23:48de Claudinho,
23:49me convidou.
23:50Ele me telefonou um dia
23:52e disse assim para mim,
23:52Zé,
23:53eu vou te mandar um texto.
23:54Isso agora é recente.
23:55Agora é recente,
23:56ano passado.
23:56Eu vou te mandar um texto,
23:58grava com o teu telefone
23:59e me manda.
24:00Fiquei assim,
24:00disse,
24:01não grava,
24:02gravei.
24:03Mas eu mandei no mesmo dia,
24:04assim,
24:04uma hora depois,
24:05mais ou menos.
24:05Ele disse,
24:06já?
24:06Digo, já.
24:07Aí ele me telefonou e disse,
24:08Zé,
24:10tu serás um personagem
24:11do filme do Marco André.
24:12Ele disse que não vai
24:13nem avaliar outro ator.
24:15Marco André,
24:15para quem não sabe,
24:16é um cantor,
24:18compositor,
24:19cantor,
24:20arranjador,
24:20filho de Alfredo Oliveira,
24:21filho de Alfredo Oliveira,
24:23irmão de Sérgio Oliveira,
24:24dono de um talento fantástico
24:26que está no sangue dele.
24:27e o Marco André,
24:30junto com o filho dele,
24:31o Yuri Vidal,
24:32filho da nossa querida
24:32Úrsula Vidal,
24:34eles escreveram esse roteiro.
24:36Marés de sangue.
24:37O que é o Marés de sangue?
24:38Marés de sangue
24:39é um policial,
24:41eu acho que pela primeira vez...
24:43É um thriller policial.
24:44É um thriller policial.
24:45Na Amazônia.
24:46Com um detalhe,
24:47noir,
24:47ele é preto e branco.
24:48E ele se passa fundamentalmente
24:52dentro de um navio.
24:54Aliás, na verdade,
24:55dentro de um barco.
24:57Um barco chamado Venino Pantoja.
25:00Barco Amazônico.
25:02Amazônico.
25:02Nosso Amazônico,
25:04que é considerado
25:05o maior barco gaiola
25:06da América Latina.
25:08Esse foi o cenário de vocês?
25:11Foi o cenário.
25:13É um barco belíssimo,
25:14entendeu?
25:15E tudo se passa dentro de...
25:17Eu não posso contar muita coisa,
25:18mas é o seguinte.
25:20Entra uma policial
25:23dentro do barco,
25:25ela vai viajar,
25:27e daqui a pouco
25:28acontece um crime.
25:30O resto eu não posso contar.
25:31Entendeu?
25:32É coisa meio
25:32Agatha Christie, não?
25:34Exatamente.
25:34Agatha Christie.
25:35Então, que bem que ela tem
25:36histórias descritas em navio,
25:38né?
25:38Pronto, é isso aí.
25:39O Morte sobre o Nilo,
25:40enfim.
25:41Exato.
25:41E veja bem,
25:42interessante é que...
25:44Isso num cenário amazônico.
25:47Amazônico.
25:47Todo rodado em Cametá.
25:49Inclusive,
25:50conhece Cametá?
25:52Ali é a Praia da Aldeia,
25:53que é uma praia muito linda.
25:55Aquele,
25:55que eu me esqueci agora o nome,
25:57aquele trapiche
25:58que estava fechado,
26:00foi recondicionado
26:01para o filme.
26:02Um trapiche
26:02de um estilo arquitetônico lindo
26:04foi feito lá.
26:05Lá na Praia da Aldeia, né?
26:06E o elenco desse filme,
26:08viu, Ismaelino?
26:09Um elenco maravilhoso.
26:11Ana Flávia Cavalcante,
26:12atriz que aparece,
26:14já apareceu em várias novelas.
26:15O Filipe Lavra,
26:17que também terminou de fazer
26:18na Globo
26:19A Garota do Momento.
26:21O Igor Pedroso,
26:23que tem aquele tipo...
26:25E o teu personagem é o...?
26:27O meu personagem,
26:28o personagem que eu fiz,
26:29é o dono do barco.
26:33Eu faço o dono do barco.
26:35O Zé Horácio, entendeu?
26:37O Zé Horácio é o dono do barco.
26:39E ele é uma pessoa melancólica,
26:42porque morreu o pai dele.
26:44Ele já tem 60 anos,
26:47mas morreu o pai dele,
26:48que era uma pessoa
26:49que ele era muito ligado.
26:51Ele não fala praticamente
26:53durante todo o filme no pai.
26:54Só tem uma coisa
26:56que a gente sente
26:57que tem a ligação dele com o pai.
26:59É o anel que ele tem.
27:01Sabe?
27:01Ele conversa e fala.
27:02Então, você como um personagem.
27:04Essa é a primeira vez.
27:06É, personagem.
27:07Outra coisa,
27:07com sotaque cametaense e tudo.
27:09Ah, isso que ele perguntava.
27:11Preserva o sotaque.
27:12Preserva o sotaque, veja bem.
27:13Original de cametar.
27:16O meu receio
27:17era fazer na medida certa
27:19que não ficasse caricato.
27:22Entendeu?
27:22Então, fui construindo o personagem
27:24com muito cuidado
27:25e o teste foi uma cena
27:27que eu fiz
27:27que envolvia muitas pessoas locais,
27:30muitos figurantes
27:31e, quando eu terminei,
27:32eles me aplaudiam.
27:33Ah, eu fiquei emocionado com aquilo.
27:36Parece que ele é daqui.
27:37Eu digo, não nasci aqui,
27:39mas tenho sangue da região.
27:40Porque a minha mãe
27:41nasceu na ilha da Santana.
27:44Logo adiante, em Mocajuba.
27:46E Mocajuba,
27:46quando a minha mãe nasceu,
27:48era cametá.
27:49Entendeu?
27:49Então, quer dizer,
27:50eu convivi desde garoto
27:51com os primos,
27:52tios,
27:53tem histórias engraçadíssimas
27:55daquela região.
27:56E veja bem,
27:58aquele falar
27:59tocantino,
28:03aquele falar daquela região,
28:05eu digo o seguinte,
28:06que equivalente
28:07ao potencial que tem
28:09para ouvir
28:09em qualquer lugar do mundo,
28:13só tem equivalência
28:14no sotaque do Nordeste.
28:16Ele é gostoso de ouvir.
28:18Ele é engraçado
28:19sem precisar ser engraçado.
28:21E muito original.
28:22É muito original.
28:23Por exemplo,
28:24o nosso Pinduca...
28:24E é engraçado
28:25que ele é uma coisa
28:25daquele núcleo,
28:26ele é naquela região
28:27que aquilo acontece.
28:28É isso aí.
28:29Vamos dizer,
28:29de Barca Arena
28:30até Baião,
28:31do Curuí e por aí.
28:33E o nosso Pinduca,
28:34por exemplo,
28:35é um homem que galgou
28:37o que ele conseguiu,
28:39tanto na polícia
28:40quanto na vida artística,
28:42mas ele intimamente
28:43procura conservar,
28:44ele faz questão
28:45de conservar
28:46aquele sotaque,
28:47aquele falar.
28:48Entendeu?
28:49que é bonito.
28:50É interessante
28:51que a televisão,
28:53de uma certa maneira,
28:55destruiu um pouco
28:56esse sotaque.
28:57As pessoas passaram
28:58a ter vergonha
28:59desse sotaque
28:59no interior do Estado.
29:01Eu tenho primos
29:01que têm muito orgulho
29:03e que até hoje
29:04falam desse jeito
29:05e gostam disso.
29:06Mas muitos
29:07têm vergonha.
29:08Isso é coisa de caboclo,
29:09quando é tão original.
29:11Melodia bonita, não é?
29:12Teve o Epaminonda,
29:13aquele cara que,
29:14na verdade,
29:14acabou fazendo,
29:15fazer uma paródia
29:16em cima da coisa,
29:18mas era absolutamente
29:19original.
29:19Original.
29:20Engraçado.
29:21E é bom,
29:23porque aquilo
29:23é cultural também.
29:24Cultural.
29:25Cultural.
29:25E veja bem,
29:26o pessoal,
29:27por exemplo,
29:27dessa região do Tocantins,
29:29o pessoal até hoje
29:31usa um português
29:32erudito e arcaico.
29:34Pode reparar.
29:35E de Arga.
29:37E, rapaz,
29:37tu está na medida de Arga.
29:39Entendeu?
29:40Usa...
29:41Por exemplo,
29:42tem interjeições até
29:44que eles usam,
29:45que é uma mistura
29:46de português arcaico
29:47e erudito
29:47com coisa indígena também.
29:49Por exemplo,
29:50tem uma interjeição,
29:52só eles têm isso.
29:55Quer ver outra?
29:56Essa está praticamente extinta.
29:58Soco.
30:00Está praticamente extinta essa.
30:02Ninguém mais quase fala.
30:03E, Zé Paulo,
30:04voltando lá
30:06no tempo do sucesso total
30:08na cidade,
30:09você, o astro
30:10da TV Cidade,
30:12alguma coisa
30:13de mais engraçado até,
30:16mais louco também aconteceu
30:18com essa coisa de fãs,
30:20porque, imagina,
30:21antigamente também
30:22as pessoas iam ver,
30:24a TV era ao vivo,
30:24tinha a plateia e tudo mais.
30:26Olha...
30:27O que te aconteceu assim
30:28que...
30:29Aconteceram algumas coisas.
30:30Teve essa do beijo
30:31que é bem interessante.
30:32Essa do beijo,
30:33mas tem uma coisa
30:34que aconteceu
30:35com uma prima minha
30:36que até hoje,
30:37vamos dizer assim,
30:38ela é de Bocajura,
30:39ela mora em Belém hoje em dia,
30:41mas ela lá
30:41mostrou na televisão
30:43e disse,
30:43olha,
30:44esse daí é meu primo.
30:45Aí a outra virou para ela,
30:46mas larga dessa mentirosa,
30:48porque ela,
30:48você não está vendo
30:49que para fazer isso
30:49tem que ter dinheiro, rapaz?
30:52Olha só,
30:52quer dizer,
30:53para elas,
30:54apareceu na televisão
30:54uma coisa
30:55que tinha que ter dinheiro,
30:55pelo contrário, né?
30:58Aconteceram coisas,
30:59será que eu me lembro agora
31:00de outra coisa
31:01que aconteceu?
31:02Ah, sim,
31:03teve uma coisa
31:04que foi muito interessante.
31:06Nós tínhamos um rapaz
31:08que até hoje
31:08anda por aí
31:09fazendo algumas coisas,
31:10tentou até voltar
31:11na internet
31:12com TV Cidade,
31:13ele hoje mexe
31:14com concurso de místia,
31:16alguma coisa assim,
31:17e o nome dele
31:18é Calazans.
31:19E o interessante
31:19foi que quando eu entrei aqui
31:21que o nosso querido companheiro
31:23me deu um abraço
31:24e tiramos uma foto
31:25e tal,
31:26ele disse,
31:26eu vou mostrar para o Calazans
31:27e tal,
31:28quer dizer,
31:28o Calazans anda por aí.
31:29Aí um dia me convidaram
31:30para apresentar
31:32um concurso de místia,
31:34alguma coisa assim,
31:35no Império Amazônico.
31:36Eu fui,
31:37nunca cobrei nada,
31:38e é o maior prazer.
31:40Aí chegou um camarada
31:41assim lá na mesa,
31:42a gente estava tomando
31:42de uma cerveja,
31:43tinha acabado,
31:44chegou com a mulher dele,
31:45disse,
31:45olha aqui quem está aqui.
31:46Aí eu,
31:48está vendo só,
31:50te disse que ele vinha
31:51e estava para,
31:53falha aqui com o Calazans.
31:57Então tinha essas confusões assim,
31:59era muito engraçado isso,
32:00sabe?
32:00E houve muita coisa engraçada.
32:03Sim,
32:03interessante o seguinte,
32:04o que eu queria dizer
32:05é o seguinte,
32:07o tempo que o Kizan Lourenço
32:08levou apresentando o TV Cidade
32:10foi o auge do programa.
32:13Não foi a época
32:14que eu o apresentei.
32:15Porque o Kizan
32:17era um grande artista.
32:19O Kizan
32:20era um artista completo.
32:21E detalhe,
32:23era um grande ator.
32:24Não sei se você sabe disso.
32:26Ele não ficou no Rio de Janeiro
32:27com o Chico Anísio
32:29porque a mulher dele
32:30começou a implicar
32:32com a estada deles lá,
32:34não se deu com o clima,
32:35não sei o quê,
32:35quis voltar para Belém.
32:36Mas o Kizan
32:37chegou a fazer
32:38o Azambu de Companhia
32:39com o Chico Anísio.
32:40Kizan era um grande ator.
32:42E outra coisa,
32:43tinha um outro segredo
32:44que nos garantiu
32:45o TV Cidade no ar.
32:46O Kizan
32:47era um excelente vendedor.
32:49Ele tinha a boca doce
32:50para vender.
32:51Entendeu?
32:51E isso sustentava o TV Cidade.
32:53E nós ganhávamos
32:54comissão
32:55do que levávamos,
32:56do que produzíamos e tal.
32:58E era uma retirada
32:59muito boa
33:00que nós tínhamos.
33:00Entendeu?
33:01Com a saída dele,
33:02várias coisas desandaram.
33:04Agora,
33:05olha só,
33:05você falou já
33:06dessa etapa do filme
33:08que vai ser lançado,
33:09já tem data?
33:09Não,
33:10não,
33:10não,
33:10eu tenho a impressão
33:11que...
33:12O cinema é complicado,
33:12a gente sabe
33:13que até chegar à tela
33:14o processo é low.
33:16O cinema brasileiro,
33:17então...
33:18Eu até jantei
33:19com o Marco André,
33:20agora,
33:21semana retrasada,
33:23e conversamos assim
33:24e editar
33:25aquela luta
33:26do cinema brasileiro
33:27para terminar o filme.
33:29Eu acredito
33:29que daqui para agosto
33:30de repente
33:31o filme vai estar pronto.
33:32Tomara, né?
33:33Eu quero estar, né?
33:33É um tempo pequeno.
33:34Vamos ver, vamos ver.
33:35O cinema brasileiro
33:36está na moda, né?
33:36Deixa eu te dizer uma coisa.
33:39A gente também está aqui
33:40para falar desse livro aqui,
33:41que você já me presenteou,
33:43maravilhoso.
33:45Conta para a gente desse livro.
33:46Você conta aqui
33:46a história do Pinduca, né?
33:48É.
33:50É uma biografia?
33:52Veja bem,
33:52eu não sou biógrafo,
33:54não chamaria de biografia
33:55porque eu não sou historiador
33:56e não sou biógrafo.
33:58Mas a história desse livro
33:59é mais ou menos o seguinte.
34:00Eu e o Pinduca
34:01somos amigos
34:01há mais de 40 anos.
34:03Tudo que eu faço,
34:05eu procuro botar o Pinduca
34:06no meio.
34:06Para teres ideia,
34:07é um negócio tão interessante,
34:10aqui muito particularmente
34:12que ninguém nos ouça,
34:13só esses milhões de pessoas
34:14que assistem.
34:16O Pinduca,
34:16quando vai fechar alguma coisa,
34:18ele me liga.
34:18Zé,
34:19me dá o valor
34:19para teres ideia.
34:22E se eu convido ele
34:23para fazer alguma coisa,
34:23o que você acha?
34:25É assim.
34:26A nossa amizade
34:26vem de muitos anos.
34:29Eu sou muito sincero
34:31no que falo para ele,
34:32ele também para mim.
34:33Enfim.
34:34Aí, um belo dia,
34:35o Pinduca me telefona,
34:36disse,
34:36meu amigo,
34:37tudo bem,
34:37tudo bem,
34:38eu gostaria de ele
34:38fazer uma visita.
34:40Perfeito,
34:41com o maior prazer.
34:41Então,
34:41mandei preparar lá
34:42um cafezinho e tal.
34:43Daqui a pouco chega
34:44o Pinduca,
34:46junto com a nossa querida
34:46deusa,
34:47que eu chamo
34:47a dona Pinduca,
34:48a mulher dele,
34:49que é a companheira
34:50de mais de 60 anos,
34:51e o filho mais velho,
34:53o Douglas.
34:54Aí,
34:54estou lá,
34:55recebendo eles
34:56e estava conversando,
34:57disse,
34:57meu amigo,
34:57é o seguinte,
34:57eu vim aqui
34:58para lhe fazer um convite.
35:00Bem,
35:00eu sempre fui
35:01à casa do Pinduca,
35:01então,
35:02de repente,
35:02é uma festa,
35:03é o casamento
35:03de alguém,
35:04é o aniversário,
35:05né?
35:05Eu gostaria
35:06que você escrevesse
35:07um livro
35:07sobre a minha vida.
35:09Rapaz,
35:10não faz ideia
35:11a emoção
35:12que me foi isso.
35:13Eu chorei muito.
35:15Foi muito emocionante
35:16para mim.
35:16Sabe por quê?
35:19Porque há muito tempo
35:20eu tinha vontade
35:20de fazer isso.
35:22Me pegou desprevenido.
35:24Aí, rapaz,
35:24eu entrei de cabeça.
35:26Entrei de cabeça
35:27e aí são
35:29seis anos
35:30de pesquisa.
35:31Porque o Pinduca,
35:32ele se diz
35:33ruim de data,
35:34não é nada disso,
35:35isso é charme dele.
35:36Na verdade,
35:37é um dos segredos
35:38que mantém o Pinduca
35:39com essa juventude dele.
35:41Entendeu?
35:41Eu digo sempre
35:42que ele é o caçula
35:43dos filhos
35:44e daqui a pouco
35:45vai ser o caçula
35:46dos netos.
35:46Deixa eu falar só um detalhe.
35:47O Pinduca foi
35:48a nossa primeira entrevistada
35:49aqui.
35:49Quando começamos
35:50o Manguerosamente
35:52há cinco temporadas atrás,
35:55a gente está
35:56na quinta temporada,
35:57mas na primeira temporada
35:58o Pinduca estava aqui
35:59com aquele...
36:00E o Pinduca
36:01é aquele caso,
36:02na verdade,
36:02com o tempo
36:03a gente vai
36:04ressignificando,
36:07também não sei
36:08se é essa palavra,
36:08a gente vai
36:09reaprendendo
36:11com o Pinduca.
36:12Porque o Pinduca,
36:13primeiro que ele é
36:14contemporâneo,
36:15segundo,
36:15olha só,
36:15o tempo
36:16desse trabalho
36:16que ele está fazendo
36:17é a posição
36:18que ele tem hoje.
36:20É realmente
36:21o rei do carimbó.
36:23Não só...
36:24Veja bem o seguinte,
36:25vai além.
36:27Se você for parar
36:28para pensar,
36:29se tu fores parar
36:29para pensar,
36:30nunca te chamei de você,
36:32o Pinduca
36:33é o nosso
36:34único astro
36:35popular
36:36com todas
36:37as características
36:38de um astro.
36:39indumentária,
36:40indumentária,
36:42repertório,
36:43posicionamento
36:44mercadológico,
36:45e ele fez isso
36:46de uma maneira
36:47muito empírica.
36:48E deu certo.
36:50E sabe o que
36:50eu morro de rir?
36:51É que muita gente
36:53que quando...
36:53Imagina,
36:5430, 40 anos atrás,
36:5650,
36:56porque eu tenho
36:5750 anos de profissão,
36:59gente que fazia
37:00gozação do Pinduca,
37:02que não entendia
37:04que ele estava
37:05fazendo alguma coisa nova.
37:06hoje é um fardoroso
37:09do Pinduca.
37:10Eu me lembro
37:11que uma vez,
37:12não vou dizer
37:12onde eu estava,
37:14e a gente estava
37:14conversando a respeito
37:15de registro,
37:16eu disse,
37:16qual é o registro
37:17do Pinduca?
37:18O nosso músico
37:19importante disse
37:20para mim,
37:20sei lá,
37:21sei lá,
37:21eu acho que é
37:22tenor,
37:23talvez,
37:23como é,
37:23tenor não,
37:24é barítono,
37:24sei lá,
37:25assim,
37:26com aquela...
37:28aquela...
37:29Com desdém.
37:30Desdém, pronto,
37:31com aquele desdém.
37:33Hoje todo mundo
37:33põe o Pinduca
37:34lá em cima.
37:34Claro.
37:35Porque veja bem,
37:36o que ele fez?
37:37Ele criou uma coisa nova.
37:39Ele,
37:39no início dos anos 70,
37:41recolheu o carimbó
37:42numa região nova
37:44que ele nasceu,
37:45embora tenha
37:46alguns resquícios
37:48de carimbó lá,
37:49sempre teve,
37:50e ele transformou
37:52aquele,
37:52aquela...
37:54esse nosso ritmo
37:55numa coisa nova.
37:57Ele criou
37:58o que eu chamo
37:58aí de carimbó urbano.
38:01Entendeu?
38:02Porque nós temos
38:02o carimbó pastoril,
38:03Marajó,
38:05temos o carimbó
38:06praeiro,
38:06na região
38:07chamada Salgado.
38:08Do Salgado.
38:10E o Pinduca,
38:11ele criou
38:11o carimbó urbano.
38:14Qual é
38:14o pecado
38:15do Pinduca?
38:16Ter colocado
38:16guitarra,
38:18ter colocado
38:18instrumentos
38:19que até então,
38:20bateria.
38:21O Pinduca
38:21nunca usou,
38:22por exemplo,
38:22o carimbó.
38:23Sopro.
38:24Não sopro,
38:25até que o carimbó
38:26tem flauta.
38:27Tem flauta.
38:28mas o Pinduca
38:29colocou outros tipos
38:30de metais.
38:32E ele fez
38:33uma coisa
38:34que atingiu
38:35o Brasil todo
38:35e várias partes do mundo.
38:36Sim,
38:36na verdade,
38:37quem levou
38:38o carimbó
38:39para o Brasil
38:40e vamos dizer
38:41para o mundo
38:42chama-se Pinduca.
38:43Mas claro,
38:43com certeza.
38:44E veja bem o seguinte,
38:45o pecado dele,
38:47o grande pecado dele
38:48foi que ele,
38:50vamos dizer,
38:50tirou o carimbó
38:52daquele lugar
38:53que ele vivia.
38:54Porque veja bem,
38:55é interessante o seguinte,
38:56eu sempre digo
38:57que a inteligência
38:59sempre procura
39:01ver daquele tipo
39:04de visão.
39:06Bem,
39:07se não significa
39:08ameaça para mim,
39:10tudo bem,
39:10eu posso divulgar
39:11e tal,
39:11mas ele tem que ficar
39:12quietinho lá.
39:13Se ele é o mestre
39:15paraíro lá
39:15que faz o carimbó,
39:16beleza.
39:17Mas Pinduca,
39:19imagina,
39:19um cara se apresentando
39:21em um programa nacional,
39:22disputando o Grêmio,
39:23isso é um absurdo.
39:25Profissionalíssimo,
39:26profissionalíssimo,
39:28profissionalíssimo,
39:29é verdade.
39:30É impressionante
39:32a visão do Pinduca
39:33de mundo,
39:34sabe,
39:34Marilena?
39:34Respeitoso também,
39:35né?
39:36Muito,
39:36muito,
39:36muito.
39:37Eu sempre conto aqui,
39:39eu conto aqui,
39:40que eu sempre conto
39:41e conto também
39:42no dia a dia,
39:43esse livro tem
39:44304 páginas,
39:46304 páginas.
39:48Nessas 304 páginas,
39:50o Pinduca
39:51disse,
39:53sabe assim,
39:55falou um palavrão
39:58desse tamaninho,
39:59daquela maneira assim,
40:00qualquer criancinha fala,
40:01quando ele abordou
40:03o pior,
40:04talvez o pior,
40:05episódio da vida dele,
40:07que foi a morte da filha,
40:08da filha caçula,
40:09imagina.
40:10Eu,
40:11posso dizer aqui?
40:12Ele disse,
40:13puta merda,
40:15único,
40:15veja bem,
40:16mais de 40 anos
40:17de amizade,
40:18eu nunca tinha ouvido
40:19o Pinduca
40:20falar um palavrão.
40:21Eu já presenciei
40:21o Pinduca
40:21em situações de shows,
40:23assim,
40:23shows,
40:24show beneficente,
40:25de vários artistas
40:26que se apresentando,
40:28cada um tem a sua vez
40:29e tudo mais,
40:29muita gente,
40:30e ele lá esperando a ver dele,
40:32aquela tranquilidade,
40:34sempre tratando gente,
40:35todo mundo muito cordial,
40:36isso é uma característica
40:38de um artista nato.
40:39Absolutamente profissional,
40:41absolutamente profissional.
40:42E essa vitalidade,
40:44né?
40:44Essa vitalidade.
40:44Essa vitalidade é incrível,
40:46daqui a pouco
40:47tá com 90 anos
40:48e é um menino.
40:48Vira e vira
40:49com aquele chapéu.
40:50É interessante o seguinte,
40:51deixa eu te contar uma,
40:52agora,
40:53mais recentemente,
40:53o neném,
40:54filho dele,
40:54um dos filhos dele,
40:55fez um show
40:56em homenagem ao pai.
40:57E claro que ele foi.
40:59Aí se paramentou todo
41:00e entrou.
41:01Só que quando ele foi entrar,
41:03ele resolveu contar,
41:04que está aí no livro também,
41:05como foi que ele começou
41:06profissionalmente
41:08tocando maracas
41:09num jaze
41:10lá de Igarapé-Miri.
41:12Então ele levantou
41:14e começou a...
41:15E ele conta isso,
41:16e ele faz toda
41:17a misancene da coisa
41:19e dançou e foi...
41:20E, aliás,
41:21incrível esse resgate
41:22fotográfico
41:24que você faz,
41:24que o livro é muito...
41:25Não li ainda,
41:26mas o livro é muito
41:27bem ilustrado,
41:28fotografias preciosas,
41:30resgates preciosos,
41:31não só do Pinduca,
41:32inclusive...
41:33resgate...
41:34Arranjado por ti também,
41:35né?
41:35Resgate da história da cidade,
41:38que é isso que é importante,
41:39na verdade,
41:40porque a vida do Pinduca
41:41está ligada à história de Belém,
41:43está ligada à nossa cultura,
41:45está ligada à força
41:46que nós temos,
41:47a força que essa cidade tem,
41:49a força que o paraense tem.
41:51E como nós somos únicos,
41:53nós estamos agora,
41:54recentemente,
41:54a gente surpreendeu a todo mundo,
41:57não por esconder nada,
41:58não por tirar nossas mazelas,
42:00elas continuam,
42:01mas também nós temos
42:02muito mais do que isso
42:03e nós mostramos
42:04que nós somos paraenses.
42:07Isso.
42:07E, sabe, Ismaelino,
42:08o interessante é o seguinte,
42:10eu fiz várias entrevistas
42:13com o Pinduca,
42:14grandes só duas,
42:16e aí a gente se falava muito,
42:17olha, mas isso aqui,
42:18como é que foi?
42:18Não sei o quê e tal,
42:19papá.
42:20Mas eu me aproveitei
42:22daquilo que ele contou
42:23para pesquisar a fundo,
42:25aí tem seis anos de pesquisa,
42:26para pesquisar e poder contar
42:28detalhes de determinados episódios
42:30que ele tocou, entendeu?
42:33Ele se diz assim,
42:33eu sou ruim de data,
42:34não é?
42:34Ele faz disso charme.
42:36Inclusive, tem um capítulo aí
42:38que eu digo que ele é o inventor
42:41de um tempo verbal
42:43chamado pretérito presente,
42:45porque ele fala tudo
42:47e conta como se tivesse acontecido agora.
42:50Sabe, mesmo que a pessoa,
42:51por exemplo,
42:51de quem ele esteja falando
42:52já tenha morrido,
42:54ele conta como se tivesse vivo
42:55e ele tivesse terminado
42:56de falar com a pessoa.
42:57Olha, deixa que tu me deixe
42:58esse exemplar,
42:59eu tenho te cobrado,
43:00onde compra, aliás,
43:01vou te perguntar,
43:02onde a gente compra?
43:03Pois é, Esmaelino,
43:04eu ainda não fiz o lançamento,
43:06sabe?
43:06Pois é, estou te cobrando
43:07esse lançamento,
43:08isso tem que ser lançado sim.
43:09Pois é, pois é.
43:10Sabes que eu fiz esse livro?
43:10Tem que ter um lançamento.
43:11Eu fiz esse livro.
43:12Porque as pessoas vão querer
43:12comprar isso.
43:13É, eu fiz esse livro
43:14por conta própria.
43:16Fiz uma tiragem pequena,
43:17entendeu?
43:19Modéstia à parte,
43:20ele está bonito.
43:20Tive a participação
43:23de um profissional
43:25da melhor qualidade
43:26para fazer a diagramação,
43:27que foi o Luciano,
43:28e uma editora.
43:30Eu andei muito
43:31para poder escolher
43:31essa editora.
43:32Pacatatu realmente
43:33foi assim na medida
43:35quando eu comecei
43:36a ver os trabalhos.
43:37Aliás, interessante.
43:39Pacatatu tem trabalhos maravilhosos.
43:41Tem trabalhos maravilhosos.
43:42E eu cometi uma injustiça.
43:43Dá uma assinatura
43:44de qualidade ao livro.
43:46É, eu cometi uma injustiça
43:47nesse livro
43:48e pretendo me penitenciar
43:51na segunda edição.
43:53Quem me indicou
43:54a Pacatatu,
43:55eu me esqueci de agradecer,
43:56que foi o Lopo Júnior,
43:57o Lopo de Castro Júnior,
43:59que hoje mora
44:00nos Estados Unidos.
44:02Ele veio,
44:03a Pacatatu,
44:04só um instantinho
44:04que eu tomei rouco.
44:07A Pacatatu
44:08foi a responsável
44:09pela nova edição
44:10do livro
44:11A Família Castro,
44:12que está muito bonito.
44:13Não sei se você conhece.
44:14Está muito bonito.
44:15E aí eu digo,
44:16é por aí mesmo que eu fui.
44:17E aí fiz a...
44:18O diagramador entrou...
44:20Mas temas que vou te cobrar aqui,
44:22você tem que fazer
44:22o lançamento disso.
44:23Pois é, eu vou fazer sim.
44:24A presença do Pinduca.
44:25É uma outra coisa.
44:26Você já prestou atenção
44:28na elegância do Pinduca?
44:29Era muito elegante.
44:31O sapato,
44:32a vestimenta do Pinduca,
44:34da forma...
44:35Isso ele pode fazer,
44:37esse mesmo show
44:38ele pode fazer
44:38num lugar
44:39bem especial da cidade,
44:41como você vê recentemente.
44:43Eu vi ele cantando
44:44para os internos ali
44:46do Pão de Santo Antônio,
44:47de manhã,
44:48ele completamente
44:50Pinduca.
44:51Eu digo...
44:51É o respeito ao público.
44:53Respeito ao público.
44:54Eu digo aí o seguinte,
44:55o Pinduca,
44:57você encontra com ele,
44:58seja de manhã,
44:59de tarde ou de noite,
45:00parece assim que ele acabou
45:01de sair do banho, né?
45:02Eu digo que corre o risco
45:04de nem a dona Deusa
45:05já ter visto o Pinduca
45:06não penteado.
45:08Porque ele sempre está...
45:10Camisinha para dentro,
45:11todo bonitinho,
45:12tal,
45:12cabelo bem...
45:13Mas você não me respondeu,
45:14vamos fazer esse lançamento?
45:15Vamos fazer,
45:16deixa eu arranjar
45:17um meio de fazer,
45:19porque eu quero fazer
45:20com o show do Pinduca,
45:22com participação
45:23de alguns artistas nossos,
45:24entendeu?
45:25E isso depende também
45:26de dinheiro, né?
45:27Claro.
45:27Deixa eu conseguir
45:28viabilizar isso.
45:29Sim.
45:29Não te incomoda
45:30que serás o primeiro
45:31a ser convidado.
45:32Tá certo.
45:33Paulo,
45:34é um prazer
45:34falar contigo.
45:35Meu irmão,
45:36eu estou muito feliz
45:36de estar aqui.
45:37Queria te trazer aqui,
45:38para mim,
45:38na verdade,
45:39foi uma honra
45:39estar te trazendo aqui
45:40nessa abertura aqui
45:41da quinta temporada
45:42do programa.
45:43Seja que a gente
45:44tem mais história
45:44para contar,
45:45qualquer dia a gente
45:46volta aqui
45:46para tomar essa água,
45:48para falar sobre cinema,
45:49para tomar esse cafezinho,
45:49para falar de cinema também,
45:51exatamente.
45:52E vamos aguardar o filme,
45:54tem várias coisas ainda.
45:55Tem várias coisas.
45:562026 tem livro,
45:57tem filme.
45:58E, bebê,
45:59é o seguinte,
45:59desse livro,
46:00aliás,
46:00esse livro é consequência,
46:02eu não sei se ele é consequência
46:03ou se a ideia veio,
46:04não,
46:04a ideia veio até antes.
46:06Eu quero fazer
46:07com o mesmo nome
46:08um documento,
46:11um longa-metragem documental
46:12sobre o Pinduca.
46:14Eu tenho o projeto pronto,
46:15entendeu?
46:16Esse está para ser viabilizado.
46:18E a gente lança
46:19esse longa-metragem
46:20sobre a vida do Pinduca.
46:21Pronto,
46:21a gente vem aqui de novo,
46:22tá bom?
46:22Muito obrigado, meu irmão.
46:23Muito obrigado,
46:24obrigado pela sua presença.
46:24Estou feliz de estar aqui.
46:25Obrigado também.
46:26Um abraço para todo mundo
46:27que está em casa,
46:28que nos assistiu.
46:29Obrigado.
46:30Obrigado também.
46:31Obrigado também.
46:37Obrigado.
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