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A pajé Zeneida Lima, ambientalista e escritora, fala sobre a homenagem da escola de samba e seu trabalho em defesa da cultura da Amazônia no Marajó, com músicas de cunho ambiental.
Reportagem: Eduardo Rocha
Reportagem: Eduardo Rocha
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, eu sou Eduardo Rocha, nós estamos no estúdio do Grupo Liberal, recebendo a pagé ambientalista e escritora Zeneida Lima.
00:07Seja muito bem-vinda.
00:09Obrigada.
00:10Para falar sobre o enredo 2027 da Escola de Samba Carioca Beija-Flor de Nilópolis, Zeneida, o Sopro do Pó
00:17de Louro.
00:18Dona Zeneida, como você recebe esse convite? O que significa ter a sua trajetória de vida com o enredo da
00:26Escola de Samba Beija-Flor?
00:27Olha, eu fiquei muito feliz, emocionada, e a minha relação a Beija-Flor já vem de muito tempo, desde 1998.
00:43Então, de lá para cá, eu sempre frequentei a casa do patrono da escola, o Sr. Anísio Abraão,
00:54e agora foi uma surpresa para mim, um presente dos meus 91 anos, pedir para tirar a minha vida.
01:07A comissão do carnaval foi no Rio comigo e perguntou se eu aceitava.
01:13Eu disse para eles, eu ia olhar nas energias e depois eu dava uma resposta para eles.
01:20E assim eu fiz, olhei nas energias, vi que podia tirar e anunciei para o carnavalesco que podia tirar a
01:29minha história.
01:30Então, fiquei no mesmo tempo, foi um presente dos meus 91 anos, e no mesmo tempo fiquei emocionada,
01:43porque eu ia para a Avenida contar a minha vida, a minha história, com uma das últimas pagés do Marajó.
01:53Então, fiquei emocionada com isso e até hoje estou emocionada.
01:59Certo.
02:00Em quase um século de vida, você tem sido uma mulher corajosa e totalmente atuante na defesa da cultura e
02:10do meio ambiente aqui na Amazônia.
02:13Por que essa sua atitude tem valido a pena? Como é que você se entende defendendo a Amazônia?
02:18Olha, eu fui criada na fazenda do meu pai, que era na ilha do Marajó, a fazenda Independência.
02:26E eu, desde criança, sempre fui alucinada pela natureza, porque o meu pai me ensinou a amar a natureza.
02:38Ele dizia assim, ele sempre falava na reunião, ele fazia assim, olha, a natureza é a grande mãe,
02:45é a origem e o fim de todas as coisas.
02:49Não podemos violentá-la, porque estamos violando a nós mesmos.
02:54Quem viola a natureza é punido por anhanga.
02:57E se a agressão da natureza não pagar por si, seus descendentes farão.
03:02O respeito à natureza, a integridade dos seus elementos é a lei maior.
03:08Dentro desses princípios, se tratarmos bem a natureza, ela nos dá de tudo.
03:13Daí, ele ia plantar, plantava os caroços de manga, caroço de açaí, os caroços,
03:22e depois a gente ia de manhã cedo, acordava e dizia, olha, não nasceram, vão nascer, vamos ter cuidado.
03:30Eu aprendi esse amor pela natureza, é um amor que eu não sei explicar de onde vem,
03:36mas é um amor muito grande.
03:38É, esse cuidado com a natureza, né?
03:42É, o cuidado com a natureza, porque sem a natureza não há vida no planeta.
03:49O homem não acordou ainda para pensar nisso.
03:53Ele só pensa em guerra.
03:55Ele tem de pensar que sem a natureza não há vida.
04:00Nós vamos morrer numa grande solidão.
04:03Pode o senhor ficar certo.
04:05E, nesse contexto, você tem um trabalho majestoso na Ilha do Marajó, em Sorri,
04:10de educação ambiental, de educação de formação de jovens.
04:13Pode falar um pouco sobre esse trabalho, sobre a sua instituição lá?
04:18Olha, depois que eu ganhei o carnaval, eu abri a ONG.
04:23Para quê?
04:25Para ensinar esse amor para os jovens, a maior natureza.
04:30Eu canto para a natureza, eu ensino a eles plantarem, eu ensino a eles comerem a verdura,
04:38digo de onde vem, que então precisa ter cuidado da terra.
04:43Então, tudo isso eu faço para eles, entendeu?
04:47E eles estão seguindo para quando eu me for aqui, for me embora,
04:55outra brasileira, tome conta da ONG e venha também cuidar da natureza.
05:02Como o lado místico da Amazônia está presente na sua vida?
05:11Como é ser uma pajé, uma das últimas pajés da Amazônia?
05:14Olha, o pajé...
05:16É uma missão?
05:17É uma missão?
05:18É uma missão séria, de respeito.
05:24Até por respeito pelos nossos povos indígenas, entendeu?
05:29Então, eu respeito.
05:31O pajé é um médico, é o curador, é o que entende de todas as folhas,
05:38que conhece todas as folhas para a doença.
05:42É aquele que sabe onde o vento vem do norte, o que é que ele traz.
05:47Quando vem do sul, o que é que ele traz.
05:49Quando vem do leste, do oeste.
05:52Então, o pajé é essa pessoa, entendeu?
05:56Essa pessoa é o médico da tribo.
06:00E você, desde cedo, teve esse contato com a parte mística da Amazônia, né?
06:06Desde cedo.
06:07Foi bem de cedo.
06:08Desde o ventre da minha mãe,
06:10foi cometida por várias coisas que aconteceram.
06:14E, quando eu tive 11 anos, nós fomos para o Mangal, para pegar açaí.
06:23E, quando chegou no Mangal, eu subia muito no açaízeiro.
06:27E a mamãe disse, sobe, Zeneida, né?
06:30Eu disse, mamãe, eu não vou mais subir, eu estou me sentindo mal.
06:33Eu via uma brisa e não via sacudir nada.
06:37E ela disse, deixa de ser preguiçosa, moleque.
06:40Ela estendeu a saca de sarrapilheira e mandou eu desmulhar o açaí na saca de sarrapilheira.
06:47Quando eu estou desmulhando, ela disse, eu vou pegar o cacho de açaí na mão da Oscarina.
06:54A Oscarina, uma pessoa que trabalhava em casa, junto com o meu irmão, também tirava açaí.
06:59E eu fiquei desmulhando.
07:01Quando eu estava desmulhando, sentou dois seres de pele azul.
07:06O azul, ele azul da cor do céu.
07:08E eles tinham umas peles penduradas.
07:11E eles fizeram assim para mim, um caixinho de fruta para me comer.
07:17Eu fiz assim.
07:18Quando eu fiz assim, eu senti só um ardume no corpo todo.
07:23Entendeu?
07:24E eu dormi.
07:25Quando eu acordei, eu estava em outro lugar.
07:28Eu sabia o lugar que eu estava porque era um cocó do meu pai.
07:32A gente sempre ia lá para esse cocó.
07:35Daí, acordei lá.
07:36Daí, eles tornaram me oferecer as frutinhas.
07:40Eu fiz assim.
07:41Daí, quando eu estava em outro lugar.
07:44A minha mãe conta que ela encontrava pedaços dos meus vestidos lá em cima dos mangueiros.
07:53As torceiras de Marajá, a minha mãe conta que ela encontrava as tiras dos meus vestidos ali dentro das torceiras
08:02de Marajá.
08:02Como era passar por ali?
08:04Então, a mamãe conta que os empregados foram me procurar na mata.
08:09O papai anunciou para todos os fazendeiros deixar os seus empregados.
08:15E daí, a mamãe conta, encontrava o meu rastro até na beira do garapé, onde eu chegava para o fundo,
08:23que tinha lama.
08:25O meu rastro não estava mais lá.
08:27Já estava lá do outro lado.
08:29Como se alguém me carregasse e me botasse do outro lado.
08:32Conclusão.
08:34Foram 17 dias.
08:37O meu corpo, quando me encontraram, eu só não era assurrado o rosto, a palma da mão e a palma
08:43do pé.
08:44O meu corpo era todo tatuado.
08:46Tinha folha, tinha caranguejo.
08:48Ainda tem essas tatuagens pelo corpo.
08:51Tinha folha, tinha caranguejo, entendeu?
08:55Tinha retrato, assim, de seres invisíveis, assim, no corpo.
09:01E daí me levaram para casa uma louca.
09:05Totalmente louca.
09:06O cabelo que era por aqui, ele virou uma maçaroca e eles cortaram o meu cabelo.
09:13Daí o papai que fez, me trancou numa dispensa.
09:17Me trancou numa dispensa, porque a mamãe conta, eu cantava coisas lindas, toda enrolada.
09:25E eu bebia xixi, entendeu?
09:28Comia cocô.
09:30E eles não sabiam o que fazer.
09:32Daí foi o que o papai disse.
09:34Como o papai era político na época, o papai disse.
09:38Só se foi alguma coisa que pegaram a minha filha.
09:41Sabe lá, se não defloraram ela.
09:43E me levou para Belém, o médico fez o exame, estava tudo táctico.
09:48Lá o papai me trouxe para a fazenda e me trancou na dispensa.
09:52E daí os empregados diziam.
09:55Vamos chamar o pajé.
09:58Essa menina trouxe o dono do pajé.
10:01Vamos, porque eu venho de três raças.
10:03Da branca, da negra e do índio.
10:06Disse, essa menina deve ter pegada pela Nhanga.
10:11Isso foi a Nhanga que fez isso para essa menina.
10:15Ela já passou do prazo dela se sentar pajé, que era com sete anos.
10:19Então, vamos chamar o pajé.
10:21E o papai não gostava de pajé.
10:24Papai católico, romano, não gostava de pajé.
10:28Daí foram chamar o pajé.
10:29O pajé veio.
10:30Quando o pajé veio, quem me olhou, eu estava toda amarrada na rede.
10:36Porque eu saía pelos punhos da rede.
10:39O pajé me olhou e disse.
10:41Ela, veio um dom de curadeira.
10:46Mas o que tem de se fazer?
10:48Tem de se fazer um trabalho, uma pagelância,
10:52para poder eu passar um remédio nessas manchas dela,
10:57para ver, para poder começar a tratar dela.
11:01Mas eu não vou fazer esse trabalho agora.
11:04É o dia grande.
11:05Era sexta-feira da paixão.
11:07É dia grande e eu respeito.
11:09Quando passar, eu volto.
11:11Quando passou sexta-feira, ele voltou,
11:14trouxe o zinguento todo,
11:15me seguraram e me passaram nas marcas.
11:19Eu tinha pelo corpo.
11:20Aquele era um boneco.
11:21Eu tinha aqui.
11:21Tinha perna.
11:22Parece um boneco.
11:23Me passaram pelo corpo todo.
11:26Onde tinha aquelas manchas?
11:28E elas pularam, ficaram cheias de água,
11:31como se fosse uma queimadura.
11:34Entendeu?
11:34Daí ele disse, agora nós vamos preparar a menina.
11:38Nós vamos ter de fechar o corpo dela,
11:41para poder ela ir para a salvaterra,
11:44atrás do mestre mundico do Maruacá.
11:47Porque eu não sou um pajé sentado,
11:52não sou um pajé de nascença,
11:54eu sou um pajé de simpatia.
11:56E para sentar a menina,
11:58só um pajé de nascença,
12:00no caso dela.
12:02Daí me levaram para a salvaterra.
12:04Me levaram para a salvaterra,
12:06lá para o pajé.
12:08E quando eu cheguei em salvaterra,
12:11o pajé me olhou,
12:13disse para minha mãe,
12:14temos que fazer um trabalho
12:16e sentar a menina, o pajé.
12:18Eu fui sentada, o pajé,
12:20aos 11 anos de idade,
12:21passei um ano e seis meses
12:23na casa do pajé,
12:25aprendendo a mexer com as ervas,
12:28mexer com as borboletas,
12:30tirar o pó das asas da borboleta morta
12:33para fazer remédio.
12:35E ver o sopro do vento,
12:40que eu tinha de tratar do leste,
12:42norte, sul, oeste.
12:44Tinha de me embrenhar na mata
12:47para fazer as pajé-lanças.
12:50Então, me ensinou tudo,
12:51eu aprendi tudo, entendeu?
12:53E desde essa idade até a idade,
12:56eu estou de 91,
12:58já vou fazer 92 agora em julho.
13:00Eu faço as minhas pajé-lanças ainda.
13:04Como ambientalista,
13:05qual é a sua maior preocupação
13:08com o futuro da Amazônia,
13:10da cultura, do meio ambiente?
13:13O que é que lhe preocupa
13:14quando o assunto é Amazônia?
13:16Eu me preocupo demais com Amazônia,
13:19porque eu vejo a destruição,
13:21eu vejo a destruição cada dia mais e mais.
13:26Eu não vejo ninguém tomando conta disso.
13:29Os homens dizem e estão tomando conta
13:32que estão fazendo alguma coisa,
13:35não estão fazendo nada.
13:37Não estão fazendo nada.
13:38Pode o senhor ficar certo, sabe?
13:40Eu faço música para minhas crianças,
13:44eu quero cantar uma para o senhor ouvir, entendeu?
13:46Eu faço.
13:49A mata está queimando,
13:51pedindo socorro,
13:53a floresta está acabando,
13:56estão tocando fogo,
13:58a mata está queimando,
14:00vai morrendo devagar,
14:02a floresta está acabando,
14:04oh meu Deus, o que será?
14:06É tanto desmatamento,
14:08não sei quando vai parar.
14:11Verdade.
14:13Dona Zeneida,
14:14você tem uma boa notícia para os leitores do Liberal,
14:18sobre a coluna?
14:21Tenho, tenho, tenho.
14:23Pode falar.
14:23Eu fiz uma,
14:25eu escrevi
14:27a
14:29o que é a cura,
14:31a energia da cura,
14:32e os meus leitores
14:35me telefonam,
14:37pedindo para repetir
14:38que uns não compraram
14:39e outros queriam ler novamente.
14:41É muita gente
14:42que telefona para mim
14:44pedindo essa coluna,
14:45é muita, muita gente.
14:47Eu tenho ela em casa,
14:49entendeu?
14:49Saiu no Liberal,
14:50eu recortei,
14:51e tem eles
14:53me telefonam
14:54e me telefonam
14:55insistindo,
14:55às vezes eu fico até
14:56com vergonha
14:57de dizer
14:58que eu não posso.
14:59Sobre energias que curam, né?
15:00É,
15:00as energias que curam.
15:03Para ter.
15:03Porque o homem,
15:05todo ser humano,
15:06todo ser humano,
15:08ele tem de estar,
15:09ele tem de estar
15:10equilibrado
15:11dentro dos três renos
15:12da natureza,
15:13mineral,
15:14vegetal e animal.
15:16Se ele não
15:17estiver equilibrado,
15:18ele está perdendo
15:19energia
15:19um e os renos.
15:21Então,
15:21tem de fazer,
15:22o pajé,
15:24ele vai,
15:25eu não dou consulta,
15:27eu confiro as energias.
15:29O pajé dá para o filho,
15:31que vai lá,
15:33três elementos da natureza,
15:35ele põe dentro da cumbuca,
15:37a cumbuca já é preparada
15:39para isso,
15:40e o pajé abafa
15:42esses elementos
15:44com uma erva propícia,
15:47leva para o tempo,
15:48depois de três dias,
15:50ele tira do tempo,
15:51vai ver a coloração
15:53dos elementos.
15:55Aquele que tiver
15:56uma coloração
15:57diferente,
15:59é que ele está
16:00perdendo energia.
16:02Daí o pajé passa
16:03mandar
16:04as energias
16:05das águas,
16:07manda por sete vezes,
16:08por quatorze vezes,
16:10por vinte e uma vez,
16:11para o filho se equilibrar
16:13dentro dos renos
16:15da natureza.
16:16Certo.
16:18O enredo
16:19da Beija-Flor
16:20aí do 2027
16:21vai abordar
16:22a sua trajetória
16:23de vida.
16:23Isso também vai ser
16:25muito bom
16:25para valorizar
16:26não só
16:27o seu trabalho,
16:28mas a cultura
16:29amazônica como um todo,
16:30pela visibilidade
16:31do carnaval,
16:32não é isso?
16:32Sim.
16:33Não só
16:34a cultura amazônica,
16:36esse enredo
16:38não é meu,
16:39é do nosso Pará,
16:41entendeu?
16:42da nossa ilha
16:44do Marajó,
16:45da Amazônia
16:46e de todos os índios.
16:49Entendeu?
16:50Todos os índios.
16:53Certo.
16:53Você,
16:54se Deus quiser,
16:55você pretende
16:56estar lá
16:56no Marquês Sapucaí
16:58com a Beija-Flor.
16:59Sim,
17:00eu estarei lá.
17:02Se Deus quiser,
17:03estarei lá.
17:04Com as forças
17:05da natureza,
17:08estarei lá
17:09e tenho certeza
17:11que a gente
17:12vai ser campeão.
17:14Entendeu?
17:16Fechou.
17:17Fechou.
17:18Muito legal.
17:19Eu espero
17:20que a Beija-Flor
17:22leve a minha história
17:24para a avenida
17:26e que o povo
17:27se conscientize
17:29de tratar melhor
17:31a natureza
17:32e ter cuidado.
17:33Isso que eu espero.
17:35Tenha cuidado
17:36com a natureza,
17:37porque nós estamos,
17:38o nosso planeta
17:40está doente,
17:41está morrendo
17:41e ninguém está vendo.
17:44A gente está gritando,
17:46pedindo socorro,
17:47a natureza está pedindo socorro
17:49e ninguém está vendo.
17:51Eu fui para Brasília,
17:53eu fui
17:53numa sessão lá,
17:55no tempo do Sarney,
17:57daí eu cantei.
17:59Estão tocando fogo,
18:03cuidado com a mata,
18:06os rios estão secando,
18:09passarinho não se vê mais.
18:14Tristeza me dá,
18:16vê o funeral da natureza,
18:20seus rios agonizantes
18:22vão morrendo devagar.
18:24O mar está revoltado
18:27e as ondas estão batendo,
18:30pedindo socorro,
18:33que a natureza está morrendo.
18:37O mar está revoltado
18:39e as ondas estão batendo,
18:42pedindo socorro,
18:44que a natureza está morrendo.
18:48O planeta está ficando desequilibrado,
18:54porque o homem tira o ouro,
18:57tira o petróleo,
19:02adonde ele tira o petróleo,
19:04depois acaba e enche d'água.
19:06Então, está ficando desequilibrado.
19:09O senhor pode ver que o nosso clima
19:12já não é o mesmo.
19:14Já está tudo diferente.
19:16Entendeu?
19:17Eu canto lá para minhas crianças
19:20do colégio,
19:21eu ensino,
19:22eu canto,
19:23olha o lixo,
19:24olha o lixo,
19:24não espalhe no chão,
19:26não se pode queimar
19:28para não fazer poluição.
19:30Nossa mata está acabando,
19:32nosso ar está poluído,
19:34nosso clima está mudando,
19:36preciso saber a razão,
19:37é a ganância do homem
19:39com tanta destruição.
19:41Entendeu?
19:42Então, ensino as minhas crianças,
19:44depois que eu canto,
19:46eu sinto com elas,
19:48ensino elas,
19:50amar a natureza,
19:52porque se a gente destruir a natureza,
19:56se derruba uma árvore,
19:58plante outra,
19:59eu tenho,
20:00eu ganhei
20:04195 hectares,
20:06eu tirei 15 hectares
20:07para a ONG
20:08e o resto eu reflorestei,
20:11era só campo,
20:12eu reflorestei,
20:13tem tudo lá,
20:14tem mog,
20:15tem tudo,
20:16todas as madeiras de lei,
20:18os senhor veja,
20:19estão dando frutos também,
20:21sementes,
20:22e eu reflorestei.
20:24Por que as pessoas
20:25não fazem a mesma coisa?
20:27O senhor vê
20:27cada terreno enorme
20:29na casa das pessoas lá,
20:30e eu ponho,
20:31o senhor sabe,
20:32eu ponho lá em Soros,
20:34música na rua
20:35para cantar,
20:36olha o lixo,
20:37olha o lixo,
20:38canto da natureza,
20:40mando o carro rodar,
20:42tudinho.
20:43Então, a pessoa que tocava fogo na estrada
20:47que ia para a minha ONG,
20:49que vai para a minha ONG,
20:50ele já não toca mais fogo,
20:53entendeu?
20:54A pessoa começa já a se conscientizar,
20:57porque não é possível,
20:59ninguém esteja vendo,
21:00e nós estamos à beira do abismo,
21:03entendeu?
21:04e agora é essa guerra.
21:07Bem,
21:08tivemos a oportunidade
21:09de conversar com o Zenen da Lima,
21:11e a entrevista completa
21:13você confere
21:14no liberal.com,
21:15no canal
21:16O Liberal
21:17no YouTube.
21:17o YouTube.
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