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A estudante Isadora Borges conversou com O Antagonista e contou como derrotou Erika Hilton em um processo pelo qual foi acusada de transfobia pela deputada após publicações em suas redes sociais.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Transcrição
00:00Agora, nós vamos falar de um caso que nós estamos trazendo aqui para vocês com exclusividade.
00:07É um caso que saiu em toda a mídia internacional.
00:12Na mídia internacional que conta isso foi citado,
00:16associações internacionais entraram nesse caso e aqui, ó, bico calado.
00:23Por que será que ninguém fala desse caso?
00:25A gente fala.
00:26A gente vai receber agora a estudante Isadora Borges,
00:32que acaba de ter um êxito judicial no Tribunal Regional Federal da 5ª Região,
00:39em um processo em que a deputada Erika Hilton queria colocar a Isadora na cadeia por 10 anos.
00:48Já compartilha esse link com todo mundo que você acha que precisa ver isso.
00:52Esse caso que nós estamos trazendo aqui não é o da Isabela Cepa,
00:58que conseguiu asilo político em outro país por perseguição de Erika Hilton.
01:04É mais uma mulher perseguida por Erika Hilton.
01:08Mais uma.
01:09E nós vamos conversar aqui sobre esse caso com a Isadora Borges.
01:12Isadora, muito bom ter você aqui.
01:15Seja muito bem-vinda ao Papo Antagonista.
01:18Olá, boa noite.
01:20Obrigada por me receberem.
01:23Isadora, primeiramente,
01:25estavam pedindo 10 anos de cadeia para você.
01:28A pena mínima do homicídio simples é de 8 anos.
01:31O que você fez de tão grave?
01:33Você matou alguém, Isadora?
01:36Não, não.
01:37Eu fiz duas postagens no Twitter.
01:40Uma comentando que mulheres trans não são mulheres porque são do sexo masculino.
01:45E a outra era um vídeo de outra pessoa que eu publiquei falando
01:51olha essa crítica ao transativismo como é legal.
01:55E aí eu postei o vídeo.
01:56No vídeo, era uma professora falando que não importava o quanto você mudasse a aparência,
02:07o quanto você mudasse o seu pronome e que você fizesse todas essas coisas,
02:14o seu DNA não se alterava, você continuava do mesmo sexo.
02:20Basicamente era isso.
02:21E aí eu tinha um Twitter que era uma bolha de mulheres que eram críticas de gênero.
02:29Tinha cerca de 4 mil pessoas.
02:32E esses dois tweets, por algum motivo, viralizaram.
02:36E aí a Erika Hilton fez um B.O. contra mim,
02:41que virou assistente de acusação e virou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo.
02:50E foi um processo criminal, onde eu poderia pegar de 4 a 10 anos de prisão.
03:00Agora, aqui tem dois pontos que eu considero fundamentais para as pessoas entenderem
03:07por que eu falo em perseguição e sustento,
03:10que não é busca por direitos da deputada Erika Hilton,
03:14é perseguição.
03:17Primeiro, as postagens são de 2020, o processo é fevereiro de 2025.
03:26Segundo, você alguma vez mencionou a deputada Erika Hilton nessas postagens?
03:32Não, em nenhum momento eu mencionei a Erika Hilton.
03:35Eu era simplesmente uma pessoa normal, crítica de gênero, sim,
03:39mas eu fazia um conteúdo totalmente simples.
03:46Eu não tinha incitação à violência,
03:51eu não prejudicava nenhuma pessoa,
03:53não citava nomes,
03:55não tinha nada demais, assim,
03:57para chamar a atenção de uma deputada federal.
04:02Qual foi o...
04:03Em que nível isso viralizou?
04:07Atingiu, assim, milhares, milhões de pessoas?
04:10Você conseguiu medir isso?
04:11Milhares de pessoas.
04:13Milhares de pessoas.
04:14Milhões, não.
04:16Milhões, não.
04:17Milhares de pessoas.
04:19Até porque, olha...
04:20O meu Twitter hoje não existe,
04:22porque eu fiquei com medo,
04:23porque eu acho que essa é o modus operandi dela,
04:29é, tipo, silenciar mulheres,
04:31porque eu fiquei com muito medo.
04:33Eu era uma pessoa normal,
04:34nunca tinha pisado numa delegacia.
04:38E aí, quando isso aconteceu,
04:40eu já desativei meu Twitter,
04:42eu nunca mais tive contato com o Twitter
04:45ou com qualquer tipo de ativismo, assim,
04:50mesmo que fosse pequeno,
04:52eu não quis mais falar sobre o assunto.
04:58Então, essa vitória...
05:00Essa vitória, ela teve, de certa forma, então.
05:04Num certo sentido,
05:05ela conseguiu fazer que você parasse de falar
05:09aquilo que você pensa.
05:13Sim, sim.
05:14Eu acho que eu fiquei numa posição muito vulnerável,
05:17porque eu estava sozinha.
05:19Então, ter encontrado até depois
05:23uma organização internacional
05:26que cuidou do meu caso
05:27foi superimportante,
05:28porque eu vi que eu não estava só.
05:31Hoje foi que eu consegui entender
05:33o que aconteceu comigo,
05:35o quanto eu estava vulnerável
05:36e sozinha,
05:38e hoje eu consigo falar mais sobre o assunto.
05:41Mas antes, não.
05:42Antes eu só queria deletar tudo
05:44e eu sofri muito nesse processo.
05:49Isadora, agora,
05:52você disse que você sofreu muito.
05:53Isso quer dizer que você...
05:55Como é que você foi impactada por isso?
05:57Você disse que você nunca tinha entrado
05:58numa delegacia, né?
06:00Você ficou com medo?
06:02Você deixou de sair da sua casa?
06:03O que mais que aconteceu com a sua vida pessoal?
06:07Nossa, afetou muito.
06:09Eu já tinha uma saúde mental ruim.
06:12Eu cheguei a ter muito mais depressão,
06:17ansiedade.
06:18Afetou muito.
06:19Eu tinha muito medo que as pessoas descobrissem
06:22alguma coisa,
06:23de alguma forma,
06:25porque você ser
06:28ré num processo de transfobia,
06:31que é que parar de dar o racismo,
06:32é muito sério, né?
06:34Então, eu sentia muito medo
06:37das pessoas descobrirem
06:38e me sentia muito acuada também,
06:42assim,
06:43eu fui silenciada, né?
06:46Então,
06:48isso tudo, assim,
06:49me rendeu uma depressão muito forte.
06:55Eu queria que você contasse pra gente,
06:57as pessoas estão vendo você aqui,
07:00o Papo Antagonista é um espaço de opinião,
07:03a gente aqui vive da opinião
07:05e mesmo assim,
07:06quando você tem que ir pra uma delegacia,
07:08pra um fórum,
07:09é um impacto grande.
07:10Eu queria que você contasse
07:12pra quem tá vendo a gente em casa,
07:14o que que era a sua vida
07:16e o que que você fazia da sua vida
07:19antes disso?
07:20Porque você não é uma ativista.
07:23Você tinha uma conta em rede social
07:25em que você comentava coisas
07:28que ativistas produziam,
07:29mas você não é uma ativista.
07:31Conta como é que era a sua vida
07:33lá em 2020,
07:34quando você fez essas postagens.
07:37Minha vida era muito normal,
07:40eu sou estudante de veterinária,
07:42eu só fazia estudar,
07:45ia pra faculdade,
07:47estudava, ia pro estalagem,
07:48e eu tinha essa conta pequena,
07:51como eu falei,
07:52era uma bolha, assim,
07:53de mulheres que pensavam
07:54mais ou menos igual como eu.
07:56Então, eu nunca pensei
07:58que algo pudesse viralizar,
08:00só que as pessoas,
08:01hoje eu percebo
08:02que estão abrindo os olhos
08:03para isso.
08:06Elas estão percebendo
08:07o quanto isso,
08:09a ideologia de gênero
08:11está sendo muito prejudicial
08:14para as mulheres, né?
08:15A gente precisa entender
08:16o que é uma classe
08:21sexual das mulheres
08:22para reivindicar direitos.
08:25Então, acho que isso é muito importante
08:27e falar sobre isso
08:32em 2020
08:33já era importante.
08:37A gente vem perdendo espaço
08:39na política há muito tempo, já.
08:42Então,
08:44eu vejo o motivo
08:46de ter viralizado em 2020,
08:48vejo o motivo
08:49para viralizar hoje também.
08:54Mas, eu nunca me vi
08:57como ativista, realmente.
08:59Eu era uma pessoa normal, comum.
09:02E hoje,
09:05eu também não quero ser ativista,
09:08mas vejo que,
09:09pela gravidade do meu caso,
09:13eu vejo que eu posso falar
09:14algumas coisas sobre isso.
09:17Agora,
09:19e conta para a gente
09:20como é que você ficou sabendo
09:21do processo?
09:22Porque não é uma coisa
09:23que ocorreu no calor do momento.
09:25Você fez alguns posts
09:26e, assim,
09:28os posts dela
09:29não são posts
09:30com palavras de ordem,
09:32não são posts
09:32com coisas virais.
09:34Eles foram definidos
09:36pelo desembargador
09:38como reflexões filosóficas.
09:43Porque são.
09:45São postagens longas,
09:47reflexivas,
09:47que não têm palavra de ordem,
09:50não têm...
09:51O desembargador federal
09:52Rogério Fialho Moreira
09:54disse que nenhuma
09:56das publicações
09:56dirige ataque,
09:57ofenso ou ameaça
09:58a pessoas transgênero
10:00individualmente consideradas
10:02ou ao grupo como tal.
10:04Nenhuma delas
10:04convoca a prática
10:05de violência,
10:06hostilidade
10:07ou a discriminação
10:08contra pessoas
10:09em razão
10:10de sua identidade
10:10de gênero.
10:11A postagem
10:13consiste em texto
10:14de cunho
10:14filosófico e científico
10:16voltado ao debate
10:18acadêmico
10:19sobre a relação
10:19entre sexo biológico
10:21e gênero,
10:22tema que ostenta
10:23ampla controvérsia
10:24em âmbitos
10:24filosófico,
10:26científico,
10:27jurídico e político
10:28no plano nacional
10:29e internacional.
10:31É isso
10:31o que o desembargador
10:33disse sobre as postagens.
10:35O que eu queria saber
10:37como você ficou sabendo
10:40do processo?
10:41Conta para a gente
10:42exatamente como é
10:43que foi esse dia
10:44em que você ficou sabendo
10:45que estavam pedindo
10:46para você ficar presa,
10:48para você ir para a cadeia
10:49durante 10 anos,
10:50em que a deputada
10:51Érica Hilton...
10:52Quando que chegou?
10:53A deputada Érica Hilton
10:54quer que eu fique
10:5510 anos na cadeia.
10:57Então,
10:58quando eu fiquei sabendo,
10:59eu estava no hospital.
11:02Eu estava no hospital
11:04me recuperando,
11:06inclusive,
11:06de uma tentativa
11:07de suicídio
11:08que eu tive.
11:09E aí,
11:10eu fiquei sabendo
11:11que a polícia
11:12estava me procurando.
11:15Aí,
11:16eu fiquei mais abalada ainda.
11:19E aí,
11:20eu voltei para casa.
11:21Quando eu estava
11:23me recuperando,
11:24a polícia só conseguiu
11:26me achar
11:26através do meu celular mesmo,
11:28através do WhatsApp.
11:31Eles me mandaram mensagem,
11:33me intimando
11:34para eu ir na delegacia.
11:36Foi quando eu consegui,
11:39depois de um tempo,
11:40ir combinar um horário
11:42para eu ir na delegacia,
11:44depois que eu saí do hospital.
11:48Posso?
11:49Pode.
11:49Você mencionou
11:51que teve uma instituição internacional
11:54que acabou apoiando você,
11:55né?
11:56Nessa...
11:56Sim.
11:57Foi na causa jurídica?
11:58Você pode também explicar
12:00como é que isso aconteceu?
12:02Sim, sim.
12:02Sim, sim.
12:04A ADF,
12:06que é
12:07Alliance Defending Freedom,
12:10é uma organização internacional
12:12que defende a liberdade de expressão
12:15internacionalmente,
12:17entrou em contato comigo
12:18e disse que poderia fornecer
12:21a assessoria jurídica
12:24para mim.
12:25E aí,
12:28eles realmente
12:29ficaram responsáveis
12:32pelos meus advogados
12:34aqui no Brasil
12:35e me deram todo apoio
12:41juridicamente
12:44e também fizeram
12:46o suporte da mídia
12:48para mim.
12:50porque conta
12:51como é que foi
12:52no começo.
12:53A Alliance Defending Freedom,
12:55eu não sei
12:56se vocês conhecem,
12:57é uma associação
12:58que defende
13:00a liberdade de expressão
13:02de uma maneira global,
13:04mas eles só atuam
13:06com assistência
13:07e com ajuda
13:08à litigância
13:09em casos
13:11absurdos,
13:12do mais completo
13:13absurdo.
13:14Vou dar um outro exemplo.
13:15Um caso
13:15que eles atuaram
13:16na Inglaterra,
13:17por exemplo.
13:17uma mulher foi presa
13:19porque estava rezando
13:20em silêncio
13:21ao lado de uma clínica
13:22de aborto.
13:25Ela não parou ninguém,
13:27ela não se dirigiu
13:28a ninguém,
13:28ela estava parada
13:29rezando em silêncio
13:30e foi presa.
13:31Então, assim,
13:32é esse tipo de caso
13:33que ninguém entende.
13:34E o dela
13:35foi um caso
13:36que internacionalmente
13:38ninguém entende.
13:39A gente tem aqui
13:39as manchetes internacionais,
13:41né, produção?
13:42Para vocês verem
13:43como é a diferença
13:44do que se pode falar aqui
13:46e do que se fala lá.
13:48Esse é o post
13:49da ADF International.
13:51Na semana passada,
13:54as acusações
13:55de transfobia
13:56contra a estudante
13:57veterinária
13:58Isadora Borges
13:59foram corretamente
14:02enterradas,
14:03findas.
14:04Mas o
14:07free speech,
14:08como é que fala?
14:09Liberdade de expressão.
14:10ainda está sob ameaça
14:12no Brasil.
14:15Aí eles falam
14:16da coisa
14:16do STF
14:18em 2019.
14:19Aqui, olha,
14:20o transativista
14:22Érica Hilton
14:23se elegeu
14:24para a presidência
14:25e denunciou
14:28pelo menos
14:28duas feministas,
14:30Isabela Cepa
14:31e a Isadora Borges,
14:33com quem nós estamos
14:34conversando agora,
14:35por defender
14:36nas redes
14:37que o sexo
14:38é real.
14:38há gestos
14:40que são
14:40uma declaração
14:41de guerra.
14:42A mídia internacional
14:43é assim.
14:44Essa é a Spiked,
14:46que é uma revista
14:47libertária
14:47muito famosa.
14:48A tirania trans
14:50agora reina
14:51no Brasil.
14:53Isadora Borges
14:54corre o risco
14:55de pegar
14:55quatro anos...
14:56Dez.
14:57Dez anos.
14:57Dez anos de prisão
14:59por dizer
15:01que mulheres
15:02transgêneros
15:03são
15:05obviamente
15:06nascidas
15:07homens.
15:09no exterior
15:10é o normal
15:11se falar isso.
15:13Como é que foi
15:13esse primeiro momento
15:15em que a polícia
15:17te chama,
15:18você está saindo
15:18do hospital,
15:19a polícia te chama
15:20no celular,
15:20você nem
15:21lembra direito
15:22o que está acontecendo,
15:23o que era.
15:24Você tinha advogado,
15:25você não tinha,
15:26como é que foi
15:27esse seu percurso?
15:29eu não tinha advogado
15:30ainda,
15:31mas o meu irmão
15:32é advogado,
15:33então,
15:35ele que conversou
15:36comigo,
15:37ele que fez
15:37todos os trâmites,
15:39assim,
15:40ele que foi
15:40na delegacia
15:41comigo no primeiro
15:42momento,
15:44ele que
15:46cuidou de tudo
15:47nesse primeiro
15:48momento,
15:49porque até então
15:50eu não tinha
15:51advogado.
15:53depois de um tempo,
15:56minha família
15:57contratou um
15:58advogado criminalista
15:59aqui da Paraíba
16:00e a gente
16:02passou um tempo
16:03com ele
16:03até a
16:05ADF
16:06chegar
16:06e ter
16:08esse contato
16:08comigo.
16:10Isadora,
16:12e você
16:12não pensa
16:13mesmo
16:13em virar
16:14uma ativista
16:15em defesa
16:15da liberdade
16:16de expressão
16:17ou contra
16:18o que você
16:19chamou de
16:20transativismo?
16:21você não
16:21não considera
16:23essas opções?
16:24Por quê?
16:27Eu
16:27eu considero
16:28assim na medida
16:29que eu consegui,
16:30sabe?
16:32Se eu
16:32conseguir falar
16:33assim como
16:34eu tô falando
16:35com vocês,
16:36eu eu acredito
16:37que eu
16:37que eu consiga,
16:38mas eu ainda
16:39sinto muito medo,
16:40sabe?
16:41Eu acho que
16:42devido a meus
16:43problemas de saúde
16:44e o trauma
16:45que eu passei,
16:46talvez eu não
16:47consiga tanto.
16:50olha,
16:51a gente
16:51voltou aqui ao vivo
16:52na TV BMC
16:53também,
16:54estamos conversando
16:54aqui com a
16:55Isadora Borges,
16:56que é mais uma
16:57mulher feminista
16:58perseguida
16:58judicialmente
16:59por Erika Hilton,
17:01tá contando aqui
17:02a história dela
17:04pra gente,
17:06como que foi
17:07pras pessoas
17:08que estavam
17:09ao seu redor,
17:10principalmente
17:11na
17:12universidade,
17:14porque eu
17:14conheço,
17:15por exemplo,
17:15pessoas que tiveram
17:17carro depredado
17:18e casa pichada
17:19simplesmente por dizer
17:21que não aceitavam
17:22ser chamadas
17:22de mulher
17:23de pessoa
17:24que menstrua.
17:26Isso é sério
17:27esse caso,
17:27a professora Mara Teles
17:29da Federal
17:29de Minas Gerais,
17:31num evento
17:32ela falou,
17:33não,
17:33eu não sou pessoa
17:34que menstrua
17:34até porque nem
17:35menstruo mais,
17:36eu sou uma mulher.
17:37Foi taxada
17:38de transfóbica,
17:39acho que são
17:3945 processos
17:41administrativos
17:41que ela respondeu,
17:43que iriam tirar
17:44o cargo
17:44concursado dela
17:46e ela é uma pessoa
17:47experiente,
17:48olha,
17:48cortou um dobrado.
17:49Como é que foi
17:50pra você
17:50no âmbito de estudos
17:52de universidade,
17:53de amizade,
17:53tudo isso?
17:55Foi muito difícil,
17:57muito difícil,
17:58porque os primeiros
17:59colegas que eu fiz,
18:01eles me chamavam
18:02muito de transfóbica.
18:05E aí eu tive
18:06que deixar de lado
18:07esses amigos,
18:09passei mais de um ano
18:11sozinha na faculdade
18:12e depois eu fiz
18:14novas amizades
18:16assim com as meninas
18:17que eram
18:19evangélicas.
18:19Aí eu fiquei
18:21amigas delas
18:22até hoje.
18:25Isadora,
18:26como é que você
18:27formou o seu ponto
18:28de vista
18:28sobre esse assunto?
18:30Foi na igreja,
18:31foi estudando
18:32veterinária
18:33e, portanto,
18:34biologia,
18:35de onde é que veio
18:36a sua perspectiva
18:38sobre esse tema?
18:40Eu sempre tive
18:41um grande incômodo.
18:43Eu sempre tive
18:44um grande incômodo,
18:45eu não sabia
18:46dar o nome.
18:48Mas foi vendo
18:49uma youtuber
18:52britânica
18:53que ela falava
18:54muito
18:56muito
19:00diretamente
19:01assim
19:01sobre homens
19:03e mulheres.
19:05Ela dizia
19:06não,
19:07um homem
19:08não pode ser
19:09uma mulher.
19:10Ela falava
19:10muito claramente
19:12e aí
19:13clicou uma chave
19:14na minha cabeça
19:15e eu entendi
19:16que
19:16uma mulher
19:18não pode ser
19:19um sentimento
19:21na cabeça
19:21de um homem.
19:24E você
19:25trouxe ali
19:26várias coisas,
19:28existe essa discussão,
19:31ela é ampla,
19:32ela é mundial,
19:33como disse
19:34o próprio desembargador,
19:36agora esse processo
19:38não é sobre a discussão,
19:39esse processo
19:39ele tem uma particularidade.
19:42A Erika Hilton
19:43virou assistente
19:43de acusação,
19:44que é algo
19:45que o Ministério
19:46Público Federal
19:47tem de responder
19:48e é algo
19:50que o
19:51Conselho Nacional
19:52do Ministério Público
19:53tem de ir em cima.
19:54O que é um assistente
19:55de acusação?
19:56Quando tem um crime
19:57contra você
19:58ou contra alguém
19:59da sua família,
20:01você pode ter um assistente
20:03de acusação,
20:03você pode virar
20:04assistente de acusação.
20:05No caso
20:06que nós falamos hoje
20:06do Roger Abdel-Massi,
20:08o Sergei Cobrabex,
20:09meu amigo,
20:10advogado criminal,
20:11fez assistência
20:12de acusação
20:13em nome
20:13de várias vítimas.
20:15Acontece que
20:15a Erika Hilton
20:16não foi mencionada,
20:18ninguém da família
20:19dela foi mencionada,
20:20ela foi assistente
20:21de acusação
20:22no seu processo,
20:23é isso?
20:24Sim.
20:27Qual que é
20:28o contato
20:29que você teve
20:29com ela,
20:30o que apareceu
20:31dela,
20:32como é que você
20:33lidou com a coisa
20:34quando você soube
20:35que era uma deputada
20:36contra você?
20:38Eu lidei muito mal,
20:40assim,
20:40eu fiquei muito
20:41assustada,
20:43eu pensei
20:44no poder político
20:45dela,
20:48fiquei bem,
20:51bem assustada
20:52mesmo,
20:53assim,
20:54eu achava
20:55que eu já
20:56estava condenada,
20:57tive uma paranoia
20:58muito grande
20:59de achar
20:59que eu ia ser presa,
21:02fiquei bem
21:03preocupada
21:04com tudo isso.
21:06Isadora,
21:07agora,
21:07na semana passada,
21:08a Erika Hilton
21:09virou presidente
21:10da Comissão das Mulheres
21:11na Câmara,
21:12né,
21:12você acha que
21:13o transativismo,
21:15então,
21:15prejudica
21:16os interesses
21:18das mulheres?
21:19Você pode explicar
21:19melhor como é que
21:20o transativismo
21:21prejudica as mulheres?
21:24Eu acredito
21:25que sim,
21:26eu acho
21:27que o transativismo
21:28prejudica as mulheres,
21:30porque
21:33não
21:35representa
21:36quem as mulheres
21:37são,
21:38sabe?
21:40O transativismo
21:42vem de,
21:44assim,
21:50é mais
21:52um
21:55braço
21:56de masculinismo
21:58mesmo,
22:00uma coisa
22:02que vem
22:05contra as mulheres.
22:09E é,
22:11efetivamente,
22:12essa experiência
22:15que você teve,
22:17essa experiência
22:18que você teve,
22:18o ativismo,
22:21o ativismo,
22:22se é que se pode
22:23chamar de ativismo
22:24alguém que é
22:24parlamentar,
22:25tentar esmagar
22:26uma moça
22:27por um tweet
22:27de cinco anos atrás,
22:29mas,
22:30agora,
22:30como é que
22:31ficam as coisas?
22:33Tem ainda
22:33recurso esse processo?
22:34Não tem?
22:35Estão te apoiando?
22:36Não estão?
22:37Qual é a sua situação
22:37do momento?
22:39Eu acho
22:40que ainda
22:41cabe recurso
22:42pelo que eu me lembre,
22:44mas,
22:44a ADF
22:47ainda está
22:47me apoiando,
22:53então,
22:54se eu correr,
22:55eles vão me apoiar.
22:59E aí,
23:00você segue
23:00nessa, né?
23:02Isadora,
23:03Borges,
23:03muito obrigada
23:05pela sua disponibilidade
23:06em falar com a gente,
23:07te agradeço demais
23:08a generosidade
23:09de estar aqui
23:10e dividir a sua história
23:11com o público
23:12do Papo Antagonista,
23:13porque eu sei
23:13que não é nada fácil
23:14para você.
23:16Muito obrigada,
23:17uma boa noite,
23:18deixo aqui
23:18um abraço
23:19ao meu amigo querido,
23:20Julio Pou,
23:22da Alliance Defending Freedom,
23:24muitíssimo obrigada,
23:25já que a gente
23:26está com uma máquina
23:27de massacrar
23:28mulheres brasileiras
23:30ativa no Brasil,
23:31muitíssimo obrigada
23:32por defender
23:34a Isadora,
23:35por defender
23:35outras mulheres brasileiras
23:37que estão sendo
23:39massacradas
23:40por essa máquina
23:41que se diz
23:42ativismo,
23:42mas que não é nada,
23:43que é só autoritarismo.
23:45Isadora,
23:46obrigada,
23:46boa noite para você.
23:48Obrigada,
23:48boa noite.
23:49e aí
23:53e aí
23:53e aí
23:54e aí
23:55e aí
23:58Obrigado.
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