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  • há 9 horas
Nesta conversa imperdível, Madá fala com Demi Getschko, engenheiro, conselheiro do CGI.br e uma das mentes fundamentais para a implementação da internet no Brasil.

Exploramos a trajetória desde os primeiros pacotes de dados enviados nos anos 80 até os dilemas atuais: redes sociais, inteligência artificial e a preservação da neutralidade da rede. Se você quer entender não apenas como a tecnologia funciona, mas como ela molda a nossa sociedade, este papo é essencial.

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Categoria

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Diversão
Transcrição
00:00Estamos de volta com mais uma entrevista da nova temporada do Lado A, agora nesse novo horário,
00:08sempre às quartas-feiras, às oito horas da noite. Lembre-se, os nossos convidados nem sempre são do
00:13mundo da política, mas pessoas do cenário cultural, empresarial, gastronômico, científico e até da
00:21internet, como é o caso de hoje. Vamos receber Demi Getsko, o pai da internet brasileira, que,
00:28com seu chapéu de engenheiro eletricista da Poli, mestre e doutor, a ajudou a conectar o Brasil ao
00:35mundo digital. Como diretor-presidente do NIC.br e conselheiro do CGI.br, ele é praticamente o
00:43maestro da orquestra da internet no país. Já foi da diretoria da ICAM, entrou para o Hall da Fama da
00:50internet em 2014 e coleciona prêmios como o Cristina Tavares e o Personalidade da Tecnologia.
00:58Quando não está moldando o futuro da web, Demi escreve quinzenalmente para o Estadão e edita
01:04a revista .br, porque, claro, até a internet precisa de um editor-chefe com estilo.
01:12Demi Getsko, meu amigo, muito bom ter você aqui, Demi.
01:16Bom, eu que agradeço o convite, vamos em frente.
01:19Demi, você é o cara que é chamado de o pai da internet brasileira.
01:24é o primeiro brasileiro a entrar no Hall da Fama da internet.
01:29Como é que você entrou nesse negócio de internet?
01:32Qual foi a primeira vez que você ouviu falar disso?
01:34Bom, eu estava trabalhando na USP, no Centro de Computação, eu sou engenheiro, e a gente
01:39sempre se envolvia com a história de conectar máquinas.
01:42Aí o professor Sala me chamou para ir para a FAPESP, eu fui na FAPESP, cuidar do CPD da
01:47FAPESP.
01:47E uma das missões nossas era conectar os brasileiros a correio eletrônico, a redes
01:53eletrônicas no exterior.
01:54Na época, inclusive, a gente falava de Bitnet, HAPnet, outras redes que não, a internet.
01:59Então a gente arrumou forma de conectar isso ao laboratório de física lá fora, chamado
02:04Fermi, e passamos a, então, ter correio eletrônico para os pesquisadores.
02:08Porque o pessoal do Brasil, quando saía para fora para fazer mestrado ou doutorado,
02:12tinha contato com e-mail, tinha contato com redes.
02:15E quando voltava, perdia o contato com o orientador, com os colegas, falava, lá era
02:19tão fácil, aqui tem que mandar carta ou fazer telefonema, era muito complicado.
02:23Então a gente trabalhou na FAPESP na época.
02:26A FAPESP é uma fundação que apoia as instituições de ensino do Estado, de pesquisa.
02:31Então a FAPESP era o melhor lugar para conectar USP, Unicamp, Unesp, IPT, INPE, etc.
02:37A gente arrumou uma linha, essa linha aqui é o Fermi, e passamos a ter acesso a redes
02:42eletrônicas, inicialmente bastante elementares.
02:45A BitNet era uma rede muito simples, não dava para entrar numa máquina e trabalhar
02:48remota, mas dava para trocar correio eletrônico, dava para receber notícias, etc.
02:53E isso rapidamente foi melhorando.
02:56Isso a gente começou em 86, 87, e em 88 já ficou visível que isso iria avançar muito.
03:03Então nós pedimos, olhando a internet, pedimos o sobrenome BR que estava disponível,
03:09nos deram, falaram, se querem aí, não tem ninguém usando, podem usar o BR.
03:12E passamos então a criar nomes de máquinas que terminavam no BR, inicialmente para a área
03:18acadêmica, obviamente, e criamos, digamos, debaixo do BR outros níveis.
03:22E um monte de outros pioneiros da área, o Tadal Takahashi, o Michael Stanton, o Paulo Aguiar,
03:30um monte de gente se envolveu no processo e havia uma comunidade de acesso a redes acadêmicas
03:36vibrante nessa época, 87, 88, 89.
03:40Em 89 já tivemos o BR na mão, então pudemos criar um esquema em que o sobrenome BR pudesse
03:46ser usado em máquinas que tinham nomes hierárquicos, nomes com vários níveis, porque a BitNet
03:50tinha um nível único e isso ficou claro que ia extravasar além do mundo acadêmico,
03:57começamos a, primeiro, BBS começaram a se conectar, Canal VIP, Mandic e outras BBS,
04:02o pessoal do Rio também tinha o Alternex, o pessoal do Ibase, então um monte de outras
04:08instituições começaram a se conectar, isso ia extravasar além da área acadêmica, 92,
04:14tivemos a Eco, 92 no Rio, que precisou usar internet e acesso a essa área, a gente já tinha
04:20conexão via FAPES, pudemos alimentá-los a partir daí e ficou claro que isso ia ter
04:24também parte comercial, o governo também ia acabar usando e a ideia foi tentar,
04:30para todos os que estavam envolvidos nisso conjuntamente, conseguir organizar uma forma
04:35mais distribuída, mais o que a gente chama de multissetorial, para orientar o crescimento
04:41disso e foi aí que o CG nasce em 95, então esse ano aí estamos comemorando 30 anos do
04:47Comitê Gestor, que é uma iniciativa que espelha o princípio básico da internet, que é trabalhar
04:53em colaboração, todas as áreas multissetorialmente trabalhando juntas, governo, terceiro setor,
04:59iniciativa privada, academia, parte técnica, tentando orientar para onde a coisa vai, não é um órgão
05:05regulador, não é um órgão punidor, é apenas um órgão que gera boas normas para o crescimento da rede,
05:09eu acho que era ali que cresceu bem no Brasil, então como parte inicial eu diria isso.
05:14Esse grupo inicial que planeja a internet, que vê essa expansão, vem com esse modelo de governança
05:22da internet que eu acho que a maioria do brasileiro desconhece, o que é o CGI, o que é o
05:27NIC,
05:28não sabe a participação da sociedade civil nisso, eu acho interessante contar para as pessoas o que é isso.
05:34Então primeiro, tem várias versões aí do que é, vou dizer a minha versão, eu tenho a sorte de ter
05:41conhecido
05:41vários dos reais pioneiros da rede que estão vivos por aí, o Steve Crocker, o Vint Cerf e outros por
05:47aí,
05:47outros já faleceram que nem um postel, mas a internet nasce a partir da ARPANET, que é uma rede financiada
05:56com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, mas uma rede que foi inaugurada e criada em 69.
06:0369 é o ápice da contracultura americana, Woodstock e companhia, então o pessoal envolvido na criação daquilo
06:10eram recém-formados acadêmicos, fazendo mestrado, acabando bacharelado, embebidos no caldo cultural na época.
06:18Então a rede que foi pensada, a ARPANET, que depois virou a internet, é uma rede que não tem um
06:24centro de desliga,
06:25você não tem como desligar a internet, não tem um centro de controle, se você não passar por lá, você
06:29não está na rede,
06:30é uma iniciativa que sempre nasceu de colaboração dos diversos setores.
06:36Então mesmo que o dinheiro de fato vem do Departamento de Defesa, a rede foi projetada com essa característica libertária
06:42do final dos anos 60, Woodstock 69. Então ela é muito aberta, você entra nela voluntariamente,
06:50você evidentemente tem que aceitar os padrões que são usados na linguagem, os protocolos,
06:56se você não tiver conhecimento e acesso aos protocolos, não vai conseguir trabalhar, tem que ter uma linguagem uniforme,
07:02e você tem que ter um identificador que te separe dos demais na rede, que te faça ser unívoco na
07:09rede,
07:09que é o número de protocolo entre redes, Internet Protocol. Então essa palavra Internet Protocol,
07:18que é um protocolo que liga os diversos pedaços para formar o todo, que é a internet, foi, digamos,
07:24tão bem sucedido que virou o nome da própria rede, quer dizer, a internet assumiu como nome o nome do
07:29protocolo
07:30que era usado para ligar os pedaços da rede. Então a internet é uma rede feita de pedaços,
07:35os pedaços da rede são chamados sistemas autônomos, o Brasil é o segundo país que tem mais pedaços na rede,
07:42o que é um excelente sinal, quanto mais segmentos tem na rede, mais sólida ela é,
07:46você não tem um ponto de falha que derruba a rede, então nós temos aí 9 mil sistemas autônomos no
07:52Brasil,
07:53então estamos bem nessa área. E você então, cada sistema autônomo tem a administração própria,
07:58se você é da rede do governo, o governo cuida de você, se você é da rede da USP, a
08:02USP cuida de você,
08:03se você é da rede da FAPE, em suma, cada segmento, o Banco do Brasil, o Banco Bradesco,
08:07cada um tem a sua rede autônoma que cuida, se você pode ou não entrar lá, você precisa ter senha,
08:12precisa ter o que for, mas esse conjunto trabalha ordeiramente, organizadamente, usando protocolos aceitos por todos,
08:19que são os protocolos que o IETF, o IETF é o Internet Engineering Task Force,
08:24define em reuniões três vezes por ano, são voluntários que se reúnem nisso,
08:29não tem ninguém controlando o processo, e eu acho que o grande mérito da internet é essa ideia
08:33de que é uma rede de colaboração, onde todos os setores da comunidade trabalham junto,
08:39não é uma rede de governo, não é uma rede privada, não é uma rede da academia,
08:43não é uma rede do setor, terceiro setor, é uma rede que tem todos os pessoal reunidos,
08:47e eu acho que isso se refletiu muito bem na criação do CGI, na época do Sérgio Mota ainda,
08:52como eu falei, em 95, porque foi criado um órgão que não é governo, não é setor privado, não é
08:58nada,
08:58tem representantes dos diversos segmentos da internet, isso foi revisto em 2003,
09:02a nova versão do CG é até mais sofisticada do que isso, tem eleição para os diversos representantes,
09:08mas é um colegiado feito de representantes da academia, do terceiro setor, do setor privado, do setor governo,
09:14que de alguma forma orientam para onde a rede irá para poder crescer, então essa é a parte,
09:19digamos, de gestão da internet.
09:21Do ponto de vista técnico, você precisa ter números únicos para cada equipamento da rede,
09:26para cada tranqueirinha que tem na rede, tem que ter uma identificação, que é o número IP,
09:30e para que você não tenha que decorar números absurdos, como é que eu vou até o número X que
09:35está dentro da USP ou não,
09:36você tem uma estrutura de nomes, que traduz nomes para uma lista telefônica,
09:41eu quero ligar para a Madeleine, eu não tenho ideia qual é o telefone,
09:44mas se eu entrar nesse telefônico e programar Madeleine, aparece lá o telefone e eu ligo para você.
09:48Não, interessa também, eu quero entrar em Poliusp.br, eu não tenho ideia qual é o número,
09:52mas se eu escrever isso aí, alguém vai traduzir isso para um número,
09:55e aí eu vou entrar lá e isso acontece com toda a rede.
09:58Então, é importante que os números e os nomes sejam únicos,
10:01eu não posso ter dois sujeitos chamados Poliusp.br,
10:04então, porque isso me daria confusão, e eu tenho que saber como é que eu distribuo isso.
10:09Nós, no Brasil, cuidamos do BR, que é um sobrenome que pode ser usado por brasileiros,
10:14e cuidamos da distribuição de números, desde o começo, desde 1994,
10:18então, os números brasileiros são distribuídos pelo NIC,
10:21a gente tem essa autonomia aí, o NIC é o Network Information Center,
10:25é um nome tradicional na internet, é a segunda máquina da internet,
10:28a máquina de Stanford chamava Network Information Center,
10:31então, a gente manteve esse nome, traduzimos em português para Núcleo de Informação e Coordenação.
10:36Então, essa é uma dupla, uma é operacional, outra é mais de governança,
10:40e as duas em conjunto, de alguma forma, cuidam que a internet siga sólida pelo Brasil.
10:46Sabe o que eu queria, produção?
10:49Coloca aqui um videozinho, o NIC BR tem um videozinho explicando o que é o NIC,
10:55e eu acho muito importante que você que está aí na sua casa,
10:58que acha que a internet é rede social,
11:01entenda a complexidade desse sistema.
11:04Ó, produção, põe um videozinho aí.
11:05Quando você registra um domínio .br, você está contribuindo para a melhoria da internet no Brasil,
11:12pois cada domínio que usa o .br é registrado pelo NIC.br,
11:18o núcleo de informação e coordenação do .br,
11:21que além de registros de nomes de domínios,
11:24investe em análise e tratamento de incidentes de segurança,
11:27projetos de tecnologias de redes e operações,
11:30pesquisas que trazem indicadores sobre o uso das tecnologias da informação e comunicação,
11:36implementação de pontos de troca de tráfego local na internet,
11:40projetos que contribuem no desenvolvimento global da web e muito mais.
11:45Tudo isso porque o NIC.br é uma entidade civil de direito privado e sem fins lucrativos,
11:51que mantém uma estrutura de registro de domínio segura, estável e de confiança,
11:57e reverte parte do que você paga pelo seu domínio no desenvolvimento de infraestrutura,
12:02trazendo benefícios para todos que usam a internet no Brasil.
12:06Toda essa inovação, tecnologia de ponta, segurança e infraestrutura,
12:11só é possível porque você tem um domínio .br.
12:15NIC.br, sempre em busca do melhor para a nossa internet.
12:20Bom, Demi, vendo a complexidade desse sistema,
12:24como é que você se relaciona com rede social?
12:29Você que está lá na criação disso tudo, que está vendo tudo,
12:33você usa, você não usa, como é que você vê as pessoas na rede social?
12:38Porque é outro fenômeno, né?
12:40Então, essas são coisas estranhas que andaram acontecendo na internet, de novo,
12:43coisas com méritos e deméritos, cada um tem que ser avaliado dos seus princípios.
12:47Inicialmente, na internet, cada indivíduo tinha a sua ação na rede,
12:52uma grande mexida na internet foi quando aparece a web, em 91,
12:57quer dizer, quando aparece a web, você consegue colocar um sítio no ar,
13:01botar a fotografia do seu cachorro, a fotografia da família,
13:04o que você está tomando no café da manhã.
13:05Então, há uma mudança importante nisso que atrai, digamos, o público em geral.
13:10Antes disso, o público era basicamente acadêmico,
13:12depois o pessoal do terceiro setor, os ativistas,
13:15passaram a usar isso para reunir e fazer discussões a respeito,
13:18depois o governo passou a ver que isso era um bom canal para serviços públicos,
13:22para dar informação e tal,
13:23e finalmente, quer dizer, o público em geral,
13:26desde a América Online e outros grandes BBS que entraram na rede,
13:29viu que era um grande jeito de se comunicar com outros indivíduos, etc.
13:32Então, isso é muito, digamos, positivo,
13:35você deu voz ao cidadão comum que pôde falar o que quisesse
13:39e discutir o que quisesse,
13:41isso evidentemente gera também oportunidades de quem aproveitar,
13:44digamos, como um negócio.
13:46Então, por exemplo, é trabalhoso você montar um sítio,
13:49então, se você não quer trabalhar um sítio, montar um,
13:52talvez você possa morar num sítio existente,
13:54a gente na época reclamava disso, o chamado Jardim Murado,
13:57você mora num lugar, a estidão,
13:59já a informação que você quer, os amigos que você quer,
14:01está tudo lá reunido.
14:02Isso, de alguma forma, não é bem a ideia original da internet,
14:06mas é um fato da vida que, por comodidade e conforto,
14:10muitos preferem morar num condomínio desses,
14:13onde você tem a opção de coisa lá,
14:15e com isso se criam coisas adicionais,
14:17do tipo, para manter o cara aí,
14:20talvez eu tenha que alimentar ele com a informação que ele gosta mais,
14:23então, isso eventualmente cria o que a gente chama de bolhas,
14:25o pessoal ficar lá.
14:26Então, essa é uma espécie de gangorra que vai e volta,
14:31a gente tinha uma gangorra extremamente pulverizada no começo,
14:35depois passamos a ter um esquema bastante concentrado,
14:38que não é a ideia, digamos, original da internet,
14:40onde você tem o pessoal concentrado em redes sociais,
14:43e isso tem contrapartidas,
14:45quer dizer, o Tim Berners-Lee já reclamou disso uns tempos atrás,
14:48talvez a senhora tenta pulverizar de novo um pouco a internet,
14:50isso vai e volta,
14:51como falei, com méritos e deméritos,
14:54e isso ainda vai piorar ainda mais com o IA,
14:56mas esses são outros 500,
14:57então, quer dizer,
14:58hoje nós estamos numa situação em que há uma grande concentração
15:01em áreas que te fornecem atividades coletivas,
15:05como se fosse um grande clube,
15:06como se fosse um,
15:07você participa de um time de futebol,
15:10de um clube,
15:11então, isso quer dizer o seguinte,
15:12lá dentro você tem determinadas facilidades,
15:15determinados confortos,
15:16e você perde alguma coisa também,
15:18você perde um pouco de ação crítica,
15:20você está ligado,
15:21se você está no Palmeiras,
15:22você não vai torcer pelo Corinthians,
15:24quer dizer,
15:24isso gera uma certa tensão,
15:26que não era a ideia original da internet,
15:28agora,
15:29é fato que isso cresceu muito,
15:31é um modelo de negócio explorado,
15:33surgiram grandes companhias que exploram isso,
15:35e nós temos que ter em mente,
15:37que isso não estava no nascimento da internet,
15:41mas isso vai acontecendo,
15:43e a gente tem que conseguir equilibrar
15:44o que é,
15:45o que a gente pode aproveitar automaticamente do que existe,
15:48e o que mantém a nossa autonomia,
15:50é o que diz,
15:50o que nós achamos e deixamos de achar,
15:52então,
15:52o ponto é ter certeza que isso não
15:54te torna manietado no processo,
15:57que você consegue manter suas posições.
16:00Eu vejo um raciocínio muito diferente
16:02do período da criação da internet,
16:05que é uma coisa libertária,
16:07é uma coisa de cada um é do seu jeito,
16:09pode ser do seu jeito,
16:10com o que a gente tem agora,
16:12depois que as pessoas se concentraram
16:13nas redes sociais.
16:14Eu vejo muitas pessoas no debate público,
16:18com a ideia de como vamos controlar tal coisa.
16:22É possível o ser humano controlar algo
16:26que foi feito justamente para que não fosse possível controlar?
16:31Esse é um paradoxo muito interessante,
16:32quer dizer,
16:33a ideia inicial é essa,
16:34mas,
16:35como eu falei,
16:36a gente tem essa tendência nossa
16:38de procurar conforto,
16:39e isso vai piorar,
16:40como eu falei com o Iá,
16:41porque se eu,
16:42antigamente,
16:42você para achar uma coisa na internet,
16:44tinha que cavucar e procurar
16:46e ver o que era,
16:46depois apareceu o Alta Vista e o Google,
16:49e aí você passou a achar tudo o que você queria,
16:50etc e tal,
16:52e eu me lembro na época,
16:53tinha um tempo que eu estava no Estradão,
16:54e a gente ficava toda vez contente
16:55quando eles nos indexávamos
16:57e agora vamos ter tráfego,
16:58etc e tal.
16:59Cunhar, por exemplo,
17:00eles já nem mandam você para o lugar,
17:02eles já te dão a resposta,
17:03quer dizer,
17:03ao invés de você procurar o que tem
17:04nos diversos meios,
17:05está aqui a resposta que a Iá resolveu,
17:07então,
17:07cada vez mais a gente está ficando com,
17:09talvez,
17:10menos ação crítica em relação às coisas,
17:12e mais recebendo isso já montado,
17:15conformado adequadamente
17:16por uma plataforma,
17:18por uma rede social e tudo mais,
17:19então,
17:20eu acho que é importante esse tipo de análise
17:22que você está fazendo,
17:23porque isso, de alguma forma,
17:24vai contra a ideia original da internet,
17:27porém,
17:27isso vai a favor da ideia,
17:29digamos,
17:29normal do ser humano,
17:30que é buscar conforto e comodidade,
17:32se alguém me der mastigado,
17:34está ótimo,
17:34hoje eu não preciso nem ler um livro,
17:35a Iá me lê um livro em 10 segundos,
17:37e eu sei o que está escrito lá,
17:39perdeu uma coisa,
17:39certamente perdeu muita coisa,
17:41eu acho,
17:42mas,
17:42por outro lado,
17:42você ganhou o conforto de poder
17:44ter aquilo de alguma forma mastigado,
17:46na rede sociais também foi isso,
17:47quer dizer,
17:47em vez de você ter que ficar
17:49procurando uma opção de coisa,
17:50você já ganha,
17:50até os amigos seus já são automáticos,
17:52você ganha lá,
17:53quase,
17:53caras que pensam igual,
17:54vou dar um exemplo,
17:55no começo da internet,
17:57era muito estranho,
17:58porque,
17:59por exemplo,
18:01software aberto,
18:02o que é software aberto?
18:03Software criado grátis,
18:04sem venda,
18:05ao contrário dos grandes softwares de fabricantes,
18:08se valeu muito da internet
18:09para a criação disso,
18:10porque a internet era baseada,
18:12e ainda é bastante baseada,
18:13em software livre e aberto,
18:15e o pessoal que trabalhava nisso,
18:17estava espalhado pelo mundo,
18:18e não tinha como,
18:19digamos,
18:20cooperar,
18:20a internet permitiu criar mais software aberto,
18:23porque as pessoas do Brasil,
18:25e da França,
18:26e da Alemanha,
18:27e dos Estados Unidos,
18:28puderam trocar informações,
18:29em línguas que eles nem próprios entendiam,
18:31para gerar mais software aberto,
18:33e isso fortaleceu a internet,
18:34então,
18:34esse tipo de colaboração,
18:36que a internet gerou,
18:37fortaleceu a própria rede,
18:39e eu tenho medo que a gente perca,
18:40isso se houver uma concentração,
18:42em áreas específicas,
18:44onde se perde a diversidade,
18:45onde nós todos colaboramos,
18:47para gerar algo,
18:48então,
18:48se isso se perde,
18:50talvez estamos perdendo parte da essência,
18:52mas eu acho que ainda tem muita coisa interessante aí.
18:54E na rede social,
18:56eu vejo que é uma espécie de acomodação cognitiva,
19:02onde o conforto de não ter que raciocinar,
19:07mas ao mesmo tempo ser reconhecido pelo grupo como brilhante,
19:11se torna um vício no ponto em que,
19:14tem até aquela expressão brain rot,
19:18que fala,
19:18que é o apodrecimento do cérebro,
19:22você observa isso de fora,
19:24você entra na internet para testar,
19:28eu gosto de testar.
19:29Então,
19:30eu vou te dar um exemplo aí,
19:30estava discutindo com uma moça,
19:33que é, digamos,
19:33bastante ativa nessa área de redes sociais,
19:36cuidava de uma delas específicas,
19:37e a gente comentava numa reunião lá no Braudel,
19:41dizia,
19:41mas a gente quando está numa rede social,
19:44eles querem nos manter na rede social,
19:45então nos alimentam mais daquilo que gostamos,
19:48então,
19:48isso cria,
19:49digamos,
19:50uma espécie de bolha,
19:51em que você recebe mais daquilo que você concorda,
19:54e evidentemente você não recebe nada de outras áreas,
19:57e isso pode ser um problema.
19:58E ela falou,
19:58olha,
19:59é verdade,
20:00a gente evidentemente gera algoritmos que querem maximizar a permanência do indivíduo aqui.
20:05Então,
20:06o que eu faço?
20:06Eu,
20:07para escapar desse negócio,
20:08eu dou like,
20:09eu gosto em coisas que eu detesto.
20:11Então,
20:11dando like em coisas que eu detesto,
20:13eu recebo coisas que eu normalmente não receberia.
20:16Agora,
20:16isso,
20:17como diria o Vicente Matheus,
20:18é uma faca de dois legumes,
20:19porque se você começar a exagerar em like,
20:22você não gosta,
20:22olha que coisas horríveis que o sujeito gosta,
20:25é um cara de péssimo estofo,
20:27péssimo caráter,
20:28e na verdade,
20:29ele apenas pode ser um truque
20:30para você não ficar fechado na bolha.
20:32Então,
20:32você dá like em coisas que você não gosta,
20:33você vai receber coisas que não são,
20:35aquilo que você normalmente reforça as suas posições iniciais.
20:39Mas,
20:40de novo,
20:40quem tem coragem de dizer,
20:41isso é complicado,
20:42e como eu falei,
20:43sempre tem efeitos colaterais estranhos.
20:45Então,
20:45esse é o problema que você comentou,
20:47quer dizer,
20:48fazer sucesso hoje,
20:49ter seguidores,
20:50aparentemente é muito importante.
20:52Então,
20:52você pode,
20:53como na história do Fausto,
20:55vender a alma,
20:56a uma fistófeles,
20:57para você ganhar seguidores.
20:59Então,
20:59isso faz você,
21:00às vezes,
21:01perder um pouco parâmetros morais e éticos,
21:03porque,
21:03afinal de contas,
21:04ter seguidores é importante.
21:05E com a chegada da IA,
21:09como que você vê a mudança?
21:11Eu vejo muita gente tratando a IA,
21:14todas elas,
21:15como se fosse um oráculo.
21:17Então,
21:17perguntam,
21:18o que é que vai acontecer?
21:20Tal coisa é verdade?
21:22Eu vejo isso,
21:23me dá um certo desespero,
21:25porque essas pessoas vão ser atropeladas pela IA, né?
21:28Então,
21:28veja,
21:29aí de novo,
21:30a IA vai gerar de novo uma divisão importante,
21:32porque IA é uma ferramenta importante e muito poderosa.
21:35Eu sei que você usa bastante em várias coisas,
21:38e se você souber,
21:39se você não virar escravo dela,
21:41se você não perder seu senso crítico,
21:43ela até ajuda a pensar adequadamente.
21:45Ela, afinal,
21:46acumula todo o conhecimento humano disponível na internet,
21:49não foi encontrado,
21:51ela acumulou aquilo e gerou um resumo que é usado nas posições que ela toma.
21:56Agora,
21:57se isso servir para você perder seu espírito crítico,
22:00seu autodissernimento,
22:02isso vai empobrecer a sua forma de pensar,
22:04o que você falou de apodrecimento mental.
22:06Por outro lado,
22:07como eu te falei,
22:08ela te dá uma diferença importante na geração de conteúdo,
22:13na geração de material, etc.
22:15Quem não tem,
22:16perde espaço nisso.
22:18Então,
22:18esse é um momento de transição.
22:20Eu concordo com os que dizem que,
22:21eventualmente,
22:22a IA poderá aumentar o gap,
22:23o buraco entre diversos níveis,
22:26porque o problema da IA é esse,
22:28quer dizer,
22:28quem souber usar vai ter vantagem,
22:30quem não souber usar vai ter desvantagem,
22:32mas quem usar sem discernimento também vai ser prejudicado de alguma forma,
22:37porque vai,
22:37de alguma forma,
22:38embrutecer a sua capacidade de pensamento próprio.
22:41Então,
22:42certamente é importante você saber o que tem em um livro usando IA,
22:46mas talvez fosse importante lê-lo também,
22:47porque as nuances que tem lá,
22:49a IA não vai te mostrar o estilo do autor, etc.
22:52Então,
22:53de novo,
22:53acho que a gente perde e ganha coisas.
22:55Vou dar uma analogia mais boba também,
22:57isso já acontece já com a internet,
22:58com tecnologia em geral,
22:59quer dizer,
23:00nos velhos tempos,
23:01você pegava um guia de São Paulo e olhava a rua,
23:04tem que andar três à direita,
23:05aí eu viro à esquerda,
23:06aí eu vou até um semáforo.
23:08Bom,
23:08hoje,
23:09evidentemente,
23:09com ferramentas tipo Waze,
23:11para ir daqui até a padaria,
23:12você não precisa mais lembrar nada.
23:14Bom,
23:14isso é um grande conforto,
23:15mas alguma coisa da orientação se perdeu,
23:18da mesma forma que,
23:19quando as crianças pararam de aprender tabuada,
23:21porque qualquer calculadora de cinco reais,
23:23essa difigênia,
23:24faz conta melhor que qualquer um de nós,
23:26você não precisa mais fazer isso.
23:28Agora,
23:28algum tipo de organização mental que era usada para isso,
23:31talvez não está sendo mais usada.
23:33Eu não sou especialista na área,
23:35para dizer o que se perde nisso,
23:36mas eu acho que esse é um alerta,
23:37quer dizer,
23:38nós estamos,
23:38de alguma forma,
23:40embotando alguns talentos
23:41que talvez não sejam mais importantes e críticos,
23:44talvez criando outros talentos,
23:45e aí precisaria ver quais são os talentos
23:46que nós estamos criando.
23:48Então,
23:48por exemplo,
23:49certamente IA
23:50vai gerar esse tipo de embotamento
23:52de algumas necessidades
23:54que eram importantes
23:55para a nossa sobrevivência
23:56como espécie no passado,
23:59e vai eventualmente nos gerar outros.
24:01Então,
24:01isso é uma análise complicada,
24:02eu fiz uma vez uma analogia
24:03com Caixa de Pandora,
24:04já estamos abrindo um negócio
24:05que eu não sei para onde vai,
24:06e de fato,
24:07eu não sei dizer para onde vai,
24:09não é evitável,
24:10é inevitável,
24:11isso vai acontecer,
24:12mas isso certamente muda o ser humano,
24:15quer dizer,
24:15o que nós éramos
24:16não é o que nós seremos.
24:18mas você já não percebe
24:20um gap
24:22entre quem,
24:23em diversas áreas,
24:24quem tem cognição
24:26para entender
24:27o que é uma IA generativa,
24:29e quem não tem,
24:30não vai,
24:31não tem como a pessoa acompanhar.
24:33Eu vejo,
24:34por exemplo,
24:34eu fico fazendo brincadeiras
24:36com haters,
24:37eu me divirto muito,
24:39então eu pego o Grock,
24:40que é uma IA que é mais primitiva
24:41na análise de linguagem,
24:43ele gera a imagem melhor do que a linguagem,
24:47o chat GPT eu acho que gera a linguagem melhor do que a imagem,
24:51mas enfim,
24:52é gosto pessoal,
24:53eu pego ele
24:55e peço para ele analisar,
24:57às vezes em um hater ele xinga,
24:59eu pego a estrutura de comunicação
25:01que ele usa para me xingar,
25:03para ter uma leitura psicológica,
25:06psicossocial e sociológica dele como pessoa,
25:08e eles ficam muito bravos,
25:10e vão lá e falam,
25:12Grock para de mentir,
25:14quando ele faz isso,
25:15eu falo,
25:15gente,
25:16ele não entendeu o que eu fiz,
25:17a diferença entre o que eu fiz
25:19e o que ele está fazendo,
25:21e quem não entendeu,
25:22quem não entendeu,
25:24na primeira não vai entender,
25:25né?
25:26Então,
25:26mas cresce ou diminui?
25:27Vai ter mais gente não entendendo
25:29ou vai ter mais gente entendendo?
25:30Eu estou vendo mais gente não entendendo,
25:32eu tenho amigos inteligentes,
25:34eu tenho um amigo que é super inteligente,
25:36que foi banido do Grock,
25:39Banido do Grock?
25:40Ele brigou com o Grock,
25:41num nível que ele foi banido,
25:44ele não pode mais usar a ferramenta,
25:47então,
25:47acho que uma pessoa que se descontrolou assim com a IA,
25:52é porque já não vai conseguir usar.
25:54Então,
25:54veja,
25:54isso é uma coisa importante,
25:55do ponto de vista,
25:56inclusive,
25:56de privacidade,
25:57vou dar exemplos aí de novo,
25:58pessoais,
25:59eu concordo com você,
26:00isso aumenta o gap entre os que sabem
26:02e os que não sabem,
26:03e isso pode ser grave,
26:04mas se eles passam a conhecer coisas de você,
26:07espantosas,
26:08coisas que você mesmo,
26:08por exemplo,
26:09não podia não conhecer,
26:10eu,
26:10em algum texto,
26:11eu passo para dar uma olhada,
26:12dá uma olhada aí no texto,
26:14etc e tal,
26:15aí eu faço uma pergunta qualquer,
26:17e acho,
26:18mas vou lá,
26:18aquilo que você perguntou,
26:19serve direitinho no seu texto da semana passada,
26:21você não quer que eu encaixe,
26:23e de alguma forma,
26:25quer dizer,
26:25ele está lembrando do que você escreveu,
26:27em épocas anteriores,
26:28porque você repassou,
26:30ele tem uma personalização do usuário,
26:33não é alguém que você encontra na rua,
26:35e pergunta,
26:35ele lembra,
26:36que você falou com ele na semana passada,
26:38e aquilo que você conversou na semana passada,
26:39serve nesse caso,
26:40talvez você possa usar,
26:41vou dar um exemplo bobo,
26:42eu,
26:43nos 30 anos do CG,
26:46eu fui convidar alguns antigos,
26:47etc e tal,
26:48o Steve Crocker,
26:49que é o autor do RFC1,
26:50o primeiro RFC na internet,
26:52padrões,
26:53eu falei,
26:54escrevi lá,
26:54Dear Steve,
26:55não sei o que tal,
26:55vai ter 30 anos do CG,
26:57quer vir,
26:58etc e tal,
26:59vai ser bom,
26:59vai ser na Bahia,
27:01aí eu falei,
27:01bom,
27:01vou passar no chat GPT,
27:03para ver se o inglês está razoável,
27:04alguma coisa,
27:06ele passou e falou,
27:06não,
27:07o inglês está bom,
27:07talvez uma vírgula aqui,
27:08um negócio ali e tal,
27:09mas,
27:10se esse Steve é o Steve Crocker,
27:11seja um pouco mais formal,
27:13quer dizer,
27:13ele deduziu por conta dele,
27:15que um Steve genérico,
27:16que eu estou escrevendo,
27:18é o Steve Crocker,
27:19que é um Steve específico,
27:21talvez porque o tema era a internet,
27:23talvez porque eu tenha trocado e-mails com ele no passado,
27:25eu não dei nenhuma dica,
27:26que aquele Steve que eu estava tentando endereçar,
27:29era o Steve Crocker,
27:30e ele,
27:30se for o Steve Crocker,
27:32seja um pouco mais formal,
27:33porque afinal de contas,
27:34é um doutor,
27:34etc,
27:35quer dizer,
27:37é uma observação espantosa,
27:39do ponto de vista de um interlocutor neutro,
27:42ele sabe da sua vida,
27:43então,
27:44e sabe também das regras sociais,
27:47das normas sociais,
27:49é claro,
27:49ele falou,
27:49esse sujeito aí não é um Steve genérico,
27:52seja um pouco mais formal,
27:54e ele foi deduzindo,
27:55porque o nome Steve foi deduzindo,
27:56claro,
27:57é isso que me espanta,
27:58quer dizer,
27:58ele concluiu por conta dele,
28:00que a pessoa com quem eu estava me correspondendo,
28:02naquele e-mail específico,
28:04que estava escrito só Dear Steve,
28:05era um determinado Steve.
28:06Eu te falei,
28:07né,
28:07que eu tive o trabalho de subir mais de mil colunas minhas,
28:11meus livros,
28:12então,
28:12está tudo conhecido,
28:13vídeos,
28:15podcast que eu participei,
28:17tudo que eu participei,
28:19e aí,
28:20às vezes,
28:20eu pego uma argumentação minha,
28:21eu coloco muito para testar a argumentação,
28:23ver se tem alguma brecha argumentativa,
28:25principalmente aqui,
28:26aí ele fala assim,
28:28olha,
28:28não tem brecha,
28:30mas não coincide com o que você fala,
28:32falou da outra vez.
28:33E para mim,
28:34isso tem sido muito importante.
28:35Outra coisa que eu uso,
28:37atendimento de mentoria que eu dou,
28:39a pessoa preenche um Google Forms,
28:42aí tinha que ir para o WhatsApp,
28:43tinha que ir para tudo,
28:44eu fiz um código,
28:46que agora esse processo é feito todo sozinho,
28:47não precisa de mais ninguém,
28:48e eu não sei código,
28:50eu não sei programar,
28:51mas eu consegui com ele fazer o código e programar e automatizar.
28:55É isso aí.
28:56É uma...
28:57Você ganha uma vantagem competitiva enorme nisso aí.
29:00Sim.
29:01Eu me lembro de outra discussão na internet,
29:05frases em geral,
29:06o IA vai causar desemprego aqui e ali,
29:08etc e tal,
29:09isso e aquilo.
29:10Aí um cara falou uma frase que eu guardei até,
29:12eu falei,
29:12não,
29:13IA vai causar desemprego,
29:15você não vai perder o seu trabalho pela IA,
29:17você vai perder o seu trabalho pelo cara que sabe IA,
29:20quer dizer,
29:20você vai ser trocado por um cara que sabe IA,
29:23não é a IA que vai te desempregar.
29:24Então,
29:25precisa tomar esse negócio,
29:27precisa tomar atento com isso,
29:28quer dizer,
29:28concordo com você,
29:29isso por enquanto gera um gap maior,
29:31quem sabe usar aproveita-se disso e ganha vantagem competitiva,
29:35quem não sabe usar perde,
29:37e quem usa cegamente,
29:39corre o risco de ficar,
29:41como eu te falei,
29:42meio embotado nessa parte da análise,
29:43porque ele assume aquilo sem mais.
29:46Teve uma coisa,
29:47você está falando isso de cada um saber usar,
29:48eu tenho um amigo que é designer,
29:50e a gente brinca,
29:51os prompts da área dele,
29:53eu não sei fazer,
29:54sai tudo errado.
29:55E os da minha,
29:56ele não sabe fazer.
29:58A gente sabe fazer os prompts daquilo que a gente domina.
30:01Então,
30:02se ficar só confiando na IA,
30:04você não vai dominar nada,
30:05e não vai fazer o prompt.
30:06E tem também uma brincadeira que fizeram esses tempos na internet,
30:10que eu achei tão engraçado,
30:12a pessoa ia lá e perguntava para a IA qual é a minha benção.
30:17E para pessoas horrorosas,
30:21saia,
30:21você é um ser de luz,
30:23você é isso,
30:25você é aquilo,
30:27e as pessoas iam postando.
30:29só que,
30:30quando a pessoa postava,
30:32o nível de conhecimento da IA sobre aquele perfil,
30:35dava para a gente saber,
30:37o quanto aquela pessoa sabe,
30:39tem usado ou não a IA.
30:42Porque aquela coisa,
30:43você tem uma luz,
30:44você não sei o que,
30:45ele gera automático,
30:46não tem nada específico ali.
30:48Não, concordo.
30:49E ele,
30:50em geral,
30:50te agradar.
30:51Sempre te agradar.
30:52Se você reclama,
30:52você tem razão,
30:54de fato,
30:54isso tem que ser mexido,
30:55de novo,
30:56isso aí.
30:56Isso tem,
30:57digamos,
30:57ficando mais sofisticado.
31:00No começo,
31:01tinha as tais alucinações,
31:02que na verdade,
31:03não é alucinação.
31:03A tendência de manter você na conversa,
31:06inventar qualquer bobagem,
31:07só para ficar na conversa,
31:08isso está diminuindo bastante,
31:10isso não é,
31:10esse tipo de piada,
31:12é só piada mesmo.
31:13Mas,
31:13é fato que ele,
31:14por enquanto,
31:15tem como objetivo,
31:16ser seu amigo.
31:16Eu certamente tenho pessoas
31:18que eu conheço,
31:19que hoje já são mais amigas da IAD
31:21do que de amigos reais,
31:22que trocam mais conversa com a IAD
31:24do que com pessoas.
31:25Pode ser que é um destino meio estranho,
31:28mas acontece.
31:29Você acha que esse fenômeno
31:31que tem até filme de gente
31:33apaixonada por robôs?
31:34Bom,
31:34isso é antigo,
31:35tinha um filme,
31:35acho que X era o nome do filme,
31:37do cara que se apaixonou
31:38por uma voz
31:40de sistema operacional,
31:41eu lembro desse filme,
31:43isso pode virar a verdade.
31:44Isso também é uma deterioração,
31:45quer dizer,
31:45não é por aí que uma,
31:46é uma espécie e progrede.
31:49Mas, em suma,
31:49isso é difícil.
31:50Vou aproveitar que você falou
31:51de Prompt,
31:52de novo a frase de alguém aí,
31:53específico,
31:54no caso do Nizam,
31:55que era um cara que trabalha lá no IAD,
31:56um cara bastante inteligente.
31:58E estava em uma entrevista
31:59sobre IA,
31:59e eu acompanhei a entrevista,
32:01ele falou,
32:01não,
32:03você vendo aí para o futuro,
32:04que respostas você acha
32:06que o futuro não se realizarem?
32:08Ele falou, não,
32:08o futuro não está nas respostas,
32:10o futuro está nas perguntas,
32:11que é o que acontece com o IA.
32:13Se você souber fazer a pergunta,
32:15a resposta vira de algum jeito,
32:16quer dizer,
32:16o problema não é tanto a resposta
32:17quanto a pergunta que você faz.
32:19Tanto que tem até gente
32:20que se identifica
32:21como um engenheiro de Prompt.
32:23Eu não sei o que significa
32:23esse negócio,
32:24não entro nessa discussão,
32:25mas saber perguntar
32:26é uma coisa importante
32:27nessa área,
32:29e quem sabe perguntar
32:30tem vantagem sobre
32:31quem não sabe.
32:32É o que você comentou aí
32:33a respeito da diferença
32:35entre os seus Prompt e o do design.
32:36É, porque a gente em cada área,
32:39você tem lidado como
32:41com essa questão
32:43da gente manter
32:44a nossa curiosidade,
32:45a nossa cognição,
32:46apesar da tentação
32:49comodista da IA.
32:50Isso.
32:51Porque se a gente ficar ali,
32:53acaba.
32:54Então, por exemplo,
32:55idioma,
32:56a pessoa vai perdendo,
32:57daqui a pouco não sabe
32:58falar nenhuma língua,
32:59ou acha que não precisa falar,
33:01só que isso,
33:03o nosso cérebro
33:03vai perdendo a conexão, né?
33:05Essas coisas são estranhas.
33:07A internet também
33:07tinha essa crítica no começo,
33:10e vou contar outra anedota
33:11dos velhos tempos.
33:12Quando eu saí da FAPES
33:14para o Estadão,
33:14de novo eu ouvia rádio
33:16na internet,
33:18e de repente eu ouvi
33:19uma rádio na Itália,
33:20eu nasci na Itália,
33:21mas culturalmente
33:22sou grego,
33:23não italiano,
33:24então eu estava ouvindo
33:25uma rádio na Itália,
33:27e aí de repente
33:28o cara começou a falar
33:29um negócio que parecia grego,
33:30aí começou a tocar
33:31uma música
33:32que parecia grega,
33:33e o presidente de São
33:34falou, não,
33:35isso se chama grecânico,
33:36que é uma coisa
33:37que sobrou
33:37do Magna Grécia,
33:39no sul da Itália,
33:40que eu não tinha
33:41a menor ideia
33:41que existia.
33:42Então, graças à internet,
33:43eu recuperei um conhecimento,
33:45uma função que eu não sabia,
33:46e ainda comprei
33:46uns CDs de música
33:47em grecânico,
33:48então esse pessoal,
33:49que é uma comunidade
33:50que sobrevive,
33:51digamos,
33:52com transmissão verbal
33:53das coisas,
33:54porque não tem nada
33:54muito formal,
33:58conseguiu vender
33:58alguns CDs.
33:59Isso acontece também
34:00no Brasil,
34:00inversamente,
34:00por exemplo,
34:01tem cara que compra
34:01arte de indígena
34:03brasileira,
34:03porque consegue achar
34:05na internet,
34:05jamais conseguiria
34:06achar se não fosse
34:08via internet,
34:09quer dizer,
34:09só quem viesse
34:10como turista
34:11em algum lugar aqui,
34:12agora vai ter eco 90,
34:13eco 30,
34:14não é eco,
34:15é copy,
34:16isso aí,
34:17então, quer dizer,
34:18o pessoal que vem aqui
34:18descobre isso,
34:19mas a internet permitiu
34:20essa grande disseminação,
34:22então,
34:22por exemplo,
34:23se dizia no começo
34:24que a internet faria
34:25todo mundo falar inglês
34:26porque era a única língua,
34:27de fato,
34:28quando ele começou
34:28em redes,
34:29a gente achou,
34:30isso não vai se popularizar
34:31porque em inglês
34:32quem vai falar em português,
34:33quem aqui no Brasil
34:34vai poder usar isso,
34:35mas quando isso começou
34:37a pegar as BBS,
34:39por exemplo,
34:40no Brasil,
34:40os primeiros provedores
34:42de internet
34:42eram equipes de mídia,
34:44era o Brasil Online,
34:45que era da Abril,
34:46depois o UOL,
34:47depois o Globo,
34:48depois o Estadão,
34:49todo o pessoal
34:49virou provedor de internet,
34:51então,
34:51nós tivemos conteúdo
34:52em português
34:53muito rapidamente,
34:54então,
34:55isso é uma coisa dupla,
34:57você acha que pode perder a língua,
34:58mas acho que a internet
34:59pode ajudar a salvar a língua,
35:01de uma forma que essa língua
35:02meio grega
35:02no sul da Itália
35:03teve um reforço
35:04via internet,
35:05você passou a saber
35:06que ela existe,
35:07e as línguas indígenas
35:08tem gente estudando
35:10como propaga,
35:11como usa Iá
35:12e tudo mais,
35:13eu acho que tem o outro lado,
35:15que é um reforço
35:16da cultura local,
35:17eu, por exemplo,
35:17uso Iá,
35:18em geral em português,
35:20tanto o Grock,
35:21quanto o ChatGPT,
35:22quanto os demais aí,
35:25o DeepSeek e tal,
35:26falam português bem,
35:27inclusive alguns falam
35:28português melhor
35:29do que você vê
35:30em revistas,
35:32em média,
35:33por aí,
35:33os caras falam
35:33um português até mais adequado,
35:35alguns erram também,
35:35mas, quer dizer,
35:36eu acho que isso pode ser usado
35:38como reforço
35:39e não como uma dissolução,
35:41quer dizer,
35:41claro que a primeira ideia
35:42é que isso dissolve,
35:43mas, por outro lado,
35:45essa possibilidade
35:45de juntar pedaços
35:47que eram desencontrados
35:49sem internet,
35:50hoje melhora,
35:52quer dizer,
35:53comunidades pequenas,
35:54mínimas,
35:54que gostam
35:55de algum tipo de música,
35:56ou que gostam
35:57de algum tipo de coisa,
35:58que estariam dispersas
35:59pelo mundo,
35:59via internet
36:00ganham reforço,
36:02então,
36:02de novo,
36:03eu concordo que precisa
36:04tomar cuidado
36:04com soluções
36:06de culturas,
36:07de locais,
36:07por outro lado,
36:08se você usar isso
36:09adequadamente,
36:09isso pode funcionar
36:11como reforço
36:11para você ganhar
36:12massa crítica,
36:13onde só tinha
36:1310 negros
36:14que sabiam daquilo,
36:15se você põe na internet,
36:16você encontra mais 10
36:17na China,
36:18e 10 na Arábia,
36:19e 10 na África,
36:19que também se interessam
36:20e aquilo vira 50,
36:22porque tem um jeito
36:23interessado nisso,
36:24em português também,
36:24nós temos pessoal
36:25de língua portuguesa,
36:26talvez o pessoal
36:27de países africanos
36:29de língua portuguesa
36:29tenham a sua cultura
36:31reforçada via internet,
36:32vão poder acessar
36:33obras brasileiras
36:34de Portugal,
36:35idem conosco,
36:36então essas coisas
36:37podem ter efeitos
36:38diferentes em cada caso,
36:40e eu torço
36:40para que o efeito
36:41seja o positivo.
36:43E isso depende,
36:44na verdade,
36:45acho que da curiosidade
36:46de cada indivíduo também,
36:48porque,
36:49por exemplo,
36:50agora teve até
36:51um movimento
36:51que as ações
36:52do Duolingo caíram,
36:53porque o ChatGPT
36:55achou um jeito
36:56que ele customiza
36:59o estudo de idiomas,
37:01e assim,
37:01para mim funcionou muito,
37:02porque o Duolingo
37:03ele é muito auditivo,
37:06e as coisas
37:06vêm em pedaços,
37:07as palavras,
37:08eu só consigo aprender
37:11visualizando,
37:12escrevendo
37:13e no contexto,
37:14senão eu não consigo,
37:16aí espanhol
37:17eu aprendi muito rápido,
37:18mas eu já falava,
37:19italiano,
37:19tudo,
37:20mas aprendi,
37:21em duas semanas
37:21eu estava trabalhando
37:22na rádio da Colômbia,
37:24em duas semanas
37:24que eu passei em Cuba,
37:26fui rápido,
37:28mas se não for assim
37:29eu não aprendo
37:29uma palavra,
37:30entendeu?
37:30E ele contextualiza,
37:32tanto para mim
37:32quanto para outra pessoa,
37:34agora,
37:35ele também pode fazer
37:36com que você ache
37:37que não tem que falar nada,
37:38que você fala
37:38naquele aplicativo
37:39de traduzir.
37:40Então,
37:41por exemplo,
37:41certamente a escrita manual,
37:44tem poucas pessoas
37:46que ainda escrevem
37:46usando caneta e papel,
37:48em geral,
37:49os velhos buscadores,
37:51você escrevia lá
37:52o que você queria,
37:52hoje você vai na voz,
37:53boa parte do chat GPT,
37:55boa parte dos IAS,
37:56você fala na voz,
37:58então isso lentamente
37:59vai mudando
38:00a nossa forma
38:01de funcionar,
38:02quer dizer,
38:02a escrita manual,
38:03eu fiz colégio de freira
38:05e a caligrafia
38:06era um negócio importante,
38:07você tem que ter,
38:08aliás,
38:08lembro que a sua caligrafia
38:09é muito bonita,
38:09me lembro quando você escreveu
38:10na revista.
38:11Obrigada,
38:12porque eu fiz colégio de freira
38:14também,
38:14a gente aprendia caligrafia,
38:16claro,
38:16hoje tem garanches,
38:17eu escrevo a pena hoje.
38:18Pois é,
38:19eu ainda tenho caneta também,
38:20está aqui no bolso,
38:21mas eu uso,
38:22em suma,
38:22mas isso pode ser um,
38:24digamos,
38:25um arcaísmo,
38:26pode ser que em breve
38:27ninguém mais está escrevendo assim
38:28e todo mundo se comunica
38:29só com a voz.
38:30E acho que alguma coisa
38:31de novo se perde,
38:32quer dizer,
38:32no que você escrever algo
38:34você talvez pense
38:34com mais profundidade
38:35quando escreve,
38:36do jeito que quando fala,
38:38a velha história dos latinos
38:39que o que é escrito
38:40permanece
38:41e o que é falado voa,
38:43então,
38:43de novo,
38:43eu não sei o que acontece,
38:44mas existem mudanças importantes
38:46e uma delas é essa,
38:47que a gente está perdendo
38:48alguns talentos
38:49e ganhando outros
38:49e não sei para onde a coisa vai.
38:51Mas isso,
38:52por exemplo,
38:52do escrever à mão,
38:54não tem uma função
38:55só de anotar?
38:56Isso.
38:56Tem uma função cognitiva.
38:57Isso eu sei porque,
38:58por exemplo,
38:58meu filho estava lá
38:59uma época com dificuldade
39:01de alguma matéria,
39:01eu falei para ele,
39:02faz o seguinte,
39:03para de ler,
39:05de tablets,
39:05não sei o que,
39:06faça um resumo à mão.
39:08Isso.
39:08Virou o método dele,
39:09ele faz o resumo à mão
39:11e ele vai muito bem
39:11no outro dia.
39:12Exatamente.
39:13Mas, assim,
39:14porque não é uma coisa
39:15só para fazer o resumo e ter,
39:17é uma coisa para você se treinar.
39:19É isso.
39:20Só que também é incômodo,
39:21né,
39:22Damien?
39:22A gente se desafiar.
39:24Eu concordo,
39:25mas é que certas coisas
39:26são treinamentos,
39:27como eu te falei,
39:29vou dar um exemplo de novo
39:30dos velhos tempos,
39:31da época da Poli,
39:32o professor Fadigas,
39:33que era o diretor.
39:34Ele falou,
39:34vocês estão usando agora
39:36calculadora em vez de régua de cálculo.
39:38Qual é o ganho e a perda com isso?
39:40Bom,
39:41na régua de cálculo,
39:42você mexe lá o negocinho,
39:43não sei se sabe o que é régua de cálculo.
39:45É uma régua em que você tem um cursor
39:48e você consegue fazer uma multiplicação
39:50ou uma divisão usando aquilo.
39:53Então, você fazia uma conta lá,
39:54você fala,
39:54estou calculando uma viga,
39:56então está dando 1,2.
39:571,2 deve ser 12 centímetros.
40:00Não vai ser 1,2 quilômetro,
40:02está certo?
40:03Então, você tinha que ter uma ideia
40:05do tamanho por você.
40:06Você sabia que é 1,2,
40:08porque a régua dava 1,2,
40:10mas você não sabia se é 1,2 milímetros,
40:12centímetros,
40:1312 metros,
40:14centímetros,
40:14isso você tinha que carregar na sua cabeça.
40:16Hoje, na calculadora,
40:17você põe lá o que é ensaiar o resultado,
40:19você usa do jeito que está.
40:20Se a calculadora dissesse
40:22120 centímetros ou 120 metros,
40:25você anotaria e não teria ideia
40:26da noção da grandeza.
40:28Então, o que ele queria dizer com isso é o seguinte,
40:30nos tempos anteriores,
40:31o número exato,
40:32você não sabe qual é,
40:33você usa a régua e descobre,
40:34mas você tem que ter ideia da grandeza.
40:36Se eu estou medindo a altura do indivíduo,
40:38não vai dar 12 metros,
40:39também não vai dar 12 milímetros.
40:41Quer dizer,
40:41o que tem que dar?
40:421,2 metros,
40:43é um cara baixinho.
40:43Em suma,
40:44você tinha uma ideia da grandeza.
40:46Hoje, com a calculadora,
40:47você perde essa noção
40:48e você assume o que der lá.
40:50Isso ele dizia nos anos 70.
40:52Então, isso acontece também com a internet.
40:53A gente perde noção
40:54do que se esperava do resultado.
40:57Você usa o que chegou
40:58e assume que aquilo é verdade,
40:59porque a Iá falou,
41:00porque era um X que falou.
41:01Você tinha que ter uma noção
41:02do que você espera do resultado.
41:04Você, por exemplo,
41:05quando pergunta alguma coisa
41:06com o Grock sobre alguém,
41:07sobre alguém,
41:07você sabe o que gostaria de receber.
41:09se ele mandar um traigo
41:10do tipo,
41:11a aura dele é brilhante,
41:12etc.,
41:13não é nada disso que eu perguntei.
41:15Desculpe e tal,
41:16mas isso é uma característica crítica
41:18que você tem que manter,
41:19senão você vai assumir
41:20o que veio,
41:21por mais bobo que seja a história.
41:23Entendeu?
41:23Então, isso é uma coisa que...
41:25Vou dar um último exemplo
41:26nessa área.
41:27Quando eu falei de caixa de Pandora,
41:28eu perguntei para a internet,
41:31na época,
41:31eu chatei PT,
41:32logo no começo.
41:33Falei,
41:33me dá um exemplo
41:34de literatura em português
41:35que cita a caixa de Pandora.
41:37Aí ele me deu
41:37Cecília Meirelles,
41:38os que e tal,
41:39Fernando Pessoa,
41:40então eu falei,
41:40o Castro Alves tem uma poesia
41:41chamada Caixa de Pandora.
41:43Falei,
41:43bom,
41:43interessante.
41:44Então,
41:45eu vou tentar,
41:46eu tentei achar no Google,
41:46não achei,
41:47falei,
41:47não achei.
41:47Está no livro,
41:48não sei o que,
41:491800,
41:49não sei quanto,
41:50coletânea de poesias
41:51do Castro Alves,
41:52do Castro Alves não,
41:52Olavo Bilac,
41:53Olavo Bilac.
41:54Fui lá,
41:55achei o índice da poesia,
41:55ele não estava lá,
41:56falei,
42:04Olavo Bilac,
42:05peguei um pedaço,
42:05não achei em lugar nenhum.
42:06Falei,
42:06não,
42:07esse cara inventou a poesia,
42:09parece do Olavo Bilac,
42:10parece uma poesia normal,
42:12mas não achei em lugar nenhum.
42:13Fui no Gêmini,
42:14o pessoal fala Geminai,
42:15mas eu falo Gêmini.
42:16Fui no Gêmini,
42:17falei,
42:17tem uma poesia do Olavo Bilac
42:19chamado Caixa de Pandora,
42:20você conhece?
42:21Conheço,
42:21poesia famosa,
42:22Parnasena e tal.
42:23Você consegue me dar?
42:24Cheio,
42:24está aqui a poesia.
42:25Deu uma outra poesia,
42:26Parnasena,
42:26que não tinha nada a ver
42:27com a poesia original.
42:33Que tem cara do Olavo Bilac,
42:36mas que nunca foram escritos
42:37por ele em lugar nenhum.
42:38Então,
42:38olha o risco que a gente cora
42:39se a gente acreditar nisso
42:40sem mais.
42:40Quer dizer,
42:41você tem que ter um mínimo
42:42de teste adicional
42:43que você possa ver
42:44se aquilo que você recebeu
42:45de resposta
42:46é uma resposta
42:47que você esperava
42:48ou é uma coisa
42:49de estapafúrdia e tal.
42:50Claro que eles não eram mais agora,
42:52se você perguntar agora,
42:52mas eu não tenho a tal poesia,
42:54eles consertaram isso aí.
42:55Mas,
42:55naquele momento,
42:56os dois disseram que tinha,
42:58os dois me deram uma poesia
42:59que podia ser dele
43:00e as duas poesias não existiam.
43:02Mas,
43:02você sabe o que aconteceu
43:03comigo também?
43:04Eu fui fazer um resumo
43:07sobre redes e liberdade de expressão
43:09e eu tinha vários artigos meus
43:11e tinha outros artigos
43:13de psicólogos sociais,
43:16pensadores,
43:16pá, pá, pá,
43:17que eu queria colocar.
43:18Eu botei lá
43:20o que ele me traz na volta,
43:22uma outra citação
43:23de Ortega e Gasset
43:24que eu não tinha colocado.
43:26Ele foi pelo que é mais usado.
43:29Em vez de considerar o teu.
43:30E a citação é correta,
43:31porque às vezes ele...
43:32Ele citou um,
43:33o Ortega e Gasset
43:34era uma citação correta,
43:35a outra é uma citação
43:37que ele poderia muito bem ter feito,
43:39mas não fez.
43:40É estranho.
43:40Mas você tem que dominar aquilo
43:42para corrigir.
43:45Agora, o dominar
43:46significa você ter um universo
43:48de curiosidade
43:50além.
43:50Eu queria que você contasse,
43:52Demi,
43:52de onde que você veio,
43:53como é que foi sua infância,
43:55quantas línguas você fala?
43:57Então, veja,
43:58eu nasci na Itália,
43:59em Trieste,
44:00que era uma cidade
44:01que tinha sido
44:02recém-libertada,
44:03eu sou de 53.
44:05mas o pessoal da minha família
44:07basicamente falava
44:08grego em casa
44:09e o meu pai
44:11era de Salonique,
44:12da Grécia,
44:13minha mãe tinha sido
44:13na Bulgária,
44:14mas do pessoal
44:15que saiu de Esmirro,
44:15então,
44:16a primeira língua
44:17era grego.
44:18E o pessoal
44:19ficou algum tempo
44:20em Trieste,
44:20depois veio para o Brasil
44:21e com a minha avó,
44:23meu pai,
44:23meu tio,
44:25minha mãe e minha tia,
44:27são cinco pessoas
44:27que vieram para o Brasil
44:28e eu cresci nesse ambiente,
44:30como falei,
44:30a primeira língua
44:31que a gente falava
44:31em casa era gringo,
44:32eu tinha dificuldade
44:33para entender português,
44:33meu pai falava várias línguas,
44:35mas era português,
44:37demoramos até
44:38pegar o no breu,
44:39mas no final
44:40acabou dando tudo certo,
44:41então,
44:42eu tenho essa,
44:43eu falo grego
44:45praticamente sem sotaque,
44:47búlgaro,
44:48que minha mãe falava,
44:49poucas palavras,
44:50inglês,
44:51alemão,
44:51andei estudando no Goethe,
44:53mas sou ruim nessa área,
44:55espanhol,
44:55meu colégio
44:56era de padres espanhóis,
44:58até sei cantar
44:59um hino apócrifo
45:00espanhol com letra,
45:01que eu sei que não tem letra
45:02no espanhol,
45:03mas na época
45:03eles ensinavam com letra
45:05e ainda lembro da letra,
45:06em suma,
45:07são coisas variadas aí,
45:09vou te dar um último exemplo
45:10nessa região
45:10que você falou de plataforma
45:11que eu me lembrei agora
45:12que estava pesquisando isso daí,
45:14tem um cara chamado
45:14Cory Doctorow,
45:15você leu,
45:16o cara escreveu,
45:17o cara jove,
45:18não é tão jove,
45:19tem uns 50 anos,
45:20aliás,
45:22no chat GPT,
45:23quando perguntei sobre ele,
45:25conheci,
45:25ele falou,
45:25não,
45:26ele é fundador
45:26do Electronic Frontier Foundation,
45:29eu falei,
45:29não pode ser,
45:30o Electronic Frontier Foundation,
45:31o Barro é fundador,
45:32esse cara devia ter,
45:33o que,
45:33uns 15 anos,
45:34eu falei,
45:34você tem certeza
45:35que ele é fundador
45:36do Electronic Frontier Foundation?
45:37Ele falou,
45:38não,
45:38não,
45:38ele foi membro,
45:39ele é membro e tal,
45:39mas não foi fundador,
45:40eu falei,
45:41quer dizer,
45:41precisa sempre tomar algum cuidado,
45:42você tem que ter uma certa noção,
45:44ele criou um termo em inglês,
45:46que é incitification,
45:48incitification é emerdamento,
45:50coisa assim,
45:51perdão pela palavra,
45:52que ele diz que é assim que acontece a evolução de empresas,
45:54e aí ele faz essa analogia com redes sociais,
45:57sendo que a rede social,
45:58inicialmente,
45:58se esforça para agradar o usuário,
46:01e quando ela consegue agradar o usuário,
46:03ela se enche de usuários,
46:04e aí ela passa a agradar o cara que gera o marketing,
46:08que gera a propriedade das empresas,
46:09então ela agrada as empresas,
46:10porque agora tem usuários,
46:11as empresas investem naquilo para poder catar os usuários,
46:13e quando as empresas estão satisfeitas,
46:15ela passa então na terceira fase,
46:17que é devolver isso a si próprio como Big Tech,
46:20e nessa fase que vai haver o tal do Incitification,
46:24que vai dar a morte do processo,
46:25então esse é um processo do Core Doctor of,
46:27que precisava verificar se funcionou ou não,
46:29mas é uma função interessante,
46:30existe um ciclo em que começa-se catando usuários,
46:34avança-se catando financiadores do processo,
46:37empresas que estão interessadas nos usuários,
46:39e termina-se autofinanciando,
46:41que em geral gera desagradar tanto os usuários,
46:44quanto as empresas que financiavam os usuários,
46:46então esse é um ciclo que,
46:47no meio do processo,
46:49os usuários já começam a ficar desconfiados,
46:50no final do processo os usuários tentam fugir,
46:53e as empresas que bancavam também levantam a mão,
46:55talvez IA acelere isso de alguma forma,
46:57porque, como eu falei,
46:58o que havia antes de modelo,
47:00que é eu me financiar,
47:02eu, um buscador,
47:03me financiava pelo pessoal que pagava
47:05para se encontrar a palavra-chave,
47:08comprar uma palavra,
47:09ou para aparecer na ordem de busca,
47:11ou o que for,
47:12se isso agora vai viajar,
47:13esse tipo de modelo fica fraco,
47:16eu não sei qual é o modelo atual,
47:17mas, quer dizer,
47:18se você tem um sítio na internet que ganhava,
47:20porque tinha visitas,
47:22se as visitas vinham pelo buscador,
47:24e se o buscador agora fará a resposta automática por IA,
47:28não te manda mais como referência básica,
47:30de onde você vai tirar seu sustento?
47:32Então, essas coisas podem mudar rapidamente.
47:35Você sabe que eu usei...
47:37Nem te falei isso.
47:38Eu fiz um prefácio de um livro de um jurista dinamarquês.
47:41Marquês.
47:43Marquês.
47:43As coisas, né?
47:44Perfeito.
47:46Do Jacob McChangama,
47:48que é um cara que trabalha com liberdade de expressão,
47:52mas é um trabalho muito bonito,
47:53porque ele vai analisando casos
47:56desde a época de Sócrates,
47:58em várias culturas diferentes,
48:00culturas exóticas, enfim.
48:02E lá, no prefácio,
48:04eu citei uma frase que você falou uma vez
48:06numa audiência na Câmara,
48:08e que ninguém entendeu,
48:09que a internet é como se fosse um espelho da sociedade.
48:13Quando você olha no espelho,
48:15se você não gosta do que você está vendo no espelho,
48:17não adianta quebrar o espelho.
48:19Você tem que ver o que precisa ser consertado,
48:23se pode ser consertado,
48:25e como pode ser consertado.
48:28Você crê que as pessoas terão essa mentalidade
48:32e assim conseguirão melhorar as coisas mais rápido,
48:36ou ainda estamos naquela ideia
48:38de que o ser humano pode controlar coisas que ele não controla
48:42e as coisas vão piorando?
48:44Bom, primeiro, uma retificação importante aí.
48:46Essa frase é do Vint Cerf,
48:48e ele comentou quando nós mostramos o decálogo do CG
48:51na reunião da Lituânia,
48:53do Iken, há uns tempos atrás.
48:57E estavam se discutindo a internet,
48:59como você impedir que as coisas ruins aconteçam,
49:02você vê coisas horríveis na internet.
49:04E ele usou exatamente essa imagem,
49:05que eu acho muito perfeita,
49:06quer dizer, a internet espelha o que nós somos.
49:08Você tem fraude na internet,
49:09porque tem pessoas fraudando.
49:10Você tem coisas inadequadas para menores,
49:13porque tem coisas gerando isso.
49:14Não é a internet em si que os gera.
49:16Então, ele falou isso.
49:17Se você olha...
49:18A internet é o espelho da sociedade,
49:19é o que você disse.
49:20Se você olha para a internet e não gosta,
49:22quebrar o espelho não vai resolver nada.
49:23Então, tem que usar o espelho para descobrir
49:25os problemas e resolver os problemas em si.
49:28Um dos pontos do decálogo,
49:29para aproveitar a deixa,
49:31é o seguinte,
49:31quer dizer,
49:31você tem que ir atrás dos causadores do problema.
49:35O fato do problema ter sido causado numa sala,
49:38não é obrigatoriamente a culpa da sala.
49:40Eu jamais livro a barra das redes sociais no caso.
49:44Mas você tem que saber que,
49:45por exemplo,
49:45se uma menina faleceu tomando desodorante,
49:49porque havia um desafio sobre isso,
49:51algum espírito perverso bolou isso.
49:53Se isso estava pela rede ou não estava pela rede,
49:55claro que a rede podia ajudar e não colocar e tal,
49:57mas você tem que ir atrás do verdadeiro culpado,
50:00porque enquanto houver um cara solto
50:02fazendo esse tipo de bobagem,
50:03o resto do pessoal sofre com isso.
50:05Então, às vezes a gente tenta evitar
50:07que as coisas ruins aconteçam,
50:09mas as coisas ruins acontecem
50:10sempre tem pessoas mal intencionadas
50:12em qualquer lugar.
50:12Você tem que punir os caras mal intencionados
50:15e não as coisas ruins em si.
50:16Então, quer dizer,
50:17de novo,
50:17eu não estou livrando a barra de ninguém
50:19no meio do caminho,
50:19mas nós temos que saber que,
50:21nos velhos tempos,
50:22o intermediário nem sequer sabia
50:24o que estava transportando.
50:26Ele transportava algo absolutamente,
50:28ainda é assim, no correio.
50:30Se recebe uma carta,
50:30o carteiro não sabe
50:31se a carta está te xingando ou não,
50:33você não vai bater nele
50:34se a carta está te xingando.
50:35Mas alguns intermediários
50:37não só sabem como usam
50:39o conteúdo para melhorar
50:40o seu modelo de negócio
50:41e agora a gente está
50:43obrigando eles a saberem
50:44para poder tomar,
50:45inclusive, providência.
50:46Então, o que antes era vedado,
50:48agora eles,
50:50muito, entre aspas,
50:51ironicamente,
50:52desagradados com isso,
50:53serão obrigados a saber.
50:54Claro que eles sempre quiseram saber
50:56e agora nós estamos
50:56obrigando-os a saber.
50:58Então, hoje,
50:59o intermediário que não sabe
51:00é o bobão da história,
51:02porque o intermediário
51:03teria que saber
51:04para poder agir.
51:05Então, de novo,
51:06acho que a gente está trabalhando
51:07num treco
51:07que tem efeitos colaterais
51:09não previstos
51:11e eu espero que a gente consiga
51:13atravessar isso
51:14sem danos maiores.
51:15É muito complexo, né, Demi?
51:17Porque a gente,
51:17isso que você está falando,
51:18tem que responsabilizar as redes,
51:20elas têm que ver o que...
51:22Tudo que eles querem
51:23é poder ter os nossos dados privados.
51:25Sim, sim,
51:26nós estamos trabalhando ao contrário.
51:27Eu quero que resolvam os problemas,
51:29mas eu não quero
51:29que eles tenham acesso
51:30à minha privacidade.
51:32É isso, concordo.
51:32Então, esse é o problema.
51:33A gente está dando,
51:34eventualmente,
51:35soluções ao contrário,
51:35que vão gerar efeito colateral
51:37pior que o normal.
51:38Ao dar a eles autonomia
51:39de decidir, por exemplo,
51:40o que é certo e errado,
51:41o que é verdadeiro e falso,
51:42é claro que tem coisas óbvias,
51:43não vão entrar em coisas óbvias,
51:44mas eu estou dando um poder
51:46que eles não tinham.
51:47Imagina eu dizer
51:47para a carteira,
51:48não, você só me entrega a carta
51:49se for positiva,
51:51se for negativa,
51:51você joga no lixo.
51:52Bom, não sei se é uma boa ideia.
51:54Imagina, às vezes,
51:55a telefonia só deve completar
51:56a ligação se o cara
51:57não for me xingar.
51:58Se ele for me xingar,
51:59ele não completa a ligação.
52:01De novo,
52:01eu não estou dizendo
52:02que não há responsabilização
52:04importante de plataformas,
52:05mas se não fizermos isso direito,
52:06nós vamos fazer
52:07o contrário do que queremos.
52:08Vamos dar mais poder
52:09a quem já tem
52:10um poder econômico enorme
52:11e vamos tornar a coisa
52:13bem mais frágil
52:14do que já é hoje.
52:16Demi,
52:16para a gente terminar,
52:18como que a visão
52:19que você tem
52:22desse mundo agora
52:23comparada à visão
52:25que você tinha
52:26da transformação
52:28que a internet traria?
52:30O que você vê
52:31na realidade agora
52:32é o que você pensava
52:34que veria
52:35quando teve essa ideia
52:36de não,
52:36vamos botar os caras
52:37aqui do Brasil
52:38na internet?
52:38Então, veja,
52:41primeiro,
52:41certamente a gente
52:42não tinha ideia
52:42do que ia acontecer
52:43com a internet
52:43quando a gente começou
52:44a trabalhar com redes.
52:45Mas eu sou partidário
52:46da ideia, digamos,
52:47libertária original
52:48de que a internet
52:49tem que ser mantida
52:51independente,
52:51sem uma chave de desliga,
52:53sem um centro
52:53de controle específico,
52:54porque a internet
52:55é um ambiente
52:56onde as pessoas
52:57se expressam
52:58e, na verdade,
52:59ao permitirmos,
53:00a internet ao permitir
53:01a expressão
53:02de todo mundo
53:02com total,
53:04digamos,
53:04abertura,
53:05mostrou o que o Vintzer
53:07falou,
53:07que você comentou,
53:08o que a sociedade
53:09tem em si,
53:10quer dizer,
53:10aquilo que estava encoberto
53:11deixa de estar encoberto
53:13porque a internet
53:13permite que todos
53:14se expressam.
53:15Então, de novo,
53:16a ideia não é impedir
53:17que se expressem,
53:18a ideia é que
53:18você use a expressão
53:20para tentar educar
53:20as pessoas,
53:21primeiro,
53:22a não cair em fraudes,
53:23não cair em armarias,
53:24segundo,
53:24não se comportar
53:25inadequadamente,
53:26quer dizer,
53:26nós temos que recuperar
53:27ética e moral
53:28no indivíduo,
53:29eu acho certamente
53:30a rede pode ajudar nisso,
53:31eu acho que o grande
53:33mérito dela é ter dado
53:33voz a todo mundo,
53:35mas ao dar voz
53:35a todo mundo
53:36gerou uma certa
53:36cacofonia,
53:38deu voz inclusive
53:39a pessoas que
53:40eventualmente
53:40não vão para o lado
53:42decente da coisa,
53:43mas em suma,
53:44isso é um fato da vida,
53:45isso já foi,
53:47a caixa de Pandora abriu,
53:49os espíritos estão
53:50todos soltos por aí,
53:51então espero que a gente
53:52consiga de alguma forma
53:53avançar aproveitando
53:54as partes positivas
53:55que a gente nos trouxe
53:56e de alguma forma
53:57não perder
53:58o que há
53:59de conceito ético
54:01e moral
54:01que a humanidade criou,
54:03como você falou,
54:03desde Sócrates,
54:04desde os antigos,
54:05tem que preservar isso
54:06de alguma forma.
54:07Demi,
54:08muito obrigada,
54:08viu,
54:09por ter vindo,
54:10muito obrigada,
54:11uma honra muito grande,
54:12recebemos aqui
54:14Demi Ghetico,
54:15meu amigo querido,
54:17pai da internet brasileira,
54:19um doze,
54:19o homem,
54:20um doze,
54:21ele fala um doze,
54:21claro,
54:22tem um bom jeito aí.
54:23Olha,
54:23ele é o homem que ensinou
54:24meu filho a gostar de ópera,
54:26eu sou eternamente grata,
54:27salvou o meu filho do funk.
54:30Ótimo.
54:31Então,
54:32Demi,
54:33quero agradecer demais
54:34você ter vindo,
54:35eu tenho certeza
54:35que vocês aí em casa
54:37gostaram bastante,
54:38começaram a refletir
54:40sobre coisas
54:41que passam batidas
54:42no debate público
54:43sobre a internet,
54:44mas que são
54:44muito interessantes,
54:46que merecem
54:46a sua atenção.
54:47Hoje eu vou ficando
54:48por aqui,
54:49a gente está de volta
54:50com o Lado A,
54:51na próxima quarta-feira,
54:53oito horas da noite,
54:54não esquece
54:55de se inscrever
54:56e clicar no sininho
54:58para você receber
54:59a notificação.
55:01Beijo para vocês
55:02e até semana que vem.
55:03E vamos ficando
55:04por aqui.
55:05Mas,
55:06se prepare,
55:07na semana que vem
55:08vamos receber
55:09a psicóloga
55:10Ida Stanfater.
55:11E lembre-se
55:12do nosso horário, hein?
55:13Agora é
55:14quartas-feiras,
55:15às oito horas da noite,
55:17pouco depois
55:17do Papo Antagonista.
55:19Esperamos você lá.
55:24Tchau.
55:30Tchau.
55:35Tchau.
55:36Tchau.
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