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O programa Morning Show repercute os graves impactos econômicos gerados pela escalada do conflito armado no Oriente Médio. A Guarda Revolucionária do Irã determinou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo global. Essa instabilidade fez com que a cotação internacional do barril da commodity disparasse, ultrapassando a marca dos cem dólares. Para traduzir os reflexos dessa crise internacional para a realidade nacional, a bancada recebeu o professor de Relações Internacionais, Manuel Furriela.

Assista ao Morning Show completo: https://www.youtube.com/live/f4ubYsVs0-s

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Transcrição
00:00De longe, esse conflito já começa a preocupar produtores rurais no Brasil.
00:05Consequentemente, isso pode chegar no nosso bolso.
00:08Entidades do agronegócio estão alertando que essa instabilidade pode afetar a oferta do diesel.
00:16O petróleo, por lá, o preço, já ultrapassa os 100 dólares por barril.
00:21E quem nos ajuda a entender melhor essa situação, os impactos da guerra do petróleo,
00:26da guerra no petróleo e na bomba de gasolina, que é o que de fato interessa para a gente aqui,
00:31é o professor de Relações Internacionais, Manuel Furriella.
00:35Alegria recebê-lo aqui, bem-vindo ao Morning Show.
00:39Bom dia, professor. Vamos entender melhor, né?
00:41Por que essa situação está tão diretamente relacionada ao agronegócio brasileiro
00:47e, consequentemente, ao preço nosso de todo dia aqui para o consumidor?
00:54Bom dia. Bom, existem duas relações diretas entre essa guerra do Irã
00:59e as questões que envolvem a economia em geral aqui,
01:02pegando mais especificamente na tua pergunta a respeito do agronegócio.
01:06Primeiro que, se houver um abalo nos mercados globais,
01:10se você tiver um efeito envolvendo a absorção dos nossos produtos nos mercados mundiais,
01:18isso impacta os mercados para os quais a gente faz as exportações.
01:22Tem também uma questão de câmbio.
01:24O câmbio, quando há uma depreciação do real,
01:28quando você tem uma valorização do dólar,
01:32quanto mais alta a cotação do dólar, do euro, mas principalmente do dólar,
01:37também você tem um favorecimento a respeito dos produtos que a gente exporta.
01:42A gente tem ganhos.
01:43E nesses movimentos que a gente acompanha mundo afora, os efeitos podem ser ruins.
01:48Agora, mais especificamente a respeito do frete,
01:51do combustível utilizado nos transportes, nos caminhões, o diesel, que você mencionou.
01:56Se houver um aumento muito expressivo no preço internacional do barril do petróleo,
02:01por muito tempo, haverá, consequentemente, uma elevação desse tipo de preço aqui no Brasil.
02:08Aqui lembrando que a maior parte da carga que o Brasil utiliza,
02:14o transporte que utiliza para carga no Brasil, é por caminhões.
02:18O Brasil ainda utiliza em larga escala os caminhões.
02:22Então, a ferrovia, hidrovia, outros modais,
02:25eles têm pouco a representatividade no transporte geral de cargas no Brasil.
02:32Então, é o caminhão mesmo que transporta as cargas para o abastecimento do mercado interno brasileiro,
02:39das grandes cidades e para as exportações.
02:42Então, uma alteração muito grande, e repito, por longo período,
02:46no preço do barril do petróleo, vai representar aumento de combustíveis no Brasil,
02:52portanto, aumento do diesel, aumento do frete, aumento do preço dos alimentos,
02:56já que o preço do transporte, o frete, é muito representativo aqui no país.
03:03Professor, e é interessante a gente perceber que essa variação tão grande de preços,
03:08ela acontece não exatamente pelo lucro, mas também pela especulação.
03:13Queria que o senhor nos ajudasse a entender como é que uma produção de um barril
03:17que chega ali na região do Irã, na região explosiva da guerra,
03:21custando 3 a 5 dólares, passa por uma variação tão grande e ultrapassa os 100 dólares.
03:28É por causa da commodity? É o risco de guerra?
03:31O que acontece com tanta diferença de preço?
03:36Bom, a gente tem dois movimentos.
03:38Um, propriamente, é o especulativo.
03:41Os especuladores, os investidores, que têm ganhos
03:46quando existe movimentação abrupta de preços,
03:49como é o caso do preço do petróleo,
03:50eles se aproveitam desses momentos, obviamente, para realizar melhores resultados.
03:55Então, você tem expectativas, especulações que geram aumento de preços.
04:01Geralmente, quando há uma estabilização do mercado,
04:04o preço recua ao valor real.
04:06E você tem, em outros momentos,
04:09provavelmente não vai ser o que a gente vai ter agora ainda bem,
04:12onde você muda propriamente a régua de preços.
04:15Então, a gente teve isso, historicamente, em dois grandes momentos.
04:19Em 1973 e em 1979,
04:22quando os grandes exportadores de petróleo,
04:25principalmente representados pelo PEP,
04:28que é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo,
04:31eles resolveram mexer na quantidade produzida
04:34para que o preço do barril ficasse mais elevado.
04:38Então, houve uma quintuplicação,
04:41só para vocês terem uma ideia,
04:42que o preço subiu em 1973 para um preço cinco, quase seis vezes maior.
04:47E ali ficou.
04:48Então, mudou a régua, mudou o preço, mudou o paradigma.
04:53Em 1979, em menor escala, também houve esse movimento.
04:57Então, esses movimentos sólidos pretendem o quê?
05:00Aumentar o preço propriamente do barril
05:04para que os grandes exportadores tenham ganhos maiores.
05:07O que a gente está tendo agora, neste momento em específico,
05:10é uma guerra, um conflito,
05:13envolvendo duas grandes situações.
05:15Uma, que é um Estado, um país,
05:18que tem enormes reservas de petróleo,
05:21que é o caso do Irã,
05:22que mesmo estando sob sanções internacionais,
05:25ele ainda abastece vários mercados.
05:28E muitos alegam até que, ilegalmente,
05:31mas, de qualquer forma, ele tem petróleo no mercado
05:34e agora ele vai ter que tirar do mercado,
05:37ele não vai continuar abastecendo.
05:38Então, você já tem impacto.
05:39E o outro que é o mais importante é que
05:41o Irã, ele conduz um dos lados do Estreito de Hormuz.
05:46Então, você tem ali pelo Estreito de Hormuz,
05:49trafegam grandes petroleiros
05:53que representam cerca de 20% da exportação mundial.
05:57Então, saem da Arábia Saudita,
05:59Emirados Árabes Unidos, Omanha, etc.
06:01Então, países ali da região transitam,
06:06trafegam os seus grandes petroleiros
06:09para abastecer grandes mercados.
06:11E o Irã, ele está criando dificuldades
06:14para o trânsito dos petroleiros.
06:16Ele, aliás, na verdade, gostaria até de impedir
06:19por completo o trânsito.
06:20Então, você tem dois problemas de abastecimento.
06:24Um do próprio Irã e o outro que é
06:26desses 20% para os mercados globais de exportação,
06:30por conta dele estar impedindo,
06:32ou pelo menos tentando impedir,
06:34o trânsito desses grandes petroleiros
06:37que representam 20% da exportação mundial.
06:39Então, essa é a grande mexida.
06:42O ponto é que não é algo a longo prazo.
06:45A gente espera, conforme a mudança
06:47de paradigmas anteriores que eu mencionei.
06:50O que você tem é um ato de guerra do Irã
06:52tentando prejudicar as economias centrais,
06:55já que ele não tem condições de combater
06:59ou de entrar num combate direto
07:01com Estados Unidos e Israel
07:03da forma que gostaria.
07:05Então, ele cria atos de sabotagem.
07:06O deles é esse.
07:08Professor, bom dia.
07:09Matheus aqui.
07:11Eu ia fazer uma outra pergunta,
07:12mas como o senhor citou aí o Estreito de Hormuz,
07:15e a semana passada o governo do Irã
07:17deu uma declaração,
07:19aparentemente sinalizando uma boa vontade
07:21com aqueles que seriam seus teóricos aliados,
07:23ou aqueles que não tivessem se posicionado
07:25a favor dos Estados Unidos,
07:27dizendo que poderia permitir
07:28que os navios passassem ali pelo estreito
07:31e que ele não iria fazer algum tipo de intervenção.
07:34Hoje, considerando a posição do governo brasileiro,
07:37o senhor acredita,
07:38embora a gente não se beneficie tanto desse estreito,
07:41mas o senhor entende como sendo uma posição positiva,
07:45ou o senhor acredita que o governo brasileiro
07:47pode sim colher alguns resultados negativos
07:50desse posicionamento um pouco crítico aos Estados Unidos
07:53e favorável ao Irã?
07:56Bom, primeiramente,
07:58o que você tem ali na região?
08:00A gente acha que esses países todos
08:02fazem parte do mundo árabe.
08:04O Irã é um país persa,
08:06é outro povo,
08:07é outra construção histórica
08:08completamente diversa.
08:10O que eles têm todos ali
08:12são dois tipos de grandes identidades.
08:14Uma regional,
08:15estão todos no Oriente Médio,
08:16então você tem uma questão
08:18de localização geográfica,
08:19como nós temos aqui
08:20os nossos vizinhos da América do Sul.
08:23Então você tem algum nível de identidade
08:25entre vários deles,
08:26e principalmente da identidade religiosa
08:28por causa do islamismo.
08:29E, inclusive,
08:32os ayatollahs,
08:33os grandes líderes políticos e religiosos do Irã,
08:36eles se entendem também
08:37grandes representantes do islamismo
08:39para aquela região inteira,
08:41e não somente para o Irã.
08:42Então você tem algum nível
08:44de identidade com parte daqueles países.
08:47E aí você tem outras questões
08:49que são disputas,
08:51adversidades,
08:51conforme o Irã teve por muitos anos
08:53com a Arábia Saudita.
08:54Então, o discurso do Irã,
08:57ele vai ter que sempre ser
08:59também ali tentando conseguir
09:01a adesão daqueles países vizinhos
09:03à sua tese de que ele está sendo atacado
09:06pelos Estados Unidos e por Israel
09:08sem que haja uma autorização
09:11da Organização das Nações Unidas.
09:15Ou seja, ele está dizendo
09:16que é ilegal o ataque que eles sofrem
09:17e que eles têm que estar juntos com ele.
09:20Por outro lado,
09:21o que ele tem feito?
09:22Ele faz um jogo duplo.
09:23Ele ataca também
09:25algumas instalações militares
09:27nos países vizinhos
09:28e impede, ou tenta impedir,
09:30melhor dizendo,
09:31esse trânsito de petroleiros
09:33no Estreito de Hormuz,
09:34porque ele sabe que é uma forma
09:36de atacar também
09:38Estados Unidos e Israel
09:39e os mercados globais.
09:40Porque ele não tem,
09:42propriamente, como...
09:46Professor, a gente teve um problema
09:48no sinal do professor,
09:50professor Manuel Furriella.
09:52Professor de Relações Internacionais
09:55na FMU aqui em São Paulo.
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