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Transcrição
00:00Olá, Antagonistas, reportagem exclusiva para vocês.
00:04A relatora da ONU sobre violência contra mulheres está aqui no Brasil
00:09e eu vim fazer a cobertura desse evento.
00:13Daqui a pouquinho, uma entrevista com ela
00:16falando sobre as principais violações dos direitos das mulheres no Brasil.
00:21E também a gente ouviu outras mulheres brasileiras que vieram para esse evento.
00:32O governo Lula cancelou a visita oficial da relatora da ONU
00:39sobre violência contra mulheres e meninas, RIM al-Salem, ao Brasil.
00:45Ela está aqui numa outra condição, que se chama visita acadêmica.
00:52A ONG Mátria, que atua na defesa das mulheres, ajudou a organizar essa visita.
00:58Agora eu estou aqui com a Clarice Saad, que é da Mátria,
01:02a associação que trouxe a RIM aqui ao Brasil.
01:06Clarice, qual é essa história da vinda dela?
01:08Porque é o seguinte, era para ter vindo uma visita oficial, né?
01:15Dessa relatoria que se posiciona contra a violência contra as mulheres no mundo inteiro.
01:21Faz o quê? Uns dois anos.
01:23Eu ia cobrir tudo e no fim não aconteceu.
01:26Qual que é essa história?
01:27Na verdade, a RIM teve duas visitas oficiais ao Brasil desmarcadas.
01:34Uma que teria sido durante o governo Bolsonaro, ela mesma acabou desmarcando.
01:38E a segunda, que ia acontecer no segundo semestre de 2023, já no governo Lula,
01:43foi desmarcada pelo governo, sem explicação nenhuma, poucos dias antes da chegada dela.
01:49Nós insistimos muito junto ao Ministério das Mulheres, pedindo motivos para esse cancelamento,
01:55perguntando quando que eles iam remarcar, até que vazou um áudio da então assessora da Cida Gonçalves,
02:03que era ministra das mulheres à época, dizendo que desmarcaram a visita da RIM ao Salema ao Brasil,
02:09adiaram indefinidamente, segundo ela dizia no áudio,
02:12porque representantes da ANTRA teriam mostrado para a ministra tweets da relatora,
02:18que, segundo eles, sob o disfarce da liberdade de expressão, seriam transformos.
02:23Então, era uma missão que era muito importante.
02:27A relatora vinha para falar, em especial, sobre a revogação da lei da alienação parental,
02:31e acabou cancelada por esse motivo totalmente absurdo,
02:35e que sequer diz respeito aos direitos das mulheres.
02:38E agora ela veio numa espécie de pesquisa acadêmica que ela está fazendo.
02:44Chama Visita Acadêmica.
02:45Vocês estão apoiando. O que foi mostrado para ela? O que está sendo mostrado?
02:51Que mulheres irão falar?
02:53A gente organizou aqui pela ANTRA um dia inteiro de encontros com a sociedade civil.
02:59Ela falou com muitos perfis diferentes, com mulheres que trabalham contra o tráfico de crianças para exploração sexual.
03:07Ela falou com mulheres em situação de prostituição, mulheres indígenas,
03:11mulheres que lutam não só contra a revogação da lei da alienação parental,
03:14mas toda a violência do judiciário contra mulheres.
03:18Falou-se de casamento infantil.
03:21Mulheres indígenas vieram falar, mulheres lésbicas, grupos que estão atuando contra o feminicídio.
03:27Então, foi uma diversidade bem grande.
03:30Demos a ela um panorama, na verdade, da situação das mulheres no Brasil.
03:34A relatora me disse que as mulheres aqui no Brasil têm muita dificuldade em discutir
03:40espaços seguros só para o sexo feminino e questões relacionadas ao sexo feminino.
03:48Essa experiência internacional, eu acho que é bom para a gente ver que em países civilizados,
03:54isso é levado em conta também, né?
03:57É, com certeza.
03:58E a gente, enquanto o Mátria, surgiu justamente para encarar o desafio de pautar esse tema que está tão silenciado.
04:07Não porque a gente quisesse muito estar aqui falando disso, a gente preferia estar lutando contra todas essas outras mazelas,
04:13né?
04:14Que acometem as mulheres, mas porque a gente entende que esse problema está muito na base.
04:19Que se a gente perder a definição de mulher com base no sexo, não vai ser possível lutar por políticas
04:24públicas específicas para a mulher,
04:26não vai ser possível denunciar certos abusos, né?
04:28Lutar contra certas violências e realmente aqui no Brasil está insuportável a situação de silenciamento e criminalização das mulheres
04:36usando uma decisão do STF que sequer transitou em julgado, fazendo uma equivalência entre o que eles chamaram de homotransfobia,
04:43o que a gente entende de serem duas coisas completamente diferentes, com a lei do racismo.
04:48Isso está sendo usado para criminalizar mulheres que twittaram, às vezes, coisas do tipo um vídeo explicando a famosa frase
04:55da Simone de Beauvoir.
04:56Isso está acontecendo, é real, mulheres que estão encarando possíveis penas de prisão por isso.
05:01Então, sim, a experiência internacional é muito importante, ela mostra que uma série de políticas que o Brasil está implementando
05:10já não deram certo em outros países, são prejudiciais a mulheres, meninas, lésbicas, todos os grupos.
05:17E a gente espera que a RIM aqui no Brasil consiga trazer um pouco para o debate público essa questão,
05:24porque está muito complicado para a gente.
05:26Muito obrigada, parabéns aí pela iniciativa.
05:29Obrigada.
05:30Agora que você já tem o contexto dessa visita, que é muito importante, sabe da tensão dos bastidores,
05:40eu vou trazer para vocês a minha entrevista exclusiva aqui para o Antagonista,
05:47com a RIM Al-Salem, jordaniana, que desde 2021 é a relatora especial da ONU sobre violência contra meninas e
05:58mulheres.
05:59Essa entrevista me foi concedida no último domingo, dia 1º de março de 2026,
06:06em um evento aqui em São Paulo, que faz parte dessa visita acadêmica.
06:12Antagonistas, eu vou perguntar a ela o que ela viu até agora de mais importante no Brasil com relação aos
06:19direitos das mulheres.
06:21Eu também estou muito feliz de conhecê-la.
06:24Sim, sim.
06:25E o que você já disse até agora sobre os direitos das mulheres aqui no Brasil que te atingem ou
06:33preocupam?
06:34O que são os principais pontos?
06:35Então, primeiro, eu quero fazer isso muito claro que estou aqui em uma visita acadêmica,
06:41então eu fui convidada pela organização civil, mas também pela universidade, para oferecer uma conversa acadêmica.
06:49Então, isso não é uma visita de país, como eu não estou visitando o Brasil,
06:54para olhar para a situação de mulheres e mulheres e para apresentar uma reportagem.
07:01Eu queria fazer isso há alguns anos atrás, o governo de Brasil tinha aprovado,
07:05a country visit, e então foi cancelado, mas, como parte de uma visita acadêmica,
07:13eu também me encontrei com mulheres organizações, ou vítimas, survivors de violência.
07:22Então, hoje, eu tive a chance de fazer isso em São Paulo.
07:26Of course, é um segmento de mulheres e mulheres, mas ainda muito representante.
07:31Então, eu posso te contar sobre os problemas que eles levantaram comigo.
07:35Há pessoas que têm chegado em suas comunidades.
07:37Há pessoas que têm falado sobre o Estado de violência que elas sofrem
07:40em suas comunidades ou pessoas de pessoas fora do país.
07:46Há pessoas que têm falado sobre as persoas de mulheres,
07:52que têm que serão as necessidades, as vezes as pessoas que estão em relação às vezes,
07:54são invisíveis, particularmente em políticas, e que eles não têm apoio de apoio e também não têm a capacidade
08:06de realmente necessariamente expressar suas necessidades.
08:09Então, há a questão da falta de habilidade de mulheres que demandam de sexismo, ou que assertam as drogas de
08:22mulheres
08:24para falar freely e também para ter a proteção de sexismo, sejam em esportes, sejam em prisões, e então, e
08:38então,
08:38e então, há a questão, claro, que eu tenho seguido muitas vezes, mulheres que foram harmidas
08:45pela lei de parental alienígena em Brasil, então, eu falo com um grupo deles, e isso é uma questão
08:51que eu tenho seguido há muito tempo, há a questão de filhos que foram sexually expostos,
08:57há a questão de continuidade de casamento em Brasil, que é uma questão que muitos países
09:09lutaram com isso. Então, foi um dia muito interessante, porque eu ouvi de diferentes grupos de mulheres,
09:17também de mulheres negras, que continuam a sofrer de alta discriminação, racismo, também
09:23no meio de interesse. Então, foi um dia muito bom, estou em modo de ouvir, também estou
09:29pesquisando como eu posso ajudar e suportar, e estou muito feliz de estar aqui.
09:35Aida, a gente tem aqui uma visita internacional. No que que isso muda juridicamente na defesa dos direitos das mulheres
09:45aqui no Brasil?
09:46Isso traz para a gente, principalmente, parâmetros internacionais e uma perspectiva internacional
09:52de como essas faltas estão sendo lidadas, analisadas no exterior, e faz uma pressão também política
10:00de trazer uma outra perspectiva para os direitos das mulheres que têm sido ignorados aqui no Brasil.
10:05Não é uma interferência direta, deixando bem claro, não existe assim, ah, veio alguém do exterior, vai mudar uma lei
10:13aqui.
10:14Mas é algo que diz muito sobre como outros países estão lidando com a proteção das mulheres e nós não,
10:21né?
10:21Exatamente. Serve principalmente para trazer subsídios para os juízes analisarem como que as consequências jurídicas
10:29afetaram em outros países e podem afetar aqui no Brasil, impedindo que a gente tenha que lidar com essas consequências
10:35concretas
10:35já antecipando um resultado desfavorável para as mulheres.
10:38Muito obrigada, viu, Aida?
10:40De nada.
10:41Quem também passou aqui pelo evento é a Marielle Gomes, da Aliança LGB, que vai conversar com a gente aqui
10:48no Antagonista.
10:49Primeiro, a gente às vezes fica meio perdido, quer muita letra. O que é a Aliança LGB?
10:54Bom, a Aliança LGB é uma organização independente focada na orientação sexual, baseada no sexo, né?
11:02Ou seja, é uma aliança para gays, lésbicas e bissexuais.
11:06A gente não inclui a letra T, né? A transexualidade na nossa sigla, porque a gente entende que são demandas
11:13diferentes.
11:14Uma coisa é orientação sexual, com quem as pessoas vão se relacionar.
11:17Outra coisa é a questão da identidade de gênero, que inclusive temos muitas críticas a esse termo, né?
11:23E ao modo como é conduzido o debate hoje.
11:27Essa é uma aliança que a gente vê surgir em outros países, mas que aqui é algo novo.
11:34Como é que vocês estão sendo recebidos pela sociedade, sobretudo pelos movimentos sociais?
11:40Bom, aí depende de qual parte da sociedade, né? Tivemos as...
11:47No meio LGBT no geral, como é muito cooptado pelos partidos, pelos movimentos partidários de esquerda, recebemos diversos ataques.
11:56Inclusive temos uma nota de moção, uma nota de repúdio contra nós, no site do governo federal, emitida pela pasta
12:04dos direitos humanos.
12:05É uma nota que eles nem falam que eles repudiam a gente. Eles só repudiam a gente e não tem
12:10motivo nenhum.
12:11Mas no geral, entre as gays, lésbicas e bissexuais, que é o público que nós atendemos, né?
12:18Que é quem a gente representa, nós somos muito bem recebidos.
12:21A gente recebe apoio frequentemente de pessoas físicas, de organizações,
12:26pessoas oferecendo ajuda e querendo também somar aí no nosso movimento.
12:30E pra vocês, qual que é a importância dessa relatora da ONU estar vindo aqui pro Brasil,
12:37ainda que não seja uma visita oficial de relatoria da ONU, a importância dela estar aqui?
12:42Bom, infelizmente, LGBTs estão sofrendo uma certa perseguição institucional nos ambientes por serem críticos de gênero, né?
12:55Inclusive isso aconteceu comigo na Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres,
13:01em que eu fui expulsa, descredenciada, sem direito nenhum de defesa, a pedido da ala trans ali.
13:07Inclusive fui atacada lá, fizeram uma manifestação contra mim, mais de 40 travestis em volta de mim
13:13e das minhas companheiras da Aliança LGB e de outros coletivos.
13:17Ficamos extremamente assustadas e não deram nenhum retorno pra gente institucional de segurança.
13:23E as pessoas que estavam à frente dessa manifestação tiveram direito a voto para nos expulsarem dessa conferência.
13:30E nós fizemos essa denúncia formal para a Rin Alsalem, porque eles foram totalmente omissos
13:37e, além de tudo, eles ficaram divulgando imagens de representantes da Aliança LGB em grupos,
13:45nos deixando mais em insegurança ainda, né?
13:48Além de toda a difamação que veio com essas questões.
13:51E não é só lésbicas que estão sendo expulsas dos locais.
13:55Teve também um grupo de apoiadores, né?
13:58Que estavam em outra Conferência Nacional de Políticas Públicas LGBTQIA+,
14:05em que eles também foram expulsos por estarem colhendo assinaturas a favor da Aliança LGB.
14:12Então, nós denunciamos uma violência institucional, a perseguição institucional e omissão do Estado, né?
14:20Diante dessa censura do debate que tem ocorrido no Brasil, né?
14:24Em relação a políticas de identidade de gênero, né?
14:27E, principalmente, as pessoas que são críticas a algumas políticas voltadas para esse tema.
14:34Marielle, muito obrigada pela entrevista aqui pro Antagonista. Uma boa tarde pra você.
14:38Boa tarde, pessoal. Obrigada por escutarem.
14:40O governo Lula, além de cancelar a visita oficial ao Brasil da relatora da ONU sobre violência contra mulheres e
14:51meninas,
14:52RIM al-Salem não tinha nenhuma agenda oficial com ela e nem extraoficial até o momento em que ela chegou
15:03ao Brasil.
15:04As agendas com autoridades de primeiro escalão, no contexto dessa visita acadêmica, que não é uma visita oficial da relatoria
15:14ao país,
15:15eram com a senadora Damares Alves e, talvez, com a ministra Carmem Lúcia.
15:22Gostou? Deixa o seu comentário aqui pra mim.
15:26Não esquece de deixar o seu like.
15:28Inscreva-se no canal, porque vem muita novidade por aí.
15:45Tchau.
15:46Tchau.
15:46Tchau.
15:47Tchau.
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