00:00Gente, o pós-carnaval acende um alerta para a saúde sexual, já que muitas infecções sexualmente transmissíveis,
00:09as ISTs, podem evoluir sem sintomas, principalmente entre os jovens.
00:15Ou a pessoa está até sentindo alguma coisa, mas não acende o alerta, não procura ajuda médica.
00:20Dados da Secretaria da Saúde do Espírito Santo mostram que os casos de sífilis, por exemplo, têm crescido.
00:27Só em 2025 foram registrados 4 mil casos, passaram dos 4 mil registros no ano passado.
00:35E o perigo é justamente o silêncio das doenças, dessas infecções que muitas vezes chegam sem sintomas.
00:43Então hoje a gente vai falar sobre as ISTs mais comuns, prevenção, testagem gratuita.
00:49Você aí de casa e sabia que tem teste gratuito para essas infecções sexualmente transmissíveis?
00:54No sistema público de saúde, é fácil, é rápido.
00:58Deixa eu conversar aqui com a doutora Simone Tosi, médica infectologista.
01:01Bom dia, doutora.
01:02Bom dia.
01:03Bem-vinda, bom demais ter você por aqui.
01:06A gente está falando IST, né?
01:09Infecções sexualmente transmissíveis, mas antes era diferente.
01:12Era DST.
01:13Por que houve essa mudança, Simone?
01:15E mais antigamente ainda, doenças venérias, né?
01:18Porque era realmente uma citação a Deusa Vênus.
01:22Mas então, a diferença é porque hoje se sabe que muitas dessas infecções, elas não manifestam ou demoram a se
01:31manifestar, o que é pior.
01:33Então enquanto a pessoa está infectada, ela está transmitindo o micro-organismo e ela pode sim, mais tarde na vida,
01:41colher frutos graves, como a gente vê.
01:44Hoje, e vê pacientes internados ainda com AIDS, com sequelas, sífilis, a sífilis congênita ainda muito prevalente no nosso país.
01:56Por quê?
01:57Apesar de ser uma doença, algumas doenças dessas terem cura, terem tratamento eficaz e diagnóstico rápido, a gente continua transmitindo
02:06porque a gente não sabe que tem.
02:08E mesmo quem sabe, às vezes, que tem infecção, não usa o preservativo ou não se trata.
02:15Pois é.
02:16Depois do período do carnaval, é comum que observe-se um aumento dessas infecções?
02:22Sim.
02:22Ou as pessoas passam a testar mais?
02:24Como é que é isso?
02:25As duas... a gente entende que é as duas coisas.
02:28Como já se... há muito tempo a gente sabe que aumenta no carnaval.
02:31Então, a gente começa a fazer campanha, oferecer mais tratamento.
02:35Quando eu falo, a gente, os profissionais da área de saúde, também os órgãos públicos, e as pessoas se mobilizam
02:42um pouco mais.
02:43Acreditamos que sim.
02:44Mas vale a pena lembrar, Bruna, que a maior parte, até mesmo a sífilis, muitas vezes é subnotificada.
02:50A infecção por clamídia é difícil o diagnóstico.
02:53Muitas vezes se trata empírico.
02:54E são doenças de alta incidência, sobretudo na população jovem e nos adolescentes.
03:01Como hoje tem métodos anticoncepcionais, as pessoas se preocupam menos com as infecções, evitam o filho, mas contraem doenças, que
03:10são doenças que vão evoluir sim.
03:13Consegue, por exemplo, no caso da mulher, a DIPA, que é a doença infecciosa pélvica, que o que acontece?
03:20Sequela até mesmo com esterilidade no futuro, com gravidez ectópica.
03:26Então, assim, a sífilis pode causar neurosífilis com sequelas no cérebro.
03:30E o próprio HIV, que ainda assim, apesar da gente ter hoje o esquema PrEP, que é o esquema que
03:37você toma se você tem um comportamento de risco,
03:40você pode tomar continuamente, tem na rede pública, é de fácil acesso.
03:46Nós temos também o PEP, que é pós-exposição, que também é só procurar um serviço de saúde,
03:51se você teve alguma exposição que você considera de risco, procurar que você vai ser orientado.
03:56Eu estou olhando aqui os dados da Secretaria de Saúde, casos confirmados de ISTs em jovens de 13 a 29
04:03anos.
04:04Falando da sífilis, em 2024, 3.130 casos, em 2025, 4.048 casos.
04:12Um aumento significativo, está subindo.
04:16Falando da sífilis, o que caracteriza a sífilis, doutora?
04:20Importante a pergunta, porque assim, sífilis, gente, ao contrário do que a gente pensa, não tem classe social, não tem
04:26cor,
04:27circula, a gente tem no consultório particular, a gente tem no serviço público a pessoa interna com complicação.
04:33Então, assim, é importante lembrar que quando se adquire a sífilis, muitas vezes, que é a sífilis primária,
04:38ela passa totalmente despercebida, sobretudo nas mulheres, porque a úlcera pode estar na vagina ou no colo de útero.
04:45Você não vê?
04:46Você não vê, mas todavia você está transmitindo.
04:50E o que é pior, você depois pode ter uma sífilis secundária, que são essas manchas no corpo,
04:55e mais tarde, ter outras complicações e até, né, que a gente sabe, da sífilis congênita,
05:02que causa sequelas para a criança para o resto da vida.
05:06Pois é, agora, falando, a gente falou da sífilis, que outra doença vocês vêm observando?
05:13É, esse aumento, né, nos atendimentos pós-carnaval.
05:18Infecções, né, eu falando dessas novamente.
05:21Isso, é, as infecções sexualmente transmissíveis.
05:22Então, assim, as uretrites, né, então, que é causada pela gonorréa, pela clamídia,
05:27que é aquela queimação na hora de, não só na hora de fazer xixi, às vezes ela acontece independente disso.
05:33No homem é mais fácil de observar, às vezes, aquela secreção na cueca pela manhã.
05:37Isso é algo comum e pode causar esterilidade, tanto no homem quanto na mulher.
05:43Isso é um alerta importante e é altamente transmissível.
05:47Quando que a pessoa tem que procurar uma testagem?
05:51A gente fala sempre.
05:52A gente fala sempre, a gente fala isso no consultório.
05:55Sempre por quê?
05:57Porque se você tem alguma exposição que você acha que, mesmo que você tenha um parceiro fixo,
06:03mas que você não sabe, um parceiro ou uma parceira, você não sabe se você é fixo dela, você deve
06:09fazer.
06:09E outra coisa, gente, às vezes, ah, eu nunca tive relação sexual, mas aquela pessoa já teve.
06:15E mesmo que ela, na melhor das intenções, né, ela hoje em dia não tem outra pessoa,
06:21mas ela pode ter tido.
06:22Então, não é uma questão de intencionalidade.
06:25A pessoa pode estar infectada e não saber.
06:28Então, é muito importante que o exame seja feito.
06:31Sempre.
06:32A gente tem hoje uma das três, né, da meta da Organização Mundial de Saúde
06:37para eliminar a transmissão de HIV, ou seja, porque hoje a gente não transmite
06:41se está com a carga viral indetectável.
06:43Mas como vai conseguir isso?
06:45Testando todo mundo, oferecendo tratamento para todo mundo que tem HIV
06:49e garantindo que as pessoas tomem a medicação.
06:53Isso faz muita diferença.
06:55A partir do momento que você está com a carga viral indetectável,
06:57você não transmite HIV, nem para a criança, nem para a pessoa que você ama, nem para ninguém.
07:04Olha só que importante.
07:05Muito.
07:06Doutora, ainda voltando, falando da sífilis, desse aumento,
07:10a gente consegue atribuir alguma coisa, esse aumento das infecções entre os jovens?
07:16Não só da sífilis, né?
07:18De outras infecções também.
07:19A gente sabe que o comportamento do jovem, habitualmente, é um pouco mais descomprometido, né?
07:24É um pouco inerente à idade, mas a gente vê...
07:27Será que ele não vai acontecer comigo também?
07:28Então, às vezes, até por ter o uso de anticoncepcional, que hoje o acesso é mais fácil também,
07:34a pessoa despreocupa.
07:36E a mulher, sobretudo, né?
07:38Ela, às vezes, essa coisa do intencional, do amor, do carinho, da dedicação, da entrega.
07:43E a mulher, ela é mais propícia a se infectar.
07:47Porque a mucosa vaginal, ela é mais extensa do que a mucosa do homem, né?
07:52Que é a área ali de maior risco.
07:53E ela, habitualmente, é a receptora.
07:56Então, o sêmen, a secreção, fica ali mais tempo.
07:59Então, fica um alerta aí na semana, né?
08:03Quase no Dia Internacional da Mulher.
08:05O alerta para que as mulheres se cuidem, usem o preservativo feminino e testem.
08:10E testem os seus parceiros, levem o centro de testagem e avaliação sorológica.
08:14Eles têm, assim, um atendimento é muito bom.
08:17É um atendimento rápido.
08:18Você faz o teste rápido na hora.
08:20O teste rápido tem uma sensibilidade muito boa.
08:22Então, a gente estimula muito.
08:24Não preocupa tanto com o período de janela.
08:26Mesmo para o HIV, hoje, a maioria dos testes do período de janela está em torno de 15 dias.
08:31Então, procure.
08:32Faça a testagem.
08:34Tem tratamento, mesmo para doenças que não têm cura, como o HIV.
08:37E a grande maioria, que são as infecções bacterianas, a gente tem tratamento e é rápido.
08:42Qualquer pronto atendimento, eu vou ter a testagem ou é em local específico?
08:45A locais específicos.
08:46Perfeito.
08:47Não é em qualquer pronto atendimento, a função do pronto atendimento é cuidar de pessoas
08:51doenças, mas os CTAs.
08:53Então, por exemplo, aqui em Vitória, o Parque Moscoso, você pode ir lá e você vai ter
08:57testagem.
08:57Olha só, pertinho da gente.
09:00Obrigada, doutora Simone Tosi.
09:01Sempre bom conversar com vocês, esclarecendo, trazendo informações valiosas para a gente.
09:07Até a próxima.
09:08Obrigada a vocês.
09:09Obrigada.
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