- há 12 horas
Especialista alerta para sintomas, prevenção e tratamento.
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NotíciasTranscrição
00:00Pessoal, vamos para o nosso bate-papo do dia, 8 horas 40 minutos.
00:04Você aí de casa já ouviu falar no herpes zóster?
00:08Gente, uma infecção causada pelo vírus da catapora,
00:11uma doença que causa dor intensa, bolhas na pele e que tem crescido do Brasil.
00:17Só para a gente ter uma ideia, em algumas regiões os casos saltaram de pouco mais de 100
00:22para quase mil em menos de um ano.
00:25Muita coisa, né? O crescimento bem expressivo.
00:28E o que chama atenção é que a doença não tenha cometido só idosos,
00:32jovens também estão adoecendo, jovens e adultos.
00:36Mesmo com esse cenário, a vacina mais moderna contra a doença ficou fora do SUS.
00:42Só está disponível na rede privada e custa caro, viu gente?
00:46Para ajudar a entender melhor quais os sinais que a gente deve se atentar,
00:51tratamento, como que a gente pode se proteger.
00:53Vamos conversar com a doutora Ana Carolina de Torres, médica infectologista.
00:59Bom dia, doutora.
01:00Bom dia, obrigada pelo convite.
01:01Bem-vinda, obrigada a você pela presença.
01:04Doutora, o que é exatamente o herpes zóster e qual é a relação com a catapora?
01:08Que a gente logo fica preocupado, né?
01:10É uma doença causada pelo mesmo vírus, tanto a varicela, a catapora, quanto o herpes zóster.
01:15Quando a gente se infecta pela catapora, geralmente lá na primeira infância, o vírus fica incubado na gente.
01:21Ele nunca mais sai do nosso corpo, em algum ponto do nosso sistema nervoso central, né?
01:25Os ossos nervos.
01:26Em uma fase mais tardia da vida, ele volta a se manifestar como o herpes zóster.
01:31Aí tem uma diferença, porque enquanto a catapora está no corpo todo, as lesões,
01:36o zóster tradicionalmente vai acometer o trajeto do nervo.
01:39Por isso que é de um lado do corpo, faz uma faixa, mas é o mesmo vírus, com a mesma característica de lesão.
01:46A gente pode dizer, então, que esse vírus está já no nosso corpo e ele acorda, assim, a gente já adulto.
01:53Por que que isso acontece?
01:55Tradicionalmente acontece, acontecia, né, o que a gente tem de histórico na medicina,
01:59é em pessoas acima de 50 anos, quando acontece um processo de envelhecimento natural do sistema imunológico,
02:05que a gente chama de imunossenescência.
02:07Mas, nos últimos anos, a gente tem observado um pouco a mudança desse padrão.
02:11A gente tem visto em pessoas mais jovens.
02:14Isso tem algumas possibilidades, né?
02:17A principal que eu levanto é o impacto da vida moderna sobre esses jovens.
02:22Por quê?
02:22O estresse crônico, o estresse físico intenso, ou o estresse emocional intenso, também pode baixar a imunidade.
02:29Então, cada vez mais a gente vê nesse jovem, que não tem nenhuma outra doença,
02:32que justifique a baixa imunidade, aparecer com o herpes zóster.
02:36Quais são os primeiros sinais de alerta?
02:38Porque a gente fala herpes, a gente lembra logo o quê?
02:42Do lábio, naquela ferida no lábio.
02:44A gente tá vendo as imagens ali, né, de um tipo de lesão que essa doença pode trazer.
02:50Sempre vai vir assim, com essa lesão?
02:52Quais os sintomas?
02:53É importante diferenciar o herpes simples, que é esse do lábio, do herpes zóster.
02:57São vírus diferentes, apesar de estarem na família herpes e levar o mesmo nome, são coisas diferentes, né?
03:03Ter herpes labial não significa que você vai ter o zóster, são coisas separadas.
03:09A lesão do zóster parece a lesão da catapora, que são aquelas vesículas que depois estouram e viram uma casquinha.
03:15Tradicionalmente, a pessoa nota o primeiro sintoma na primeira vez, são essas lesões aparecendo.
03:20Mas, olhando pra trás, depois ela lembra que começa com uma dor persistente, uma dor muito forte, que ninguém explica no trajeto.
03:28Quando é no tórax, muita gente acha que é o rim até que tá doendo.
03:31Um formigamento, uma alteração da pele, pra daí surgir essas lesões.
03:35Que são bem características, é igual a catapora, e se distribui em forma de faixa.
03:41Isso é bem característico do zóster, ele não fica andando pelo corpo.
03:44Ele é sempre no mesmo local, em forma de faixa.
03:47E se a pessoa acaba ignorando esses sintomas, demora a procurar ajuda médica, quais as consequências que essa doença pode trazer?
03:55É um pouco difícil ignorar o zóster, porque ele dói demais.
03:57Tem paciente que não consegue nem vestir a roupa de tão incapacitante, que é a dor.
04:01A dor é no corpo inteiro ou é só no local da doença?
04:03É tipo uma apontada, uma fisgada, uma dor neurológica mesmo, que é o nervo que tá acometido.
04:09Então, é difícil a pessoa ignorar.
04:11Alguns pacientes não sentem tanta dor, mas isso é bem característico do zóster.
04:16O que pode acontecer, se você não tratar de forma adequada nessa fase aguda, é a persistência da dor de forma crônica.
04:23Como se fosse uma sequela da infecção do zóster.
04:27E é uma dor difícil controle.
04:29A gente não consegue controlar tão facilmente com os remédios comuns.
04:33Tipo os analgésicos de farmácia.
04:35Elas exigem um tratamento mais específico pra dor no nervo.
04:41E a vacina, hein?
04:41Vamos falar da vacina agora.
04:43A vacina, a gente ouviu falar mais da vacina recentemente.
04:47É uma novidade ou antes já existia algum tipo de imunização, doutor?
04:51Já existia uma antiga vacina do zóster, mas ela tinha um pouco mais de efeitos colaterais e não era tão eficiente quanto essa mais moderna, né?
04:59Hoje, a liberação em rede privada, a gente não tem ela pelo SUS, infelizmente.
05:04A gente indica sempre pra pessoas acima de 50 anos, né?
05:08Independente se você já teve zóster ou não, a gente recomenda que se vacine.
05:13Mas, em alguns casos mais específicos, por exemplo, esses jovens que têm recorrência de zóster, a gente pode avaliar o quadro e indicar mais precocemente a vacinação.
05:24Ela previne 100%? Como é que é a eficácia dessa vacina?
05:28Nenhuma vacina vai prevenir 100%, né?
05:31Mas ela se aproxima disso, acima de 99%.
05:34E quando a gente fala de zóster, a gente não tá falando só da lesão da pele, que incomoda, sim, mas também das consequências, que é a dor crônica, se não tratada adequadamente.
05:43E apesar de muito baixo, existe uma relação entre zóster e demência e AVC.
05:49Então, existe um comprometimento neurológico, que se a gente pode evitar, é óbvio que a gente vai fazer de tudo pra evitar.
05:55Inclusive, quando saíram as últimas notícias a respeito da vacina da herpes zóster, muito se ouviu falar também que a vacina ajudaria a prevenir AVC e até infarto.
06:04Existe essa ligação, então?
06:06Existe essa correlação direta de evento de herpes zóster e AVC agudo.
06:11Então, prevenindo zóster, você diminui a incidência de AVC dessas situações.
06:15Não é a rotina, não é uma coisa que a gente vê todos os dias, mas existe essa relação estabelecida na literatura médica.
06:23Então, é uma vacina que ainda o acesso não é pra todos, porque é uma vacina muito cara, né?
06:30O que a senhora diria pra pessoa que tem mais de 50 anos e tá preocupada?
06:36Daria pra priorizar essa vacina?
06:39Seria indispensável, vamos dizer assim?
06:40Existem algumas vacinas que a gente prioriza após os 50 anos e certamente a zóster é uma delas, né?
06:47Vacina é um investimento em saúde, não é uma coisa que você vai ver de imediato um resultado igual uma caneta emagrecedora que chama os olhos de todo mundo.
06:55Mas a gente tem que pensar a longo prazo e na saúde de uma forma sustentável e evitar essas intercorrências que é muito doloroso.
07:02Todo mundo conhece alguém que já teve zóster e essa pessoa pode relatar que dói demais, é complicado, não é um tratamento tão leve quanto se imagina.
07:12Qual que seria o tratamento? A pessoa tá ali sentindo muita dor, tá com a lesão na pele, o que ela vai fazer, doutora?
07:18O que a gente faz é o uso de antivirais orais. Existe tratamento direcionado pro herpes zóster, mas precisa ser em uma dose muito mais alta do que o usual que a gente usa pro herpes labial.
07:28E tratamento em pomada, que é um erro muito recorrente que eu vejo no consultório, não funciona, tem que ser o comprimido.
07:34Junto desses antivirais, a gente lança a mão de alguns analgésicos mais fortes, mais potentes pra segurar a dor.
07:40Perfeito. Estão chegando algumas perguntas aqui. Maria das Dores, ela perguntou, isso que a doutora tá falando é o cobreiro?
07:48É o cobreiro. É o nome popular, é cobreiro. Hoje em dia caiu um pouco o desuso, mas era bem comum chamar de cobreiro.
07:55Legal, seria a mesma coisa. Então, viu Maria? Obrigada pela participação.
08:00João Paulo de Itapuã perguntou o seguinte, quem já teve catapora, com certeza vai ter a herpes zóster algum dia?
08:09Não com certeza, mas existe o risco sim.
08:13O que é comum também é as pessoas não lembrarem de ter tido catapora.
08:16Por quê? A catapora é muito disseminada no nosso meio. Muitas vezes a pessoa tem uma forma subclínica, não manifesta tanto, passa como uma virose da infância e mais tarde manifesta como zóster.
08:28Não é um destino final que todo mundo vai ter, não é isso que acontece, mas aumenta a chance consideravelmente porque é a mesma doença e o vírus fica no nosso corpo.
08:39A gente tá falando de um vírus, essa doença pode passar de uma pessoa pra outra?
08:43O que passa é catapora. O zóster, na forma zóster, não transmite de pessoa a pessoa, mas se ela entra em contato com uma pessoa que não foi imunizada ou não teve catapora e a pessoa entra em contato direto com essa lesão, ela pode sim adquirir catapora.
08:59Na forma inicial, aquela disseminada. O zóster, ele não transmite diretamente de um pro outro na forma zóster, não.
09:05Perfeito. Quem está com a doença ativa pode tomar a vacina ou tem que esperar?
09:11A gente espera. Justamente pra potencializar a produção de anticorpos, né? Você imagina que quando reativo, o corpo tá ali tentando conter, então ele tá um pouco confuso ainda o sistema imunológico.
09:22Então a gente espera. A recomendação é seis meses porque é pouco frequente que tenha uma reincidência antes disso, mas em casos muito específicos podem ser até dois meses de intervalo da infecção pra vacinação.
09:34Olha só. Ana Lúcia Costa, ela é do bairro da Penha, Vitória. Ela perguntou o seguinte, quem tá com a imunidade baixa pode tomar a vacina?
09:44Pode tomar a vacina. É uma vacina segura a ser aplicada, mas precisa ser avaliada quanto a indicação justamente pra não ocorrer nenhum outro tipo de risco.
09:53Agora falando em imunidade, o que a gente pode falar pra quem tá assistindo a gente agora então nessa época pós-férias, carnaval, né?
10:01Muito contato com pessoas que estão doentes, a gente descuida um pouco da saúde.
10:05O que seria ideal pra gente aumentar a nossa imunidade, doutora, de forma eficiente?
10:10Eu sempre digo que não tem receita mágica, é receita de vó mesmo.
10:14É beber água, se alimentar com frutas, vegetais, comida de verdade, evitar o do processado.
10:19Tomar sol com moderação dentro dos horários que é recomendado pela medicina, né?
10:25Usar protetor solar e se vacinar, que esse realmente é o remédio que melhora a imunidade, mas muita gente ainda torce o nariz, né?
10:33Não tem um comprimido, alguma coisa de suplementação que vá te entregar essa promessa de melhora de imunidade, não.
10:39É o básico de viver uma vida saudável, com hábitos saudáveis, praticar exercício físico é importante e evitar os excessos, né?
10:46Porque agora no carnaval a gente se expõe demais a todos os excessos.
10:50E o estresse físico baixa a imunidade.
10:52Com certeza.
10:54A vacina serve pra quem já teve herpes zóster?
10:58Serve também.
10:59Serve tanto pra quem nunca teve como quem já teve.
11:02Aí a gente espera seis meses, pelo menos dois meses minimamente pra aplicar a vacina.
11:06Por ser uma lesão ali na pele, muita gente associa o sol, tem alguma relação essa exposição ou não tem nada a ver?
11:14Quando o sol é muito intenso, quando é uma exposição física que eu digo, eu peguei muito sol, fiquei o dia inteiro torrando na praia,
11:21ele pode ser o fator desencadeador, é o estresse físico, né?
11:25Mas não é o sol que piora ou agrava o quadro, ele pode ser só o gatilho pra reativação.
11:31A pessoa não colocou o nome, mas falou que tem duas filhas pequenas, as duas já tiveram catapora,
11:36ela disse que ela tem muita aflição da catapora, ela quer saber se tem algum jeito de tirar o vírus do corpo da pessoa
11:43pra que essa doença não volte.
11:46Infelizmente não tem, é o que todo mundo deseja, mas ainda não foi encontrada essa solução.
11:52Doutora, de maneira geral, então, que dica, que orientações que a gente pode dar pra quem tá assistindo a gente em casa,
11:58tanto pra quem já teve a doença, tanto pra quem ainda não teve, que ainda não teve oportunidade de se vacinar,
12:05mas de repente tá ali pra esse ano tentando se organizar financeiramente, se programar.
12:10O que a gente pode deixar de recado pra essa pessoa?
12:13Bom, pra quem tem acima de 50 anos e ainda não se vacinou, vale a pena colocar nessa programação.
12:19A gente, infelizmente, não tem a vacina pelo SUS, mas tem disponível em rede privada,
12:24é um investimento em saúde, evita riscos maiores, complicações.
12:28A própria doença aguda é muito difícil de se passar por ela como paciente,
12:33então é realmente um investimento em saúde e lembrar de manter todo o cartão vacinal atualizado
12:39e hábitos saudáveis pra gente evitar ao máximo.
12:41Com certeza.
12:42Ó, chegou uma mensagem aqui pelo YouTube, Clarete Ribeiro Campos,
12:46e ela falou, eu tive herpes zóster, a pior dor que eu já senti na minha vida,
12:52tratamento antiviral por 7 dias, isolamento, foi muito difícil,
12:58tenho sensibilidade na região e ainda sinto dores, não vacinei porque é caro demais.
13:04É necessário isolamento? Obrigada, viu, Clarete, pelo seu depoimento.
13:08Saúde pra você, né, que você consiga se vacinar o quanto antes.
13:12É preciso isolar mesmo, doutora?
13:14O isolamento que a gente recomenda é o isolamento direto, né, cobrir a lesão,
13:18não permitir que as pessoas entrem em contato, mas se você for imunossuprimido,
13:22estiver passando por uma quimioterapia, pode transmitir na forma de gotículas também.
13:27Então a gente depende do tipo de paciente que tá acometido,
13:31mas de maneira geral é isolamento de contato, não entrar em contato com a lesão.
13:35Quanto tempo a pessoa fica sentindo essa dor intensa, assim, doutora?
13:38Isso é muito variável. Tem paciente que no final dos sete dias já não sente,
13:42tem paciente que passa 30 dias com dor e eu tenho, inclusive, alguns pacientes que têm anos com essa dor.
13:47Então é muito particular o tempo da dor.
13:50O local, ele pode ficar sensível, assim?
13:52Fica como se fosse um formigamento, uma sensação de, ai, alguma coisa, uma formiguinha tá aqui.
13:57Nossa, gente, impressionante.
14:00Obrigada, doutora, pelos esclarecimentos.
14:03Obrigada, pessoal, pelas mensagens.
14:04Não dá pra gente responder todas as perguntas,
14:07mas é serviço importante demais a gente falar sobre essa doença.
14:11E quem sabe aguardar, né, que esteja aí no calendário vacinal do SUS o quanto antes,
14:16porque seria muito importante, né?
14:18Doutora, obrigada, viu, pela entrevista.
14:20Doutora, obrigada, viu, pela entrevista.
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