- há 2 dias
Após 14 anos vivendo sob abusos, Jucileia recomeça sua vida e hoje atua no suporte a mulheres que enfrentam situações semelhantes.
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NotíciasTranscrição
00:00Já que a gente está falando da Força Feminina, o programa de hoje dá sequência a série de entrevistas do
00:06projeto Elas.
00:08Forças que inspiram, né? E histórias que inspiram. Uma iniciativa da Rede Tribuna que ao longo do mês da mulher
00:16dá visibilidade a histórias de superação e protagonismo feminino.
00:21Hoje a gente vai conhecer uma história muito especial que é a história da Jusceléia Santos Ribeiro. Uma história marcada
00:28por dor, mas também por muita força.
00:31A Jusceléia viveu 14 anos em um relacionamento abusivo, foi vítima de diversos tipos de agressão, inclusive física, mas conseguiu
00:40romper com o ciclo da violência.
00:42E desde então, sabe o que ela está fazendo? Está ajudando outras mulheres a recomeçar. Ela é idealizadora do movimento
00:50Libertas, que recebeu um prêmio na categoria
00:53Enfrentamento à Violência contra as Mulheres por um trabalho de apoio, acolhimento, conscientização sobre violência de gênero.
01:02Já, já a gente vai falar sobre esse prêmio, porque eu estou aqui, vou tomar um café com Jusceléia Santos
01:07Ribeiro, empreendedora, vencedora, bem-vinda.
01:11Estou aqui com Jaqueline Moraes, também secretária de Estado das Mulheres. Bem-vindas, meninas.
01:17Muito obrigada pelo convite.
01:19Bom dia. Bom demais receber vocês aqui. Jusceléia, já te apresentei ali um pouquinho, mas eu queria que você contasse
01:27um pouco da sua história para a gente começar o nosso bate-papo.
01:31Eu vivi durante 14 anos num relacionamento abusivo. E quando eu resolvi, assim, eu não quis denunciar. Eu fui impulsionada
01:38a denunciar porque o meu filho tomou as rédeas da minha vida.
01:43Foi quando ele tentou, numa forma de me defender, assassinar o padrasto. E aí ele perguntou para mim, eu falei
01:49com ele, não faça isso. Ele falou assim, ah, você não toma atitude?
01:53Aí eu falei assim, qual a atitude que você quer que eu tome? Eu falei, ele denuncia. E aí eu
01:58fui e fiz todos os processos de denunciação.
02:00Denunciei, fui para o IML, fiz corpo de delito. Fui para o Cranvive, na época em Vila Velha. Fui acolhida
02:07lá, passei pela defensoria.
02:08Fui passando por todos os âmbitos que tinham para poder me acolher naquela época.
02:13E nesse meio tempo eu encontrei uma coisa que eu nem sabia que existia. Uma sociedade civil que me acolheu.
02:20Então assim, foi igreja, teve um pastor maravilhoso, o pastor João Carlos que me acolheu. Ele se propôs a pagar
02:25no aluguel.
02:26Curso de empreendedorismo, eu fiz muito para gerar renda. E foi aonde eu comecei a sair desse ciclo e finalmente
02:32consegui sair de vez.
02:3414 anos, você sofreu diversos tipos de agressões, né, Juscelê?
02:37Sim, porque a mulher geralmente não reconhece o começo das agressões. A gente não reconhece. A gente reconhece, assim, um
02:43xingamento porque ele estava nervoso, porque o ônibus atrasou, porque a comida atrasou.
02:48A gente não reconhece. Aí só vai aumentando. A violência doméstica, ela é gradativa. Ela não acontece uma explosão. Ninguém
02:54chega no começo e já comete feminicídio.
02:57Ele vai se graduando e o ápice é o feminicídio. Mas eu comecei, sim, com a palavra rude, uma palavra
03:03sobre o peso, uma palavra sobre minhas condições que eu não estava trabalhando.
03:06Ah, você é uma mulher desleixada que não fez isso no horário. E vai levando assim e a mulher vai
03:11acostumando. Porque geralmente os agressores são narcisistas.
03:14Eles criam esse poder de manipular essa mulher. E eu acreditei em tudo aquilo que ele falou. Que eu era
03:20incapaz, que eu não conseguiria.
03:21Tanto que eu larguei os estudos, que eu larguei tudo achando que eu era incapaz. E eu descobri que eu
03:26não era.
03:27Nossa. E uma dessas agressões físicas foi uma agressão tão forte que você perdeu até os dentes, né, Juscelê?
03:32Sim, eu perdi parte dos dentes. Eu não perdi todos, mas eu perdi parte dos dentes.
03:36Hoje em dia eu estou feliz da vida porque o governo federal votou a reconstrução facial, porque eu já aguardo
03:42mais de 10 anos essa reconstrução facial,
03:45porque eu uso uma prótese de compensação sobre a boca.
03:48Mas eu tenho que fazer um enxerto e reconstruir o maxilar.
03:53Agora com essa lei federal que saiu que nós teremos prioridade, eu espero que a minha saia, né?
03:57Mas a gente vinha durante... Se não foi a primeira, assim, essa foi uma das últimas.
04:03Mas a primeira foi um tapa na cara.
04:05Assim, eu só denunciei quando eu tomei várias caibadas na cabeça, mas aí não tinha tipificação pra tentativa, pra feminicídio
04:13ainda na época.
04:14Então ficou só como lesão corporal grave.
04:17Nossa, gente. Em que momento, Juscelê? Que forte seu depoimento.
04:21Você vira essa chave e passa de uma mulher que estava ali há 14 anos vivendo esse cenário, esse terror,
04:28e começa a ajudar outras mulheres e a estender a sua mão com esse projeto incrível que a gente está
04:35conhecendo hoje.
04:36Em 2020, durante a pandemia, a gente sofreu muito com um apartheid social.
04:41Assim, as mulheres que na nossa área, na maioria, são diaristas e empregadas domésticas.
04:45Ou ambulantes, as pessoas que trabalham por conta própria.
04:48E aconteceu durante a pandemia, a gente viu que essas mulheres ficaram reclusas na casa, com um agressor.
04:54E sofrendo violência, mas elas não conseguiam acessar nenhum negócio.
04:57Foi aonde que eu cheguei na época da, então, a coordenadora da doutora Hermínia.
05:02E ela falou comigo assim, você está precisando de alguma coisa?
05:04Eu falei, doutora Hermínia, eu não, estou um monte de mulher precisando.
05:06E ela mandou um monte de material informativo.
05:09E aí, nessa época, eu fazia parte da Cufa, a central única da sua vela.
05:13E eles me doaram 100 cesta básica.
05:16E eu falei, vamos juntar a fome com a informação.
05:19Porque todo mundo precisava de cesta naquela época da pandemia.
05:21E eu tinha informação em acesso.
05:23E eu fiz uma ação social, trazendo essas mulheres para receber informação,
05:27falando que elas estavam sofrendo violência.
05:30E numa única ação, nós conseguimos 16 denúncias.
05:3316 medidas protetivas.
05:35Ou seja, de 100 mulheres, 16 estavam sofrendo violência.
05:39E assim, na época, foi muito difícil, porque era época de pandemia,
05:41estavam vários jogos fechados.
05:43E o marido era detector do auxílio emergencial.
05:48E essas mulheres, nós tivemos que se virar.
05:50Eu, a Nação Mulher, o Cine Purell, nós juntamos todos os movimentos que trabalham naquela área.
05:55E começamos a trabalhar para que essas mulheres não morressem.
05:59E durante a pandemia, nós não tivemos feminicídio naquela área.
06:02Uau, gente, que incrível.
06:04Que incrível o pontapé, né?
06:07Secretária, já volto a falar com você,
06:08de quando a gente escuta a história da Jusceléia,
06:11mostra, infelizmente, uma realidade que faz parte, né?
06:15E que atinge muitas mulheres.
06:17Como é que a gente pode dizer que está o cenário da violência contra a mulher hoje no nosso estado?
06:22Então, realmente, a história da Jusceléia, ela é emocionante, né?
06:27É, muito.
06:27Ela é inspiradora, porque a Jusceléia, ela é o exemplo claro e vivo
06:35de alguém que sofreu 14 anos no relacionamento abusivo, como ela coloca,
06:40um relacionamento de violência, de muita violência dentro de casa,
06:44e que resolve sair viva, porque a parte mais complexa da violência doméstica
06:50é a mulher identificar essa violência mais rápido para que ela consiga sair viva.
06:56Porque a Jusceléia falou bem, é gradativa essa violência e o ápice é o feminicídio.
07:03Então, hoje nós temos no Espírito Santo um aumento da notificação de várias violências,
07:10um grande aumento, a gente pode perceber dentro dos gráficos,
07:15esse painel é um painel que é atualizado diariamente.
07:17A gente tem um painel que atualizou hoje de manhã cedinho.
07:19Exatamente.
07:20Então, você percebe e dá para ver por cidade, você faz o filtro por cidade.
07:24Ferra ali em primeiro lugar.
07:25Então, assim, são os índices de notificação.
07:28O que a gente vê interessante nesses gráficos?
07:32É que o feminicídio, só no primeiro bimestre, ele caiu 77%.
07:38Ou seja, em 2025 nós perdemos nove mulheres vítimas de feminicídio,
07:43nos dois primeiros meses do ano.
07:45Em 2026 nós perdemos duas mulheres.
07:48Não são dados para comemorar, mas são dados para reafirmar que nós estamos no caminho certo.
07:53Quando aumenta a notificação, você salva a mulher do feminicídio.
07:57Sim, elas estão tendo coragem para ir lá.
07:59E acreditar na rede, confiar na rede.
08:02E essa rede de proteção que a Juscelé também faz de forma social na sua comunidade,
08:08ela é empoderadora das mulheres para que elas se encorajem, que elas identifiquem as violências.
08:14Muitas vezes falta informação, né, Jusceléia?
08:18Como é que está funcionando hoje o projeto Libertas?
08:22O Libertas, em dia, continua acolhendo mulheres.
08:24Muitas vezes as mulheres, quando elas fazem a denúncia, existem certos efecílios,
08:28que a própria secretária sabe, que tem uma locomoção dela da delegacia, o PML.
08:33A gente tem ainda esse problema.
08:35Hoje em dia nós não temos mais problema de abrigamento.
08:38E aonde colocar essa mulher?
08:39Porque nós temos o abrigo estadual que mudou alguns critérios.
08:43Assim, a secretária sabe disso?
08:45Alguns critérios foram mudados.
08:48E aconteceu que essa mulher agora, ela consegue colocar um filho com mais idade lá dentro.
08:52É importante, não é só abrigar a mulher que está nessa situação, tem os filhos, né, gente?
08:56O que a gente tem que levar de relevância é que a mulher nenhuma, ela deixa o filho.
08:59A mulher violentada, ela não deixa o filho para trás.
09:01O marido violento, ele pode até se vingar nos filhos, mas a mulher violentada, ela não faz isso com os
09:06filhos.
09:07Então, assim, essa mulher, ela tem o hábito de levar esses filhos.
09:11E agora nós também temos o projeto Acólito, o título Tavon,
09:14que leva essas mulheres que não estão no rico iminente de morte.
09:17Tem isso também.
09:18Porque se for uma violência muito grave, ela não pode ir para esses hotéis.
09:21São colocados em hotéis, estão disponibilizados, e ela tem quase 15 dias para organizar essa vida dela.
09:27Entendeu?
09:27Então, assim, começou uma...
09:28Tem melhora significativa no Estado.
09:31Nós temos hoje em dia uma lei implantada de priorização na emissão de documentos da mulher vítima de violência.
09:36Porque, geralmente, o agressor, ele rasga o documento.
09:39E, com essa medida, ela consegue os documentos para que ela possa fazer...
09:44Reconstruir a vida dela.
09:45Então, assim, nós somos um dos primeiros Estados da Sudeste que essa lei está em atuação,
09:49através do governo do Estado e da Polícia Civil.
09:52Então, está funcionando muito bem.
09:53As mulheres que a gente manda no nosso movimento, elas já saem de lá com os documentos.
09:56Elas têm priorização até na emissão desses documentos.
09:59Sem documentos você não faz nada, né?
10:01Então, assim, tem um negócio...
10:01E está faltando muito, sabe, o que é informar para essas mulheres que a lei tem alguns benefícios.
10:06Por exemplo, assim, hoje em dia nós temos um protocolo estudantil,
10:08tanto na prefeitura quanto no Estado.
10:10Qual é esse protocolo?
10:11A mulher vítima de violência tem direito a remanejar essas crianças de escola,
10:15porque a criança se torna uma moeda de troca com o agressor.
10:19Ela tem o poder de trocar essas crianças e tem um protocolo agora,
10:24que somente a mãe pode retirar aquela criança da escola ou alguém autorizado por ela.
10:29Por quê?
10:29Como aconteceu no meu caso, meu marido pegou meu filho.
10:32Olha só.
10:32E para mim poder voltar.
10:34Igual esse dia nós tivemos o caso de uma dona se assistindo,
10:36que o marido pegou o menino e soltou no terminal de Carapina para botar pressão.
10:39Então agora não existe mais isso, porque tem esse protocolo instalado que somente essa mãe pode ser.
10:45Então isso são ganhos para a mulher capixaba que a gente tem que reconhecer.
10:49Tem gargalos?
10:50Tem.
10:51Mas estamos melhorando bastante, estamos caminhando, eu creio, para que no futuro próximo a gente não tenha mais feminicídio.
10:57Nossa, seria um sonho, né?
10:58Que bom que a gente está trabalhando para isso.
11:00Tudo isso que você falou, Júcia Leia, tem muitas mulheres que não sabem disso.
11:05Às vezes vivem até isoladas, às vezes até sem acesso à informação à internet, porque esse agressor não deixa, não
11:11permite.
11:12E a Júcia Leia, gente, ela faz esse trabalho de meio de campo mesmo.
11:16Se articula com o Ministério Público, com faculdades, para irem no projeto e levar essa informação para essas mulheres, né?
11:25Sim, eu sou muito grata ao NUDEM, o núcleo da Defensoria Pública, que trabalha com o direito das mulheres.
11:31E também ao Ministério Público, e sim, outra vez, trabalho excepcional, assim como a coordenadoria da mulher da Assembleia.
11:37Da Assembleia, não, do Tribunal de Justiça e a Procuradoria.
11:40Você tem feito um trabalho excepcional.
11:43Porque a gente não pode, assim, a Defensoria, ela tem feito, através da doutora Fernanda Puck, um trabalho de medida
11:49protetiva, o clique delas que está lá, a mulher não precisa nem ir na delegacia para pedir a medida protetiva.
11:55Ela faz direto em casa a medida protetiva de urgência.
11:58Então, assim, a doutora Fernanda tem feito um trabalho excepcional no divórcio dessas mulheres, na regularização de pensão.
12:04Então, assim, a gente está caminhando para um futuro, se não, talvez não seja melhor, mas mais amplo de informação
12:11e direito para essas mulheres.
12:12Que legal, Ju. E agora tem o Prêmio Elas, que a Jusceléia, o projeto dela, ganhou já.
12:17Como é que o prêmio dela entra incentivando e dando força para esses projetos tão importantes?
12:25Então, o Prêmio Elas nasce de uma iniciativa da Secretaria de Estado das Mulheres, com o apoio da Rede Tribuna,
12:34onde a gente queria encontrar movimentos como esse.
12:39Ou seja, a gente, através da premiação, nós abrimos um edital e as entidades se inscrevem.
12:46Então, são entidades que têm CNPJ e entidades que não têm.
12:52Muitas entidades que não têm CNPJ, às vezes, é porque não têm condição financeira mesmo.
12:57Então, esse prêmio, ele é em pecúnia, em dinheiro.
13:00A gente entrega para a entidade um prêmio do Governo do Estado e a gente passa, então, a acompanhar essa
13:06organização de uma forma também da suporte.
13:11Então, a Jusceléia precisa de material gráfico para a gente poder entregar para ela e informar a comunidade dela.
13:17Ela tem acesso pela Secretaria das Mulheres, participa dos eventos.
13:21Então, é um prêmio que vem para visibilizar, fortalecer a organização social.
13:25Gente, que incrível. Meninas, obrigada pela presença.
13:30Obrigada por trazer esse depoimento tão importante, já que também trazendo os esclarecimentos.
13:35E até a próxima. Que venham mais projetos, que venham mais prêmios e que mais mulheres sejam ajudadas por essa
13:41força.
13:42Obrigada.
13:42Eu sou bicampeã, né?
13:43Olha aí, ó.
13:45Meninas, vamos dar um tchauzinho. Beijo para vocês que estão aí, que estão em casa.
13:49Até amanhã.
13:50Ouça, mulheres.
13:50Ouça, mulheres. É isso aí.
13:52Beijo para vocês.
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