00:00E o conflito no Oriente Médio, como é de praxe, provocou um terremoto no mercado financeiro.
00:05Dólar, petróleo, juros futuros dispararam, a Bolsa sentiu baque e como é que se navega nesse turbilhão, hein?
00:12Vou conversar sobre isso agora com Marcelo Bassani, que é economista e sócio da Boa Brasil Capital.
00:18Marcelo, muito bom dia, seja bem-vindo ao Real Time.
00:21Bom dia, Natália. Obrigado a todo o pessoal da CNBC.
00:25É um prazer poder bater esse papo e falar um pouquinho mais sobre esse conflito no Oriente Médio com vocês.
00:32É, tem muita gente querendo pistas, né? Do que ficar atento para tomar as decisões.
00:39Agora, Marcelo, a questão do tempo de duração no conflito tem sido posto como um fator-chave na definição de
00:46preços dos ativos financeiros, a extensão desse conflito.
00:49Na sua opinião, essa duração é o mais importante mesmo agora ou a possibilidade de outros países serem tragados aí
00:57para dentro do conflito também impacta nessas decisões?
01:00Qual que é a sua leitura em relação a isso?
01:03Olha, o presidente Trump disse que esse conflito pode durar entre quatro a cinco semanas.
01:10Porém, eu diria para ter cuidado. Por quê?
01:14Porque o que a gente vê na Bolsa nesse momento agora é muita volatilidade.
01:19Ontem, para você ter uma ideia, a Bolsa aqui no Brasil despencou, teve saída de capital estrangeiro muito forte e
01:26diversos ativos trabalharam, a grande maioria deles, trabalharam no cenário negativo, trabalharam em queda.
01:34E aí você vê, hoje o cenário já está completamente o oposto.
01:38Diversos ativos estão subindo na Bolsa, a Bolsa está registrando alta nesse momento também, muito devido ao cenário de que
01:48o próprio presidente Trump colocou.
01:50Ele disse que o canal de Ormus, que é responsável ali por cerca de 20, 25% do petróleo no
01:57mundo, ele ia dar um jeito de continuar funcionando, nem que ele precisasse escoltar esses navios.
02:04Isso daí gerou uma certa tranquilidade para o mercado como um todo.
02:08E os futuros americanos, os futuros das Bolsas no geral, aqui na parte do Ocidente, elas trabalham em alta nesse
02:16momento.
02:17E o Brasil, ele está refletindo isso.
02:19Porém, quando você tem um cenário de guerra, como que a gente está vendo, todo dia é um capítulo novo.
02:27Por isso é importante ter cautela.
02:29Embora tenha sido falado que sim, será de quatro a cinco semanas, como você bem colocou, podem ter novos países,
02:37pode ter muita água ainda para rolar.
02:39Eu faço uma lembrança à guerra da Ucrânia com a Rússia, que a ideia era que fosse uma guerra de
02:47pouco tempo.
02:47E a gente vê há quantos anos que ela está se alastrando, né?
02:50Quatro anos, né?
02:51E continua...
02:52Exatamente.
02:53É, exato.
02:54Mas é natural que os investidores, o mercado, as empresas vão buscando ali alguma coisa para se segurar ali, né?
03:03Qualquer informação é bem-vinda, inclusive essas sinalizações que o presidente Donald Trump dá, mas é isso, né?
03:09Até que ponto dá para a gente abraçar, confiar na duração, enfim, é muito complexo mesmo.
03:16E você mencionou o Estreito de Hormuz, porque, de fato, muito desse temor gira em torno do petróleo que passa
03:24por ali, ou deixa de passar, que impacta na inflação, né?
03:29Se o preço do petróleo disparar.
03:32Hoje a gente já viu esse aumento desacelerando um pouquinho, né, Marcelo?
03:37Eu queria te ouvir sobre isso e da relação que tudo isso tem com juros, né?
03:43E, no fim das contas, com o preço dos ativos também.
03:47Ótima colocação, Natália.
03:49Primeira coisa que a gente precisa olhar.
03:51O Brasil, ele não está imune a essa pressão inflacionária que o mundo pode colocar com esse aumento do preço
04:00do bairro de petróleo.
04:01Por quê?
04:02Embora o Brasil, ele não tenha mais a paridade de preços internacionais, a PPI, o preço do petróleo, ele não
04:09tem mais essa paridade com o de fora, existe uma correlação.
04:13E essa correlação, ela deve-se principalmente a cerca de 30% do diesel nosso brasileiro, ele é importado de
04:20fora.
04:21E se o preço lá fora sobe, vai, obviamente, também ter impacto aqui.
04:26De que forma?
04:27Ah, mas só o petróleo vai, eu vou sentir só no preço da gasolina ou só na bomba?
04:33Na verdade, não.
04:34Tudo que envolve transporte, tudo que envolve locomoção, você tem o diesel, você tem o combustível como um todo.
04:42Isso daí gera aumento no preço dos alimentos, na ponta final ali de quem vai ao próprio mercado.
04:48Então, a gente precisa estar ligado em relação a isso.
04:51Tem um benefício, na outra ponta, em relação ao preço do aumento do barril, que o Brasil é um exportador
04:57confiável.
04:58Então, a China pode ser uma grande compradora desse petróleo brasileiro também, o Brasil pode se beneficiar nessa outra ponta.
05:07Agora, no fim do dia, lá na B3, a expectativa era que a gente tivesse um corte de meio ponto
05:14percentual na próxima reunião do Copom.
05:16Isso já está sendo revisado, a perspectiva agora, para um corte de apenas 0,25, porque essa pressão inflacionária pode,
05:24sim, bater aqui e reduzir esse volume de cortes, Natália.
05:28É, a ver, então, o andamento do mercado ao longo dessa quarta-feira.
05:32Eu quero agradecer Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, pela participação ao vivo nessa manhã no Real
05:39Time.
05:39Muito obrigada e bom dia para você.
05:42Obrigado, Natália. Obrigado a todos os espectadores da CNBC. Um ótimo dia.
05:47Igualmente.
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