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Quais são os efeitos da guerra sobre a economia mundial? Para analisar o cenário, a Jovem Pan entrevista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento. Segundo ele, a escalada do conflito pode redesenhar a geopolítica global, pressionar cadeias produtivas, elevar preços de energia e aumentar a volatilidade nos mercados financeiros.

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Transcrição
00:00e conversar agora com o diplomata Marcos Troirro, também ex-presidente do Banco do Brics.
00:05Troirro, seja muito bem-vindo. Obrigado por atender ao nosso convite aqui nesse Jornal da Manhã.
00:09Sempre um prazer falar contigo aqui na Jovem Pan.
00:11E eu gostaria de saber a sua avaliação sobre o quanto, a partir do que temos até esse momento,
00:19com novas estratégias sendo trabalhadas pelos Estados Unidos e o Irã,
00:23mexendo principalmente ali com o fechamento do Estreito de Hormuz para pressionar essas autoridades,
00:29vai, digamos, reposicionar as atitudes e também os países e aliados nesse novo momento
00:38com mais o conflito do Oriente Médio. Bom dia.
00:42Bom dia, Evandro. Bom dia, Bia. Bom dia a todos que acompanham o Jornal da Manhã.
00:47Você sabe que há alguns anos recentes, Evandro, um historiador da Universidade de Colômbia, o Adam Tuse,
00:54disse que o período que a gente está vivendo no mundo podia ser ilustrado pela frase policrise, né?
01:02Porque nós estamos vivendo no coração da Europa o conflito geopolítico mais delicado
01:08desde o final da Segunda Guerra Mundial.
01:10Obviamente que eu estou falando das tensões entre Rússia e Ucrânia.
01:14Porque nós temos, num ambiente mais geral, uma espécie de atmosfera de guerra fria, né?
01:23Entre Estados Unidos e China.
01:25E nós estamos, com essa ação dos Estados Unidos, né?
01:29E com toda a atenção o Israel, Irã, Israel, Hezbollah, Israel, Hamas,
01:35num momento também mais nevrálgico no Oriente Médio desde os anos 70.
01:41Aqui, essa policrise, ela se manifesta em várias plataformas, né?
01:45É um desafio energético.
01:47Você sabe que dos cinco maiores campos produtores de petróleo do mundo,
01:52quatro estão nessa região.
01:55Você tem o tema do gás, de que dependem várias economias do mundo.
02:01Por exemplo, a Europa é uma grande compradora desse tipo de ativo
02:05que vem de países como Kuwait e Catar.
02:07Você tem o tema dos fertilizantes, né?
02:10Uma parte importante, essencialmente um terço dos fertilizantes do mundo
02:14vem também dessa região.
02:15Os fertilizantes são fundamentais, por exemplo, para a economia do Brasil,
02:20que o Brasil é uma superpotência na produção de alimentos
02:23e depende da importação de fertilizantes.
02:27É algo que tem escalado.
02:29Parece que o Ayatollah Khamenei deixou um plano de terra arrasada
02:35no que diz respeito à relação com os seus vizinhos,
02:38que vem sendo implementada mediante esses ataques
02:41ao Kuwait, ao Catar, aos Emirados Árabes Unidos, à Jordânia, à Arábia Saudita.
02:48Tudo isso mostra que o Irã está disposto,
02:51ele entende que há uma vantagem estratégica nesse momento
02:54em prologar o confronto.
02:56As autoridades iranianas, nas últimas 48 horas,
03:00informaram que não pretendem ir à mesa de negociação,
03:04que identificam em qualquer alvo israelense ou norte-americano
03:09um alvo legítimo.
03:11Então, veja, nós estamos numa situação bastante complicada.
03:16Tudo isso tende a impactar preço de ativos energéticos,
03:20tudo isso tende a aumentar o estoque de risco e incerteza da economia mundial,
03:26o que pode, entre outras coisas, gerar uma pressão inflacionária,
03:32uma pressão de aumento de preços,
03:33que se sente para muito além daqueles países
03:36que estão envolvidos diretamente no conflito.
03:39E isso, como eu mencionei,
03:42deve trazer repercussões também para a economia brasileira.
03:46Marcos Troirro ao vivo aqui no Jornal da Manhã.
03:51Especificamente, Troirro, a respeito do BRICS,
03:54banco qual o senhor, também o Bloco Econômico, presidiu.
03:57A gente vê ali na lista dos BRICS
03:59vários países que enfrentam já conflitos anteriores,
04:02a esse do Oriente Médio,
04:04outros também que enfrentam conflitos internos,
04:07inclusive o Irã também que compõe essa lista.
04:09O Brasil, no meio dessa discussão,
04:12no meio do Bloco Econômico,
04:13tende a ter também, por conta disso,
04:15outros efeitos diplomáticos ou econômicos.
04:18Bom dia também, Troirro.
04:21Bom dia, Bia.
04:23Veja, eu sempre defendi a ideia de BRICS.
04:26Não estou falando aqui sobre o novo Banco de Desenvolvimento,
04:29que é uma instituição de financiamento de infraestrutura
04:32e desenvolvimento sustentável.
04:33Eu falo o BRICS como agremiação, como grupo.
04:35Eu sempre defendi que o Brasil deveria ver esse conjunto
04:41como uma espécie de liga de economias emergentes
04:46de grande proporção.
04:49A economia chinesa é uma economia de 21 trilhões de dólares,
04:52é a segunda maior economia do mundo,
04:54do ponto de vista do PIB medido em dólares.
04:58A Índia, que hoje é a quarta, quinta maior economia do mundo,
05:02está prestes a ultrapassar o Japão.
05:04É a economia do G20 que mais cresce,
05:06potencialmente também é um grande mercado para as nossas exportações.
05:10A Rússia é o maior país do mundo
05:12do ponto de vista da extensão territorial,
05:14grande produtor de commodities,
05:17é um grande fornecedor, mais uma vez, de fertilizantes,
05:19é produtor de fertilizantes,
05:20algo que o Brasil tem grande necessidade.
05:24Nós temos a África do Sul,
05:25que é a maior economia do continente africano,
05:27nós temos o Brasil.
05:28Então, veja, na formulação original do BRICS,
05:31você tem aí uma espécie de grupo
05:32que representa economias emergentes de grande relevância.
05:36Só que a partir do segundo semestre de 2023,
05:40por pressão de alguns países,
05:43levou-se a cabo uma expansão
05:45do número de exportos dos BRICS.
05:49E aí você, por critérios, me parecem geopolíticos,
05:53eu sempre defendi muito evitar geopolitizar os BRICS,
05:57como se fosse uma espécie de alternativa ao Ocidente,
06:01alternativa aos Estados Unidos, na Europa,
06:03quando na realidade um país como o Brasil, por exemplo,
06:05tem que manter relações com os vários quadrantes do mundo,
06:08porque, afinal de contas,
06:10uma política externa é o resultado dos seus valores,
06:12mas é também o resultado dos seus interesses.
06:15Só que o Brasil, enfim, acabou fazendo pouco
06:18para evitar, por exemplo,
06:19que um país como a Etiópia,
06:21que é um país que tem um pouco mais de mil dólares
06:23de renda per capita,
06:25entrasse nos BRICS.
06:26Ou mesmo o Irã,
06:27que é um dos países mais sancionados do mundo
06:31e que agora colocam os BRICS
06:33numa situação de maior delicadeza,
06:35porque, por exemplo,
06:36fica muito difícil para os BRICS, como conjunto,
06:39emitir uma nota
06:40em relação àquilo que está acontecendo
06:44no Golfo Pérsico.
06:45Entre outras razões,
06:46porque países como China, como Índia,
06:48tem, entre as prioridades
06:51de suas próprias políticas externas,
06:53normalizar suas relações com os Estados Unidos.
06:55O que você acha que o primeiro-ministro
06:57Narendra Modi hoje valoriza
06:59de maneira prioritária?
07:00São as suas relações com o Washington,
07:02o acesso ao mercado americano,
07:03o acesso à tecnologia americana,
07:05o acesso ao investimento estrangeiro
07:07direto dos Estados Unidos
07:08na economia indiana.
07:10Mesmo os chineses,
07:12apesar de toda essa conversa
07:14sobre desacoplamento,
07:16na separação entre a economia da China,
07:17e a economia dos Estados Unidos,
07:18ainda tem uma balança comercial
07:20com os americanos
07:21de 2 bilhões de dólares
07:23a cada 24 horas.
07:24Ou seja,
07:24é uma intermedência gigantesca.
07:27Então,
07:27me parece que,
07:28nesse momento,
07:29os BRICS se mostram
07:31mais frágeis,
07:32pouco funcionais,
07:33pouco operantes,
07:34numa situação em que
07:35um dos seus membros
07:37é protagonista
07:38num conflito bélico
07:39de grandes proporções.
07:41Interessante, Troy.
07:41O Alan Gani,
07:42nosso analista de economia,
07:43está aqui conosco também
07:44e quer te fazer uma pergunta.
07:45Vai lá, Gani.
07:46Bom dia, Troy.
07:47E o erro,
07:47caso haja uma escalada
07:49deste conflito,
07:50uma incursão terrestre,
07:52dado que o déficit
07:53dos Estados Unidos
07:53já é muito elevado,
07:55o endividamento também,
07:57quais seriam as consequências
07:59econômicas
08:00para os Estados Unidos,
08:01para a população norte-americana
08:03e também para o mundo?
08:06Bom dia, Alan.
08:07Alan,
08:08apesar de todo elevado
08:10o grau de endividamento americano,
08:13você mencionou também,
08:14os Estados Unidos
08:15têm um grande déficit
08:17na sua balança comercial,
08:18o que não é alguma coisa recente.
08:19Os Estados Unidos
08:20acumulam déficits comerciais
08:21no seu comércio exterior
08:23desde o final dos anos 70.
08:25E isso não impede
08:27os Estados Unidos
08:28de serem a maior economia
08:29do mundo,
08:29ter um produto interno
08:31bruto hoje
08:31de 31 trilhões de dólares.
08:33A minha impressão
08:35é que,
08:35do ponto de vista econômico,
08:38o maior reflexo
08:40do que está acontecendo
08:41no Oriente Médio
08:41é sobre um dos principais temas
08:44da agenda política
08:45dos Estados Unidos hoje,
08:46que é o tema
08:46da affordability.
08:48E, numa tradução
08:49bastante aproximada,
08:50significa a sua capacidade
08:52de adquirir bens
08:54de uma maneira efetiva.
08:56Ou seja,
08:57não é apenas
08:58que você tem inflação,
08:59é que as coisas
09:00ficaram comparativamente
09:01muito mais caras
09:03tempos atrás.
09:04Você não tem
09:05nenhuma dúvida
09:06na contagem regressiva
09:07para as chamadas eleições
09:08de meio-mandato,
09:10as midterms,
09:10que acontecem mais
09:11para o segundo semestre.
09:13Esse tema
09:13da dificuldade
09:14de você fazer
09:16aquisições,
09:16o seu poder de compra
09:18nos Estados Unidos
09:19ser visto
09:20como alguma coisa
09:21pujante,
09:21é muito menor hoje.
09:23E isso deve
09:24levar
09:25à decisão
09:26de alguns eleitores
09:27de ir por esse
09:27ou por aquele caminho
09:28no segundo semestre.
09:30Agora,
09:32politicamente,
09:33lá nos Estados Unidos,
09:35você também vê
09:36nessas últimas pesquisas,
09:38uma parte importante
09:39da sua população
09:40indo em contrário
09:41ao apoio
09:42do que é
09:43as ações
09:44da administração
09:45Trump nesse momento.
09:46Eles vão também
09:47ter que contabilizar isso.
09:48Mas economicamente,
09:49eu não vejo maiores problemas,
09:50seja em balança comercial,
09:52seja para os Estados Unidos
09:53financiarem a sua própria dívida.
09:55Na minha opinião,
09:55o problema todo
09:56é o problema
09:57do poder de compra
09:58dos Estados Unidos
09:59com ativos energéticos
10:00mais caros.
10:00Outro erro,
10:01para a gente arrematar
10:02aqui a nossa conversa,
10:03eu quero falar
10:03de um outro tema,
10:04mas que também é relevante,
10:05que é o acordo
10:05da União Europeia-Bercosul
10:07com esse acordo
10:08que passa a valer
10:10de maneira provisória
10:11agora,
10:11enquanto não há
10:12uma definição.
10:13E aqui em São Paulo,
10:14vocês pretendem
10:15fazer um encontro
10:16com o setor produtivo,
10:17políticos,
10:18lideranças do país
10:19para até traçar
10:20um cronograma
10:21de como vai ser
10:22a participação do Brasil
10:23nessa história.
10:24Conta um pouquinho
10:24para a gente,
10:25Outro erro.
10:26Eu vejo, Evandro,
10:27essa história
10:28do Oriente Médio
10:29mostra como o Brasil
10:30precisa de grandes
10:31alternativas econômicas.
10:33Hoje,
10:33de cada dois dólares
10:36que o Brasil
10:36vende para o mundo,
10:38um ele vende
10:39para a Ásia.
10:39A Ásia representa
10:41praticamente 50%
10:42das nossas exportações.
10:43Então,
10:44nós ajudamos
10:44a negociar lá atrás,
10:46em 2019,
10:47o acordo do Mercosul
10:47e o Neuroteca,
10:48quando ele foi concluído
10:49pela primeira vez.
10:50Depois da eleição
10:51do presidente Trump,
10:52se criaram as condições
10:53geopolíticas,
10:54um ambiente geopolítico
10:56para que o acordo
10:57fosse assinado
10:57e com a aprovação
11:00do acordo
11:00em parlamentos
11:01aqui do Mercosul,
11:03a comissária europeia,
11:04Ursula von der Leyen,
11:06utilizou uma ferramenta
11:07de aplicação provisória,
11:08o que é uma ótima notícia,
11:10porque, afinal de contas,
11:11a Europa representa
11:12uma economia
11:13de 23 trilhões de dólares.
11:16Ou seja,
11:16hoje a União Europeia,
11:17tem muita gente
11:17que acha que a Europa
11:18tem declínio,
11:19e de fato,
11:19a Europa tem grandes desafios.
11:20Mas a Europa,
11:21no seu conjunto,
11:22ela,
11:23com uma população
11:24equivalente a um terço
11:25da população da China,
11:26tem um PIB
11:27que é 15%
11:28superior
11:29ao PIB chinês.
11:30Então,
11:31eu acho que esse é um tema
11:32de maior importância
11:33para o Brasil,
11:33é um tema
11:34da maior importância
11:35para o empresariado brasileiro,
11:37e amanhã
11:38vai acontecer
11:39uma grande conferência
11:41na Associação Comercial
11:42de São Paulo,
11:43em que se fala
11:44sobre
11:44essas questões
11:46de
11:47tarifas,
11:47acesso ao mercado,
11:49cotas,
11:49possibilidade de atração
11:51de parceiros
11:52de investimento estrangeiro,
11:53ou seja,
11:53é fundamental
11:54que o empresário brasileiro
11:57crescentemente
11:58esteja exposto
11:59ao que será
12:00o acordo
12:00Mercosul-Union Europeia
12:01para criar estratégias
12:02e para a gente
12:03poder tirar vantagem,
12:05porque essa vai ser
12:06uma ferramenta,
12:06sem dúvida alguma,
12:07para o crescimento
12:08da economia do Brasil.
12:09Truíro,
12:09a gente vai acompanhar
12:10esse encontro,
12:11então,
12:11ao longo dessa semana,
12:12e eu quero dizer
12:13para você que o espaço
12:13está sempre aberto aqui
12:14no nosso Jornal da Manhã.
12:17Um grande abraço
12:17para você.
12:19Obrigado, pessoal.
12:20Ótimo dia para vocês.
12:21Igualmente, Truíro.
12:22Valeu, até uma próxima.
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