Em entrevista ao Fast News, o professor de Negócios Internacionais, João Alfredo Lopes Nyegray, analisou a escalada militar entre EUA e Irã sob o prisma econômico. Nyegray afirmou que, para além da retórica nuclear, a ofensiva de Donald Trump busca consolidar o domínio sobre as fontes de commodities e estabilizar o fluxo de energia no Estreito de Ormuz sob influência ocidental.
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NotíciasTranscrição
00:00Tá certo, agora sim a gente conseguiu retomar o contato com o nosso convidado especial, o João Alfredo Lopes Negra.
00:06Ele é professor do curso de Negócios Internacionais.
00:10Professor, agora sim, seja bem-vindo. Conseguimos acertar essa comunicação.
00:15Eu queria que nessa abertura o senhor fizesse uma reflexão e uma análise a partir dos ataques realizados de forma
00:22conjunta
00:22por Israel e Estados Unidos a várias localidades iranianas
00:27e a partir disso o fechamento do Estreito de Hormuz.
00:31Imagino que muitas consequências para o mercado de petróleo, ainda mais quando o primeiro-ministro de Israel
00:38projeta um conflito mais longo do que se esperava, não?
00:45Com certeza. Eu venho dizendo que a gente está vendo, na verdade não é um novo conflito,
00:50é mais uma etapa de um conflito que a gente já estava acompanhando pelo menos desde 2023.
00:54Antes de falar do Irã, se vocês me permitem, eu gostaria de comentar que vamos relembrar
00:59que em janeiro desse ano os Estados Unidos sacaram o Nicolás Maduro da Venezuela
01:05e com isso passaram a ter uma relação melhor com o nosso vizinho do norte,
01:10recebendo até agora pelo menos 80 milhões de barris de petróleo.
01:14Por que eu falo disso?
01:16Porque a China hoje é o maior importador de petróleo do planeta.
01:21Agora, com os Estados Unidos atacando o Irã, que é um dos maiores fornecedores de petróleo para a China,
01:28o que a gente tem é que não é necessariamente um ataque em relação à capacidade nuclear ou militar iraniana.
01:37Eu vejo o que nós estamos presenciando neste final de semana
01:41como mais uma tentativa estratégica dos Estados Unidos de dominar fontes de commodities energéticas
01:49que acabam ofertando seus produtos para a China,
01:52mais do que simplesmente se preocupar com um programa nuclear iraniano.
01:56Em junho do ano passado, os Estados Unidos e Israel fizeram ataques que nós comentamos bastante,
02:02até eu lembro que eu estive aqui com muita alegria na Jovem Pan News falando a esse respeito,
02:06embora seja um assunto bem complexo, e a gente comentou como as centrais produtoras iranianas
02:14de potenciais ativos nucleares haviam sido obliteradas.
02:17Tal será que os iranianos consigam, frente a todas as sanções econômicas que eles têm,
02:24simplesmente reconstruir isso do zero em oito meses, e não é o que aconteceu.
02:28Então eu enxergo essa situação muito ligada a uma tentativa estadunidense
02:34de controlar os fornecedores de commodities energéticas para a China.
02:40E é claro que quando a gente pensa um pouco no viés israelense,
02:44para Israel isso que nós estamos vendo é uma situação de vida ou morte.
02:48A gente não pode esquecer como o Irã várias vezes ameaçou o Estado de Israel,
02:53o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que chegou a falar que a sua meta,
03:00ou que o Irã só teria paz quando limpasse Israel do mapa,
03:03teve aí na manhã de hoje, horário local, a sua casa completamente destruída,
03:09embora não tenhamos até então notícias se ele estava ou não lá.
03:15Pois é, professor, rapidamente, antes de passar para o Fabrício Naitzky,
03:19para o comandante Farinazzo, o que é possível projetar em relação ao preço do petróleo
03:23e as consequências a partir de uma elevação substancial em alguns dias?
03:31Numa certa medida, eu acredito que o mercado internacional já estava aí até precificando
03:36uma eventual alta, não apenas do preço do petróleo em si,
03:40mas da energia de forma geral.
03:42Oferta de gás, volatilidade.
03:44O que mais me preocupa nesse cenário é o estreito de Ormuz.
03:47Afinal de contas, Ormuz é o gargalo por onde passa algo como 20% do petróleo
03:53e volumes muito relevantes de gás natural, especialmente vindos do Catar.
03:58Se o fluxo desacelera, o choque é imediato, mesmo sem um bloqueio que seja perfeito.
04:04Até então, eu tenho uma ascendência na área de negócios internacionais,
04:09armadores, trainings, operadores portuários,
04:13estão suspendendo temporariamente embarques e navios de petróleo de gás natural
04:18vindos do Oriente Médio para qualquer outro lugar do mundo.
04:21Então, vendo uma desaceleração na oferta global desse item,
04:26certamente nós teremos o preço afetado.
04:29Mas o mercado já precificava um cenário de oferta mais apertada.
04:33Bancos, analistas vinham discutindo o petróleo na casa de 80 dólares,
04:38o barril Brent, havendo uma disrupção, podendo atingir, é claro, um preço um pouco maior.
04:44Mas eu me preocupo, além do petróleo, eu me preocupo com o gás natural,
04:48eu me preocupo muito com ureia e com itens nitrogenados,
04:53que o Brasil, sendo um agroprodutor, não tem condição de produzir sozinho
04:58e acaba importando desses mercados.
05:00Além disso, um outro ponto que eu gostaria de comentar e eu acho que é muito relevante
05:04é o valor de fretes e seguros para o comércio internacional no geral.
05:10Esses valores já estavam elevados e agora tendem a se elevar mais uma vez.
05:15Pois é, inclusive, quem está na coordenação do jornal, o Diego Castro, acaba de confirmar
05:20que, de fato, trouxemos a informação há pouco, o fechamento do Estreito de Hormuz,
05:24mas em contato com as agências internacionais,
05:27a informação que vem sendo divulgada, o Estreito, ficará fechado por alguns dias,
05:32mas a orientação é que os navios fiquem ancorados.
05:35Só uma informação para destacar aqui para a nossa audiência.
05:38Agora eu passo para o Fabrício Naitis, que fará a próxima pergunta.
05:41Você, Fabrício.
05:42Professor, boa tarde.
05:43Quando a gente falou sobre o conflito entre Estados Unidos e Venezuela,
05:50o ponto central daquele conflito parecia muito claramente ser o petróleo
05:54e o desenrolar dessa história após a prisão de Nicolás Maduro indica que, de fato,
05:59o petróleo que era ali o grande fiel da balança nessa relação.
06:03O Irã possui uma produção de petróleo bastante interessante,
06:08além de, como a gente destacou aqui, controlar ali a passagem do Estreito de Hormuz.
06:13Dá para a gente imaginar que, mais uma vez, o petróleo vai ser o fiel da balança,
06:17pode até mesmo significar, em algum momento,
06:20não uma retirada, mas uma arrefecida dos ataques, já nos próximos dias?
06:26Primeiramente, muito boa tarde, meu caro Fabrício.
06:28É uma alegria revê-lo.
06:29Também já tive a oportunidade de falar contigo outras vezes.
06:32E eu acredito que sim.
06:33Eu acredito que o petróleo sempre é o fiel da balança,
06:36toda vez que a gente traz o oriente médio para o centro da discussão.
06:40Aqui, é claro, existem outras coisas que podem servir de tempero.
06:44E eu explico.
06:45Hoje a gente viu os iranianos atacando interesses estadunidenses e aliados estadunidenses
06:54de forma muito ampla, e mais do que isso, de forma rápida.
06:57O que me mostra como o Irã já estava esperando um ataque dos Estados Unidos.
07:03Nós tivemos Catar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos,
07:06uma série de países que já foram atacados.
07:09Se esses ataques e se essa incerteza permanecer na região do Golfo,
07:13eu imagino que em algum momento os próprios aliados dos Estados Unidos,
07:18desses países árabes, poderão tentar uma pacificação da região,
07:24uma vez que as commodities energéticas estão aí no centro das suas exportações.
07:29Então acho que esse é um ponto.
07:30Agora, o petróleo sempre é fiel da balança.
07:33E mais do que o petróleo em si, os Estados Unidos não precisam do petróleo,
07:36eles são quase que autossuficientes.
07:38O que eles não são autossuficientes, eles conseguem comprar com tranquilidade de aliados.
07:43Eu acho que a gente tem que olhar além, e eu venho apontando como
07:47uma das estratégias do governo Donald Trump é buscar dificultar o acesso chinês
07:53à commodity energética.
07:55A China hoje compra muito petróleo do Irã e da Rússia.
07:58Comprava um pouco de petróleo da Venezuela.
08:00A partir do momento que os Estados Unidos conseguem interferir em pelo menos dois desses três
08:06fornecedores, eu acho que o Pequim acaba tendo aí um aumento na complexidade na hora
08:12de conseguir acesso a esse item tão importante.
08:16Então sim, petróleo é, sempre foi, sempre será aí até uma mudança total de fontes energéticas,
08:23um fiel da balança importante.
08:24Mas aqui eu acho que a gente tem que pensar também em termos de quem é que tem oferta
08:28e quem é que tem acesso a esse item.
08:32Pois é, o comandante Farinazo também participando com a gente dessa cobertura especial.
08:37Comandante, gostaria de elaborar uma pergunta, fazer uma questão para o nosso convidado,
08:42por gentileza, comandante.
08:43Perfeito, Caneto.
08:44Boa tarde, professor.
08:45Prazer em falar com o senhor.
08:47A gente queria saber se o senhor tem alguma perspectiva caso o cenário dessa guerra se prolongue no tempo.
08:54Porque é aquela história, a guerra é que nem abrir a porta de um quarto escuro.
08:57A gente não sabe o que vem, né?
08:59Se essa guerra se prolongar, como é que pode ficar o cenário econômico internacional na visão do senhor?
09:06Muito boa tarde, meu caro comandante.
09:08Uma alegria falar com o senhor.
09:10A gente já vem percebendo um cenário internacional que eu venho dizendo que está passando por disrupção.
09:16Então a gente vê que aquelas ordens que foram acordadas no final da Segunda Guerra Mundial,
09:21elas já não têm sido necessariamente cumpridas e observadas pelos próprios países que a criaram.
09:26Então o meu grande receio é que daqui pra frente, caso essa guerra se mantenha ou ela se intensifique,
09:33que cada vez mais potências ou potências regionais sintam-se confortáveis em agir independentemente de qualquer legitimidade internacional.
09:44E o meu receio em relação a isso é porque caso um cenário como esse se confirme,
09:49nós voltaríamos àquele cenário internacional completamente anárquico do pré-1914,
09:57que nos trouxe no decorrer do século XX tantos infortúnios, tantas mortes, tantos conflitos
10:04que poderiam ter sido aí negociados caso nós tivemos o recurso ao multilateralismo.
10:10Então em termos gerais, essa seria a minha primeira preocupação.
10:13A minha segunda preocupação é, claro, humanitária.
10:17E humanitária porque em toda guerra, o senhor como comandante certamente sabe disso muito melhor que eu,
10:23e toda guerra, a primeira que morre é a verdade, e a segunda, o segundo são os militares e os
10:28civis.
10:28Então é uma questão de quantidade de feridos, de pessoas que podem ter suas vidas obliteradas
10:34numa região tão sensível como é o Oriente Médio, que passou aí pela Primavera Árabe a partir do ano 2011,
10:41cujos países, muitos deles, como é o caso da Síria, por exemplo,
10:45mandaram grandes ondas de refugiados para o exterior.
10:48E o meu terceiro grande receio é um receio de viés econômico, né?
10:53Porque a gente segue tendo economias muito dependentes de petróleo e gás natural.
10:59O Brasil depende, como eu comentei anteriormente, de fertilizantes que a gente não consegue produzir.
11:03A gente até tem lá um pouco de potássio na região amazônica, mas nós não conseguimos explorar isso.
11:09Então eu teria aí essas três preocupações, mas dizendo e tranquilizando, é claro que a gente tem sempre a esperança
11:15de que a paz possa voltar, de que a diplomacia possa agir.
11:20E para finalizar, eu acho que uma outra coisa que me preocupa são as escaladas de violência, né?
11:27Então quando você tem um inimigo que age de maneira cruel,
11:30muitas vezes aquele que foi atacado dessa forma pensa que se não agir da mesma maneira,
11:36talvez não tenha os mesmos ganhos militares.
11:38E aí a gente tem uma espiral de ódio, uma espiral de rancor e de violência
11:42que vem caracterizando várias regiões do mundo há tanto tempo.
11:46E isso humanitariamente, eu diria que me preocupa de maneira muito profunda.
11:51Professor, o senhor menciona a questão que envolve os fertilizantes.
11:55Quando estoura um conflito desse no Oriente Médio, naturalmente se fala muito dos impactos no mercado do petróleo,
12:03o aumento na cotação do barril e naturalmente as consequências desse processo.
12:09Queria que o senhor explicasse para a gente quais podem ser as consequências
12:13de uma escassez de fertilizantes no mercado internacional.
12:17O Irã produz principalmente uréia e amônia, que são substâncias muito importantes na produção dos fertilizantes.
12:25E o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que são utilizados por aqui.
12:32A partir da previsão de uma ampliação desse conflito, quais são os impactos que nós podemos esperar, por exemplo, para
12:43o agronegócio brasileiro?
12:46Essa é a grande pergunta do momento, eu diria, reafirmando mais uma vez que a gente tem a expectativa de
12:53que o conflito não se estenda tanto.
12:55A questão é que o Brasil é um país que é o maior produtor de commodities agrícolas do planeta,
13:01ainda que nós sejamos, entre aspas, apenas o quinto maior país do mundo em termos de território.
13:06Mas nós conseguimos ter uma produtividade agrícola muito elevada.
13:10A despeito dessa produtividade, a gente não consegue ter todo o fertilizante que a gente necessita.
13:15Primeiro por razões geográficas e geológicas, segundo porque a nossa produção realmente é muito grande.
13:21Muito dessa amônia, como você comentou, acaba vindo do Irã.
13:24E quando a gente vê um conflito como esse, o receio não é apenas que o país deixe de enviar
13:31o seu produto,
13:32mas há aqui um receio em transporte internacional.
13:36Então há pouco nós comentávamos a respeito do canal de Hormuz fechado.
13:39Quando a gente tem interrupção nessas linhas logísticas, o frete internacional fica mais caro,
13:45fica mais difícil trazer o item do exterior para cá.
13:48E, de maneira geral, nós acabamos sendo afetados, mesmo estando tão distantes do Oriente Médio,
13:55por razões logísticas, por razões de comércio internacional.
13:59Qualquer escassez no preço do fertilizante tende a impactar o setor agrícola,
14:03que para nós é tão importante, de várias maneiras.
14:06Primeira dessas maneiras, vai ficar mais caro trazer fertilizante.
14:09Se fica mais caro, a produção fica mais cara.
14:12E, como consequência, há um repasse desse aumento de preço para o consumidor final.
14:17O segundo ponto é que não é só o Brasil que demanda fertilizante.
14:21Claro que nós demandamos uma quantidade muito grande,
14:24mas há outros países que também precisam disso.
14:26Então, aumentando a concorrência, a gente tem aí mais uma eventual camada de aumento de preços
14:32e mais uma eventual camada de repasse desses preços do setor agrícola ao consumidor.
14:39Então esse acho que é o grande receio em relação à questão dos fertilizantes.
14:43Ah, professor, mas o Brasil não pode trazer de outros lugares?
14:45Sim, pode. Nós importamos também grandes quantidades de países como o Marrocos, como a Rússia.
14:52Mas da Rússia para cá, a gente tem algumas dificuldades logísticas em virtude da guerra na Ucrânia.
14:59Do Marrocos para cá, até um pouco mais simples, né?
15:01Mas quando esse tipo de situação militar e belicosa acontece,
15:05o prêmio de risco do seguro internacional, esse sim, acaba ficando mais caro.
15:10E, notoriamente, os produtores rurais brasileiros que estão aí às voltas com valores absurdos de carga tributária,
15:19infelizmente não tem como não passar esse custo ao consumidor,
15:24porque essas pessoas também precisam sobreviver e dificilmente vão conseguir absorver esse aumento de preços.
15:29Pois é, conversamos com o professor João Alfredo Lopes Niegrai.
15:34Ele é titular do curso de negócios internacionais, tratando, naturalmente, dos impactos econômicos
15:41a partir do estouro desse conflito no Oriente Médio.
15:44Professor, muito obrigado pela gentileza.
15:46Volte sempre aqui à Jovem Pan News.
15:49É sempre uma alegria estar na Jovem Pan News, ainda que para tratar de temas não tão fáceis como esses,
15:55mas um forte abraço a vocês, um forte abraço aos espectadores.
15:58Até a próxima.
15:59A hora certa na Jovem Pan News, 4h28.
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