00:24MÚSICA
00:27Olha como ele gostou da casinha, Mercedes.
00:29Ah, bonitinha, bonitinha.
00:33Gente, se ele não crescer muito, a casa vai ficar joinha, né?
00:36Droga!
00:37Não tem leite nessa casa não, mamãe?
00:39Acabou.
00:40Na geladeira, nada.
00:41Vânia, você deu leite pro cachorro?
00:43Claro, não é, mãe. Ele é filhote.
00:46Ele precisa ficar forte.
00:48Você tá vendo, Messias?
00:50Essa casa eu perguntei pra cachorro.
00:51Toma chá, pronto, com a bolacha que sobrou de óleo.
00:53Ah, eu não gosto de chá, mamãe.
00:55Olha aqui, Vânia.
00:56Se começar a faltar vitamina pra mim nessa casa, ó, eu mato esse cachorro.
00:59Ai, de você se encostar um dedo nele.
01:02Ao invés de você arranjar namorado, você vai arranjar cachorro, é?
01:04Ai, não me amola, Maurício.
01:06Você tá vendo, mamãe?
01:06Olha esse negócio aí.
01:08Você não sabe que meu leitinho é sagrado?
01:10Amanhã você vai ter o teu leitinho.
01:13Então, agora assume da minha frente.
01:14Depois eu levo o teu chá, vai?
01:16Droga!
01:17Mais uma boca pra comer dentro dessa casa.
01:19E de cachorro ainda.
01:26O que você tem, hein, Rosemary?
01:28Você tá preocupada?
01:30Não, é uma...
01:32Uma sensação esquisita aqui, só isso.
01:36Alguma coisa assim com relação com o Mário?
01:39É, ele...
01:40Ele tava muito esquisito dessa última vez que ele esteve aí.
01:44Gente, mas ele sempre foi uma pessoa muito esquisita.
01:46Ele aparece e desaparece, que nem um fantasma.
01:48Mas eu sei que...
01:51Por que você tá com medo, Rosemary?
01:54Não sei.
01:55Sabe, é um...
01:56É um pressentimento aqui, sabe, Mercedes?
01:59Eu...
01:59Eu sinto que vai acontecer alguma coisa.
02:03Você tá com receio de perder o Mário?
02:07Também.
02:09Duvido.
02:11Esse homem tem paixão por você?
02:14É...
02:15Lá é que às vezes me vem minhoca na cabeça, né?
02:19Bora pegar um cineminha, vamos?
02:21Tanto filme bom passando.
02:23Ah, não, Mercedes.
02:24Eu tô...
02:24Tô preocupada, sabe?
02:26Cansada.
02:27Põe uma manhã, tá?
02:33Alguma notícia do escritório?
02:35As únicas são péssimas.
02:38Parece que vão fechar e lacrar a financeira.
02:41Já fizeram isso.
02:43O Montenegro dispensou todos os funcionários no dia de hoje.
02:47Mas que coisa!
02:49E nenhuma notícia do Herbert?
02:51Nenhuma.
02:53Ninguém sabe onde ele está.
02:55Tá envergonhado.
02:57Tá inculhido em algum canto, envergonhado, vai aparecer.
02:59É claro.
03:00Mas pelo que eu conheço do Herbert,
03:02ele sempre teve pavor da palavra...
03:05falência.
03:08Fez tudo pra evitar, mas foi impossível.
03:11Não, mas ele vai se reerguer.
03:13Vocês não se preocupem.
03:14Herbert nunca foi um derrotado, sempre foi um vencedor.
03:18A senhora tá certa, mãe.
03:20Eu acho que ele vai dar a volta por cima.
03:23Claro.
03:24Não.
03:25O Herbert é um crânio.
03:27É um crânio.
03:29É um crânio.
03:29Ele é um lutador.
03:31Se fez sozinho.
03:33Teve uma infância, uma juventude muito pobre.
03:36Enriqueceu as suas próprias gustas.
03:38Ele é um lutador.
03:40Sempre foi.
03:40Eu tenho certeza que a essa altura dos acontecimentos...
03:43ele está tentando resolver o problema...
03:46por outros meios.
03:52Calma.
03:57Vamos ter paciência.
03:58Vamos confiar.
04:00Vamos ter paciência.
04:01Herbert nunca fugiu de um problema, de uma dificuldade.
04:04Sempre enfrentou a vida com muita categoria,
04:07com muita elegância, com muita inteligência,
04:10com muita astúcia, com muita coragem.
04:13Ele não vai perder essa parada.
04:15Vocês não se preocupem.
04:16Vocês vão.
04:18Rafael!
04:18Ai, ai!
04:21Ai, meu Deus!
04:23Calma, calma, meu Deus!
04:23Aqui no sofá.
04:27Mas é o terceiro tombo que eu levo por causa dessa porcaria desse tapete.
04:31Machucou? Machucou?
04:32Só um pouquinho aqui na canela.
04:34Mamãe, eu vou buscar um copo d'água.
04:35Ai, meu Deus!
04:36Quando as coisas vão mal, tudo acontece, não é?
04:40É ele.
04:41Tem que ser que eu bater ele.
04:44Pronto.
04:46Sim, é.
04:49Um momento, por favor.
04:52Rafael, lá é o costureiro selido perguntando se pode mandar receber amanhã.
04:58Pergunta mais idiota.
04:59Claro que pode.
05:01Não!
05:03Não!
05:05Diz a ele que eu telefono pra ele amanhã.
05:11E aí?
05:13Graças a Deus, o João Antônio não falou em casamento nem o Luiz Paulo.
05:17Agora, porque eu fiquei gelada com a presença do Luiz Paulo, eu fiquei.
05:20Quer dizer que o João Antônio não sabe que ele foi o chauffeur da noiva dele?
05:24Ah, nem o Luiz Paulo sabe que o João Antônio é que era o noivo.
05:27Ah, quer dizer que o João Antônio tá morando lá com você?
05:32Não, mãe, morando não. Ele vai ficar no meu apartamento por uns tempos até...
05:36Você não me toque nesse assunto perto do seu pai, hein?
05:40Deus me livre.
05:41Você sabe que... Ele sabe que você é livre, né?
05:44Mas ele não gostaria de ver, né?
05:47E você sabe que o que os olhos não veem, né?
05:50Mamãe, o que eu posso fazer?
05:52O homem deve estar sendo caçado por aí. Já foram atrás dele no apartamento.
05:55Você quer que eu pegue o João Antônio e o jogue pra fora?
05:58Até quando que ele vai ficar escondido?
06:00Não sei. Ele tem uma licença aí pra se casar.
06:04Esse cara é meio folgado, né?
06:07Não é isso.
06:08Na verdade, eu acho que ele corre perigo.
06:11De vida?
06:12É.
06:13Então ele ia casar com a filha da máfia?
06:17Mãe, é uma família muito importante.
06:19Eles podem fazer de tudo.
06:21Ah, quer dizer que enquanto durar essa licença do casamento do João Antônio,
06:27vocês estão casados?
06:28É.
06:30Se você prefere colocar desse jeito, então é.
06:33E como é que ele é, Dino?
06:36Hum...
06:37Eita, não.
06:38Se prepare, hein?
06:40Porque ele vai se encostar lá no seu apartamento.
06:43Homem já gosta de uma moleza.
06:49Pega, rapaz, meu cabelo é la garçom.
06:55Prova o gosto desse tom, seu tom, do meu batom na tua boca.
07:03A lodoçura me puxa pela cintura.
07:10Tem tudo a ver o meu pinguim com a tua geladeira.
07:2915 para as 8 já.
07:31Exatamente.
07:32Nenhuma notícia do Herbert, meu Deus.
07:38Ponte Negro.
07:40Ponte Negro.
07:42Até que, enfim...
07:44Desculpe, mãe.
07:46Eu só consegui me livrar dos homens agora.
07:50Ponte Negro, por favor.
07:52O que está acontecendo, você pode nos dizer?
07:55Eles fecharam e lacraram tudo no escritório.
07:58Cofres, arquivos, gavetas, armários.
08:02Tudo.
08:05Não foi a intervenção.
08:08Ponte Negro, onde é que está o doutor Herbert?
08:10É isso que nós queremos saber.
08:12Claro, Ponte Negro. Onde está o Herbert? Por favor.
08:14Sinto muito, dona Rafaela.
08:19Não sei onde está.
08:22Mas...
08:24Hoje cedo, quando cheguei ao escritório,
08:28eu encontrei esta carta.
08:50Mãe, por favor, abre de uma vez esta carta.
08:58Mãe, por favor.
09:13Meu Deus.
09:16Não!
09:20Ele se matou.
09:23Ah, meu Deus.
09:27Ele se matou.
09:33Ele se matou.
09:40Mãe, por que o papai não mora com a gente, hein?
09:44Bem, é porque ele tem muito trabalho fora de São Paulo, né?
09:49Mas todo mundo que eu conheço...
09:52O pai mora em casa!
09:56Surpresa certa te encontrar
10:02A tua onda
10:05A tua onda pega bem mesmo em qualquer lugar
10:09Até na esquina do pecado
10:12O que for da vida não nos deterá
10:18Nós somos feitos
10:22Nós somos feitos um pro outro
10:23Pode crer
10:26Por isso é que eu estou aqui
10:34E não há lógica
10:37Uau!
10:38Que legal
10:39Nós dois velados aqui
10:40Que nem me conheceram
10:42O dia que eu nasci
10:43Que nem no banho
10:44Por baixo da etiqueta
10:46É sempre tudo igual
10:47Curiosa xereta
10:48Que gostoso
10:49Sem pressura
10:50Sem disfarce
10:51Sem fantasia
10:53Que nem seu pai
10:54Sua mãe
10:55Salvou sua tia
10:59Indecente
11:00É você ter que ficar
11:01Descrito de cultura
11:03Daí não tem jeito
11:05Quando a coisa fica dura
11:08Sem roupa
11:09Sem saúde
11:10Sem casa
11:11Tudo é tão imoral
11:13A barriga pelada
11:15É que a vergonha nacional
11:17Vai!
11:18Pelado, pelado
11:19Tu com a mão no bolso
11:23Pelado, pelado
11:24Tu com a mão no bolso
11:29No com a mão no bolso
11:32No com a mão no bolso
11:33No com a mão no bolso
11:35No com a mão no bolso
11:35No com a mão no bolso
11:35No zinho pelado
11:36No com a mão no bolso