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  • há 16 horas

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:08Eu já trabalhei muito na vida.
00:10Não me sinto nenhum vagabundo aposentado.
00:13Você bem que podia arranjar uma coisinha leve pra fazer, né?
00:16Em vez de ficar só lendo jornal.
00:17Lucie, não me amole.
00:19Eu sou pobre, mas tenho tranquilidade, liberdade.
00:23É.
00:24Pena que não tem aposentadoria pra mulher que trabalha em casa.
00:28Pensa que é mole, é?
00:30É um trabalho sem responsabilidade.
00:32Ah, é?
00:33E se eu parar de lavar a roupa e fazer comida?
00:36Bom, mas mulher, me deixa em paz.
00:39Eu tenho o direito de desfrutar da minha aposentadoria.
00:43Oi.
00:44Oi.
00:45Estava bonito o casamento ontem?
00:49Não houve casamento.
00:51Como não houve?
00:53Oi, velho.
00:54O noivo desapareceu, sumiu.
00:57Oh, raça.
00:58É, devia ter os seus motivos.
01:01Cadê que era ele?
01:03Ele não apareceu assim, pura e simplesmente?
01:05É, foi.
01:07E a noiva, a família dela?
01:09Ah, me deu um trabalho, dona Lucie.
01:13Ave Maria.
01:14Eu acabei não vendo muita coisa, porque fiquei lá dentro do carro.
01:19Aí, depois de uma hora e meia de espera, a gente foi dar uma voltinha.
01:27O que é isso?
01:29Eu e a noiva, né, pai?
01:30É, nós brincando.
01:33A coisa acabou às três da manhã, dona Lucie, num boteco lá em Santana.
01:39Mas ela, ó, uma gracinha.
01:42Meu Deus do céu, mas deve ter sido o maior escândalo.
01:45E o pior de tudo é que eu tive que dar cachaça pra ela, hein?
01:48Ah, você é um maluco.
01:49O que eu ia fazer, pai?
01:50Eu não tinha zero falta de rita, não.
01:52Ela só queria beber, beber, beber.
01:54O que eu vou fazer?
01:56Uma hora dessas é só o que resta a fazer.
02:00Tem gente que bebe e nem precisa de motivo.
02:05Não diga.
02:07Mas eu levantei uma boa grana, viu?
02:09É, é.
02:10Então você deixa uns 100 paus aí pra comprar tomate e cebola?
02:17Tudo bem, dona Lucie, tudo bem.
02:19Vou deixar mais do que 100 paus.
02:21Ah, não, não, não, não, não.
02:22Deixa só os 100.
02:23Senão você já sabe.
02:24É, porque aqui em casa tem gente que gasta uma nota preta jogando poker.
02:34Puxa, rapaz.
02:37Mas essa moça deve estar num estado lastimável, não?
02:41É.
02:44O mundo deve ter acabado pra ela.
02:48Você viu o quarto de hóspedes como está, Zilda?
02:52Irrível, não é?
02:53Até o teto de bagotes.
02:54O cara ganhou presentes.
02:56Você vê, vergonha que nós estamos passando.
02:58Nós somos uma família conceituada, querida.
03:01Eu vou ter que devolver aquilo tudo, não tem outra saída.
03:03Você é hábito fazer isso nessas ocasiões?
03:05Não sei se é hábito.
03:06Eu nunca passei por isso na minha vida inteira.
03:08O casamento da Tamiris foi maravilhoso, você se lembra?
03:11Foi, foi lindo, eu me lembro.
03:13Agora você vê, o Maurício, em quem ninguém confiava, até hoje tem se portado magnificamente.
03:18Por que é que eles não têm filhos, hein?
03:20Não sei.
03:21Acho que ele não quer ainda, é a única coisa que falta.
03:25O que eu acho, Rafaela, é que esse rapaz deve uma explicação à sua família.
03:29Ele não pode desaparecer assim, desse jeito.
03:31Herbert tem que tomar certas providências.
03:34Eu não sei, não sei o que fazer.
03:37Você me conhece.
03:38Herbert fez mim uma mulher muito dependente, eu sou indecisa, não sei.
03:44Não sei tomar, tenho medo de tomar certas providências.
03:47Esse é o seu temperamento.
03:49Uma mulher delicada, sensível.
03:52Não sei como ajudar a Ana Cláudia, a Zilda, não sei.
03:56Ela está com ódio, um ódio profundo, quase não fala.
04:00Nem tomou banho de piscina hoje.
04:03Mas é muito cedo, não é, Rafaela?
04:05Vocês precisam dar um tempo para a menina.
04:07Claro, claro.
04:11Ai, meu Deus do céu.
04:13O que foi?
04:14Esqueci de mandar aquele vestido cor-de-rosa para a lavanderia.
04:16Ah, Zilda.
04:18Ah, Zilda.
04:32Boa tarde.
04:33Boa tarde.
04:35Eu queria uma coisinha simples.
04:37Uma casinha para essa belezinha aqui.
04:40É, um cachotinho, sabe?
04:42Só para ele ter onde dormir.
04:44Ah, um cachotinho para ele ter onde dormir.
04:46É ele?
04:47É, machinho.
04:48Ah, machinho.
04:48É, ué, por que o senhor pergunta?
04:50Não dá na mesma?
04:52Não, vou explicar uma coisa para a senhora.
04:54É que se fosse uma cadela, a casinha seria...
04:57Bruno, matéria-se para a senhora, por favor.
05:01Olha, eu quero uma casinha de cachorro.
05:04Um cachotinho, sabe?
05:06Ah?
05:06É.
05:08O tamanho que a senhora quer?
05:10Ah, assim, ó, mais ou menos.
05:12É, o que é isso?
05:14O que é isso, minha negra?
05:15Esse vira-lata aí vai crescer.
05:17Ele não é vira-lata.
05:18Nós compramos do vizinho.
05:19E eu, se eu fosse você, eu mandava fazer assim, ó, a casa de cachorro policial, sabe?
05:25Mas ele não vai ficar do tamanho de um policial.
05:27Duvido.
05:28Bom, como é que é?
05:28Vocês podem fazer o serviço ou não?
05:30Minha negra, aqui a gente faz de tudo.
05:32Até trabalhamos assim com um jacarandá.
05:34Bom, e quanto é que fica o serviço?
05:35Ah, isso aí é com o dono aí, né?
05:37Com o padrão.
05:38O quê?
05:38Quanto é que custa?
05:39É.
05:40Bom, custa...
05:41Não, não custa nada, não.
05:43Ué, por quê?
05:45Porque eu sou um marcineu, né, senhora?
05:47Uma casinha de cachorro só faz com uma caixa de laranja, qualquer coisa.
05:50Seu grosso!
05:52Vambora, Vânia!
05:53Ai, eu não suporto a grossura desse barco.
05:55Ô, mina!
05:57Cuidado pra não...
05:58Pra deixar xixi no seu braço, hein?
06:05Meu Deus.
06:10Vai ser muito difícil.
06:16Só terminou agora?
06:18Agora.
06:21Tem saída?
06:24Não.
06:26Não tem saída, nada que se possa fazer.
06:29Estourou tudo.
06:32Eu estou mais do que falido, Montenegro.
06:35Eles estão vindo em cima com tudo.
06:36Até, inclusive, aquela injeção financeira que nos deram há três meses atrás.
06:42Meu Deus.
06:48E agora, Herbert?
06:53Eu não sei.
06:55Eu não sei, Montenegro.
06:58Eu só sei uma coisa.
07:24Você lembra daquela história do João Antônio?
07:26Estava noivo.
07:29Pior é se ele fosse casado, né?
07:32Peraí.
07:34Ele casou ontem, não foi?
07:36Ia casar.
07:38Como ia?
07:39Você disse que ele ia...
07:40Ele não apareceu na igreja.
07:41O casamento foi cancelado.
07:42Não acredito.
07:44Tanta certeza no olhar
07:52Tamanha pressa de chegar
07:56A nenhum lugar
07:58Só pra ter a sensação
08:01De que a vida
08:03Passa assim como um tufão
08:08Nós somos feitos
08:11Um pro outro
08:13Pode crer
08:16Por isso é que eu estou aqui
08:20Uau!
08:21Que legal
08:22Nós dois velados aqui
08:23Que nem me conheceram
08:25O dia que eu nasci
08:26Que nem no banho
08:27Por baixo da etiqueta
08:29É sempre tudo igual
08:30Curiosa, xereta
08:31Que gostoso
08:32Sem pressura
08:33Sem disfarce
08:34Sem fantasia
08:36Que nem seu pai
08:37Sua mãe
08:38Salvou sua tia
08:42Indecente
08:42É você ter que ficar
08:44Descrito de cultura
08:46Tá aí não tem jeito
08:48Quando a coisa
08:48Fica dura
08:51Sem roupa
08:52Sem saúde
08:53Sem casa
08:53Tudo é tão imoral
08:56A barriga é pelada
08:58É que a vergonha nacional
09:00Vai!
09:01Pelado, pelado
09:02Nunca a mão no poço
09:06Pelado, pelado
09:07Nunca a mão no poço
09:11Pelado, pelado
09:12Nunca a mão no poço
09:15Nunca a mão no poço
09:16Nunca a mão no poço