00:00E olha gente, esse cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, anunciado em 7 de abril de 2026, termina na
00:05noite desta quarta-feira.
00:07Eu quero falar sobre esses últimos acontecimentos da guerra no Oriente Médio, aqui com o cientista político e diretor executivo
00:13para as Américas do Eurasia Group, o Christopher Garman.
00:17Christopher, seja muito bem-vindo, prazer falar contigo, obrigado por nos atender.
00:20E eu quero saber de você, a partir da imprevisibilidade que temos acompanhado de Donald Trump e de todas essas
00:26tratativas, qual é o seu maior temor hoje?
00:31Olha, eu acho que talvez o maior temor que eu tenho está mais no lado iraniano.
00:38Do lado da Casa Branca, todos os indícios que nós conseguimos auferir na Eurasia, seja com contatos na Casa Branca,
00:47com o Estado e até mesmo nas Forças Armadas Americanas, é que o presidente Donald Trump está querendo, está tentando
00:54encontrar uma saída para esse conflito.
00:55Ele, as próximas Forças Armadas Americanas, que informaram ao presidente de que o caminho para um êxito militar está ficando
01:06cada vez mais difícil.
01:07Eles subestimaram a capacidade dos iranianos recuperarem os mísseis que foram enterrados nos bombardeios americanos.
01:14O tempo previsto para uma abertura dos trechos de Hormuz via a Marinha também está sendo adiado nos cálculos das
01:25forças americanas.
01:28Então, portanto, o Trump está menos seguro e convito que ele consegue ter um resultado só via militar.
01:35Ao mesmo tempo, o custo político e econômico está se acumulando.
01:39Então, o presidente Trump está claramente querendo uma saída da crise.
01:48O lado iraniano, existe uma dúvida sobre a estabilidade da liderança iraniana.
01:55Vai vir uma delegação para Islamabad, mas tem uma certa dúvida e o ruído agora em Washington e, pelo menos,
02:02interlocutores que ainda conversam com a liderança iraniana
02:06é se qualquer acordo que possa ser firmado em Islamabad tenha apoio em Teherã com a guarda revolucionária.
02:16Porque, quando você decapita mais de 200 lideranças do regime, o que você fica talvez é menos instável.
02:24Então, você pode ter mais facções.
02:26Achamos que um acordo deve sair, mas estamos muito preocupados com a execução de um acordo.
02:33E mesmo se um acordo não sair hoje à noite e voltar às hostilidades,
02:41a pressão no presidente Trump para ter um acordo está muito grande.
02:46Então, eu diria que a boa notícia é que provavelmente estamos mais próximos de um acordo,
02:52seja hoje à noite ou nessas próximas semanas,
02:55mas é um acordo que pode se mostrar instável e tem muitos riscos de execução ao longo do caminho.
03:03Não necessariamente um acordo representaria aqui uma tranquilidade instalada,
03:08até porque a incerteza acaba sendo o principal ingrediente usado por todas as partes envolvidas nesse conflito,
03:15para manter a situação como está, né, professor?
03:19A gente também observa aquela vontade de fazer aquele exercício de futurologia.
03:25Eu sei que a gente não tem bola de cristal aqui,
03:27mas quais são os caminhos possíveis caso esse acordo não seja fechado,
03:32que o senhor imagina que tende a acontecer.
03:35E, de fato, né, já demonstrando essa preocupação de mesmo com o acordo sanado,
03:40a questão nuclear iraniana segue ainda sobre um grande ponto de interrogação.
03:48É claro que o Trump tem dito nos últimos dias que ele não vai prorrogar o acordo,
03:53mas se ele chegar nas mesas negociações e a equipe dele avaliar que fizeram algum tipo de progresso,
04:04assim, ele pode, de fato, prorrogar os termos desse acordo.
04:08E o Trump também, ele tem um estilo para tentar aumentar o poder de barganha dele,
04:12ele faz ameaças bombásticas e extremadas.
04:17A ameaça que teve mais impacto mesmo no regime iraniano
04:22era o embargo marítimo que os Estados Unidos colocou
04:25nas embarcações e exportações iranianas.
04:28Aí, sim, isso trouxe os iranianos para a mesa de negociação,
04:31possivelmente para um acordo.
04:35Primeiro, talvez, os termos de um acordo,
04:37porque talvez é possível e que pode dar errado, né?
04:41A grande mudança dessa guerra é que os iranianos descobriram
04:45que eles, de fato, têm uma ameaça muito crivo de fechamento dos teintos de Hormuz.
04:49Isso pegou as iranianas até de surpresa.
04:53Eles ficaram uma sensação de empoderamento de ter essa arma, né?
04:58Contra os americanos e israelenses.
05:01Então, o papel do programa nuclear ficou um pouco menos relevante
05:06como um instrumento para poder deter uma ação militar americana e israelense.
05:12Agora que eles sabem que eles conseguem fechar os teintos de Hormuz
05:15e os Estados Unidos e Israel têm poucas ferramentas
05:18para poder fazer uma abertura via militar,
05:21eles estão um pouco mais tranquilos de abdicar em parte do seu programa nuclear.
05:27Tanto que os iranianos já estavam negociando a retirada do urânio enriquecido
05:34de cessar a produção por cinco anos, mas pode subir para dez anos,
05:40que é metade do caminho dos americanos querendo vinte anos de abdicação do programa.
05:45Então, o programa nuclear acho que é um componente que pode ser negociado.
05:48A negociação um pouco mais difícil são os termos do manejo dos teintos de Hormuz
05:53e veja que os americanos quase que desistiram da desmobilização do programa balístico
05:59e também de financiamento dos seus aliados na região.
06:02Então, os termos de acordo acho que estão postos.
06:05Os iranianos estão confortáveis com o poder de barganha que eles têm nos treinos
06:08e que deixa eles mais flexíveis na negociação do programa nuclear.
06:13Mas muita coisa pode dar errado.
06:15O Israel não estaria confortável porque sai um acordo,
06:19quando o Irã permanece mais linhadura com a capacidade de fechamento dos teintos de Hormuz.
06:25Você tem os rutes em Émen também que estão desconfortáveis
06:28que podem entrar com uma ação no Mar Vermelho,
06:35sem estabilidade no próprio regime iraniano que pode inibir os termos de um acordo.
06:41E aí a gente pode ter a volta de hostilidades
06:45e ter que ter na mesma negociação logo mais.
06:50Mas eu diria que a pressão política no Donald Trump está enorme agora.
06:54Por isso que a gente acha que a gente está mais perto do fim do que no início.
06:57Interessante.
06:58Christopher Garman, que é cientista político também,
07:01diretor executivo ali para Américas, do Eurasia Group.
07:04Obrigado pela participação conosco aqui no Jornal da Manhã.
07:07As portas estão sempre abertas para suas análises por aqui.
07:11Um prazer. Obrigado pelo convite.
07:12Valeu.
07:13Um grande abraço.
07:14Obrigado.
Comentários