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Helena Cherem, especialista em geopolítica do Oriente Médio, avalia que tensão entre EUA, Israel e Irã pode afetar o Estreito de Ormuz, pressionar petróleo, ouro e bitcoin e gerar impactos na inflação e no comércio global.

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Transcrição
00:00E a gente volta a ter uma conversa ao vivo aqui nesse plantão especial, cobertura especial dessa situação que está
00:07escalando entre Estados Unidos, Israel e Irã.
00:10E agora eu converso com Helena Scheren, que é especialista em geopolítica do Oriente Médio, para falar sobre perspectiva de
00:17mercado também, especialmente em relação a petróleo.
00:21Professora, bom dia, seja muito bem-vindo, obrigada por receber a gente aí nessa manhã.
00:28Obrigada também, Natália, por me receber.
00:31Vamos lá. Helena, como que você recebeu essas notícias? Já era, de certa forma, esperada, mas a forma como as
00:41coisas estão se desenrolando, o ritmo de resposta e retaliação do Irã também, qual que é a sua leitura sobre
00:47tudo isso?
00:48Vamos lá. Então, aqui a gente tem um cenário com múltiplos pequenos detalhes que são muito importantes.
00:57Se a gente analisar pelo lado da geopolítica, a gente vai perceber um Irã solitário no Oriente Médio, especialmente porque
01:05os seus aliados, que eram majoritariamente não estatais, então aqueles grupos que não necessariamente representam estados,
01:12Hamas, Hamas, Hezbollah, Rutiz, estão cada vez mais enfraquecidos.
01:17Se a gente olhar no cenário político estadunidense, a gente vai ver, que nem ouvimos hoje de manhã, aquele discurso
01:24de oito minutos do presidente Trump,
01:28falando num tom um pouco mais exagerado, que é de praxe dele, é comum dele, mas não necessariamente reflete uma
01:36realidade.
01:37Num outro cenário ainda possível, a gente pode analisar também, pura e simplesmente pela questão comercial,
01:44A gente pode analisar pela questão de Israel, são tantos pequenos detalhes nessa história, nesse cenário,
01:50que esse tensionamento das relações, que a gente já sabia que estava acontecendo, a gente já via a movimentação, especialmente
01:59dos Estados Unidos,
02:00a movimentação militar, por mar e por terra em especial, se aproximando do Irã, falando,
02:07olha, se vocês não abrirem mão do programa nuclear, se vocês não abrirem mão do governo,
02:14se vocês não abrirem mão disso e disso e aquilo, a gente vai atacar.
02:17Também estava acompanhando nas últimas semanas uma negociação que estava andando, assim, a passos simpáticos,
02:24católogosamente positivos entre Estados Unidos e Irã, justamente sobre um potencial acordo.
02:32A gente achou que estava indo bem, mas sabia dessa possibilidade de ataque e foi justamente o que aconteceu.
02:38Então, aqui o nosso otimismo cauteloso está mais cauteloso do que otimismo.
02:43Nossa, é verdade. E como a Helena trouxe para a gente, são tantas camadas, tantos desdobramentos para analisar
02:51e a gente vai trazendo um a um para a nossa audiência.
02:55Quero dar bom dia aqui para o Pablo Waller, meu colega, que participa também dessa cobertura especial.
03:00Que bom contar com você aqui, Pablo. Bem-vindo.
03:03Bom dia também a todos que estão com a gente.
03:05Quero saber que ponto você quer levantar, então, trazer para essa conversa entre tantos reflexos e desdobramentos que esse conflito
03:12pode gerar.
03:13Gostaria de saber um pouco mais até sobre o estreito de Hormuz que a gente tem ali naquela região
03:19e que ele é responsável, ou é uma rota para mais de 20% do petróleo que é produzido por
03:27ali.
03:28O Irã em si produz bem menos do que isso, uns 3%, 4%, né?
03:33Mas por conta desse estreito que tem ali, que acaba sendo também margem para outros países produtores,
03:40então tem essa importância bastante grande para essa commodity, né?
03:44E é isso que boa parte do mundo vai passar a olhar agora, porque por conta dessa intervenção no local,
03:51a gente tem aí até impacto na inflação do mundo inteiro.
03:54Exatamente, mexe com tudo, né, Helena?
03:57Certeza. A gente tem aqui não só o impacto no petróleo diretamente, mas, aqui eu vou puxar minha sardinha geopolítica,
04:05a gente viu nas últimas horas também os principais membros da OPEP+,
04:10que é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo,
04:13as maiores exportações do mundo de petróleo estão nesse grupo de países,
04:18e alguns outros membros observadores também, né, o OPEP+,
04:22a gente já viu eles se adiantando e aumentariam um pouco não só a produção,
04:28mas a exportação.
04:30Há mais ou menos uns dois dias a gente viu o preço do petróleo baixando um pouquinho
04:35e tinha muito a ver com isso, com essa já expectativa de que fosse acontecer um grande ataque no Irã,
04:42ou algo nesse sentido, e que justamente isso já poderia ser previsto pelo mercado.
04:48Então, a gente já está vendo esses países, falando,
04:50olha, fiquem tranquilos, a gente vai aumentar um pouco aqui,
04:52justamente para tentar amenizar um pouco toda essa questão,
04:56que com certeza agora o Irã, mesmo que seja só 3%, 4% da produção global,
05:00ainda assim é relevante, mas mais do que a produção em si,
05:04é justamente o que a Pabllo falou,
05:06é esse estrangulamento que a gente tem do Estreito de Hormuz,
05:09para quem lembrar mais ou menos de cabeça como que funciona ali o Golfo Péssico,
05:14a gente tem aquelas monarquias pequenininhas do Golfo,
05:17Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Oman,
05:21a gente tem esses países justamente com saída virada para o Irã,
05:26e o finzinho dessa saída é controlado pelo Irã.
05:29Então, é muito fácil a gente ter aqui um fechamento,
05:34a gente ter uma grande crise,
05:36a gente ter esse cenário que tem muito mais a ver com geografia,
05:39por essa capacidade de controle espacial ali,
05:42espacial no caso do espaço, mas no caso marítimo,
05:46do que necessariamente a produção do Irã em si.
05:49Então, sim, o Estreito de Hormuz controlado pelo Irã,
05:52essa capacidade de estrangulamento aqui,
05:55se a gente fizer muito pesado no caos do Irã, no pé do Irã,
05:58pode vir aqui consequências bastante relevantes.
06:01A gente viu, inclusive, nas últimas horas,
06:03um último pontozinho,
06:04a gente viu nas últimas horas uma queda muito brusca,
06:07por exemplo, de Bitcoin.
06:10Então, também já prevendo, já sabendo que algo nesse cenário
06:14poderia ser muito mais crítico,
06:16se não me engano, foram 128 bilhões de Bitcoins,
06:20que a gente viu consumindo do mercado, de certa forma.
06:23Então, cada vez mais a gente tem essa questão,
06:26a questão do petróleo, do Bitcoin, do dólar,
06:29e isso só reforça aquela movimentação que a gente já vem vendo há algum tempo
06:34sobre uma busca maior pelo ouro,
06:37que é um pouco mais estável, que a gente consegue confiar mais.
06:40Mas aí, bicho, quando está muito a manga.
06:43É, eu estava exatamente no momento em que você falou do ouro, Helena,
06:47olhando aqui, a gente está agora, claro, com os mercados fechados,
06:51mas vale olhar as cotações futuras,
06:55então, o ouro em alta e o petróleo numa alta relevante,
06:59ali perto dos 3%, depois de um período longo ali de queda.
07:04E aí, vamos trazer para a nossa audiência, então,
07:08possíveis consequências, caso essa situação se prolongue ou se agrave,
07:13porque falamos aqui de Estreito de Hormuz,
07:15e depois a gente vai trazer no telão, inclusive, a arte,
07:18para a gente entender essa geografia e a importância dessa rota.
07:22Mas ouvimos o Robson Farinasso, na conversa anterior,
07:26falando de impacto nas rotas marítimas globais, né, Helena?
07:30E também na questão aérea.
07:33Então, vamos trazer para a gente o que já deve ter de efeito imediato
07:36e o que pode escalar conforme o conflito se agrave também.
07:42Então, quando a gente fala da geopolítica,
07:45então, quando a gente fala da relação dos Estados Unidos
07:48com o seu aliado regional Israel e os demais países que o apoiam,
07:53a gente está pensando num cenário muito mais ocidental,
07:56mas que, cada vez mais, em especial,
07:59por serem atores muito opostos, muito contrários ao Irã,
08:05a gente vê cada vez mais apoio regional, justamente a Estados Unidos,
08:11a Irã, de forma um pouco mais indireta, vamos lá.
08:15O PEP, não, perdão, a OTAN.
08:17Então, que nem a gente comentava agora um pouquinho, né,
08:20sobre o ataque à base italiana.
08:24Então, nesse cenário, um pouco mais voltado para apoio ocidental,
08:31a gente tem ele em completa oposição ao Irã.
08:35Quando a gente pensa no Irã,
08:37aqueles atores armados não estatais que eu comentava mais cedo,
08:40Hezbollah, Hamas, Hutis,
08:44a gente vê eles muito enfraquecidos.
08:46Consequentemente, um Irã muito enfraquecido,
08:49o irmão mais velho que a gente fala do Irã globalmente,
08:53que é a Russa, também está muito ocupada com a sua própria guerra,
08:56agora já bateu quatro anos, bastante tempo.
08:59Então, cada vez mais a gente vê um Irã sozinho, solitário.
09:03Então, esse é o momento de o Irã mostrar tudo o que ele tem,
09:07mostrar toda a sua força, fazer um impacto gigantesco.
09:09Não à toa, nós vimos a retaliação agora já no Bahrein,
09:15no Kuwait, nos Emirados Árabes.
09:17A gente viu bases estadunidenses sofrendo retaliação
09:22no frente médio como um todo, por parte do Irã, né, lógico.
09:25Então, se cada vez mais a gente vê esse Irã sozinho
09:29e com essa potência toda, é agora ou nunca.
09:32Esse é o momento deles de se apresentar.
09:35E é esse tudo ou nada que preocupa demais, né, Pablo?
09:39Pois é.
09:39E até, né, Helena, quando a gente analisa isso, então,
09:42e também já que falamos do estreito e desse poder que o Irã tem
09:46sobre aquela região e sobre as exportações de toda a região, né,
09:51você acha que qual o peso sobre, então, o controle da região
09:57e também o peso militar do Irã?
10:00Você acha que o contra-ataque militar, ele é mais forte, diríamos, né,
10:06tem mais influência do que a própria influência deles sobre o estreito, né,
10:12eu digo, de que forma que eles poderiam reverter essa situação com mais força?
10:17É militarmente ou é comercialmente?
10:20Ah, bom, é um excelente questionamento, na verdade.
10:23Quando a gente pensa no cenário militar, a gente tem Estados Unidos e Israel
10:28que, ó, andam no lugar na frente do Irã.
10:31Então, com capacidades militares muito mais fortes.
10:34Até porque a capacidade militar iraniana, ela é quase que um...
10:40Assim, a gente tá chutando.
10:41Nós estamos prevendo, nós estamos pensando, nós estamos achando o quê?
10:46Com base em dados que são, às vezes, infundados ou, às vezes, com base em dados
10:50que são apenas previsões.
10:52Então, é muito difícil dar essa garantia de como funciona...
10:57Perdão.
10:58De quais são as capacidades militares do Irã hoje.
11:01Quantos mísseis balísticos eles têm?
11:03Como que tá o seu programa nuclear, que foi obliterado pelos Estados Unidos nos últimos ataques,
11:08segundo o Donald Trump, mas também não sabemos, há algum tempo atrás, né?
11:12Então, esse cenário militar, ele é um pouco mais, assim, no mundo das ideias.
11:16Não que ele não exista, mas a gente não tem exatidão.
11:20Agora, quando a gente fala de geografia, quando a gente fala do Estreito de Urmundo,
11:24quando a gente fala dessa capacidade de estrangulamento da exportação ali,
11:30especialmente de uma região que, meu Deus, exporta boa parte do petróleo do mundo,
11:34aí sim, a gente tá falando em termos mais palpáveis.
11:37Justamente por esses termos mais palpáveis, a gente pode pensar um comércio global afetado
11:43agora, já direto.
11:45Até porque, pensem comigo, se a gente deixar de lado por um segundo o elemento mais relevante
11:50dessa história aqui, que é o petróleo, pra pensarmos sobre como que os navios,
11:56os cargueiros saem de lá, agora a gente vai aumentar cada vez mais,
12:01ou pelo menos repensar a logística, as voltas que eles vão ter que dar,
12:06qual que é o outro formato que a gente vai ter que pensar nesse comércio.
12:09Então, algo, assim, vagamente semelhante àquilo que a gente viu ali com a guerra
12:15entre Israel e a faixa de Gaza, justamente a gente viu o comércio global tendo que se atualizar,
12:24atualizar suas rotas pra passar, ao invés de diretamente ali pelo Mar Vermelho,
12:28subir pelo Mediterrâneo e chegar pela Europa, dá toda a volta lá por baixo,
12:32lá na África do Sul, pelo Cabo da Boa Esperança.
12:34Fica muito mais caro, a luz fica muito mais complexa, é muito mais difícil,
12:39demora muito mais tempo, então é capaz, é possível, é muito possível,
12:43digo-se de passagem, de a gente ver isso acontecendo aqui também,
12:46com esse estrangulamento no Espirito de Almoço.
12:49Quero agradecer, Helena Xerém, especialista em geopolítica do Oriente Médio,
12:52pela participação ao vivo aqui com a gente nessa manhã.
12:56Muito obrigada, volto sempre.
12:59Obrigada, Natália, uma boa manhã pra todo mundo.
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