00:00E agora a gente vai falar e volta a olhar para o Estreito de Hormuz, porque temos atualização sobre esse
00:06canal tão importante.
00:08Guilherme Rabaste, nossa analista, já está por aqui no estúdio, ao vivo.
00:12Boa tarde, bem-vindo, Rabaste.
00:14Boa tarde, Nath.
00:15Pois é, Estreito fechado, essa é uma via fundamental para o fluxo de petróleo no mundo inteiro.
00:23Boa parte do petróleo produzido no mundo circula pelo Estreito.
00:27Diante do conflito, o que acontece nesse momento?
00:30Os Estados Unidos já haviam alertado navios para manter uma distância de 30 milhas náuticas.
00:36Das próprias embarcações americanas tem um alerta e tinha um alerta da Marinha Americana para que o caminho, o Estreito,
00:45fosse evitado.
00:46Mas, notícias circulam agora, confirmadas inclusive por agências, de que o Irã também proibiu o acesso de embarcações ao Estreito.
00:59Isso, novamente, tem um impacto grande.
01:01A gente ainda não sabe exatamente como isso vai impactar o preço do petróleo.
01:04Na semana passada, a gente já viu o preço do petróleo sendo impactado por notícias de um potencial conflito.
01:11Então, na segunda-feira, ou quando abrir o mercado, a gente já deve ver um movimento forte, provavelmente, de alta
01:21do preço do petróleo.
01:22Não está claro ainda quanto aumenta, Nath, mas tem uma expectativa de aumento, porque não só o petróleo do Irã
01:30circula ali pelo Estreito,
01:32mas também de outros países que produzem uma quantidade significativa de petróleo.
01:38E isso mexe com o comércio global e com a exportação para países importantes, por exemplo, a China, né, Ravage?
01:45Sem dúvida, Nath. Esse é um ponto importante.
01:48A China é um país que recebe muito petróleo do Irã, é um aliado do Irã e um adversário dos
01:56Estados Unidos.
01:57Nesse sentido, o Estreito ganha um peso ainda maior, o fechamento é ruim para a China e também não está
02:05claro como a China vai reagir ao fechamento do Estreito,
02:09que implica, inclusive, a Rússia, que também é outro grande produtor de petróleo, é um aliado do Irã,
02:15mas os Estados Unidos têm começado uma pressão grande em torno da frota fantasma.
02:23São cerca de 1.500 navios que operam ilegalmente.
02:29Por que ilegal? Porque esses navios não são registrados e, principalmente, eles transportam petróleo sancionado pelos Estados Unidos.
02:36Um petróleo hoje que é vendido para países como a Índia, como a própria China, mas, como são sancionados, ele
02:43não deveria estar sendo comercializado.
02:46Os Estados Unidos proibiram a comercialização.
02:49A gente fala que é frota fantasma porque esses navios usam de artifícios como troca de bandeira,
02:55eles desligam o GPS do navio para ocultar a rota, para esconder por onde eles estão andando no mar.
03:03Eles também fazem a troca do petróleo para outros navios no meio do oceano ou de outros portos.
03:11Por que você faz isso? Para não deixar clara a origem do petróleo ou para simular que esse petróleo está
03:17vindo de um país que não é sancionável.
03:19Então, uma série de artifícios, o tamanho da frota, 1.500 navios, dá uma ideia do tamanho desse mercado.
03:26A gente está falando aí do Irã movimentando 50 bilhões de dólares por meio da frota fantasma.
03:32São estimativas, não tenho o número exato, mas que movimentam até 50 bilhões de dólares em petróleo vendido ilegalmente porque
03:41é petróleo sancionado.
03:43Não só petróleo, diversos produtos iranianos são sancionados, não podem ser comercializados.
03:51Empresas americanas não podem negociar, isso passa também por meio de pagamento.
03:56Visa, Mastercard, outras operadoras americanas não podem transacionar dinheiro iraniano.
04:01E aí tem outro ponto importante para a gente lembrar.
04:05O Irã não é a Venezuela.
04:08Não é por uma série de questões e principalmente o volume de produção.
04:13Enquanto a Venezuela tinha uma produção muito pequena, percentualmente, com impacto mínimo no fluxo mundial de petróleo,
04:21o Irã é sim um player importante e principalmente está numa região que produz muito petróleo.
04:27Então, comparar o ataque com a Venezuela e o ataque ao Irã não é possível e, assim como o impacto
04:35no preço do petróleo, também não vai ser semelhante.
04:38A ação na Venezuela foi pontual, envolveu bombardeios, afetou a infraestrutura do país,
04:45mas ficou uma percepção clara de que não teria um grande impacto na economia global, no consumo, na produção de
04:52petróleo global.
04:53No caso do Irã é diferente, porque mesmo que a gente calcule só o que deixa de ser produzido no
04:58Irã,
04:59não está claro o que o fechamento do estreito pode impactar, o que outros países próximos do Irã vão deixar
05:08de produzir.
05:09A gente tem notícias já de ataques no Bahrein, na Arábia Saudita,
05:15Então, essa retaliação do Irã pode ter consequências e tem ainda um outro tipo de ataque que se tornou muito
05:21comum na guerra da Rússia com a Ucrânia,
05:24que é sabotar instalações.
05:27Um ataque não convencional, não necessariamente um bombardeio, mas sim operadores, agentes secretos, se você preferir,
05:37que estão, se infiltram dentro do país e atacam a infraestrutura.
05:41A gente não tem visibilidade disso, mas tem sido um artifício muito usado na guerra da Rússia e da Ucrânia
05:47pelos dois lados.
05:48É, Rabat, acho interessante essa explicação que você trouxe, porque tanto Venezuela quanto essa situação agora
05:55tem uma relação direta com o petróleo, mas no caso da Venezuela, com a perspectiva de uma ampliação da oferta,
06:02mas num longo prazo, dependendo de várias questões, e o regime não caiu na Venezuela.
06:09E também, Nath, a gente não sabia até que ponto não foi um acordo de quem ficou para derrubar o
06:15Maduro,
06:15para entregar um troféu para o Trump, num certo sentido, sem ter uma mudança efetiva de regime.
06:21No Irã, é uma situação política bastante diferente.
06:23Inclusive, com efeitos no petróleo que podem ser e parecem ser imediatos com essa informação,
06:29então, que chega agora e que a gente traz em tempo real para vocês, do fechamento do Estreito de Hormuz.
06:34E quando a gente estava prestes a entrar, eu perguntei para o Havash, mas quem fecha, quem determina?
06:39O anúncio foi feito pelo Irã, né?
06:41O Irã, até pela localização geográfica, o Irã tem mais facilidade de fazer isso.
06:49A grande preocupação hoje é que o Irã instale minas no Estreito, minas submarinas.
06:55Com uma mina submarina instalada, fica virtualmente impossível se passar ao Estreito,
07:02porque o risco é muito grande.
07:03Nenhum navio de petróleo, nenhum navio comercial vai correr o risco de passar por esse Estreito.
07:10Até mesmo porque, além das próprias operadoras,
07:13as seguradoras vão emitir um alerta impedindo que isso aconteça.
07:18Então, se uma empresa, mesmo que ela queira arriscar passar pelo Estreito,
07:25porque ela tem um seguro, os navios operam com seguros,
07:29vem um alerta da seguradora dizendo não passe pelo Estreito,
07:32porque se acontecer alguma coisa, a gente não vai cobrir.
07:34Até tem cláusulas nos contratos dizendo que em áreas de conflito,
07:38o navio não pode trafegar pelo risco, pelo alto risco que tem.
07:42Claro, sem falar no risco de vidas dos tripulantes desses navios,
07:45ninguém está disposto a arriscar a vida de alguém que não é um militar
07:52para cruzar um Estreito como esse.
07:55E sim, o Irã disse que o Estreito está fechado,
07:59tem emitido alertas para que as embarcações não entrem no Estreito,
08:03mas os Estados Unidos também já alertaram e tem alertado embarcações
08:07de que o risco é muito alto,
08:08portanto, navios não devem passar pelo Estreito.
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