Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 1 hora
Como transformar uma marca tradicional de família em uma potência de mídia e inovação? Neste episódio, Madeleine Lacsko recebe Sandra Chayo, a mente estratégica por trás do crescimento exponencial da HOPE.

Formada em arquitetura, Sandra não entrou na empresa por privilégio, mas por vontade própria. Ela percorreu todas as áreas — do chão de fábrica à logística — para dominar cada detalhe do negócio fundado por seu pai, o libanês Nissin Hara.

Nesta conversa, Sandra detalha como renovou o DNA da marca através de colabs icônicas com Bacio di Latte e SuperCoffee, além da parceria histórica de 9 anos com a nossa super modelo Gisele Bündchen. Descubra como o "toque da Sandra" uniu a tradição da lingerie com o dinamismo do marketing moderno e das grandes parcerias.

Apoie o jornalismo independente. Assine o combo anual de O Antagonista e Crusoé com desconto utilizando o voucher ladoa10
https://bit.ly/ladoa10

Se você busca informação com credibilidade, inscreva-se agora para não perder nenhuma atualização!

🎧Ouça O Antagonista nos principais aplicativos de áudio, como Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music, TuneIn Rádio e muito mais.

Siga O Antagonista no X:

https://x.com/o_antagonista

Acompanhe O Antagonista no canal do WhatsApp.
Boletins diários, conteúdos exclusivos em vídeo e muito mais.

https://whatsapp.com/channel/0029Va2S...

Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00Estamos de volta com mais uma temporada do Lado A.
00:07Agora em novo dia e horário, sempre às quartas-feiras, às 20 horas.
00:13Nossos convidados nem sempre são do mundo da política,
00:17mas pessoas que impactam o mundo no cenário cultural, empresarial, gastronômico e científico.
00:25Só pra citar alguns.
00:30Hoje, a nossa convidada é a Sandra Chaio.
00:33Ela é arquiteta com origens no mundo têxtil, já que viu o pai Nissin Hara erguer a roupa
00:40e logo pulou no barco familiar com paixão por design e moda.
00:45Inspirada na coragem dele, trocou pranchetas por padrões fashion,
00:49mergulhando num universo de cetim e estilo.
00:52Hoje transforma a indústria com visão arquitetônica.
00:56É palestrante, constrói roupas inovadoras, parcerias internacionais e prova que o empreendedorismo está no DNA.
01:05Sandra Chaio, seja muito bem-vinda ao Lado A.
01:09Imadá, pergunta pra ela sobre a origem do nome Roup.
01:12O nome da empresa é Roup.
01:14Roup é esperança.
01:15E aí era uma esperança muito particular, que era a esperança do seu pai de ter um negócio estável.
01:23A Roup era uma marca confortável.
01:27Eu lembro, eu sou da época da calcinha de algodão da Roup, que era aquela que tinha o lacinho, um
01:32ícone.
01:33Então assim, era uma roupa confortável, de um material bom e que vendia muito barato.
01:39E vendia naqueles magazines, a minha família não tinha tanta grana, ia comprar nesses lugares.
01:45Parcelava.
01:45Que parcelava, que era o lugar que parcelava tudo.
01:47Vendia calcinha, pano de prato, panela.
01:50Tem ainda várias redes dessas, né?
01:52Sim.
01:53Mas assim, a história da Roup meio se funde com a história do seu pai.
01:58Você estava nessa crise também, porque seu pai morre de repente.
02:01É um duplo impacto, porque era uma figura muito carismática.
02:05E para o franqueado, tá bom, e agora vai ficar quem?
02:09O que vai ser?
02:10Ele não está mais aí, papapá.
02:12Conta como que ele chega a fazer...
02:15Porque a história do seu pai...
02:16É uma história incrível.
02:17Não, é um filme.
02:18E a gente estava falando antes, né?
02:20É uma história...
02:22Essa geração dos nossos pais, avós, passaram por guerras mundiais e situações muito mais complexas.
02:31Hoje a gente tem muitos privilégios.
02:33Internet, tudo...
02:34A gente é conectado, a gente sabe o que está acontecendo no mundo.
02:37Na época não era assim, né?
02:38Eles não tinham...
02:39Meu pai, ele saiu do Líbano quando ele tinha 20, 21 anos.
02:44Ele perdeu o pai dele muito cedo, quando ele tinha 12 anos.
02:48Ele foi emancipado pela religião para poder fazer o barmiço e rezar pelo pai, né?
02:53A reza dos mortos para o pai.
02:55E ele teve que sair da escola, que ele não gostava muito, não era muito bom aluno,
02:59para trabalhar e trazer comida para a mesa, porque era uma família de oito irmãos.
03:04Minha avó viúva, então ele teve que sair para batalhar.
03:07E não eram oito irmãos trabalhando, porque eram cinco mulheres.
03:10Cinco mulheres pequenas.
03:12A minha tia mais nova tinha seis meses quando minha avó faleceu.
03:16Então, era ele e o irmão mais velho, que tinha 15 anos.
03:20E o meu tio, ele tinha uma formação de contador.
03:23Então, ele conseguiu um emprego certinho e tal.
03:26Meu pai, não.
03:27Meu pai fazia bicos, né?
03:29Então, ele fazia bicos e aventuras.
03:33Ele sempre foi muito aventureiro.
03:34Para você ter uma ideia, ele se atirava das rochas.
03:37No Líbano tem a orla, né?
03:38Com rochas que dão para o mar.
03:40E ele saltava dessas rochas atrás de troco, trocado, né?
03:44Dos turistas.
03:45Ele saía para pescar e mergulhava no fundo do mar para catar oriço,
03:50para também vender.
03:51Enfim, ele ia se virando com o que dava para trazer dinheiro para casa.
03:56Sentar em uma sala de aula e ficar lá ouvindo uma professora falar,
03:59estava muito longe da realidade dele, né?
04:03Ele não ia conseguir.
04:04E vocês são judeus libaneses?
04:07Que para muitas pessoas é um conceito...
04:11Hoje, que está um mundo muito maluco,
04:13acho que muitas pessoas nem sabem que existem judeus libaneses.
04:16Acho que o Líbano é uma coisa e os judeus só estão em Israel.
04:22Os judeus, meu filho, foram expulsos do Líbano,
04:24mas o seu pai não chegou a passar por isso.
04:28Os meus tios, sim.
04:29Meu pai saiu antes.
04:30Os judeus não chegaram a ser expulsos do Líbano,
04:34mas estavam numa situação insustentável.
04:36Diferente de outros países árabes,
04:38que sim, eles foram expulsos mesmo.
04:41Mas judeus estão na diáspora desde a época de Roma Antiga, né?
04:46Quando foram expulsos da terra, que hoje é Israel.
04:51E foram se dispersando pelo mundo.
04:54E aí tem os judeus, acho que nazis,
04:55que são os que vêm do leste europeu.
04:58E os judeus separadistas que vêm da Península Ibérica,
05:03França, França, Espanha e Portugal,
05:07e que acabaram migrando para os países árabes.
05:11E tinha uma comunidade muito importante em todos os países árabes.
05:15Meu sogro é alepino, ele é da Síria.
05:19O meu avô materno era de Damasco, também da Síria.
05:23E assim, estavam espalhados.
05:25Tenho amigos, ou eu tenho um tio que era iraniano.
05:29Então, judeus estavam em todas as regiões, né?
05:32Espalhados pelo mundo, porque eles foram expulsos de Israel.
05:37E o Líbano, naquela época que meu pai saiu,
05:40ele ainda não estava perigoso para os judeus.
05:44Porque os judeus eram uma minoria invisível,
05:46porque estava tendo uma guerra civil entre as falanges.
05:50Entre os tiitas, sunitas.
05:51E o meu pai era muito valentão.
05:54E ele não se conformava com nenhum tipo de preconceito.
05:59E ele defendia as minorias, as mulheres.
06:03E ele via uma briga, ele entrava na briga.
06:06E ele ia defender o lado que ele achava que era o certo.
06:09Ele foi, tipo, voluntariamente para a guerra.
06:11Ele tinha muitos amigos de várias tribos, sabe?
06:13Ele era muito...
06:14Nossa, ele tem um filho que é igualzinho a ele.
06:16Sabe quando você tem várias tribos, que são amigos de todo mundo?
06:19E ele era muito assim.
06:20Então, ele estava lá sempre defendendo todo mundo, né?
06:23E chegou uma situação que estava insustentável.
06:27Minha avó morrendo de medo, porque, vira e mexe, apareciam uns árabes lá,
06:31batendo na porta, querendo pegar meu pai.
06:33E aí, eles decidiram que ia ser melhor ele sair do Líbano.
06:37E aí, ele sai do Líbano, ajudado por tios e avós, que moravam, já tinham emigrado para Nova York.
06:44E tinham uma fábrica de capas de chuva e aceitaram empregar ele e ajudar ele.
06:50E aí, ele morou, então, lá por um ano e meio, até que os tios mandaram ele para o Rio
06:54de Janeiro,
06:55para o Brasil, que ele não sabia onde ficava, porque ele não estudou.
06:59E aí, ele veio parar no Brasil, se apaixonou pelo Brasil.
07:03Porque ele chega no Rio de Janeiro, com aquela orla, calçadão, parecido com o Líbano, né?
07:08Sim.
07:09E aí, ele falou, não, é aqui que eu quero fazer a minha vida.
07:12E aí, ele pediu um empréstimo para os tios e achou uma oportunidade de negócio em Belém do Pará.
07:19E ele morou cinco anos em Belém do Pará, fazendo transporte de cargas entre Belém e Brasília,
07:25porque ainda não existia uma rodovia que ligasse esses dois lugares.
07:28E aí, ele comprou um avião caindo aos pedaços e um dia ele caiu, era um negócio perigoso, né?
07:37E aí, ele decidiu que, depois de cinco anos, não ganhei, não perdi dinheiro, vou para São Paulo tentar a
07:44vida.
07:45E chegou aqui na 25 de março e foi fazer o que ele sabia fazer melhor, que era vender.
07:51Meu pai era um super vendedor.
07:53Ele, até o fim da vida, depois de ter feito uma empresa grande e conhecida nacionalmente,
07:58você perguntava para ele, qual que é a tua profissão?
08:00Ele falava, eu sou vendedor.
08:02E gostava.
08:03Orgulhava.
08:04Ele tinha orgulho de ser vendedor.
08:06Ele tinha um carisma impressionante.
08:09Então, ele ficava amigo dos clientes.
08:11Acho que o segredo de ser um bom vendedor é você se importar com o outro.
08:15E ele se importava com o outro.
08:17Sim, e tem uma coisa que você falou de ficar amigo dos clientes.
08:20Para muita gente que está começando, às vezes a pessoa fica triste que os seus amigos não te apoiam
08:26ou que os seus amigos não compram o seu produto.
08:30E tem gente que fala que é mais fácil o seu cliente virar seu amigo do que o seu amigo
08:33virar seu cliente.
08:34Na verdade, eu acredito muito nisso.
08:36E olha, por experiência própria também.
08:40Você sente isso também?
08:41Sinto.
08:42Nossa, é muito verdade.
08:43Muito verdade.
08:43Eu vejo gente jovem que está começando a trabalhar, não dependa dos seus amigos.
08:48Conquista o seu, você vê que depois eles vão vir atrás, né?
08:51Sim, aí que vem junto.
08:53E muita gente que está ali trabalhando com você e construindo alguma coisa, no fim aquilo vira um laço de
09:00amizade também.
09:01Vira, vira.
09:02Porque você cria essa empatia, essa sinergia, não tem jeito, né?
09:05Quando é genuíno, não tem outro jeito.
09:08É isso mesmo.
09:09E o seu pai, como é que ele vai de se meter numa guerra civil, que ele não tem nada
09:14a ver de chita contra sunita, para vender calcinha?
09:17Porque nunca, nunca.
09:19É uma guerra civil aqui, cata um avião, que eu me mandei para ser piloto, Belém, Brasília.
09:26E aí calcinha?
09:28Como que entra a calcinha?
09:29Ele estava lá com o dinheirinho da venda do avião, que não valia muita coisa, tipo 2 mil dólares, vai,
09:37o dinheiro de hoje.
09:38E ele ouviu, ele tinha um amigo que falou que estava faltando calcinha na praça.
09:44É um amigo que fabricava meia calça e falou que os clientes pediam para ele calcinha e ele não tinha
09:50para entregar, para fornecer.
09:52E aí ele falou, tá aí, eu abri uma fábrica de calcinhas.
09:55E assim nasceu a Rope, com toda a esperança, que era tudo que ele tinha, né, de fazer um negócio
10:00que desse certo, tivesse um impacto positivo.
10:03E ele abriu, então, a Rope como uma fábrica de calcinhas, numa portinha, no Brás, e onde ele fazia tudo.
10:10Ele que produzia, ele tingia, ele entregava, ele cobrava, era tudo ele.
10:16Como é que ele aprendeu a fazer isso?
10:18Ah, ele não tinha muita opção.
10:20Então ele foi atrás e vai falando assim mesmo.
10:23O outro passou por muita dificuldade, ele não sabia fazer conta direito, né, então ele achava que a dúzia de
10:30calcinha tinha que ser vendida por 10, ele vendia por 10.
10:32Mas na verdade custava 13, então ele nunca estava ganhando dinheiro e não sabia porquê.
10:38Aí quando ele foi pedir para o fornecedor do fio mais crédito para comprar fio, aí ele falou, não, você
10:45não vai me pagar porque você não está ganhando dinheiro.
10:47Aí ele pediu para o filho dele, que era contador, fazer as contas, aí ele falou, ah, eu preciso vender
10:53por 15.
10:54Aí ele falou, ainda ele falou para o cara, mas se eu vender por 15, meu cliente não vai querer
10:59comprar de mim.
11:00Aí ele prometeu que ia vender por 15, mas ele foi aumentando aos poucos, né, primeiro 3, depois 15.
11:06E aí começou, e outra, o cliente pedia 10 dúzias, ele entregava 15 dúzias, porque o cliente não devolvia, acabava
11:16vendendo tudo e aí ele ganhava mais.
11:19Então ele era muito esperto, assim, ele não tinha formação, não tinha estudos, mas ele ia se virando e ele
11:25não tinha outra opção, ele tinha que dar certo.
11:27Acho que esse é o segredo de quem vence na vida, sabe, é querer muito, ter muita garra e muita
11:33vontade de que aquilo dê certo, né, eu acho que isso é o que faz toda a diferença.
11:38E aí eu fui crescendo, prosperando, e aí sim, isso foi em 66.
11:43Em 69, aí sim, a vida para os judeus no Líbano estava insustentável, e aí os meus tios chegam no
11:52Brasil.
11:53Metade veio para o Brasil, as irmãs foram para a França, até hoje metade da família aqui, metade lá, e
11:59os irmãos homens se juntam a ele no negócio.
12:02A família é sempre muito unida e não tinha outra alternativa.
12:07E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, porque aí ele pôde focar no que ele fazia melhor, que
12:13era vender.
12:14E aí a empresa cresceu, transferiu bastante, né, os meus tios ficaram na parte administrativa, na produção, e aí ele
12:22saiu vendendo.
12:23E aí foi um período muito feliz aí da vida deles, ele casou, teve a minha irmã, aí os meus
12:31tios casaram, e aí a família foi crescendo, os negócios dando certo, e a esperança realmente acontecendo, né.
12:40E como é que virou o que é hoje, que é tipo, é um ícone fashion que junta a gente
12:46famosa, que não sei o que, como que dá esse salto?
12:49Eu, que nunca imaginei trabalhar na roupa, em 99 entrei na empresa, e assim, os meus pais, o meu pai
13:00principalmente, ele sempre incentivou a gente a construir o nosso, né, as três filhas.
13:05Imagina um homem que adora mulheres e que não é parte da cultura, né, porque a cultura árabe, ela é
13:11essencialmente machista.
13:13E cá entre nós, eu sabia que eu não precisava trabalhar, porque meu pai ia prover pra mim, no futuro
13:18eu ia casar, ia ter alguém pra prover pra mim, mas eu sempre fui instigada a querer fazer o meu.
13:22Eu acho até assim, a sucessão, como o seu pai fez, é uma coisa muito atípica para libaneses, muito atípica,
13:33porque o típico é o quê? Ele não tem filho homem, então passa pro genros.
13:40É.
13:41É o típico, o que que era a cabeça dele pra não...
13:45É, não, ele tinha, sempre teve essa cabeça muito à frente do tempo, ele sempre quis que a gente trabalhasse,
13:52que a gente fizesse o nosso, e que a gente se sentisse realizado, porque esse era o principal pra ele,
13:57porque ele achava que se a gente não tivesse construído algo relevante pro mundo, a gente não ia se sentir
14:02realizado como ele se sentia.
14:05E ele era muito de não dar o peixe, e sim ensinar a pescar.
14:10Pra você ter uma ideia, Amada, sabe como ele me ensinou a nadar?
14:14Não, contos.
14:16Então, a gente tava num fim de semana, eu tinha três aninhos, a gente tava num fim de semana no
14:21Rio de Janeiro, num hotel que tinha trampolim, tinha dois níveis de trampolim, ele simplesmente pegou e me atirou do
14:28trampolim na oficina.
14:30Minha mãe desesperada, porque a minha irmã, cinco anos mais velha, ela demorou cinco anos pra conseguir engravidar de mim,
14:36ela, ela vai se apogar, salva ela.
14:39Ele, não, ela tem que aprender a se virar.
14:42E aí, mas três anos?
14:44Três anos!
14:45Mané que eu cheguei na borda?
14:48Então, deu certo. E aí, depois eu fui contar essa história na internet, né, nos meus canais, tem um monte
14:53de primo, que a família é muito grande, ele fez isso comigo, ele fez isso comigo.
14:56Então, pra quem ele gosta, quem ele se importa, ele quer desenvolver essa resiliência, essa coisa de você se fazer,
15:03de você ter conquistas, né, de você poder ter essas conquistas pra se vangloriar.
15:08E ele sempre foi muito assim. E eu, em 2000, eu me casei muito cedo, né, me casei em 95,
15:16com 20 anos.
15:19E, graças a Deus, deu certo, somos casadas há 30 anos, mas poderia não ter dado, mas o meu marido
15:27sempre me apoiou muito a trabalhar também, a querer fazer o meu.
15:30E eu comecei a trabalhar, eu tava estudando arquitetura, eu queria ser arquiteta, designer, eu queria trabalhar com coisas delas,
15:37e a roupa era essa marca popular, que vendia em magazine.
15:40Sim!
15:41Né, nunca pensei.
15:43Não era a marca fashion, que é hoje. E eu nunca pensei em trabalhar na roupa, nunca tinha pensado.
15:48Apesar de ter uma ligação emocional, porque empresa familiar, é tudo uma coisa só, né, pra você ter uma ideia,
15:54a convenção da empresa era na nossa casa, no Guarujá.
15:58Testa de final de ano, churrasco, a gente sempre tava na fábrica, a gente tinha uma relação próxima com gente
16:04que trabalhava e trabalha até hoje lá, então, era muito a mesma coisa.
16:09Mas eu nunca tive como objetivo de vida trabalhar lá, e o mesmo meu pai era a gente ser a
16:17filha do dono, sabe, de ter aquele emprego garantido.
16:21Ah, essa aí tá feita na vida porque ela tem emprego garantido. Ele, não, você vai ter que enralar pra
16:25chegar e conquistar uma posição aqui dentro.
16:29É, aquela coisa, porque também essa coisa do... é claro que ele quer os filhos, vai prover pros filhos, mas
16:35uma coisa é você prover pros seus filhos,
16:37a outra coisa é você dar poder aos seus filhos no seu negócio.
16:41São departamentos completamente diferentes, né, tem gente que junta.
16:45Ele foi muito arrojado, porque ele sempre foi muito de ouvir as pessoas.
16:49Se você tem uma ideia melhor, ele nunca foi apegado às ideias, não tinha essa coisa de egoísta de que,
16:54não, a ideia é minha, então tem que ser a minha ideia.
16:57Se você serve o cafezinho na empresa, mas você tem uma ideia boa, vamos na tua ideia.
17:01Ele era muito assim, não é porque éramos filhas que ele ouvia a gente.
17:06Mas eu já vou te contar uma história que foi a que transformou, só falar da minha entrada, né.
17:10Então, eu tava trabalhando, eu tava estudando arquitetura e meu pai tinha, tem, ainda temos, né, agora, muitos imóveis.
17:19Porque acho que é uma coisa da cultura árabe, né, de terra, né, de querer...
17:23O primeiro milhão que ele ganhou, ele comprou uma ilha no Guarujá, pra você ter uma ideia.
17:26Então, é uma coisa que era dele, assim, e ele, eu vi essa oportunidade de trabalhar e desenvolver, essa minha
17:37cabeça já empreendedora, de trabalhar esses imóveis dele, pra poder ser o meu trabalho.
17:43Eu tava nessa linha.
17:44Só que, em 98, eu vi que eles estavam passando por um dilema.
17:49Eles já tinham crescido, prosperado bastante, mas o meu pai queria expandir ainda mais.
17:55E em São Paulo, onde era a fábrica, até eles saíram do Brás, em 85, foram pra uma fábrica grande,
18:03de mais de 20 mil metros quadrados, no Itaim Paulista.
18:06E o meu pai queria crescer mais.
18:11E confecção precisa de muita mão de obra, mão de obra intensiva, precisa de uma pessoa atrás da máquina de
18:17costura.
18:18E, em São Paulo, as mulheres, principalmente, uma indústria que emprega muitas mulheres, não queriam mais trabalhar atrás de uma
18:26máquina.
18:27Elas queriam trabalhar com telemarketing.
18:28Na época, eu tava na moda do telemarketing.
18:31E, fora isso, tinha muito problema com sindicatos, tava difícil crescer em São Paulo.
18:37E aí, ele decidiu fazer uma pesquisa pelo Brasil, ele nunca quis sair do Brasil, pra ver o Estado que
18:44oferecesse melhores condições.
18:46Tanto de mão de obra, quanto, talvez, incentivos, pra ele fazer essa mudança e levar essa esperança dele pra outro
18:54lugar.
18:54E ele encontrou isso no Ceará, na cidade de Maranguape.
18:58E ele decidiu fazer essa mudança.
19:01Só que, os meus tios não toparam.
19:05Já estavam numa situação mais confortável, a família era muito pobre, conseguiram ganhar dinheiro, ter uma situação de vida cômoda.
19:12Pra que que eles iam se arriscar e sair do conforto, né?
19:16De estar com um negócio próximo e tal.
19:19E aí, eles optaram por fazer uma cisão.
19:23Onde o meu pai ficou com a roupa e os meus tios ficaram com a mesh, que é a moda,
19:27a marca de moda masculina, que o meu pai criou nos anos 70.
19:31E foi a solução perfeita.
19:32Eles continuaram amigos e muito próximos.
19:35Eu e os meus primos até hoje.
19:39E o meu pai com os irmãos até o fim da vida.
19:41Sempre muito unidos e grudados.
19:44Mas essa cisão foi muito importante pra esse momento.
19:49E eu comecei a fazer um estágio.
19:52Como eu vi que ia acontecer uma movimentação, eu pedi e o meu tio me ofereceu um estágio.
19:58Como se fosse um programa de trainee.
20:00Porque, na época, a empresa era totalmente verticalizada.
20:03A gente tinha a fiação do algodão, a gente tinha a malharia, tinha a fábrica de elástico, fábrica de renda,
20:08confecção.
20:08O centro de distribuição.
20:10Então, eu fiquei um tempo em cada uma dessas áreas.
20:13E pra mim foi muito importante ter essa visão 360 do negócio.
20:17E aí eu me apaixonei.
20:18Falei, não, é isso que eu quero fazer pro resto da minha vida.
20:22Apesar de nunca ter sido convidada, fui lá me meter.
20:25E eu falei, não, é isso que eu quero.
20:28Aí pedi pro meu pai se eu podia trabalhar com ele.
20:31Ele deixou, nunca me convidou.
20:33E aí ele convidou as minhas irmãs.
20:35Elas gostaram da ideia, decidiram entrar no negócio também.
20:39E, em 99, a gente muda a fábrica para o Ceará, pra Maranguape.
20:46E aí começa essa transformação da marca, né?
20:50Porque a gente vende 70% das nossas vendas eram pra lojas de departamento.
20:55E 30% pra multimarcas de bairro, armarinho.
21:00Na época tinha muito.
21:01É lojas, assim, que vendiam de tudo um pouco e tal.
21:05E quando você vende pra multimarcas e pra lojas de departamento, principalmente,
21:10é muito difícil você agregar valor pra aquele produto.
21:13Porque se eu quisesse mudar o lacinho pra um lacinho mais sofisticado,
21:18daquela calcinha que você gostava,
21:20era uma guerra por preços, né?
21:22O meu concorrente ia oferecer mais barato,
21:24então o cliente, né, que é o lojista, ia comprar do meu concorrente.
21:27Não ia comprar da roupa, então ia perder mercado.
21:29Então eu não conseguia, ela ficava muito travada.
21:32E o preço, e o diferencial, era o preço?
21:35O diferencial é o preço, não é o produto.
21:38Apesar da roupa ser uma marca que sempre teve esses atributos de conforto,
21:41de qualidade, durabilidade,
21:43mas esse não era um diferencial que sustentasse pra cobrar mais caro.
21:51O estilo não sustentaria isso.
21:54Exato, eu acho que é justamente o ponto.
21:57Era um estilo, não tinha um estilo, na verdade.
22:01Tinha, era quase que uma commodity, né?
22:03É, porque a moda íntima tem isso, ela é funcional.
22:07Ela é aquela primeira peça em contato com a sua intimidade,
22:11então é uma proteção.
22:12Tem a parte funcional, sutiã,
22:14às vezes tem quem tem muito seio,
22:17até uma questão ergonômica, né?
22:19Tem gente que tem dor nas costas,
22:21então é importante esse lado da moda íntima.
22:25Mas não tinha apelo de moda,
22:27e eu queria trabalhar com design, né?
22:29Com coisas delas, pra mim eu ficava um pouco frustrada.
22:32E aí a visão que eu tive foi de que a gente precisaria
22:35entrar no varejo como marca.
22:37Eu sempre viajei muito,
22:39e eu vi aqui nos Estados Unidos tinha a Vitória Secrets,
22:41que tava me espontando aí com essas mais de mil lojas.
22:44E que tem coisa de todo preço.
22:46De todo preço, também super democrática, né?
22:50Mas você conseguia trazer um estilo.
22:53E não só isso, com uma loja,
22:56você consegue passar muito mais do que um produto,
23:00o estilo.
23:01Você envolve a cliente numa atmosfera
23:04onde a luz é controlada,
23:07o ambiente, a luz, a música que toca,
23:10o aroma da loja, o treinamento da equipe de vendedora,
23:14do serviço que você vai oferecer pra cliente
23:15quando ela entrar na loja.
23:17É tudo pensado pra envolver a cliente nesse universo.
23:20E aí eu coloquei isso na cabeça,
23:22e eu falei, no Brasil não tinha
23:24nenhuma loja monomarca de lingerie nos shoppings.
23:28Não existia.
23:29E aí eu tive essa visão de que,
23:31se a gente não entrasse no varejo como marca,
23:34no futuro, a gente ia trabalhar
23:36pra alguma marca que estivesse no varejo.
23:39Sim, e aí comecei uma transformação
23:42na Rope, que começou nos produtos,
23:45passou pela comunicação,
23:47e culminou com a nossa entrada no varejo,
23:50através do sistema de franquias.
23:52E aí eu vou te contar uma história
23:54que foi o que fez toda a diferença
23:56pra que isso desse certo.
23:58A Rope tinha a cultura B2B,
24:00business to business, né?
24:02A gente sempre teve como propósito
24:04fazer o nosso cliente ganhar dinheiro.
24:06Vender e ganhar dinheiro.
24:08E o meu pai, ele...
24:10A gente começou uma guerra dentro da Rope,
24:12porque ele entendeu
24:14que a gente precisaria se movimentar,
24:16mas em vez de varejo,
24:18ele começou a lutar por uma ideia
24:20de venda direta,
24:21venda por catálogo, sabe?
24:23Tipo Avon, Natura,
24:24que na época estava também despontando
24:27uma super oportunidade de negócio.
24:28Era algo que ele já tinha tentado
24:30lá nos anos 80,
24:30e ele teve que frear,
24:32porque as vendas no varejo multimarca
24:34acabaram crescendo tanto
24:35que ele não conseguia atender os dois canais.
24:37Ele teve que focar em um
24:38e ele escolheu o varejo.
24:39E aí, agora ele falou,
24:41não, agora eu vou fazer a venda direta.
24:42E por quê?
24:43Isso é uma coisa que muitas...
24:44Muitos empresários que vêm de baixo
24:48são apaixonados por esse modelo,
24:50porque ele dá a oportunidade de muitas...
24:53Principalmente mães de família,
24:55de ou terem uma segunda renda,
24:56ou de viverem disso mesmo, sabe?
25:00De terem autonomia financeira
25:01para poder sustentar suas famílias.
25:04E ele gostava muito de mulher, né?
25:08Ele teve três filhas,
25:10cinco irmãs,
25:11a minha mãe,
25:12a mãe dele,
25:12ele era rodeado de fábrica, né?
25:14Uma confecção,
25:15um monte de mulher na fábrica.
25:17E ele queria dar essa oportunidade
25:20de trazer essa esperança dele,
25:22de ter mais gente,
25:23ainda mais mulheres,
25:24um exército de mulheres
25:25vendendo e vivendo da esperança dele.
25:28E aí,
25:30eu com essa história do varejo,
25:32e como é que eu consegui convencer ele?
25:34Foi com um livro que eu estava lendo,
25:37eu estava grávida,
25:38do meu terceiro filho.
25:40E eu sempre gostei muito de ler, né?
25:43E eu acho que as pessoas
25:45saem da escola, da faculdade,
25:47e acabam não aprendendo mais.
25:48E a leitura é um jeito de você
25:50se aprofundar em assuntos
25:51que você se interessa.
25:52E eu caí num livro
25:54do Marcelo Cheto,
25:55chamado Franchising.
25:58Aí veio a eureca, sabe?
26:00Eu falei, poxa, tá bom.
26:02Não vai ter um exército de mulheres
26:04vivendo de roupa,
26:05mas a gente pode dar oportunidade
26:07para empresários e empresárias
26:09que queiram investir
26:11e viver de roupa.
26:13Aí ele topou a ideia.
26:14Nunca desistiu da outra.
26:16Ele sempre amava um jeito
26:17de fazer catálogo
26:19e atender revendedora e tal,
26:20mas ele decidiu
26:24que a minha ideia
26:25era boa
26:25e que a gente
26:26ia seguir com ela.
26:28E assim nasceu
26:29a primeira rede
26:29de lojas de lingerie
26:31no país.
26:31Em 2005,
26:33em dezembro de 2005,
26:34a gente inaugura
26:35a primeira loja.
26:36Hoje estamos com mais
26:36de 350 lojas
26:39pelo Brasil.
26:39E vendedoras, né?
26:41Porque no fim...
26:42E vendedoras,
26:43as vendedoras.
26:44Hoje a gente fez um cálculo,
26:46são mais de 8 mil
26:47pessoas envolvidas
26:49em todo o nosso...
26:50Entre fábrica
26:51e desde a fábrica, né?
26:53Porque a gente tem
26:53o ciclo todo
26:54da fábrica
26:55até o ponto de venda.
26:57São mais de 8 mil
26:58pessoas envolvidas.
27:00E é uma...
27:02É algo
27:05feminino, né?
27:05Ou tem?
27:08Vendedor homem...
27:09Não, não dá certo.
27:10A gente já testou
27:10vendedor homem,
27:11vendedor gay.
27:12Mas é uma coisa
27:13que não deu certo.
27:16E agora a gente
27:17tem a linha masculina.
27:18A gente lançou
27:19em 2022
27:19a linha masculina.
27:21As melhores cuecas,
27:22pijamas.
27:23Mas,
27:25mesmo assim,
27:26a gente vê que
27:27a mulher tem
27:28essa coisa do cuidado,
27:29do servir,
27:30que envolvem
27:31um ambiente.
27:32Então, acaba que
27:33a gente emprega
27:35muito a mulher.
27:36E mesmo eu acho
27:37que muitos homens
27:38para comprar
27:38esse tipo de coisa
27:41confiam em mulher.
27:42porque quem escolhe
27:44e quem
27:45dá a dica
27:46do que é bom
27:46e do que é ruim
27:47em casa,
27:47geralmente é a mulher.
27:48Muita gente fala
27:49que isso é machismo,
27:49mas acho que não é.
27:51São características
27:52diferentes.
27:53Às vezes eles querem
27:53o nosso aval, né?
27:54Ah, sim.
27:55Não, essa é boa.
27:56Pode comprar.
27:57Tem um ditado grego
27:58que eu adoro
27:59que fala que
28:01o homem é a cabeça,
28:03mas a mulher
28:03é o pescoço, né?
28:04A gente que manda.
28:05A gente que não vem olhar.
28:07E aí,
28:09com tudo isso montado,
28:12como é que você fez
28:13para chegar
28:14no que é hoje?
28:16Porque hoje
28:17é ícone fashion,
28:18é diferente,
28:18é outra história.
28:20Então, a gente fala
28:21que na Rope
28:22a mulher
28:22é a nossa inspiração,
28:24mas a inovação
28:25é a essência
28:26dos nossos negócios.
28:27A gente tem uma história
28:27de inovação
28:28que vai desde
28:29processos produtivos
28:30até inovações
28:33em comunicação,
28:36em produtos,
28:37em todas as áreas.
28:39E uma delas
28:41que é muito emblemática,
28:42que eu posso contar,
28:43é em 1985,
28:45a Rope criou
28:47o que foi
28:47o primeiro merchandising
28:48numa novela
28:49no Brasil.
28:50Hoje em dia,
28:51merchandising
28:51é super comum, né?
28:52Você tem Big Brother,
28:54são os maiores
28:54faturamentos aí
28:55para as emissoras,
28:57mas na época
28:58não tinha.
28:59e não tinha os streamings,
29:01Netflix,
29:02essas coisas.
29:03E toda casa
29:03que tinha uma televisão,
29:05essa televisão
29:05estava ligada
29:06na novela
29:07Rock Santeiro.
29:08Foi um super sucesso.
29:10Sabia que foi
29:11o maior share
29:12de novela
29:13da história?
29:14Eles chegaram
29:15a ter capítulo
29:16com 99%
29:18do share.
29:18Olha,
29:19isso não exige, né?
29:20Não, impossível.
29:22Não, então,
29:22foi um super ícone
29:24e aí o meu pai
29:25ligou para o visitário
29:26que atendia
29:27a conta dele na época,
29:28na hora da novela,
29:29falou Agnello.
29:30Era o Agnello Pacheco.
29:32Virou amigo também, né?
29:34E ele falou,
29:35eu quero
29:36entrar na novela.
29:37Aí ele falou,
29:38ok,
29:39vou bolar um comercial
29:39e a gente coloca
29:40no intervalo da novela.
29:42Ele falou,
29:42não, não,
29:42você não está entendendo.
29:43Eu quero estar dentro
29:44da novela,
29:45fazendo parte do enredo,
29:46com os personagens
29:47falando da minha marca.
29:49Aí foi assim
29:50que nasceu
29:51o primeiro merchandising.
29:52E nesse momento,
29:53as vendas explodiram.
29:55Foi um daqueles momentos
29:56que eu falo
29:56que é uma mudança
29:57de patamar, sabe?
29:58Virou o jogo
30:00para a empresa.
30:00A gente foi
30:01para um outro nível.
30:02E depois dessa inovação,
30:03vieram outras grandes inovações.
30:05E quando eu entro,
30:07eu falo,
30:07poxa,
30:08eu preciso manter, né?
30:09Chegar no mesmo nível.
30:11Fazer algo à altura.
30:13Eu que estava
30:13encarregada
30:14dessa transformação
30:15que começou nos produtos,
30:18terminou
30:19nessa nossa entrada
30:20no varejo,
30:21mas isso passa
30:22pela comunicação.
30:22e aí eu,
30:25em 2006,
30:26quando eu estava lançando
30:27a linha nude,
30:29que é aquela
30:29que não tem costuras,
30:31não tem elásticos,
30:32não marca embaixo da roupa,
30:33era um produto
30:33super inovador,
30:35não tinha no mercado,
30:37eu precisava
30:38de uma campanha
30:38à altura.
30:39E na época,
30:41não tinha modelos.
30:43A gente tinha feito
30:43uma campanha
30:44com o Austin Oliveto,
30:45que pediu,
30:46a gente estava
30:46abrindo uma concorrência,
30:48aí quando soube
30:48da concorrência,
30:49ele falou assim,
30:49eu fiz meu maior sucesso
30:52no teu setor,
30:53então você tem
30:54que me dar essa conta
30:54que eu vou fazer
30:55algo legal.
30:56Aí eu falei,
30:57tá bom.
30:58E ele falou,
31:00ele bolou uma campanha,
31:01muito legal,
31:02você esquece
31:03que você está vestida,
31:03tal,
31:04e aí precisavam
31:06de três modelos,
31:07só que a gente
31:08não estava encontrando
31:08nenhuma modelo,
31:09porque estão todas
31:10morando fora,
31:11na época o câmbio
31:12não estava favorável
31:13para ela,
31:14estava trabalhando fora,
31:16e o fotógrafo,
31:17o Jairo Goldfuss
31:18sugeriu uma amiga dele,
31:20que era uma celebridade,
31:23e naquela época
31:24era impensável
31:24você colocar
31:25uma celebridade
31:26numa campanha de moda,
31:27porque as celebridades
31:29estavam na Caras,
31:30na Contigo,
31:31na Quem,
31:32e as revistas de moda
31:34eram impensáveis
31:35você ter uma Kardashian
31:36na capa da Vogue.
31:37Era no Deus mesmo,
31:39era a era
31:39das supermodels,
31:40era outra onda.
31:42Até antes das supermodels,
31:43na época estava na moda
31:45aquelas modelos
31:46bem magras,
31:47andróginas,
31:48sabe,
31:48são caras de
31:49meio doente,
31:51uma época meio sombria,
31:53assim,
31:53da moda.
31:55E aí ele sugeriu
31:57a Daniela Sicarelli,
31:58que era uma
32:00celebridade,
32:01porque ela tinha
32:01acabado de terminar
32:02o casamento dela
32:03relâmpago com o Ronaldo,
32:06estava lá
32:06em todas as revistas
32:07de fofoca,
32:08e era um super risco,
32:10porque quando você inova
32:11você tem que assumir riscos,
32:12podia dar muito errado,
32:14mas foi um super sucesso,
32:16e eu vejo que foi mais um
32:17desses momentos
32:18que a gente mudou
32:20de patamar,
32:20sabe,
32:21que a gente foi
32:21para um outro lugar,
32:22a gente explodiu em vendas,
32:24nunca vendemos
32:25tantas calcinhas,
32:26a gente criou
32:27esse produto
32:28que hoje virou
32:29uma categoria,
32:31todas as marcas,
32:32no mundo todo
32:32tem esse produto,
32:33mas nós somos os primeiros
32:34e quando você é o primeiro
32:35você apanha mais,
32:37mas a gente ficou
32:37alguns anos
32:38sozinhos
32:38nesse mercado
32:39e foi um sucesso,
32:43mas aí a gente
32:44experimentou,
32:45a gente gostou
32:46da brincadeira,
32:46e aí depois
32:47da Daniela Ascarelli
32:48veio o Juliana Paz,
32:50veio o Débora Seco,
32:51veio o Anitta,
32:53enfim,
32:53a gente começou
32:54essa história
32:54com celebridades
32:56e grandes personalidades,
32:58a gente também fez
33:00colaborações,
33:01coleções assinadas
33:02com estilistas,
33:04então,
33:04o Alexandre Kovic
33:05assinou
33:06umas cinco coleções
33:07para a gente,
33:08Juliana Jabor,
33:11Wanda Borges
33:12e Letícia Bronstein
33:13fizeram coleções
33:14de noivas
33:15para a gente,
33:16então,
33:17essa associação
33:18de marcas
33:19com ícones
33:20do estilo
33:20e do mundo
33:22fashion
33:23também trouxeram
33:24essa notoriedade,
33:25fizeram,
33:26porque não adianta
33:27ser só mudar
33:27o estilo
33:28e mudar
33:29as aparências,
33:31o jeito
33:32com que você
33:33se comunica,
33:34então,
33:35acho que essa junção
33:36de coisas
33:36fez com que a gente
33:38mudasse essa imagem
33:39e a gente ter
33:40essa percepção
33:40hoje da marca
33:41Hope,
33:42se essa marca
33:42tão fashion.
33:43Teve também a história
33:44da Gisele,
33:45Gisele Vinten,
33:47que você não imagina
33:50na época,
33:51você sabe
33:52porque você viveu,
33:53mas ela era
33:55aquela celebridade
33:57inalcançável,
33:59ela era
33:59aquele sonho,
34:01aquela angel
34:01que quando desfilava
34:02as pessoas se emocionavam,
34:04os desfiles da Vitória Secrets
34:05na época eram,
34:07assim,
34:08era o segundo comercial
34:09mais caro da televisão
34:10americana,
34:11só perdia para o Super Bowl,
34:12então era o evento
34:13mais importante
34:14nos Estados Unidos
34:15depois do futebol americano.
34:17Eles retomaram agora,
34:18retomaram,
34:19mas aquilo ali,
34:22eu acho que é um universo
34:24que ficou ali
34:25naquele período do tempo,
34:26não vai repetir.
34:27Nunca mais,
34:28os tempos mudaram,
34:31entraram concorrentes,
34:32a própria Kim Kardashian
34:33tem uma marca
34:34que é muito mais
34:35relevante
34:36midiaticamente
34:37do que o desfile
34:38da Vitória Secrets,
34:39enfim,
34:39tudo mudou,
34:40nada para sempre,
34:42mas ela era
34:43aquela figura
34:44do nosso setor
34:45inalcançável,
34:46inatingível,
34:47só que num dia,
34:48um belo dia,
34:49ela decidiu não renovar
34:50o contrato dela
34:51com a Vitória Secrets
34:52e eu,
34:53assim como todas
34:54as outras marcas
34:55de lingerie do mundo,
34:56fomos lá,
34:58bater na porta dela
34:59para tentar contratar ela
35:01e a gente não conseguiu
35:04contratar a Gisele,
35:06a gente conseguiu
35:07muito mais do que isso,
35:08a gente conseguiu
35:08uma parceria
35:09que durou nove anos
35:11e que foi muito intenso,
35:13um período que mudou
35:15realmente a nossa história,
35:17dessas mudanças
35:18de patamar
35:19que a gente fala
35:20e que foi muito importante.
35:24No primeiro dia
35:25que a gente foi fazer
35:26o primeiro shooting,
35:27ela tinha acabado
35:28de ter o filho dela,
35:29o Beni,
35:30ele tinha três meses
35:31e ela já estava
35:32com aquele corpo escultural,
35:34linda, maravilhosa,
35:35perfeita
35:36e ela me falou,
35:37sabe,
35:37eu tenho um sonho,
35:39eu tenho o sonho
35:40de ter a minha própria marca
35:41de lingerie,
35:42porque eu fiz
35:43a Vitória Secrets,
35:44a Vitória Secrets
35:45se fez em mim
35:47e eu acho que eu tenho
35:48muito para contribuir
35:49para esse setor.
35:51Aí eu falei,
35:52tá bom,
35:53então vamos fazer
35:53esse sonho acontecer.
35:55E aí um ano depois
35:56a gente lança
35:57a Gisele Binti Antimates,
35:59que é a marca
36:00que a gente criou
36:01e licenciou
36:02na Gisele
36:03e que foi muito importante,
36:05muito relevante,
36:06chegou a ser 20%
36:07da venda das lojas,
36:08um super sucesso,
36:10ela se envolvia
36:10de verdade
36:11desde a criação
36:12dos produtos
36:13até premiar
36:14a equipe de vendas
36:15que mais vendia,
36:16ela pessoalmente
36:17ia premiar,
36:19então ela se envolvia
36:20muito
36:21e um super
36:23case de sucesso,
36:23a gente ganhou
36:24um prêmio
36:24do WGSN,
36:26que é como se fosse
36:26o Oscar da moda,
36:28o WGSN Global Fashion Awards,
36:31então por causa
36:32da coleção
36:32da Gisele,
36:33então um motivo
36:34de muito orgulho
36:36para a empresa,
36:37mas todos esses tipos
36:38de ações
36:39fazem com que a gente
36:40misture
36:41esses universos,
36:42o fashion
36:43com o funcional
36:44que a moda íntima
36:46é.
36:47Você hoje
36:49faz também,
36:50tem um
36:51um squad mesmo
36:54de influenciadores
36:55que orbitam
36:56em torno
36:56da Hope
36:57e está fazendo
36:58também
36:59collabs
37:00com marcas,
37:01como que surge
37:03isso?
37:03Porque eu tenho
37:04visto muito
37:06e geralmente
37:07os collabs
37:08são entre marcas
37:09bem legais
37:10em coisas
37:11que você não
37:11pensa,
37:12como é que vocês
37:12estão fazendo isso
37:13agora?
37:14Inusitadas,
37:14então a gente
37:15tem a Hope Resort
37:16agora que é
37:17moda fitness
37:18e moda praia
37:19e aí a criatividade
37:21rola, né?
37:22Para você ter uma ideia,
37:23a primeira,
37:24você está falando
37:25da Super Coffee, né?
37:26Mas eu vou te contar
37:27uma anterior a essa
37:28que é com a Bate de Latte,
37:29sabe?
37:29Eu vi.
37:31A gente fez os biquínis
37:33com um tecido
37:34que tinha a textura
37:35do sorvete,
37:36as cores dos sorvetes
37:37e vinha na embalagem
37:38do sorvete da Bate.
37:40Então também
37:41foi um super sucesso,
37:42mais recentemente
37:43a gente fez
37:44uma collab
37:45com a Super Coffee
37:47que foi um sucesso,
37:49assim, esgotou
37:50no primeiro final de semana
37:51a gente teve que correr
37:52para produzir mais
37:53e, mas justamente
37:54por isso,
37:55porque essas marcas,
37:57elas são icônicas
37:58em outro setor.
37:59E a gente,
38:00quando tem um departamento
38:01de estilo grande
38:02que nem a gente tem
38:03na Hope,
38:04a gente tem
38:05uma carinha nossa,
38:07né?
38:07até porque
38:09os nossos atributos
38:11de qualidade,
38:11conforto,
38:12durabilidade,
38:13isso nunca vai mudar,
38:14mas a gente tem
38:15o nosso estilinho lá,
38:16o nosso jeitinho
38:17Hope de ser.
38:18Quando vem alguém
38:18de fora e traz
38:19novas ideias,
38:21acaba incorporando
38:23uma cara diferente
38:24para a coleção.
38:25E no caso aqui
38:26com a Super Coffee,
38:27por exemplo,
38:28não foi só
38:30essa cara diferente,
38:31eles trouxeram
38:32atributos diferentes,
38:33então o fio
38:35do tecido
38:36das peças
38:37com a Super Coffee,
38:38eles eram feitos
38:39a partir
38:40da fibra do café,
38:42de um resíduo
38:42da fibra do café.
38:45É muito legal, né?
38:46O que faz isso?
38:46Eu nem sabia
38:47que era possível
38:49que existia
38:50e quando a gente
38:51pensa num tecido
38:52que vem da fibra
38:53da não sei o que,
38:54você pensa num tecido
38:55plano,
38:57num tecido
38:57alfaiataria,
38:59agora vem o tempo
39:00Uma malha, é.
39:01Mas não numa malha,
39:02não, é muito legal.
39:04Não, a tecnologia
39:04têxtil evoluiu muito.
39:06A gente tem hoje
39:07tecidos sustentáveis,
39:09biodegradáveis
39:09e que se decompõem
39:11no meio ambiente
39:12em três anos,
39:13em dez dos cinquenta anos
39:14ou até duzentos anos,
39:15tem algumas,
39:16tem alguns produtos
39:17que,
39:18de origem do idosa,
39:19que a gente
39:20nunca vai saber
39:21quando eles vão se decompor
39:22porque já tem
39:23mais de cem anos
39:24e ainda estão lá, né?
39:25Então,
39:26acho que a tecnologia
39:27têxtil,
39:28ela é muito,
39:29evoluiu muito
39:30e traz pra gente
39:31esse tipo de
39:32de inovação, né?
39:34É muito legal.
39:35E aí a gente teve
39:36depois uma collab
39:38com uma influenciadora,
39:39a gente estava falando
39:40de influenciadores, né?
39:41E eu acho muito importante
39:43esse trabalho
39:44com influenciadores
39:44de ter uma diversidade,
39:46porque você tem lá
39:48uma variedade
39:49de pessoas,
39:51de estilos,
39:53de corpos diferentes,
39:54de linguagem diferente
39:56e é isso,
39:57as pessoas quando buscam,
39:58a gente estava falando antes
39:59de como eu me comunico,
40:01né?
40:01De eu me expor,
40:02mas as pessoas
40:04são diferentes.
40:05Às vezes você se identifica
40:06com algum aspecto
40:07da minha personalidade,
40:08mas com outro não.
40:10Então,
40:11ter essa diversidade,
40:12ela é muito importante
40:13para as pessoas
40:14se relacionarem, né?
40:16E então a gente tem
40:18realmente um squad grande,
40:20não só de celebridades
40:21comunicando a marca sempre,
40:23mas também
40:23de microinfluenciadoras,
40:25influenciadores pequenos
40:27que vão fazer regionalmente
40:29um trabalho
40:30de ir lá
40:30divulgar um provador
40:32numa loja,
40:33provar as peças.
40:35Então,
40:35eu acho que tudo isso
40:36é muito importante e relevante.
40:38Só que uma dessas
40:39influenciadoras
40:40que é muito parceira,
40:41está com a gente
40:41há quase 10 anos,
40:43é a Mari Gonzalez.
40:44E ela vive esse estilo
40:46de vida fitness, né?
40:48De lifestyle mesmo.
40:49Nos três anos,
40:50ela veio propor
40:51para a gente
40:52fazer uma coleção
40:54assinada por ela, né?
40:55Ela queria fazer
40:56essa colaboração.
40:57Mas a gente
40:58não estava preparada ainda,
41:00a gente estava
41:01meio desconfiado,
41:01ah, será que vai dar certo?
41:03Ela é modelo,
41:05é influenciadora,
41:06a gente,
41:07big brother e tal,
41:08será que ela tem algo
41:09para acrescentar
41:10na nossa linha?
41:11A gente arriscou,
41:12fez,
41:13foi um super,
41:13sucesso.
41:14As peças esgotaram
41:15muito rápido.
41:17Ela criou uma coleção
41:18super minimalista,
41:20uma modelagem
41:21que valoriza muito, né?
41:22O corpo da mulher,
41:23um tecido que tem
41:25uma sustentação,
41:26tem mais power assim,
41:27mas também toque
41:28muito mais assim.
41:29Então,
41:29deu super certo.
41:30E com essa coisa
41:31da colab,
41:32da Mari Gonzalez,
41:34vocês tiveram
41:35uma mudança,
41:37não só na forma
41:38como percebe a marca,
41:39mas também no relacionamento
41:40com esses influenciadores, né?
41:42Sim,
41:43total.
41:43Hoje é muito mais integrado,
41:45né?
41:45A gente,
41:46é uma coisa só,
41:48né?
41:48Porque as coisas vão se misturando,
41:49isso é para o bem e para o mal, né?
41:50Influência é para o bem e para o mal,
41:52porque às vezes tem um influenciador
41:54que é cancelado
41:55e a gente é cancelado
41:56por tabela,
41:57tem isso também,
41:58a gente tem histórias
41:58desde o mundo
42:01analógico, né?
42:01De a gente trabalhar
42:02com influenciadores
42:03e com celebridades
42:04há muitos anos,
42:06desde antes do Instagram,
42:07então a gente tem
42:08muita história para contar,
42:09mas eu acho que no final
42:11o saldo é sempre positivo,
42:12porque somos seres humanos,
42:14a gente erra,
42:15todo mundo vai errar um dia,
42:17todo mundo vai falar
42:18alguma besteira,
42:19então não vejo problema com isso.
42:21Eu fui,
42:22você me convidou,
42:22o Hope Talks,
42:24sim,
42:24e tem todo tipo
42:25de influenciador lá
42:27e eu vi que lá
42:29se fala muito de sonho,
42:31né?
42:32O Hope Talks que eu fui
42:33se falou muito de sonho,
42:35de pessoas que realizaram
42:36seus sonhos,
42:37várias pessoas diferentes
42:38de várias maneiras.
42:40Isso do sonho,
42:42de certa forma,
42:43é o combustível da moda, né?
42:45O combustível da vida, né?
42:46De tudo.
42:47Por que a gente levanta
42:48da cama todos os dias?
42:49Porque a gente tem que ter
42:50essa ambição positiva
42:51dentro da gente,
42:52que é muito diferente
42:53de ganância, né?
42:54Mas de a gente querer
42:55realizar algo.
42:57E de novo, assim,
42:58essa diversidade,
42:59ela é muito importante,
43:00porque cada um
43:01tem um sonho diferente.
43:02O que é importante para mim
43:03não é importante para você,
43:05de repente.
43:06e o que é importante
43:07para um terceiro
43:08e assim vai.
43:09E é isso que as pessoas
43:10querem cada vez mais,
43:11se conectar com
43:12outras pessoas,
43:14com outros sonhos
43:15e trazer oportunidades
43:17e visões de mundo
43:19diferentes
43:19para elas poderem
43:20realmente ir
43:21para outros lugares.
43:23Eu acho que
43:24esse tipo de evento
43:25ele é muito legal
43:25porque ele provoca
43:26as pessoas a pensarem,
43:28abrem,
43:28saem da caixinha um pouquinho.
43:29Às vezes a gente fica
43:30muito no nosso universo
43:31e a gente ouve uma coisa,
43:32às vezes até coisa
43:33que a gente não gosta.
43:34Sim.
43:35É importante às vezes,
43:36porque senão a gente
43:38fica dentro da bolha
43:39e hoje nesse mundo
43:40polarizado que a gente vive,
43:42a gente tem que sair
43:43dessa bolha
43:44para ouvir coisas
43:46que a gente não quer,
43:48para a gente
43:49provocar a gente
43:50a pensar, né?
43:51E ano que vem
43:52a gente vai ter um
43:52Hope Talks mais especial ainda
43:53porque são 60 anos da Hope.
43:55A gente vai fazer aniversário
43:56em março,
43:5760 anos,
43:58então vai ter um
43:58Hope Talks especial,
43:59você bem?
43:59Pode me chamar
44:00que eu vou.
44:01E a gente falando
44:03disso do sonho,
44:05tem uma coisa que,
44:07você falando disso
44:08do feedback, né?
44:09De saber que você ajudou
44:10no sonho das pessoas.
44:11Chegam mensagens para você?
44:13Chega até você de volta?
44:15Não tudo, obviamente,
44:16mas parte do que você fez
44:18te chega?
44:18Muito, Madá,
44:19porque, sabe,
44:20bom, primeiro que
44:21a moda íntima
44:22está presente
44:23na vida das pessoas
44:24muito intensamente
44:25em todos os momentos
44:26das vidas das pessoas, né?
44:28Então, você está lá
44:30no primeiro date,
44:31no casamento,
44:32na maternidade,
44:33na maturidade,
44:34a gente está lá, né?
44:35Os momentos mais importantes
44:36das vidas das pessoas
44:37e a gente recebe
44:40feedbacks, assim,
44:41não, eu estava me sentindo
44:42linda no meu casamento,
44:44foi o dia mais importante
44:45da minha vida.
44:46Então, esse tipo de coisa
44:48é importante,
44:48a gente vê que a gente
44:48faz a diferença,
44:49esse é o real impacto
44:50do que a gente faz
44:52na vida das pessoas.
44:53Eu falo que eu não vendo
44:54calcinha, sutiã,
44:55cueca agora,
44:56pijama,
44:57eu vendo autoestima
44:58e autoestima
45:00é o combustível
45:01para fazer com que a gente
45:02chegue onde a gente
45:04quer, onde a gente
45:05quiser chegar, né?
45:07Você está falando isso,
45:08você sabe que eu tenho
45:08uma história com isso,
45:09da roupa em si,
45:12eu sempre fui muito
45:13aventureira, né?
45:15Até que chegou
45:15o meu filho
45:16e eu fiquei grávida
45:18e depois da gravidez
45:19o meu corpo,
45:21mesmo,
45:21ficou uma coisa
45:22muito diferente
45:23do que era antes,
45:24eu não entendia mais
45:25o meu corpo.
45:25É, o momento que a gente
45:26se sente...
45:27Sabe quando você está
45:28naquele momento
45:29meio do limbo?
45:30Sei, muito bem.
45:31E a docena
45:31Gisele Binti,
45:32você não sabe.
45:33Exatamente.
45:34E assim,
45:35eu tinha emagrecido,
45:37então as roupas
45:37que eu usava
45:38na gravidez
45:39já não davam mais,
45:41mas as roupas
45:42que eu usava antes
45:42também não davam
45:44e tudo marcava,
45:46marcas que a lingerie
45:48não fazia,
45:48passou a fazer
45:49e aí ficava feio
45:50na roupa.
45:50A minha irmã
45:51trabalhava com moda
45:52na época
45:53e ela falou assim
45:54pra mim,
45:54eu vou solucionar
45:55o seu problema
45:56porque eu tinha
45:56que procurar emprego
45:57e parece,
45:59gente,
46:00parece bobagem,
46:00mas se você
46:01já passou por essa situação
46:02você sabe do que
46:03eu estou falando.
46:05Quando você
46:06não está confiante,
46:08você não performa
46:09por mais preparo
46:10que você tenha.
46:11É verdade.
46:11É muito difícil.
46:12E eu estava
46:13com essa dificuldade.
46:14Aí a minha irmã
46:15comprou essa calcinha nude,
46:17a grande,
46:19e falou,
46:19você vai pôr
46:20e você vai ver
46:21que não fica
46:21uma marca
46:22na sua roupa.
46:23Porque imagine,
46:24eu ia pra entrevista
46:24só pensando
46:25se a pessoa
46:26estava vendo a marca.
46:26É claro que a pessoa
46:27não estava vendo,
46:28mas eu não conseguia.
46:29E isso pra mim
46:31foi uma mudança
46:32de autoestima
46:34muito importante.
46:35E aí
46:36fui ver
46:39quanto tempo faz isso?
46:40Faz 15 anos.
46:41Vai fazer 15 anos.
46:43E até hoje
46:44eu uso o mesmo modelo.
46:45A calcinha
46:45quando você quer
46:46se sentir realmente
46:47poderosa.
46:48Eu deixo lá o mesmo,
46:49eu vou comprando
46:50de seis em seis
46:51e vou trocando lá.
46:53E eu acho que tem
46:55o universo da moda
46:57íntima é isso.
46:58Ele é a produção
46:59da sua autoconfiança
47:01para você
47:02realizar os seus sonhos
47:03no fim, né?
47:04Porque é uma moda
47:05que ninguém está vendo.
47:06Só você está vendo, né?
47:08O seu parceiro,
47:09o namorado,
47:10o marido,
47:10mas a gente não veste
47:11para o outro.
47:12A gente veste
47:13para nós mesmas, né?
47:14Para a gente sentir
47:15essa autoconfiança
47:16que vai fazer com que
47:17a gente desbrave o mundo.
47:19eu acredito muito
47:21nesse poder
47:21e o seu depoimento
47:22me emociona
47:23porque olha que privilégio
47:25fazer.
47:26A gente naquela época
47:26não se conhecia ainda
47:28e quanta gente
47:29eu não conheço
47:30são mais de 10 milhões
47:31de peças por ano
47:32que a gente faz.
47:33Então olha o impacto, né?
47:34Que a gente tem
47:35na sociedade
47:36e quantas vidas
47:37a gente não transforma,
47:38quantas oportunidades
47:39a gente não traz
47:40para as pessoas.
47:41Então é muito especial.
47:42É engraçado
47:43que foi a maior baixa
47:45da minha vida.
47:46Sabe que foi
47:46foi na época assim
47:48esse foi o maior tombo
47:49só aquele tombo
47:50que você fala
47:51nossa e agora?
47:53Nunca mais
47:54eu achei que nunca mais
47:55eu ia me revoer.
47:56O corpo
47:57a gente tem
47:58não e profissionalmente
47:59também
47:59eu estava com tudo junto
48:00sabe assim
48:01quando está tudo junto
48:02eu falei assim
48:03gente
48:04nunca mais
48:05eu vou
48:05na minha cabeça
48:07eu ia começar
48:08uma vida
48:08completamente diferente.
48:10Olha
48:10e olha onde você chegou.
48:12É
48:12que legal.
48:13Você vê
48:14no fim
48:14eu vou
48:14estar tudo ok
48:15e pouco tempo
48:17porque 15 anos
48:18para refazer tudo
48:19e eu fico imaginando
48:21e eu lembro disso
48:22eu lembro disso
48:23especificamente
48:24porque essas coisas
48:24afetivas pegam muito
48:26e você está levando
48:27as suas coisas afetivas
48:28também para a internet
48:29sua família está na internet
48:31agora.
48:31Sim.
48:33Eu vejo
48:34o seu
48:34o seu marido
48:36Ernesto
48:36que eu acompanhei
48:38eu acompanhei
48:39porque eu já te conhecia
48:39quando ele entra
48:41o primeiro
48:42primeira participação
48:43do Ernesto
48:44Ernesto ali
48:46claramente
48:46forçado
48:48claramente
48:48aliás
48:50que minha mulher
48:51que essa ideia
48:52não mais vamos
48:52eu gosto dela
48:53vamos lá
48:54hoje em dia
48:55ele é um pobre
48:56ele adora
48:57e as pessoas
48:58veem ele na rua
48:59nos restaurantes
49:00ele entra
49:01as pessoas reconhecem
49:01ele fica tão feliz
49:02porque é isso
49:03as pessoas falam
49:04não tem um negócio
49:05que você falou
49:06e aí eu fiz
49:07esse investimento
49:07e aí mudou
49:08e eu ganhei dinheiro
49:09assim e tal
49:09então é muito bacana
49:11esse feedback
49:12esse impacto
49:12porque é uma dedicação
49:14a gente está se expondo
49:16tem esse lado
49:17mas é também
49:17uma dedicação
49:18eu tenho que me dedicar
49:20a gravar vídeos
49:21e tal
49:21e ele foi bem assim
49:23ele não queria ter gravado
49:24o primeiro
49:24mas quando ele gravou
49:25o primeiro
49:25e ele viu esse impacto
49:27que ele pode causar
49:27na vida das pessoas
49:28que ele nem conhece
49:29aí ele está adorando
49:31agora é incentivar ele
49:32a estimular ele
49:33no canal dele mesmo
49:35porque ele tem um quadro
49:36no meu Instagram
49:37mas ele tem o Instagram
49:37dele também
49:38ele produzir conteúdos
49:40para o Instagram dele
49:41porque ele tem
49:42muito potencial
49:44Sandra
49:45eu queria que você
49:46deixasse uma mensagem
49:47para quem de repente
49:48está vendo a gente
49:49e está numa fase
49:51como essa
49:52essa que eu te contei
49:53de baixa na vida
49:54ou outras
49:55que você deve ter tido
49:56suas experiências pessoais
49:58para quem está pensando
49:59em empreender
50:01dar uma virada
50:02se mostrar
50:03qual é a mensagem
50:05que você acha
50:05que te move
50:07eu sou muito
50:08dessa história
50:09da autoestima
50:10porque eu acho
50:11que a gente
50:12e não é só
50:12na parte de estética
50:13a gente tem que evoluir
50:15a gente tem que ser
50:16pessoas melhores
50:17para o mundo
50:18então seja intelectualmente
50:19seja fisicamente
50:22a gente precisa
50:23contribuir para o mundo
50:25então a gente tem
50:25que se embasar
50:26a gente tem que ter
50:26repertório
50:28então você tem que
50:31estudar mais
50:31se aprofunda
50:32em assuntos
50:33do seu interesse
50:34para você poder
50:35contribuir
50:35para uma sociedade
50:36a gente
50:38trabalha
50:39lógico
50:39precisa pagar
50:40boleto
50:40precisa pagar
50:41as contas
50:41mas
50:42a gente tem que provocar
50:44um impacto positivo
50:45no mundo
50:46eu acho que isso é
50:47hope
50:47hope
50:47é esperança
50:48acreditar
50:49que o futuro
50:50vai ser melhor
50:51do que hoje
50:52e eu acredito
50:53muito nisso
50:54eu sopro muito
50:56hate na internet
50:57agora depois
50:58do 7 de outubro
50:59a gente não falou disso
51:00mas
51:01eu sou uma judia
51:03que se expõe
51:03e passei a receber
51:05muito ódio
51:05na internet
51:06simplesmente por existir
51:08é uma coisa
51:09impensável
51:10é uma coisa
51:10que machuca
51:11você esperava?
51:12nunca
51:13eu não esperava
51:14nem que existisse
51:15ainda
51:16antissemitismo
51:17para mim era uma coisa
51:18muito primitiva
51:19lá do passado
51:20que ficou para trás
51:21e eu fui surpreendida
51:22fiquei chocada
51:23com esse ódio
51:25com pessoas
51:26não querendo
51:27a minha existência
51:28e querendo que eu morra
51:31eu recebo ataques
51:32muito pesados
51:33e isso
51:35eu me coloco
51:35na posição
51:37de outras minorias
51:38outras minorias
51:40raciais
51:40negros
51:42gays
51:43enfim
51:44outras pessoas
51:45que também
51:46podem sofrer
51:47algum tipo
51:47de preconceito
51:48e isso
51:49me incomoda
51:51e aí por isso
51:52que eu me sinto
51:53na obrigação
51:53de trazer cada vez
51:54mais informação
51:55para as pessoas
51:57muitas coisas que eu posto
51:58postei durante a guerra
51:59as pessoas não sabiam
52:00porque acabam sendo informadas
52:02só pela grande mídia
52:03que a gente sabe
52:04que é tendenciosa
52:05tem outros interesses
52:07mas as pessoas
52:08me agradeciam
52:09por eu informar
52:10e trazer a verdade
52:12um pouco que eu trago
52:13um pouco que eu sei
52:14mas por quê?
52:15porque eu fui estudar
52:16e me informar
52:18sobre tudo
52:18que estava acontecendo
52:19para poder
52:20prestar esse serviço
52:21para a sociedade
52:22então é isso
52:22a gente tem que sempre
52:23evoluir
52:24e acreditar
52:25que amanhã vai ser melhor
52:27Sandra Chaio
52:28muito obrigada
52:29obrigada
52:30obrigada
52:31eu amei
52:31você estar aqui
52:32vocês conheceram aqui
52:34Sandra Chaio
52:35e eu tenho certeza
52:36que de tudo
52:37que a gente falou
52:38tem alguma mensagem
52:39que vai tocar
52:40no seu coração
52:40que conversa boa né
52:42pois é
52:43por hoje
52:44é isso
52:45mas
52:45semana que vem
52:46vamos receber
52:47Demi Getsko
52:48o pai da internet
52:50brasileira
52:51não perca
52:52quarta-feira
52:53às oito da noite
52:54que vai ficar
52:56em
52:56que vai ficar
53:22
53:23Obrigado.
Comentários

Recomendado