00:00Pelas pesquisas que a gente vê, todo mundo fala, hoje o grande problema do brasileiro é saúde e segurança.
00:06A saúde é gravíssima. E por que saúde ninguém fala? Só fala um pouco mais de segurança, sabe por quê?
00:12A saúde é um problema de quem? É do prefeito, do governador ou do presidente? É de todos.
00:16Então as pessoas preferem, não vamos tocar nesse assunto aqui, senão sobra para o meu prefeito.
00:22Segurança pública, também é um debate que é o grande problema do brasileiro hoje,
00:27mas é um assunto que os governadores não gostam de tocar.
00:32Certo? Por quê? Também serão questionados.
00:35As PMs, as polícias civis e quem que é?
00:38Então quando um governador chegar e criticar muito o governo federal, por exemplo,
00:43vou citar um exemplo, o Zema, o Ratinho, o Caiado, eles vão ter que apresentar esses números.
00:48Quando um exemplo, lógico que eles vão ser questionados, ele vai dizer a segurança pública no Brasil é uma vergonha,
00:52tem que melhorar, não sei o que.
00:53Primeira pergunta que vai ser feita, governador, quantos PMs o senhor contratou?
00:58Quanto que o senhor investiu em tecnologia? Quanto que o senhor investiu em tudo isso?
01:02Vai ser questionado. Se o senhor não fez no seu estado, que é muito mais rico que a União,
01:06você vai fazer na União?
01:07Não adianta você nos dizer aqui que você contratou 3 mil homens e quantos aposentaram?
01:12Aposentou 5 mil? Teve um déficit de 2 mil?
01:15Quer dizer, tudo isso na campanha vem.
01:17E você pode ver, a exceção do Cláudio Casso, que teve o episódio do Rio de Janeiro,
01:21qual desses três governadores, o Caiado é o que mais fala, certo?
01:25Fala insistivamente sobre segurança pública.
01:28Nenhum deles.
01:29Porque é um assunto muito difícil para eles nos seus estados.
01:33Agora, tem uma questão de impunidade, de legislação, que aí é federal, né?
01:38Aí sim.
01:39Mas daí não é uma segurança pública de PM, de roubo de celular.
01:41Não, não, não.
01:42Você entende a lógica que eu quero te falar de...
01:44Crime organizado, legislação.
01:47Aí é diferente.
01:48Aí é uma outra segurança, que também não pesa a população.
01:52A grande população, ela está preocupada com o quê?
01:54Do roubo do celular, da filha, que vão roubar a casa, que vão mexer com a filha.
02:00Não pode ficar no ponto de ônibus à noite.
02:02Essa é a grande problema da população.
02:04Agora, o crime organizado, com certeza, aquele celular que é roubado e o cara é solto
02:08uma, duas horas depois, com certeza, isso vai vir para a pauta, com certeza, da direita,
02:14não tenho dúvida, certo?
02:16Agora, Murilo, você acha que o Brasil, nós começamos aqui na abertura do programa,
02:22a falar de 1994, que foi um momento que teve uma crise grande e teve uma inflexão
02:26e o povo comprou a ideia, então, do plano real e não foi só o plano econômico,
02:31foi toda a transformação que veio logo depois.
02:34O Brasil está numa situação muito parecida, no sentido de gravidade da crise.
02:39Não só a crise fiscal, como a gente sabe, baixo crescimento, mas você acha que a crise
02:46atual pode desencadear no próximo presidente, uma vez eleito, se evidentemente for da oposição,
02:52uma série de reformas, como foi o que ocorreu no governo Fernando Henrique?
02:56Se a oposição ganhar, um momento é para isso.
02:59Agora, vai fazer, vai optar por isso, porque, na verdade, Dávila, precisa ser dito,
03:04ninguém gosta de entrar a ser presidente com medidas impopulares, né?
03:09Ninguém gosta, certo?
03:10Você vai entrar já de cara para mexer com setores, é muito difícil.
03:15E uma outra realidade, você tem um Congresso Nacional hoje, por causa das emendas,
03:19muito mais independente, porque, por um lado, é muito bom, para o outro, é muito ruim.
03:24Ou é por causa das emendas, mas bom porque você deixa o deputado mais independente,
03:27ele não depende mais do governo. Então, hoje é muito mais difícil de aprovar reformas
03:32do que foi em 1994. Vamos ser realistas também.
03:35O próprio governo Lula e o próprio governo Bolsonaro mostraram isso.
03:40É que é muito difícil de aprovar reformas hoje, né?
03:43Mas vai ter que fazer, porque o Milley falou uma coisa muito interessante, né?
03:46Ele disse assim, não existe mais espaço para gradualismo na América Latina.
03:50A gente tem que fazer mudança radical, porque senão a coisa não vai andar.
03:54Mas precisa muito do Congresso, né?
03:55Precisa, precisa do Congresso.
03:57E aí eu queria tocar no ponto, a gente está falando de eleição federal,
04:00das eleições para o Congresso e para os governos estaduais.
04:05Vamos começar pelo Congresso.
04:06Você acha que nós teremos uma renovação grande no Congresso?
04:11Porque a gente sempre tem 48%, 45%, mas o Congresso continua o mesmo,
04:16com esse perfil centrão.
04:18Você acha que é possível ter uma mudança no Congresso e principalmente no Senado?
04:21Olha, o que chama a atenção no Senado, tá?
04:25Todos os governadores que não têm direito à reeleição, a grande maioria deles vai ao Senado.
04:31Então eles não são figuras novas na política.
04:34Vamos supor, o Caiado, se ele vier a ser candidato senador, não vier a ser candidato presidente,
04:38ele retorna ao Senado.
04:40Já foi senador, é um exemplo.
04:42Ele retorna.
04:42Então tem vários outros, tem governadores, eles vão ao Senado.
04:46Mas eu não vejo eles assim, eu vejo todos eles hoje.
04:51Nós teríamos um Senado muito conservador, muito à direita,
04:55mas não acredito que vai ter volume suficiente no primeiro momento para impeachment.
05:00Certo?
05:01Porque a maioria dos governadores já existe uma relação, né?
05:04Com o judiciário, dos seus estados, já existe toda uma relação de oito anos por trás disso.
05:10Mas com certeza a gente terá um Senado muito conservador e muito à direita.
05:15Eu acho que principalmente se o Lula se reeleger, ele terá muito mais dificuldades do que teve nesse terceiro mandato.
05:23Mas as mudanças estruturantes são importantes.
05:25Por exemplo, no caso do judiciário, como voltar a ser uma corte constitucional,
05:29atacar a questão de mínima monocrática, decisões monocráticas.
05:31Esse tipo de reforma para voltar a restabelecer o equilíbrio entre os poderes
05:37e para tentar diminuir um pouco do ativismo do judicial, isso você acha que há clima propício?
05:42Eu acho que há clima na sociedade.
05:44Eu não acredito que está acontecendo isso.
05:47Você não acredita mesmo com a mudança no Senado?
05:49Eu não acredito porque as pessoas que vêm, são todas as pessoas que já passaram, que têm relações.
05:55Eles têm relações com os ministros, eles têm relações com o sistema.
05:58Eu acho muito pouco provável que esse tipo de mudança, a não ser que esteja um pacto federativo entre os
06:04poderes para mudar.
06:06Eu acho que com um pacto, aí sim.
06:08Mas assim, no voto, ganhar no voto, ganhar na marra, vamos ganhar, isso eu acho pouco provável.
06:14Muito pouco provável.
06:15Isso vai ser uma frustração para a parte da população que acredita em reforma.
06:19Vai ser, porque assim, vocês já vão ver isso, a gente sempre fala durante a campanha.
06:25Porque essa campanha, nós temos a eleição presidencial que é mais forte.
06:29Existe uma grande expectativa da campanha do Senado, ela ser mais importante que a eleição de governador, pela primeira vez
06:36na história.
06:36Que você queira muito mais aqui entrevistar os candidatos a senador do que a governador.
06:40E quais vão ser as primeiras perguntas que você vai fazer?
06:43Se ele é a favor de impeachment, se ele é a favor dessas reformas.
06:46Aí a gente vai começar a ver se eles vão chegar, veja bem, ou se ele vai dizer, conta comigo.
06:51Quer dizer, ali você já vai começar a sentir, certo, de como vai ser esse Senado, certo?
06:57Agora, não tenho dúvida que a eleição de senador será, era a última eleição para o eleitor, a menos importante.
07:04Agora vai ser...
07:05Eu estou para te dizer que vai ser a de presidente e a de senador.
07:09Senador.
07:10Senador vai, a eleição de senador vai ser muito disputada esse ano pelo Brasil inteiro.
07:14Porque os dois polos, tanto o Lula quanto o Bolsonaro, vão ter muito interesse no Senado, né?
07:21Muito mais no Senado do que na Câmara.
07:23Sim.
07:24E essas chapas dependem muito dessa composição das chapas estaduais, né?
07:28Quem vai ser o governador, quem ocupa as vagas, vai ter muito essa costura, né, para montar a chapa.
07:33Olha, como é difícil.
07:35As pessoas não imaginam.
07:36A gente que lida muito com os governadores, como é difícil.
07:39Por quê?
07:40Você pensa o seguinte, vamos pegar o exemplo lá do Paraná, certo?
07:43Você tem o Ratinho.
07:46Ele é candidato a presidente?
07:47Se ele for candidato a presidente e vier, como eu te falei, ao centro, nem nem,
07:52o PL que é aliado dele permanecerá com ele ou cairá fora?
07:56Ou vai com o Sérgio Moro, um exemplo?
07:58Certo?
07:59Como que se dão as composições estaduais?
08:02Só que as composições estaduais, para eles, é tão importante quanto a presidente da República.
08:07Talvez eles optem, o Zema, o Caiado, muito mais em fazer o sucessor lá no seu Estado
08:12do que olhando em cima.
08:14Porque tem reflexo em cima.
08:16Tem que compor.
08:18Se não compor, ele põe em risco o seu Estado, né?
08:21Com certeza.
08:22Onde os três são muito bem avaliados, certo?
08:24E tem grande, e tem chance de fazer os seus sucessores.
08:27Então, numa jogada máxima, pode ser que põe em risco a sucessão estadual.
08:32Agora, o PT tem uma enorme dificuldade nessa eleição de ter palanques competitivos nos
08:37Estados.
08:37Até mesmo aqui em São Paulo, essa história de tentar colocar o Haddad para perder a quarta
08:42eleição, todo mundo tem uma certa relutância.
08:45Como que o PT vai tocar uma campanha presidencial com enorme dificuldade nos principais colégios
08:49eleitorais para criar candidaturas competitivas?
08:52Olha, assim, como que a gente vê o PT hoje, certo?
08:58Você vê, vamos pegar os Estados do Sul, vamos por região, os Estados do Sul, certo?
09:02O Lula deverá fazer uma estratégia para fazer de 30% a 35% o que ele sempre fez.
09:08Talvez um Estado ou outro tenha um desempenho melhor ou pior, depende de quem vai escolher.
09:12Aí você vem para Rio, no Rio, no Rio ele tem o favorito lá, que é o Eduardo Paes.
09:18Aí você vem para Minas, o Pacheco diz que não quer, não quer, não quer, não tem
09:22nem nome.
09:23Como que ele vai fazer em Minas?
09:24São Paulo.
09:26São Paulo, ele tem o Haddad, tem o Geraldo Alckmin.
09:29Seriam candidatos, que eu te diria que não são favoritos para ganhar, mas são candidatos
09:34que vão...
09:35Que ajudam a fazer palanque local.
09:36Ajudam a fazer palanque local.
09:38Não é um problema para ele.
09:39Ele já perdeu em São Paulo há quanto tempo?
09:40Nunca ganhou aqui.
09:41Quer dizer, mas ele precisa ter um candidato competitivo.
09:45Então, às vezes, o cara vem para perder para fazer um papel.
09:48Foi o que o Haddad fez a eleição passada, certo?
09:52Então, vai vir o Haddad, vai vir o Geraldo ou vão vir de Márcio França?
09:56Quer dizer, é uma situação para aguardar.
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