00:00O brasileiro reage com cautela à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos,
00:04que considerou ilegais as tarifas aplicadas por Donald Trump.
00:08Voltamos à Brasília agora com o repórter André Anelli.
00:11Qual a razão desse comedimento do Palácio do Planalto nesse assunto?
00:17Bem-vindo, André. Boa noite.
00:21Obrigado, Tiago. Muito boa noite a você também e a todos aqui no Jornal Jovem Pan.
00:26O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin,
00:32disse que vai manter uma cautela e aguardar que todos os procedimentos jurídicos dos Estados Unidos
00:38sejam adotados para avaliar melhor toda essa situação.
00:42Primeiro, envolvendo essa taxação global anunciada pelo presidente dos Estados Unidos
00:48de 10% para os produtos importados, taxação essa que impacta diretamente também o Brasil.
00:55Além de evitar críticas a Donald Trump, Geraldo Alckmin também fez uma avaliação
01:03de que essa tarifa global de 10% não tira a competitividade dos produtos brasileiros
01:11que são importados pelos Estados Unidos porque trata-se de uma tarifa global,
01:16ou seja, que atinge a todos os países que são exportadores aos norte-americanos
01:22sem nenhum tipo de diferença.
01:25E o vice-presidente, que é presidente em exercício aqui no país,
01:30uma vez que o presidente Lula está no continente asiático nesse momento,
01:35também fez uma avaliação em torno da decisão dos Estados Unidos
01:39que derrubou aquele tarifácio generalizado que foi imposto também pelo presidente americano
01:45Donald Trump e que, no caso do Brasil, impactava os produtos em cerca de 40%.
01:51Geraldo Alckmin afirmou que a retirada dessas tarifas abre o que ele chamou
01:56de uma avenida de oportunidades para o Brasil.
01:59A decisão da Suprema Corte, ela foi muito importante e muito importante para o Brasil
02:08e acho que abriu uma avenida ainda maior para a gente poder ter aí um comércio exterior
02:15mais pujante, o que significa emprego e renda, né?
02:19Comércio exterior é fundamental para o crescimento da economia.
02:23Mas nós temos que aguardar agora, com cautela, os desdobramentos que vão ocorrer.
02:29Agora, é importante que acho que vai fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos.
02:39Lembrando que a decisão da Suprema Corte não envolve as exportações brasileiras para os Estados Unidos
02:46envolvendo aço e também alumínio.
02:49Ou seja, esses dois produtos continuam com as sobretaxas na ordem de 50% e 25% para veículos e
02:58também autopeças.
03:00O vice-presidente, presidente em exercício Geraldo Alckmin, ele voltou a argumentar que todas essas tarifas
03:06são injustas porque a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos é favorável para os norte-americanos.
03:15Mesmo diante de toda essa derrubada das taxas de maior teor por parte da Suprema Corte americana
03:23e a manutenção de uma taxa global de 10%, diversas entidades e também setores aqui no Brasil
03:31repercutiram essa decisão, principalmente aqueles que foram beneficiados,
03:35como é o caso das indústrias de calçado, também indústria têxtil.
03:40Essas indústrias, esses setores devem ser beneficiados diretamente com as medidas
03:44porque são setores que acabaram sendo impactados de forma mais abrangente com todo o tarifácio.
03:52Em relação aos representantes dos setores da indústria, a gente tem aqui duas repercussões,
03:58no caso da Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo,
04:03que disse que o cenário exige cautela, já que os produtos brasileiros poderão ser atingidos por novas sobretaxas
04:12por conta de uma investigação determinada por Trump sobre o comércio com o Brasil.
04:18A Federação também defendeu que a diplomacia empresarial é o caminho mais eficaz para superar entraves.
04:26Já a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, disse que vai acompanhar o caso com cautela
04:33e que vai seguir monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão
04:39todos os impactos envolvendo aqui o país.
04:43Tiago.
04:44Nunca é demais lembrar que Lula e Donald Trump vão se encontrar em março.
04:47Assunto para o André Anelli daqui a pouquinho no Jornal Jovem Pan.
04:50Deixa eu chamar a Dora Kramer.
04:51Essa cautela do governo brasileiro é a mesma cautela desde o início do talifaço
04:58para evitar confronto com os Estados Unidos?
05:00É uma posição correta, Dora?
05:03Olha, essa tem um elemento a mais.
05:06Também teve uma reação do ministro Fernando Haddad, foi no X,
05:10que ele fez uma declaração super diplomática também.
05:14Nem ele nem o Alckmin falaram de derrota política.
05:18Não tocaram no assunto, embora o assunto seja evidente.
05:21É isso que salta mais assim, de maneira mais acentuada desse episódio.
05:27Por quê?
05:27E qual é o elemento adicional?
05:30É claro que é o encontro do presidente Lula agora em março.
05:33Dizem, não está confirmado ainda, que seria na primeira semana,
05:37na Casa Branca com Donald Trump.
05:39Então, realmente, não tem o menor cabimento, não seria de bom tom,
05:45não seria diplomático do governo agora apontar o óbvio,
05:50que é a derrota política.
05:51Se fossem outros tempos, lá em abril, quando as relações ainda estavam atritosas
05:57e muito distantes, certamente esse seria o ponto a ser ressaltado,
06:03porque é o ponto, do ponto de vista da política principal.
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