00:00Mas olha só, mais de 80 voos entre o Brasil e a Argentina, que estavam programados para hoje,
00:05foram cancelados devido à greve geral convocada no país vizinho contra a reforma trabalhista
00:11promovida pelo governo de Javier Milley.
00:13Vamos conversar ao vivo com a Júlia Fermino, que vai atualizar a situação nos aeroportos do Brasil.
00:18Júlia, seja bem-vindo aqui ao nosso 3E1.
00:21Uma boa tarde para você, como é que está a movimentação no aeroporto?
00:24E, é claro, reclamação de todos os passageiros. Boa tarde.
00:30Oi, Cássio. Boa tarde para você, para quem está contigo aí no estúdio no 3E1 e também para a nossa
00:34audiência
00:35aqui no Aeroporto Internacional de Guarulhos, que é de onde a nossa equipe fala, na região metropolitana de São Paulo.
00:42Pelo menos até o momento, só hoje foram cancelados 15 voos para a Argentina.
00:48E aí, tudo isso justamente pelo que você disse, a greve da Confederação Geral de Trabalho da Argentina, que é
00:56a CGT.
00:57De acordo com uma companhia aérea argentina, uma das principais ali, que é a Aerolíneas Argentinas,
01:04por conta dessa paralisação, por conta dessa greve, todos os voos dessa companhia foram cancelados no dia de hoje.
01:13Voos que tinham como destino Buenos Aires, Mendoza e Córdoba.
01:18Tudo isso cancelou, no total dos voos cancelados, foram 255 viagens, o que impactou pelo menos 31 mil passageiros.
01:29Um impacto econômico de 3 milhões de reais para essa companhia.
01:35E o que a companhia diz é que isso só será normalizado na sexta-feira, ou seja, amanhã a partir
01:40da meia-noite.
01:41Então, virando aí o dia, já meia-noite deve voltar à normalidade.
01:46A gente procurou algumas companhias aéreas que fazem esse voo, essa ligação entre Brasil e Argentina.
01:52E a Latam, que é uma das que faz essa operação, informou que precisou alterar sua operação para a Argentina,
01:59claro, por conta de tudo isso.
02:00Alguns voos podem ter alteração, mas não necessariamente serão cancelados.
02:05E para os voos que serão cancelados, o que a companhia informa é que os passageiros podem, então, alterar essa
02:12passagem sem custo,
02:13ou então pedir o reembolso dessa viagem.
02:16A Gol vai na mesma linha.
02:17A companhia diz que essa greve vai impossibilitar os voos nas cidades de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário.
02:24E também, se os voos forem cancelados, muito provavelmente muitos deles já foram cancelados,
02:29Nesses casos, os passageiros podem remarcar essa viagem ou então também pedirem o reembolso.
02:36Por aqui, por enquanto, a situação está tranquila, não tem corre-corre ou muita reclamação, muito movimento por conta disso.
02:43Até porque é uma viagem específica, né?
02:46Ali para a Argentina a gente não vê grande movimentação por conta disso.
02:50Parece que as companhias estão conseguindo avisar os passageiros por meio de e-mail, contato telefônico, enfim.
02:55Mas a gente segue acompanhando tudo por aqui, viu, Cássio?
02:58E traz mais informações na programação da Jovem Pan. Volto com você.
03:01Perfeito, Júlia. Obrigado pelas informações.
03:04Então, foi um dia de verdadeiro caos.
03:06Quem já tinha aí comprado passagem, viagem marcada para ir para Buenos Aires, para ir para outro ponto da Argentina.
03:13Realmente, situação bastante complicada e é recomendação a cada um procurar sua companhia
03:17para tentar o reembolso integral ou até mesmo a remarcação dessa passagem.
03:22E olha, gente, em meio à greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho
03:27e também todo um ambiente de forte tensão política e social,
03:31a Câmara dos Deputados da Argentina iniciou hoje a análise da reforma trabalhista aprovada pelo Senado na semana passada.
03:39E entre as mudanças, essa proposta prevê a flexibilização das férias,
03:43jornadas de trabalho de até 12 horas e também alterações nas regras de demissão e greve.
03:49O início da sessão foi marcada, então, por forte confusão, com participação de quase 140 deputados
03:56e muitas trocas de provocações no plenário.
03:59Se os deputados mantiverem o texto como saiu do Senado, a reforma seguirá para a promulgação.
04:04Caso façam alguma alteração, a proposta terá que voltar para a votação dos senadores,
04:09como acontece também aqui no Brasil.
04:12Fábio Perno, eu quero te ouvir sobre a reforma trabalhista que foi proposta pelo governo de Javier Miley.
04:18gerou muito debate, muita discussão quando foi aprovada no Senado
04:21e agora se confirmando também com uma paralisação de 24 horas das centrais,
04:27de sindicatos, de trabalhadores, paralisando aeroportos, trens, metrôs, comércio, outros estabelecimentos.
04:33Enfim, a Argentina está um dia de caos lá.
04:35Como é que você vê essas mudanças?
04:36Se você acha que é uma regressão, se acha que é uma evolução essa reforma trabalhista por lá?
04:42Olha, não dá para admitir como evolução algo que, por exemplo, tem aí no seu texto inicial previsto
04:53que os salários, os pagamentos pudessem ser feitos até com comida ou com outros meios.
04:59Felizmente, uma parte disso aí caiu, né?
05:03Esticando a jornada de trabalho, enfim, acabando com praticamente todos os direitos e tal.
05:11Então, é claramente um movimento de hostilidade aos trabalhadores,
05:17ou seja, de facilitar a vida de quem, por exemplo, tem empresas de quem...
05:27Assim, ao seu grupo de apoio.
05:29Esse é o grupo que apoiou o Millet, esse é o grupo que vai com o Millet até o fim,
05:35que obviamente apoia essas reformas.
05:38Agora, a questão é, qual é o benefício para as pessoas, para o cidadão comum?
05:44Porque veja, a Argentina, ela tinha essência que o Brasil não tem.
05:46É verdade.
05:48Então, na Argentina, o Estado argentino, por exemplo,
05:52ele podia contratar à vontade sem a realização de concursos públicos.
05:56Isso é uma aberração.
05:57Então, é óbvio que isso tinha que ser, de alguma forma, contido.
06:02Agora, o que está acontecendo é a edição de um pacote draconiano de medidas
06:09que vão, claramente, que, enfim, prejudicam os trabalhadores.
06:14Enquanto, no mundo todo, a gente discute.
06:18E, veja, não se trata só, enfim, de discutir a liberalização dessas relações trabalhistas.
06:28São as regras.
06:30Porque, veja, se aqui, por exemplo, a gente critica o fim da escala 6x1,
06:35e tem argumentos aí para todo lado e tal,
06:37lá na Argentina, o caminho é exatamente o oposto,
06:42de se estabelecer, por exemplo, jornadas de se normalizar, jornadas de até 12 horas.
06:48Então, qual é a flexibilização disso aí também?
06:51Então, eu imagino que a Argentina vai passar por um longo período de turbulência,
06:56porque eu acho que esse pacote vai passar, mas é óbvio que vai haver reação.
07:02Ô, Alangânio, eu quero te ouvir também em relação a essa tentativa, né,
07:05do próprio governo Miliei de fazer uma reforma trabalhista.
07:08Segundo o governo, a ideia é diminuir, acabar com a informalidade,
07:12que é muito grande no território argentino.
07:15Já os sindicatos dizem que isso pode aumentar o desemprego.
07:18Como é que você vê essa flexibilização, se realmente isso pode, de certa forma,
07:22ajudar a Argentina ou pode ter também futuros problemas?
07:25Mais um golosso do Miliei.
07:27Mais um golosso do Miliei.
07:28Uma reforma trabalhista, ousada, e, Piperno,
07:34não é que vai obrigar a população a trabalhar 12 horas por dia,
07:37mas você vai ter o direito, se você quiser, a trabalhar 12 horas por dia.
07:41Você, eu sei que é um cara que trabalha muito, eu também, né,
07:44a gente trabalha 12 horas por dia, e é ótimo, e tá tudo bem,
07:48e eu gosto disso e tem mais gente que gosta disso.
07:50Não, a empresa manda, aí eu tô oferecendo pra você uma jornada de 12 horas.
07:53Não, não, mas a pessoa tem o direito, é livre negociação, é livre escolha.
07:59Excelente a reforma do Miliei, flexibiliza o mercado de trabalho.
08:04Porque é o seguinte, o que a população lá não entende,
08:06muita gente não entende, que é o seguinte,
08:08o dinheiro, ele não nasce em árvore, então precisa produzir.
08:13E pra produzir mais, é um mercado de trabalho mais flexível.
08:17Piperno, eu não conheço nenhum país que prosperou com menos trabalho.
08:22Geralmente, os países prosperam sempre com mais trabalho.
08:25Você pega os asiáticos, eles trabalham pouco ou muito.
08:28Trabalham muito e são altamente produtivos.
08:30Você pega a Coreia, por exemplo, tem uma jornada de 40 horas semanais.
08:34Só que você também pode trabalhar, se você quiser, 52 horas semanais.
08:39Os Estados Unidos é absolutamente flexível também.
08:42Então, o Miliei, ele vai na direção contrária.
08:45Não existe nenhum país do mundo que determine, por força da lei,
08:49um aumento na jornada de trabalho.
08:51Você pode questionar o seguinte, esse trabalho a 48...
08:55Não, não, mas é optativo, não é compulsório lá, ele tá colocando de uma maneira...
08:57Pera lá, é optativa.
08:58É optativa, mas você tem duas forças que são absolutamente acimétricas.
09:03A visão marxista, empresário, vai explorar o trabalhador.
09:08Não é uma livre negociação, um jogo de ganha-ganha, não é um jogo de soma zero.
09:13Agora, mercados de trabalho mais flexíveis significa menos desemprego.
09:19Por outro lado, mercado de trabalho mais rígido, uma série de benefícios, proteção,
09:23ficar caro mandar embora, pra quem tá no mercado de trabalho é ótimo,
09:27porque você fica mais protegido.
09:28Mas, pro coitadinho que tá fora, querendo entrar no mercado de trabalho,
09:33fica muito mais difícil.
09:34Então, sou, assim, parabéns de novo, Javier Melei,
09:38um dos melhores presidentes da atualidade,
09:41e vai na direção contrária, Piper, dessa PEC vergonhosa,
09:45que é a redução da...
09:48Ainda bem, Tomara, que acabar com essa sem-escravidão, ufa.
09:51Da redução seis por um, de uma maneira impositiva.
09:54A gente vê a prosperidade que a Argentina vive, né?
09:58Não, mas aí que...
09:59Mas, Piper, foi essa mentalidade de mais enrejecimento no mercado de trabalho,
10:05mais benefício social, mais subsídio,
10:07que levou a Argentina para essa situação.
10:09O que o Melei tá tentando fazer é quebrar essa estrutura
10:13e colocar de novo o país na rota da prosperidade.
10:16Só que medida liberal é difícil de explicar pra população.
10:19Mas depois, ó, o desenvolvimento...
10:21Isso, a Argentina já teve de tudo.
10:23Inclusive, de uns cem anos pra cá,
10:26a Argentina já teve muitos, mas muitos governantes aí
10:29que apoiavam exatamente esse tipo de cartilha.
10:33Inclusive no período militar.
10:35O empobrecimento do país veio com uma série de medidas lá,
10:39desses governos de esquerda.
10:40Não, o empobrecimento veio...
10:42Olha só, olha aí que tal negócio.
10:47Olha a ginástica pra explicar o inexplicável.
10:51O empobrecimento argentino, que começou lá atrás.
10:54A Argentina foi próspera até os anos 30.
10:57Depois ela entra em queda...
10:58Verdade, eram as maiores rendas per capita.
11:00Exatamente.
11:01Depois ela entra em queda,
11:03ou seja, muito antes do peronismo, inclusive.
11:05Mas a queda é brutalmente acentuada
11:09no período de ditadura militar.
11:11Mas a ditadura militar não é um liberalismo clássico.
11:14Eu também critico a ditadura aqui
11:17do ponto de vista político, moral e econômico também.
11:21Porque eles não têm absolutamente nada de liberais.
11:24Só inchou o Estado e lá inchou também.
11:27A única ditadura que fez reformas liberais
11:31foi a ditadura do Chile,
11:32que fez reformas liberais.
11:33Todas as outras foi mais Estado.
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