00:00mostrar pra vocês e explicar pra quem tá no rádio a atitude do
00:03prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante o Carnaval
00:06Carioca. Tá causando polêmica ainda. Ele foi flagrado
00:10imitando pessoas com deficiência visual, usando óculos
00:13escuros, tão vendo a imagem aí? E aí, simulando uma bengala e
00:19aí ele finge ali, faz uma galhofa, ele faz uma brincadeirinha
00:24ali de Carnaval, né? Ele tá com óculos escuros, tá de branco,
00:28com a bengala e aí, eh, o vídeo repercutiu bastante. Eu
00:32queria perguntar pra você, Loves, o seguinte, a piada vale em
00:37qualquer momento ou a piada só é boa quando todo mundo ri? Vale
00:41quanto é uma piada que só você ri? Eu acho que tem lugar
00:45certo, hora certa e momento propício pra você fazer algum
00:49tipo de piada, não necessariamente essa piada no caso, mas
00:52falando do Eduardo, ele é o chefe da do do do Rio, né? De um
00:57estado. Então, ele é, sim, uma figura pública, né? Eu
01:01costumo dizer que figura pública são as pessoas que a gente
01:03elege pra colocar ali, pra poder trabalhar no setor
01:06público e não os artistas, as celebridades, jogador de
01:09futebol. Essas pessoas não são pessoas públicas, elas não
01:11têm que ser, eh, abordadas e obrigadas a interagir com
01:15pessoas porque elas são figuras públicas. Não, não são. Ele é
01:17o prefeito. Ele é o prefeito. Que tem o carnaval mais famoso
01:20do mundo. Pois é, e aí, então, ele é uma pessoa que tem que
01:24representar uma nação. Ele não pode tá ali simplesmente
01:26fazendo piadinhas. Ele tem que se comportar de acordo com o que
01:31ele faz, com a autoridade que ele tem. Eu acho que ele foi
01:34muito infeliz. Essa é a minha opinião. Eu vi também só esse
01:38pedaço, mas eu acho que ele não pode. É isso aí. Ele não pode.
01:42É o bastante, Jess. Banalizar um, um, um, um, uma condição de
01:47pessoas, enfim, que, que, que já não tem tanto acesso quanto
01:51deveria aqui no país. A pergunta, a pergunta que eu faço
01:53pra Jazz é o seguinte, todo mundo achou engraçado? Eu acho
01:57que ninguém achou engraçado. Eu acho que o problema dessa
01:59brincadeira dele é que nem, ela não tem uma finalidade. Ele
02:04foi fazer uma gracinha com um instrumento que muitas vezes é
02:08fruto da vergonha, que é fruto da dor, que é fruto do
02:11bullying. Ah, nós temos no Brasil muitas pessoas que passam
02:16pela situação de estarem, de serem cegos, de sofrerem com
02:20isso. A minha avó Aura é uma deficiente visual, é muito
02:22difícil pra família, é muito difícil pra pessoa, é muito
02:25difícil num país que não tem infraestrutura, que não tem
02:28acessibilidade e que as pessoas são sem noção, às vezes
02:30estacionam num lugar que não tem que estacionar, às vezes
02:33não respeitam. Então, assim, viver isso dentro de casa e ver
02:36um prefeito, um político que deveria ter no mínimo uma
02:39tratativa adequada, zombando disso, zombando de um
02:43aparato brincando com isso, reforça sim estereótipos e
02:47reforça problemas. Você ser uma piada num ambiente, num
02:52teatro é uma coisa, você foi lá pra isso, etc. Ali não, ali é um
02:56político fazendo piada com população, fazendo piada com
03:00uma pessoa que tem uma deficiência. E com a ressalva, né?
03:02É muito, assim, é muito triste. Inclusive, aqui, ó, até pegar
03:05que a Organização Nacional dos Cegos do Brasil já mandou um
03:08ofício aí pra o Eduardo Paes pedindo ali a retratação e
03:11também repudiando esse ato. Ele deveria vir logo a público e
03:15pedir desculpas, porque é uma situação, assim, jocosa e
03:19sinceramente, aí na minha visão, assim, da brincadeira, desse
03:25espaço, de um político zombando, da minha avó Aura, é patético.
03:29A gente, só fazer um comentário, nós estamos falando de 6,5
03:34milhões de brasileiros que têm deficiência visual, né? Sendo que
03:37desse número, quase 600 mil são cegos. Então, assim, a gente não
03:42tá falando, ah, não, tá implicando por causa, igual o pessoal faz
03:45muito entre aspas, né? O ceguinho. Não, nós estamos falando
03:47de mais de 6 milhões de pessoas no Brasil que podem precisar
03:51de uma bengala, que precisam de inclusão, que precisam de
03:54espaço e não de mais alguém como um governador, como um
03:57prefeito, como um presidente ou qualquer outra figura
04:00pública fazendo chacota, fazendo piadinha, né? A gente tá em
04:04dois mil e vinte e seis, a gente não tá lá, né? Nos tempos
04:07antigos, onde tudo era permitido. A gente tem que ter bom
04:09consenso. É, acho que é uma piada que além de denotar um
04:12péssimo gosto, né? Porque ela diz respeito a esse, enfim, ela
04:16é um desrespeito, né? A todas essas pessoas que passam por
04:18essas dificuldades, a questão da da grande contradição em
04:22torno disso é o fato de qual tipo de acessibilidade que a
04:25prefeitura do Rio de Janeiro tem oferecido pra essas pessoas
04:28que demandam isso, né? Inclusive lá no carnaval, né?
04:30Exatamente, inclusive no carnaval em que ele tava curtindo num
04:33espaço reservado, com as condições adequadas pra isso.
04:36É no seu próprio camarote, né? Exato, então eu acho que esse
04:39tipo de conduta, ele não só não tá condizente com a posição de um
04:44homem público, porque ele tá, afinal de contas, respeitando
04:47todas as pessoas em todas as dimensões que isso representa,
04:51mas também por uma, enfim, né? Uma contradição que eu acho
04:55que denota esse problema de qual tipo de acesso que ele tá
05:00garantindo pra essas pessoas, pra que elas possam ter
05:03segurança pra andar na rua, nas calçadas, nas rampas, no próprio
05:07fornecimento de bengalas. Se as pessoas que não tem uma condição
05:10como essa já não tem segurança pra andar na rua do Rio de Janeiro,
05:13né? Se a gente não tem segurança pra sair com uma correntinha,
05:15sair com um relógio, né? Imagina uma pessoa que tem uma
05:18condição, uma limitação de seja uma uma uma cegueira completa
05:22ou ainda parcial. Então o que você tá trazendo, eu acho
05:24importante com certeza. Acho que o que a Dias falou, ele já tá
05:27atrasado, né prefeito? O senhor já deveria ter vindo a público
05:30pra fazer uma retratação, não deveria esperar uma nota da
05:33associação nacional, pra chegar e falar, ai eu errei. Ninguém
05:37precisava te contar isso. E tem uma coisa, pra muita gente
05:39que, como o caso da Mevaura, que perde a visão ao longo do
05:42tempo, o instrumento, o aparato, é um símbolo muitas vezes de
05:46dificuldade, de vergonha. Então é horrível um político zombar
05:52disso. É um estereótipo, né? Você reforça... Exato, a pessoa tem
05:56dificuldade em aceitar ter... Já é vergonhoso, né? É uma dor. E aí de
05:59repente você vai lá e brinca e você quer ser governador. Eu queria...
06:03Não, e ele tem que acolher o cidadão e não excluir fazer
06:05chacota, né? Eu vou fazer um bingo com vocês, é... Quando o prefeito vai
06:11aparecer pedindo desculpas emocionadas, antes das cinco da
06:15tarde, depois das cinco horas da tarde de hoje, dia dezenove de
06:19fevereiro ou amanhã cedo? Eu acho que depois de cinco da tarde
06:23que vai dar um bom engajamento na rede social. Mas que ele vai
06:27fazer isso, esse vídeo ele vai fazer, né? Vai fazer. Seria o
06:30apropriado, é o correto. Provavelmente e talvez acompanhado por
06:33alguém que tem uma condição de cegueira pra dizer que ele
06:36inclusive tem um secretário ou um funcionário nessa
06:39condição. Meus amigos, nesse... É, nesse momento a gente se
06:43prepara pra despedidas da nossa rede de rádios em todo o
06:46Brasil, agradecendo a enorme audiência e prometendo que
06:50amanhã, sexta-feira, a gente tá de volta. Muito obrigado pela
06:54companhia, valeu!
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