00:00O setor de serviços encerrou 2025 com queda de 0,4%, isso em dezembro, segundo divulgado há pouco pelo IBGE.
00:11O resultado interrompeu uma sequência de nove resultados positivos e uma estabilidade.
00:17Com isso, o setor de serviços está 0,4% abaixo do auge de uma série histórica, alcançado em novembro
00:26de 2025 e 19,6% acima do patamar pré-pandemia.
00:33Então a gente tem aqui o copo meio cheio e o copo meio vazio.
00:36As atividades de transporte mostraram o recuo mais significativo, com queda de 3,1%.
00:43No ano, os serviços acumularam alta pela quinta vez seguida, com avanço de 2,8%, de acordo com o IBGE.
00:53Os ramos que mais se destacaram nos últimos cinco anos em termos de magnitude de crescimento foram os serviços de
01:01tecnologia da informação,
01:03os serviços técnico-profissionais e de transporte terrestre.
01:10São Paulo é sede do 11º Congresso de Inovação da Indústria e Prêmio Nacional de Inovação,
01:18eventos que reúnem especialistas, empresários e formuladores de políticas públicas para debater os rumos do desenvolvimento industrial no Brasil.
01:27O programa aborda temas como inovação tecnológica, inteligência artificial, financiamento ao desenvolvimento,
01:36descarbonização, competitividade global e políticas industriais, com discussões que analisam de que forma esses fatores influenciam o crescimento econômico,
01:47a modernização do setor produtivo e a capacidade do país de atuar, investimentos num cenário internacional cada vez mais competitivo.
01:56A gente, orgulhosamente, recebe aqui no estúdio do Fast Money o Jefferson Gomes, que é diretor de desenvolvimento industrial da
02:05CMI,
02:05que é a Confederação Nacional da Indústria, entidade que está realizando o evento.
02:10Então, o Jefferson é a pessoa certa, no lugar certo, para explicar tudo isso para a gente.
02:15Jefferson, obrigado, prazer recebê-lo aqui.
02:17Prazer, meu, Marcelo.
02:18Eu vou te contar uma coisa, Jefferson, esse é um tema muito caro pra mim, de muito orgulho,
02:22porque além dessa função de jornalista aqui, eu também sou um pesquisador acadêmico,
02:27e o desenvolvimento da indústria no século XXI, quinta revolução industrial e tudo mais,
02:32foi muito tese do meu doutorado, então, algo que eu sei.
02:37E a CMI me ajudou incrivelmente com esses dados.
02:40Bom, feito os meus agradecimentos indiretos aqui, vamos lá, que é um tema que eu gosto, conheço relativamente bem.
02:48A gente passou por um processo de desindustrialização muito forte.
02:53A gente não pode tapar o sol com a peneira, né?
02:55Agora, Jefferson, vamos olhar daqui pra frente.
02:57Nós estamos em 2026, terceira década do século XXI.
03:01A gente tem a China evoluindo a galope, tendo o Brasil como um importante parceiro comercial.
03:06Como é que nós estamos em perspectivas de o que está acontecendo agora, com tudo isso que eu falei, né?
03:11Inovação, inteligência artificial, e depois eu queria chegar sobre a capacitação de uma mão de obra especializada.
03:19O Brasil faz isso muito bem em qualidade, mas faz pouco em quantidade, mas é daqui a pouco.
03:24Vamos falar sobre como é que nós estamos aí nesse pátio de desenvolvimento industrial no Brasil.
03:30Bom, Marcelo, a coisa mais importante que a gente pode pensar é que esse pessoal que está organizando esse...
03:35É um pessoal, uma turma de empresários, CEOs de grandes corporações, são 660 grandes empresas brasileiras,
03:43que já, de alguma forma, pegaram algum tipo de capital.
03:47O que quer dizer isso?
03:49Pegaram algum tipo de capital para investimento em inovação.
03:51E, ao longo desses anos, a gente desenvolveu leis.
03:55A gente desenvolveu estruturas de ciência e tecnologia.
03:58Nós desenvolvemos...
03:59As nossas universidades estão mais bem preparadas.
04:01Nós desenvolvemos pessoas, mas, mesmo assim, Marcelo, somos o décimo terceiro no ranking de publicações.
04:08Mas o que acontece é que a gente não consegue entender por que a gente não consegue decolar.
04:13Já que a gente, em todas as leis, todos os processos têm dinheiro.
04:17Nesses últimos três anos, são mais de 40 bilhões de reais exclusivos para pesquisa aplicada.
04:2415 bilhões de reais por ano em questões de renúncia fiscal do governo federal
04:30para que empresas brasileiras desenvolvam inovação.
04:33O Congresso, que ocorre a cada dois anos, ele serve para isso.
04:38A gente, a cada dois anos, faz um checklist.
04:40Verifica quais são os pontos que são importantes para serem melhorados.
04:44A desindustrialização do país, ela é clara.
04:48Mas também a gente não pode esquecer que também mudou o conceito de indústria do mundo.
04:52E resultado prático, para entender melhor esse processo,
04:56este Congresso de Inovação, que ocorrerá agora no final de março, 25 e 26 de março,
05:02esse Congresso, ele traz uma experiência de mais de 50 cidades do Brasil.
05:08Mais de 5 mil pessoas foram escutadas.
05:12Mais de 1.500 empresas foram escutadas.
05:16Para a gente saber o que a gente pode tratar a respeito de inovação.
05:18Sim, formação de pessoas, mas infraestrutura, modelos de negócios,
05:24regulações e legislações.
05:25Você falou de A, regulações e legislações são fundamentais agora
05:29para a gente entender para que lado que a gente vai.
05:31Claro.
05:32E daí, sim, se você tem esse pedaço para os negócios existirem,
05:36o que a gente pode fazer para frente em desenvolvimento científico, tecnológico
05:40e processos para a inovação.
05:42Processos, não é só dinheiro para fazer pesquisa,
05:45mas o venture capital, equity, para que você possa desenvolver novos negócios.
05:50Jefferson, a gente está passando por um momento de transição muito claro.
05:54Você tem o carro elétrico, tem a inteligência artificial,
05:58tem novos modais de produção de energia, energia limpa, renovável.
06:02O Brasil tem muita capacidade de entrar de cabeça a isso.
06:07Mas, muito comumente, eu cito uma frase que eu acho célebre do Roberto Campos,
06:13o avô do ex-primeiro do presidente do Banco Central,
06:17que ele sintetizou muito a obra dele dizendo o seguinte,
06:20o Brasil não perde a oportunidade de perder uma oportunidade.
06:24A gente está vendo a produção do carro elétrico,
06:26claro, muito com a ajuda dos chineses, um pouco dos europeus.
06:31A gente tem condições de entrar nesse trilho ou, de novo,
06:34se a gente não tomar cuidado, nós vamos ver o trem da história passando
06:38e a gente ficando de novo na estação?
06:40Essa é uma pergunta complexa, porque ela não depende somente de um assunto específico,
06:44ela depende de uma cadeia de valor.
06:47Assim, nós já perdemos várias batalhas.
06:49Há muitas.
06:49E a batalha da bateria pode ser que seja uma dessas.
06:53Entendi.
06:53Não é uma questão da bateria por si só,
06:56mas é a questão dos materiais.
06:58Mas nos materiais a gente pode evoluir e muito.
07:00Aliás, diga-se passagem, eu acho que o nosso país tem uma grande chance
07:03de ser um país da consequência do uso dessas baterias.
07:08O maior concorrente do carro elétrico não é o carro como estão,
07:13é o celular.
07:14Essa é a realidade.
07:15Por causa da bateria de livre.
07:16Por causa da bateria.
07:17E o Brasil, ele figura num local específico de ser um grande usuário
07:23e também de ser um grande produtor de materiais.
07:26Esses materiais que vão ser utilizados.
07:28Não é só lítio.
07:29Lítio, tântalo, telúrio, índio.
07:32Uma quantidade de materiais que vão faltar,
07:35segundo os especialistas, daqui a sete, dez anos.
07:39Especialistas fortes falando sobre isso.
07:41E bem nesse caso específico, o Brasil pode ser um grande lugar da mineração urbana.
07:46Não só o espaço específico da mineração convencional,
07:49mas o espaço da mineração urbana.
07:50Porque para fazer mineração urbana tem que ter energia.
07:54E o Brasil tem essa facilidade de fornecimento, de geração energética.
08:00Já que nós não somos bons em transmissão, nós somos bons em geração.
08:04As fontes de geração de energia estão ali.
08:07E você pode trazer grandes jogadores internacionais
08:11para participar desse jogo da transformação dos materiais.
08:15São poucos lugares que o Brasil pode jogar ainda.
08:17Energia é um deles.
08:18Jefferson, mas isso é uma cadeia.
08:19Você tem a iniciativa privada e aí a Confederação Nacional da Indústria faz esse papel,
08:24mas também tem que ter a parte pública de infraestrutura, investimento.
08:28Crédito no Brasil é muito caro, diferente do quanto é no Japão, na Coreia do Sul, na China, na Europa,
08:34nos Estados Unidos.
08:36Qual que é a virada de chave que a gente precisa?
08:38Primeiro, a gente tem que monitorar.
08:41Eu sou engenheiro.
08:43Engenheiro não consegue fazer nada sem monitorar.
08:45E basicamente, nós monitoramos junto com o Movimento Brasil Competitivo.
08:49Nós monitoramos entre 20 países com os quais nós competimos.
08:53Como é que é o custo nosso em relação a eles.
08:57E pasme.
08:57Nós chegamos a quase 2 trilhões de reais a mais do que a média desses 20 países.
09:05Desses custos, o primeiro é recurso humano.
09:09E o segundo, infraestrutura e fundamentalmente infraestrutura logística.
09:14Então, a gente consegue mapear.
09:17Basicamente, a gente consegue entrar em jogos importantes se nós mapearmos corretamente esses custeios.
09:22E daí, se você consegue mapear custeio, você consegue desenvolver soluções tecnológicas para esses custeios.
09:28Olha o caso do nosso prático do ProAlco.
09:30Perfeito.
09:30É um caso prático.
09:31A gente tinha um custeio que nós transformamos depois para um outro negócio.
09:36Basicamente, o Brasil, nesse processo de construção industrial,
09:42ele tem que saber dentro da cadeia de valor mundial onde ele pode participar.
09:48Um dos lugares que a gente pode participar, como os chamados early adopters,
09:53na área de uso de inteligência artificial, a gente não vai ter big techs.
09:58Nós não teremos grandes produções de chips específicos, somente para nichos, bem nichados especificamente.
10:04Mas nós podemos ser fortes.
10:06Nós crescemos em três vezes a nossa capacidade de serviços de inteligência artificial e serviços de TI.
10:12O problema é que nós aumentamos em dez vezes a capacidade de importação de serviços.
10:20Portanto, se nós temos os data centers aqui no Brasil,
10:23e nós olharmos para a possibilidade de desenvolvimento de novos serviços de TI,
10:27nós nos tornamos fortes.
10:29Energia, também em outro lugar.
10:32Reciclagem.
10:32A gente pensa que reciclagem é uma coisa ambiental.
10:34Basicamente, reciclagem é fazer dinheiro com o que está na mão.
10:37Basicamente, nós produzimos 17 milhões de frangos por dia, 250 mil cabeças de gado, 250 mil porcos.
10:46Por dia.
10:46Por dia.
10:47Nós abatemos.
10:48Imagina a quantidade de resíduos existentes.
10:51É a possibilidade de geração de energia.
10:53Portanto, temos vários nichos bons.
10:55Jefferson, uma maldade que o nosso tempo é muito curto, mas eu preciso te lançar um desafio aqui.
11:00Numa frase, é porque eu vi isso numa experiência que eu tive como repórter,
11:04de acompanhar um campeonato internacional de alunos de formação técnica.
11:09E o Brasil, inclusive as delegações são levadas pela CNI,
11:14os nossos alunos e professores são aplaudidos de pé pelos japoneses, pelos chineses, pelos alemães,
11:19pelos americanos, pelos europeus de um modo geral.
11:23E a gente tem um problema de fuga de cérebros.
11:25As pessoas vão lá representar o Brasil em competições internacionais,
11:28vão lecionar e não voltam.
11:30Numa frase, Jefferson, tem um passo de mágica para a gente perder essa fuga de cérebros?
11:37Não tem.
11:38Não tem.
11:38Não tem.
11:39Não tem, porque o mundo é global.
11:42Os negócios existem de uma maneira muito veloz.
11:45As pessoas para a qual eu formava há 20 anos são completamente diferentes das pessoas que eu formo hoje.
11:52É impressionante.
11:54A gente tem quase 6 bilhões de pessoas na face da Terra trabalhando em alguma profissão específica.
12:027 bilhões de pessoas.
12:03Mais da metade já está em profissão que não existia há simplórios 10 anos.
12:07Então, assim, a fuga de cérebros é natural no mundo.
12:10A diferença é que você tem que criar processos de atração.
12:13E o Brasil pode criar processos de atração.
12:15Então, já dizia Tom Jobim, Nova Iorque é bom, mas é ruim.
12:22Rio de Janeiro é ruim, mas é bom.
12:25Jefferson, uma pena a gente ter um tempo mais escasso, mas já fica o convite para você voltar
12:29em breve e a gente aprofundar mais esse assunto, que ele é fundamental para o desenvolvimento
12:34econômico, industrial, tecnológico aqui do Brasil.
12:37O Jefferson Gomes, diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria,
12:43honrosamente recebemos aqui no Fast Money.
12:45Jefferson, espero que o papo tenha sido agradável e até uma próxima oportunidade, que seja
12:50em breve.
12:50Eu quero ler teu material, Marcelo.
12:52Tá bom, vou te mandar.
12:52Tá bom?
12:53Obrigado.
12:53Bastante orgulho, bastante honra.
12:55Obrigado mais uma vez.
12:56Obrigado a você.
12:56Até mais.
12:57Até mais.
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