Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O próximo presidente do Brasil enfrentará uma "tempestade perfeita" na economia. Em entrevista a Luiz Felipe d'Avila, a economista do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, alerta para um cenário de baixo crescimento e crise fiscal, onde as despesas obrigatórias devem consumir 100% do orçamento em 2027. Srour aponta que a dívida pública pode atingir o patamar alarmante de 80% do PIB e defende reformas urgentes, como desvincular o salário mínimo dos benefícios sociais e revisar o crescimento do BPC.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Entrevista com Dávila
00:05O próximo presidente do Brasil terá de enfrentar um gigantesco desafio econômico.
00:13Trata-se da tempestade perfeita.
00:16Baixo crescimento, crise fiscal, despesa com gastos obrigatórios, pessoal e benefícios sociais
00:22devem consumir 100% do orçamento em 2027.
00:26E a trajetória crescente da dívida pública deve atingir indicadores alarmantes de 80% em relação à dívida PIB.
00:34Esse quadro dramático já afeta a vida do brasileiro.
00:38O gasto público irresponsável nos leva a conviver com a taxa real de juros mais alta do mundo,
00:44o que impacta no aumento do custo crédito, na inadimplência recorde
00:48e na taxa de investimento público mais baixa da história do Brasil.
00:53E como o Brasil pode sair dessa armadilha e o que o próximo presidente da república terá de fazer
01:00para colocar o país no caminho do crescimento sustentável.
01:05Esse é o tema da minha conversa com Solange Estrur, economista do UBS
01:09e uma das melhores analistas da economia brasileira.
01:12Seja muito bem-vinda à entrevista com Dávila.
01:14Muito obrigada, Dávila. Prazer estar aqui com você.
01:17Solange, vamos começar por essa questão fiscal que é dramática no Brasil.
01:20O que o próximo presidente tem que fazer para priorizar a questão fiscal?
01:27Primeiro, Dávila, a gente precisa dar para o investidor a previsibilidade
01:31de que essa dívida vai parar de subir de forma tão acelerada.
01:34Porque nessa última administração, em quatro anos, a dívida PIB vai crescer em torno de 10 pontos do PIB,
01:41considerando que o PIB cresceu em média, vai crescer em média 2,7, 2,8,
01:46que é acima do nosso potencial.
01:49Então, se a gente está crescendo a dívida com PIB forte,
01:52imagina quando a gente tiver que desaquecer a economia de verdade
01:56por conta de algum choque externo ou para trazer a inflação de verdade para a meta.
02:01Então, onde tem que estar essa previsibilidade?
02:03Como fazer isso?
02:04Uma série de reformas precisam ser anunciadas,
02:07porque o gasto público não cabe no arcabouço.
02:10Isso, inclusive, é admitido pelo próprio governo atual e mostrar que vai fazer um primário ao longo do tempo
02:16que estabiliza a dívida e que é um primário alto, porque a nossa dívida é alta e porque o nosso juro é alto.
02:21Então, a gente precisa mostrar que um primário em torno de 3,5% do PIB ao longo de alguns anos
02:27vai ser feito para conseguir estabilizar essa dívida.
02:30Agora, de imediato, eu me lembro o governo Temer, que também saiu daquele desastroso governo Dilma,
02:36o teto fiscal, o teto gasto deu um certo patamar de que a curva da dívida começou a cair.
02:43Aquilo já derrubou a taxa de juros, que estava em 14%, voltamos para a taxa de um dígito.
02:48O que nós podemos fazer para resgatar esta credibilidade de algum tipo de teto fiscal
02:55ou de algum tipo de ajuste para fazer com que essa curva pare de continuar a crescer?
03:01Sim, eu acho que não precisa aprovar e cortar gastos tudo no primeiro ano.
03:05O governo Temer anunciou uma agenda e foi aprovando ao longo do tempo.
03:10E isso traz a expectativa de que a gente vai conseguir estabilizar a dívida.
03:14Então, o que precisa, eu acho, de ser anunciado?
03:17Primeiro, ter o objetivo de desvincular o salário mínimo dos benefícios sociais.
03:23Porque sem isso, ou mudar a regra do salário mínimo, não há teto que seja teto de verdade,
03:30que não vai ter algum tipo de manobra para tirar a despesa do teto.
03:33Segundo, vai precisar ter uma revisão desses benefícios sociais.
03:37Porque o que cresceu, o quântum, por exemplo, do BPC, não é razoável em nenhum país do mundo.
03:45E a gente vai precisar desindexar a saúde e a educação, que havia sido desindexado no governo Temer,
03:51voltou com a indexação à receita e isso também inviabiliza qualquer tipo de teto,
03:57seja ele mais frouxo, menos frouxo, inviabiliza esse primário maior que eu falei.
04:01Então, eu acho que essas três coisas são prioritárias.
04:03E aí, pensar numa agenda de reforma administrativa e reforma previdenciária, de novo,
04:10porque a reforma previdenciária que a gente aprovou no governo Bolsonaro,
04:14ela não vai trazer mais economia nenhuma por conta da regra do salário mínimo.
04:18Então, a gente vai precisar de uma outra e atualizar as idades,
04:22porque a gente está vivendo mais e isso é bom, mas a reforma passada não contemplou isso.
04:28Agora, Solange, o candidato precisa ganhar a eleição e fazer isso e ser popular é difícil.
04:34Daria para criar alguma coisa, tipo uma URV de salário mínimo para o setor público,
04:39para que esse aumento seja abaixo da inflação?
04:43E manter o salário mínimo, de fato, livre, do outro lado, para a iniciativa privada,
04:47se quiser aumentar, acima da inflação, mas sem contaminar as contas públicas?
04:51Que mecanismo terá que ser criado para que isso também se torne um discurso politicamente palatável?
04:59É, eu acho que tem que ir no cerne do...
05:02Por que o fiscal vai atrapalhar a vida do brasileiro?
05:05Vai atrapalhar a vida do brasileiro porque a situação hoje é completamente sustentável.
05:10Nenhuma economia se sustenta com juros reais de 7,5% para qualquer prazo que você pense.
05:16O empresário brasileiro está na espera.
05:19Se esse juro continuar alto desse jeito, ele vai começar a retrair emprego,
05:24porque investimento já não está fazendo.
05:26Então, tem que dizer que isso aqui é insustentável.
05:28É difícil levar para a população isso, mas se o juro não cair, ela vai perder o emprego,
05:33o crédito vai ficar cada vez mais caro e a inflação vai voltar,
05:38porque a taxa de câmbio vai ter que embutir essa expectativa de quebra de confiança.
05:43Hoje, a taxa de câmbio, infelizmente, é um sinal quebrado para a população,
05:48porque a população vê que o câmbio saiu de 6,30% no final de 2024 e está hoje em 5,20% e pouco.
05:54Então, parece que as coisas melhoraram, mas não.
05:57A gente foi numa onda de países emergentes que se beneficiaram do dólar fraco,
06:03derivado das políticas do Trump, não tem nada a ver com o Brasil.
06:06Então, é preciso explicar isso, porque de uma hora para outra,
06:09por conta do fiscal, esse câmbio pode ir para cima de 6,5% de novo,
06:13e aí isso vai dar inflação junto com desaceleração forte da economia.
06:17Aliás, um fato importante que mostra isso é a inadimplência gigantesca no Brasil,
06:22batendo mais de 75 milhões de pessoas inadimplentes,
06:25mais de 8 milhões de empresas com o seu CNPJ negativado.
06:29E é fruto desse alto do juros, como você bem colocou,
06:33que é fruto da irresponsabilidade fiscal.
06:34Precisa começar a ligar esses pontos para que isso possa ter apelo popular.
06:39Pois é, e o emprego que a gente hoje está em pleno emprego,
06:43a taxa de desemprego está super baixa,
06:45isso vai mudar se a confiança do empresário desabar,
06:49porque os juros reais vão ficar altos por muito tempo,
06:52porque não é possível, não é negócio que se sustente
06:56com um custo de oportunidade desse tamanho.
06:59Agora, uma questão importante também, né, Solange,
07:01é a queda de produtividade no Brasil durante esses últimos anos.
07:05Nós perdemos produtividade em relação ao Chile,
07:08hoje é 50% da produtividade do Chile,
07:10duas vezes menos que a Polônia,
07:11três vezes menos que a Coreia do Sul.
07:14O que o Brasil tem que fazer para recuperar essa produtividade
07:17que é fundamental para o crescimento econômico sustentável?
07:20É, em termos de produtividade, o Brasil é uma vergonha.
07:22A gente está parado há 20 anos numa produtividade zero.
07:25O único setor produtivo é o agro no Brasil,
07:29que é um setor aberto à competição internacional.
07:32Muita gente fala, ah, mas é um setor subsidiado.
07:35Subsídio tem para todo mundo aqui.
07:37É.
07:37Não tem setor que não tenha subsídio no Brasil.
07:40A gente precisa abrir a economia para aumentar a produtividade.
07:43E a gente está num mundo hoje de AI e de produtividade
07:47explodindo em países que estão investindo nisso.
07:51Então, se a gente não começar, a gente já está atrasado,
07:54décadas atrasadas, mas se a gente não começar
07:56a fazer investimentos focados e aí vai precisar de novo
08:01olhar a questão fiscal, porque o empresário também não vai investir
08:05com esse juro alto, mas se o governo também não focalizar
08:08nos seus programas sociais para formar trabalhadores
08:11que estão capacitados a usar essa tecnologia nova,
08:15a gente vai ficar muito para trás.
08:17E aí, realmente, o Brasil vai ser só agro e acabou.
08:20A gente quer isso como país?
08:22Pode ser que sim, mas a gente não vai ter pleno emprego.
08:25Então, eu acho que a gente precisa abrir a economia,
08:29os programas sociais precisam ser focalizados na educação,
08:34na capacitação para utilizar a AI e, obviamente, trazer segurança jurídica,
08:39porque investimento não vem sem segurança jurídica.
08:41Principalmente nessa área que envolve montantes extraordinários de dinheiro.
08:47E trazer também uma previsibilidade em termos de imposto.
08:51A gente fez uma reforma tributária? Fez.
08:53Mas existe muita insegurança em relação à legislação
08:56que toda hora muda por um certo ativismo grande do judiciário,
09:02que não vou dizer que não é incentivado pelo próprio governo.
09:05Quando a gente tem algum problema fiscal, vamos lá mudar o imposto
09:07e aí começa o judiciário a revisar o imposto para trás.
09:11Então, isso degringola todo o plano de qualquer empresário no Brasil.
09:15Era estado do IOF, era a Constituição Social sobre o Lucro Líquido,
09:19começa uma revisão, aquilo que era legal, vira ilegal,
09:21tem que começar a pagar imposto que é truativo.
09:23É, e agora a gente está querendo deixar a jornada seis por um.
09:26Eu acho completamente...
09:28Assim, o empresário já tem o juro alto, uma insegurança jurídica,
09:31a revisão tributária, não tem dificuldade de contratar seus trabalhadores
09:35porque tem muito benefício social.
09:38E agora o custo do trabalho vai aumentar
09:40porque a jornada vai reduzir sem produtividade.
09:44Isso é uma receita para aumentar o desemprego e a informalidade
09:48e piorar a produtividade.
09:50Então, assim, se a gente faz só política populista
09:52sem pensar na consequência,
09:54realmente não vai sair do lugar essa renda média.
09:58Aliás, esse ponto do 6 em 1 é muito importante
10:00porque o professor José Pastore já mostrou
10:02que vai custar 22% mais caro a contratação
10:05que vai justamente levar ao desemprego.
10:07E o CLP, o Centro de Líder Nessa Pública,
10:09soltou uma nota fiscal, uma nota técnica,
10:11acabou em dizer que gerará 600 mil desempregos a mais.
10:16Por que a gente não olha a experiência de outros países
10:18que fizeram isso como a França?
10:20Deu tudo errado na França.
10:21O desemprego aumentou, a informalidade aumentou,
10:24a produtividade caiu
10:25e eles estão com esses problemas até agora.
10:27Então, realmente, é uma eleitoral complicada
10:31porque tudo passa e o futuro fica prejudicado.
10:36Agora, você tocou num ponto importante na produtividade.
10:38Então, tem que ter essa abertura tecnológica
10:40que é muito importante, que a gente está atrasado.
10:42Essa formação da mão de obra qualificada,
10:44principalmente a parte técnica, né?
10:47E a retomada do investimento, principalmente em infraestrutura.
10:50O Brasil tem muito a fazer em investimento em infraestrutura.
10:53Como você viu, por exemplo, medidas importantes que foi,
10:56por exemplo, a quebra do novo marco do saneamento.
10:59Você acha que isso é um modelo importante
11:02para atrair investimento de longo prazo em infraestrutura no Brasil?
11:05Não, com certeza.
11:07A gente atraiu muito investimento para o saneamento.
11:09E outra coisa, o saneamento é muito importante para a produtividade.
11:13Isso.
11:13Então, assim, a gente ainda não colheu os frutos completos
11:16dessa abertura que a gente fez.
11:19E olha que a gente tentou, no começo dessa administração,
11:21reverter esse projeto aprovado de abertura do saneamento.
11:26Então, tem um mundo ainda de atração de investimentos privados,
11:30não só nessa área, mas em áreas de infraestrutura.
11:32E o Brasil, quando você vê lá fora, fala com o investidor internacional,
11:37a gente, além de ter muita oportunidade,
11:41porque a gente não tem feito esses investimentos há muitos anos,
11:44a gente tem uma vantagem absurda de ser um país neutro
11:48no mundo de guerra geopolítica.
11:51Então, a gente consegue, na concorrência entre diversas regiões
11:55que estão aí em conflitos, para ver quem vai ter o poder maior,
11:59a gente consegue atrair um custo melhor para o Brasil.
12:03Só que a gente não está usando isso.
12:04Então, a gente precisa também de um governo que não use a ideologia
12:07para atrair esse investimento,
12:08porque a gente vai conseguir um investimento de ponta
12:11com benefícios para o Brasil.
12:13E, além de tudo, a escala.
12:15Nós estamos falando de 100 milhões de brasileiros
12:16que precisam de esgoto tratado,
12:18que é uma escala gigantesca.
12:20Então, também atrai o investidor.
12:22Exato.
12:22E se a gente melhorar a nossa infraestrutura de transporte,
12:25o quanto que a gente não pode melhorar a nossa conta corrente,
12:29que hoje é um problema, não era no passado, mas hoje é.
12:32E, sendo um país neutro, a gente consegue exportar.
12:34E, se a gente abrir economia também,
12:36estamos fazendo acordos aí com o Mercosul.
12:38A gente precisa explorar isso.
12:42A abertura econômica vai ser uma questão importante.
12:44O Edmar Bacha sempre disse,
12:46até tinha uma visão que a gente precisa fazer uma abertura unilateral,
12:49porque não dá para ficar esperando tratados, etc.
12:52Como que deveria ser a abertura econômica do Brasil?
12:56Porque, hoje, esses setores dizem assim,
12:58ah, não, mas não dá para competir,
13:00porque aqui no Brasil a gente paga muito imposto,
13:02tem muita regulação,
13:03se abrir de uma forma quebra todo mundo.
13:05Como é que, politicamente,
13:07pode-se vender uma agenda da abertura econômica
13:10que, eu concordo com você, é fundamental para o Brasil?
13:13Bem, primeiro que a abertura econômica vai trazer muito investimento.
13:18Como a gente tem muita vantagem competitiva,
13:21porque a nossa mão de obra não é cara internacionalmente,
13:24a gente tem energia limpa e barata em relação ao resto do mundo
13:28e a gente tem commodities,
13:30e a gente não é um país de uma commodity, de duas commodities,
13:33a gente é um país de commodities variadas.
13:35Então, eu acho que se a gente abrir de verdade,
13:37a gente vai ter investimento e os setores vão ser competitivos,
13:42é só olhar o que aconteceu com o agro.
13:44Se a gente ficar olhando uma indústria específica aqui e outra ali,
13:47a gente vai botar o país todo para trás.
13:48Então, mal ou bem, toda essa política do Trump mais protecionista
13:55tem feito vários países abrir.
13:57Você vê que a Índia está fazendo acordos com a Europa,
14:03os Estados Unidos estão fazendo acordos com a Europa.
14:06Então, a gente precisa realmente abrir,
14:10eu concordo completamente com o Baixa,
14:12para trazer esses investimentos e vender para o público,
14:15vai dar mais emprego para todo mundo.
14:17Não adianta proteger uma ou outra indústria,
14:19até porque nesse mundo geopolítico mais complicado,
14:24a China tem direcionado as suas exportações
14:28que em grande parte iam para os Estados Unidos e para o resto do mundo.
14:31Então, a gente pode ter tarifa,
14:33mas o preço do produto chinês está caindo.
14:36A nossa tarifa vai ter que subir?
14:38Não é melhor abrir para outros parceiros
14:40do que ficar importando produtos cada vez mais baratos da China?
14:44E, além de tudo, nós precisamos dos insumos.
14:47Precisa importar para o insumo, precisa diminuir o preço
14:49para nós nos tornarmos mais competitivos também.
14:51Claro.
14:51A abertura tem esse outro lado importante da importação e da exportação.
14:55O Brasil continua sendo um nanico na exportação no comércio global.
15:00Isso poderia, como você falou, gerar muito emprego, oportunidade e investimento.
15:04A economia é fechada.
15:05Se a gente pegar exportação sobre PIB, importação sobre PIB no Brasil,
15:08é uma das mais baixas.
15:10A nossa economia é fechada.
15:12Só que no mundo digital hoje não dá para ficar.
15:14É verdade.
15:16Agora, outro ponto que você trouxe, muito importante da questão da produtividade,
15:19é a insegurança jurídica.
15:21Tanto na parte, só na judicialização tributária e trabalhista que você mencionou,
15:26são gigantescas o Brasil.
15:28Infelizmente, é recordista mundial nesses dois temas.
15:31Não seria importante o próximo presidente da República
15:34lutar por essa agenda da inserção do Brasil na OCDE
15:37para que haja uma padronização de regras,
15:40para que isso ajude a trazer um pouco mais dessa segurança jurídica?
15:45Não, com certeza.
15:46Acho que isso é fundamental.
15:47A gente não pode pensar que esses organismos internacionais,
15:53a gente não deva participar.
15:55Eles são muito importantes e é um selo.
15:58É um selo de um país que você pode investir
16:00e tem muito capital para ser investido no Brasil.
16:03A gente também não pode perder essa oportunidade que eu acho que é a única
16:07que veio com toda essa confusão geopolítica
16:11e questionamentos em relação à economia americana,
16:15que é o seguinte, os portfólios, os investimentos
16:18estão se diversificando em relação ao dólar e à economia americana.
16:23Então, a gente vê, eu vejo diariamente,
16:26muito interesse do estrangeiro.
16:29Não é só para tirar, botar o capital de curto prazo no Brasil, não.
16:31É o capital de médio e longo prazo, não ficar mais concentrado.
16:36Só que no Brasil existe essa insegurança jurídica
16:39que se ela estivesse ficando parada, estava tudo bem,
16:42mas ela tem piorado.
16:43Nos últimos anos ela piorou muito.
16:46E eu acho que esse momento agora que a gente está vivendo
16:49de três poderes da República em choque,
16:56cada um tentando pegar o espaço do outro,
16:59legislando ou julgando de forma indevida,
17:04isso atrapalha a insegurança jurídica também.
17:07Não é só mudar as leis,
17:08é essa questão de que a gente não sabe mais
17:10que órgão do governo é responsável por quê.
17:14Questionar, por exemplo, o poder de supervisão do Banco Central
17:17traz uma insegurança jurídica absurda.
17:21Graças a Deus que tudo parece que encaminhou bem
17:24em relação ao Banco Central no sentido de que a supervisão
17:28continua sobre o seu guarda-chuva.
17:32Técnico.
17:32É técnico, porque se você perde essa credibilidade
17:38de que existe supervisão no setor financeiro,
17:42nenhum setor mais no Brasil funciona.
17:44É verdade.
17:45E isso poderia criar uma crise de crédito.
17:48Acho que ninguém estava falando um pouco disso,
17:50estava só, o escândalo de corrupção é importante,
17:55a gente tem que investigar.
17:55O problema é o seguinte,
17:57as instituições precisam atuar dentro do seu quadrado,
18:00elas precisam ter credibilidade,
18:03senão não tem crédito no Brasil.
18:06E isso seria dramático para essa retomada
18:08do crescimento econômico que a gente está falando aqui.
18:10Quer dizer, uma das poucas coisas que ainda sobreviveram
18:12todas as crises no Brasil é a credibilidade do setor financeiro.
18:15Se a gente perde essa credibilidade,
18:17nós vamos colocar em risco uma das poucas coisas
18:20que sobreviveu a esse ataque de populismo no Brasil
18:23nos últimos 20 anos.
18:24Exatamente, é verdade.
18:25E como você mesmo colocou,
18:27a gente está num momento de endividamento alto,
18:30inadimplência.
18:31Imagina um freio no crédito
18:33por conta de falta de confiança no sistema financeiro,
18:37porque não sabemos mais quem supervisiona o quê.
18:40Isso seria um tiro no pé absurdo.
18:43Solange, na questão trabalhista,
18:45nós fizemos uma reforma trabalhista
18:47que ajudou muito a diminuir
18:49essa questão da insegurança na contratação,
18:53principalmente a judicialização.
18:55Mas agora voltou tudo de novo.
18:57Voltamos a estacar zero.
18:58Voltou a ter 10 milhões de processos novamente.
19:01O que nós podemos fazer
19:03em relação a até benchmark internacionais
19:06para dar essa estabilidade da regra
19:08numa coisa tão importante?
19:09Você que trabalha numa instituição estrangeira,
19:11é complicado explicar para o acionista lá fora
19:14o que é esse passivo trabalhista gigantesco no bottom line
19:17que ninguém acredita no tamanho,
19:19o volume e o risco que isso representa para as instituições.
19:23É verdade.
19:23E com a adoção cada vez mais forte do EIA,
19:26a gente está vendo que
19:27se a gente não tivesse a segurança jurídica
19:29em relação às regras trabalhistas,
19:31realmente o emprego vai cair muito no Brasil.
19:34Então, o que aconteceu com a reforma trabalhista?
19:38Acho que o ativismo do Poder Judiciário
19:40diminuiu muito a reforma que foi aprovada pelo Congresso.
19:44Aí entra aquela questão da briga dos poderes.
19:47Então, a gente precisa, ao aprovar uma reforma,
19:52que ela não seja modificada posteriormente no Judiciário,
19:56que foi o que aconteceu com a reforma trabalhista.
19:58E isso vai ter um custo, porque, veja bem,
20:01durante a pandemia a gente conseguiu sustentar
20:03uma taxa de desemprego não absurdamente alta
20:07por conta da reforma trabalhista.
20:09Se a gente tiver que passar por um momento de crise de novo,
20:12um choque exógeno,
20:14a gente não tem mais a mesma segurança
20:15que tínhamos na pandemia.
20:17Então, o problema do Brasil é esse.
20:19A gente aprova a reforma,
20:20depois a reforma é a contra-reforma.
20:24Na Previdência aconteceu a mesma coisa.
20:25Quando mudou a regra de salário mínimo,
20:27foi a contra-reforma.
20:29A gente está falando de reforma administrativa,
20:31mas o Congresso está fazendo uma contra-reforma
20:33com o penduricário.
20:35Então, assim, como é que a gente vai avançar?
20:39Dois passos para frente, um para trás,
20:40você não anda muito e o mundo está andando.
20:43Esse é o grande dilema do Brasil.
20:46É que falta presidente da República,
20:48falta executivo, né?
20:49Porque quando tivemos isso no governo Temer,
20:51no governo Fernando Henrique,
20:52houve um alinhamento disso.
20:54Aliás, no sistema presidencialista,
20:55quem deveria dar liderança é o presidente.
20:57Quando isso não acontece,
20:58fica difícil aprovar reformas tão importantes
21:00como a reforma administrativa,
21:02como a reforma Previdência.
21:03É, a gente precisa também,
21:05e cada vez mais está difícil hoje
21:07aprovar reformas no Brasil,
21:09porque o Congresso,
21:11ele está com um poder muito maior
21:13do que ele tinha no governo Temer
21:15ou no governo Dilma.
21:16A questão das emendas,
21:18eu acho que é muito difícil de mudar,
21:20porque, obviamente,
21:21depende de aprovar no próprio Congresso,
21:23mas diminui muito o poder de barganha
21:26do Executivo,
21:27quando tem uma pauta positiva,
21:30né,
21:30pró-crescimento, pró-reforma,
21:32conseguir passar no Congresso,
21:34porque o Congresso já é dono do orçamento.
21:37Então, eu acho que isso,
21:38o próximo presidente,
21:39vai precisar convencer o Congresso,
21:43geralmente se convence
21:44quando o Brasil tem uma grande crise,
21:45mas espero que antes dessa crise acontecer,
21:48de que a gente vai precisar
21:49retomar um orçamento
21:51onde as políticas públicas
21:54conversem mais
21:55com as políticas de Estado,
21:58e não com interesses
21:59de cada deputado,
22:01de cada senador,
22:02porque senão,
22:03mesmo que o presidente tenha
22:05ótimas intenções,
22:07uma equipe de economistas
22:09e tecnocratas,
22:11dream team dos sonhos,
22:13politicamente vai ser inviabilizado.
22:16Mas você tocou num ponto fundamental,
22:17que é a questão da seriedade orçamentária.
22:20Essa é uma questão vital.
22:21O Brasil hoje tem um orçamento
22:22de mentira,
22:23fictício, né,
22:24porque você pode retirar
22:25um monte de despesa do orçamento
22:27para poder mostrar
22:28que você está no caminho
22:28do equilíbrio fiscal,
22:29que é tudo mentira,
22:30a gente vê na dívida bruta.
22:32Então, um orçamento de verdade,
22:33um orçamento com critério,
22:35sei lá, base zero,
22:36tem que ter algum tipo de critério
22:37para termos um orçamento de verdade.
22:40Você não acha que isso pode ter
22:41essa boa discussão
22:42para reduzir esse poder do Congresso?
22:43Porque, segundo as projeções
22:45do próprio governo,
22:47em 2027,
22:48100% da arrecadação
22:49será gasta
22:50com gastos correntes do Estado.
22:51Não vai ter dinheiro
22:52para pagar a emenda.
22:53Então, esse dinheiro da emenda
22:54vai acabar.
22:55Em 2027,
22:56se nada for feito.
22:57Você não acha
22:58que nós podemos ter
22:59uma negociação
23:00com o Congresso
23:01no sentido
23:02de tratar o orçamento
23:04com realismo?
23:05Sim.
23:06Então, para isso,
23:06a gente precisa
23:07de uma administração nova
23:08que seja essa mesmo,
23:11mas que entenda
23:12esse problema.
23:13Porque se não entender
23:14esse problema
23:15de que a gente precisa
23:16reformular
23:17todo o orçamento
23:18do Brasil,
23:19porque não tem mais espaço
23:20para investimento
23:21e não vai ter mais espaço
23:22para emenda
23:23e não tem mais espaço
23:24para nada
23:25que seja discricionário
23:26no Brasil.
23:27É isso.
23:27E uma coisa
23:29que precisa ser discutida
23:31é que a gente
23:32gasta muito
23:33e gasta mal.
23:34Então, não é só
23:34tem que cortar gasto
23:36porque a gente
23:37gasta muito.
23:38É se a gente
23:38cortar gasto
23:39e gastar melhor,
23:40vai ser mais popular
23:41para o político.
23:44Seja ele deputado,
23:45senador,
23:46presidente.
23:47O que o beneficiário
23:49do programa social
23:50hoje pensa?
23:52Eu recebo isso
23:53desse governo?
23:53Eu vou receber para sempre
23:54porque ninguém vai conseguir
23:55tirar isso de mim.
23:56mas isso está me fazendo bem?
23:58Está me fazendo progredir?
23:59Não.
24:00Então, não necessariamente
24:01ele está votando
24:02naquele que concedeu
24:03o benefício.
24:04Ele sabe que esse benefício
24:06não vai ser retirado
24:07abruptamente,
24:08mas também está infeliz
24:09com ele.
24:10Gostaria de estar
24:11melhorando de vida.
24:13Quando você pega
24:13as pesquisas eleitorais
24:15e pesquisas de opinião,
24:17as pessoas estão com medo
24:18de que a economia
24:19vai piorar.
24:20São críticas
24:21dos programas econômicos
24:23e, assim,
24:23parece um pouco inconsistente,
24:25porque elas estão
24:25recebendo benefício,
24:26a economia está crescendo
24:27perto de dois,
24:29o desemprego dá baixa.
24:30Por que está todo mundo
24:31com medo?
24:32Está todo mundo insatisfeito?
24:33Porque eu acho que, assim,
24:35a mentalidade do brasileiro
24:36também tem evoluído.
24:37Não basta mais
24:38essas políticas públicas
24:40que gastam muito,
24:41mas que não melhoram
24:42a condição de vida
24:42de ninguém.
24:43É isso mesmo.
24:45Aliás, você está tocando
24:46num ponto que é importante,
24:47que são os programas sociais.
24:49Um presidente sério
24:50tem que pensar
24:51em não só acabar com fraudes
24:54e, evidentemente,
24:54corrupção
24:55nesses todos os programas
24:56que existem no Brasil,
24:57mas, principalmente,
24:58criar essa porta de saída
24:59para que não se torne
25:00independentes do programa,
25:01que o programa seja
25:02uma muleta
25:03para ajudar a pessoa
25:04num momento de dificuldade,
25:05mas que ele volte
25:06a ser inserido
25:07no mercado de trabalho,
25:08porque isso tem
25:08um pouco de resgate
25:10do orgulho.
25:11Voltei a trabalhar,
25:11voltei a ser empregado.
25:13Como você vê
25:14essa análise
25:15tão importante
25:16de se criar
25:17essas portas de saída
25:18para os programas sociais?
25:19São fundamentais.
25:20eu acho que o que a gente
25:22precisa é de um
25:23spending review,
25:25que é uma revisão
25:26de todo o gasto público
25:27para ver o que foi efetivo,
25:29o que não foi efetivo
25:30e melhorar
25:32essa focalização.
25:33Além da porta de saída
25:35de quem recebe o benefício,
25:37durante esse recebimento
25:38de benefício,
25:39como que o trabalhador
25:40se qualificou?
25:41Isso melhorou a chance
25:42dele de ficar
25:44num trabalho
25:44por muito tempo,
25:46estável,
25:47ou não?
25:47Ele vai sair
25:48e depois vai ter que voltar
25:49a receber o benefício.
25:51Então,
25:52essa revisão
25:53do gasto público,
25:54olhar o desenho,
25:56foi efetivo,
25:57não foi efetivo,
25:58tentou ser feita,
26:00a gente teve
26:01dentro do Ministério
26:03do Planejamento
26:04essa secretaria,
26:05mas,
26:06afim e acabo,
26:06eu não vi
26:07o setor político
26:10comprar as ideias
26:12da secretaria.
26:12Então,
26:12a gente precisa
26:13de um presidente
26:13que,
26:14olha,
26:14a gente tem aqui
26:15essa revisão.
26:17O que a gente vai fazer?
26:18Vai ser impopular?
26:19Não,
26:20porque as pesquisas
26:21estão mostrando
26:22que as pessoas
26:22têm medo
26:23da economia,
26:24estão com medo
26:25de perder emprego.
26:27E acho que todo mundo
26:28no Brasil
26:28está conectado
26:29no que está acontecendo
26:30no mundo hoje.
26:31O desemprego
26:33entre recém-formados
26:35nos países desenvolvidos
26:36tem crescido muito.
26:38É verdade.
26:39Como é que eles estão
26:40lidando com isso?
26:41Por conta da tecnologia.
26:43Eles estão criando
26:44programas de renda mínima,
26:46mas que trazem
26:47formação
26:48para esse recém-formado
26:50não ficar desempregado
26:52anos e anos
26:52porque senão
26:53ele nunca mais entra
26:54no mercado de trabalho.
26:55Só que a gente
26:55não vai ter dinheiro
26:56para isso.
26:57É verdade.
26:58Aliás,
26:58e essa questão
26:59de mesurar
26:59o impacto
27:00de cada programa
27:01fará com que você
27:03descontinue
27:04programas
27:05que não dão resultado
27:05e pode aumentar
27:06o dinheiro,
27:07inclusive,
27:07naqueles que estão
27:08dando resultado.
27:08Então,
27:09num certo sentido,
27:10você tem uma forma
27:10criteriosa
27:11para realocar
27:12o gasto público.
27:14Agora,
27:14politicamente,
27:15é difícil fechar.
27:15fechar o programa
27:16na minha cidade,
27:17que não está funcionando,
27:18isso aqui dá voto,
27:19vai ter uma briga política.
27:20Mas,
27:21economicamente,
27:22racionalmente,
27:24como você disse,
27:24isso é só melhorar
27:25a popularidade do governo,
27:26porque ia ter mais dinheiro
27:27para os bons programas
27:29e terminaria com aqueles
27:30que perdem dinheiro.
27:31aqui no Brasil.
27:32Aqui no Brasil,
27:32a gente tem bolsa
27:33para o pescador
27:33em regiões
27:35que nem a pesca
27:35é feita.
27:37Então,
27:37assim,
27:37acho que é popular
27:38mostrar que,
27:39assim,
27:39a gente tem uma questão
27:41de má alocação,
27:44que não é só fraude,
27:45mas é porque beneficia hoje
27:47o governante da região.
27:50Entendeu?
27:50Não é só porque as pessoas
27:51estão pegando benefício
27:52porque é fraude,
27:53é porque,
27:53realmente,
27:54o benefício está ali disponível
27:56em lugares
27:56que ele não deveria
27:57estar disponível.
27:58em contrapartida,
28:01cadê o investimento
28:02nas universidades?
28:05Então,
28:06eu acho que
28:06dá para fazer
28:08um marketing,
28:10de aumentar a produtividade,
28:12de melhorar a vida
28:12das pessoas,
28:14só que no Brasil,
28:15em geral,
28:15a gente faz o seguinte,
28:16a gente espera a crise
28:17acontecer
28:17para aí o Congresso
28:19aprovar
28:19sem mostrar os benefícios
28:21do que está sendo aprovado.
28:23E aí,
28:23depois,
28:24o que foi aprovado
28:25é revisto.
28:26É uma loucura.
28:27Entramos na conta
28:28da reforma.
28:29É.
28:30Mas você tocou
28:32em dois pontos
28:32importantes aí.
28:33Primeiro,
28:34essa pressão externa.
28:35As tarifas do Trump
28:37estão fazendo com que
28:38haja um renascimento
28:39da agenda
28:40da abertura econômica.
28:41E isso o Brasil
28:42pode surfar.
28:44E a segunda coisa
28:45que você bem trouxe
28:46é o interesse
28:48das economias avançadas
28:49para diversificar
28:50investimento
28:51em mercados emergentes
28:52porque também
28:53estão preocupados demais
28:54com o mercado
28:54só concentração
28:55no mercado dos Estados Unidos.
28:57como é que você vê
28:58essas duas oportunidades
29:01no Brasil
29:02numa nova gestão?
29:03Numa gestão
29:04de um governo
29:07pró-mercado?
29:08Porque eu digo
29:08que um dos problemas
29:08culturais que nós temos
29:09é o governo
29:10sempre é anti-mercado,
29:11que é controlar,
29:12intervir,
29:13mexer,
29:14regular.
29:15Então,
29:15se nós tivermos
29:16essa mudança
29:17de mentalidade,
29:19você acha
29:19que o Brasil
29:20pode voltar a ser
29:21um lugar
29:22de extrema
29:23atratividade
29:24para investidores externos?
29:25Eu não tenho dúvida
29:26e dentro desse mundo
29:27que eu falei
29:28de diversificação
29:29em relação
29:31à economia americana,
29:32em relação ao dólar
29:33e um mundo
29:33geopoliticamente
29:34mais complicado
29:36que nos beneficie,
29:37a gente ainda tem
29:38o benefício
29:38de estar na América Latina
29:39que é uma região
29:40que foi esquecida
29:41por muito tempo
29:42pelas grandes potências,
29:46não é só
29:46pelos Estados Unidos,
29:48a China começou
29:49a investir bastante,
29:50mas a gente
29:52tem muito
29:53frutos fáceis
29:54de colher
29:55porque a gente
29:56ficou muito
29:56para trás
29:57em relação
29:58a outras regiões
29:59como o Sudeste Asiático,
30:01todo o entorno
30:02dos Estados Unidos,
30:02então a gente tem
30:03essa vantagem
30:06e isso está
30:07começando a acontecer
30:08no Chile
30:08que já é um país
30:09que já atrai
30:09muito investimento,
30:10mas a nova
30:12perspectiva
30:13de mais reformas,
30:16quem me deram
30:18se a gente tivesse
30:18feito todas as reformas
30:19do Chile,
30:20mas só essa perspectiva
30:21já está trazendo
30:22muito investimento,
30:23então a gente,
30:25por estar na América Latina
30:26também que é uma região
30:27que está sendo olhada
30:28por todo mundo,
30:29que meio
30:30ficou para trás,
30:32a gente ainda tem
30:33essa vantagem,
30:33então assim,
30:34espero que a gente
30:35não perca esse bonde
30:35porque ele não vai
30:36passar de novo.
30:37É verdade,
30:38e como você vê
30:39o acordo
30:40do Mercosul
30:40com a Unidade Europeia
30:41nisso no sentido
30:43de abrir novos mercados
30:44e atrair investimento
30:45para o Brasil?
30:46Acho que vai ser
30:46muito bom para o Brasil,
30:48eu entendo
30:48que alguns setores
30:49podem estar receosos
30:50porque vão ter
30:51competição maior,
30:53mas é aquilo,
30:54a gente vai trazer
30:55tecnologia para o Brasil,
30:56a gente vai trazer
30:57investimento
30:58para vários setores
31:00brasileiros,
31:01nos países europeus
31:03também estão com medo
31:04de serem invadidos
31:05por nossos produtos
31:06que são competitivos
31:07na parte agro,
31:09mas quando a gente
31:10olha a economia
31:11como um todo,
31:12tende a termos
31:14mais crescimento,
31:15mais produtividade
31:16e isso vai gerar
31:18menos pressão
31:19para a inflação.
31:20Agora,
31:20é um processo
31:21muito lento,
31:22esses frutos
31:23não vão ser colhidos
31:24rapidamente,
31:25até porque o acordo
31:26ele é gradual,
31:28ele vai abrindo
31:28aos poucos,
31:30mas isso foi
31:32um benefício
31:33desse mundo
31:34geopolítico
31:35mais complicado,
31:35porque a Europa
31:36não aceitaria
31:37fazer esse acordo
31:37talvez se não
31:39tivesse sofrido
31:40as tarifas
31:41que sofreu
31:42dos Estados Unidos.
31:43Então,
31:43no fundo,
31:43a gente pode estar,
31:45a gente olhava
31:46o copo meio vazio
31:48com uma guerra
31:48comercial global
31:50que ia gerar
31:51recessão global
31:53e inflação,
31:54talvez o copo
31:55meio cheio
31:56seja que no médio prazo
31:58isso aumenta
31:58o produto potencial
31:59por conta
32:00desses acordos
32:01que estão sendo feitos
32:02pós o susto
32:05das tarifas absurdas
32:07do início do ano passado.
32:09É interessante,
32:10eu queria pegar
32:10um gancho
32:11já que a gente
32:11está falando
32:11de política externa
32:12aqui,
32:13a Europa,
32:13o papel da Europa.
32:15O plano Drag,
32:16eu gostei muito
32:16do plano do Mário Drag,
32:18ele toca em três pontos
32:19fundamentais,
32:20a questão da produtividade
32:21na Europa,
32:22a questão da independência
32:23energética
32:24e um renascimento
32:26de uma política industrial
32:27praticamente investindo
32:28na indústria de defesa.
32:29Ele dá ali
32:30um blueprint,
32:31mas assim como
32:32o Brasil,
32:33ele coloca ali
32:33os grandes desafios
32:34que a Europa tem,
32:35criar um mercado
32:35de capital único,
32:36desregulamentar,
32:37tem todos ali
32:38um desafio.
32:39Você vê a Europa
32:40também com esse
32:41potencial de
32:43renascer
32:43com uma potência
32:44econômica?
32:46Eu vejo,
32:47mas eu tenho
32:47mais pessimismo
32:49em relação
32:50à Europa
32:50do que em relação
32:51ao Brasil.
32:51Porque a Europa
32:52tem um grande
32:53problema
32:53na União Europeia
32:55você ter que
32:56em vários momentos
32:57ter consenso
32:59ou maioria
32:59de países
33:00para tomar
33:01certas decisões,
33:02inclusive o acordo
33:03do Mercosul
33:04a passar no parlamento
33:05precisa desse
33:06parlamento europeu,
33:07desse,
33:08não consenso,
33:09mais a maioria
33:10dos países
33:10e isso
33:11é difícil.
33:14E o grande
33:15problema
33:15para mim
33:16da Europa
33:16é o
33:18mindset,
33:19é essa
33:21tentativa
33:22de desregulamentação
33:23que não avança
33:24porque eles
33:26são muito
33:27preocupados
33:28com essa questão
33:29da regulamentação.
33:30Que é importante,
33:32mas se você
33:32engessa,
33:34você fica
33:34para trás.
33:35e é por isso
33:36que os Estados Unidos
33:36nos últimos anos
33:37cresceu tanto
33:38a produtividade
33:39e a renda
33:41e a Europa
33:41ficou para trás.
33:43E agora
33:43com a questão
33:45da tecnologia,
33:46quando você fala
33:47em investimento
33:48em tecnologia
33:48e AI
33:49é Estados Unidos
33:51e China.
33:52Cadê a Europa?
33:53Não consegue avançar
33:54por conta
33:54da regulamentação.
33:55Então o plano
33:56Drag seria ótimo,
33:57ele mesmo coloca
33:58essa questão
33:58da regulamentação
33:59que precisa mudar,
34:01mas a gente não vê
34:02esse avanço.
34:03e é mais difícil
34:04por conta
34:05de ter 27 países
34:07que precisam
34:08conversar,
34:09sentar numa mesa
34:10e o pior,
34:12cada país
34:12tem seu problema
34:13político interno.
34:14Então é muito melhor,
34:16mais fácil no Brasil
34:16que a gente
34:17é um país só.
34:18Eu sei que cada Estado
34:19tem a sua questão
34:20interna política,
34:23mas de conseguir
34:24aprovar no Congresso
34:26do que conseguir
34:26aprovar na Europa.
34:28Ou seja,
34:28o desafio cultural
34:30do Brasil
34:31é se livrar
34:31desse nacional
34:32desenvolvimentismo
34:34de uma política
34:35anti-mercado,
34:36acreditar nas virtudes
34:37da intervenção
34:38do mercado.
34:39E o da Europa
34:39é como se desapegar
34:42do Estado assistencial
34:43para se tornar
34:44um pouco mais competitivo.
34:45Exato.
34:46E a gente tem
34:47a vantagem
34:48e ao mesmo tempo
34:49uma desvantagem
34:50que a nossa renda
34:51é muito inferior
34:52à da Europa.
34:52Então se a gente
34:53conseguir avançar
34:54um pouquinho,
34:55assim,
34:56para o brasileiro
34:58vai ser um ganho
34:58tão substancial
35:00então é muito popular.
35:03Isso aconteceu
35:04na Coreia do Sul
35:05e por que não
35:07acontece com a gente?
35:09Agora,
35:10nós temos um outro
35:11enorme desafio
35:11aí já de médio prazo
35:12que é essa mudança
35:13demográfica no Brasil
35:14que vai exigir
35:15do próximo
35:16presidente da República
35:17fazer uma segunda
35:18reforma da Previdência
35:19que é sempre algo
35:20extremamente custoso
35:22politicamente.
35:23Mas não tem jeito,
35:24nós vamos ter que mexer
35:25nessa questão da Previdência
35:26mais uma vez,
35:27inclusive acabando
35:28com privilégios,
35:29algumas categorias
35:30que acabaram
35:30ficando fora
35:31do sistema previdenciário.
35:33Você acha que isso
35:34vai ter que ser
35:34uma decisão rápida
35:36no próximo governo
35:37ou que ele pode
35:38esperar um pouco?
35:39Não,
35:39acho que vai ter que ser rápida
35:41porque a reforma
35:42da Previdência
35:44que foi aprovada
35:45ela partiu de uma tabela
35:46sobre como que as pessoas
35:49vão envelhecer no Brasil
35:50que já não existe,
35:51já foi ultrapassada.
35:53As previsões
35:54foram largamente
35:55ultrapassadas.
35:56então ainda que
35:58a regra do salário mínimo
35:59não tivesse mudado
36:00a gente precisaria
36:01atualizar
36:01e colocar os grupos
36:02que ficaram de fora
36:03para dentro.
36:05Agora então
36:05que a regra do salário mínimo
36:07tirou toda a economia
36:08que a reforma foi feita,
36:10toda,
36:10é como se a gente
36:11não tivesse feito
36:12que reforma.
36:13O aumento real
36:13do salário mínimo.
36:14O aumento.
36:14O aumento acima
36:16da inflação.
36:17Isso.
36:17isso matou
36:19a economia
36:20da reforma
36:22da Previdência
36:22aprovada.
36:23Então a gente
36:24tem esse problema.
36:25Acho que tem que ser já,
36:26tem que ser para agora.
36:27E a gente vai ter que pensar,
36:30acho que
36:30ter uma discussão
36:32pública
36:32sobre
36:33o quanto que o Brasil
36:35quer gastar
36:36com os idosos
36:37e quanto que quer gastar
36:38com os jovens.
36:39Esse é um problema.
36:40O número de idosos
36:41está crescendo,
36:41a gente vai precisar
36:42aumentar o gasto aqui,
36:43mas
36:44a gente precisa
36:45qualificar
36:45a mão de obra,
36:47inserir nesse mercado
36:48de trabalho,
36:49torná-la competitiva
36:50para poder sustentar
36:51esse grupo.
36:53Então essa revisão
36:54do gasto público
36:55vai ser muito importante,
36:57porque se a gente
36:57continuar
36:58gastando
36:59com os idosos
37:02sem revisitar
37:03como que vai pagar
37:03essa conta,
37:05o dinheiro não vai dar.
37:09Solange,
37:09uma questão importante
37:10que a gente discute
37:11pouco em economia,
37:12mas que ela é fundamental,
37:13é a estrutura
37:14federalista do Brasil.
37:16Os entes subnacionais,
37:17os estados,
37:18têm estado crescendo
37:197%,
37:20têm estado crescendo
37:205 mil por cento,
37:216 mil por cento,
37:22então nós temos
37:23muito foco
37:24no crescimento regional.
37:26E nós temos
37:27governadores,
37:28uma safra extraordinária
37:29de bons governadores
37:30que são pró-negócio,
37:32que querem atrair negócio.
37:33Como é que nós podemos
37:34fazer esse ajuste
37:35na legislação
37:36para melhorar
37:37o ambiente de negócio
37:38quando você tem
37:39governadores
37:40pró-mercado
37:41olhando para o investimento
37:43e, por outro lado,
37:44essa outra força
37:45puxando para o intervencionismo
37:47estatal,
37:47para o nacional
37:48desenvolvimentismo
37:49a nível federal.
37:50Como é que pode
37:50harmonizar um pouco isso
37:52para que esses investimentos
37:53venham para o Brasil?
37:55Com certeza,
37:56os estados
37:56que estão crescendo
37:577%,
37:588%
37:59foram estados
38:00que cuidaram
38:00das contas fiscais
38:02e conseguiram
38:03atrair investimento.
38:04Porque tem muito estado
38:06que fez reforma administrativa,
38:08que fez reforma
38:09da previdência
38:10e outros que não,
38:11que estão até agora
38:12renegociando a dívida
38:13com o governo
38:14rolada pelo STF,
38:16que diz que não precisa,
38:17que não pode cortar
38:18salário de servidor,
38:20não pode cortar
38:20aposentadoria.
38:22Então,
38:22eu acho que o que precisa
38:23para tentar
38:24igualar um pouco
38:27esse crescimento
38:28é,
38:29primeiro,
38:29que o STF,
38:32que o judiciário
38:33não passe por cima
38:35de políticas públicas
38:36com o discurso
38:36de que,
38:37olha,
38:37não é possível
38:38não pagar
38:39funcionário público.
38:41Porque se o funcionário
38:41público dos estados
38:42não receberem,
38:43eles vão forçar
38:44o governo
38:44a fazer reforma.
38:46Porque se a dívida
38:47for sempre rolada
38:48com o setor público,
38:49com o setor,
38:49com o governo federal,
38:51com taxas de juros
38:52completamente,
38:54muito mais baixas
38:55do que o custo
38:56da dívida pública,
38:58então,
38:58nunca vai,
38:59não tem o incentivo
39:00de fazer reforma.
39:02Não tem.
39:02E aí,
39:03eu acho que se cair
39:04no colo
39:05do governador
39:05que não conseguiu
39:07entregar
39:07o custo
39:11da falta
39:12de bem-estar
39:12do seu estado,
39:13ele vai fazer.
39:15E aí,
39:16isso vai precisar
39:17ser casado
39:18com essa revisão
39:19de benefícios sociais.
39:20Porque tem muito estado
39:21que não faz nada
39:22porque a maior parte
39:23da sua população
39:24recebe o benefício social
39:25que vem do governo federal.
39:27Então,
39:28acho que tem que ter
39:28essa questão federativa
39:30na mesa.
39:32É uma das reformas
39:33importantes
39:34que muito pouco se fala.
39:35foi bom você ter
39:36tocado nesse ponto.
39:37Aliás,
39:38a reforma da lei,
39:39a lei da responsabilidade
39:40fiscal aprovada
39:41foi justamente
39:43para trazer
39:44a responsabilidade fiscal
39:45desse alto grau
39:46de endividamento
39:47de estados
39:48no governo.
39:48Foi essa federalização
39:50da dívida
39:50dos estados
39:51que acabou fazendo
39:52com que aprovasse
39:53a lei de responsabilidade
39:54fiscal.
39:55E,
39:55novamente,
39:57há um descontrole
39:58de contas públicas
39:59em muitos estados
40:01que recebem hoje
40:02a val da União.
40:02e, pior,
40:04o judiciário entrando
40:05e dando ganho de causa
40:06para o Estado caloteiro
40:07e fazendo a União
40:08pagar a conta.
40:09Como é que a gente
40:10vai sair desse embrólio?
40:11Não,
40:11a lei de responsabilidade fiscal
40:13acabou no Brasil.
40:14Só não decretaram
40:15a morte dela ainda
40:16porque está escrito ali.
40:17Mas, assim,
40:18não é cumprida.
40:20Não é cumprida.
40:21Então,
40:22a gente volta
40:23para a questão
40:24dos três poderes
40:26terem que cada um
40:28ficar na sua caixinha
40:29porque, senão,
40:30nenhuma reforma
40:31é efetiva.
40:33Não pode um Estado
40:34inadimplente
40:35que não faz reforma
40:37ter o aval
40:38para continuar recebendo
40:40os impostos
40:42recolhidos pela União.
40:43Não pode.
40:45Se a população
40:46não sofrer as consequências
40:47do seu voto,
40:49isso não muda.
40:50E você acha
40:51que tem que acabar
40:52por uma mini moratória
40:55sobre aval
40:55de governo federal
40:56para empréstimo estadual
40:57ou você acha
40:58que tem que ser visto
40:58caso a caso?
40:59Eu acho que precisa
41:00ser visto
41:01caso a caso
41:02com compromisso
41:02de reforma.
41:04Não fez reforma
41:05não recebe o dinheiro.
41:06Não recebe
41:07o perdão da dívida
41:08ou o alongamento
41:09da dívida
41:10com os juros subsidiados.
41:12Mas a gente passa
41:14auxílio aos Estados
41:15no Congresso
41:17sem nenhum tipo
41:18de contrapartida.
41:19isso é completamente
41:20absurdo.
41:22Então, assim,
41:23os Estados que fazem
41:24o dever de casa
41:25pagam, no final das contas,
41:28para os Estados que não
41:28fazem o dever de casa.
41:30Aqui no Brasil
41:31o carona
41:31é de graça.
41:34Vai pegando carona
41:35no trabalho
41:36que foi feito
41:36pelos outros.
41:37Então,
41:37esse é um problema
41:39de um regime federalista
41:41onde você não tem
41:42um governo central
41:44que está preocupado
41:45em olhar o todo
41:46e igualizar.
41:49Muitas vezes,
41:50para o governo federal,
41:52está bom.
41:53O Brasil ser dividido
41:55em três ou quatro regiões,
41:56cada uma com o seu crescimento
41:58e com o seu problema.
42:00E está bom,
42:00mas não é assim,
42:01porque a gente está pagando.
42:02É o custo do Brasil
42:02sendo pago
42:03por quem faz
42:04e a coisa é certa.
42:05Se o próximo presidente
42:07da república
42:07é uma pessoa
42:08que quer colocar
42:09em pé essa agenda
42:09e você tivesse
42:11que dar um conselho
42:12a ele nessas três
42:13grandes prioridades,
42:15quais seriam?
42:16Bem,
42:17assim,
42:18eu acho que a prioridade
42:19número um
42:20é olhar a conta fiscal.
42:21Porque sem estabilidade macro
42:24não adianta fazer
42:25reforma micro,
42:27não vai atrair investimento,
42:28aproveitar
42:29essa questão
42:30benéfica do mundo
42:32geopoliticamente complicado.
42:33Então, assim,
42:35com o juro real
42:36do jeito que está,
42:37eu costumo dizer
42:38que não existe
42:39ficar do jeito que está.
42:41Ou esse juro real
42:42vai subir muito
42:42e a gente vai entrar
42:44numa crise profunda
42:45em termos de recessão,
42:47inflação,
42:48ou ele vai cair muito
42:49e a gente vai voar.
42:50Do jeito que está
42:51não fica,
42:52porque a conta
42:53não fecha na planilha.
42:55A dívida não vai ficar
42:56em 85% do PIB
42:58com o juro real
42:59do jeito que está.
43:00Então, assim,
43:01eu acho que olhar
43:02a questão fiscal
43:03é prioridade
43:04número um.
43:06E pior de tudo,
43:07é uma prioridade
43:08número um
43:08há 20 anos.
43:10Mas é isso,
43:11a gente avança um pouco,
43:12fez o teto,
43:13fez a reforma da Previdência,
43:15agora fez a reforma
43:16tributária,
43:17mas tudo isso
43:18vai se esvaindo
43:19ao longo do tempo.
43:21Vai ter que ter um milê
43:21que vai cortar
43:225% do PIB,
43:23aí eu quero ver.
43:25É, mas você tem que
43:26vender esse corte
43:28como sendo
43:29expansionista.
43:30expansionista.
43:31É uma grande dificuldade
43:32dos economistas
43:33dizer que você
43:34gastar pode ser
43:35contracionista
43:36e cortar pode ser
43:37expansionista,
43:38mas é evidência histórica,
43:41empírica,
43:42ao longo de décadas
43:43em qualquer país
43:44que você veja.
43:45porque cortar
43:46e trazer investimento
43:48e confiança
43:48expande a atividade.
43:50Continuar empurrando
43:51o Brasil para crescer
43:523% ad eterno
43:53com juros de 8
43:54não é possível.
43:568 real, né?
43:56Não é possível.
43:58Então,
43:58é isso que tem que ser
43:59tentar,
44:01a gente,
44:01acho que o economista
44:02que estiver lá
44:02dando conselho
44:03tem que ter também
44:04uma boa equipe
44:05de comunicação.
44:07É verdade.
44:08Para poder vender
44:09uma história
44:10que faz sentido
44:11quando você olha
44:12o que aconteceu
44:13com os países
44:14que tiveram
44:15a renda
44:16que o Brasil teve,
44:17que tem até agora,
44:19e como que eles foram,
44:20como é que eles
44:20evoluíram positivamente, né?
44:23Tem vários exemplos.
44:25E a segunda medida,
44:25qual seria?
44:26Fiscal.
44:27Depois do fiscal,
44:28primeiro,
44:28número um,
44:29essa é,
44:30todo dia ele tem que olhar
44:31a telinha dele,
44:32como é que está o fiscal?
44:33Eu acho que olhar
44:34educação.
44:35Educação.
44:36Porque isso
44:36a gente não tem feito
44:38nem nos governos
44:39que fizeram reformas.
44:41Tentaram,
44:41fizeram projetos,
44:42mas a gente não,
44:43não foram levados
44:45a fim e a cabo.
44:46Porque, assim,
44:47a gente está vivendo
44:48num mundo hoje
44:49que vai mudar
44:51muito rápido.
44:53E eu temo
44:53que a gente
44:54não vai ficar
44:55muito para trás,
44:56entendeu?
44:57Porque, assim,
44:58a gente está vendo
44:58que as pessoas
44:59mais bem formadas
45:01estão ficando
45:01para trás
45:02enquanto esses
45:04tais novos empregos
45:05que vão surgir
45:06não surgem.
45:08Imagina no Brasil
45:09onde não há
45:10nem a qualificação
45:11para que no dia
45:12que esses empregos
45:13surgirem,
45:15esse pessoal
45:16se empregar.
45:17Então,
45:18tem que ter
45:18uma revisão
45:19total
45:20da educação
45:21no Brasil.
45:21Não é possível
45:22as pessoas
45:23que têm condições
45:23de pagar faculdade,
45:25ter bolsa
45:25em faculdade pública.
45:26Não é possível
45:27o ensino
45:28de escola pública
45:30no Brasil
45:31ser tão diferente
45:32de escola privada.
45:34Se a gente
45:34não formar
45:35a mão de obra,
45:36todo mundo
45:38vai viver
45:39de uma renda
45:39mínima
45:41que quem
45:41vai pagar.
45:43É isso aí.
45:44Então,
45:44educação,
45:45fiscal
45:46e a retomada
45:48do crescimento
45:48aqui,
45:48o que é a terceira
45:49prioridade?
45:50Segurança jurídica.
45:52Segurança jurídica.
45:52É isso aí.
45:53Ambiente e negócio
45:54favorável
45:54para criar esse ambiente.
45:55Porque não é
45:56que a gente está ruim,
45:57é que a gente está piorando.
45:59E eu temo
46:00que essa crise toda
46:01que a gente está
46:01vivendo hoje
46:02de falta de confiança
46:04nos poderes,
46:05e isso vai ter
46:06um custo muito alto
46:07para frente.
46:08A gente pode
46:09olhar o mercado financeiro
46:11e falar assim,
46:12ah, o dólar
46:13nem se mexeu
46:13com isso,
46:15os juros
46:16continuam em 7,5%
46:17real,
46:17não pioraram,
46:18mas essa crise
46:19nas instituições,
46:21elas vão,
46:22o preço dela
46:23vem ao longo do tempo.
46:25Vem quando
46:25uma grande empresa
46:26estrangeira
46:28quer vir para o Brasil,
46:29vai olhar
46:29e vai falar,
46:30olha,
46:31isso aqui é um país
46:32da América Latina,
46:33muito parecido
46:34com alguns outros
46:34que eu não invisto,
46:36está longe dos
46:36que eu invisto.
46:38Então,
46:39eu acho que
46:39é um preço
46:40que vai sendo
46:41pago aos poucos
46:42e que quando
46:43você chega
46:43num estágio tal,
46:45ele não reverte mais.
46:48E essas três medidas
46:49sendo tomadas,
46:50quanto tempo demora
46:51para o Brasil
46:51resgatar o seu
46:53grau de investimento?
46:54Então,
46:54essa é uma pergunta
46:55difícil,
46:56mas não é,
46:57eu não tenho um cenário
46:58catastrófico não,
46:59porque parece que pode
47:00demorar muito tempo.
47:01Ele demora muito tempo
47:02para formar pessoas,
47:03demora muito tempo
47:03para resolver o fiscal,
47:05porque quando você
47:06dá o choque
47:07de confiança,
47:08o sinal,
47:10a mudança
47:11da expectativa,
47:13já traz
47:13essa retomada.
47:16Veja a nossa história
47:17recente,
47:18quando a gente
47:20começou a discutir
47:22o impeachment
47:23no Brasil,
47:23que significava
47:24mudança de política
47:25econômica,
47:27tudo começou a ser
47:28precificado
47:28seis meses
47:29antes de acontecer.
47:30Verdade, verdade.
47:31O juro real caiu,
47:33a taxa de câmbio
47:34apreciou,
47:35as expectativas
47:36de inflação
47:36caiu,
47:37começou,
47:38o crescimento
47:39não vem com força
47:39porque você precisa
47:40de uma mudança
47:40de política econômica
47:41de fato.
47:42Mas quando você
47:43tem uma inversão
47:44de expectativa,
47:46isso cria
47:47um ambiente positivo
47:48que acaba empurrando
47:49a reforma.
47:51Ou seja,
47:52a expectativa
47:53é fundamental
47:54para mudar
47:55a atitude
47:56das pessoas
47:56em relação ao Brasil.
47:57É isso?
47:58Nossa, isso é economia
47:591.0,
48:00porque a economia
48:02não é uma ciência
48:03exata
48:04porque tem
48:05expectativa.
48:07E qual o equilíbrio
48:09que você vai
48:10ficar econômico
48:12depende dessa expectativa.
48:14Então é muito importante
48:15trabalhar com confiança.
48:17E qual é a sua expectativa
48:19em relação ao Brasil
48:19nos próximos quatro anos?
48:22Hoje eu estou
48:23muito incerta
48:25em relação
48:25ao que vai acontecer.
48:26eu acho que a gente
48:27está em um momento
48:28de muita divisão.
48:31Parece que o cenário
48:32eleitoral
48:32é muito 50-50,
48:3450-50.
48:36E no fundo,
48:36a gente não sabe
48:37nem o que cada candidato
48:40é capaz de fazer.
48:42Então,
48:43será que vai haver
48:44um entendimento
48:45do que precisa ser feito
48:47tanto de um lado
48:48quanto de outro?
48:49É uma grande dúvida.
48:51Está que nem
48:52a questão fiscal, né?
48:53Ou vai para cima
48:54ou vai para racha.
48:55O tal não vai ou racha, né?
48:57Exatamente.
48:57Então,
48:58a expectativa hoje
48:59é apreensão,
49:00olhando um pouco
49:01como é que é esse cenário.
49:02A apreensão total
49:02e eu acho que
49:04o recado principal
49:05para quem quer que ganhe
49:06é que não há muito tempo
49:08para anunciar
49:09programa de governo,
49:11equipe econômica,
49:12porque diferentemente
49:13da última eleição,
49:15a gente está
49:18em uma situação
49:18fiscal pior.
49:21Pode não parecer
49:22nos indicadores econômicos,
49:26mas está no indicador
49:27de dívida.
49:28Pode não parecer
49:28no PIB,
49:29na inflação,
49:30mas aparece
49:31na relação
49:32dívida-PIB,
49:32aparece no juro.
49:34Então,
49:35essa falta
49:36de perspectiva,
49:38se não for anunciado
49:39logo alguma coisa
49:40muito crível,
49:42as expectativas
49:43mudam rápido
49:44e aí essa crise
49:47pode vir muito rápido.
49:49Ou seja,
49:49essa crise pode começar
49:51a se desenhar
49:52antes mesmo da eleição,
49:53se começar a achar
49:54que os candidatos
49:55não estão ali
49:56propondo coisas
49:56que atacam
49:57esses problemas centrais
49:58que você mencionou.
49:59Não vai tratar do fiscal,
50:00não vai tratar da educação,
50:02não vai tratar
50:02da segurança jurídica
50:03e o que já tem aí
50:05não é um bom cenário,
50:07isso pode antecipar
50:08a crise?
50:09É, Davila,
50:10eu acho que não,
50:11acho que vai vir
50:11depois das eleições
50:12se nada for anunciado
50:14de forma crível
50:15porque o mercado,
50:17os investidores sabem
50:18que essa pauta
50:19não é popular,
50:21que os candidatos
50:22não vão chegar
50:23e falar
50:24que precisam revisitar
50:26o gasto público
50:27porque precisam investir,
50:29acho que esse marketing
50:30que a gente está falando
50:31que precisa ser feito,
50:32ele não é feito
50:33numa campanha acirrada
50:35e com o uso intensivo
50:36das redes sociais.
50:37Então,
50:37acho que o mercado
50:38vai ter essa paciência
50:39de esperar a eleição,
50:40mesmo que um candidato
50:41ou outro esteja na frente
50:42sem falar sobre mudança
50:44de política econômica,
50:46mas antes de assumir,
50:48antes de 2027,
50:50é preciso ter uma agenda.
50:52Não é possível ficar
50:54meses no escuro
50:55sem agenda.
50:56Entendeu?
51:00Dizer qual é a equipe econômica
51:02não basta,
51:02é preciso dizer
51:03qual é o plano de ação
51:05e alianças políticas
51:07que vão ser feitas,
51:08porque não me parece
51:09que tem grandes alianças políticas
51:11feitas antes da eleição
51:13para essa agenda ser tomada.
51:15Então,
51:15acho que antes de 2027
51:17isso precisa estar
51:18bem organizado.
51:20Vamos ver o que vem
51:21pela frente aí,
51:22né, Solange?
51:24Com certeza,
51:25muita volatilidade
51:26e emoção
51:26teremos até outubro.
51:27Com certeza.
51:29E um último ponto,
51:30e os Estados Unidos?
51:31Como é que você vê
51:32os Estados Unidos
51:32nesse cenário global?
51:33Então,
51:34nos Estados Unidos,
51:35assim,
51:36havia muito receio
51:38no início da administração Trump
51:39de que toda essa
51:41política comercial
51:42e a questão
51:43emigratória
51:45e fiscal
51:45levasse a um baixo
51:47crescimento
51:48até recessão.
51:49Vários analistas
51:51renomados
51:51chegaram a projetar
51:52num cenário
51:53de recessão
51:54e inflação.
51:55Nada disso aconteceu.
51:57Por quê?
51:57Porque houve
51:58recuo
51:59importante
52:00dessa pauta,
52:01principalmente
52:01na pauta de tarifa,
52:03os recursos
52:03estão acontecendo
52:04até agora.
52:05Verdade.
52:06Não houve retaliação
52:07dos demais países,
52:09com exceção da China,
52:10que foi
52:11que causou recuo.
52:13Então,
52:13no final,
52:14o que aconteceu?
52:15O Estado
52:15dos Estados Unidos
52:15cresceu muito bem
52:16no ano passado.
52:17As expectativas
52:18desse ano
52:19estão indo
52:20para perto
52:21de três.
52:22A inflação
52:22não foi tão grave
52:24assim.
52:24e você tem
52:27esse advento
52:28todo
52:28da tecnologia
52:29que segurou.
52:30Agora,
52:31será então
52:31que tudo
52:32que foi feito
52:32só vai ter
52:33retorno positivo?
52:35Não.
52:36Entendeu?
52:37Se a política fiscal
52:38não for
52:39de alguma forma
52:40endereçada
52:40depois que esse
52:42boom de investimento
52:43de AI acontecer,
52:45a versão
52:45risco
52:46vai aumentar.
52:46assim como
52:48no Brasil
52:49a gente se beneficiou
52:50de um mundo
52:50legal,
52:51global,
52:52que está crescendo,
52:53os Estados Unidos
52:53se beneficiaram
52:55desse boom de AI
52:56e do recuo
52:58de grande parte
53:00dos países
53:01em relação
53:01a uma política
53:02comercial.
53:04Mas se nada
53:05for feito
53:05em relação
53:06a fiscal,
53:07se a questão
53:07imigratória
53:08continuar sendo
53:09um entrave
53:10para a contratação
53:12e ela está
53:13começando a ser
53:13de forma
53:14muito agressiva,
53:15e se o rule of law
53:17continuar sendo
53:18questionado,
53:19aí os Estados Unidos
53:20começam a pagar
53:21o seu preço,
53:22mas está ganhando
53:23esse benefício
53:24da dúvida
53:25do investidor.
53:26A produtividade
53:27do AI
53:27faz vista
53:28para a dívida
53:29pública americana
53:30que está
53:30disparando também,
53:31mas daqui a pouco...
53:32E o Trump recuou
53:33em várias pautas,
53:35talvez não tenha sido
53:36recuo,
53:36tenha sido estratégia,
53:38né?
53:38E deu certo,
53:39porque, por exemplo,
53:40inclusive com o Fed
53:41agora,
53:42essa nomeação
53:43do Washington
53:44para ser o chairman,
53:45foi muito bem vista
53:46pelo mercado,
53:47criou-se um medo
53:48que não se realizou,
53:50isso é positivo.
53:51Agora,
53:51será que esse medo
53:53é sem custo?
53:54Não,
53:55não é sem custo,
53:56porque se o Wart,
53:57não for um chairman
53:59muito bem visto
54:00pelo mercado,
54:01vai criar dúvida.
54:02Então,
54:02nada é sem custo,
54:04mas,
54:04por enquanto,
54:05eu diria que é uma economia
54:06que está indo muito bem,
54:08né?
54:08E que tem perspectivas
54:09positivas,
54:11se continuar
54:12recuando
54:14no intervencionismo,
54:15se não for
54:16cada vez mais
54:17parecendo
54:18uma América Latina.
54:20É isso aí.
54:22Solange,
54:22muito obrigado
54:22pela conversa,
54:23foi um ótimo bate-papo,
54:24um bom cenário
54:25de Brasil e mundo,
54:27e eu tenho certeza
54:28que vamos ter
54:29um ano
54:29com muita apreensão,
54:30mas também
54:31com perspectivas futuras
54:32animadoras à frente.
54:33Ah, sim,
54:34com certeza,
54:35é muita volatilidade,
54:36mas a gente tem
54:37muitas oportunidades
54:40também para conquistar.
54:41Muito obrigado.
54:42Obrigada.
54:44Bom,
54:45e a gente fica por aqui.
54:46E para você que gosta
54:47do jeito Jovem Pan
54:48de notícias,
54:49não deixe de fazer
54:50a sua assinatura
54:50no site
54:51jp.com.br.
54:53Lá você acompanha
54:54conteúdos exclusivos,
54:55análises,
54:56comentários,
54:57e tem acesso
54:57ilimitado
54:58ao Panflix,
54:59o aplicativo
55:00da Jovem Pan.
55:01Obrigado pela sua companhia,
55:03e até o próximo
55:04Entrevista com Dávila.
55:10Entrevista com Dávila.
55:14A opinião
55:15dos nossos comentaristas
55:17não reflete necessariamente
55:18a opinião
55:19do Grupo Jovem Pan
55:20de comunicação.
55:26Realização Jovem Pan.
Comentários

Recomendado