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2026 promete ser um ano de expansão para o setor ferroviário no Brasil, com oito leilões previstos e investimentos estimados em R$ 140 bilhões. Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Logística e Supply Chain da Fundação Dom Cabral, explica como a expansão das ferrovias pode reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade e diminuir a dependência do transporte rodoviário. Ele também comenta os desafios do país em acompanhar a evolução global em trens de alta velocidade.

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Transcrição
00:00E 2026 promete ser um ano bom para o setor de ferrovias.
00:06Estão previstos oito leilões com estimativa de arrecadação ali na casa dos 140 bilhões de reais em investimentos.
00:14A expansão dos trilhos deve reduzir custos logísticos, elevar a competitividade da produção nacional e diminuir a dependência do modal rodoviário.
00:25Vamos falar mais sobre esse ciclo forte do setor ferroviário com o diretor do Núcleo de Infraestrutura, Logística e Supply Chain da Fundação Dom Cabral, o Paulo Rezende, a quem eu desejo uma ótima tarde de terça-feira.
00:43Seja muito bem-vindo à nossa programação.
00:45Então, Paulo, eu já vou direto ao assunto, ainda num processo de industrialização do Brasil, o Brasil escolheu o modelo modal por rodovias.
00:59Aí tudo bem, vou deixar para trás se isso foi uma escolha aceita corretamente, erroneamente, não vamos entrar nesse mérito nem nesse juízo de valor.
01:08Mas agora, ampliar o nosso modelo ferroviário, pode parecer uma pergunta estranha, mas eu te explico.
01:17Ainda dá tempo? Porque é o seguinte, não vai haver pontos em que o nosso modal rodoviário vai cruzar com o que deve ser a expansão das ferrovias
01:29e criar um problema, não sei se a palavra é logístico, mas vai dificultar as construções?
01:34Por isso a pergunta, ainda dá tempo da gente, talvez, fazer uma mudança de rota, numa analogia necessária aqui, e que faz todo sentido essa metáfora?
01:44Boa tarde mais uma vez, Sr. Paulo.
01:46Boa tarde, Favali, um grande prazer falar com você.
01:51Olha, ainda dá tempo e eu diria que o mundo evoluiu bastante, e esse tempo agora é o tempo da intermodalidade, ou da multimodalidade.
02:04É da integração entre os modais.
02:07O Brasil é o último país em colocação de, um país de dimensões continentais, que não integra os seus modos de transporte.
02:20Nós chegamos num ponto que não dá mais para sobreviver somente com as rodovias carregando nas costas praticamente toda a produção brasileira.
02:37Eu dou os números para você.
02:38Se nós retirarmos o minério de ferro, que é uma carga típica no Brasil já há muitos anos da ferrovia,
02:50nós temos que as rodovias participam de mais de 75% de tudo que é transportado no Brasil.
02:58As rodovias não suportam esse peso.
03:03É uma questão que o desenvolvimento de ferrovias é uma das melhores coisas que pode acontecer para as rodovias, para os caminhões.
03:12Porque finalmente eles podem se dedicar a produtos de maior valor agregado, peso bruto menor, como por exemplo os granéis agrícolas,
03:22andando menos distância, o que faz com que eles girem mais o seu equipamento.
03:29Isso traz receita integrado com a ferrovia, levando grandes volumes.
03:35Essa é a concepção atual que o Brasil tem que ganhar o seu terreno nela.
03:43Perdão pelo trocadilho, mas ele se faz necessário, que é o seguinte,
03:48a gente tem chance de ver o trem da história passar na nossa frente e a gente ficar parado na estação?
03:54Porque é o seguinte, o resto do mundo bastante industrializado, Estados Unidos,
04:00Estados Unidos menos, China, Japão, Coreia do Sul, vou pegar aí os grandes tigres asiáticos
04:07que tiveram uma enorme industrialização recente no pós-guerra, em especial a China,
04:12não é que já estão falando de trens de alta velocidade, já estão falando de trens de ultra-velocidade,
04:18mag-leve, já é um outro salto tecnológico.
04:23Nós sequer conseguimos fazer uma linhazinha de trem de alta velocidade,
04:28eu lembro quando eu era repórter lá atrás, nem tinha tanto cabelo branco assim,
04:31fui numa consulta pública para o tal trem que sairia de São Paulo, passaria por Campinas,
04:37iria ao Rio de Janeiro, o nosso primeiro trem de alta velocidade nunca saiu do papel.
04:43Então a gente ampliar um modal na ferrovia que eu vou chamar de tradicional,
04:47essa que nós estamos vendo nas imagens aí, do trem de ferro, propriamente dito,
04:51da roda de ferro no trilho, enquanto outros parceiros brasileiros no sudeste asiático
04:58já estão falando de levitação de trem, de novo a gente vai ficar à margem da história,
05:05dá tempo da gente acompanhar essa evolução?
05:07Não, no curto prazo e no médio prazo, eu diria até, viu Favalli, por volta assim de,
05:16numa projeção muito conservadora, eu diria para você que o Brasil não alcançará esses países
05:23em trens de alta velocidade circulando no Brasil, ainda mais os trens que nem tocam mais nos trilhos,
05:33são esses trens de altíssima velocidade alcançando, às vezes, 700 km por hora.
05:42É uma coisa inimaginável para um país que tem menos de 0,5% dos seus passageiros sendo transportados em ferrovias.
05:54É imaginar demais que a gente vai alcançar antes de 2050, eu diria, esse nível, ou até mais do que isso.
06:07Mas eu diria para você que nós não podemos ficar parados.
06:10O pior é você não evoluir nas ferrovias, o pior é você não evoluir numa costa
06:18que pode ser navegável por mais de 8 mil quilômetros, eu diria para você que rasgar dinheiro, puro,
06:27isso é puro rasgar dinheiro.
06:29Na área de cargas, nós temos hoje um custo logístico para o dono da carga, para os embarcadores,
06:40nós temos um custo logístico de 12,32% do seu faturamento bruto.
06:46Os outros países, esses que você citou, eles têm custos logísticos menores do que 9%.
06:56Então, se nós investirmos, somente a diferença, para chegar em 9,
07:04se nós investirmos cerca de 30 bilhões de dólares por ano,
07:11nós em 10 anos recuperamos todo o investimento.
07:15Cá para nós, é uma boa taxa interna de retorno, né?
07:19Excelente.
07:20Então, assim, nós não podemos mais viver numa situação onde o caminhão que tem o seu lugar,
07:28eu quero insistir nisso, nós ainda continuaremos a ser, nos próximos 20 anos,
07:35um país cuja matriz de transporte tem uma participação rodoviária maior.
07:40Mas isso não significa dizer que os outros modos de transporte têm que paralisar,
07:46porque o caminhão não vai aguentar.
07:49Tá certo.
07:50Agora, Paulo, só para a gente encerrar,
07:52é apenas uma questão de escolha, planejamento, política de Estado,
07:58porque a China faz isso,
08:00constrói a maior infraestrutura de trens de alta velocidade
08:04do que todas as ferrovias do mesmo padrão do mundo inteiro
08:09em menos de uma geração, em menos de 30 anos.
08:12Mal chega a 20, né?
08:14Quer dizer, porque houve ali uma boa vontade e uma dedicação a isso.
08:19Brasil, um país de proporções continentais,
08:24precisa realmente repensar nisso.
08:26Espero que a nossa próxima conversa, que seja em breve,
08:29já mostre que esses caminhos têm sido trilhados
08:32e que a gente entre neste trilho correto da história.
08:37Obrigado pela participação aqui.
08:39De nada, quem mexe com infraestrutura no Brasil
08:42é uma profissão de fé, esperança e utopia.
08:46Eu espero que esses três elementos se transformem em elementos mais concretos.
08:50Olha, e dá retorno, gera emprego, gera emprego para uma mão de obra
08:55de baixa qualificação, sumeste na economia.
08:58Não tem desvantagens.
08:59Só precisa de vontade política e botar a mão na massa.
09:02Paulo, espero que na nossa próxima conversa a gente tenha inúmeros
09:05que apontem aí para a luz no fim do túnel
09:09e que não seja um trem na nossa direção, no caminho contrário.
09:13Um grande abraço.
09:15Diretor do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Supply Chain,
09:19da Fundação Dom Cabral.
09:22Até uma próxima. Obrigado mais uma vez.
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