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Em nome de um Estado que funciona apenas para um grupo específico da elite, o Brasil promove um projeto de aniquilação e domesticação de indígenas, negros e pobres ao longo de sua história.

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00:00A CIDADE NO BRASIL
00:30Deus é brasileiro? Qual Deus?
00:48Se existe um Deus e ele é brasileiro, ele é um grande de um sacana.
00:53Porque em nome, inclusive, da ideia do Deus único, grandes atrocidades foram cometidas na nossa história.
01:04Deus é brasileiro, então aqui tudo que existe está bom.
01:07A mensagem de Jesus não aceita nada do que está aí.
01:12Existe uma mudança.
01:14Existe uma outra forma de entender qual é a presença de Deus no Brasil.
01:20Essa visão do Deus que está nessa frase, nessa expressão, ela não se aplica para a nossa visão da religião.
01:33Deus e o diabo, né? Por exemplo, nós somos muito atacados como cultuamos o diabo.
01:40A gente pode cultuar uma coisa que a gente não acredita.
01:42Estou me lembrando que foi uma ameaça invadir nossa terra, acabar com nossa terra, explorar a riqueza que tem na nossa terra.
01:54Riqueza que eles querem, não é a riqueza que nós queremos.
01:59A riqueza que nós queremos é comida.
02:03Esse é o país onde a justiça, o executivo e o legislativo, o Estado, ele funciona para um grupo específico.
02:17Banqueiros, latifundiários, agronegócio, empreiteiras, os que têm poder econômico nesse país, domina a sociedade, domina a mídia, domina a justiça e ninguém toca neles.
02:27A sensação no Brasil é de que andamos, andamos, andamos e continuamos no mesmo lugar.
02:37Desde 1500 procuram-se indígenas, negros, pobres, vivos ou mortos, para que os brancos prosperem em nome de Deus.
02:46A palavra ordem e progresso está estendida na bandeira, ela deu totalmente errado para nós.
02:55Ela tem que ser repensada, porque o que foi ordem e progresso para a sociedade de vocês, deu muito transtorno e regresso para o povo indígena.
03:07Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.
03:11Brasil acima de todos.
03:41Brasil acima de todos.
04:11Brasil acima de todos.
04:12Brasil acima de todos.
04:41que são maravilhosos.
04:49Meu nome é Megalonte Carramãe,
04:51sou da terra indígena Capodujarina,
04:55no rio Xingu, Mato Grosso.
04:58Como eu trabalhei na FUNAI,
05:02minha filha teve a oportunidade de estudar
05:07na Escola do Homem Branco, né?
05:10E agora ele tem mais visão, né?
05:15Tem mais conhecimento das coisas do Homem Branco.
05:24Megaron foi o mestre da família
05:28de ter guiado e mostrado o caminho da luta.
05:33Ele é uma liderança exemplar,
05:37incrível, porque ele pensa num povo,
05:40não só no povo Kayapó,
05:42no povo que é dele,
05:43ele pensa em todos os outros povos.
05:46Ele sempre fala que o mais forte tem que defender o mais fraco.
05:50E não é fraco de força,
05:54mas aqueles que foram colonizados primeiro
05:57e que hoje sofrem preconceito, discriminação.
06:07Nós, povos indígenas, somos um só.
06:09Cada um tem a sua singularidade,
06:12suas especificidades,
06:13mas somos vistos como um povo só.
06:15e nós temos que se unir, nos fortalecer,
06:19pra continuar existindo.
06:22Essa é a pessoa que me ensinou a ser assim
06:27e que tem me ensinado muito
06:29a não perder a esperança,
06:31a não perder a força,
06:33a não desistir da luta e do seu povo.
06:35Esse é o Megaron de Carramanho.
06:36O que é a luta é pra preservar a terra,
06:42preservar costume,
06:44preservar o índio do seu jeito, né?
06:48Eles vão continuar com essa luta de se defender, né?
06:51Defender os indígenas.
07:06Bom dia.
07:07Bom dia.
07:08Bom dia.
07:09Estamos aqui reunidos,
07:11em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
07:16Meu nome completo é Costanzo Bruno.
07:24Eu sou italiano,
07:26me formei como padre lá no dia 25 de junho de 67.
07:32E no dia 6 de novembro de 69,
07:39cheguei aqui no Brasil,
07:41num navio na Praça Mauá.
07:44Éramos um grupo que viemos juntos.
07:47Uma parte ficava aqui no Rio
07:50e outra ia para São Paulo.
07:52Isso proporcionou que o primeiro assunto
07:56lá na Praça Mauá foi a violência.
07:59e o primeiro assunto.
08:00Porque no dia 4 de novembro de 69,
08:04tinha sido assassinado Marighella.
08:08E estavam começando as prisões dos dominicanos,
08:13Frei Beto, Frei Tito.
08:15Frei Tito, por Cristo, com Cristo e em Cristo,
08:20a voz de Deus Pai Todo-Poderoso,
08:23na unidade do Espírito Santo,
08:26toda honra e toda glória,
08:28agora e para sempre.
08:29Amém.
08:30Amém.
08:32Amém.
08:34Amém.
08:36Amém.
08:38Amém.
08:40Amém.
08:42Eu acho que a visão da Igreja
08:44é que aproveitou a oportunidade da invasão portuguesa e espanhola,
08:56que eram nações católicas, para vir junto e aproveitar para trazer o evangelho.
09:06A religião foi a primeira coisa a ser utilizada para acabar primeiramente com a nossa cultura.
09:16Aqueles povos que não queriam e que resistiam a essa mudança eram decimados.
09:25Mataram nossos antepassados por não aceitar essa forma de trabalho,
09:32essa forma de colonizar, essa forma de modificar um povo.
09:45Claro que sempre houve gente que não aceitou.
09:50E fez um trabalho a favor dos índios,
09:55um trabalho de promoção dos moradores originários daqui.
10:01Mas a igreja oficial ficou sempre aliada ao poder.
10:08Porque justificava que era a forma de ter condição de espalhar a mensagem do evangelho.
10:21Só que uma mensagem do evangelho que chegava distorcida.
10:26Por que distorcida?
10:28Porque vinha aliada ao poder.
10:30Porque Jesus nunca foi.
10:33Então havia uma contradição profunda.
10:36O índio vivia com seu costume, sua tradição, acredita no pajé.
10:50Até que chegou, chegou o homem branco, esses missionários que entram em contato com o indígena
10:57para mudar o costume do índio.
11:01O índio não tem chefe.
11:03Quando eles querem trabalhar junto,
11:05todo mundo junto, eles trabalham.
11:08Quando o outro quer fazer uma outra coisa, ele é livre.
11:17Como é que o indígena vai trabalhar forçado?
11:19Ele morre, mas ele não trabalha.
11:21O branco mata ele, mas ele não trabalha.
11:25A história colonial do Brasil se articula a partir do interesse do Estado absolutista e mercantil de Portugal,
11:41e também de um projeto de poder da Igreja Católica Apostólica Romana, que opera na dimensão da catequese.
11:49Então, se você une essas duas coisas, você vai ver que é um projeto de espoliação do solo,
11:55de espoliação das riquezas da terra e, ao mesmo tempo, é um projeto de aniquilação ou domesticação dos corpos.
12:03Aí você vai ter, por exemplo, o corpo domesticado como se fosse uma ferramenta de trabalho.
12:08É o corpo escravizado, é o corpo pensado como o arado.
12:18Meu nome é Andréia.
12:20Eu sou do Rio de Janeiro, né?
12:22Sou do subúrbio do Rio de Janeiro.
12:24A minha família já era uma família de candomblé.
12:27A minha avó, meu avô, maternos.
12:29A minha família materna, que é uma família negra,
12:32era uma família de candomblé.
12:34A minha família paterna, meu pai era branco.
12:36Eles eram brancos e não eram da religião.
12:44Acho que, em certas épocas aqui da nossa história,
12:48eu acho que a nossa religião conseguiu sobreviver se escondendo.
12:55O candomblé é uma religião, quando a gente fala hoje em dia de matriz africana, né?
13:00Porque, na verdade, o candomblé é uma religião que nasceu no Brasil já, né?
13:04A gente fala que é uma religião que nasceu na senzala.
13:07Foi uma resistência, então você recriou, adaptou, digamos assim,
13:14isso para sobreviver à religiosidade deles.
13:21O candomblé também bebeu em algumas regiões do Brasil mais, outras menos,
13:26mas se fundiu muito também as religiões indígenas, né?
13:30Aí você traz para o candomblé uma coisa que aí, mais uma coisa que não é a África,
13:38que são os caboclos, né? Os caboclos.
13:42Isso aqui é a nossa mistura com o indígena, com o povo da terra.
13:48Essa é a história colonial brasileira.
13:53É uma história onde índios são trucidados na primeira onda,
13:57porque não se submete à estrutura de escravização.
14:00Negros e índios, então, formam essa base escravizada aqui nesse país.
14:06As reações, as respostas desses grupos subordinados e escravizados
14:11sempre foram tratadas de uma forma muito brutal e violenta.
14:17Tristeza e revolta. Os índios da aldeia Pataxó não se conformam.
14:21Eu não merecia isso, não. Eu não merecia morrer queimado, não merecia, não.
14:25O crime aconteceu às cinco e meia da manhã nesta parada de ônibus.
14:29O índio Galdino Santos Pataxó, 45 anos, estava dormindo.
14:32Um monza parou, cinco jovens desceram e atearam fogo.
14:36Os cinco envolvidos no crime são jovens da classe média de Brasília.
14:44Moram no plano piloto, área nobre da capital.
14:57Nós temos uma história que está entranhada, chafurdada no imaginário da violência.
15:05No imaginário do extermínio.
15:07Não há contradição nenhuma entre você praticar o horror, o morticílio, o justiçamento
15:17e, ao mesmo tempo, você ser considerado uma figura respeitável
15:23numa determinada comunidade, no seio familiar.
15:25Porque a nossa história é isso.
15:27É o sujeito, por exemplo, que é um justiceiro, é um pistoleiro, recebe uma grana para matar alguém,
15:33mata e depois resolve a sua crise de consciência se confessando.
15:37Terço aqui pode andar do lado do punhal o tempo inteiro e, em geral, anda.
15:42Para que a violência opere, os recursos acionados para suportar a violência
15:51são parte desse grande dispositivo da violência.
15:54Desde as guerras mais antigas, as tropas eram abençoadas com a presença de um padre,
16:02com a presença de preparando essas pessoas para irem para a guerra.
16:06Eu acho que a religião sempre esteve ali tanto para tentar fortalecer o exército,
16:12mas também para operar de uma forma muito delicada nesses sujeitos que estão com medo de morrer.
16:21Porque tu, Senhor, és o meu refúgio. O Altíssimo é a sua habitação.
16:25Nenhum mal te sucederá, nem paz alguma chegará à sua tenda.
16:28Porque aos seus anjos dará ordem do terecho grito para te guardar em todos os teus caminhos.
16:32É escutar a nossa prece.
16:34Nós, os homens das forças especiais, reconhecemos a nossa dependência do Senhor.
16:42Até foi divulgado, eu vi nesses meios de comunicação,
16:47um padre abençoando as armas da polícia.
16:52Instrumento de paz.
16:55Uma arma nunca será instrumento de paz realmente.
17:04A religião, ela não só vem como uma das ferramentas do projeto colonial,
17:10mas ela é mais um elemento estruturante desse projeto de poder.
17:17É o famoso período triste da Inquisição.
17:21Você mata, mas você não está matando a pessoa.
17:25Você está matando o erro que está dentro dele.
17:28Nós temos uma doutrina oficial da Igreja Católica Apostólica Romana que fala em guerra justa.
17:40A guerra justa foi doutrina papal.
17:42E a guerra justa estabelecia o seguinte.
17:45Aqueles que forem refratários à catequese,
17:50justifica-se escravizá-los ou exterminá-los.
17:55É uma guerra colonial que está instaurada desde o século XVI e não terminou.
18:01Se a gente for levar ao pé da letra, o grande problema da nossa história nunca foi a falta de Deus, mas o excesso dele.
18:10O ensinamento fundamental era, por parte da Igreja, dizer
18:22não, mas nós assim podemos fazer conhecer a proposta de Jesus.
18:29Havia aí um equívoco.
18:31Porque a proposta de Jesus não veio através do poder, veio através do povo.
18:37Não é por nada que ele nasce numa gruta, ele vive em Nazaré, na pobreza.
18:44E quando vai se tornar adulto, ele toma a iniciativa de pregar uma mudança radical.
18:54Ele sempre foi contra o poder, como estava estabelecido.
19:01E agora? A gente vamo viver aonde? Vamo viver de quê?
19:19Vamo viver de quê?
19:21Vamo viver uma mudança.
19:33Aqui no chão, Senhor, como nós muito Montessores V floor de lei.
19:39Ônono da misericórdia, Senhor!
19:41O catolicismo surge como uma religião muito vinculada aos pobres.
19:49Essa, inclusive, é a origem da Igreja Católica,
19:53no Conselho de Jerusalém, 50 d.C.,
19:56Paulo, Pedro, Tiago,
19:58definindo os fundamentos do que seria o cristianismo
20:00e da Igreja de Roma.
20:11Mas ela é uma igreja que, a partir do século IV,
20:16com a conversão de Constantino, o imperador de Roma,
20:20ela se transforma em religião oficial do Império.
20:22E aí a Igreja Católica vai se fortalecendo de uma maneira impactante
20:28e ela se torna uma instituição extremamente poderosa.
20:34A ligação entre religião e política tem origem juntamente
20:38com as primeiras organizações sociais conhecidas.
20:42Em comum acordo com a coroa,
20:45a Igreja Católica tinha o poder de controlar a vida dos fiéis.
20:50Lembrava a população das normas morais
20:53a serem seguidas e as penalidades reservadas aos transgressores.
20:59Ser católico significava ser aceito socialmente,
21:03conseguir emprego, atendimento médico, remédio,
21:06registro civil, escola e até garantia a própria sepultura.
21:12Aqui no Brasil, ao longo de séculos,
21:15era impraticável viver separado da vida religiosa.
21:19E a religião oficial no Brasil era a católica apostólica romana.
21:26Em relação ao Brasil e à América Latina,
21:29a gente tem uma inflexão fundamental,
21:32que é a do Conselho do Vaticano II.
21:34no final da década de 50, no papado de João XXIII.
21:38Porque a Igreja Católica já vinha perdendo muitos fiéis,
21:42porque ela tinha se afastado demasiadamente da pobreza.
21:47Ela estava institucionalizada como uma religião de poderosos.
21:52E aí o Conselho Vaticano II define aquilo que a gente chama
21:55de opção preferencial pelos pobres.
21:58No Conselho Vaticano II,
22:02que eram quase 3 mil bispos reunidos,
22:07o grupo dos brasileiros,
22:10liderados por Dom Helder,
22:13fez um trabalho maravilhoso.
22:15Na América Latina, vai se desenvolver a teologia da libertação.
22:38A teologia da libertação surge com o padre Gustavo Gutiérrez no Peru,
22:46Boff no Brasil,
22:47Revolução Sandinista na Nicarágua.
22:49E era um período em que surgia a ditadura em todos os países,
22:58e tanta injustiça,
22:59tantos desafios,
23:01tanta opressão.
23:02E alguns estudiosos,
23:05partoralistas,
23:07ajudaram a desenvolver
23:09uma visão
23:11teológica
23:13para sustentar
23:15esta presença
23:17no meio do povo.
23:19Surgiram as famosas comunidades eclesiais de base,
23:30onde o povo havia,
23:31tinha vez e voz
23:33para se organizar.
23:36E se organizando,
23:38se escutando,
23:39conversando,
23:41a partir do Evangelho,
23:44a partir da vida deles,
23:45foi descobrindo caminhos
23:48de organização.
23:52A teologia da libertação
23:54trabalhava com a ideia
23:55de que o Reino dos Céus
23:57pressupunha
23:58a luta pela igualdade na Terra.
24:01O crescimento da teologia da libertação
24:03vai apavorar os setores mais conservadores
24:07da Igreja Católica Apostólica Romana.
24:09A Argentina está iniciando
24:11um novo período
24:13de sua história.
24:15E o marco desse processo
24:17é a escolha
24:18para a Papa,
24:19depois que morre
24:20Paulo VI,
24:22vem João Paulo I,
24:23e é escolhido
24:24Voitila,
24:25o Papa João Paulo II.
24:27Voitila é um representante
24:29dos setores conservadores da Igreja.
24:31O papado de João Paulo II
24:33é um papado articulado,
24:34por exemplo,
24:35aos Estados Unidos,
24:36do Ronald Reagan,
24:36para desarticular
24:38o bloco socialista
24:39no leste europeu.
24:43Eu posso assurar-vos,
24:45Vos homens,
24:45os povos americanos
24:46procuram actuar
24:48como força para a paz no mundo
24:49e para mais a causa
24:52da liberdade e dignidade.
24:58O Papa João Paulo II
25:01ele vinha da Polônia,
25:04de um país comunista.
25:06ele tinha esta marca
25:09do perigo do comunismo
25:11e começou a filtrar
25:13as decisões
25:15para a Igreja toda
25:17a partir da Polônia.
25:21Foi um equívoco.
25:24Ele durou
25:2427 anos no poder.
25:28Então,
25:29foram 27 anos
25:30em que houve um recuo
25:33da presença
25:34da Igreja,
25:36dizemos assim,
25:37ao lado dos pobres.
25:39Porque
25:39a visão era
25:42defender
25:43do perigo
25:44do comunismo.
25:45Uma bandeira
25:45que até hoje
25:46está
25:47ainda existindo.
25:49Não existe mais
25:50esta forma
25:51de comunismo
25:51que existia
25:52naquela época,
25:53mas que ainda
25:55é utilizada
25:57para assustar.
25:57A imagem do Papa
26:12João Paulo II
26:13durante quase
26:14três décadas
26:15representou
26:17a Igreja Católica.
26:18Olhar para esse Papa
26:21nos faz lembrar
26:23dos nossos pais,
26:24o admirando
26:25como um grande
26:26líder mundial.
26:28Um defensor
26:29dos bons costumes,
26:31lutando para que
26:32tudo permanecesse igual.
26:35A crise interna
26:37da Igreja Católica,
26:38o papado
26:40reacionário
26:41de Roitila,
26:43desarticulou
26:44as possibilidades
26:45de uma Igreja
26:46visceralmente
26:46vinculada
26:47aos pobres.
26:51Então você passa
26:51a ter uma onda
26:52muito conservadora.
26:56Nós temos
26:57um projeto
26:58fundado
26:58num certo
26:59cristianismo
27:00catequista
27:01que opera
27:03na lógica
27:04da aniquilação
27:05da alteridade.
27:07Ou você
27:08segue a minha
27:08cartilha
27:09e se converte,
27:11ou você
27:12não serve,
27:13você está
27:13fora desse projeto.
27:15Em nome de Deus,
27:16em nome
27:17do rei.
27:19Carol
27:19Voitila
27:20exerceu
27:20poder
27:21durante
27:2127 anos.
27:23As ditaduras
27:24na América Latina
27:25duraram,
27:26em média,
27:2620 anos
27:27em cada país.
27:29A doutrinação
27:30militar e religiosa
27:31feita ao longo
27:32dessas décadas
27:33nas escolas
27:34e igrejas
27:35deixou graves
27:36sequelas
27:37na sociedade
27:38até hoje.
27:39A doutrinação
27:40partidiano
27:41ouvela
27:43tchau,
27:44vela tchau,
27:45vela tchau,
27:46tchau,
27:47tchau,
27:47tchau.
27:47E cuesta
27:48e fiore
27:49deu partidiano
27:51morto
27:53pela
27:54libertad.
27:57O papado
27:58do João
27:58Paulo II
27:59abre espaço
28:01para um discurso
28:03articulado
28:03à pobreza
28:04que vem
28:05com o crescimento
28:06de algumas linhas
28:07evangélicas.
28:09Eu acho
28:10que se a igreja
28:10católica
28:11soubesse do que
28:11ia acontecer,
28:13agiria de outra
28:14maneira.
28:15Porque a desarticulação
28:16da teologia
28:17da libertação
28:18joga uma massa
28:20de pobres,
28:21por exemplo,
28:21na direção
28:22do evangelismo.
28:26Na virada
28:27da década
28:28de 80
28:28para 90,
28:30apareceram
28:30centenas
28:31de templos
28:32e igrejas
28:32evangélicas
28:33em todo o país.
28:35E a figura
28:35do pastor
28:36começou a dividir
28:37protagonismo
28:38com a do padre.
28:39Estamos perdidos
28:41para servir,
28:43para louvar,
28:44para adorar
28:45a beleza
28:46e a facilidade.
28:47O IBGE
28:48calcula
28:48que anualmente
28:49são abertas
28:5014 mil
28:51igrejas
28:52evangélicas
28:53no Brasil.
28:54Apesar
28:55da Constituição
28:56prever
28:56que a igreja
28:57e o Estado
28:58devam ser
28:59instituições
29:00independentes,
29:02não é bem
29:02assim que funciona.
29:04Está escrito
29:04na Constituição
29:05que o Brasil
29:06é um Estado
29:06laico.
29:10Segundo
29:11outro levantamento
29:12apresentado
29:13pelo IBGE
29:13em 2021,
29:15somos um pouco
29:16mais de
29:16213 milhões
29:18de brasileiros,
29:1950%
29:20católicos
29:21e 31%
29:23evangélicos.
29:24Ainda podemos dizer
29:25que o Brasil
29:26é um país
29:26católico.
29:29Mas de acordo
29:29com projeções,
29:31em 2032,
29:33seremos
29:33um país
29:34evangélico.
29:37A igreja católica
29:39nos anos 80
29:39faz a opção
29:40pelos pobres
29:41e vai aos pobres
29:41e entra em contato
29:42e vivencia isso.
29:44O mundo evangélico
29:45ele é escolhido
29:47pelos pobres,
29:48ele não faz opção.
29:49O mundo evangélico
29:50está dentro
29:51desse universo
29:51dos pobres.
29:52Um analfabeto
29:53pobre, negro,
29:54morador de periferia,
29:55ele tem destaque
29:56dentro de uma igreja
29:57evangélica.
29:57Ele fala,
29:58ele dá testemunho,
29:59ele é obreiro,
30:00ele é pastor.
30:00E esses evangélicos
30:08começam a crescer
30:09e muitos deles
30:11começam inclusive
30:12a criar as suas igrejas
30:13baseadas na disputa
30:15pelo mercado da fé.
30:16Abre portas
30:17de emprego, senhor.
30:18Abre lugares melhores
30:20para o teu povo, senhor.
30:22Que nunca o senhor
30:22nos deixe vir
30:23a tua casa
30:24sem a oferta, senhor.
30:26Nos ajude
30:26a compreender isso,
30:27ó Pai.
30:28Que a oferta, senhor,
30:29seja uma bênção.
30:30para o nosso filho
30:31de novo
30:32que possa
30:33nos ajudar
30:34se o outro
30:34vai continuar.
30:35Eu não sei
30:42se o céu ou o inferno
30:44igual dos dois
30:46você vai ter que encarar
30:47E foi pra não
30:49lhe deixar no horror
30:50que eu vim
30:52para lhe acalmar
30:54Pois eu transformo
30:56a bem-vindo
30:56chão e céu
30:57pão e pedra
30:58cruz e mel
30:59pra mim
31:00não existe impossível
31:02pastor João
31:04e a igreja invisível
31:07Ah, pastor João
31:11e a igreja invisível
31:16No mundo católico
31:24essa dimensão
31:25mais consolidada
31:26mais de hierarquia
31:28de centralidade
31:29centralização hierárquica
31:30que é muito mais
31:32lenta e pesada
31:34enquanto que
31:34cinco igrejas evangélicas
31:37são fundadas
31:37por semana
31:38na década de 90
31:40na Baixada Fluminense
31:41você não conseguia
31:42uma igreja católica
31:44ser fundada
31:44às vezes
31:45nem em um ano
31:48aqui é a nossa cozinha
32:00a gente
32:01a gente faz a comida
32:03na lenha
32:05
32:06os próprios residentes
32:09que fazem a própria
32:10alimentação deles
32:12aqui são os dormitórios
32:14
32:15que é a nossa dispensa
32:18a gente ganha doação
32:20também
32:20aqui nós estamos
32:22construindo mais um
32:24vestiário
32:25que a gente está construindo
32:26meu nome é André Luiz
32:29dos Santos Assis
32:30tenho 46 anos
32:32sou pastor
32:34há 12 anos
32:36
32:36tô no Evangelho
32:37há 20 anos
32:38faço
32:39um trabalho
32:41de recuperação
32:42
32:43a gente realiza um trabalho
32:44dentro das comunidades
32:45de todo o estado do Rio de Janeiro
32:46independente de facção
32:48comando vermelho
32:50terceiro comando
32:50ADA
32:51milícia
32:51a gente faz um trabalho
32:52de recuperação
32:53tá sendo pra mim
32:58uma nova chance
32:58de confiar na minha
32:59própria pessoa
33:00só de estar ensinando
33:02já tô
33:03socializando
33:04não só a mim
33:05como o próximo
33:06também
33:06os pastores
33:09eles se casam
33:10eles sabem
33:11os sofrimentos
33:11que tem
33:12a construção
33:12de uma família
33:13a dificuldade
33:14dos limites
33:14você é um porteiro
33:15é uma arrumadeira
33:16você é uma empregada
33:18doméstica
33:18você é um faxineiro
33:19você tá
33:21em todas essas dimensões
33:22da informalidade
33:23você agora
33:24se autorregula
33:24num universo
33:25onde cada um
33:26por si
33:27montando seus próprios
33:29negócios
33:29a partir de redes
33:30que te dão
33:31proteção
33:32de afinidade
33:33
33:33que te dão verdades
33:34então você acredita
33:36no pastor
33:36que tava do seu lado
33:37quando seu filho
33:38quase morreu
33:39e ele te deu uma grana
33:40pra comprar o remédio
33:41você tinha roubado
33:42do tráfico
33:44a droga
33:45e não tinha pago
33:46aquela droga
33:46o tráfico ia te matar
33:47o pastor foi lá
33:48e te salvou
33:49já aconteceu
33:50algumas situações
33:51da gente ser acionado
33:53às vezes pelo próprio
33:54traficante
33:54e às vezes pelos moradores
33:56da gente resgatar
33:57pessoas que estão
33:58condenadas
33:59pelo tribunal
34:01do tráfico
34:01eu não acredito
34:02que bandido bom
34:03seja bandido morto
34:04acho que
34:05pra mim
34:05bandido bom
34:06seja aquele que
34:07conseguiu ser liberto
34:08e eu acredito
34:09que conseguem
34:10eu fugi daquela situação
34:17mas eu não conseguia
34:18o dinheiro
34:19não deixava
34:19a droga
34:21não deixava
34:21então
34:23eu vivia
34:24tipo assim
34:24escravizado
34:26mesmo
34:26naquele
34:26tráfico ali
34:30mas aí teve
34:30uma hora
34:31que eu orei
34:32e ficava pedindo
34:32meu Deus
34:33eu quero mudar
34:33eu não quero
34:34ser transformado
34:35eu não aceito mais
34:36isso na minha vida
34:37não pai
34:38não nasci pra morrer
34:39aqui não
34:40eu nasci pra ser teu filho
34:41eu sou escolhido
34:42já fui preso também
34:44essa vida
34:45já estive aqui
34:45nessa minha primeira vez
34:47essa aqui já é o que
34:49acho que é a minha
34:49quinta vez
34:50vindo aqui
34:50já estou com esse pastor
34:51aqui maior tempo
34:52fazendo esse trabalho
34:53o pastor sempre me orientou
34:55eu nunca acreditei
34:56eu sempre gostei
34:57de tomar minha atitude
34:58mas ele estava preparado
34:59eu ia mesmo
34:59mas não dá não
35:01sem Jesus
35:02o que aconteceu
35:23nos anos 90
35:24foi que a igreja
35:24universal do reino de deus
35:26ela assumiu
35:27a disputa pública
35:28do brasil
35:29como país católico
35:30e começa a fazer
35:33uma linguagem
35:34agressiva
35:35contestadora
35:36tanto das religiões afro
35:38quanto do próprio catolicismo
35:40essa retórica
35:44mais conflitiva
35:46entre católicos
35:47e protestantes
35:48foi uma realidade
35:49nas guerras europeias
35:50no Brasil
35:51a gente não tinha referência
35:53nada parecido com isso
35:54primeiramente
35:56primeiramente é Jesus
35:56porque quando você vai bater cabeça
35:59na casinha do cachorro
36:00você bate
36:01primeiramente
36:01você pede licença a Jesus
36:02existe um grupo
36:04que se diz
36:05dessas religiões
36:07neopentecostais
36:08que são extremamente
36:09agressivos
36:10o que eles querem
36:15é um contingente
36:16um contingente
36:17que vai gerar dinheiro
36:18para eles
36:18é disso que se trata
36:20não tem nada
36:21a ver com fé
36:23nem com crença
36:24nem com religião
36:25claro que existem
36:25umas pessoas
36:26que são cegas
36:27fanatismo é ruim
36:28em qualquer coisa
36:30quebra tudo
36:31quebra tudo
36:32paga a vela
36:34pelo sangue de Jesus
36:34tem poder
36:35arrebenta a guia toda
36:37todo mal
36:38tem que ser desfeito
36:38em nome de Jesus
36:40todo mal
36:41os meus santos
36:42todos quebrados
36:44está tudo quebrado
36:45tudo quebrado
36:47gente
36:48me ajuda
36:49e para fazer isso
36:51eles nos atacam
36:53eles nos atacam
36:55aí começa
36:56aquela coisa
36:57primeiro
36:57nos programas
36:58de televisão
37:00era sempre
37:01a gente
37:01nós éramos
37:02motivo de chacota
37:04era motivo de agressão
37:05eles são satanistas
37:07e por aí vai
37:08e aí começou
37:09as invasões
37:10aos barracões
37:11quebrando tudo
37:12agredindo as pessoas
37:13ao ponto que a gente
37:15está lá
37:15que as pessoas
37:16não podem mais
37:16andar de branco
37:18em algumas comunidades
37:19do Rio de Janeiro
37:19o discurso conservador
37:21moralista
37:22fundamentalista
37:23evangélico
37:23religioso
37:24vai desaguar
37:25do discurso conservador
37:27moralista
37:28e de extrema direita
37:29do bandido bom
37:30e bandido morto
37:30aí é uma
37:31aproximação
37:33inevitável
37:34que vai se consolidar
37:35dado essa condição
37:36de desamparo
37:37a qual nós fomos entregues
37:39essas populações
37:40foram entregues
37:40esse é o projeto
37:41vitorioso
37:42
38:12de desamparo
38:13que vai se
38:22a gente
38:24não vai se
38:25não vai se
38:26não vai se
38:29O Marco Temporal é um projeto também do homem branco.
38:55Esse projeto é muito perigoso para nós indígenas.
39:01Quer tirar nosso direito de ocupar a terra que sempre ocupamos, jogar índio na rua.
39:08Injusta agora que a gente está passando uma ameaça muito forte contra nosso território,
39:14por causa do nosso território.
39:16E aqui estão as mulheres para defender isso, defender o território,
39:20para dizer que elas não abrem mão do território, que é a nossa história.
39:24Que é a nossa vida, que é a nossa identidade.
39:27Hoje nós estamos com uma estimativa de 5 mil pessoas na Marcha das Mulheres.
39:42Estão vindo mulheres de todas as regiões e a nossa expectativa é que cada vez mais as mulheres indígenas sejam livres para poder dizer não a qualquer projeto de genocida que está em curso hoje.
40:02E que tem ameaçado o futuro de nossos filhos.
40:05Você sempre teve, ao mesmo tempo, uma tentativa de construir uma civilização nos moldes da europeia.
40:19E com muito medo da civilização indígena e africana que poderia, de alguma forma,
40:26a presença significava uma espécie de ameaça, um certo temor.
40:32A gente acaba criando essa cultura hegemônica europeia e tenta, de alguma forma, criar uma guerra contra as outras culturas,
40:45como se elas tivessem que obedecer pela violência.
40:49Desde a invasão portuguesa em 1500, grupos armados prestam serviço de segurança para defender o patrimônio da elite brasileira.
41:02O Estado é uma espécie de acionista minoritário desses grupos.
41:07E a justiça pouco faz para evitar que o sangue siga manchando a nossa bandeira.
41:14No passado, figuras como Borba Gato, um bandeirante escravocrata e responsável pelo assassinato de povos indígenas,
41:24virou herói nacional, ganhou status na sociedade e uma estátua em sua homenagem.
41:31Enquanto a elite financeira e cultural usa todos os recursos de comunicação
41:36para manter a narrativa do descobrimento do Brasil pelo ponto de vista do colonizador,
41:42a força das armas e as relações não republicanas com os governos mantém há muito tempo o crime organizado no poder.
41:51Podemos dizer que no Brasil, chove bala e escorre muito sangue pelas ruas e vielas diariamente.
42:12Chora, Borba Gato! Chora, Borba Gato, fascista!
42:19Ahá, fascista!
42:21Derruba!
42:23E quando a gente fala do campo da memória, a gente está falando de um campo marcado pela lembrança,
42:38e a gente está falando de um campo marcado pelo esquecimento.
42:53O que é que você escolhe lembrar e o que é que você escolhe esquecer?
43:00Então, a memória é um campo em disputa.
43:03Quando a gente fala de monumento, quando a gente fala de estátua,
43:07a gente está falando da construção de uma determinada memória.
43:11Então, o passado é disputado.
43:13E a gente tem que discutir o que é patrimônio público, sim, e debater passado.
43:18Então, o ato simbólico de você derrubar uma estátua
43:23é um ato, na verdade, que coloca em discussão uma questão muito profunda
43:29e que o Brasil tem que enfrentar.
43:32É fundamentalmente discutir a construção da memória brasileira,
43:37a construção da história brasileira
43:40e quais são os dilemas materiais que envolvem essa construção.
43:45O que foi feito no Borba Gato foi para abrir um debate.
43:57Em nenhum momento aquele ato foi feito para machucar alguém
44:00ou querer causar pânico na sociedade.
44:02Aquele ato foi feito para poder abrir um debate.
44:05As pessoas agora possam decidir se querem uma estátua de 13 metros de altura
44:09que homenageia um genocida e um abusador de mulheres, certo?
44:15A história de uma nação como o Brasil é acompanhada da construção e da destruição de imagens.
44:28Quantas imagens foram destruídas nesse país
44:31para poder confirmar o projeto nacional, cristão, europeizado.
44:37Muita coisa foi destruída.
44:39E aí é curioso como acontece um evento de destruição de uma imagem
44:44ou de tentativa de colocar abaixo uma imagem
44:47e com uma imagem de Borba Gato naquela estátua.
44:50Como se isso fosse uma novidade.
44:52Como se destruir imagens fosse uma coisa que fosse inédita, né?
44:56Mas quanta destruição já foi feita de imagens, de espaços, né?
45:02Quantas coisas foram destruídas para construir igrejas.
45:05A história da cidade do Rio de Janeiro, ela começa com um genocídio e tem, né?
45:17Na sua arquitetura, um dos mais belos monumentos, mas com uma das mais tristes histórias,
45:23uma das mais perversas histórias que nós podemos contar sobre essa cidade.
45:28Os portugueses se apressaram a vir ao Brasil porque os franceses estavam ocupando a costa brasileira.
45:38Foi em decorrência da ocupação dos franceses que Portugal se comprometeu a ocupar o território.
45:43E os franceses que saíam da França saíam em razão das guerras religiosas que aconteciam na França.
45:50Normalmente eram protestantes.
45:52Esses protestantes calvinistas aportaram aqui, onde hoje, ali atrás do aeroporto, na ilha de Villegagnon.
46:00E se aliam aos tamoios, né?
46:03Aos índios, aos tupinambais que viviam em toda essa região litoral.
46:08E os portugueses se aliam a alguns poucos índios.
46:13Os índios minoritários que seriam massacrados pelos tamoios, os termimbinóis.
46:18E conseguem, com o apoio e com o auxílio da Igreja Católica, que era muito forte, inclusive economicamente,
46:25exterminar os franceses e os tamoios que os apoiavam.
46:31Em decorrência dessa eliminação, dessa vitória, ergue-se esse monumento ao genocídio,
46:36que é o monumento da glória sobre os tamoios.
46:48Você não constrói futuro se você não entender que a grande disputa é pelo passado.
47:01Então, o passado é um campo de disputa, é um campo de porrada.
47:04Porque ele é articulado com os sentidos do presente e ele é articulado com as perspectivas de futuro.
47:10Eu acho até que seria interessante fazer um museu dos horrores do Brasil
47:14e pegar essas estátuas e colocar no museu dos horrores.
47:18Graças aos movimentos populares que cada vez mais ocupam as ruas e os espaços de tomadas de decisões,
47:41estamos revelando para as novas gerações a verdadeira história do Brasil.
47:48Onde indígenas, negros, mulheres e todas as outras minorias
47:53vêm sendo perseguidos há séculos por fundamentalistas religiosos
47:58e pelas leis criadas por homens brancos para homens brancos.
48:04No modelo escravocrata e coronelista em que fomos doutrinados
48:08para que uma pequena camada da sociedade viva como rei,
48:12a grande maioria precisa sobreviver com salário mínimo.
48:17A riqueza de poucos depende da miséria de muitos.
48:22O não indígena não quer dar espaço para o outro porque ele quer tudo para ele,
48:27por causa de dinheiro e poder.
48:31Demarcação já! Demarcação já!
48:38E nós queremos comida na floresta, comida no cerrado, comida no rio.
48:47É isso que nós defendemos.
48:49E nós temos que ensinar os jovens para defender isso.
48:53Sua tradição, sua língua, seu ritual, suas músicas, sua terra, sua saúde.
49:05Como é que índio vai viver se não tem saúde?
49:09Tem uma juventude aí que está se orgulhando de ser preto.
49:18As pessoas hoje em dia já não estão mais usando a tática de se esconder.
49:23Está todo mundo indo para a rua e exigindo respeito.
49:26Eu não quero ser aceita, eu quero ser respeitada.
49:28E eu exijo ser respeitada. Se eu respeito, eu tenho que ser respeitada.
49:31Então, hoje em dia, eu acho que a religião já está nesse ponto. Nós exigimos respeito.
49:37A presença de Deus no Brasil, eu acho, é a mesma presença que Deus teve lá no Egito, quando o povo estava na escravidão.
49:56Então, o povo do Egito podia dizer, aqui é o Deus que manda.
50:04Mas, na realidade, o faraó fazia o que ele queria.
50:07E aí Deus disse, não, vou lá embaixo e vou mudar isso tudo.
50:13A mesma coisa precisa acontecer no Brasil.
50:21Ainda estamos em tempo de reescrever a história do Brasil.
50:26Incluindo, ao invés de excluir todas as vozes que construíram esse país.
50:34Não existe paz sem justiça social.
50:39A minha família, ela é importante para poder mostrar, principalmente para a sociedade não indígena,
50:44a questão da natureza.
50:46Porque eu repasso isso para os meus filhos.
50:48E os meus filhos repassam, ou tentam repassar, para a família que não é indígena.
50:53E aí a gente vem desconstruindo isso.
50:55Eles serão as pessoas, no futuro, que vêm com essa responsabilidade de desconstruir e mostrar a importância dos povos indígenas,
51:08a importância de se respeitar o nosso ambiente, a nossa natureza.
51:16Eu tenho criado meu filho para isso.
51:20E eu sou índio do Brasil, e luto contra a opressão.
51:26E nessa nova era, a minha flecha é o meu som.
51:31Que chega com respeito para honrar os ancestrais.
51:33Meus heróis me pegam o crédito do Naicoca.
51:36Que lutaram bravamente contra a ordem nacional.
51:39Deixando com orgulho a herança florestal.
51:41Que hoje vem sofrendo com um marco temporal.
51:43E ruralista destruindo o patrimônio natural.
51:46E eu não vou ficar parado vendo o mundo sucumbir.
51:49Nesse jogo nebuloso que não dá pra fugir.
51:51Vou buscar a minha paz, pra eu poder sorrir.
51:54Lada a lado com a família, pra nós poder seguir.
51:56Na resistência contra a PEC que tenta impedir.
51:59Alimentando o preconceito que tenta nos atingir.
52:02Não tenha medo.
52:05Tamo junto nesse mundo pra unificar.
52:08Jamais se cale.
52:10Seja você em qualquer lugar.
52:13Não tenha medo.
52:15Acredite em você e vai brilhar.
52:18Jamais se cale.
52:20Seja você em qualquer lugar.
52:26Seja você.
52:28Seja você.
52:29Seja você.
52:30Seja você.
52:31Seja você.
52:32Seja você.
52:33Seja você.
52:34Seja você.
52:35Seja você.
52:36Seja você.
52:37Seja você.
52:38Seja você.
52:39Seja você.
52:40Seja você.
52:41Seja você.
52:42Seja você.
52:43Seja você.
52:44Seja você.
52:45Seja você.
52:46Seja você.
52:47Seja você.
52:48Seja você.
52:49Seja você.
52:50Seja você.
52:51Seja você.
52:52Seja você.
52:53Seja você.
52:54Seja você.
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