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A isenção do imposto de importação para veículos elétricos e híbridos desmontados termina no dia 31 de janeiro e pode alterar o cenário da indústria automotiva no Brasil. A Anfavea alerta para perdas bilionárias e impacto no emprego, enquanto o governo avalia os efeitos sobre competitividade, investimentos estrangeiros e preços ao consumidor. Para analisar o tema, conversamos com Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos automotivos da FGV (Fundação Getulio Vargas).

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Transcrição
00:00Estou de volta, nosso assunto agora é a indústria automotiva e os carros elétricos aqui no Brasil.
00:05No dia 31 de janeiro, termina a isenção no imposto de importação para veículos elétricos e híbridos
00:12que chegam aqui desmontados ou parcialmente desmontados,
00:17política que beneficia, por exemplo, as montadoras chinesas.
00:21Por outro lado, a Anfávia diz que uma prorrogação na isenção
00:24pode gerar uma perda de até 103 bilhões de reais para a indústria automotiva brasileira.
00:31Sobre esse assunto, eu converso com o Antônio Jorge Martins.
00:34Ele é coordenador dos cursos automotivos da FGV, que é a Fundação Getúlio Vargas.
00:39Professor, boa noite. Obrigada por ter aceitado o convite.
00:43Muito obrigado, mas boa noite a você e aos seus ouvintes.
00:45Vamos lá. Essa decisão do governo ainda pode mudar, professor?
00:49Eu diria que a mudança de posicionamento do governo deve obedecer algumas estratégias a serem adotadas.
00:58Por um lado, não se tem como hoje, no mundo de hoje, você agredir ao setor automotivo
01:05hoje existente no país, composto de cerca de 40 fábricas espalhadas em todo o país.
01:12Isso entre montadoras e autopeças.
01:14Isso, de uma forma geral, afetaria a credibilidade, já que havia um compromisso
01:19no sentido exatamente de que os incentivos não sejam postergados.
01:24E, por outro lado, você também não deve criar problemas com aquele setor,
01:29ou pelo menos com as fábricas chinesas que estão se instalando ao redor do mundo inteiro
01:34e com elevada competitividade, beneficiando, inclusive, os consumidores
01:39com tecnologias mais evoluídas e com preços mais competitivos.
01:43Então, com isso, eu diria que há de se ter uma estratégia governamental no sentido
01:47do que se pode buscar para que não se agrida nem um lado nem o outro.
01:52Há o interesse em se manter e, pelo menos, fortalecer as empresas chinesas,
01:57que não é só uma, existem várias e outras estão chegando.
02:00E de outros países também, né, professor?
02:03De outros países.
02:03A estratégia hoje, de uma forma geral, é você fomentar a vinda de empresas
02:09para fortalecer um setor como o automotivo, até no sentido de atrair os talentos
02:14que estão se formando hoje em dia.
02:16Os talentos gostam exatamente de setores de tecnologia.
02:19E são poucos os setores existentes de tecnologia aqui no nosso país.
02:23Então, há de se ter uma estratégia governamental para, de uma forma geral,
02:27conciliar os dois lados interessados.
02:29Eu queria entender a sua posição em relação ao posicionamento da Anfávia,
02:34que fala que, caso essa isenção seja prorrogada, pode ter uma perda de mais de 100 bi de reais
02:42e também 70 mil empregos.
02:46Qual é a posição do senhor em relação a isso?
02:48Na realidade, de uma forma geral, houve um posicionamento muito firme do governo
02:54de se manter esse posicionamento em termos de términos dos incentivos.
02:58Então, para você ter uma ideia, independente dos valores da Anfávia,
03:02eu fiz alguns cálculos.
03:04Esses incentivos hoje envolvidos, se nós exatamente considerarmos o valor em reais,
03:10eventualmente divididos pelo valor médio de um veículo BID,
03:14automáticamente isso aí representa algo em torno de 15 mil veículos.
03:1815 mil veículos não é nada em termos até de produção e vendas mensais no nosso país.
03:23Apesar de não ser um mercado enorme, como é o mercado chinês,
03:25composto de 34 milhões de veículos, nosso mercado anual é da ordem de 2 milhões e 800,
03:31mas ainda assim, 15 mil veículos é muito pouco para uma venda de cerca de 200 a 250 mil veículos
03:38que vem sendo, eu diria assim, a média mensal de venda no nosso país.
03:42Então, o que acontece?
03:43Olhando o lado, assim, governo, realmente, se houve um compromisso em cortar os incentivos,
03:49deve ser mantido.
03:50Agora, por outro lado, se você buscar uma solução que também agrade as fábricas aqui instaladas,
03:57e com isso, de uma forma geral, você contempla um lado e também contempla o outro,
04:01até no sentido de atrair o maior número de ofertantes de veículos chineses,
04:07que de uma forma geral, conforme acabei de dizer, tem muito mais tecnologia e a preços competitivos.
04:12Para quanto passariam os impostos caso essa isenção não seja prorrogada?
04:17Na realidade, o valor, o montante que está em jogo hoje é da ordem de 230 milhões de dólares.
04:25Está certo?
04:26Então, esses 230, aliás, 230, 280 milhões de dólares.
04:29Isso representa aproximadamente 2 bilhões e 300 milhões de reais.
04:33Está certo?
04:33Então, ao se dividir esse montante de incentivos, exatamente pelo preço médio do veículo do B&D,
04:39isso gera mais ou menos cerca de 15 mil veículos.
04:42Quer dizer, o benefício que está sendo exatamente negociado é para 15 mil veículos,
04:47que é pouco ou quase nada em nível de mercado brasileiro e mercado até mensal.
04:52Então, com isso, daí exatamente a ideia de se buscar uma solução que contemple os dois lados interessados nessa situação.
05:00Esse que é o ponto, na minha opinião, estratégico.
05:02E o governo, hoje em dia, até com a redução e com a queda do multilateralismo,
05:06o governo, cada vez mais, tem que ser estratégico no sentido de atrair a indústria.
05:11Vinde agora a Índia, né?
05:12O que ela está fazendo?
05:13Celebrando várias acortes no sentido, exatamente, embasar o seu setor industrial,
05:19de tal forma, exatamente, a fortalecer e, eventualmente, até promover o maior volume de exportações.
05:24Qual foi o objetivo exato do governo ao promover, ao conceder essa isenção?
05:30E quais são, no final das contas, as empresas mais beneficiadas?
05:33Na prática, se nós pararmos para pensar, toda empresa que vem para o Brasil,
05:38todo o setor automotivo, ela goza desses incentivos.
05:42Por quê?
05:43Não tem como você implantar uma fábrica da noite para o dia.
05:46Então, no sentido, exatamente, de adequar a produção a uma fabricação que, de uma forma geral, é muito pesada,
05:54você concede incentivos para que os veículos venham montados ou semidesmontados,
05:59facilitando o processo produtivo para o país para o qual o setor caminha.
06:05Olhando assim, daqui para frente, o setor industrial automotivo, ele tende a se robotizar muito fortemente.
06:12Então, esse prazo, assim, que hoje demora para você iniciar a fabricação,
06:16isso tende a eliminar-se no futuro.
06:19Na China, hoje, existe uma produção de um veículo a cada minuto, em determinadas indústrias.
06:25Ou seja, a robotização, hoje, é uma constante.
06:28Eu acho que a estratégia do governo, inclusive, não é nem se preocupar muito em termos de, vamos supor, de fabricação.
06:34É muito mais buscar um processo produtivo que seja estratégico para o país.
06:40Caso ela se afaste do país mais tarde, o que ela deixa de benefício para a nossa sociedade?
06:44Esse é o ponto que o governo poderia avaliar com a acuidade, no sentido, exatamente, de gerar algum tipo,
06:51algum ponto que prenda essas indústrias dentro de um continente hoje que é extremamente promissor,
06:58mas que, como tudo, tende, exatamente, também, a se reduzir todo esse lado positivo.
07:02Qual seria, exatamente, o impacto do fim da isenção de impostos na presença de montadoras estrangeiras aqui no Brasil?
07:10Elas, praticamente, vamos supor, na prática mesmo, eu diria que...
07:14Na prática.
07:14Na prática, né?
07:15Na minha opinião, não se tem muito a perder.
07:17Porque hoje nós estamos falando de 15 mil veículos dentro de um horizonte, tá certo?
07:22De produção de cerca de 150 a 200 mil veículos por mês.
07:26Menos de 10%.
07:27Então, na realidade, né, quer dizer, o que elas teriam a perder?
07:30Talvez, possivelmente, vou perder mercado para 15 mil veículos que estão sendo exatamente cobertos por esses incentivos,
07:38você não perde mercado por causa de 15 mil veículos.
07:41A quantidade deveria ser muito maior para que, efetivamente, afetasse uma produção brasileira, tá certo?
07:47Então, o que se tem hoje, na minha opinião, o que está em jogo é o lado de credibilidade do governo
07:52ao ter afirmado que os incentivos seriam eliminados a partir do final de janeiro.
07:57E quais seriam os impactos para o consumidor, para o cliente final?
08:01Para o cliente final, eu diria que deixaria de possuir um maior volume de veículos com incentivos fiscais
08:08que, possivelmente, teriam um custo menor, tá certo?
08:11E a gente não sabe, nem o governo acompanha, se esses incentivos que são concedidos, né,
08:16de isenção de impostos, de que forma eles se refletem nos preços praticados mês a mês.
08:22Nenhum governo controla isso.
08:23Quer dizer, é uma política muito mais de empresa, né, no sentido, até porque está entrando no novo mercado,
08:30ela é, de uma forma geral, independente de incentivos, ela há de fazer um jogo estratégico em termos de preços.
08:35E só um detalhe, né, para a gente até entender do setor automotivo, né, hoje em dia.
08:40As empresas chinesas, elas têm mais lucro nas suas operações com a internacionalização,
08:46porque na China, como são muitos ofertantes, mais de 100, elas não têm lucratividade suficiente.
08:50Então, elas, para obterem rentabilidade, elas têm que se internacionalizar e buscam o Brasil
08:56por causa da visão América Latina e até com potencial de exportação para a União Europeia.
09:01Professor, muito obrigada. Prazer conversar com o senhor.
09:04Igualmente. Muito obrigado.
09:05Boa noite.
09:05Boa noite.
09:06A boa noite a você.
09:06Obrigada.
09:06Obrigado.
09:07Obrigado.
09:07Obrigado.
09:08Obrigado.
09:08Obrigado.
09:09Obrigado.
09:10Obrigado.
09:11Obrigado.
09:12Obrigado.
09:13Obrigado.
09:14Obrigado.
09:15Obrigado.
09:16Obrigado.
09:17Obrigado.
09:18Obrigado.
09:19Obrigado.
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