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O acordo entre Mercosul e União Europeia abriu novas oportunidades para a indústria química do Brasil. André Passos, presidente executivo da Abiquim, analisou os impactos no comércio, na atração de investimentos, no intercâmbio tecnológico e na agenda de sustentabilidade do setor.

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Transcrição
00:00O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia pode aumentar a inserção de empresas brasileiras na Europa e também o intercâmbio de tecnologia.
00:08A gente vai falar sobre isso com André Passos, que é presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, a ABQIM.
00:15Boa tarde para você, André. Seja bem-vindo ao Radar.
00:18Boa tarde, Marcelo. Muito obrigado pelo convite. Será um prazer conversar contigo e com quem nos veio.
00:24O prazer é nosso. Do ponto de vista da indústria química, que tipo de oportunidade vocês já vislumbram a partir desse acordo?
00:32Olha, esse acordo constrói um mercado extremamente grande, conformando essa união entre Mercosul e União Europeia.
00:43São muitos trilhões de dólares, em especial pelo tamanho do mercado europeu e uma população também extensamente grande.
00:53Então, esse mercado, conforme um bloco econômico, nessa relação bilateral, muito interessante para o nosso país.
01:03E eu acho, inclusive, nós achamos aqui na indústria química que ele deve ir evoluindo ao longo do tempo.
01:09Foram 26 anos de negociação.
01:12Toda essa negociação começou em 1999.
01:15Como eu disse aqui em uma conversa passada, durante essa semana, nós tivemos um longo processo de negociação aí e agora chegamos a uma conclusão muito positiva.
01:33Do ponto de vista do mercado químico e petroquímico brasileiro, nós sugerimos, ao longo do processo de negociação,
01:43que alguns grupos de produtos químicos fossem excluídos da abrangência do acordo.
01:50Cerca de 149 grupos de produtos, entre milhares que existem na química, mas que tem uma produção muito significativa aqui no Brasil,
02:01nós propusemos que ficassem fora dessa primeira fase do acordo.
02:07116 grupos de produtos foram aceitos para a exclusão e 33 foram incluídos num prazo acima de 10, 15 anos.
02:14extremamente gradual, então vai dar tempo de parte a parte de se adaptar no sentido de fazer trocas comerciais mais intensas entre Brasil e União Europeia a partir desse acordo.
02:31Então nós entendemos que esse acordo é um acordo extremamente vantajoso e mais do que isso ele sinaliza a forma correta, Marcelo, de trabalhar nesse momento.
02:42Nós estamos vendo no mundo uma guerra comercial se aprofundando, especialmente pelo comportamento norte-americano de propor, como no caso do químico,
02:52propor e aplicar tarifas para praticamente todos os países do mundo, acima de 50%, 60%, como é o caso brasileiro, unilateralmente.
03:03E o Brasil demonstra na relação com a União Europeia que o caminho é fazer acordos entre blocos, acordos entre países, acordos bilaterais, acordos multilaterais,
03:14que incentivem o crescimento do comércio em condições justas, com tarifas negociadas, inclusive, de parte a parte,
03:21preservando as características de cada região, a Europa e o Brasil apontam um caminho comum e um caminho correto a seguir na mesa de negociação,
03:38não na aplicação de medidas unilaterais, como tem sido muito frequente no período mais recente.
03:45Tanto a indústria química brasileira, em especial a petroquímica, quanto a indústria petroquímica, química e petroquímica europeia,
03:55estão diante de grandes desafios hoje, Marcelo.
03:59Eles têm, inclusive, o mesmo desafio diante de si.
04:02Essas duas indústrias pungentes, a Europa ocupando o terceiro lugar no mundo, a química brasileira variando entre 4º, 5º, 6º lugar, dependendo do ano,
04:15elas enfrentam o desafio de ter acesso a matérias-primas para sua produção de químicos mais competitivas, com preços mais competitivos.
04:26Na Europa, o gás russo foi cortado, hoje ela acessa um gás muito caro, vindo dos Estados Unidos, de forma liquefeita,
04:36então muito caro para ter o acesso.
04:38O Brasil também tem um gás muito caro, por características peculiares do nosso mercado aqui, em função de custos de produção, em função de questões regulatórias.
04:49Nós também enfrentamos um custo muito alto da nafta derivada do petróleo, tanto a Europa quanto o Brasil,
04:58então são duas indústrias que têm diante de si os mesmos desafios.
05:01Essa aproximação pode, ao unir esses mercados, promover uma agenda de trabalho conjunta desse setor,
05:10nesses dois grandes blocos, Marcelo.
05:14Nós também estamos sendo bastante atacados, tanto a Europa quanto o Brasil, quanto o Mercosul,
05:25pelo excesso de produção chinês nos nossos mercados petroquímicos.
05:31Há uma elevada capacidade de produção na China, que coloca-se muito acima do consumo mundial,
05:39da demanda mundial, pressionando preços para baixo, pressionando margens para baixo e colocando os ativos químicos e petroquímicos,
05:49as fábricas químicas e petroquímicas, tanto no Brasil quanto na Europa, diante desse grande desafio.
05:5650 unidades, mais de 50 unidades industriais fecharam na Europa.
06:00No Brasil, a gente teve, no último período também, cerca de 5 unidades industriais fechadas aqui recentemente,
06:10no último ano, ano e meio.
06:12Então, nós estamos sofrendo do mesmo mal e diante dos mesmos desafios.
06:18E o fechamento desse bloco comercial, a aproximação do Mercosul e da União Europeia,
06:23pode ser uma excelente oportunidade para desenvolver uma agenda comum,
06:28trocar vantagens de lado a lado, competitivas, comparativas,
06:33para melhorar a situação dos ativos das fábricas químicas e petroquímicas,
06:38tanto no Brasil quanto na Europa.
06:39André, você tem expectativa de que o Brasil possa atrair plantas europeias da indústria química, por exemplo,
06:46com esse acordo?
06:47Com a conclusão de que, de repente, produzir aqui pode ser mais interessante pelo preço da mão de obra,
06:52pelo preço da matéria-prima também?
06:55Não só por preço de mão de obra e preço de matéria-prima,
06:58mas também pelas condições no que diz respeito à sustentabilidade, né, Marcelo?
07:03Nós já somos hoje a química mais sustentável do planeta, por duas razões.
07:09Primeiro, porque nós temos uma energia consumida nas nossas plantas industriais
07:13que deriva de energias, enfim, de processos renováveis, né?
07:20Energia eólica, energia solar, energia de biomassa.
07:24Mais de 80% da energia consumida nas nossas unidades fabris
07:28vem dessa espécie hidrelétrica, né?
07:31Vem dessa espécie de energia renovável, não dos combustíveis fósseis, né?
07:36A Europa tem um desafio ainda diante dela, né?
07:39De migrar mais a sua matriz para esse campo.
07:43Ainda é muito dependente do gás, ainda é muito dependente do petróleo, né?
07:46Ainda é muito dependente de energias não renováveis.
07:49Então, essa é uma vantagem que tem produzido no Brasil.
07:52Uma segunda vantagem é nós somos líderes em produção de químicos
07:58a partir de matérias-primas renováveis, como, por exemplo, o etanol.
08:03Nós temos a maior planta de produção de eteno verde no Brasil,
08:06de polietileno verde no Brasil.
08:08Nós também temos grandes plantas produtoras de solventes derivados de etanol,
08:14entre outros produtos químicos aqui no Brasil.
08:17Nós temos a maior produção mundial de goma resina, né?
08:22Que é uma resina, é uma cola, um selante muito utilizado ao longo do mundo.
08:2870% do mercado mundial é nosso, né?
08:31É produzido a partir do pinus e tem uma eficiência de produção muito grande no nosso país.
08:37Bom, eu poderia enfileirar vários processos produtivos aqui que usam energia renovável
08:42em matérias-primas renováveis no Brasil e que nós temos uma grande vantagem competitiva,
08:49comparativa em relação à Europa nesse elemento.
08:53A Europa tem um grande mercado, uma proximidade do mercado consumidor, né?
08:58O que produz muitas vantagens pela proximidade para as plantas que estão lá situadas.
09:06Então, há que se pensar numa integração.
09:10E nós temos sim, então, a expectativa de ter investimentos aqui no Brasil a partir desse novo acordo.
09:18E temos história disso, né?
09:20Plantas europeias, né?
09:23A Basf, europeia, uma grande petroquímica mundial.
09:26A Rod, a Solve, são empresas que fizeram investimentos aí ao longo do tempo,
09:31ao longo dos anos, décadas no Brasil, tem tradição de produção aqui.
09:36Só para citar dois exemplos de associadas da Abkin, mas existem vários outros.
09:42Então, há uma tradição de investimentos de empresas europeias no Brasil na química e na petroquímica, né, Marcelo?
09:51Então, temos a expectativa, assim, de que isso abra um caminho aí para o retorno dos investimentos aqui.
09:56Agora, para isso, é essencial que a gente avance em algumas coisas, inclusive, que o acordo prevê, né?
10:03Que é caminhar no sentido de uma harmonização regulatória, né?
10:07Por exemplo, certificações de sustentabilidade, né, Marcelo?
10:11Porque a Europa tem um tipo de certificações, um determinado processo lá.
10:16O acordo abre um caminho para que certificações produzidas no Brasil sejam aceitas lá,
10:22para a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu, né?
10:26E aí são, hoje, barreiras não tarifárias que nós temos que tendem a desaparecer com o tempo.
10:33Tanto lá quanto aqui menos, porque nós não aplicamos muito isso no Brasil, né?
10:37Mas a Europa aplica muito.
10:39Então, essa perspectiva de harmonização de exigências regulatórias
10:45que ampliem o acesso de químicos e petroquímicos brasileiros ao mercado europeu,
10:50especialmente os de classe sustentável, renovável, é uma perspectiva que o acordo abre para nós, né?
10:58Muito importante.
11:00Tá certo.
11:01Eu conversei aqui com o André Passos, que é presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química.
11:06Muito obrigado pela participação, André.
11:08Boa tarde para você.
11:09Eu que agradeço, Marcelo.
11:10Um abraço.
11:11Um abraço.
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