00:00Estou de volta.
00:01A Atlas Critical Minerals se tornou nessa semana a única mineradora com foco em terras raras e minerais críticos
00:08com ações negociadas na Nasdaq, a Bolsa de Tecnologia Americana.
00:13O movimento acontece num momento de forte disputa global por minerais considerados estratégicos.
00:20Sobre esse assunto eu vou conversar agora com Mark Fogaça, ele é fundador, chairman e CEO da Atlas Critical Minerals.
00:27Mark, boa noite para você, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:31Bom, a Atlas Critical Minerals se tornou a única mineradora de terras raras listada na Nasdaq.
00:40O que isso representa em termos de posicionamento estratégico no mercado global?
00:47Primeiramente é uma honra estar falando com você hoje à noite aqui e é uma honra representar o Brasil no Nasdaq.
00:53Nós abrimos ontem o pregão Nasdaq com a Atlas Critical Minerals, o nosso time, board members, investidores, honrando a nossa listagem no Nasdaq.
01:06E em resposta à sua pergunta, é uma coisa incrivelmente importante, pois posiciona o Brasil fortemente na cadeia global desses minerais estratégicos, como você mesmo disse.
01:17Nós temos projetos de terras raras em Minas Gerais, Goiás, um projeto de grafite de perfil altíssima qualidade para uso nuclear em Minas Gerais e outros minerais também.
01:30Então, estou muito entusiasmado com a perspectiva que essa captação que nos levou a Nasdaq nos deu.
01:37Bom, a Nasdaq é tradicionalmente dominada por empresas de tecnologia.
01:41O que significa uma mineradora ter espaço nessa bolsa?
01:45A nossa conexão com a tecnologia é imediata, porque você não tem revolução de inteligência artificial sem minerais estratégicos, sem minerais críticos.
01:55Então, é uma coisa completamente que faz sentido.
01:59Sem os nossos minerais, que logo a Atos, a Atos, a Atos, a Atos pretende fornecer ao mercado global, você não tem, por exemplo, o suporte para small modular reactors, para data centers, que fazem embasamento para a revolução da inteligência artificial.
02:18Você também não tem os imãs, os magnets, que posicionam produtos tecnológicos, como carros elétricos, mísseis.
02:29Então, tem uma gama de atividades de alta tecnologia que vem diretamente relacionados com minerais críticos.
02:36A gente está vendo que houve um aumento da dependência de terras raras e de outros insumos que são considerados estratégicos hoje.
02:45O mundo está preparado para essa demanda, Mark?
02:48Olha, eu estou achando que a conversa que há diariamente sobre terras raras é muitíssimo salutar, porque a população está entendendo a importância dos minerais, está entendendo o posicionamento bom do Brasil com relação a isso.
03:07Eu tenho somente a agradecer ao posicionamento dos governos estaduais e federal com relação a isso.
03:13Tanto é que a empresa que nós temos hoje tem conseguido galgar a um nível tão alto como o Nasdaq.
03:19Então, espero que o Brasil continue operando e continuando no caminho certo.
03:23É impressionante mesmo.
03:24Era uma expressão, uma palavra que a gente não usava e, de repente, ela passou a tomar conta do noticiário todos os dias, como você bem destacou aqui agora.
03:35Por que as terras raras e os minerais críticos passaram a ser tratados como ativos geopolíticos e não apenas como commodities?
03:46Cris, é porque a China teve uma inteligência muito grande em dedicar 40 anos e bilhões e bilhões de dólares em dominando as tecnologias de processamento desses minerais.
03:58E é a líder indisputada de obtenção dos 17 elementos que constituem o que se chama as terras raras.
04:08Tanto que, alguns deles, somente a China consegue processar economicamente.
04:13Então, potências globais, mesmo como os Estados Unidos, não têm essa tecnologia hoje, infelizmente.
04:19Então, o que há é uma percepção de que, numa situação global que é mais polarizada, você precisa ter cadeias de suprimento global colocadas em outras geografias, além de China.
04:34Essa é a situação.
04:35Em algum momento, o Brasil terá, de fato, essa tecnologia que a China é o único país que tem em algumas situações, como você bem colocou aqui, para processar essas terras raras, minerais críticos?
04:51Cris, eu trabalho todo dia para isso.
04:53Eu não tenho dúvida disso.
04:56Estamos aqui.
04:57Estamos aqui.
04:58E eu pretendo contribuir nessa jornada.
05:00Mas a gente pode ter alguma expectativa de quando isso vai acontecer, Mark?
05:07Olha, é importante as pessoas terem a ciência que algumas etapas de processamento de terras raras são muito mais complicadas que outras, né?
05:16Por exemplo, a etapa de separação final completa dos elementos demanda até 100 mil reações químicas.
05:25É muito complicado.
05:27Não é fácil.
05:28Não, não tenho dúvida.
05:30Então, temos que ir com cautela.
05:33É uma empresa como a Atlas, ela consegue chegar até um certo ponto.
05:37Espero contarmos com o apoio de governo federal ou talvez outros parceiros estratégicos para podermos fazer a cadeia completa.
05:46Porque realmente é coisa muito complexa.
05:49Nós estamos trabalhando nisso dia a dia.
05:51Agora, a concentração de terras raras em poucos países pode representar um risco para as cadeias industriais globais?
05:59Sim e não.
06:03As terras raras, Cris, não são raras.
06:06O que é raro é economicamente viável os depósitos, né?
06:09Sim.
06:09Então, sobre essa perspectiva, eu acho que o Brasil tem a segunda maior jazimento de terras raras do mundo, depois a China.
06:17Então, nós somos realmente abençoados com isso.
06:19Temos que fazer o melhor possível.
06:21De novo, como a complexidade é imensa em levar um processamento final,
06:25a minha sugestão é que nós processemos as terras raras até o momento em que seja economicamente viável para empresas como a Atlas
06:33e que permita-nos termos parceiros que consigam fazer o resto do processamento até essa tecnologia poder vir ao Brasil.
06:40Então, não é uma coisa imediata.
06:42Isso eu quero transmitir.
06:44Isso me leva à seguinte pergunta.
06:46O acesso à capital é um dos principais limitadores para projetos de minerais críticos?
06:55Como atrair investimento de longo prazo no setor?
06:59Sim, com certeza.
07:00Então, eu diria que o posicionamento da Atlas Critical é um posicionamento bem pragmático,
07:06em que nós vamos fornecer ao mercado global produtos que sejam insumos das cadeias de terras áreas,
07:14grafite, titânio e outros minerais no futuro.
07:17Então, nesse contexto, o capital que a Atlas Critical Minerals necessita é um capital menor do que aquele que almeja fazer o processamento químico.
07:30Nós vamos se ater na esfera física, no processamento físico, que você faz um concentrado de terras áreas,
07:37um concentrado de grafite e, numa subsequente fase, você faria um processamento químico.
07:43Há várias carcaças de empresas que faleceram por tentar se transformarem de mineradora numa empresa química.
07:54Então, meu ponto de novo, não é trivial.
07:56A China gastou 40 anos e bilhões de dólares para fazer isso.
08:00Então, eu sou um executivo pragmático.
08:02O que falta para o Brasil, como você muito bem apontou, que tem a segunda reserva de terras raras do mundo só atrás da China?
08:13O que falta para a gente, para o país se tornar um protagonista global nesse mercado, Mark?
08:20O Brasil está indo excelentemente bem.
08:22Eu me sinto muitíssimo orgulhoso de ser brasileiro e controlador da empresa.
08:26E temos também a Atlas Litem, que é a segunda empresa do grupo.
08:30Então, como você sabe, nós listamos duas empresas do nosso grupo no Nasdaq.
08:34A Atlas Litem foi do estado em 2023.
08:36A Atlas Crude Comunas, alguns dias atrás.
08:39Aliás, a abertura do Berkley foi ontem, mas nós listamos em 9 de janeiro.
08:44Eu acredito que, na minha opinião, segurança jurídica em certos temas no Brasil é importante.
08:49Então, é um foco que deveria ser estudado com calma.
08:51Por quê?
08:52O capital precisa ser bem tratado.
08:53E, para o capital ser bem tratado, você precisa de segurança jurídica.
08:58Marco Fogaça, CEO da Atlas Critical Minerals, muito obrigada pela entrevista.
09:04Desejamos aqui sucesso cada vez mais para você.
09:07Eu que agradeço. Fique bem.
09:09Obrigada. Boa semana.
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