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  • há 1 hora
A rotina de quem vive em situação de rua em Belém é marcada por dificuldades que vão muito além da falta de um teto. Problemas relacionados à higiene, alimentação, insegurança, preconceito e ausência de oportunidades de trabalho fazem parte do cotidiano de homens e mulheres que ocupam calçadas, marquises, galpões e áreas públicas da capital paraense.
Em relatos colhidos pela reportagem, eles falam sobre as razões que os levaram às ruas, os desafios enfrentados diariamente e o desejo comum de reconstruir a própria vida.

Reportagem: Dilson Pimentel
Imagens: Ivan Duarte

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Transcrição
00:00Música
00:29Você vive em situação de rua há quanto tempo?
00:32Olha, eu vivi, é a primeira vez que eu vivi, quase dois anos, aí tive a minha esposa estudinho, entendeu?
00:39Aí tive uma desavença, aprendi a minha esposa estudinho, aí voltei pra rua de novo.
00:45Música
00:45Essa segunda volta pra rua você tá, já tá há quanto tempo da rua?
00:49Olha, acho que mais de um mês.
00:51Tem algum ponto que você dorme assim?
00:53Sim, a livra-bona da... a livra-bona da... da Valdemar Henrique.
00:58É debaixo de uma casa, ou arquinhos, na calçada, ou engenheiro na casa?
01:04É... não dá o pão.
01:05Não dá o pão.
01:06Como é que é pra você viver na rua? Quais são as dificuldades que você tem?
01:10Olha, dificuldade, primeiro, é... higiene, né? Pra ir no banheiro, entendeu?
01:18Como é que faz?
01:20Olha, a gente... é porque tem dinheiro, né? Pra gente... pagar o banheiro, banheiro é de dois reais. E a gente usa.
01:31E quando não tem?
01:32Quando não tem, aí já fica difícil, né?
01:35Fica difícil. E pra você sobreviver, pra se alimentar, pra comprar alguma coisa, como é que você faz?
01:41Tem a casa da rua aqui.
01:43Ó, aqui essa retaguarda...
01:44Isso. Segunda a sexta. Entendeu? Aí, café, almoço...
01:50E na rua, além dessa pessoa de engenheiro, tem uma outra dificuldade que você se enfrenta por violência, por exemplo?
01:56Você se sente insegura na rua?
01:58Não.
01:59Nunca aconteceu nada com você?
02:00Graças a Deus que não.
02:01Mas você tem esse receio, você tem que ficar esporte?
02:04Sim.
02:04Qual é o seu receio? Qual é o seu medo?
02:07O que aconteceu com ele?
02:08Ah, aconteceu. Eu estive dormindo, aí chequear, assim, entendeu?
02:12Pra você, o que poderia ser feito pra melhorar a vida de quem vive na rua?
02:20Primeiramente, o trabalho, né?
02:22No trabalho?
02:23Tem mais espaços como mesmo?
02:25Isso.
02:27Você pode nos falar por que você foi pra rua?
02:32Primeiro, desaviso com a minha família.
02:34Com a minha mãe, entendeu?
02:35E outra também...
02:38É...
02:40É muitas coisas que a minha família, entendeu?
02:44Porque ela, primeiramente, prefere o marido dele do que o filho, entendeu?
02:51Então, isso mexe com a minha cabeça.
02:53Você tem vontade de sair daqui?
02:55Tenho.
02:57Qual é o seu sonho?
02:58O meu sonho tem muitas coisas de volta, tudo de novo, entendeu?
03:02E outra vida.
03:03O senhor vive na rua há quantos anos?
03:05Ah, desde cinco anos.
03:07Desde cinco anos?
03:08Desde cinco anos.
03:09É...
03:09Aqui em Galém, o senhor fica em...
03:11O que faz?
03:12Não faz.
03:13Outro, os sombrais, nadaré, doca, frente e bar.
03:18O senhor dorme onde, por exemplo, assim?
03:20Debaixo de uma marquise?
03:21Onde dá?
03:22É, pra dormir, a gente dorme.
03:24Quais são as dificuldades que o senhor enfrenta na rua, por exemplo?
03:27Assim, o que é que o senhor mais...
03:30É mais difícil pro senhor?
03:32O que é mais difícil é a droga.
03:37A gente tem que enfrentar a desigualdade de sanidade.
03:40E quando o senhor tá na rua, o senhor já sofreu violência?
03:44Alguém já agrediu o senhor?
03:46Já roubou o senhor?
03:48Como é que o senhor faz pra se defender na rua?
03:50Pra ninguém chegar, mexer com o senhor, fazer qualquer coisa?
03:53O que vai é saber o respeito, né?
03:58O senhor fica no seu canto, não mexe com ninguém.
04:03Como é que o senhor faz pra se alimentar?
04:05Quanto é que o senhor precisa se alimentar?
04:07A gente vai, pede nas casas, pede o saíro, nos gastos, faz um tranco ali, ali.
04:13E aí vai safado, né?
04:14Safado.
04:15O senhor foi pra rua por quê?
04:18O senhor tem vontade de sair da rua?
04:35Tem.
04:37Qual é o seu sonho, por exemplo?
04:40Tem a sua casa, né?
04:44É muito difícil viver na rua?
04:46É difícil.
04:48Tem a sua casa ali, eu não sei.
04:52Você acha que deveria ter mais lugares como esse pra acolher mais pessoas?
04:55Sim, sim.
04:57Não tem problema.
04:59Graças a Deus ainda tem muito por aí que ajuda.
05:02Tem centro-corpo, tem as inúteis.
05:06São ajudantes.
05:07Ainda bem que tem muita gente pra ajudar.
05:09É.
05:10A gente tem 20 situações de rua...
05:12Sim, é quatro meses.
05:13Quatro meses.
05:14Quais são as dificuldades que vocês enfrentam?
05:16Ah, a dificuldade que nós enfrentamos hoje é uma melhor colocação de comida, uma refeição,
05:22porque a gente tá buscando melhor.
05:28Muitas oportunidades faltam.
05:29Tá?
05:30Ou umas tem, umas tem, umas tem, outras não tem.
05:33Mas hoje a gente vive numa situação meio difícil.
05:36A casa da rua é uma casa que ajuda a gente, como centro próprio, a tomar um café da manhã, um almoço.
05:42Geralmente, em locais da rua você fica.
05:46A gente fica, geralmente, eu fico aqui na Avenida de Vargas.
05:49Por exemplo, o que é importante com as pessoas?
05:51A pessoa que tá em situação de rua, ela não tá oferecendo o período pra ninguém.
05:54Ela só tem onde ficar e fica ali na rua.
05:56Exatamente.
05:57Tem, não pode generalizar.
06:01Tem pessoas na rua que são pessoas que vieram da rua, que obrigam por família, uma discussão dentro de casa, uma separação, alguma coisa que aconteceu.
06:12E outras situações que tudo tem que ser averiguado.
06:16A polícia não pode chegar lá e fazer uma investigação sem ter uma espalda de quem é quem.
06:25Se é bandido, se não é.
06:27Sim, pra uma separação, gotinha que aconteceu, vim chegar na rua, cair.
06:34E hoje tô aí.
06:36Lutando pra sair dessa situação?
06:38Sim, lutando também.
06:40Então hoje essa casa aqui apoia a gente, a gente tá aqui, ó.
06:44Lutando, entendeu?
06:45Lutando.
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