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  • há 13 horas
Autor da histórica CPI da Pedofilia no Pará, o ex-deputado federal, em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, aponta a existência de uma rede de proteção institucional no Pará, critica o ‘sequestro’ do orçamento público e defende a punição dos criminosos como ferramenta de prevenção.

REPÓRTER: Gabriel da Mota
GRAVAÇÃO: Natália Benmuyal

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Transcrição
00:00Olá pra você ligado no YouTube de O Liberal, eu sou o Gabriel da Mota e hoje eu recebo aqui no estúdio o ex-deputado federal Arnaldo Jordi,
00:07presidente do Cidadania no Pará e uma das vozes mais atuantes no Congresso Brasileiro sobre a proteção da infância e juventude,
00:15tendo presidido a CPI que investigou redes de exploração sexual no país.
00:20Deputado, muito obrigado pela sua presença aqui na frente.
00:21Eu que agradeço ao Grupo Liberal pelo convite, é uma honra sempre ajudar a esclarecer um tema tão caro
00:28para a sociedade brasileira ainda nos dias de hoje.
00:32Eu queria começar falando um pouco sobre como é a estrutura do abuso e um pouco da resposta do Estado a esse crime.
00:40Os dados mostram que a maioria dos casos de abuso ocorre dentro de casa,
00:45feito por pessoas em quem a criança ou adolescente confia, né?
00:48Isso.
00:49Diante disso, o senhor acha que as leis, a atuação do Estado hoje já consegue chegar, consegue chegar melhor
00:55nesse território que é privado, dentro de casa, dentro da família?
00:59Olha, eu acho que já nós avançamos alguma coisa, mas o tamanho da tragédia é muito maior de qualquer comemoração de sucesso ainda que haja.
01:10Nós tivemos a oportunidade de fazer essa CPI aqui no Estado do Pará, eu fui o autor e o relator dessa CPI,
01:19e só o fato de instituir esta CPI para apurar crimes praticados contra crianças e adolescentes,
01:29e na minha opinião esse é o crime mais hediondo que tem, porque é praticado contra crianças indefesas,
01:35muitas vezes que não tem sequer a consciência de que estão sendo vítimas de crime,
01:40porque as histórias que são contadas são histórias muito bem construídas dentro da lógica do agressor, do criminoso,
01:49e muitas vezes a criança acha que isso é normal, que isso é uma coisa que...
01:54E muitas vezes ela é vítima da tortura psicológica, porque o abusador ameaça matar a criança, a mãe, etc, etc, etc.
02:05Então a criança não tem estrutura, muitas vezes nem a pessoa adulta tem estrutura para suportar
02:10tanto constrangimento psicológico, muito menos uma criança.
02:16Então o que é que nós encontramos na investigação que foi feita?
02:20Nós percorremos o Estado todo fazendo audiências públicas e recolhendo depoimentos de conselheiros tutelares,
02:27de CREAS, de CREAS, de delegados de polícia, enfim, dos agentes da rede de proteção.
02:35E nós chegamos ao número inacreditável, muito mais espantoso do que a gente tinha de imaginação.
02:44Nós chegamos de 2005 a 2009, que era o período autorizado para fazer essa investigação,
02:51no tempo, nós chegamos a quase 100 mil casos de abuso e exploração de crianças e adolescentes em cinco anos.
02:59Ou seja, uma média de 20 mil casos por ano.
03:03Nós não tínhamos ideia disso.
03:05Aí o que é que a gente foi tentar investigar?
03:08Por que esse crime era invisível praticamente?
03:12Porque era praticado, 72% dos casos são praticados dentro da família,
03:20por pai biológico, por padrasto, por avô, por tio, etc, etc, etc.
03:25E é muito difícil uma criança denunciar um crime praticado desta natureza
03:35num ambiente que não tem testemunha, não tem flagrante, ninguém vê, é diferente.
03:39Você dá uma bofetada ou agredir alguém, ou dar um tiro em alguém, ou assaltar uma casa,
03:45isso é a luz do dia.
03:47Esse crime é entre quatro paredes.
03:48E, portanto, a subnotificação, a ausência de notificação desses casos
03:55era infinitamente maior do que qualquer outro caso,
03:59mesmo de feminicídio, de agressão contra a mulher, contra...
04:02Enfim, porque era praticamente impossível uma criança.
04:06E, muitas vezes, a mãe que tinha conhecimento daquele caso
04:09também se recolhia porque ela se achava desempoderada para enfrentar,
04:15porque essa mulher, muitas vezes, era mulher daquele cara com quem ela tinha uma relação,
04:23era o único grupo social, ela tinha uma dependência afetiva,
04:28ela tinha uma dependência social e tinha uma dependência financeira,
04:33porque o algoz, o criminoso era que bancava tudo.
04:37Então, como é que ele ia denunciar isso?
04:40E depois, quando ela procurava o Estado para se socorrer,
04:43não tinha um psicólogo, não tinha um delegado,
04:46não tinha um abrigo, inclusive, para acolher essa criança e etc., etc.
04:51Então, não era uma coisa fácil fazer essa coisa.
04:54Nós, a partir da CPI, esse problema destampou, veio à tona.
05:00Por quê?
05:01Porque a gente, além de pegar o bagrinho, o lavrador, o pescador,
05:06o trabalhador da agricultura, o pedreiro,
05:09nós começamos a pegar juiz, delegado, deputado, vereador, prefeito,
05:20irmão de governadora, ou seja,
05:23a elite começou a ir para o banco de réus.
05:28E aí isso, digamos assim, empoderou a CPI,
05:32porque as pessoas começaram a acreditar
05:34de que não era brincadeira o que a gente estava fazendo.
05:37Professor, policial, padre, pastor,
05:40isso tudo foi investigado pela CPI.
05:43Nós não tínhamos, e aí uma resposta que você perguntava antes,
05:48qual era o perfil deste agressor?
05:49Não tem perfil.
05:51É pobre, é rico, é pastor, é evangélico, é cristão, é ateu,
05:56ou seja, não há uma característica específica para este abusador,
06:03para esse criminoso.
06:05Só para você ter uma ideia,
06:0720% dos casos que nós investigamos,
06:09desses quase 100 mil,
06:12foram praticados contra crianças de zero a seis anos,
06:17que também foi uma outra coisa que nos assustou profundamente.
06:22Nós fomos a visitar uma criança na Santa Casa
06:24que tinha um ano e três meses,
06:26que foi vítima de estupro.
06:28E sabe lá como essa criança sobreviveu
06:32às cirurgias de recomposição dos seus órgãos reprodutivos,
06:38genitais, etc.
06:39Então, é uma coisa monstruosa demais.
06:43Outra coisa,
06:46essas crianças,
06:48o trauma que essas crianças recebem
06:51é praticamente definitivo.
06:52às vezes pode ser amenizado com terapia,
06:55com psicólogo,
06:57mas eliminar uma criança que é vítima de um trauma
07:01e os sintomas são muito visíveis.
07:04Tem estudos aí, fartos,
07:06evidenciando isso,
07:07a perda da cognição,
07:09a perda da sociabilidade,
07:11a retração para se aproximar
07:14no sexo oposto,
07:16no caso as meninas,
07:17em relação aos homens,
07:18porque aquela imagem do carrasco
07:22fica definitivamente.
07:23quer dizer, então é uma série de situações
07:27que são decorrentes desse trauma profundo
07:30que essas crianças sofrem em relação a isso.
07:34Então, eu diria que depois da CPI,
07:37que essa coisa estampou,
07:40as coisas começaram a melhorar.
07:42Então, por exemplo,
07:43eu falava para você que de 2005 a 2009
07:46foram quase 100 mil casos.
07:49Foram só notificados 36 mil,
07:52mas a literatura diz que para cada caso notificado
07:55tem pelo menos 3 ou 4 não notificados.
07:58Então, se você multiplicar 36 vezes 3 ou vezes 4,
08:03vai dar mais de 100 mil.
08:05Então, assim,
08:06depois nós fizemos um levantamento
08:08de 2017 a 2022,
08:115 anos também.
08:13A mesma metodologia.
08:15Isso reduziu bastante,
08:16quase a metade,
08:17para 47 mil dos 100 mil anteriores,
08:20mais ou menos 47,
08:21metade do porcento.
08:23O que é que produziu essa melhoria,
08:25digamos assim?
08:27É porque depois da CPI,
08:28o que é que nós fizemos?
08:29Nós equipamos todos os conselheiros tutelares do Pará,
08:34os 165,
08:35através de emenda parlamentar,
08:37quando eu era,
08:37foi um compromisso que eu assumi
08:39da gente equipar todos os conselhos tutelares,
08:43com carro, computador,
08:45refrigerador,
08:47ar-condicionado,
08:49impressora,
08:51onde tinha que ser carro era carro,
08:53onde tinha que ser barco era barco.
08:56Enfim, nós equipamos,
08:57empoderamos o conselho.
08:58Nós criamos outras,
09:00por pressão da opinião pública,
09:02várias varas de infância novas,
09:04que eram muito reduzidas.
09:06Depois, nós conseguimos ampliar o Propaz,
09:09que só funcionava na Santa Casa,
09:10em Belém,
09:12e nós conseguimos botar o Propaz em 17 municípios,
09:16nos polos regionais.
09:17Nós empoderamos os CREAs,
09:20os CRAs,
09:21nós criamos a rede de proteção,
09:24que envolve CREAs,
09:25CRAs,
09:26Conselho Tutelar,
09:27Ministério Público,
09:29Delegacia de Polícia,
09:30e Poder Judiciário,
09:32para que essa rede pudesse dialogar um pouco mais
09:35e ter um pouco mais de eficácia
09:36no enfrentamento desses crimes.
09:39Mas tudo isso foram avanços visíveis,
09:43mas a impunidade e os problemas
09:46ainda continuam gravíssimos.
09:49Deputado, em termos técnicos,
09:51a pedofilia é classificada como um transtorno,
09:53né, psíquico.
09:54Mas nem todo abusador tem um transtorno,
09:57e nem todo mundo que tem um transtorno
09:58chega a ser um abusador.
09:59Na sua experiência de investigação sobre esse assunto,
10:02o que o senhor acha que pesa mais?
10:03O que o senhor viu que pesa mais?
10:05Uma falha moral,
10:06desvio psíquico,
10:08a cultura?
10:09Tudo isso.
10:10Tudo isso concorre para isso.
10:12Quer dizer, apesar de ter um diagnóstico terapêutico,
10:17como você disse,
10:18mas isso está cravado no ordenamento jurídico
10:21como crime no Código Penal.
10:23E na época a legislação era bem menos gravosa,
10:30era mais atenuada.
10:31Agora, de lá para cá,
10:33muita coisa avançou.
10:35Esse crime para menor de 14 passou a ser de ondo,
10:40ou seja, não tem fiança,
10:42não tem, que é um atenuante para vários outros crimes,
10:46agora não tem a crime de ondo,
10:49o crime de abuso.
10:51O estupro, na época, tinha que ter conjunção carnal ou anal,
10:59vaginal ou anal,
11:01para caracterizar o estupro,
11:03agora não.
11:04Se você manipular o seio de uma criança de 10, 12 anos,
11:08é estupro.
11:10Se você tocar nas partes íntimas de uma criança,
11:13ainda que não tenha penetração de qualquer natureza,
11:17é estupro.
11:19Quer dizer, evoluiu.
11:21Antigamente, o crime era proscrito a partir do crime ocorrido.
11:32Nós mudamos a lei, eu era deputado e ajudei a mudar,
11:36ou seja, o crime agora é a partir da notificação do episódio,
11:42aquele que chamou, foi conhecida como lei,
11:45Joana Maranhão,
11:47porque a Joana Maranhão, depois, quando isso veio à tona,
11:51ela resolveu dizer que tinha sido estuprada
11:53pelo técnico quando ela era criança.
11:57E quando, pela legislação anterior,
12:01já tinha prescrito,
12:02porque ela ficou muito tempo sem fazer a denúncia,
12:05então já tinha prescrito.
12:06Agora, nós mudamos a legislação,
12:08na época, em 2016,
12:11em 2014, 2015.
12:14Nós mudamos.
12:15A legislação agora é da data da notificação
12:20de que o crime ocorreu.
12:22Que pode ocorrer anos.
12:23Dez anos depois,
12:25a moça faz uma denúncia com provas,
12:28com elementos,
12:28não pode apenas dizer,
12:30porque senão tem que ter comprovação,
12:33tem que ter testemunha,
12:34tem que ter todo um circunstanciamento
12:36para que ninguém seja acusado injustamente,
12:40mas a partir daquela denúncia
12:43é que vai, abre o processo
12:45e vai valer a prescrição
12:47e não do fato em si.
12:48Então, isso foi,
12:49eu estou citando algumas
12:51dos diversos avanços que o Código Penal avançou
12:59no próprio ECA,
13:01no Estatuto da Criança e do Adolescente,
13:02no Código Penal.
13:03Mas, por exemplo,
13:04você falou,
13:06é uma característica psicopata,
13:12é um desvio moral,
13:14é tudo isso.
13:17É uma questão cultural,
13:19porque você diz,
13:19ah, isso aí é normal,
13:20isso é assim mesmo.
13:21Nós tivemos vários depoimentos na CPI
13:24que uma senhora de 68 anos
13:26disse, olha,
13:28eu fui abusada,
13:31depois de chorar muito
13:33e pela primeira vez fazer esse depoimento,
13:36uma senhora aqui de classe média,
13:38conhecida,
13:39foi funcionária do BASA,
13:42enfim,
13:43uma pessoa de classe média,
13:44instruída,
13:45e ela confessou
13:47que tinha sido abusada
13:49e a mãe dela
13:51tinha sido abusada
13:52e a filha,
13:54a sobrinha dela
13:55tinha sido abusada.
13:56Ou seja,
13:56era um crime
13:59que estava recorrentemente
14:02sendo praticado
14:03naquela cadeia familiar
14:04como uma coisa comum,
14:06natural,
14:07eu nunca aceitei esse conceito
14:09de que natural,
14:10não pode ser natural
14:11um negócio desse,
14:12mas comum era muitas vezes,
14:14era comum.
14:15Então,
14:16e é um processo também cultural
14:18de você destituir
14:20esta coisa chamada comum
14:23e dizer que isso é crime,
14:25que viola,
14:26da minha opinião,
14:27o mais grave crime
14:28praticado contra um ser humano.
14:31Esse abuso
14:33e a exploração sexual de crianças.
14:34não pode ser atenuado,
14:39na minha opinião.
14:40Tem casos tipicamente patológicos.
14:43Eu vou dar um exemplo,
14:44lá em Marituba,
14:45um rapaz que já tinha sido preso,
14:47inclusive,
14:47por esse tipo de crime,
14:49foi solto
14:50e depois
14:51continuou praticando
14:52e ele se apaixonou
14:54por uma menina nova
14:56que ele tinha abusado,
14:57a menina engravidou,
14:59ele começou a gostar da menina
15:00e ter sentimentos
15:03pela criança
15:04que ainda não tinha sido nascida
15:06e ele dizia
15:07eu lamento
15:08que eu não vou poder conviver
15:09muito tempo
15:09com a minha filha
15:10que vai nascer
15:11porque eu corro o risco
15:13de abusá-la.
15:14Ele dizendo isso
15:15no auditório lotado
15:18da Câmara Municipal
15:18da Câmara Municipal
15:20de Marituba,
15:21o delegado presente,
15:22o juiz ali,
15:23eu aqui,
15:24a CPI
15:25e ele dando esse depoimento
15:26de cabeça baixa,
15:28constrangido
15:28e dizendo
15:29me ajudem
15:30porque eu preciso de ajuda,
15:31eu não vou conseguir conviver
15:33com a minha filha
15:34porque eu corro o risco
15:36de um impulso
15:37eu abusá-la.
15:39Então,
15:40ele pedia até,
15:41eu já soube
15:42que tem uma castração química
15:44em alguns países,
15:45se eu puder
15:46ser alcançado
15:51por esse tratamento
15:52da castração química,
15:57eu gostaria
15:58para poder ter convívio
15:59com...
15:59Quer dizer,
16:00um sujeito desse
16:00está precisando de ajuda,
16:02independente do crime
16:04que ele praticou,
16:05ele precisa
16:06de uma ajuda terapêutica
16:07para tentar encontrar
16:09uma solução
16:10porque senão
16:10ele vai continuar
16:11praticando o crime
16:12por um distúrbio
16:14orgânico
16:16e mental, etc.
16:18Deputado,
16:18vamos falar um pouquinho
16:19mais sobre o poder econômico.
16:21Recentemente,
16:22a gente teve
16:22um exemplo
16:23do caso
16:23Jeffrey Epstein
16:24que chocou o mundo
16:25mostrando como
16:27a elite financeira
16:28cria redes de abuso
16:29quase intocáveis.
16:32No Brasil,
16:34durante a sua atuação,
16:35o senhor já sentiu
16:36pressões
16:36para que investigações
16:38a respeito
16:39de figuras
16:40poderosas
16:41de poder econômico
16:42não avançassem?
16:44Que a investigação...
16:45Mas não tenha dúvida.
16:46Esse crime,
16:48via de regra,
16:49ele é um crime
16:51que envolve
16:52a estrutura
16:54de poder local.
16:56Não tenha dúvida,
16:57porque é uma visão
16:58muito romântica,
16:59muito ingênua,
17:00quem acha que não.
17:02Ah,
17:02acontece entre duas pessoas.
17:04Não,
17:04a floresta
17:04precisa ser analisada.
17:06Vamos pegar o caso...
17:08Nós,
17:08na CPI,
17:09nós indiciamos
17:1055
17:11casos.
17:14Tinham muito mais,
17:15tinham centenas
17:17no plural,
17:17mas a gente não podia
17:18fazer um relatório
17:19de 3 mil páginas.
17:23Não tínhamos que fazer
17:23uma coisa
17:24e escolhemos
17:25os casos mais
17:26como exemplo.
17:28E depois o resto
17:28nós encaminhamos
17:29para as autoridades competentes,
17:31Ministério Público,
17:32Poder Judiciário
17:33e Poder Civil,
17:35Polícia Civil,
17:37para que a investigação
17:38acontecesse
17:41e as punições
17:42fossem feitas.
17:43Muito bem,
17:44mas esses 55 casos,
17:4752
17:48foram condenados.
17:51Um se suicidou
17:53antes de cumprir a pena
17:54e
17:56um foi assassinado,
17:59eu acho até que
18:00pela parte da vítima,
18:02que o cara me ligou
18:03depois e disse
18:03doutor,
18:04tire da relação
18:05aí,
18:05porque eu já resolvi
18:06o problema.
18:09O pai
18:09biológico
18:10fez vingança.
18:13E
18:14três casos
18:15ficaram impunos
18:16até hoje.
18:19Um
18:19que se evadiu,
18:20o outro
18:20não sei,
18:21e um desses casos
18:22é do deputado,
18:24Luiz Afonso
18:24foi condenado
18:27em 2009,
18:29pena máxima,
18:31com todos
18:31os agravantes
18:33previstos
18:34no Código Penal
18:35e no Código
18:35de Processo Penal,
18:39médico,
18:42rico,
18:42eu diria
18:43milionário,
18:44e que até
18:46hoje
18:47está
18:48impune.
18:5026
18:51anos,
18:5216 anos
18:53depois,
18:54isso foi em 2009,
18:572019,
19:0125,
19:0316 anos
19:05impune.
19:07Um processo
19:07que já foi
19:08condenado
19:09em primeira instância,
19:10já foi condenado
19:11em segunda instância,
19:12já foi condenado
19:14no STJ
19:15por unanimidade,
19:17ou seja,
19:17está transitado
19:18e julgado,
19:19não há,
19:20não cabe mais
19:21recurso nenhum
19:22previsto
19:23no Código Penal,
19:24no Código
19:25do Processo Penal,
19:26e esse cidadão
19:27está aí,
19:28solto.
19:29Eu digo
19:30muito à vontade,
19:31eu não tenho nada
19:31pessoal contra ninguém,
19:32mas isso
19:33é de conhecimento
19:34público.
19:36Quando nós
19:36chegamos na CPI,
19:38o caso
19:39do deputado
19:40Cefé
19:40já estava
19:41concluído,
19:42inquérito
19:42apurado,
19:44sentença
19:45decretada,
19:47nós fizemos
19:47só acompanhar,
19:49nós não fomos
19:49autores
19:50da denúncia,
19:51mas não pode,
19:53porque os outros
19:54todos
19:55estão pagando
19:56pena,
19:56já pagaram
19:57alguns até,
19:58pegaram pena.
19:59É o caso
20:00do deputado,
20:01isso tem a influência
20:02do poder econômico,
20:03mas eu não tenho
20:04dúvidas
20:04nenhuma.
20:07Neste caso,
20:08o Tribunal
20:08de Justiça,
20:09com honrosas
20:10exceções,
20:11que existem
20:12pessoas muito
20:13sérias no Tribunal
20:13de Justiça,
20:14juízes,
20:15desembargadores,
20:16que honram
20:17a toga,
20:18mas uma parte
20:19desse Tribunal
20:19de Justiça
20:20é velhaco,
20:22é velhaco,
20:24é motivado
20:26por outros
20:27interesses,
20:28que não estão
20:31previstos
20:32no Código
20:33da Magistratura,
20:34na Lei
20:35da Magistratura.
20:36Isso mudou,
20:37melhorou
20:37nos últimos anos?
20:39Melhorou
20:40uma parte
20:40por conta
20:41da pressão
20:41da opinião
20:43pública,
20:44não tenha dúvida,
20:45só para lhe dar
20:45um dado
20:46para,
20:48isso está
20:48na CPI,
20:50de 2009
20:51a 2005,
20:52a 2005
20:54a 2009,
20:56nesses
20:56cinco anos,
20:57nós tivemos
20:5817 casos
21:02de sentença
21:04de condenação
21:04de estupro
21:06de menor
21:06vulnerável,
21:07menos de 14 anos,
21:0817 casos
21:09em cinco anos,
21:11dá uma média
21:11de 3,5
21:12casos por ano.
21:15Só em 2010,
21:17que foi o ano
21:18final da CPI,
21:19tiveram 93 casos
21:22de sentença.
21:24Um ano,
21:2593,
21:26em cinco anos,
21:2817.
21:29Os mesmos,
21:30o mesmo tribunal,
21:31os mesmos desembargadores,
21:33os mesmos servidores.
21:36O que é que mudou?
21:37Qual foi?
21:38Quem operou
21:38esse milagre?
21:40Opinião pública.
21:41E aqui eu quero reputar
21:42a importância
21:44dos órgãos
21:45de comunicação
21:45que muitas vezes
21:47silenciam
21:48diante de coisas
21:50graves,
21:51de domínio público,
21:52de interesse público,
21:54porque aqui
21:55nós estamos
21:55numa emissora,
21:57tem outras por aí,
21:58que são concessões públicas,
22:01tem obrigação
22:02de divulgar.
22:04Claro,
22:04não vamos ser ingênuos,
22:05às vezes você divulga
22:06com mais entusiasmo,
22:08com menos entusiasmo,
22:09um registro mais,
22:11com uma cobertura maior,
22:12menor,
22:12isso faz parte
22:13do estilo editorial,
22:16redacional
22:17de cada órgão,
22:18mas não pode
22:19omitir a informação,
22:22que é,
22:23muitas vezes,
22:24de domínio público.
22:26Felizmente,
22:27você tem rede social
22:28hoje que atenua
22:29um pouco
22:29este silêncio,
22:31às vezes,
22:32ensurdecedor
22:33de alguns órgãos
22:34de comunicação.
22:35mas a opinião pública
22:40é fundamental
22:42e foi fundamental
22:43para que esses 93 casos
22:46em um ano
22:47pudessem ser sentenciados,
22:49porque todo mundo
22:50queria ficar bem na foto,
22:52diante da repercussão
22:53que só matérias nacionais
22:56do Cabrini,
22:57do Fantástico,
22:58da Rede Globo
22:59e, principalmente,
23:01foram dezenas
23:02noticiando
23:03reportagens especiais,
23:06Globo Repórter,
23:07eu me lembro
23:08que veio aqui,
23:09teve uns dois Globo Repórter
23:10só envolvendo
23:11com o negócio
23:11de pedofilia,
23:13principalmente no Marajó,
23:14não é?
23:15Então, assim,
23:16você tem razão,
23:17a informação,
23:19os órgãos de comunicação
23:21são absolutamente
23:22importantes,
23:23imprescindíveis nisso.
23:24e o caso do Cefé,
23:27nós estamos aqui
23:28fazendo um,
23:29talvez agora,
23:31eu queria aqui
23:31aproveitar
23:32a audiência do liberal
23:34para fazer uma homenagem
23:37a duas figuras,
23:38inclusive uma que faleceu
23:39há dez dias atrás,
23:41a irmã Enriqueta Cavalcantes,
23:43que era uma sacerdotisa
23:46dessa causa,
23:47uma mulher que dedicou
23:49a vida inteira
23:49na proteção,
23:51na defesa
23:51das crianças e adolescentes,
23:53o Dom José Ascona,
23:54que era o Bispo Emérito
23:55de Marajó também,
23:57ambos amigos nossos
23:58que eram batalhadores
24:00e sempre inconformados
24:02com essas tragédias,
24:04e eu quero fazer uma homenagem
24:07em nome dessas duas pessoas,
24:09em nome deles dois,
24:10uma dezena de outras pessoas
24:12que lutam por essa causa,
24:15para que dizem o seguinte,
24:17o que tem funcionado basicamente
24:19é a mobilização da opinião pública.
24:20e o objetivo nosso agora,
24:24neste ano,
24:25é procurar as autoridades,
24:26o CNJ e o SDJ,
24:31para que a gente possa dar um...
24:32Esse é um caso inédito,
24:34único,
24:36na justiça brasileira,
24:40na justiça paraense,
24:42porque teve um desembargador
24:45recém-nomeado pelo governador do Estado,
24:47que foi lá praticamente com este propósito,
24:50pediu um visto para tentar inocentar
24:53o CFE depois do caso ter transitado e julgado.
24:57Tanto que o corregedor do CNJ
25:01veio aqui,
25:02deu um pito,
25:03deu um puxão de orelha em todos eles,
25:05e eles revogaram isso.
25:07Mas se não fosse isso,
25:08eles iam ter a ousadia.
25:09Vejam,
25:10desembargadores
25:11e desembargadoras,
25:13pessoas que deviam aqui estar zelando
25:15pelo cumprimento da lei,
25:17num caso que a gente considera idondo.
25:20E parte desses desembargadores,
25:23repito,
25:24com as honrosas exceções,
25:26se submetem a este papelão
25:29de rasgar a toga
25:32e o ordenamento jurídico
25:35a quem eles juraram
25:36fazer cumprimento,
25:38a Constituição inclusive,
25:40para passar.
25:41É uma vergonha
25:41esse Tribunal de Justiça,
25:43repito,
25:43com as honrosas exceções.
25:44E agora,
25:45vamos ter que recorrer
25:46ao CNJ
25:47e ao STJ
25:48para tentar ver
25:49se diz,
25:50olha,
25:50o que vai acontecer?
25:51Não tem mais o que vai acontecer,
25:52já foi condenado
25:53primeira,
25:53segunda e terceira instância.
25:55No STJ,
25:56por unanimidade.
25:58Por que que não
25:59cumpre pena?
26:00Ou seja,
26:03a justiça é cega,
26:04e muitas vezes sim.
26:08Pesa o dinheiro?
26:10Pesa o dinheiro
26:11e muitas vezes sim.
26:13Está melhorando?
26:14Pode ser que esteja melhorando,
26:15mas ainda estamos longe
26:16de ter uma condição ideal
26:19nessa situação.
26:20Deputado,
26:21uma outra coisa
26:21que pesa também na Amazônia,
26:23que tem a ver com a economia,
26:25é a questão das famílias,
26:26das crianças que vêm do interior
26:28para ficar na casa de família.
26:29A gente sabe que isso é uma cultura
26:30muito antiga aqui no Estado.
26:33Existe alguma lei,
26:34houve alguma mudança na lei
26:35para impedir esse tipo de prática?
26:38Ou essa prática diminuiu
26:39por conta da pressão pública?
26:41A cultura das pessoas mudou?
26:43De a forma de pensar?
26:43Como é que está isso hoje?
26:44Não,
26:45diminuiu em grande parte,
26:47eu diria por
26:47dois ou três fatores.
26:49Primeiro,
26:50antigamente,
26:51só tinha colégio
26:52praticamente na capital,
26:54ou em alguma cidade importante
26:56regional.
26:58Santarém,
27:01além de Belém,
27:02Marabá é uma cidade mais recente,
27:05mas Bragança,
27:06por causa da igreja,
27:07dos padres,
27:09Cametá,
27:10por conta da igreja,
27:11isso tudo era a incursão
27:12das ordens cristãs e religiosas
27:16que se instalavam.
27:19Nós estamos falando lá
27:20do século XIX,
27:22do século II,
27:22a metade do século XVIII,
27:24etc.
27:24E era muito comum
27:26as famílias
27:28que queriam ter acesso
27:30a uma condição de vida,
27:33não era nem estudo,
27:35às vezes era se alimentar,
27:37arranjar uma casa
27:38de classe média
27:41para servir de empregada,
27:43porque aí você,
27:43às vezes,
27:44precisava para dormir,
27:45arranjava,
27:46botava num quartinho lá,
27:47escondido,
27:48geralmente pessoas negras,
27:51botava lá
27:52naquela condição humilhante,
27:54mas muitas vezes para eles
27:56essa consciência da humilhação
27:58não existia,
27:59porque aquilo era festejado
28:01como se fosse um passaporte,
28:03uma carta de euforia
28:05para poder se alimentar,
28:06porque ter padrões de higiene
28:08condizentes, etc.,
28:11e ter, às vezes,
28:11oportunidade de fazer
28:13um mobral para se estudar,
28:14etc.
28:15Então,
28:15esse fluxo migratório
28:17para as grandes cidades,
28:19eu diria que o principal fator
28:21era esse.
28:22além disso,
28:24o fato de você ter acesso
28:26a praças,
28:28a cinema,
28:29que era uma coisa rara,
28:30ou seja,
28:30coisas normais.
28:32Como o Estado
28:34foi diversificando
28:36e essas políticas públicas
28:38começaram a ser
28:39um pouco mais universais,
28:40inclusive o acesso à educação,
28:42esse fluxo reduziu,
28:44porque você podia
28:46satisfazer as suas necessidades
28:49materiais básicas
28:50sem se deslocar
28:51para a capital.
28:52Então,
28:52isso reduziu.
28:54E depois,
28:54as outras evoluções
28:55de vacina,
28:56de saúde,
28:58etc.,
28:58e tal.
28:59Mas ainda existe isso.
29:00O caso do Sefer
29:01foi um caso desse.
29:02Uma menina que saiu
29:03aos nove anos de idade,
29:06era criada pela avó,
29:08pobre,
29:09paupérrima,
29:10e quando surgiu
29:11a oportunidade
29:12de trazer
29:13essa criança
29:14para a cidade,
29:15a avó disse,
29:16pô,
29:16é Deus que mandou
29:18essa oportunidade.
29:22Agradece logo a Deus,
29:23porque achando
29:23que foi um prêmio
29:25que foi o acontecido.
29:28Ela era criada
29:30pela avó,
29:30a qualquer momento
29:34podia findar
29:36a sua vida,
29:37essa criança ia ficar com.
29:38Então,
29:39ela já era traumatizada,
29:41essa menina,
29:41porque ela viu
29:42a mãe ser assassinada,
29:45afacadas,
29:46e aí ficou desprotegida.
29:49Veio para a cidade
29:49a convite
29:51do deputado,
29:53a pretexto
29:53de que ela ia fazer
29:54companhia
29:55para a filha,
29:59só que a filha
30:00já tinha 16 anos,
30:03não tinha 10,
30:049,
30:05quer dizer,
30:06a gente começou
30:07a perceber
30:07que era alguma coisa
30:08estranha.
30:09Depois,
30:10a menina
30:10foi para o Rio de Janeiro
30:13com a mãe
30:14e ele ficou lá
30:16com o Sefé,
30:18dois filhos
30:19e essa menina
30:20e uma governanta
30:22chamando a Sandra.
30:23Então,
30:23aí, meu amigo,
30:24foi a farra do boi,
30:26digamos assim,
30:27tragicamente,
30:28dessa criança.
30:29Então,
30:30eu quero dizer
30:32que a investigação
30:33que chegou
30:34a essa conclusão
30:34foi uma investigação
30:35rigorosa.
30:37Não foi à toa
30:37que todos os fóruns
30:38condenaram
30:39esse rapaz.
30:40Mas, infelizmente,
30:41repito,
30:42como disse alguém,
30:44não sei se foi
30:44um comentário
30:45de alguém,
30:46disse assim,
30:46só falta
30:47encontrar essa moça
30:49que está lá em Goiás,
30:50já mudou de nome,
30:51já está casada,
30:52já constituiu filha,
30:53depois encontrar ela
30:54para prender ela aqui
30:56como culpada.
30:58Só falta isso,
30:59diante dessa
31:00negligência criminosa
31:04de boa parte
31:06do Tribunal de Justiça
31:07que não cumpre
31:08a decisão,
31:09a dosimetria
31:10e do silêncio
31:12de parte
31:14da opinião pública
31:15em relação a isso.
31:17O senhor falou
31:17que não existe
31:18um perfil específico
31:19do agressor,
31:21mas a gente vê
31:21que quase todos
31:22são homens.
31:24Sim.
31:24E aí a gente pode falar,
31:25pensar sobre uma cultura,
31:27de papéis de gênero
31:29e tudo mais.
31:29Com certeza.
31:30Por outro lado,
31:31a gente tem algumas resistências
31:32a debater no Congresso
31:34alguns termos,
31:34como educação sexual,
31:36por exemplo,
31:36que envolve outras questões
31:38de ordem ideológica
31:39e tudo mais.
31:41Como é que o senhor acha
31:42que é possível fazer isso?
31:44De que maneira é necessário
31:45fazer isso,
31:46fazer esse debate
31:46de maneira institucional,
31:48por exemplo,
31:49nas escolas,
31:50falar sobre educação sexual?
31:51Olha,
31:52deixa eu te dizer,
31:53Gabriel,
31:53tem três coisas,
31:55três vetores principais
31:57para enfrentar
31:59essa tragédia
32:00da pedofilia,
32:02ou seja,
32:02da exploração
32:03e do abuso sexual
32:04de crianças e adolescentes
32:05no Brasil
32:06e particularmente
32:07no Pará.
32:11Primeiro,
32:13punição.
32:16Sem isso,
32:17nós não vamos
32:17construir uma pedagogia
32:20para dizer o seguinte,
32:22se alguém fizer isso,
32:23vai punir.
32:26Porque eu conheço
32:27muita gente que diz assim,
32:28pô, Jodi,
32:29bacana o trabalho
32:29que vocês fizeram,
32:30foi fantástico,
32:32olha,
32:33o maior programa
32:34de proteção
32:35de crianças
32:36e adolescentes
32:37da história
32:37do Pará
32:38que
32:40deu vida
32:42para essas meninas
32:43sem a tragédia
32:44que foi a CPI
32:45de vocês.
32:47Basta o teu mandato
32:48pelo que vocês fizeram,
32:50já valia tudo,
32:51porque ninguém fez mais
32:53pela CPI,
32:54não fui eu só,
32:55foi um grupo
32:55de pessoas,
32:56deputados
32:56que fizeram um pacto
32:57de não
32:59vergar para ninguém.
33:04Então,
33:05a punição,
33:06ela tem um efeito
33:06pedagógico.
33:08Ah,
33:09mas punir,
33:09não resolve.
33:10Não, resolve.
33:10Nesse caso,
33:11resolve.
33:12Porque a pior coisa
33:13que pode acontecer,
33:14no interior principalmente,
33:16uma criança ser abusada
33:17aos nove anos
33:18por um cara bacana,
33:19um empresário,
33:20um professor,
33:21um policial,
33:22seja lá quem for,
33:24um pai,
33:24e não acontecer nada
33:27e depois
33:28essa criança
33:29está sofrendo
33:30a humilhação
33:31numa cidade pequena
33:34e dá uma passagem
33:35dando risada
33:36com quem diz,
33:37aqui comigo não pega
33:38nada e tal,
33:39ou seja,
33:40o efeito
33:40reprodutor
33:42é exatamente o inverso,
33:44que o que prevalece
33:45é a impunidade.
33:46Então,
33:46pode fazer
33:47que não vai pegar nada.
33:47punir é imprescindível.
33:52Senhores juízes,
33:54senhores delegados,
33:55senhores promotores
33:56de justiça,
33:57senhores conselheiros
33:58e conselheiras tutelares,
34:00é que tem mais feito
34:01por essa causa
34:02são conselheiros
34:03e conselheiras,
34:04mas tem que punir.
34:07Um dia desse,
34:08ano passado,
34:09em Cachoeira do Orari,
34:10um delegado cumpriu
34:11tudo a norma,
34:12pegou um flagrante,
34:13um empresário
34:15na casa
34:17com a criança
34:17ou com a menina,
34:19porque o conselheiro tutelar
34:20conseguiu
34:21diagnosticar a situação,
34:24ficaram acompanhando
34:25o caso
34:26durante muito tempo
34:27e na residência
34:28autorizaram,
34:29como deve ser feito
34:30a autoridade policial,
34:31foi feito o flagrante.
34:33O cara foi preso.
34:34Dois dias depois
34:35estava solto.
34:36Quem soltou a juíza?
34:39Quer dizer,
34:39foi dinheiro?
34:41Provavelmente.
34:43Provavelmente.
34:44Não posso dizer com certeza
34:45que eu não vi
34:46o ato da propina,
34:48mas provavelmente
34:48foi dinheiro,
34:49porque nada justifica.
34:50Um delegado
34:51orientado pelo
34:52conselho tutelar
34:53fizeram o flagrante,
34:54o cara era recorrente
34:55nesse caso,
34:55todo mundo sabe
34:56no município de Cachoeira,
34:58e aí soltam
35:00o emelhante.
35:02Dinheiro.
35:03Não tem que conversar,
35:04mano.
35:07Difícil não acreditar
35:08em outra versão.
35:09Então,
35:09isso acontece muito.
35:12Isso acontece muito.
35:13muito, né?
35:14Então,
35:15punição é o primeiro fator,
35:17na minha opinião.
35:18Segundo,
35:19estruturar a rede
35:21em condições
35:23para proteger a criança
35:25e harmonizar
35:28o diagnóstico de prevenção.
35:33Isso é fundamental.
35:35Os CRAS funcionando,
35:36os conselhos tutelares funcionando,
35:38delegacia tendo uma atenção especial,
35:41porque isso está dito na lei,
35:42não é por outra razão,
35:44está dito na lei.
35:45Dos crimes todos praticados
35:47contra o ser humano,
35:48o mais importante
35:48é contra a criança.
35:50Então,
35:50isso precisa ser
35:51valer.
35:51E o terceiro aspecto
35:53é o que você falou,
35:54é preventivo,
35:56é educação.
35:57Isso tem que frequentar,
35:59este debate tem que frequentar
36:00as escolas,
36:01os centros comunitários,
36:02os sindicatos,
36:03as igrejas,
36:05os templos evangélicos,
36:07as redações,
36:08todo mundo.
36:10Quebrar o tabu
36:11que você falou,
36:12é isso mesmo.
36:13Tem que quebrar o tabu.
36:14cada mãezinha,
36:15cada paizinho,
36:16cada avó,
36:17cada tio,
36:17cada tutor
36:19de uma criança
36:20tem que saber
36:21ao seu jeito,
36:23ao seu modo,
36:24dizer
36:25que aquelas partes
36:26íntimas
36:27não podem ser tocadas,
36:29que precisa ter cuidado
36:31com conversinha
36:31de amiguinho
36:33que chega junto.
36:34Ou seja,
36:34cada um ao seu jeito,
36:36com o seu código
36:37de cognição,
36:38tem que dizer isso,
36:39tem que prevenir
36:40esta criança,
36:41porque a criança não sabe.
36:43A criança é um ser
36:44de informação.
36:45Ele não sabe
36:46o que está certo,
36:46o que está errado.
36:48As pessoas,
36:49as crianças acreditam
36:50a priori,
36:50é todo mundo.
36:52Não tem malícia.
36:54Então,
36:54se isto não for ensinado,
36:56se este debate
36:56não for introduzido
36:59na consciência coletiva,
37:01nós vamos estar
37:02cada vez mais
37:03vulneráveis
37:05a essas práticas deletérias.
37:08E, por fim,
37:12nós temos que
37:13que o quarto
37:17fator
37:17é a mobilização
37:19da comunidade
37:20da opinião pública
37:21para denunciar
37:22essas coisas,
37:23para escandalizar,
37:25eu diria,
37:26essas coisas,
37:27porque,
37:27sem isso,
37:28a gente não vai
37:28ter sucesso.
37:31Deputado,
37:31com relação ao orçamento
37:32destinado para
37:33essas políticas,
37:35eu queria que o senhor
37:35comparasse o período
37:37que o senhor era deputado
37:38com agora.
37:38Melhorou?
37:39Ainda falta avançar?
37:40Falta distribuir
37:41mais recursos para isso?
37:43Olha só,
37:44falta muita coisa
37:47e houve muita mudança,
37:49por exemplo.
37:50Quando você fala
37:51em políticas públicas,
37:52que eu falei,
37:53melhorou o que era
37:54a estatística
37:56de 2005 a 2009,
37:58quase 100 mil casos,
37:59e agora,
38:00de 2017 a 2022,
38:02aliás,
38:052016 a 2021,
38:08perdão,
38:09eu falei errado
38:10outra vez,
38:112016 a 2021,
38:13cinco anos também,
38:14reduziu a metade,
38:15por quê?
38:16Porque houve
38:17mais investimento
38:18nessa política pública
38:21relacionada
38:22à proteção
38:22de crianças e adolescentes.
38:24O que foi isso?
38:25Aumentou
38:25os núcleos
38:27do Propaz,
38:28aumentou
38:29os equipamentos
38:31dos conselhos tutelares,
38:33aumentou
38:34o empoderamento
38:35do CRAS
38:36e dos CRES,
38:37da assistência social,
38:39para fazer
38:39o acompanhamento
38:40dessas vítimas
38:41e a prevenção,
38:43as varas
38:44da infância
38:45que foram criadas
38:46a partir daí,
38:47que foi uma pauta
38:47que a gente fez,
38:48os promotores
38:50do Marajó,
38:51os 16 promotores
38:52que não tinham,
38:53tinham 4 ou 5,
38:54aí o cara respondia
38:55por
38:55Portel,
38:57Cachoeira do Arari
38:58e Salvaterra.
39:00Ou seja,
39:01não funciona bem
39:02nenhum dos três.
39:03E se você tem noção
39:04de distância
39:05dessas coisas,
39:06como é que o cara
39:06vai dar conta?
39:07Então,
39:08uma das coisas
39:09que a gente foi lá
39:10com o procurador-geral
39:11e ele comprometeu,
39:12ele disse,
39:12não, me dê 6 meses
39:13que eu vou cobrir
39:14e, de fato,
39:15no final do ano
39:15ele entregou.
39:16Está aqui os 17 municípios
39:18do Marajó,
39:19todos com promotores
39:20e promotoras.
39:21Isso melhorou muito.
39:24Ou seja,
39:24isso tudo
39:25são gastos públicos.
39:28Os orçamentos
39:29têm que ser prioridade.
39:31Não adianta você dizer
39:32que a prioridade
39:33é uma política pública
39:35se isso não for traduzido
39:36nos recursos
39:37que você vai destinar
39:38para que aquilo aconteça.
39:41Ainda mais agora,
39:43nesses tempos
39:44de orçamento secreto,
39:47que é outra patologia
39:48pornográfica
39:50da República Brasileira.
39:53quer dizer,
39:54os deputados
39:56sequestraram
39:58parte,
40:01grande parte
40:02do orçamento.
40:04E nós estamos falando
40:05do presidencialismo.
40:06E eu falo à vontade
40:07porque a minha convicção
40:09é parlamentarista.
40:10Eu sempre defendi
40:11o parlamentarismo,
40:12mas o que prevalece
40:13no Brasil
40:13é o presidencialismo.
40:15E no presidencialismo,
40:17o poder executivo
40:18é o poder
40:19que comanda
40:22o processo
40:22no que diz respeito
40:23a gastos públicos.
40:24O que está havendo
40:25no Brasil hoje,
40:26de uns quatro anos
40:28para cá,
40:29com esse orçamento secreto,
40:30com essas emendas
40:31pixes,
40:32é que
40:33as emendas parlamentares
40:36representavam
40:364,7%
40:38do orçamento,
40:40agora estão representando
40:4122%
40:42do orçamento
40:42discricionário.
40:43um orçamento
40:44que em 2025
40:45foi de 5 trilhões
40:47e meio
40:47o orçamento
40:48do
40:48o orçamento
40:51brasileiro
40:51do Brasil.
40:53Para gastar em tudo,
40:54o orçamento
40:54de 2025
40:56foi 5 trilhões
40:57e meio.
41:00Desses 5 e meio
41:01trilhões,
41:04o que resta
41:04para verbas discricionárias
41:06de investimento,
41:07digamos assim,
41:08é em torno
41:08de 300,
41:09280,
41:09300 bilhões.
41:11Desses 280,
41:13300 bilhões,
41:15os parlamentares
41:16sequestram 60 bilhões.
41:19Isso é uma distorção
41:20brutal.
41:21E o pior,
41:22a gente não sabe
41:23nessas emendas pixes
41:24qual é a destinação,
41:26quem é que está botando,
41:27quanto está botando.
41:28É como diz
41:29a emenda pixe,
41:30o cara manda direto
41:31para a conta do sujeito.
41:33Isso é crime
41:34que agora,
41:35felizmente,
41:36o ministro Flávio Dino
41:38está botando o dedo
41:38na ferida.
41:39Dizer,
41:40não,
41:40não vou atratar
41:41e está atrasado.
41:42Aí vira
41:42uma sublevação
41:45no Congresso
41:46desse delinquente
41:48quanto mais
41:49chamado Hugo Mota,
41:51comandado por aquele
41:52gangster
41:53Arthur Lira,
41:55que era o presidente anterior,
41:56que inventaram
41:56esse negócio.
41:57Tudo dinheiro,
41:58eles não querem saber
41:59de bem-estar
42:00de criança,
42:00de adolescente,
42:01de pobre,
42:02de nada,
42:02de educação,
42:03coisa alguma.
42:04Vê o patrimônio
42:05desses caras como está.
42:07Então,
42:07isso é uma patologia.
42:08Quem é que pode mudar isso?
42:09Opinião Pública,
42:11denúncia,
42:13Ministério Público,
42:15Juízo,
42:15Poder Judiciário,
42:17é a luta,
42:17para a gente tentar minimizar
42:20um pouco
42:20essas deformações.
42:23Nós já falamos aqui
42:24um pouco
42:24sobre como
42:25o medo
42:26do descrédito
42:27é um aliado
42:28do pedófilo.
42:28As pessoas têm medo
42:29de falar,
42:30as crianças
42:30às vezes não entendem
42:31o que acontece.
42:33A gente teve até
42:33um exemplo recente
42:34do humorista
42:35Marcelo Adnet,
42:35que relatou
42:36que foi abusado
42:37na infância.
42:39Eu queria que o senhor
42:39explicasse para a gente
42:40de que maneira
42:41a lei ampara
42:42a vítima,
42:43de que maneira
42:43ela pode
42:44passar por esse processo
42:46de denúncia,
42:47entender que é importante,
42:49que ela vai ser protegida
42:50nesse processo.
42:51A legislação
42:52é muito boa
42:52nesse sentido.
42:53O ECA,
42:54o Estatuto
42:55da Criança e do Adolescente,
42:56é uma das legislações
42:59que é referência
43:01no mundo inteiro.
43:02Tem gente lá
43:03da Espanha,
43:03da Itália,
43:04não sei de onde,
43:04Portugal,
43:05que vem aqui
43:05copiar a experiência.
43:08Eu mesmo já tive
43:09na Itália,
43:11já tive nos Estados Unidos,
43:13na época da CPI,
43:15palestrando lá,
43:16inclusive,
43:17para pessoas do FBI.
43:19Na época,
43:19fui convidado,
43:20eu e o deputado Severino,
43:23porque eles queriam saber
43:24como é que a gente...
43:25Então,
43:26a legislação
43:26é muito boa.
43:27O que precisa
43:28é a gente colocar
43:29em prática
43:29essa legislação.
43:31A criança
43:32é um agente
43:35de direito
43:36hoje no Brasil.
43:38Antigamente,
43:38não tinha isso,
43:40mas depois
43:41da Constituição
43:41de 88,
43:43do ECA,
43:44que é de 1990,
43:45o Estatuto
43:46da Criança e do Adolescente,
43:47ou seja,
43:47é uma legislação
43:48relativamente nova,
43:51tem 30 e poucos anos,
43:54o Estatuto,
43:54mas é uma lei
43:55muito boa
43:56e que tem sido
43:56aperfeiçoada.
43:58Então,
43:58hoje,
43:58uma criança
43:58que é vítima
43:59de abuso,
44:00ela tem atenção
44:01psicológica,
44:02atenção da assistência
44:04social,
44:04do CRAS,
44:05do CRES,
44:06do Conselho Tutelar,
44:07toda a proteção
44:08para resguardar.
44:10Você não pode,
44:11hoje,
44:12sequer reproduzir
44:14de forma recorrente
44:16o depoimento
44:17da tragédia ocorrida
44:19para não revitimizar
44:20a criança
44:21excessivamente,
44:22às vezes é necessário
44:23para esclarecer
44:24um detalhe ou outro,
44:26não é?
44:26Mas,
44:27até isso,
44:28a gente já tem
44:29uma legislação
44:29que diz,
44:30não,
44:30não pode,
44:31já fez o depoimento
44:32para o Ministério Público,
44:34para a assistente social,
44:35para o Conselheiro Tutelar,
44:38basta,
44:39a não ser que seja
44:39uma situação
44:40muito dispara
44:42que precisa esclarecer
44:43um detalhe,
44:44você recorre
44:45àquela criança
44:46para não revitimizar
44:47toda a história,
44:49que isso é um trauma,
44:49como eu disse,
44:50muito profundo.
44:51Então,
44:51hoje,
44:52a legislação
44:54é muito,
44:54é muito,
44:55é muito
44:57completa,
44:59digamos assim,
44:59ou perfeita,
45:00não é o caso,
45:01que não existe,
45:02mas é bem,
45:02bem,
45:03bem referência
45:04à legislação.
45:06E,
45:06agora,
45:06a questão mesmo
45:07é de cultura,
45:09é de esclarecimento,
45:12de fazer uma campanha
45:13sempre que possível
45:15para que as crianças
45:16sejam,
45:17e os pais
45:18possam orientar
45:20as suas crianças
45:20sobre isso,
45:21esse é o desafio,
45:22que uma criança
45:23não vai pegar isso
45:24no jornal liberal
45:26para ler,
45:27não,
45:27tem que ser os adultos,
45:28tem que dizer,
45:28mano,
45:29venha cá,
45:29bora conversar,
45:30mas aí nunca ninguém
45:31se falou sobre isso,
45:33então tem que ter a primeira vez,
45:34vá lá,
45:34o seu jeito,
45:35tropeçando as palavras,
45:37mas faça aquela criança
45:39entender
45:39que determinadas atitudes
45:41são proibidas
45:43no que diz respeito
45:44à manipulação
45:45do seu corpo
45:46e da sua consciência,
45:49e repito o que eu digo,
45:51esse sistema
45:52de proteção
45:53e de coisa
45:53tem a ver
45:54com a estrutura
45:55de poder,
45:55voltando ao caso
45:56do SEFER,
45:58tem uma rede
46:00de proteção
46:01de poder
46:01protegendo
46:02a condenação
46:03do cumprimento,
46:04o poder judiciário
46:05é isso,
46:08o desembargador
46:09recente nomeado
46:10aqui pelo governador
46:11foi quem
46:12pediu vistas
46:14no processo lá
46:14para tentar
46:15revogar
46:16a condenação,
46:17aí podia fazer isso?
46:18Não,
46:19claro que não,
46:19já tinha decidido
46:21o mérito,
46:22como é que um desembargador
46:23por um expediente,
46:24um pedido de vista
46:25vai tentar revogar
46:26o que foi já decidido
46:27no mérito.
46:29Isso é um absurdo,
46:30isso é uma patologia,
46:31isso é uma jabuticaba,
46:32mas aconteceu,
46:34ao ponto,
46:34repito,
46:35do corregedor nacional
46:37do CNJ
46:37vir aqui e dizer,
46:39vocês estão passando
46:40os limites,
46:40isso não existe.
46:42o procurador-geral do Estado
46:48é sobrinho
46:50do pedófilo,
46:52do criminoso,
46:55as OSs
46:57do SEFER
46:59têm negócios milionários
47:02com o governo,
47:03o filho dele
47:04é da base do governo
47:06de sustentação,
47:08ou seja,
47:09tudo isso
47:10tem a ver,
47:11evidente,
47:12são interesses
47:13que estão sendo ali
47:13protegidos,
47:14não,
47:14não mexe nisso,
47:15deixa para lá,
47:17enfim,
47:18e a impunidade
47:19vai graçando,
47:20infelizmente.
47:21Para encerrar,
47:22eu queria tocar
47:23num assunto
47:23que é muito mais recente,
47:25a questão das big techs,
47:27a gente teve o exemplo
47:28do influenciador Felca
47:30que publicou um documentário
47:31expondo
47:32como algumas marcas,
47:34os algoritmos,
47:34eles até indiretamente
47:36financiam conteúdos
47:37que flertam
47:37com a exploração infantil.
47:40A minha pergunta
47:40para o senhor
47:41é muito direta,
47:41o Congresso brasileiro
47:42tem força
47:43para enfrentar
47:43as big techs hoje?
47:46É uma batalha,
47:47uma batalha,
47:48tem gente a favor
47:48e tem gente contra,
47:50não é?
47:50Você vê o seguinte,
47:51esse Falk,
47:52ele,
47:54ele,
47:55você perguntou ainda agora
47:57o papel das mídias,
47:58como,
48:00da mesma forma
48:01que uma,
48:03a lâmina
48:03de uma faca,
48:04que serve
48:07para cortar
48:08os alimentos
48:08para sustentar
48:10a vida,
48:11ela,
48:11essa mesma lâmina
48:12pode tirar a vida
48:13da pessoa,
48:15não é?
48:16Depende do uso.
48:18A mesma coisa
48:18as redes sociais,
48:20da mesma forma
48:21que as big techs
48:22e que forma criminosa,
48:24porque tem uma,
48:24tem uma economia
48:25rodando,
48:26no capitalismo
48:27não tem Coca-Cola
48:28de graça,
48:29nem arroz e feijão
48:31de graça
48:31para ninguém.
48:33A indústria
48:35da pedofilia,
48:36chamada,
48:38de forma genérica,
48:40é a terceira maior
48:41indústria econômica
48:42do Brasil.
48:44Perde para,
48:45para o tráfico
48:45de drogas
48:46e para o tráfico
48:49de armas.
48:51O terceiro maior fator
48:52é o tráfico
48:53de pornografia
48:54e de tráfico
48:56humano,
48:57de crianças
48:57e para toda a fim.
48:58Então,
48:59isso envolve bilhões
49:00com B maiúsculo.
49:03Então,
49:04da mesma forma
49:04que tem gente
49:05alimentando
49:06essas redes
49:07de pedofilia
49:10para todo fim,
49:13por dinheiro,
49:14tem uma rede social
49:15com esse rapaz
49:16que faz
49:17um depoimento
49:18emocionado,
49:20verdadeiro,
49:21baseado em dados
49:22que tem aí,
49:23sei lá,
49:23não sei quantos milhões
49:24de visualizações
49:25e mudou o jogo
49:26da opinião pública,
49:29alertou em geral.
49:30Então,
49:31eu acho que
49:31é esse,
49:33é essa dicotomia,
49:35essa dialética
49:36permanente
49:37que nós vamos ter
49:37que enfrentar.
49:39Há condições
49:40de fazer esse enfrentamento?
49:41Há condições
49:42de fazer esse enfrentamento,
49:44mas isso vai
49:44contrariar interesses.
49:47Ah,
49:47mas o caso
49:48do Master,
49:50do Banco Master,
49:51que absurdo,
49:52como é que
49:52o Banco Central
49:53conviveu durante tempo,
49:55o cara comprando
49:55títulos
49:56duas,
49:57três vezes,
49:58dez vezes mais
49:59do que os títulos
50:00regulares?
50:02Isso foi visto.
50:05Muita gente sabia
50:06e deixou,
50:07porque ganhava dinheiro
50:09com essa malandragem,
50:11sabendo que ia se estourar.
50:12Estourou.
50:14E agora tem gente
50:15querendo proteger.
50:15Da mesma forma
50:17que a opinião pública,
50:18pelo menos
50:19a opinião pública
50:20majoritária
50:23da imprensa
50:25televisionada,
50:27escrita,
50:27está criticando
50:28e dizendo
50:29não vai ter pizza,
50:31vamos ter que apurar,
50:32etc., etc.,
50:33tem gente querendo
50:33apavorado.
50:35Tem deputado,
50:36ministro,
50:37empresário,
50:38que está
50:38há duas semanas
50:40sem dormir direito,
50:42à base do Riverotril,
50:43porque
50:44a chapa
50:46está esquentando
50:47para eles.
50:47então eu acho
50:48que o papel
50:50das big techs
50:51é absolutamente
50:52deletério,
50:54prejudicial,
50:55mas muita gente
50:57ganha dinheiro
50:57com isso.
50:58Então precisa ter
50:58um enfrentamento,
51:00digamos assim,
51:01compatível
51:02com esta grandeza
51:03econômica
51:04que está sendo feita.
51:05Não pensa que
51:06ainda tem gente
51:08que defende big techs.
51:09Pois é,
51:09tem,
51:10ninguém diz
51:11que defende.
51:12Se perguntar
51:13num papo
51:13de botequim,
51:16ninguém defende.
51:17mas muito
51:18daqueles que dizem
51:19que não defendem
51:20por trás das bombas
51:22silenciosamente
51:23defendem
51:23porque têm
51:24interesses econômicos
51:25por trás disso.
51:26Então eu acho
51:28que isso é um desafio
51:29da opinião pública,
51:30a mesma coisa
51:31do fake news.
51:33É um problema.
51:35Quem é que defende
51:36de sã inconsciência
51:38fake news?
51:40É difícil
51:40encontrar uma pessoa
51:41e dizer assim,
51:41eu defendo.
51:43Mas o cara
51:44de vez em quando
51:44reproduz uma matéria
51:45sem fazer
51:47o chequeio devido.
51:49Quer dizer,
51:49é um pouco
51:50da história
51:51da hipocrisia
51:52do brasileiro.
51:54A Folha de São Paulo
51:56fez uma pesquisa
51:57há uns anos atrás
51:58perguntando
51:59se havia,
52:00na opinião
52:01das pessoas,
52:02duas mil entrevistas
52:03no Brasil inteiro,
52:05se as pessoas
52:06achavam
52:07que tinha preconceito
52:08racial
52:10no Brasil.
52:1093%
52:12admitiram
52:14que tinha
52:14preconceito
52:15racial.
52:17Passou um mês,
52:19a mesma Folha de São Paulo
52:21fez mais
52:22duas mil entrevistas
52:23no Brasil inteiro.
52:24A mesma metodologia
52:25se as pessoas
52:27se consideravam
52:28preconceituosas
52:29racialmente.
52:3097%
52:33diziam
52:33que não.
52:37Então,
52:38quer dizer,
52:40tem o crime,
52:42mas não tem o criminoso.
52:45Quase a unanimidade
52:46admitiam
52:47preconceito
52:48racial
52:48e quase a unanimidade
52:50diziam
52:52que não eram
52:53preconceituosos.
52:54ou seja,
52:57a conta
52:57não bate.
53:00Alguém
53:00que é muito
53:00preconceituoso
53:01diz que não é
53:02preconceituoso
53:02porque fica
53:03feio
53:04na fita,
53:07admitir
53:08que tem preconceito,
53:09mas todo mundo
53:09tem um pouco
53:10ou mais.
53:11Mas é isso,
53:12é a hipocrisia
53:13do brasileiro.
53:15Deputado,
53:16muito obrigado
53:16pela sua presença.
53:17Eu que te agradeço,
53:18parabéns
53:18pela entrevista,
53:19bacana,
53:21e sucesso
53:22nesses desafios
53:23que são
53:24para todos nós.
53:25A você que nos acompanhou
53:26até aqui,
53:27obrigado pela audiência.
53:28Acesse oliberal.com
53:29e as nossas redes sociais
53:30para ver outros conteúdos.
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